Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

21/07/2019

CASE STUDY: Um imenso Portugal (52) - Bolsonaro foi eleito pela corrupção extrema do pêtismo

[Outros imensos Portugais]

«O ex-ministro Antonio Palocci afirmou, em acordo de delação premiada homologado pela Justiça, que alguns dos principais bancos do país fizeram doações eleitorais que somam R$ 50 milhões a campanhas do PT em troca de favorecimentos nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Em trechos de sua delação obtidos pelo GLOBO, Palocci citou casos envolvendo Bradesco, Safra, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Banco do Brasil. O interesse das instituições, de acordo com o ex-ministro, ia de informações privilegiadas sobre mudanças na taxa básica de juros, a Selic, até a busca por apoio do governo na defesa de interesses das instituições e seus acionistas.» (O Globo)

20/07/2019

CASE STUDY: Trumpologia (48) - Podem queixar-se deles próprios

Mais trumpologia.

«Our analysis of polls and election results suggests that President Trump’s Electoral College advantage may be even larger than it was in 2016» concluiu o New York Times.

A infelicidade que é para os americanos terem um narcisista demagogo como presidente, com um provável segundo mandato à vista, deve-se menos aos seus admiradores do que aos seus detractores que inspirando repugnância àqueles a quem Hillary Clinton chamava deplorables inspiram complacência em relação ao Donaldo. O próprio NYT para isso contribui com as suas constantes notícias e duas ou três newletters diárias obsessivamente focadas no Donaldo, verdadeiros exercícios de double-standards.

Os quereres do berloquismo


Li com pasmo este inventário de Helena Matos dos 15 quereres do Berloque de Esquerda, só este mês e até hoje, que vão desde o «alargar dispensa de três horas para levar filhos à escola ao privado» até ao «englobar rendimentos prediais e de capitais no IRS».

É o esquerdismo não já como «doença infantil do comunismo» mas como doença senil do socialismo, com a actualização da palavra de ordem no PREC dos pais e tios dos actuais berloquistas de «os ricos que paguem a crise» para «os contribuintes que paguem a festa».

19/07/2019

Primeiro cria-se o problema, depois arranjam-se soluções que criam outros problemas e assim sucessivamente



«O Ministério da Educação lançou hoje uma campanha para sensibilizar pais, alunos, professores e diretores escolares a adotar medidas que reduzam o peso excessivo das mochilas, como o uso partilhado dos manuais de forma rotativa.»

Primeiro, adoptam-se mais de mil manuais para o ensino básico e secundário, muitos deles redundantes e uma boa parte inútil que nem sequer é usada pelos alunos - perguntem aos vossos filhos e aos dos vossos amigos.

De seguida, obrigam-se os alunos a carregarem os manuais todos os dias para a escola.

Depois, os alunos queixam-se aos pais, que se queixam aos professores, que se queixam aos apparatchiks do ME pelo peso excessivo nas costas dos alunos.

Para "resolver" o problema juntam-se umas dúzias de apparatchiks do ME para parirem a «campanha “Mochila Leve” com 22 medidas de planificação, gestão do material escolar e iniciativas que envolvem os encarregados de educação e quem trabalha nas escolas

Inicia-se assim um novo ciclo que vai complicar tudo e, dentro de algum tempo, juntam-se outras dúzias de apparatchiks para parirem mais medidas para resolver o problema criado pelas anteriores, problema que até pode ser nenhum se, como é provável, a campanha “Mochila Leve” não produzir quaisquer resultados.

18/07/2019

CASE STUDY: Trumpologia (47) - O que sabem 137 democratas que os outros não sabem?

Mais trumpologia.

Na última contagem eram duas dúzias de candidatos democratas a competirem para disputarem a presidência ao Donaldo.

A complicar as coisas para os democratas, ontem quarta-feira, a Câmara de Representantes reprovou uma tentativa de impeachment de Trump pelas suas declarações que a Câmara condenou como racistas, acusando-o de ter ridicularizado e desacreditado a administração. Os representantes democratas dividiram-se na votação e só 95 aprovaram a moção que foi reprovada por 137. (NYT)

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (88) - A queda anunciada de um esquerdista senil às mãos do seu lugar-tenente


«We’ll have a new prime minister next week, but who will he be up against? Maybe not Jeremy Corbyn, says Isabel Hardman: the plot to depose the Labour leader is stepping up because Tom Watson, his deputy, has hatched a plan. Watson would like to build a centrist answer to Momentum, the Corbynite campaign group, and his aim is to harangue Corbyn until he quits.» (Spectator)

17/07/2019

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: A polícia dos costumes já chegou aos talhos

Segundo o Movimento Democrático de Mulheres, o anúncio seguinte «ajuda a manter estereótipos de género, a disseminar e a naturalizar o desrespeito pelas mulheres enquanto seres humanos, desrespeito esse que incita à submissão, ao escárnio e à própria violência contra as mulheres.» (Público)


Pelo contrário, a imagem seguinte da campanha da marca Suistudio em 2017 da holandesa Suitsupply ajuda a combater os estereótipos de género, a disseminar e a naturalizar o respeito pelas mulheres enquanto seres humanos.

Quem disse que os africanos não fazem parte da Cristandade?

«O grande erro de MF Bonifácio (pessoa que, sublinho, abomino e de quem repudio tudo o que escreve, seja artigos académicos, crónicas nos jornais ou recados para a mãe) foi não ser de esquerda. O segundo, foi ter sido factualmente incorrecta e logo desmentida pela realidade. Bonifácio (que, lembro, esconjuro e decreto que lhe salguem o útero, para que não nasçam Bonifacinhos racistas) disse que os africanos não fazem parte da Cristandade e, passados dois dias, Mamadou Ba veio contradizê-la ao demonstrar que está perfeitamente integrado na cultura desse momento-chave da Cristandade que é a Inquisição. O nosso Torquemada dos Trópicos apareceu logo a exigir o respectivo auto-de-fé.»

José Diogo Quintela repôs aqui a verdade história deturpada por Fátima Bonifácio.

16/07/2019

Mais tarde ou mais cedo, as profecias do (Im)pertinências realizam-se



Ainda não chegámos lá mas estamos a caminho da minha profecia de há três anos:
Um dia chegará em que veremos um filme de James Bond dirigido por uma lésbica muçulmana, protagonizado por um James transexual do Soweto, um gay asiático como Bond girl e uma gueisha bissexual como Dr. No. E, para equilibrar as coisas, teremos na ópera um baixo maori a interpretar a Cio-cio-san da Madama Butterfly e um índio navajo no papel de Mr Pinkerton.
E, por falar em profecias, profetizo que dentro de uma década ou duas, o homem branco heterossexual será considerado uma espécie de género ameaçada pela International Union for Conservation of Nature (IUCN) e viverá em zonas protegidas para impedir a sua caça pelos outros 70 géneros.

Um amigo enviou-me há dias uma mensagem:
«Quando nasci era proibido ser gay. Depois passou a ser tolerado, desde que às escondidas... antes de ser aceite publicamente. Rapidamente se transformou num orgulho. Espero morrer antes que se torne obrigatório.»
Perguntei-lhe se estava com alguma doença grave.

Mitos (268) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (7) - «Quem acha que as mulheres devem ganhar mais, deve sintonizar sempre que pode a televisão para ver os jogos femininos»

Outros mitos: (1), (2), (3), (4), (5) e (6)

Este é um dos temas que mais se presta à demagogia e desonestidade intelectual que alimentam as ondas de indignação propagadas pelas redes sociais nas mentes fracas e pouco propensas à racionalidade. O texto que se segue é um exemplo, infelizmente raro, de uma abordagem séria do tema do equal pay no futebol.

