Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

24/05/2019

Are machines threatening to make workers unemployable? Think again


«EVERYONE SAYS work is miserable. Today’s workers, if they are lucky enough to escape the gig economy and have a real job, have lost control over their lives. They are underpaid and exploited by unscrupulous bosses. And they face a precarious future, as machines threaten to make them unemployable.

There is just one problem with this bleak picture: it is at odds with reality. As we report this week (see Briefing), most of the rich world is enjoying a jobs boom of unprecedented scope. Not only is work plentiful, but it is also, on average, getting better. Capitalism is improving workers’ lot faster than it has in years, as tight labour markets enhance their bargaining power. The zeitgeist has lost touch with the data.»

The rich world is enjoying an unprecedented jobs boom, The Economist

23/05/2019

Óropa? Não, não é só carcanhol e o futuro poderá não ser igual ao passado

Portugal dos Pequeninos, a Miami dos brasileiros

Em declarações à Bloomberg, inseridas numa peça com o título «Para muitos brasileiros ricos, Portugal está a tornar-se a nova Miami», o empresário brasileiro Ricardo Bellino, «que diz ter convencido Trump em três minutos em 2003 a investir em um resort de golfe de meio bilhão de dólares em São Paulo que nunca foi construído, vê Portugal como um país cheio de oportunidades». Que o Sr. Bellino veja tantas oportunidades deixa-me ligeiramente preocupado. De passagem, repare-se que o articulista Henrique [Champalimaud Simões de] Almeida, que parece ser mais um português no topo do mundo (*), faz equivaler todo o Portugal dos Pequeninos a uma só cidade americana.

Na mesma peça, o mesmo articulista escreve que «no Chiado, um dos bairros mais caros de Lisboa, alguns moradores dizem que sua vizinha, a brasileira Regina de Camargo Dias, é a mulher mais rica de Portugal. Camargo, uma das três irmãs que controlam a construtora e cimenteira Camargo Correa SA, está entre os brasileiros ricos que compraram casas na capital portuguesa, Lisboa, onde o preço pode chegar a 10 mil euros por metro quadrado (11.170 dólares por 10,8 pés quadrados)

O mundo, até para os portugueses no topo do mundo, é pequeno por várias razões. O articulista  tem entre os seus contactos LinkedIn um muito bem conhecido meu, e, por outra coincidência, a dona Regina não sei se é a mulher mais rica de Portugal mas é uma mulher da família Camargo Correia, maior accionista da Cimpor a quem o falecido Pedro Queiroz Pereira (um dos poucos empresários portugueses com tomates) fez uma OPA que morreu na praia por oposição da Caixa e do BCP e, dado o endividamento da Carmargo Correia, ficaram criadas as condições para o passo seguinte - a venda da Cimpor (ver a estória contada neste post pelo outro contribuinte).

Entretanto, em 2017 a Camargo Correia retira a Cimpor da bolsa e começa a procurar comprador para a InterCement que controlava 90% da Cimpor, para reduzir o seu pesadíssimo passivo. Encontrou e vendeu no final do ano passado a Cimpor ao fundo de pensões das Forças Armadas turcas OYAK. É um desfecho condizente com o capitalismo português falido e pendurado no Estado Sucial através da Caixa e do BCP que durante os anos de Sócrates foi um apêndice da Caixa.

(*) As expressões "portugueses/português no topo do mundo" têm 23 mil ocorrências numa pesquisa Google de hoje.

22/05/2019

Óropa? Estamos a falar de carcanhol, não é verdade?

Cartazes colocados no Parque Eduardo VII junto ao Marquês
O que me leva a citar o comediante (*) Tiago Dores que escreveu hoje no Observador:
«Uma vez que a posição de Portugal no panorama europeu é sempre de mão estendida seria óptimo que os nossos representantes fossem os políticos com mais resistência ao nível dos membros superiores.»
(*) Os comediante inteligentes, como é o caso, são as pessoas mais habilitadas a comentar a atitude mental dos nossos políticos face à Óropa, atitude que, não por acaso, é a da maioria dos eleitores que votam nesses políticos.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Numa jogada atrevida, Costa deixa a oposição em Zugzwang (3)

Secção Tiros nos pés

Reincidindo...

No dia seguinte à pantomina da demissão, 4 de Maio, escrevi aqui: se Costa ganhar as eleições legislativas (o que se tornou hoje mais provável) agradecei à miopia de Rio & Cristas. Se confirmarem a aprovação da recuperação integral da carreira dos professores surgem como irresponsáveis e oportunistas. Se recuarem perdem o que lhes resta de credibilidade.

... e confirmando...

Resultado das sondagens para as eleições europeias:

18 de Abril: PS 33,6%, PSD 31,1% - diferença 2,5%
17 de Maio: PS 36%, PSD 28% - diferença 8%
20 de Maio: PS 33%, PSD 23% - diferença 10%


Não vou distribuir mais afonsos a Costa pelo Zugzwang a Rio e Cristas, nem bourbonschateaubriands a estas duas criaturas apanhadas pelo Zugzwang, por já estarem esgotados (os bourbons e os chateaubriands, entenda-se; também as criaturas, mas estas ainda não deram por isso).

(*) Zugzwang, do alemão zug (jogada) e zwang (compulsão), é a situação no xadrez em que, em consequência das jogadas anteriores, um jogador é obrigado a fazer a jogada seguinte da qual sairá em pior situação.

21/05/2019

ESTADO DE SÍTIO: O órgão legislativo continua a ejacular

«Maratona legislativa: deputados têm 46 leis para votar em 37 dias»

É próprio do órgão legislativo produzir ejaculações legislativas supérfluas e inférteis.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Distraído, mentiroso ou medroso? (3)

Uma continuação por outras palavras daqui

Secção Musgo Viscoso

Tentando lavar a sua roupa interior ainda com vestígios da sua obra e da que foi cúmplice enquanto ajudante de Sócrates para as Finanças, obra que começou pela nomeação de Vara para a administração da Caixa, recusada pelo seu antecessor Campos e Cunha, demitido por essa razão por Sócrates, e continuou com o assistir impávido ao assalto ao BCP (*), Teixeira dos Santos aproveitou o Fórum Desafios e Oportunidades para dizer que «não nos podemos esquecer do que há 20 anos se tornou quase um paradigma, pelo menos entre as elites bem pensantes económicas, que achavam que precisávamos de ter centros de decisão nacional» o que, segundo ele, explicaria o expediente «de os bancos arranjarem empresários portugueses que personificassem estes tais centros de decisão nacional e de os financiarem para que pudessem existir.»

