«A Comissão Europeia considera que o eixo Lisboa-Madrid da rede de Alta Velocidade pode não ser economicamente atractivo. Num relatório do coordenador Etienne Davignon, responsável em Bruxelas para o projecto no sudoeste da Europa, a Comissão considera que a linha, apesar de ser mista, “terá grandes limites de capacidade no que respeita ao transporte de mercadorias pelo que, possivelmente, não será economicamente atractiva”». (Jornal de Negócios)
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
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15/10/2008
CASE STUDY: A falta de atractividade económica como critério de investimento.
«A Comissão Europeia considera que o eixo Lisboa-Madrid da rede de Alta Velocidade pode não ser economicamente atractivo. Num relatório do coordenador Etienne Davignon, responsável em Bruxelas para o projecto no sudoeste da Europa, a Comissão considera que a linha, apesar de ser mista, “terá grandes limites de capacidade no que respeita ao transporte de mercadorias pelo que, possivelmente, não será economicamente atractiva”». (Jornal de Negócios)
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24/04/2008
Galileo. Et pur si muove niente
Nascido em 2001 com a preocupação de dotar a União Europeia dum sistema de navegação por satélite que deveria tornar obsoleto o sistema GPS ianque, o projecto Galileo tem-se arrastado no limbo da eurocracia, torrando pelo caminho uns milhões de euros, em simples exercícios de aquecimento para torrar uns milhares de milhões nos próximos anos.
Ontem o Parlamento Europeu aprovou o orçamento e o plano do projecto. É claro que isso não significa nada, ou pior, é uma garantia de se torrarem os tais milhares de milhões por uma quimera. O que se passou nos últimos 8 anos, com um consórcio de 8 grandes empresas europeias de 5 países (EADS, Thales, Alcatel-Lucent, Inmarsat, Finmeccanica, AENA, Hispasat, TeleOp e Deutsche Telekom) que não se entenderam nem para decidir onde deveriam ficar as instalações, dá uma pálida ideia do que nos reserva o futuro.
No entanto, o gesto foi suficiente para aliviar algumas almas, como a do Hexágono Quântico, linkado à notícia do Público, que acredita que o Galileo «permitirá reforçar a identidade científica europeia e desenvolver a independência da União no domínio estratégico da localização via satélite. Constitui, portanto, uma verdadeira alternativa ao surgimento de um monopólio em benefício do sistema GPS americano.»
Permito-me duvidar. Em primeiro lugar porque o projecto Galileo, como foi admitido pela Comissão Europeia, não tem interesse comercial, querendo com isto dizer nas entrelinhas que terá que ser financiado com dinheiros públicos, isto é com a aplicação compulsiva de dinheiros privados. No final o projecto Galileo poderá eventualmente produzir um sistema operacional, mas terá sido essencialmente um expediente dos grandes campeões nacionais serem financiados pelos contribuintes que o continuarão a pagar por ser sistema comercialmente inviável.
Segundo, quando estiver pronto em 2013, o sistema GPS (que não custa um cêntimo aos contribuintes europeus) já terá sido melhorado e o Galileo terá que competir ainda com o Glosnass russo e o sistema chinês.
Terceiro, porque o argumento que o sistema GPS poderá ser desligado pelo exército ianque em caso de conflito militar não parece muito credível. Apesar dos vários conflitos ocorridos e em curso (incluindo as 2 invasões do Iraque) o sistema esteve sempre disponível e um conflito ou ameaça global que deixasse inoperacional o GPS afectaria irremediavelmente o Galileo.
Ontem o Parlamento Europeu aprovou o orçamento e o plano do projecto. É claro que isso não significa nada, ou pior, é uma garantia de se torrarem os tais milhares de milhões por uma quimera. O que se passou nos últimos 8 anos, com um consórcio de 8 grandes empresas europeias de 5 países (EADS, Thales, Alcatel-Lucent, Inmarsat, Finmeccanica, AENA, Hispasat, TeleOp e Deutsche Telekom) que não se entenderam nem para decidir onde deveriam ficar as instalações, dá uma pálida ideia do que nos reserva o futuro.