«A liga inglesa de futebol partilha os direitos televisivos entre clubes, o que leva a que mesmo clubes do fundo da tabela possam vir comprar os melhores jogadores do Benfica ou do Porto. Podemos achar que isto é justo (ou não) da mesma forma que achamos que os portugueses ricos devem pagar muitos impostos (embora sejam mais pobres do que os ricos ingleses que pagam menos impostos) e os portugueses pobres receber subsídios. Mas ninguém de bom senso acha que a redistribuição fiscal deve ser tão intensa que ponha todos a ganhar o mesmo em Portugal depois de impostos.
Olhando antes para a fonte da discrepância salarial, ela está nos direitos televisivos. A imprensa britânica fez grande eco das audiências televisivas recorde neste campeonato do mundo. Quando a Inglaterra jogou contra os EUA na meia-final há dez dias, teve 11,7 milhões de espectadores, quando a final da Liga dos Campeões entre Liverpool e Tottenham só teve 11,3 milhões de espectadores. No entanto, novamente está-se a comparar bananas com maçãs. A comparação deve ser com a meia-final que a seleção inglesa jogou contra a Croácia há 12 meses no campeonato do mundo masculino. Esse jogo foi visto em média por 24,2 milhões de telespectadores.

15/07/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (196)

Outras avarias da geringonça e do país.

A minha renda é mais acessível do que a tua

Fernando Medina, o sucessor de Costa na câmara de Lisboa e presumível sucessor na liderança do PS, e Pedro Nuno Santos, líder da tendência pedronunista, ministro da Habitação e também candidato à sucessão em concorrência com Medina, iniciaram a disputa usando como ersatz os programas de renda acessível que ambos estão a promover, o primeiro para a cidade de Lisboa e o segundo para o país. É um poucochinho ridículo, mas cada um tem os sucessores que merece.

A família socialista tem imenso jeito para o negócio

André Matias de Almeida, irmão de Bruno Matias de Almeida, adjunto do secretário de Estado da Economia, nomeado pelo ex-secretário de Estado da Indústria João Vasconcelos para vários cargos dirigentes em fundos de apoio a empresas, foi agora empossado como porta-voz da Antran, a associação dos transportadores. (Fonte: Sol) Business as usual.

SERVIÇO PÚBLICO: Ele e os outros não viram, não ouviram, não sabiam de nada

«O Costa não tem 'tomates' para isso.» «Ele é um merdas.» (*)
«António Costa não achou estranho o licenciamento do Freeport? Nem teve um momento de perplexidade perante o processo de licenciatura de José Sócrates? Nunca lhe causou surpresa o estilo de vida do primeiro-ministro? A intervenção na TVI? A CGD? O BCP? A PT?… Nada. Nadinha. (...)

Mas o problema das declarações de António Costa não se esgota nesta inverosimilhança, aparentemente grosseira. Na verdade, para lá desta revelação quase anedótica sobre o que não percebeu, António Costa tenta habilmente passar a ideia de que os factos só foram conhecidos num depois que não se sabe ao certo quando aconteceu mas que há-de ter sido “depois”. Só que não foi depois. Foi “durante”, pois praticamente desde que José Sócrates se tornou primeiro-ministro que começaram a vir a público notícias que levantavam muitas dúvidas sobre a sua maneira de proceder.
Ao contrário do que declarou António Costa, os socialistas não só conheciam essas revelações como atacavam quem as fazia. Eram os tempos da “devassa”. Os diplomas de curso de Sócrates e as suas fichas na AR apresentavam várias incongruências? O que é que isso interessava? Era uma devassa. Como era possível José Sócrates manter aquele nível de vida? Lá vinha a devassa. O unanimismo soviético que os socialistas garantiam a Sócrates permitiu-lhe fazer o que quis

«PS, o partido com défice de atenção», Helena Matos no Observador

(*) José Sócrates nas escutas da Operação Marquês citadas pelo jornal SOL há dois anos.

14/07/2019

No estado da Nação o que é bom não se deve a Costa e o que se deve a Costa não é bom

Afinal qual é o estado da Nação? Segundo o Dr. Costa é um estado bom, segundo a oposição é um estado mau. Segundo comunistas e berloquistas, o estado da Nação tem dois estados: o estado bom que é sua obra e, vá lá, do pedronunismo (a parte boa do PS) e o estado mau, obra de Costa.

Segundo a imprensa do regime, o estado da Nação tem partes boas e, no caso da imprensa dita séria, aqui representada pelo semanário de reverência, tem parte menos boas. Para dar exemplos de partes boas, o emprego aumentou 318 mil e o desemprego caiu de 12,4% para 7,0%. O contributo do Dr. Costa para o primeiro foi "apenas" um aumento de 24 mil no número já pantagruélico de servidores do Estado, como lhes chamavam no antigo regime. Para o segundo, o contributo foi nenhum, visto que nunca existiu desemprego porque os servidores do Estado têm emprego vitalício. Outra parte boa citada foi o aumento das exportações que em percentagem do PIB passou de 40,4% para 43,6%. É um poucochinho exagerado atribuir ao Dr. Costa o aumento das exportações (aumento que de resto está a transformar-se em redução percentual...) porque a única coisa que o Dr. Costa tentou exportar, sem sucesso, foi a geringonça.

Ocorre-me, pois, a conhecida anedota do doutorando que plagiou a tese e a quem um dos arguentes disse «a sua tese tem parte boas que não são originais e partes originais que não são boas».

13/07/2019

Não sendo derrotado pela direita, será o PS de Costa derrotado pela realidade?

«A própria dinâmica cíclica do sistema de partidos faz com que o PS nunca consiga estar no poder mais de seis anos. Ou seja, o PS cumpre um mandato, onde destrói as potencialidades deixadas pelos governos de centro-direita anteriores, e depois, porque tem sempre o mesmo modelo de crescimento baseado na venda de ativos, crescimento pelo aumento da despesa pública e consumo privado, o que inevitavelmente leva ao desequilíbrio da balança comercial - e o mesmo padrão ético - captura do Estado com esquemas de rent-seeking e de corrupção - acaba por não cumprir o segundo mandato. Aconteceu isso como António Guterres e com José Sócrates e certamente, irá acontecer com António Costa: os socialistas dificilmente irão cumprir o próximo mandato até ao fim, mais uma vez.»

Excerto de «A sina socialista de não acabar o segundo mandato». Rui Teixeira Santos no jornal SOL

É bem provável. No caso de dúvida, recomenda-se a leitura das Crónicas da avaria que a geringonça está a infligir ao País que já vão no seu número 195, crónicas em que cada exemplar é um número e cada número é um exemplar - dito assim em homenagem ao Pif Paf de Millôr Fernandes em que «cada exemplar é um número e cada número é exemplar».

O eleitorado prefere o socialismo do PS à imitação do PS-D de Rio e do CD-S de Cristas

Sondagem Expresso/SIC
Sendo certo que as sondagens publicadas pelo Expresso têm uma merecida tradição de serem sondagens amigas (como as notícias, naturalmente) a diferença é tão grande que se torna patente que a oposição continua na situação de Zugzwang em que Costa a deixou.

12/07/2019

A patrulha berloquista dos costumes pretende recriar o delito de opinião

A historiadora Fátima Bonifácio escreveu no Público um artigo de opinião contra as quotas para as minorias raciais. Pode concordar-se ou discordar-se da sua tese e/ou dos argumentos com que a fundamenta. Concordo com a tese, não pelas razões que Fátima Bonifácio refere, as quais, aliás, me parecem disparatadas, e sem atenuantes vindas de uma historiadora.

Pode concordar-se ou discordar-se. O que não se pode, numa sociedade democrática e aberta, é criminalizar-se opiniões, como a SOS Racismo pretende, ao reclamar a punição de Fátima Bonifácio pelo seu artigo, apresentando uma queixa-crime ao abrigo do artigo 240.º do Código Penal, o qual sujeita a uma pena de prisão de um a oito anos quem:

«fundar ou constituir organização ou desenvolver atividades de propaganda organizada que incitem à discriminação, ao ódio ou à violência contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, ... ou participar na organização ou (nessas) actividades ...»