Com esta narrativa para estúpidos, digna do seu chefe Sócrates, uma vez mais Teixeira dos Santos merece cinco urracas pela falta de tomates, cinco bourbons por continuar igual a si próprio, cinco pilatos por ter passado o tempo a lavar as mãos das responsabilidades, e cinco ignóbeis por desta vez já ter percebida que não é distraído, é mentiroso e medroso.

Em alternativa ao estilo Berardo que se ri, com toda a razão e a maior desfaçatez, nas trombas dos deputados tendes o estilo songamonga do cúmplice de Sócrates na bancarrota do Estado Sucial que insulta a vossa inteligência. Pela minha parte, se me obrigarem a escolher, prefiro o Berardo.

(*) Para recordar o caso BCP releiam-se as seguintes séries de posts: «A parte submersa do iceberg Millenium bcp»; «Cronologia de um golpe»; «La strategia del ragno»; «Móbil do assalto ao BCP»; «Sequelas do assalto ao Millenium bcp».

Chávez & Chávez, Sucessores (72) - O socialismo torna escasso o que é abundante

Outras obras do chávismo.

Caracas e pelo menos 11 dos 24 estados da Venezuela estão sem gasolina.

Recapitulando:

  • A Venezuela dispõe das maiores reservas mundiais de petróleo;
  • A Venezuela tem uma elevada precipitação e dispõe de muitos rios, incluindo o rio Orinoco, o quarto maior caudal do mundo, e, não obstante, raciona frequentemente a electricidade e a água. Há mais de um ano que os 5,3 milhões de caraquenhos não têm abastecimento regular de água. Depois de terem sido gastos nos últimos anos 10 mil milhões de dólares, Caracas tem menos água do que há 20 anos e a infraestrutura está em ruínas. Apenas funcionam 20 das 400 equipas de manutenção.

20/05/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (188)

Outras avarias da geringonça e do país.


A carga fiscal aumentou? Depende do que seja, como a democracia norte-coreana para o Sr. Jerónimo

A carga fiscal subiu 0,3% em 2017 para 34,4% e em 2018 subiu 1% para 35,4%. Pelo menos é o que dizem o INE e os economistas que não se licenciaram na Mouse School of Economics. O Dr Centeno indigna-se e discorda criando uma fórmula alternativa que tem em conta o défice e os impostos futuros, fórmula que é até hoje a sua criação teórica mais original. O que, vá-se lá saber porquê, me fez lembrar a boutade da auto-estrada mexicana aqui recontada pelo outro contribuinte impertinente.

Agora é oficial. O semanário de reverência confirma que a "austeridade" socialista existe mesmo: Costa-Centeno investem menos do que o governo "neoliberal"


Além da dissidência face ao discurso oficial adoptado pela imprensa amiga no que respeita ao investimento, o Expresso no seu Caderno de Economia deste fim de semana sublinha que Portugal não convergiu com a UE entre 2016 e 2019 e até 2022 pode ser ultrapassado pela Polónia que, recorde-se, sobreviveu a ser invadida e repartida por nazis e comunistas e esteve sob a bota soviética 40 anos, o que, suspeito, deve ser um poucochinho pior do que 50 anos de corporativismo salazarista seguido de 45 anos de corporativismo socialista.

É justo registar que tudo isso foi salientado por uma espécie de Expresso alternativo, cujo actual director João Vieira Pereira nomeado recentemente (com grande surpresa minha, confesso, porque não parece fazer parte do jornalismo de causas amigo) fica em risco de receber outro SMS ameaçador do Costa como aquele de há quatro anos em que foi admoestado.

19/05/2019

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: A licença de isqueiro do "fassismo" é agora o chip para os animais domésticos

Depois dos cães, agora são os gatos que vão ser obrigados a ter chip. Os que já nasceram têm até 2021 para ter um chip — e os que nascerem daqui em diante têm três meses. Quem não cumprir paga multa.

O que distingue o liberalismo que respeita o primado da liberdade individual e o socialismo colectivista é que o primeiro só aceita a intromissão do Estado quando não tem remédio, e o segundo só não intromete o Estado na sociedade civil quando não pode.

SERVIÇO PÚBLICO: "Para a esquerda o passado começa hoje"

«Berardo, tal como Salgado, são homens do tempo de Sócrates. Para os homens que estiveram com Sócrates no governo e que agora governam eles são uns empecilhos, fantasmas que se obstinam em desmontar a Regra Número 1 para entender Portugal: à esquerda o passado começa hoje. Em 2011, o governo socialista fez um pedido de ajuda externa. Ainda o ano não tinha acabado e já o mesmo PS se manifestava contra o programa que ele mesmo tinha negociado. Em 2012 a culpa da crise já não era da falência mas sim das medidas tomadas para a evitar… Em 2019, mostram-se indignados com Berardo, o mesmo Berardo seu parceiro no assalto ao BCP. Não duvido que dentro de uns anos serão os primeiros a indignar-se com os incêndios de 2017 ou os lucros conseguidos pelos novos capitalistas de Estado. Sim, como dizem os espanhóis sobre as bruxas que los hay los hay. Os capitalistas de Estado, claro. Das bruxas não sei nada.

A Regra Número 2 é a que estabelece: se as pessoas quisessem perceber tinham percebido. A ideia piedosa que anima muitas pessoas de que um dia, quando os outros tomarem conhecimento dos factos , então tudo será diferente é isso mesmo: uma ideia piedosa mas nada mais. Não foi por falta de esclarecimento que em 2011 um milhão e meio de pessoas votou em José Sócrates. Não foi por falta de esclarecimento ou de avisos que o país faliu. Não é por as pessoas não perceberem que em Portugal os problemas se avolumam. É sim por as pessoas terem percebido que viver enganado é mais cómodo. pelo menos durante um tempo, do que enfrentar as decisões inerentes à hora do desengano.»

Excerto de «E Berardo deixou-os nús», Helena Matos no Observador

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Numa jogada atrevida, Costa deixa a oposição em Zugzwang (consumação)

Secção Tiros nos pés

No dia seguinte à pantomina da demissão, 4 de Maio, escrevi aqui: se Costa ganhar as eleições legislativas (o que se tornou hoje mais provável) agradecei à miopia de Rio & Cristas. Se confirmarem a aprovação da recuperação integral da carreira dos professores surgem como irresponsáveis e oportunistas. Se recuarem perdem o que lhes resta de credibilidade.


