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16/09/2016

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: A discriminação de género e o género de discriminação

Li algures que alguém (deveria ser uma mulher, mas não garanto) se queixava que das 18 empresas que integram o PSI 20 só uma é presidida por uma mulher e só uma tem uma CFO.

Tem toda a razão, mas menos do que alguém que se queixasse que o PSI 20 deveria ser rebaptizado para PSI 18 ou ainda menos razão do que alguém que se queixasse que as 18 empresas do PSI 20 são presididas por 17 marmanjos e uma marmanja pertencentes ao círculo das famílias do regime, círculo que no antigo regime se chamava de «boas famílias». Ou muito menos razão do que alguém que se queixasse que o antigo e novo regimes são pouco diferentes em matéria de mobilidade social, visto que em ambos os regimes o inbreeding foi e é o sistema por excelência de reprodução das elites. A perenidade do inbreeding assegurará certamente, mais tarde ou mais cedo, a igualdade entre sexos géneros. O que não é certo é que assegure a igualdade de oportunidades.

Três notas:
  1. Ao contrário do que possa parecer o título desta série de posts não menoriza o sexo género feminino. Ver aqui porquê.
  2. Para mais exemplos deste tipo ver a etiqueta inbreeding
  3. Recordo, a propósito de elites, um dos lemas de estimação do (Im)pertinências: «Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.»

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