«publicamente, por qualquer meio destinado a divulgação (...) provocar atos de violência (...) difamar ou injuriar (...) ou ameaçar Difamar ou injuriar (...) ou incitar à violência ou ao ódio contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional (...)»


Que a SOS Racismo, uma organização semi-clandestina servindo o agitprop do Bloco de Esquerda usando temas raciais, se proponha pedir a prisão de Fátima Bonifácio pelas suas opiniões, fazendo-as equivaler às referidas actividades criminosas, não nos diz muito sobre essas opiniões. Diz-nos imenso sobre essa organização e os seus promotores que convivem mal com a liberdade de opinião e denunciam assim a sua génese ideológica inspirada no marxismo-leninismo e nas suas variantes trotskistas, estalinistas, maoístas, correntes que, após o colapso do império soviético e a conversão do comunismo chinês ao capitalismo de Estado, se viram obrigadas a camuflar-se sob a capa do politicamente correcto.

11/07/2019

ARTIGO DEFUNTO: A Boa Nova anunciada pelo Público, fazendo o papel do Diário da Manhã do regime sucialista


Como seria de esperar, a Boa Nova anunciada é hipotética e para o futuro: «admite» e «quer», o «avança com a obra» é «vai avançar com um concurso para iniciar as obras» e os cinco aviões são para começar a entregar (e a pagar) ... a partir de 2023 até 2027.

Especulação impertinente: a primeira página com a ministra com pior imagem no governo é um serviço à facção pedronunista para ajudar a limpar a folha da criatura com vista ao próximo governo.

Diário da Manhã foi o diário fundado em 1931 e fechado em 1971, considerado o porta-voz do falecido regime. Por extensão, um diário da manhã é um jornal publicado todos os dias (ou quase) de manhã, que se pode considerar um dos porta-voz do regime moribundo que substituiu o falecido.

10/07/2019

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: Só há duas bóias e uma não está a funcionar

O Dr. Costa, o Doutor Centeno e o governo socialista em geral são militantes ambientais preocupadíssimos com o aquecimento global e em particular com a subida da temperatura do mar.

Por isso, quando o meteorologista Bruno Café disse ao Jornal i que «no domingo, o IPMA registou ao longo de todo o dia uma temperatura que rondava os 19 graus, valor que “costuma ser mais baixo”», as luzes vermelhas nas consolas dos ministros acenderam todas e a sirene de alarme tocou a reunir.

- É geral em toda a costa? perguntou o Dr. Costa ao director do IPMA. 
- Isso não sabemos senhor primeiro-ministro. Só temos a temperatura de uma bóia, explicou o director.
- Como não sabem? perguntou Costa ao aflito director do IPMA. E voltando-se para o líder da tendência pedronunista e putativo futuro secretário-geral, perguntou irritado
- Ó camarada Pedro, sabes alguma coisa disto?
- Ó camarada presidente, isso é com a Ana Paula?
- Qual Ana Paula, pá?
- A ministra do Mar, quem haveria de ser?
- Ah! OK, a mulher do Eduardo. Chamem-na lá. 
- Ó Tó, ela está fora, ao largo, responde o ministro marido.
- E tu sabes o que se passa?, pergunta o Tó, 
- Claro! Ó pá, o que a Ana Paula me disse foi que só há duas bóias, uma está avariada e o Mário cativou a verba.
- OK, pronto, não há nada a fazer, vamos passar à frente, isto é um act of God como dizia o Tony Blair.

SERVIÇO PÚBLICO: A luta de raças é a nova luta de classes do berloquismo

«A esquerda radical confunde as duas coisas, para melhor esconder que quer praticar uma delas. Tal como sempre precisou de fascistas, precisa agora de racistas. Precisou de fascistas, porque se toda a gente que não pensa como Catarina Martins for fascista, está legitimado o uso da força para perseguir e calar quem não pensa como Catarina Martins. E precisa agora de racistas, porque só havendo muitos racistas é que pode justificar o sórdido projecto com que substituiu a “luta de classes”: usar cinicamente as migrações para segmentar as sociedades ocidentais em “raças” mutuamente hostis.  A pretexto da causa da “integração” e da denúncia do “racismo”, o objectivo desta esquerda que trocou Marx por Fanon é tentar reduzir certas pessoas a membros de “minorias”, e estas “minorias” a meros colectivos identitários de “vítimas”, dependentes do Estado e controlados por demagogos.»

Excerto de «A máquina de inventar racistas», Rui Ramos no Observador

09/07/2019

E quando se pensava que já tinha sido atingido o supremo descaramento, Costa volta a superar-se

Expresso
«Prosseguir a diminuição de impostos»?

Clicar para ver a carga fiscal em todo o seu esplendor (Jornal Económico)

Melhorar os serviços públicos? Serviços públicos descapitalizados, SNS sem capacidade de resposta, transportes públicos em decomposição, filas e tempos de espera intermináveis para renovar documentos, etc.

É verdade! O DDT não corrompeu ninguém. Eles já estavam todos corrompidos

«Já disse várias vezes que nunca corrompi ninguém» disse ontem no tribunal, uma vez mais, Ricardo Salgado, o antigo presidente do GES, também conhecido como Dono Disto Tudo, a respeito do seu papel na trama investigada na Operação Marquês.

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (LXVII) - Relembrando a visita de estudo de Costa

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

A propósito da derrota do Syriza nas eleições do fim de semana passado, relembrando os tempos em que a «vitória do Syriza (era) um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha».

Tradução do pensamento do Alexis: Porquê me fará este gajo lembrar o Papandreou?
Fica por esclarecer qual o sinal de mudança que dá a derrota do Syriza.

08/07/2019

Costa toma uma medida para acabar com o desemprego nas Belas-Artes

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (195)

Outras avarias da geringonça e do país.

A família socialista tem imenso jeito para o negócio

Quem sai aos seus não degenera, diz o ditado popular, e exemplifica o jovem Pedro Costa, filho do pai Costa, primeiro-ministro, que na qualidade de membro de junta de freguesia contratou três amigos como assessores para verificarem «no terreno a limpeza das ruas». Um deles, licenciado em Cultura e Comunicação, ganhou 15 mil euros num ano o que não está mal para contar os cocós de cães em Campo de Ourique, ainda que uma licenciatura em matemática fosse mais adequada.

As dívidas não são para se pagar, foi isto que ele aprendeu

Tudo o que sobe, desce, costuma dizer-se. E é frequentemente assim, sobretudo nas bolsas. Porém, o aforismo não parece aplicável à pantagruélica dívida pública portuguesa. Depois de cinco meses a crescer, atingiu em Abril um novo máximo de 252,5 mil milhões de euros, qualquer coisa como duas vezes e meia a dívida pública do início de 2005, quando José Sócrates iniciou a sua missão de levar o país à bancarrota.

O Estado sucial é um caloteiro

Não obstante o endividamento crescente, os pagamentos em atraso superior a 90 dias aos fornecedores do SNS voltaram a crescer 100 milhões em Abril atingindo 626,5 milhões.

07/07/2019

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Eles são ateus mas acreditam no seu direito divino ao poder

«As esquerdas olham para a democracia de um modo muito particular, sobretudo quando não ganham eleições. Para eles, o socialismo tem um valor muito superior à democracia. A maioria dos socialistas não entende a democracia como uma competição entre forças políticas diferentes mas com a mesma legitimidade. A democracia é apenas uma forma de chegar ao poder com o apoio do povo. Se não tiverem esse apoio, tentem chegar ao poder com outros argumentos. Sabem porquê? Porque é bom para o povo, o pobre do povo é que ainda não entendeu. É isso mesmo que os socialistas pensam

Excerto de «A esquerda tem um entendimento curioso da democracia», João Marques de Almeida no Observador

06/07/2019

Dúvidas (269) - Porque fogem os refugiados de Portugal e fazem fila para entrar no Império do Mal?