Resultado das sondagens para as eleições europeias:

18 de Abril: PS 33,6%, PSD 31,1%  - diferença 2,5%

17 de Maio: PS 36% , PSD 28% - diferença 8%


Dois afonsos para Costa pelo Zugzwang a Rio e Cristas.

Cinco bourbons para a oposição por nada aprenderem e nada esquecerem (para ser rigoroso esquecem tudo, mas para isso não tenho pontos) e cinco chateaubriands por fazerem o jogada de Costa imaginando que faziam a sua e pelo espectáculo deprimente que proporcionaram.

(*) Zugzwang, do alemão zug (jogada) e zwang (compulsão), é a situação no xadrez em que, em consequência das jogadas anteriores, um jogador é obrigado a fazer a jogada seguinte da qual sairá em pior situação.

18/05/2019

Títulos inspirados (87) - Levanta-te e caminha, dirá Vieira da Silva aos defuntos replasos

«Segurança Social vai ter mais poderes para recuperar as prestações pagas a mortos»

¿Por qué no te callas? (24) - Também tu, meu filho, apelas à estupidez natural do eleitorado?

«Esse senhor Dijsselbloem foi o célebre socialista que veio dizer que aqui as pessoas do Sul e em particular os portugueses gastavam o dinheiro todo em copos e mulheres. E é por isso que eles nos cortam nos fundos», disse Paulo Rangel, o cabeça de lista do PSD às eleições europeias, acrescentando «esses amigos socialistas de Pedro Marques» é que são os «grandes amigos de Portugal».

Ele poderia ter dito que o senhor Dijsselbloem estava equivocado porque, infelizmente, os portugueses não gastaram o dinheiro em copos e mulheres. Se tivesse sido estariam desculpados por nós aqui no (Im)pertinências. Os portugueses, ou melhor os paxás que nos têm governado, têm gasto o dinheiro em rotundas inúteis, auto-estradas supérfluas, em sinecuras para os aparatchiks e bonzos, em vantagens escandalosas para os salgados e os berardos do regime e na freguesia eleitoral dos paxás que habita a vaca marsupial pública.

Compreendendo que, se dissesse tais verdades, o candidato não voltaria a Bruxelas nem a Estrasburgo, pergunto-me se, ao menos, não poderia ter ficado calado?

17/05/2019

SERVIÇO PÚBLICO: Berardo no país dos berardos

«Passei grande parte dos últimos anos angustiado e a interrogar-me: se esta gente é assim, como pode Portugal ter futuro? Este pensamento tinha a ver com os ’empresários’ e políticos que ia conhecendo, e com quem, por via da minha profissão de jornalista, tinha de trabalhar diretamente ou de contactar com assiduidade.

E tenho, por isso, uma notícia desagradável a dar: não se pense que José Berardo é o pior exemplo daquilo que a sociedade portuguesa pode apresentar. Há pior, muito pior, nesse campeonato do descaramento, da incultura, da boçalidade, da irresponsabilidade social e de uma criminosa maneira de viver a vida à conta do erário público e dos bancos.

A coleção de capatazes que não sabem, não se lembram, não viram, não possuem, não fizeram, cuja agenda só marca almoço, jantar e traficar, e que até são capazes de sacudir um último pingo de dignidade para salvarem o dinheiro que escondem em offshores é bastante mais vasta, não se esgota na miserável novela que tem decorrido no Parlamento a propósito dos roubos públicos perpetrados nos últimos anos. Berardo, insisto, apenas abusou da sorte porque sempre viveu a vida com este descaro que agora todos os portugueses já conhecem e da maneira mais chocante.

ARTIGO DEFUNTO: O Ronaldo das Finanças anda a comprar aviões




TAP confirma que vai receber 37 aeronaves em 2019; 33 delas estão avaliadas pela Airbus em mais de 6,6 mil milhões de euros.
»

É um insulto à inteligência dos leitores (inteligentes) que até para o Diário de Notícias é demasiado. Excedeu-se outra vez. É o Diário da manhã do socialismo.

16/05/2019

DIÁRIO DE BORDO: Ó políticos de merda, ó jornalistas de trampa, ó palhaços em geral, tende vergonha...



... e botai processos disciplinares uns aos outros, retirai comendas ao rancho de comendadores ineptos, indignai-vos olhando para as vossas fuças ao espelho e largai o Berardo que fez aquilo que vós esperastes dele e agora ele ri-se, com razão, nas vossas trombas.

Para melhor se perceber porque se ri Berardo veja-se a etiqueta porque ri Berardo?, etiqueta que já por aqui anda há um ror de tempo.

Por uma vez, concordo com a radical chic Marisa Matias quando diz que o riso de Berardo «é o melhor retrato da elite medíocre». Pois é, e vem a propósito recordar o lema de estimação do (Im)pertinências:
Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: 16 de Maio, uma efeméride importante (republicação)


Há 50 anos (agora 53), a 16 de Maio de 1966, depois do grande desastre que foi «Grande Salto em Frente» com o seu cortejo de milhões de mortos pela fome, o Partido Comunista Chinês, sob o comando do Grande Líder Mao Ze Dong, emitiu uma directiva para combater sem tréguas os inimigos do comunismo infiltrados no Glorioso Partido, dando assim início à «Revolução Cultural» que nos 10 anos seguintes, até à morte de Mao, foi o pretexto para a perseguição, prisão e assassinato de milhões de chineses, lacaios da burguesia influenciados pelo capitalismo.

É uma data gloriosa do Comunismo.

Eles podem não ter muito jeito para investigar, mas são óptimos a botar nomes...

Façamos um breve levantamento da nomenclatura das operações de investigação:
Apito Dourado, Andes, Banana Mix, Carta Fora do Baralho, Cartão Gift, Cavaleiro, Chicote, Ciclone, Clã, Cruz Verde, Coruja, Cuba Livre, Danúbio, Dominó, e-toupeira, Erva Daninha, Face Oculta, Fair Play, Fénix, Fizz, Fundo Falso, Livro Mágico, Lex, Macumba, Mãozinhas de Ferro, Marquês, Moçoilo, Monte Branco, Nix, Pássaros do Sul, Polvo, Pontas Soltas, Primavera Adiada, Remédio Santo, Rockefeller, Sombra, Top Secret, Tornado, Tupperware, Voo Picado
São apenas alguns dos nomes pescados numa pesquisa rápida. Alguns são verdadeiros achados. A estes acrescentou-se há dias “Duo Facie”, uma criação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária que investiga toupeiras no interior do Fisco e das Finanças.

