«Eis a primeira aberração: o número! Em Portugal há um excesso de docentes, mal justificado com um excesso de aulas (desnecessárias). Uma triste herança do PREC quando um assistente doutorado passava imediatamente a professor auxiliar da sua universidade (um direito adquirido). Sempre lutei contra a endogamia, encorajando os novos doutores a concorrerem a outras universidades. E sempre me bati - sem sucesso, devo confessar, e muitas vezes incorrendo na ira de colegas e reitores pela distinção entre concursos académicos de recrutamento e de promoção, com escolha rigorosa dos melhores. Esta forma subtil de endogamia é o cancro que afeta todas as universidades portuguesas. E é difícil de combater porque a autonomia universitária é uma ficção, e os portugueses, na generalidade, servem -se a si próprios e aos seus parentes e amigos, antes de servir as instituições onde trabalham e o seu país. (Olhem para a política, a banca, a PT que Deus tem, etc.) Para complicar ainda mais o problema, há o terrível equívoco de que o doutoramento se destina a uma carreira académica ou de investigação. O doutoramento é o treino/ aprendizagem para resolver problemas novos, a ser realizado entre os 23-30 anos. Não é um frete para acrescentar o Doutor por extenso ao nome (como acontece muitas vezes em Portugal). Abaixo os títulos no dia a dia! Acho ridículo uma pessoa de 40-50 anos querer doutorar-se. Ou já tem um bom currículo, e não vale a pena; ou não tem, e já é tarde. Por outro lado, o que se aprende com o doutoramento na altura certa serve para qualquer outra atividade. Serve para pensar - e pensar cientificamente (experimentar, estar aberto à novidade, saber refutar as próprias certezas) é útil em qualquer profissão.»
Excerto de «Ciência em Portugal», Jorge Calado na Revista do Expresso
Jorge Calado é um intelectual no sentido próprio da palavra, com uma imensa cultura e, tendo sido um reputado professor do IST, sabe bem do que fala quando fala do cancro da generalidade das universidades portuguesas que os patetas de serviço passam a vida a louvaminhar.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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12/03/2019
27/09/2017
CASE STUDY: Porque haveria de ser diferente nas universidades?
Um «estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência vem confirmar a existência de endogamia académica nas universidades portuguesas» escreveu o Público num artigo com o sugestivo título «No ensino superior não é o mérito que comanda as contratações». No ensino superior e no resto, poderiam ter acrescentado. Um dos exemplos extremos onde 99% dos docentes são doutorados pela própria faculdade é... a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Parece que a coisa surpreendeu muita gente. Não se percebe porquê. Pois se estamos num país em que o clientelismo e o nepotismo são endémicos e o inbreeding foi e é o sistema por excelência de reprodução das elites, porque haveria de ser diferente nas universidades?
16/09/2016
LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: A discriminação de género e o género de discriminação
Li algures que alguém (deveria ser uma mulher, mas não garanto) se queixava que das 18 empresas que integram o PSI 20 só uma é presidida por uma mulher e só uma tem uma CFO.
Tem toda a razão, mas menos do que alguém que se queixasse que o PSI 20 deveria ser rebaptizado para PSI 18 ou ainda menos razão do que alguém que se queixasse que as 18 empresas do PSI 20 são presididas por 17 marmanjos e uma marmanja pertencentes ao círculo das famílias do regime, círculo que no antigo regime se chamava de «boas famílias». Ou muito menos razão do que alguém que se queixasse que o antigo e novo regimes são pouco diferentes em matéria de mobilidade social, visto que em ambos os regimes o inbreeding foi e é o sistema por excelência de reprodução das elites. A perenidade do inbreeding assegurará certamente, mais tarde ou mais cedo, a igualdade entresexos géneros. O que não é certo é que assegure a igualdade de oportunidades.