Como explicar que sendo Portugal habitado pelos melhores dos melhores, governado por socialistas no pós-austeridade, com um presidente que distribui beijinhos e abraços e faz selfies com metade da população, os poucos refugiados precisaram de ser pastoreados por ONG que os trazem até cá ao colo e ao fim de algum tempo metade deles fogem deste pequeno paraíso?

Em contraste, os Estados Unidos, uma sociedade racista, dominada pelo capitalismo selvagem e governada por um fascista louro, são procurados por milhões de sul-americanos, alguns deles provenientes de paraísos socialistas como a Guatemala, El Salvador, a Venezuela ou a Nicarágua, que fazem longas marchas de milhares de quilómetros, correm riscos para atravessar a fronteira, protegida por milhares de quilómetros de muros, alguns deles morrem,  proporcionando fotografias com que a pornografia do jornalismo de causas ilustra primeiras páginas. E os que conseguem entrar são internados em campos de concentração pelas forças policiais ao serviço do fascista louro e as famílias são separadas, proporcionando mais fotografias comoventes com que o jornalismo de causas ilustra primeiras páginas quando faltam fotografia dos mortos. Pelo menos é esta a versão com que um alienígena chegado de uma galáxia distante seria confrontado ao ler o jornalismo de causas nacional e internacional.

05/07/2019

A fábula do crescimento ou os perigos da Felicidade Nacional Bruta

No post «A direita a que temos direito não tem ideias, tem elucubrações poéticas» dei umas pauladas simbólicas no toutiço de duas luminárias, o dirigente do PSD Pedro Duarte e a líder do CDS Assunção Cristas, pelos seus delírios a respeito da medida da felicidade em alternativa à medida da produção pelo PIB. Por distracção, nem falei do absurdo que é querer substituir a métrica de um fluxo (o PIB) pela métrica de um stock (a Felicidade).

Volto a este tema um pouco idiota, apenas para exemplificar o risco que mencionei de usar a «Felicidade Interna Bruta» para vigarizar as «contas». 

Desde 2011 até 2017 os números oficiais do governo indiano mostraram um crescimento anual ao redor dos 7%, ultrapassando a China como a grande economia que mais crescia. Arvind Subramaniam, durante vários anos o assessor económico principal do governo indiano, que já há dois anos tinha implicitamente sugerido que a contabilidade nacional tinha sido objecto de engenharia estatística por razões políticas (ofuscar a China) e económicas (atrair investimento estrangeiro), publicou recentemente um paper pela universidade de Harvard onde mostra que o crescimento não poderia ter ultrapassado os 4,5%. (Fonte: um artigo da Economist sugestivamente intitulado The Indian Growth Fable

Podemos imaginar o que teria feito Narandra Modi na corrida da «Felicidade Nacional Bruta» com Xi Jinping. 

Dúvidas (269) - E quem paga a renda que a "pessoa" não pode pagar?

«A renda deve ser aquilo que a pessoa pode pagar», Fernando Medina sobre o Programa de Renda Acessível lisboeta.

04/07/2019

SERVIÇO PÚBLICO: "Vai haver um momento em que teremos de fazer escolhas"

«O que nos leva ao ponto mais difícil, àquele que teremos de enfrentar mais tarde ou mais cedo: sendo os recursos limitados (e ainda mais limitados num país como Portugal, onde o crescimento económico é anémico), vai haver um momento em que teremos de fazer escolhas. É aquele momento em que mesmo a maior onda de solidariedade não conseguirá manter vivo esse dogma de que “a saúde não tem preço” (e o Estado que pague). É o momento das escolhas

Excerto de «A história da Matilde é a história do nosso futuro», José Manuel Fernandes no Observador, uma das poucas coisas lúcidas que se escreveram sobre este caso

A maldição da tabuada (51) - E nós a pensarmos que um terço a menos são dois terços

«Portugueses pouparam um terço a menos do que na zona euro» titulou o Jornal Económico para explicar que «entre os portugueses, a poupança baixou ligeiramente para os 4,5% e em comparação com a taxa de poupança média da Zona Euro, o instituto de estatísticas europeu afirma que anda à volta de um terço.»

E mais grave do que a inumeracia, muito comum no jornalismo, é que, se menos um terço da taxa de poupança já seria um problema, menos dois terços é uma desgraça que nos vai arrastar outra vez para o resgate.

03/07/2019

DIÁRIO DE BORDO: A ministra alemã da Defesa e provável presidente da CE tem um exército em casa

Há dois anos publiquei um post sobre Ursula von der Leyen, a recém-proposta presidente da CE, post que agora republico com adenda.

Ursula von der Leyen, ministra alemã da Defesa e provável futura presidente da CE,
 o marido Heiko Echter,  professor de medicina, e os seus 7 filhos
O que pensarão de Ursula as tropas dos vários esquadrões do politicamente correcto?

É um exemplo raro de como as instâncias eurocratas podem acidentalmente por maus caminhos chegar a um desfecho aceitável na mercearia dos lugares. Ursula von der Leyen fará provavelmente uma muito melhor presidência da CE do que Frans Timmermans. É uma mulher competente que sucede a... Jean-Claude.

02/07/2019

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (2)


De volta a um tema recorrente no (Im)pertinências, com posts semeados ao longo dos últimos 15 anos - por exemplo esteesteeste ou este mais recente -, desta vez a propósito dos protestos do mês passado na Holanda, cujos transportes públicos paralisaram com uma greve de 24 horas.

Protestos contra o corte previsto para Janeiro do próximo ano das pensões dos reformados - não, não são futuros reformados, são dos já reformados - e aumento da idade da reforma de 66 para 67 anos. Note-se que o sistema de segurança social holandês proporciona pensões em média de 2/3 do último salário, é considerado um dos mais generosos mas também um dos mais sustentáveis em todo o mundo.

A sustentabilidade do sistema holandês é garantida por fundos de pensões do segundo pilar (complementares do sistema público) cujos activos duplicaram nos últimos dez anos e atingem agora 1,4 biliões de euros, o equivalente a duas vezes o PIB holandês ou sete vezes o PIB português. Esses fundos que ainda são de benefício definido, ou seja garantem o pagamento de uma pensão fixa, a partir do próxima ano serão de contribuição definida e pagarão as pensões que resultarem dos seus rendimentos. (fonte: «Clock ticks louder as Netherlands’ pension crisis intensifies»)

Em contraponto, como o estudo sobre a Segurança Social da Fundação Francisco Manuel dos Santos tornou patente, a sustentabilidade do sistema de benefício definido da segurança social portuguesa está ameaçada. Os fundos privados têm um peso pouco significativo e o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, mesmo depois das vacas gordas dos últimos anos, não ultrapassa 18 mil milhões de euros o que é suficiente para pagar as pensões durante pouco mais de um ano. A isto o governo socialista responde no pasa nada e a reacção dos actuais ou, principalmente, dos futuros reformados inspira-se no álbum da Banda do Casaco «Hoje Há Conquilhas, amanhã não Sabemos» (nem queremos saber).

01/07/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (194)

Outras avarias da geringonça e do país.

Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

Segundo o grande princípio de Monsieur de La Palice, para crescer a economia precisa de aumentar a produção por trabalhador e/ou aumentar o número de trabalhadores.

As estimativas do BdP apontam para uma redução de 0,6% do VAB (valor acrescentado bruto) por trabalhador em 2018, continuando a tendência desde 2014.

Há dez anos havia 757 mil desempregados e hoje há 347 mil. Nessa altura população a empregada entre os 15 e os 74 anos era 4,8 milhões e hoje é exactamente a mesma. De onde: (1) em 10 anos saíram do mercado de trabalho 400 mil trabalhadores e (2) o crescimento do PIB foi conseguido apenas por redução do desemprego. Como o desemprego parou de descer e parece ter atingido o seu mínimo estrutural, para a economia crescer precisaríamos de aumentar a produtividade e não de a reduzir que é o que está a acontecer,

Para aumentar a produtividade precisaríamos (entre outras coisas) de aumentar o capital por trabalhador e para isso precisaríamos de investir. Para investir precisaríamos de poupar e/ou de nos endividarmos mais. Quanto à poupança temos uma taxa de 4% uma das mais baixas da UE. Quanto à dívida temos a terceira mais alta da UE. De modo que.