Poderíamos perfeitamente fazer um acordo no âmbito da Interpol: as polícias com mais jeito para investigar fariam as suas e as nossas investigações e as nossas polícias baptizariam as nossas e as deles. Ganharíamos todos.

15/05/2019

DIÁRIO DE BORDO: Processo disciplinar a Berardo? O Joe é a criatura, não é o criador e o criador são vários...

«Berardo provoca mal-estar em Belém. Comendador pode perder condecorações»

«CDS propõe processo disciplinar para retirar condecoração a Berardo»

O Joe é a criatura, não é o criador e o criador são vários...

Só dois exemplos (esquecendo a multidão de acólitos, como Ricardo Salgado, Santos Ferreira, Vara, etc. - um enorme etc.):

Títulos inspirados (86) - É todo um programa

«A história de Maria, que espera há dois anos que o Estado lhe trace o destino», titulou o Diário de Notícias para contar a estória de uma menina de 4 anos «retirada à mãe em emergência aos 15 meses

Dúvidas (264) - A fuga de Costa para a Óropa é só mais uma teoria da conspiração?

«Dito isto, a cabeça de António Costa já não está em Portugal. Agora, o líder socialista quer experimentar – tudo indica – um outro tipo de tacho: o tacho internacional. Costa já foi eurodeputado (que, aliás, não deixou obra nem qualquer marca relevante), pretendendo, nos próximos anos, exercer o lugar de presidente do Conselho Europeu. Na verdade, uma pessoa que outrora foi muito próxima de António Costa e que chegou mesmo a integrar o atual executivo confidenciou-nos que a escolha de Pedro Marques para cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu se justifica com a execução de uma estratégia pessoal de António Costa que há muito é falada nos bastidores socialistas. Entre os dois socialistas foi firmado um acordo pelo qual Pedro Marques será designado por António Costa como comissário europeu – e, em troca, Pedro Marques fará pressão, junto dos seus contactos e ligações na Europa (que adquiriu na sua faceta de ministro dos Transportes), para que António Costa seja escolhido para um qualquer cargo europeu relevante (que lhe permita ter um exílio dourado, nos próximos anos até 2024/2025, em Bruxelas).»

Lido isto numa peça com um nome que diz tudo (Verdade escondida aos portugueses: António Costa já manobra nos bastidores para ir para Bruxelas), se vivesse num país normal governado por gente normal, se é que tal país existe, pensaria que João Lemos Esteves que escreveu a peça ou bem estaria a delirar ou bem estaria a construir uma bela teoria da conspiração, sabe Deus com que propósitos.

Vivendo num país talvez normal mas rançoso, governado por gente como a que nos governa agora, cujos antecessores criaram os precedentes que se conhecem, um fugindo do pântano para o olimpo das Nações Unidas e outro da bancarrota para o exílio dourado parisiense, gente a quem talvez reste um módico de lucidez para anteciparem que o inferno irá chegar e eles não querem cá estar quando chegar, penso que à cautela é melhor acolher o que hoje parece uma bela teoria da conspiração e amanhã, quem sabe?, pode ser uma bela premonição.

14/05/2019

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (85) - Até para comentador televisivo é demasiado

Outras preces

«Na altura comentador político televisivo, Marcelo Rebelo de Sousa elegeu Joe Berardo a figura do ano 2007 na economia portuguesa, pelo papel que tinha tido na definição do futuro do BCP.»

É claro que nos finais de 2007 não se sabia tudo o que se sabe hoje. Mas já se sabia imenso, desde que se quisesse saber, o que já se sabia e confirma-se agora não era então o caso do comentador televisivo, nem é hoje o caso do presidente. Ora releia-se o que por essa altura se escreveu no (Im)pertinências sobre a figura do ano de 2007:

09/04/2006 DUAS ESTÓRIAS, DUAS MORAIS E UM APELO: é a Cóltura, estúpidos (again)
O senhor Joe Berardo fez um acordo com o governo que o Impertinências ainda não teve ocasião de perceber, mas que à primeira vista parece consistir em usar o dinheiro dos «sujeitos passivos» para dar ao senhor Joe um local para ele arrumar as suas tralhas durante dez anos e, de caminho, lhe comprar mais uns milhões de euros de óbjectos cólturais para a sua colecção.

06/01/2007 ARTIGO DEFUNTO: o megafone é a alma do negócio
Conheceis algum outro país onde um empresário que impingiu ao governo a ideia de lhe financiar um salão de exposições para as suas tralhas artísticas e tem esperança de lhas vender dentro de 10 anos, proponha negócios a esse mesmo governo através dum jornal? Eu não.
(Teoria da conspiração: o senhor comendador está a pagar ao governo a renda do armazém onde guarda as tralhas)

08/03/2007 CASE STUDY: uma OPA é uma opa (2)
A Sonaecom procedeu à alienação de 11.291.657 acções da Portugal Telecom (cerca de 1%) a um preço médio de 9,62 euros. Realizou uma bela mais-valia, todavia insuficiente para pagar os 40 milhões que lhe custou a OPA. O mercado deveria pagar-lhe o diferencial entre o custo da OPA e a mais-valia que realizou para retribuir o valor que foi acrescentado à PT pela iniciativa da Sonaecom e pelos efeitos positivos para o mercado resultantes da separação das redes, do spin off da PT Multimédia e last but not least pela nomeação do doutor Granadeiro em substituição do Visconde Barão Doutor Horta e Costa, a Enfatuada Vacuidade do double windsor e do roupão de seda com brasão.
Se a PT vale mais de que os 10,50 oferecidos pela Sonaecom, porque está a ser negociada a cotação muito abaixo da OPA (9,69 hoje)? O que sabe o senhor Joe Berardo, o doutor Ricardo Salgado e as outras luminárias que o mercado não sabe?