No entanto, o gesto foi suficiente para aliviar algumas almas, como a do Hexágono Quântico, linkado à notícia do Público, que acredita que o Galileo «permitirá reforçar a identidade científica europeia e desenvolver a independência da União no domínio estratégico da localização via satélite. Constitui, portanto, uma verdadeira alternativa ao surgimento de um monopólio em benefício do sistema GPS americano.»
Permito-me duvidar. Em primeiro lugar porque o projecto Galileo, como foi admitido pela Comissão Europeia, não tem interesse comercial, querendo com isto dizer nas entrelinhas que terá que ser financiado com dinheiros públicos, isto é com a aplicação compulsiva de dinheiros privados. No final o projecto Galileo poderá eventualmente produzir um sistema operacional, mas terá sido essencialmente um expediente dos grandes campeões nacionais serem financiados pelos contribuintes que o continuarão a pagar por ser sistema comercialmente inviável.
Segundo, quando estiver pronto em 2013, o sistema GPS (que não custa um cêntimo aos contribuintes europeus) já terá sido melhorado e o Galileo terá que competir ainda com o Glosnass russo e o sistema chinês.
Terceiro, porque o argumento que o sistema GPS poderá ser desligado pelo exército ianque em caso de conflito militar não parece muito credível. Apesar dos vários conflitos ocorridos e em curso (incluindo as 2 invasões do Iraque) o sistema esteve sempre disponível e um conflito ou ameaça global que deixasse inoperacional o GPS afectaria irremediavelmente o Galileo.
24/02/2007
SERVIÇO PÚBLICO: as pirâmides do estado napoleónico-estalinista (10) - o efeito Pony Express
Já aqui se questionou o interesse económico de torrar milhares de milhões no TGV para reduzir 1,5 hora no trajecto Lisboa-Porto, sobretudo depois de se ter torrado 20 vezes o valor orçamentado para a modernização da linha do Norte. A coisa é mais grave porque, como aqui recordei, se o objectivo dessa modernização tivesse sido alcançado a duração da viagem Lisboa-Porto ficaria em 2h 15m e o TGV seria totalmente inútil.
Se levarmos em conta que a potencial procura do TGV Lisboa-Porto será na sua maioria constituída por gente de negócios, podemos colocar uma outra questão muito interessante, a que chamarei o efeito Pony Express. (1) Porque não investe o governo uma fracção insignificante do investimento necessário ao TGV na disponibilização duma infra-estrutura pública de teleconferência como a TelePresence da Cisco? (2)
Mesmo sabendo que uma parte da gente de negócios ainda se encontra no estado labrego e nunca usaria tal meio, optando por continuar a viajar no Intercidades (eu se mandasse na CP só lhes vendia bilhetes nos Inter-Regionais), acho provável que os restantes optassem por evitar percorrer 700 km para fazer uma conversa de 1 ou 2 horas.
(1) Hoje não tenho tempo de contar esta estória. Fica para a próxima.
(2) John T., depois falamos sobre o success fee.
Vedes algum labrego na sala?
Se levarmos em conta que a potencial procura do TGV Lisboa-Porto será na sua maioria constituída por gente de negócios, podemos colocar uma outra questão muito interessante, a que chamarei o efeito Pony Express. (1) Porque não investe o governo uma fracção insignificante do investimento necessário ao TGV na disponibilização duma infra-estrutura pública de teleconferência como a TelePresence da Cisco? (2)
Mesmo sabendo que uma parte da gente de negócios ainda se encontra no estado labrego e nunca usaria tal meio, optando por continuar a viajar no Intercidades (eu se mandasse na CP só lhes vendia bilhetes nos Inter-Regionais), acho provável que os restantes optassem por evitar percorrer 700 km para fazer uma conversa de 1 ou 2 horas.
(1) Hoje não tenho tempo de contar esta estória. Fica para a próxima.
(2) John T., depois falamos sobre o success fee.
Vedes algum labrego na sala?
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