Entretanto, como que para nos tranquilizar, a imprensa do regime lembra-nos que o risco de bancarrota da Zona Euro está nos mínimos de 2008 e, como fazemos parte da Zona Euro, podemos dormir tranquilos.

ESTÓRIA E MORAL: Eu tenho dois amores

Um novo paradigma: a mula do PAN
Estória

Na apresentação de uma recomendação à assembleia municipal para «protecção dos equídeos», uma deputada do PAN referiu «uma etnia que se multiplicou e que todos os dias se passeiam pela Moita e arredores, empilhados em cima de carroças puxadas por um único cavalo subnutrido».

A referência à etnia gerou um tsunami de indignação surfado pelos comunistas da CDU e a infeliz deputada amante dos equídeos sentiu-se forçada a pedir a demissão, prontamente aceite pelo PAN que aproveitou para declarar o seu mais entranhado amor à dita etnia.

Moral nº 1
Eu tenho dois amores / Que em nada são iguais / Mas não tenho a certeza/ De qual eu gosto mais

Moral nº 2
Mal com os ciganos por amor ao cavalo e mal com o cavalo por amor aos ciganos.

30/06/2019

ESTADO DE SÍTIO: No Estado Sucial português até as ONG são governamentais

Ou Júdice é mentiroso, ou Soares dos Santos teve uma epifania

Há uns dois meses citei aqui Pedro Soares dos Santos, o actual presidente da Jerónimo Martins que, segundo José Miguel Júdice, «disse a quem o quis ouvir: “Acredito muito no Dr. António Costa"».

Note-se que ele não disse, temos de o aguentar, nem disse antes Costa que o Jerónimo ou a Catarina. Nada disso. Ele foi citado como tendo dito “Acredito muito no Dr. António Costa".

Passados dois meses o que nos diz Pedro Soares dos Santos em entrevista ao Observador? Não, ele não diz que tem dúvidas ou já não acredita no Dr. António Costa. Nada disso. Ele diz, entre outras coisas que contrariam frontalmente o ilusionismo de Costa e o seu Portugal cor-de-rosa, o seguinte sobre os resultados de três anos e meio da governação: 

«O país faliu, goste-se ou não se goste de dizer isto. O país faliu. Depois tivemos um processo doloroso, muito doloroso para todos, que foi o sair da troika, do controlo da troika e de todas as políticas que nos estavam a ser impostas. Conseguiu-se, com mérito das pessoas, com esforço da sociedade civil, em toda esta luta. Mas, depois, parou-se no tempo. E isto é o que me preocupa, porque há uma coisa que, no fim deste processo todo, não foi resolvido: a dívida. E com os níveis de dívida que existem a liberdade não existe para se fazer as políticas certas para os crescimentos. (...)

Quem estava atento, quem viveu este processo de assalto ao BCP, que agora começa a confirmar, de certa forma, que foi isso — isto não é novidade nenhuma. Isto é, talvez, porque faliram, porque também a Caixa Geral de Depósitos faliu, e isso é muito importante perceber que os portugueses foram muito injustiçados porque estão a pagar a falência dos bancos.»

29/06/2019

De boas intenções está o inferno cheio (51) – Os portugueses são muito imaginativos (II)

Segundo um estudo da Gerador, uma plataforma de ação e comunicação cultural, e da Qmetrics, consultora de prestação de serviços e estudos de mercado, que abrangeu portugueses maiores de 15 anos, «a “falta de tempo” é a razão mais apontada para deixar de ver um filme (64,5%), de ler um livro (60%), de visitar um monumento (46%) ou de ir a um museu (39%).»

Por outro lado, sabe-se os «portugueses passam mais de hora e meia por dia nas redes sociais», «têm a hora de almoço mais longa da Europa» e vêem televisão em média várias horas por dia, e particular. segundo um estudo já velhinho, «a maioria dos adolescentes (56,3%) vê entre 2 a 3 horas de televisão por dia».

Chegado aqui, ocorreu-me o episódio, que relatei há uns anos, de ter lido num desses estudos de opinião que uma percentagem considerável de tugas afirmava ser junto à lareira o seu local preferido para praticar sexo – logo a lareira, um dispositivo presente apenas numa pequena percentagem de fogos, passe o trocadilho.

28/06/2019

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (87) - Obsoleto é um poucochinho exagerado. O liberalismo não é uma moda. É um modo de vida, como o despotismo


«Passados 27 anos da queda do Muro de Berlim e veja-se onde estavam então os dois homens: Trump vivendo na Trump Tower e ainda promovendo «The Art of the Deal»; Putin era o segundo oficial no posto avançado do KGB em Angelika Strasse, na cidade de Dresden no leste alemão. Enquanto o Ocidente capitalista crescia, o mundo de Putin desmoronava. O KGB foi expulso da Alemanha Oriental, os exércitos soviéticos retiraram-se da Europa de Leste e, em seguida, o ex-espião supérfluo do KGB teve de testemunhar a desintegração da poderosa URSS. Deve ter sido surpreendente para ele, anos mais tarde, testemunhar uma Europa à beira do colapso. E manipular as eleições dos EUA, enquanto Trump o defende contra a CIA que ele combateu toda a sua carreira como espião. Mas em 2017 pode ter um prémio ainda maior. Se União Europeia se desintegrar e Trump desestabilizar a aliança da NATO, a Rússia de Putin terá a Europa onde a quer e deixará de existir uma união que ele não pode controlar: o funcionamento das democracias da Europa Ocidental, cujo exemplo ameaça o governo de Putin na Rússia, será fatalmente afectado. Isso será uma reviravolta ainda maior.» («Is Putin’s master plan only beginning?», Henry Porter na Vanity Fair)

Mitos (290) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (6)

Outros mitos: (1), (2), (3), (4) e (5)

Como já escrevi várias vezes, uma boa parte das causas abraçadas pela esquerdalhada é fundada em «factos alternativos». O pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é mais um desses factos que nos posts anteriores já foi desmistificado.

Volto à vaca fria a propósito de mais um artigo no mesmo sentido baseado no princípio de Goebbels que uma mentira repetida mil torna-se verdade. Desta vez é Jornal Eco que escreve:
«Desigualdade salarial está a diminuir, mas mulheres ainda ganham menos 18% que os homens, O fosso salarial entre homens e mulheres está a diminuir, mas ainda está longe de estar fechado. As trabalhadoras ganham menos 18,2% do que os seus colegas
Como os factos mostram, a desigualdade nos salários existe mas é quase irrelevante - e se existisse seria ilegal! O que é desigual é o acesso a certas profissões ou funções, consequência de mais de uma centena de milhar de anos de divisão do trabalho por sexos. Divisão de trabalho que a evolução tecnológica está a tornar cada vez mais obsoleta e que acabará por desaparecer, mesmo sem a engenharia social baseada em ejaculações legislativas.

27/06/2019

ACREDITE SE QUISER / ARTIGO DEFUNTO: Isso explica, se não tudo, muita coisa (mas agora é outra coisa)

Este post é uma espécie de continuação deste outro (embora não pareça).

Há dois dias citei uma notícia do Público que apresentava Portugal como «o terceiro país do mundo onde mais se acredita no Governo».

A minha fé no discernimento do bom povo português é limitada e por isso admiti precipitadamente que o bom povo poderia muito bem acreditar na trupe de ilusionistas que povoa o governo e o aparelho dirigente socialista.

Estava enganado e venho agora penitenciar-me, não da minha falta de fé no discernimento do bom povo português, que permanece intacta, mas da minha falta de atenção ao que a estupidez e ausência de escrúpulos do jornalismo de causas é capaz de produzir. Como produziu neste caso em que o estudo da fundação dinamarquesa Aliança de Democracias apontava para a conclusão oposta, o que levou o Público a rectificar mais tarde a notícia.