30/04/2007 SERVIÇO PÚBLICO: cada um tem o que merece?
Depois dos governos anteriores terem gasto, entre 1996 e 2005, 1,5 milhões de euros para albergar peças do Berardo em Sintra, o governo socialista do engenheiro Sócrates cedeu-lhe o ano passado o centro de exposições do CCB por 10 anos, prometeu pagar meio milhão de euros em cada um desses 10 anos, para ajudar à festa da fundação, e obrigou-se a comprar a colecção no final, se o Sr. Berardo lha quiser vender.
Para não se pensar que só o governo português faz mecenato com o dinheiro dos sujeitos passivos, recorda-se que, se nós temos o Berardo, os espanhóis tiveram o Thyssen, Heinrich e têm a sua 5.ª consorte Tita, antiga miss Espanha. Em 1989, o governo de Felipe Gonzalez (sempre o polvo socialista), pagou as pesetas equivalentes a 350 milhões de dólares por metade da colecção Thyssen que albergou nesta esplêndida galeria.
Se dizem da colecção Thyssen que tem obras menores de artistas maiores e obras maiores de artistas menores, que haveremos de dizer da colecção Berardo?

04/01/2008 ESTADO DE SÍTIO: do conúbio do estado napolónico-estalinista com o empresariado de olho vivo e pé ligeiro
A manobra orquestral no escuro à volta do controlo do Millenium bcp, convenientemente justificada pelo «interesse nacional», é o exemplo do perfeito casamento de conveniência entre o omnipresente estado napolónico-estalinista, momentaneamente encabeçado por dois dos seus mais fervorosos adeptos e permanentemente ocupado pela coligação de interesses pudicamente chamada Bloco Central, e um empresariado preguiçoso, pouco empreendedor e subserviente, mas de olho vivo e pé ligeiro. Tudo o que até agora se sabia já era suficientemente grave. Ficou mais grave com o que hoje se ficou a saber: accionistas do Millenium bcp, incluindo o inefável comendador Berardo, reforçaram as suas participações com dinheiro emprestado pela Caixa, que além de emprestar o dinheiro e de ser um dos accionistas mais importantes do banco, emprestou igualmente o seu ex-presidente e um dos seus administradores, por feliz coincidência amigo do peito do primeiro-ministro (ver notícia do Público).

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.


«All my life, I have known that I could work at whatever I wanted whenever I wanted.»

13/05/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (187)

Outras avarias da geringonça e do país.

A pantomina

Tão subitamente quanto surgiu, desapareceu a crise da demissão do governo, uma pantominice em que cada farsante fingiu fazer o papel do outro. Sem surpresa, contra os pantomineiros amadores da oposição, ganhou o maior pantomineiro, o chefe do partido que levou o país à bancarrota, cujos deputados votaram há uns meses uma recomendação ao governo para contarem os 9A4M2D dos professores, pantomineiro que agora ressuscita encarnando a rectidão orçamental, depois de 3 anos a distribuir prebendas pela sua freguesia eleitoral. Uma única medida (a redução do IVA da restauração) custou mais do que do que o bodo que agora o governo nega os professores que fizeram o papel de idiotas úteis. Pelo caminho, o ministro das Finanças excedeu-se nos gastos de demagogia e aumentou o seu défice de credibilidade, aplicando o multiplicador à estimativa do custo de recuperação dos 9A4M2D.

Surpreendente? Nem por isso. Todos fizeram o papel que se esperava que fizessem, incluindo o venerando Chefe do Estado (era assim que se chamava ao Almirante Américo Thomaz), que ficou praticamente recluso no mais recolhido silêncio. Infelizmente receio que tenha malbaratado todo o seu limitado stock de contenção num só evento.

Todos fizeram o seu papel? Se não é literalmente todos, é uma multidão que inclui quase metade dos inquiridos na sondagem da Aximage que aprovaram a pantomina de Costa.

ACREDITE SE QUISER: Plano individual de sesta

No dia 8 de Maio o deputado único do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) apresentou no parlamento um projecto de resolução, recomendando ao governo que:
  1. Proporcione as condições adequadas, nomeadamente leito ou colchão, ambiente calmo, escuro, com temperatura adequada, limitação de ruído e com vigilância, a todas as crianças em idade pré-escolar a fim de assegurar a qualidade do sono da sesta; 
  2. Diligencie no sentido de garantir que cada criança, que frequente o ensino pré-escolar, tenha um plano individual de sesta, acordado com a família; 
  3.  No âmbito da aplicação desta medida, assegure que a sesta é promovida pela educadora de infância na presença de manifestações de privação de sono ou necessidade de sesta pela criança.
Ele só descansará quando a distopia instalada no interior da sua caixa craniana se propagar ao recanto mais recôndito de uma sociedade cada vez mais parecida com a Oceania onde até a sesta das crianças é regulada pelo Grande Irmão, de acordo com os princípios do Animalsoc.

12/05/2019

Dúvidas (263) - Querem os portugueses um primeiro-ministro troca tintas? E porque não? Já estão habituados ao actual

«Rui Rio tem dito tudo e o seu contrário. De tal forma, que os portugueses estarão hoje a interrogar-se se querem um primeiro-ministro troca tintas», disse com a habitual sabedoria Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros e dirigente do PS que gosta de bater na direita.

11/05/2019

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (84) - Petição ao Dr. Costa

Outras preces

O silêncio de S. Exa. vai no oitavo dia após a pantomina da demissão anunciada pelo Dr. Costa. Estamos a apreciar cada dia. 

Com perdão pelo atrevimento, Dr. Costa, se não for pedir muito, poderia ameaçar demitir-se regularmente, digamos uma vez por trimestre?

Um dia como os outros na vida do estado sucial (36) - Onde os pobres fazem filantropia aos ricos

«Ninguém fica indiferente quando lê que os bancos a quem todos pagamos os seus dislates e má gestão, como se os bolsos dos portugueses fossem um poço sem fundo, perdoam 116 milhões ao “milionário” João Pereira Coutinho ou outro “milionário como Diogo Vaz Guedes pede um perdão fiscal de 67 milhões quando a dita autoridade tributária não perdoa um cêntimo a quem não é conhecido nem frequenta os suplementos de economia dos jornais. Também dá para rir quando a Comissão de Ética do Parlamento, em duas legislaturas envolvendo 52 pareceres não detectou qualquer incompatibilidade aos deputados quando todos sabemos que muitos que ali se sentam são os principais “lobistas” do País. Claro que é fácil ser juiz em causa própria, pois são os colegas parlamentares que anuem perante esses comportamentos e são incapazes de aplicar sanções a pretensos prevaricadores, tudo com uma palmadinha nas costas, protegendo-se uns aos outros como os melhores códigos de conduta napolitanos ensinam.»