Três notas:
Tem toda a razão, mas menos do que alguém que se queixasse que o PSI 20 deveria ser rebaptizado para PSI 18 ou ainda menos razão do que alguém que se queixasse que as 18 empresas do PSI 20 são presididas por 17 marmanjos e uma marmanja pertencentes ao círculo das famílias do regime, círculo que no antigo regime se chamava de «boas famílias». Ou muito menos razão do que alguém que se queixasse que o antigo e novo regimes são pouco diferentes em matéria de mobilidade social, visto que em ambos os regimes o inbreeding foi e é o sistema por excelência de reprodução das elites. A perenidade do inbreeding assegurará certamente, mais tarde ou mais cedo, a igualdade entre
Três notas:
- Ao contrário do que possa parecer o título desta série de posts não menoriza o
sexogénero feminino. Ver aqui porquê. - Para mais exemplos deste tipo ver a etiqueta inbreeding.
- Recordo, a propósito de elites, um dos lemas de estimação do (Im)pertinências: «Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.»
06/09/2009
ESTADO DE SÍTIO: as notícias da equivalência entre o cancelamento do Jornal Nacional de Sexta da TVI e o «saneamento» do professor Marcelo são grandemente exageradas
Nos últimos dias li dezenas de equivalências explícitas ou implícitas entre estes dois exemplos de intervenção dos poderes fácticos na liberdade de imprensa, o que demonstra que a memória dos povos é curta e que o discurso do poder contamina o discurso do anti-poder. Contudo, a única coisa comum é ambos os casos se passarem com a TVI. Para refrescar as memórias, desenterrei da torre de tombo o post de há quase cinco anos «A estória está mal contada ou o Impertinências é a Tatiana Romanova», que adiante se republica.
Durante um almoço entre um professor universitário e político e um presidente dum grupo de média, no qual o primeiro fazia o papel de comentador, ambos pertencentes ao círculo das 200 famílias (193 alfacinhas, meia dúzia do Porto e uma de Marco de Canavezes) que constituem la crème de la crème da nação, com uma elevada taxa de inbreeding, os dois ligados por laços parentais (a namorada de um é irmão da mulher do outro), durante o almoço, dizia eu, o presidente pede ao comentador para «"repensar" o conteúdo dos seus comentários dominicais». Este considera-se pressionado e, após a sobremesa, conclui: «Só vejo uma solução, eu saio.» [ver por exemplo o DN]
Esta estória foi contada pelo comentador à AACS, após 3 semanas de intenso circo mediático, numa sessão que, por coincidência, foi aberta aos média e amplamente divulgada pelas televisões.
No dia seguinte um empregado (Pedro Pinto) do presidente do grupo de média, durante uma entrevista na televisão do grupo pergunta insolentemente ao seu patrão a propósito das declarações dele e do comentador: «há aqui duas versões de uma mesma conversa entre duas pessoas. Alguém está a mentir. Não acha Eng. Paes do Amaral?».
Se o professor Marcelo é uma vítima de pressões e de limitação da sua liberdade de expressão, então eu sou a Tatiana Romanova e vou ali e já venho. Quando voltar vou propor ao doutor Sampaio que receba em audiência o jornalista Pedro Pinto, lhe atribua a Ordem de Santiago e, no próximo 10 de Junho, o declare herói da pátria por feitos na guerra contra o patronato pela defesa da liberdade de expressão.
23/09/2007
BLOGARIDADES: um sistema aberto não é um sistema fechado
Não é a primeira vez que Pacheco Pereira se revela desconcortável com a vulgaridade dominante na Web, na blogosfera e em especial no centro geométrico das blogaridades que é a bloguilha. Desta vez é mais evidente do que o costume. Refiro-me ao post ESTA' A INTERNET A MATAR A NOSSA CULTURA? publicado no dia 12 - já com barbas pela bitola da blogosfera.Nesse post JPP faz eco do livro de Andrew Keen «The cult of the amateur» que tem como subtítulo o título do seu post. Esclareço que não li o livro, nem prevejo que venha a lê-lo, a não ser que a prosa resista 10 anos. Adoptando (com reservas) algumas das angústias de Keen, JPP conclui preocupado não saber «até que ponto se encontrará um qualquer equilíbrio que trave o lixo demagógico que hoje enche tudo impante da sua nova voz tecnológica e salve a "nossa cultura", mas não posso, em nome dessa mesma "cultura", deixar de valorizar o acesso de milhões à porta de um mundo em que habita o "espírito", mesmo que assustado com tanta confusão.»