Apropriado de O Insurgente
Já agora, para limpar a minha folha, sempre acrescento que não me tenho enganado a respeito da trupe de ilusionistas, que como se pode ver na imagem da esquerda se apressou a enfeitar-se com a fake news para pouco depois ir a correr ao Twitter apagar a celebração.

A direita a que temos direito não tem ideias, tem elucubrações poéticas

À falta de ideias, a direita a que temos direito, uma direita complexada que se tenta legitimar imitando a esquerda, fabrica elucubrações poéticas, como as que recentemente duas luminárias, uma do PSD e outra do CDS, produziram, aliás muito parecidas.

Primeiro foi Pedro Duarte do PSD com o seu Manifesto X que pretende medir o medir desenvolvimento nacional com um índice de «Felicidade Interna Bruta».

A seguir foi a líder do CDS, Assunção Cristas, que no seu novo livro propõe substituir o PIB como medida da riqueza do país por um índice do «sentimento de felicidade».

A coisa depara desde logo com um problema metodológico que é o facto de um qualquer indicador deve poder medir algo objectivo e mensurável, o que não parece de todo ser o caso da felicidade, o que deixaria ampla margem para a engenharia social dos governos.

De seguida depara com uma objecção prática incontornável porque seria no limite o «indicador» ideal para ser usado por projectos utópicos que, como a história mostra, geram invariavelmente distopias onde o ministério da Verdade coexistiria com o ministério da Felicidade.

Mesmo sem chegar a esse limite, quando a economia começasse a correr mal, a «Felicidade Interna Bruta» faria as delícias de todos os ilusionistas, como o Dr. Costa, os seus antecessores e, provavelmente, os seus sucessores.

26/06/2019

ACREDITE SE QUISER: Isso explica, se não tudo, muita coisa


Um estudo da fundação dinamarquesa Aliança de Democracias revela que os portugueses são dos que mais acreditam que a sua voz interessa na política».

Ó vós, cépticos, que pensais que Costa, o seu governo e o aparelho dirigente socialista, capitaneado pelo excelso César, são uma trupe de ilusionistas, constatai que o bom povo português parece acreditar em ilusionistas. O que explica, se não tudo, muita coisa.

Lost in translation (324) - «Todos», significa ele próprio, o seu chefe e mais uns quantos, principalmente os amigos do picareta falante e do animal feroz

Continuação daqui.

Com a preciosa ajuda deste artigo de Helena Garrido a quem por coincidência Teixeira dos Santos, o então ministro das Finanças, disse, à revelia do chefe Sócrates, a 6 de Abril de 2011 «é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu», atirando a toalha ao chão e abrindo assim a porta ao resgate, é possível ter uma ideia quantificada de quem são «todos» mais directamente implicados no desastre do banco público.

Helena Garrido no Observador
Como o quadro evidencia, ainda antes da crise, em menos de três anos, o duo Santos Ferreira (o amigo do peito de Guterres) e Vara (o amigo do peito de Sócrates), actuando como comissários de Sócrates, autorizaram empréstimos de que resultaram imparidades numa ordem de grandeza não muito longe da dos nove anos seguintes (40% e 52% respectivamente), dos quais quatro em plena crise.

25/06/2019

Arranjem um lugar ao rapaz. Ele merece! (4)

Outros apelos para arranjarem um lugar ao rapaz: (1) e (2) e (3)

Com esta é a quarta vez que faço este apelo ao governo, à geringonça, enfim, a quem de direito, para oferecer um lugar, de porta-voz, de consultor de imagem, de guru, de conselheiro, de estratego, seja lá do que for, ao jornalista de causas / militante / comentador / analista,  ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar, ufa!, Daniel Oliveira.

Afirmando definitivamente e acima de qualquer dúvida a sua vocação de bactéria diligente-mor da fossa séptica socialista, à pala de algumas imprecisões resultantes da falta de profissionalismo do jornalismo doméstico a tratar assuntos que ultrapassem a trivialidade, Daniel Oliveira na peça «Constâncio, a imprensa e a velha rábula da “história mal contada”» do Expresso Diário atira-se ao Público e procede à limpeza da ficha de Victor Constâncio com um empenho tal que creio ser impossível ultrapassar até por um escriba socialista escalado para esse propósito. Que se tenha disposto a tal em relação a uma figura gelatinosa infectada de insanáveis conflitos de interesse e comprometida com o pior da governação socialista parece demasiado, até para ele.

ACREDITE SE QUISER: É como uma greve de fome para lutar contra a falta de alimentos

Depois de uma semana a anunciar a greve dos trabalhadores e dos armazéns e supermercados do Continente marcada para domingo passado e trombeteada pelo jornalismo de causas como jornada de luta pelo «aumento de salários, melhores condições de trabalho e encerramento aos domingos e feriados», dos 32 mil trabalhadores do Continente aderiram à greve 11 (onze).

A explicação para a falta de adesão à greve segundo um dirigente do CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal é «porque os salários são tão baixos que os trabalhadores não podem abdicar das horas a 100% ao domingo.» O dirigente não explicou como trabalhadores que não podem abdicar das horas a 100% ao domingo fazem fariam greve ao domingo para não trabalhar ao domingo.

24/06/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (193)

Outras avarias da geringonça e do país.

Há coisas que é melhor não perguntar

Faria de Oliveira é um notório songamonga do Bloco Central, conivente até ao gorgomilo com a instrumentalização da banca em geral e da Caixa em particular em benefício do complexo político-empresarial socialista. Mas só lhe devem atirar pedras quem não tenha telhados de vidro, como não era o caso do deputado socialista que lhe perguntou porque se «acelerou» na La Seda - um dos investimentos mais ruinosos do banco público nos tempos de Sócrates - e recebeu como resposta porque esse era o «objectivo do seu governo».

O cobrador do fraque do Estado Sucial

O programa eleitoral do PS contém mais uma medida para combater as desigualdades. E como se combatem as desigualdades? Ora, como haveria de ser? Aumentando os impostos, claro. A quem? Ora, a quem haveria de ser? Aos ricos, claro? E quem são os ricos? São os que não englobam os rendimentos das rendas e dos capitais, entre outros. Por exemplo, a minha prima Ermelinda que com um rendimento colectável de 26 mil euros cai no 5.º escalão de IRS (37%), tem um T1 na Amadora que herdou do tio Jacinto e aluga por 400 euros e um depósito a prazo de 10 mil euros das suas poupanças.

A mesma Ermelinda que também herdou uma courela em Gouveia, com um hectare de mato que ela nem sabe bem onde fica, irá pagar um IMI agravado a menos que a Ermelinda vá para lá cavar a courela.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (20) - Há uns mais no topo do que outros

Outros portugueses no topo do mundo.

Apesar de os profissionais do chuto, jogadores e treinadores, serem dos portugueses mais bem sucedidos no estrangeiro, por razões que possivelmente se fundam nos complexos de inferioridade da intelectualidade saloia que ocupa muitas das redacções e faz comentário nos mídia, essa realização raramente é reconhecida, a não ser quando assume a forma de um sucesso da selecção porque, nesse caso, o sucesso é apropriado por uma parte dessa intelectualidade como exemplo de excelência do país do qual que se consideram la crème de la crème.

E, no entanto, é no chuto que encontramos mais portugueses no topo do mundo. Segundo as contas da revista b.i. do jornal Sol deste fim de semana, há 50 jogadores e treinadores por esse mundo que conquistaram títulos e medalhas na época que agora acabou. É obra e mostra, uma vez mais, que os profissionais portugueses de futebol são um exemplo de excelência que não encontra paralelo noutras profissões e, ainda para mais, que se saiba, nenhum deles é «membro do clube do esperma sortudo» como lhe chamou Warren Buffett, o Sage of Omaha.