Excerto de «A fazerem-nos de parvos são uns génios», Rui Calafate no jornal Eco

10/05/2019

Um Rio cada vez mais parecido com um socialista (4)

Outras parecenças: (1), (2), (3)

Recordando, já se sabia que Rui Rio é uma espécie de socialista tresmalhado e que a sua escolha de lugares-tenentes como Barreiras Duarte, Elina Fraga, Salvador Malheiro, etc., aproxima aquilo a que chama ética da ética republicana do Homo Socialisticus vulgaris.

Sem bem se recordam, Rui Rio, imediatamente a seguir à palhaçada em que Costa fingiu ser um Passos Coelho preocupado com o rigor orçamental, veio dizer que não sabia de nada, que nem era deputado and all that bullshit
 
A versão de Fernando Negrão e Margarida Mano, líder e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD,  é um poucochinho diferente. Segundo eles disseram ao grupo parlamentar ontem de manhã, «Rui Rio acompanhou a par e passo tudo o que aconteceu na famosa reunião da comissão de educação, em que foi aprovada a contagem integral do tempo de serviço dos professores, com os respetivos benefícios remuneratórios e de tempo de carreira. (Expresso). 

Escolham quem é o mentiroso. Se for Rio, devemos concluir que está em melhor posição para disputar a Costa o lugar de primeiro-ministro.

Mitos (288) - O contrário do dogma do aquecimento global (XX)

Outros posts desta série

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Um dos efeitos nefastos atribuído ao aquecimento global que recorde-se, segundo a vulgata da ciência de causas do clima, resulta exclusivamente da actividade humana - ou abreviadamente do capitalismo -, é a extinção maciça das espécies. Um milhão de espécies estão ameaçadas segundo o relatório da agência ambiental da ONU Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services, de um total cujas estimativas variam entre dois ou três milhões até quase dez milhões - o estudo das espécies sofre do mesma maldição da tabuada que assola as nossas elites.

A ser assim, e até pode ser, estaria em curso a sexta extinção maciça da história do planeta. A primeira foi a extinção do final do Ordovícico há 445 milhões de anos, resultante da redução da concentração de dióxido de carbono na atmosfera causada pela diminuição da actividade vulcânica. Pausa para respirar, foi exactamente o contrário do que estará agora a acontecer devido exclusivamente, recorde-se outra vez, à actividade humana. De onde, podemos concluir que por agora estamos livres da extinção do Ordovícico. 

As três seguintes tiveram causas variadas em que o capitalismo parece estar inocente, aliás a segunda até parece uma maldição para o movimenta vegan, uma vez que se julga ter resultado de uma expansão da cobertura vegetal seguida do crescimento explosiva de algas (para mais pormenores ler este artigo do Observador onde está tudo muito bem explicadinho para leigos como nós) .

Fast forward e chegamos à quinta extinção maciça, a mais conhecida, no final do Cretácico, para aí há 66 milhões de anos, que parece ter resultado do impacto de um enorme asteróide na planície de Yucatan no actual México. Foi desta que resultou o extinção dos dinossauros, com excepção evidentemente dos apparatchiks do PCP.

A escala das cinco extinções maciças e, pelo menos na quinta, a rapidez, são tais que envergonham a obra humana. Ou seja, neste caso, o capitalismo, a exploração do homem pelo homem. Sendo certo que o comunismo, que, como se sabe, é o contrário do capitalismo, enquanto durou parece ter produzido mais danos ambientais do que o capitalismo, sem contar claro com os danos à espécie humana cujo número de vítimas se estima entre 70 e 100 milhões.

09/05/2019

Porque não fiquei surpreendido, ainda outra vez? (8)

Alguém acredita que Kim alienará a sua nomenclatura político-militar subtraindo-lhe o armamento nuclear? Perguntei-me várias vezes: (1)(2)(3)(4)(5)(6), (7).


Isto não constitui um insucesso para um Trump que não visa a paz no mundo ou qualquer outro desígnio grandioso, nem mesmo alcançar um resultado concreto. O que está em causa é o processo trumpiano, um processo em que os meios são tudo e os fins são pouca coisa. Não é impossível que o resultado final seja positivo, mas será um resultado aleatório.

CONDIÇÃO FEMININA / CONDIÇÃO MASCULINA: Os efeitos perversos da agenda do género

Camille Paglia é uma feminista dissidente, professora na universidade de Filadélfia, conhecida pelas posições heterodoxas face ao feminismo, de que foi uma figura de proa, e pelo seu repúdio de sempre do movimento politicamente correcto, escrevi aqui há uns anos, citando-a sobre as diferenças entre a sexualidade feminina e masculina. Hoje cito-a acusando a esquerda, e em particular o marxismo cultural, de com a sua promoção obsessiva da agenda do género acabar a gerar mais homofobia a pretexto de a combater. Ah! quase me esquecia, Camille Paglia é lésbica e não o esconde há muito tempo.


Excerto de «Homofobia de hoje é resultado direto dos erros da esquerda», Camille Paglia em entrevista à Folha de S. Paulo

08/05/2019

Vivemos num estado policial? (17) - Sim, vivemos. E talvez por isso os polícias nunca são suficientes... nem os seus sindicatos

Outros casos de polícia.

Lê-se e não se acredita. Até Abril do ano passado existiam 16-sindicatos-16 de polícias e o mais recente tinha 451 associados e 459 dirigentes e delegados. Pois bem, nasceu o 17.º sindicato, o Sindicato de Defesa dos Profissionais de Polícia, com 27 bófias, como lhes chamaria o camarada berloquista Mamadou Ba, todos dirigentes sindicais.

Caro leitor, para o caso de ainda não ter entendido o quid da pletora de sindicatos, lembro-lhe que o «trabalho sindical» dá direito a folgas e, no caso dos polícias, os dirigentes têm quatro folgas por mês e os delegados sindicais têm 12 horas. Capisce?

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (83) - O mistério do silêncio de quem nunca se cala

Outras preces

A crise da contagem da antiguidade dos professores, para efeitos da sua promoção independente do mérito (podia ter dito isto com menos palavras, mas assim fica mais claro do que estamos a falar), teve várias consequências óbvias.

Algumas dessas consequências foram desejadas pelos próprios, como a oportunidade que Costa segurou com ambas as mãos para tentar sair do buraco onde se metera às costas do par Rio & Cristas. Outras indesejadas, como a perda do pouco crédito que restava a este par, perda acompanhada pela ajuda involuntária a Costa para sair do buraco. 

E teve consequências menos óbvias e menos previsíveis, como o estranho silêncio que dura há seis dias do PR, uma personagem que fala abundantemente sobre tudo e sobre nada, a quem ninguém apanha desprevenido mesmo a respeito das maiores insignificâncias.