Não se vê motivo para tamanha preocupação. Pelo contrário, a pletora de amadores na Web, um fenómeno natural resultante da banalização da internet, constitui uma evolução desejável de vários pontos de vista e reflecte a extensão duma literacia que umas décadas atrás estava reservada a elites, frequentemente decadentes e quase sempre cooptando-se no interior das suas capelas bafientas. Essa literacia é visível até na bloguilha onde milhares de portugas discorrem num português escorreito (*) e, frequentemente, com pertinência (ocorre-me agora que este blogue se chama Impertinências) sobre os mais variados temas. Pode não ser uma academia, mas é um fórum bastante ventilado onde se confrontam ideias. É um mercado de ideias, onde da quantidade se pode depurar a qualidade, como em quase tudo.
Das centenas de milhar de miúdos e praticantes de todas as idades - amadores - que com mais ou menos jeito chutam bolas em becos e campos pelados, podem surgir Figos e Cristianos Ronaldos e, pasme-se, até Mourinhos. Dumas centenas de criaturas em inbreeding, que vivem num raio de 10 quilómetros com centro no Estoril, que frequentaram os mesmos colégios, que vão às mesmas missas, que treinam uns com os outros, podem surgir uns outros amadores, uns Sousas Uvas, que episodicamente fazem um brilharete no râguebi. Não mais do que isso.
Que a qualidade sobrevive sem dificuldade à quantidade poderia deduzir-se do facto do Abrupto (que certamente JPP considerará um paradigma dos blogues) resistir tão bem à concorrência que até está entre os mais visitados da bloguilha. Não fosse a concorrência tão numerosa e o Abrupto teria muito menos freguesia.
(*) Há excepções. Algumas nelas notáveis, como o maradona que escreve com imensos erros por diletantismo, presumo.
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09/04/2007
ARTIGO DEFUNTO: há pressão e pressão
Há 2 anos e meio, durante um almoço entre um professor universitário e político e um presidente dum grupo de média, no qual o primeiro fazia o papel de comentador, ambos pertencentes ao círculo das 200 famílias (193 alfacinhas, meia dúzia do Porto e uma de Marco de Canavezes) que constituem la crème de la crème da nação, com uma elevada taxa de inbreeding, os dois ligados por laços parentais (a namorada de um é irmão da mulher do outro), durante o almoço, dizia eu, o presidente pede ao comentador para «"repensar" o conteúdo dos seus comentários dominicais». Este considera-se pressionado e, após a sobremesa, conclui: «Só vejo uma solução, eu saio.» (ver este post do Impertinências)
Isto foi pressão? Foi sim senhor.
Durante a «semana que durou a investigação do PÚBLICO, o 'Expresso' apurou que José Sócrates ligou, pelo menos, seis vezes ao jornalista que investigou a história» e sucederam-se «os telefonemas de assessores de imprensa para os jornalistas de vários jornais» (Público).
Isto foi pressão? Não foi não senhor.
Isto foi pressão? Foi sim senhor.
Durante a «semana que durou a investigação do PÚBLICO, o 'Expresso' apurou que José Sócrates ligou, pelo menos, seis vezes ao jornalista que investigou a história» e sucederam-se «os telefonemas de assessores de imprensa para os jornalistas de vários jornais» (Público).
Isto foi pressão? Não foi não senhor.