23/06/2019

Vivemos num estado policial? (18) - Sim, vivemos, mas os nossos polícias são um exemplo de empreendedorismo

Outros casos de polícia.

Duas ou três coisas que sabemos sobre as polícias:

Portugal «tem 432 polícias por 100 mil habitantes, um valor que torna a polícia portuguesa 36% mais bem equipada do que as polícias na média dos países europeus» (jornal Eco citando um relatório da OCDE), número que incluiu os GNR que são polícias com outro nome e são contados como tais nas estatísticas da OCDE.

Existem 17 (dezassete) sindicatos de polícias, tendo o 16.º 451 associados e 459 dirigentes e delegados e o 17.º sindicato 27 polícias todos dirigentes sindicais. Também já conhecíamos o quid da pletora de sindicatos: o «trabalho sindical» dos dirigentes dá quatro folgas por mês e o dos delegados sindicais 12 horas.

Apesar desta pletora policial, o país vive com um crónica falta de polícias, o que não admira porque se descontarmos os que estão de folga, de baixa ou em «trabalho sindical» restam muito poucos e desses só alguns estão aptos ao policiamento na rua.

Já sabíamos tudo isso, mas faltava saber que mais de 250 polícias, incluindo oficiais, se dedicaram à venda dos seus passes gratuitos dos transportes públicos, mostrando uma surpreendente veia empresarial e um gosto pela iniciativa privada.

ACREDITE SE QUISER: Um braço do Partido Comunista Chinês no mundo empresarial indigna-se contra uma «proibição tirânica»...

...,  considera que está a ser vítima de «restrições anticonstitucionais» e apela aos tribunais.

Trata-se da Huawei, que mostra assim um grande apego à rule of law e aos valores da democracia liberal. E não, não se trata nem da constituição nem dos tribunais chineses. Trata-se da constituição e dos tribunais americanos.

21/06/2019

Lost in translation (323) - «Todos», significa ele próprio, o seu chefe e mais uns quantos. «Não tínhamos modelos e sistemas», significa não líamos o (Im)pertinências

«No geral todos nós falhámos, todos tivemos as nossas falhas no meio. Por informação insuficiente ou deficiente, porque não tínhamos modelos e sistemas tão robustos como hoje temos na governação das entidades, que permitem alertas prévios de situações de risco, não estávamos equipados e falhámos por isso.» 
Foi o que disse no parlamento Teixeira dos Santos, o ex-ministro das Finanças de Sócrates, para justificar o desastre que o governo de que fez parte deixou ao país.

Como é costume aqui em casa, para tratar discursos enigmáticos das nossas luminárias, recorremos ao nosso tradutor automático (um web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data). Eis o resultado:
No geral todos nós, eu, o meu chefe Eng. Sócrates, o Dr. Costa que também fez parte do governo, e os outros ministros que ainda por aí andam, falhámos. No meu caso, por exemplo, para só citar alguns falhanços: (1) nomeei o Vara, actualmente sobre prisão, que o meu antecessor recusou nomear, e Santos Ferreira para tratarem de pôr a Caixa e o BCP ao serviço do socialismo e ainda hoje não me arrependo; (2) justifiquei a nacionalização do BPN garantindo que não custaria nada e o nada já vai em vários milhares de milhão o que para um bancozito de merda é obra; (3) falhei os défices todos e em particular o de 2009 que comecei por prever em 2,2% e, apesar de todo a engenharia orçamental, acabou em 9,3% e o de 2010 era para ser 4,6% e acabou em 11,2%. Por informação insuficiente ou deficiente, porque não era nosso hábito ler o (Im)pertinências, um blogue de merda que andava a anunciar o buraco uns 3 ou 4 anos antes de eu me enfiar lá, e falhámos por isso.

20/06/2019

PENSAMENTO DO DIA: O capitalismo, o socialismo, o machismo e o feminismo (outra vez)



Uma das mais prestigiadas escolas europeias de tecnologia, a universidade holandesa anunciou que nos próximos 18 meses só vai contratar mulheres, como forma de contrariar o excessivo peso masculino no seu corpo docente.»

Tal como o capitalismo é a exploração do homem pelo homem e o socialismo é o seu contrário, também o machismo é a dominação dum sexo género pelo outro e o feminismo é o seu contrário.

Ainda assim, ficam duas dúvidas, a saber: (1) se, como aconteceu com o heteropatriarcado branco, a engenharia social em curso conduzir ao homomatriarcado mestiço, a universidade de Eindhoven irá voltar a contratar só homens brancos? (2) o que fazemos quanto aos outros sessenta e nove géneros

Pro memoria (394) - Não é que Centeno seja um mentiroso especialmente competente, é mais por o eleitorado ser especialmente esquecido.

19/06/2019

Dúvidas (268) – Irá o Brexit consumar-se? (XIV) - A maior dúvida nem é essa. É se Boris sobreviverá

The Spectator

Boris Johnson 143 votos. Jeremy Hunt 54 + Michael Gove 51 + Sajid Javid 38 = 143.

Pro memoria (393) - Não é que Costa seja um mentiroso especialmente competente, é mais por o eleitorado ser especialmente esquecido.

Confiscado de O Insurgente, com adenda impertinente

ACREDITE SE QUISER: Para os cépticos que pensavam que Guterres não faria diferença nenhuma na ONU (6)


Apesar de ter relevado as calças molhadas, lamentavelmente deixei passar em branco uma acção intenção ponderação do «homem mais importante do mundo» que, com grande humildade cristã, confessou num círculo íntimo de diplomatas (*), certamente rogando-lhes que não comentassem a coisa com mais de 10 jornais, que confrontado com um buraco orçamental de 1,5 mil milhões de euros
«A primeira coisa que fiz quando cheguei foi perguntar se poderia vender a casa».
Tratava-se da residência oficial do secretário-geral da ONU, valendo umas dezenas de milhões de dólares, que Guterres não vendeu porque isso não era possível face aos acordos entre a ONU e os Estados Unidos. É Guterres no seu melhor a pensar fazer algo que se fosse possível ser feito não serviria para nada.

Nunca é demais recordar o lema de estimação do (Im)pertinências:
Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.
(*) Trata-se do Fifth Committee, I guess, que tem centenas de membros, só portugueses são três.

18/06/2019

PS-D, um partido a navegar à deriva, rio abaixo

É apenas um detalhe, porém suficientemente revelador do vazio programático do PS-D de Rio que à míngua de ideias e de causas tenta colar-se às patetices do PAN.

Que outra coisa pode significar propor mais uma ejaculação do órgão legislativo com a apresentação de um projecto de lei para introduzir uma alteração do Código Penal - a 47.ª (quadragésima sétima) em 37 anos - aumentando a pena de prisão por matar animal de companhia de um ano para três anos?

SERVIÇO PÚBLICO: De como uma pessoa de esquerda pode saber melhor o que deve ser a direita

Não poucas vezes se escreveu no (Im)pertinências muito criticamente sobre os artigos de opinião de Clara Ferreira Alves. E também por vezes, poucas, se concordou com algumas aparentes epifanias da Pluma Caprichosa do Expresso. Esta é mais uma dessas poucas vezes em que nos surpreendeu pela acutilância e clareza da argumentação que uma pessoa de direita, conservadora ou liberal, subscreveria. Aqui vai o seu artigo «Ser de Direita» publicado na Revista do Expresso do fim de semana passado.

«Quanto custa ser de direita em Portugal? Em Portugal, toda a gente é de esquerda. Num país desigual, onde a diferença salarial entre patrões e empregados é uma brutalidade, onde os privados não têm tradição mecenática ou comunitária, onde a doação de dinheiro para causas públicas resvala no financiamento dos partidos e clientelas, e onde á autoridade e a responsabilidade são consideradas repressão de uma sacrossanta liberdade inventada pelos portugueses depois de abril que é apenas permissividade e inércia, a esquerda apurou o discurso. O PSD, um partido de centro direita na génese, tudo faz para não ser de direita, e o CDS é tudo menos um partido de direita conservadora clássica. Herdando as características da direita trauliteira do período colonial, o CDS define-se pelo desgosto com as esquerdas e pela irritação com socialistas. Pergunte-se pela política fiscal ou pelas políticas económicas e o que sobra é um ponto de interrogação e muita visitação de feiras e dichotes espirituosos.