07/05/2019

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: PS, o partido dos líderes que emagrecem as vacas gordas e as abandonam no prado

«O exemplo de Mário Soares [que não fugia nos momentos difíceis] não foi, no entanto, seguido pelos líderes do PS que vieram a formar Governo depois dele, tendo todos eles optado por se demitir perante as dificuldades. Foi assim que Guterres, depois de ter perdido umas simples eleições autárquicas, proclamou que o país tinha entrado num pântano e fugiu dele a alta velocidade. Foi assim com José Sócrates que, tendo atirado o país para a bancarrota, se demitiu quando viu ser aprovada pela Assembleia uma simples resolução parlamentar contra o PEC4. E é assim agora com António Costa que, perante a simples iminência de ser aprovado pela Assembleia um diploma a determinar uma reposição da carreira perdida pelos professores, ameaçou com a sua demissão - isto quando não havia sequer garantias de que o diploma fosse promulgado ou chegasse a entrar em vigor. E, se tal acontecesse, poderia ser revogado pelo Governo, uma vez que se trata de uma matéria em que este tem competência concorrente com o Parlamento. A conclusão que daqui se retira é que, depois de Soares, todos os líderes do PS só parecem dispostos a governar em período de vacas gordas, abandonando o barco ao primeiro sinal de tormenta.»

Excerto de «Agarrem-me senão demito-me», Luís Menezes Leitão no Jornal i

Lost in translation (322) - Foi um equívoco e estou a tentar corrigi-lo, deveria ele ter dito se falasse em português corrente

«Se Sá Carneiro não tivesse feito um partido, eu se calhar tinha ido para o PS», disse Rui Rio, como se fosse uma explicação retroactiva que permite compreender melhor a sua liderança do PS-D.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (16)

Outros portugueses no topo do mundo.

A Kraft Heinz é uma empresa gigante de produtos alimentares que atravessa uma crise profunda que se reflectiu nos resultado do seu maior accionista a Berkshire Hathaway, liderada por Warren Buffett, um velhote que fará 90 anos no próximo ano e uma lenda do capitalismo americano, também conhecido por Sage of Omaha, o que diz tudo. É venerado como um capitalista impertinente aqui em casa, desde a fundação, por várias coisas notáveis que tem feito incluindo reservar quase toda a sua enorme fortuna para a filantropia.

Para fazer sair a Kraft Heinz do buraco onde se encontra, foi escolhido o actual a director de marketing do grupo cervejeiro AB InBev, um cidadão brasileiro, casado com uma panamiana, que trabalhou no Brasil a maior parte do tempo, mas também no Canadá, Estados Unidos, Bélgica e até cinco anos na China, mas nunca em Portugal.

Por acaso, Miguel Patrício, a criatura em causa, nasceu em Mação, de onde saiu aos 8 anos para o Brasil onde estudou, o que foi suficiente para ser apresentado pela nossa imprensa como «o lisboeta que vai dirigir Kraft Heinz», «o português que vai ser o novo CEO da gigante», «Este português vai tomar conta da Kraft Heinz», «O português Miguel Patrício vai dirigir o gigante Kraft Heinz», e por aí fora.

Compare-se com a imprensa brasileira que em dezenas de artigos sobre a sua nomeação não encontrei um único que o apresente como cidadão brasileiro, que ele também é de direito e, sobretudo, de facto. Muitos dos artigos até referem que o homem nasceu em Portugal.

Se deitássemos o jornalismo português (e a maioria dos portugueses) no divã do psicanalista, o diagnóstico poderia ser um complexo de inferioridade resultante do transtorno de personalidade narcisista. Enfim, não vale a pena complicar: é uma parolice terminal.

Como nota curiosa, reparei que nenhum jornal português a propósito da Kraft Heinz, que incorporou numa fusão a Heinz, citou Maria Teresa Thierstein Simões-Ferreira Heinz  («A imperatriz do 'ketchup'» como lhe chamou em 2011 o DN), uma portuguesa de origem que casou em 1966 com John Heinz III, herdeiro da Heinz, e viúva deste casou mais tarde com John Kerry, senador americano e candidato à presidência derrotado por George W. Bush. Se vierem a lembrar-se, colocam-na também no pedestal dos portugueses no topo do mundo.

06/05/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (186)

Outras avarias da geringonça e do país.

Não vou esmiuçar a pantomina da demissão anunciada de Costa que já foi aqui e aqui tratada pelo outro contribuinte deste blogue, vou apenas reter a sua moral. Quando dois políticos oportunistas e sem princípios da oposição fazem uma jogada para superar em oportunismo e falta de princípios o político oportunista e sem princípios que está no poder, deveriam interrogar-se antes se estão à altura dele nesse departamento. Já se sabia e confirmou-se: não estão à altura.

Mais uma baixa no governo de Costa, a do chefe de gabinete de secretário de Estado da Protecção Civil por suspeita de fraude relacionada com fundos comunitários, fraude envolvendo um ror de gente ligada à grande família socialista, incluindo empresários tugas de empresas com sede na Alemanha - note-se a propósito que o semanário de reverência refere o assunto na primeira página com um título destinado à quem só lê títulos: «empresas alemãs na mira da PJ».

Já virei a página e ficou na mesma. Quero saltar daqui para fora

O Ronaldo das Finanças, ou o «mão-de-vaca terrível», o que «quer mesmo é saltar daqui para fora», segundo João Duque que, tendo estudado no mesmo ISEG e sendo 6 anos mais velho, até talvez tendo sido seu professor, deve saber do que fala. Não admira que queira saltar ASAP, porque tem obrigação de perceber que a cartola de onde tirou os coelhos está a ficar vazia e que a página que o Costa diz ter virado afinal é a mesma.

05/05/2019

ESTÓRIA E MORAL: Era uma vez três políticos sem princípios...

Estória

Era uma vez três políticos oportunistas e sem princípios. Um estava no governo sustentado por uma coligação de interesses contraditórios que tinha em comum precisarem uns dos outros para se manterem no poder.

Os outros dois estavam na oposição esperando a sua vez de chegar ao poder. Impacientes, olhavam com inveja para o que estava no poder e intimamente admiravam o facto de tudo nele ser táctica e nada convicção, como escreveu, desiludido, um jornalista de causas / militante / comentador / analista, seu ex-admirador, também ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar.