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05/01/2006
SERVIÇO PÚBLICO: como sabotar as candidaturas desalinhadas
O sistema do regime está montado para garantir o inbreeding do pessoal político. Primeiro as «juventudes» partidárias encarregam-se de seleccionar e recrutar os resíduos do mercado de trabalho. Depois, as máquinas partidárias fazem o feeding e a formatação mediocrata dos jovens políticos, entretanto precocemente envelhecidos. Continuam com a engorda do pessoal nos órgãos de soberania, nas autarquias ou em outras das múltiplas sinecuras que o estado napoleónico-estalinista proporciona.
O fecho de abóbada são os apertados filtros que a nomenklatura coloca às tentativas dos outsiders penetrarem a barbacã do regime. Exemplos? O vergonhoso processo kafkiano que o Tribunal Constitucional aplicou à candidatura de Manuela Magno.
O fecho de abóbada são os apertados filtros que a nomenklatura coloca às tentativas dos outsiders penetrarem a barbacã do regime. Exemplos? O vergonhoso processo kafkiano que o Tribunal Constitucional aplicou à candidatura de Manuela Magno.
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29/10/2004
DIÁRIO DE BORDO: A estória está mal contada ou o Impertinências é a Tatiana Romanova.
Durante um almoço entre um professor universitário e político e um presidente dum grupo de média, no qual o primeiro fazia o papel de comentador, ambos pertencentes ao círculo das 200 famílias (193 alfacinhas, meia dúzia do Porto e uma de Marco de Canavezes) que constituem la crème de la crème da nação, com uma elevada taxa de inbreeding, os dois ligados por laços parentais (a namorada de um é irmão da mulher do outro), durante o almoço, dizia eu, o presidente pede ao comentador para «"repensar" o conteúdo dos seus comentários dominicais». Este considera-se pressionado e, após a sobremesa, conclui: «Só vejo uma solução, eu saio.» [ver por exemplo o DN]
Esta estória foi contada pelo comentador à AACS, após 3 semanas de intenso circo mediático, numa sessão que, por coincidência, foi aberta aos média e amplamente divulgada pelas televisões.
No dia seguinte um empregado (Pedro Pinto) do presidente do grupo de média, durante uma entrevista na televisão do grupo pergunta insolentemente ao seu patrão a propósito das declarações dele e do comentador: «há aqui duas versões de uma mesma conversa entre duas pessoas. Alguém está a mentir. Não acha Eng. Paes do Amaral?».
Se o professor Marcelo é uma vítima de pressões e de limitação da sua liberdade de expressão, então eu sou a Tatiana Romanova e vou ali e já venho. Quando voltar vou propor ao doutor Sampaio que receba em audiência o jornalista Pedro Pinto, lhe atribuia a Ordem de Santiago e, no próximo 10 de Junho, o declare herói da pátria por feitos na guerra contra o patronato pela defesa da liberdade de expressão.
PS: Com este post o Impertinências ascende à categoria de luminária (entretida com o circo do professor Marcelo). Não é todos os dias que isto acontece.
Esta estória foi contada pelo comentador à AACS, após 3 semanas de intenso circo mediático, numa sessão que, por coincidência, foi aberta aos média e amplamente divulgada pelas televisões.
No dia seguinte um empregado (Pedro Pinto) do presidente do grupo de média, durante uma entrevista na televisão do grupo pergunta insolentemente ao seu patrão a propósito das declarações dele e do comentador: «há aqui duas versões de uma mesma conversa entre duas pessoas. Alguém está a mentir. Não acha Eng. Paes do Amaral?».
Se o professor Marcelo é uma vítima de pressões e de limitação da sua liberdade de expressão, então eu sou a Tatiana Romanova e vou ali e já venho. Quando voltar vou propor ao doutor Sampaio que receba em audiência o jornalista Pedro Pinto, lhe atribuia a Ordem de Santiago e, no próximo 10 de Junho, o declare herói da pátria por feitos na guerra contra o patronato pela defesa da liberdade de expressão.
PS: Com este post o Impertinências ascende à categoria de luminária (entretida com o circo do professor Marcelo). Não é todos os dias que isto acontece.
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