17/06/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (192)

Outras avarias da geringonça e do país.

Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

Que um deputado da bancada socialista tenha assinado um artigo de opinião no Observador com o título «Como evitar um 4.º resgate?», prescrevendo políticas com esse propósito, várias das quais não hesitaríamos em apoiar, nós aqui nesta espécie de aldeia da Gália onde se refugiam duas almas de pendor liberal, quer dizer qualquer coisa? Certamente, mas não muito, porque Paulo Trigo Pereira, o deputado em causa, é professor de economia (não que isso signifique muito, lembremo-nos do professor Louçã), é independente (não que isso signifique muito, lembremo-nos das resmas de "independentes"), abandonou a bancada socialista e passou a deputado não inscrito (isso já quer dizer alguma coisa). Quer dizer principalmente, creio, que o resultado provável da página virada do Dr. Costa começa a ser evidente até para os seus prosélitos arrependidos.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Senhor, tende misericórdia! Livrai-nos desta praga!

«Na cidade o PEV e o PAN são a favor dos automóveis eléctricos mas no campo não querem minas para a  exploração de lítio. Ora sem lítio não há baterias e sem baterias os automóveis eléctricos não andam.  Na cidade todas as almas sensíveis são agora contra o  plástico e substituem os sacos de plástico pelos de papel. No campo as mesmas almas sensíveis são contra o plantio de eucaliptos. Ora sem eucaliptos não há pasta para fazer papel. Na cidade eles adoram a dieta mediterrânica, fazem do azeite uma espécie de elixir mas o campo partiram agora em cruzada contra o olival intensivo mas sem olival intensivo não há azeite que chegue para tanta dieta mediterrânica. O país fora as áreas metropolitanas é cada vez mais encarado como uma espécie de reserva etnográfica,  onde toda e qualquer actividade que gera riqueza e emprego é vista como descaracterizadora

Portugal, país-slime, Helena Matos no Observador

16/06/2019

Jerry, tie me up and do whatever you want, Tony says

«Se o PS tiver as mãos completamente livres, o que foi alcançado corre o sério risco de andar para trás, da mesma forma que andaria se o CDS e o PSD reunissem condições para tal», disse Jerónimo de Sousa, o chefe do PCP,  no Funchal.

Que os comunistas tenham chegado a este ponto não é surpreendente. É apenas consequência da sua inutilidade, de já terem sido varridos para o caixote do lixo da Estória e de não terem dado por isso.

Pro memoria (392) - A reversão para as 35 horas não iria custar nada (III) - Isto é um insulto à inteligência do eleitorado?

Sequência de (I) e (II)

1.ª página do semanário de reverência
Aritmética para totós:
  • Número de utentes da vaca marsupial pública antes da chegada da geringonça 659 mil
  • Redução do n.º de horas (40-35):40 = 12,5%
  • Aumento do número de funcionários públicos necessários para repor as horas 12,5% de 659 mil  = 82 mil
Alguém se lembra das garantias de Costa e de Centeno que a redução para as 45 horas não teria impacto orçamental e do despacho de promulgação de Sua Excelência o Rei Amor da Lei 18/2016 em 20 de Junho?
«Porque se dá o benefício da dúvida quanto ao efeito de aumento de despesa do novo regime legal, não é pedida a fiscalização preventiva da respectiva constitucionalidade, ficando, no entanto, claro que será solicitada fiscalização sucessiva, se for evidente, na aplicação do diploma, que aquele acréscimo é uma realidade».
Isto é um insulto à inteligência do eleitorado? Não, não é - vejam-se as sondagens. Dito de outro modo, não é que Costa e Marcelo sejam mentirosos especialmente competentes, é mais por o eleitorado ser especialmente desmazelado.

15/06/2019

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (86)

Outras preces

«Marcelo coroado 'rei amor' na Costa do Marfim»
E logo num país com um regime que até em África se salienta por um regime nada democrático - o seu índice de democracia da EIU está na metade inferior africana, é o 113.º do mundo e é metade (4,15 contra 8,22) do índice de Cabo Verde de onde Marcelo viajou.

Por falar na criatura, concordo frequentemente com André Abrantes Amaral e neste seu comentário também concordo com quase tudo, excepto com o título «Um pequeno de Gaulle chamado Marcelo» que me parece ofensivo para Charles de Gaulle, por Marcelo ser uma espécie do contrário dele. Aquilo em que são mais parecidos é a altura (1,76 m de Marcelo contra 1,96 m de de Gaulle) e o que são mais diferentes é a estatura política e moral.

14/06/2019

ACREDITE SE QUISER: Para os cépticos que pensavam que Guterres não faria diferença nenhuma na ONU (5)

Outras diferenças que Guterres não fez.

O homem mais poderoso do mundo, segundo a imprensa local

Um Rio cada vez mais parecido com um socialista (5) - Está praticamente indistinguível

Outras parecenças: (1), (2), (3), (4)

Recordando, já se sabia que Rui Rio é uma espécie de socialista tresmalhado e que a sua escolha de lugares-tenentes como Barreiras Duarte, Elina Fraga, Salvador Malheiro, etc., aproxima aquilo a que chama ética da ética republicana do Homo Socialisticus vulgaris. Mais recentemente, a seguir à palhaçada em que Costa fingiu ser um Passos Coelho preocupado com o rigor orçamental, veio dizer que não sabia de nada, que nem era deputado and all that bullshit, no que foi logo desmentido por Fernando Negrão e Margarida Mano, líder e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD.

Agora, Álvaro Amaro, ex-presidente da Câmara da Guarda, vice-de Rui Rio e eurodeputado, que já era arguido no processo Rota Final foi constituído arguido num caso de «fraude na obtenção do subsídio que financiou a festa de carnaval em 2014».

Percebem-se cada vez com mais dificuldade as declarações de probidade da criatura e percebe-se cada vez melhor a sua obsessão de domesticar a justiça.

CASE STUDY: Um imenso Portugal (51) - A limpeza do Lava Jato

[Outros imensos Portugais]

Terá o juiz Sérgio Moro influenciado os procuradores da Operação Lava Jato de Curitiba no sentido de obterem provas contra os suspeitos e designadamente o ex-presidente Lula contrariando as regras legais? Pois, parece que sim, a acreditar nas conversas publicadas pelo jornal online de factchecking, conversas através da aplicação Telegram a que teve acesso a equipa de investigação do The Intercept Brasil.

Não foi preciso mais para o coro multinacional dos órfãos de Lula e do pêtismo iniciar a operação de limpeza do Lava Jato, alegando que, em vista da interferência do juiz na investigação, a acusação seria infundada. À pala de irregularidades processuais pretendem os órfãos - grosso modo a esquerdalhada internacional - branquear o maior sistema de corrupção alguma vez existente que permitiu a um partido manter-se no poder à custa de comprar milhares de políticos e empresários, partido capitaneado por Lula durante mais de uma década, um Lula sobre cujos filhos se amontoam evidências de terem sido beneficiários do mesmo esquema de corrupção.

Andaram bem os juízes e os procuradores que não cumpriram as regras e usaram atalhos na investigação? Claro que andaram mal. Mas estão os órfãos da esquerdalhada preocupados com as dezenas de políticos de direita que também foram apanhados pelos mesmos processos e foram condenados e presos? Não, não estão. 

E se a ilegitimidade dos processos de investigação compromete as provas, o que dizer das conversas privadas que fundamentam a acusação a Moro e aos procuradores de investigação "dirigida" que foram obtidas por meios ilegais? Daí resulta que Moro e os procuradores ficam isentos de responsabilidades?