Foi então que os dois políticos oportunistas na oposição pensaram: se ele tem sucesso a manter-se no poder dizendo o contrário do que faz, com superavit de táctica e défice de convicção, porque não superá-lo com mais táctica e ainda menos convicção, apeando-o do poder? E se assim mal pensaram, pior o fizeram, defendendo o contrário do que defenderam quando governo, tentando entalá-lo e obrigando-o a fazer o que ele dizia não querer.


Resultado que não devia ser surpreendente: o político oportunista no poder trocou de lugar com os políticos oportunistas na oposição e num piscar passou a assumir a rectidão na governação e o rigor orçamental antes defendidas por eles, que assim se viram acusados de falta de rectidão e libertinagem orçamental.

Moral

Podes tentar ser bom no género mau. Não deves é pensar que podes ser melhor do que o melhor de todos os bons no género mau.

04/05/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Numa jogada atrevida, Costa deixa a oposição em Zugzwang

Secção Tiros nos pés

«António Costa anunciou ao Presidente da República e ao Presidente da Assembleia a decisão que tomou: demite-se se diploma de recuperação do tempo dos professores for aprovado em votação final global.» (Observador)

Se Costa ganhar as eleições legislativas (o que se tornou hoje mais provável) agradecei à miopia de Rio & Cristas.

Um afonso para Costa por ter encostado a oposição à parede deixando-a obrigar-se a escolher dar um tiro no pé esquerdo ou no pé direito.

Se confirmarem a aprovação da recuperação integral da carreira dos professores e, inevitavelmente, das outras carreiras, PSD e CDS surgem aos olhos do seu próprio eleitorado (e da opinião pública) como irresponsáveis e oportunistas. Se recuarem perdem o que lhes resta de credibilidade.

Quatro bourbons para a oposição que, tal como a dinastia, nada aprendeu e nada esqueceu e cinco chateaubriands porque, querendo entalar Costa e o PS, acabaram entalados e sem saber o que votaram.

(*) Zugzwang, do alemão zug (jogada) e zwang (compulsão), é a situação no xadrez em que, em consequência das jogadas anteriores, um jogador é obrigado a fazer a jogada seguinte da qual sairá em pior situação.

03/05/2019

ACREDITE SE QUISER: E a luta contra a discriminação racial? Não interessa?

«Passadeiras da Almirante Reis, em Lisboa, pintadas com as cores LGBTI? A proposta é do CDS
O CDS-PP propôs que, no dia 17 de Maio, as passadeiras da Almirante Reis, em Lisboa, sejam pintadas com as cores do arco-íris. A ideia é homenagear a luta contra a Homofobia e Transfobia.» (Público)

Isto é mesmo coisa de queques de direita.

Vamos pintar as passadeiras só com as seis cores LGBTI? E as cores dos outros quatro dos dez "géneros" LGBTIQQAAP (L = lesbian, G = gay, B = bisexual, T = transgender, I = intersex, Q = queer, Q = questioning, A = allies, A = asexual, P - pansexual), sem falar dos outros sessenta e cinco dos setenta e um "géneros" do Facebook UK?

E as passadeiras a branco e preto? O que vamos fazer com elas? Recordemos o hino de Paul McCartney & Stevie Wonder:

Ebony and ivory
Live together in perfect harmony
Side by side on my neighbourhood
Oh Lord, why don't we?

Vamos pintar as cores do arco-íris gay por cima das passadeiras que celebram a harmonia racial?

02/05/2019

There is no such thing as public money; there is other people's money that one day runs out

«O que está em causa não é saber se acabam os privados ou o sector social na saúde, ninguém está a acabar com eles, o que está em causa é saber onde é que é gasto o dinheiro público» disse Catarina Martins, a propósito da Lei de Bases da Saúde, esquecendo que o que ela chama  dinheiro público é dinheiro privado extorquido à sociedade civil.

Registe-se também que a berloquista-mor, sempre tão obcecada com as desigualdades, também preconiza a discriminação dos trabalhadores públicos e dos privados, pretendendo oferecer aos públicos a saúde privada (através da ADSE) e aos privados a saúde pública (dos hospitais civis).

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (82) - A confusão entre os interesses do Estado português e os da freguesia de Belém

Outras preces

Alguns presidentes (Sampaio por Cuba) e primeiros-ministros (Sócrates pela Venezuela, a Líbia e a Rússia) portugueses têm manifestado uma atracção pelo totalitarismo, por vezes com o álibi de tentarem extrair uns cobres para o seu regime cronicamente endividado. A dupla Marcelo-Costa converge na China e neste caso já não estamos a falar apenas de totalitarismo, estamos a falar de totalitarismo com ambições hegemónicas globais em claríssimo conflito com o alinhamento histórico de Portugal.

«Uma precipitação. É o mínimo que se poderá dizer sobre a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à China, pelo período de quase uma semana (primeiro, em intervenção no Fórum Faixa e Rota; depois para visita de Estado), tornando esta deslocação uma das mais longas do mandato de Marcelo. Segundo relatos de fontes próximas de Marcelo – devidamente atestados pelas imagens televisivas do Presidente a brincar na Muralha da China, em amena cavaqueira com Augusto Santos Silva –, o Presidente da República mostrou um entusiasmo com a perspetiva de se encontrar novamente com o Presidente Xi como nunca se havia visto relativamente a uma deslocação internacional.  (...)

01/05/2019

O antigo presidente de la putain de la République apiedado com o "engenheiro" que o nomeou

«O engenheiro está num momento particularmente delicado da vida dela. (dela?) E deixe-me que lhe diga que eu não quero, com o que digo aqui, piorar a situação em que se encontra», disse ontem à comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da Caixa, sorridente, com o seu cinismo florentino e a arrogância de quem sente a garantia da impunidade (se ele caísse, caíram centenas e eles sabem-no), referindo-se a José Sócrates que não era «visita de casa». Santos Ferreira, o amigo do peito de Guterres que se prestou a ser homem de mão do animal feroz, por ele nomeado em parelha com o agora preso Armando Vara, via o ministro das Finanças Santos Teixeira que substituiu Campos e Cunha que se tinha recusado a nomear a dupla.

Santos Ferreira, membro da grande família socialista desde a fundação, presidente da Caixa, la putain de la République, em cujo mandato foram aprovadas uma dúzia das operações mais ruinosas, incluindo o investimento da CGD em Vale de Lobo e o crédito a Joe Berardo, para comprar acções do BCP no âmbito do assalto a este banco, que acabou com Santos Ferreira a transitar de presidente da Caixa para presidente do BCP com vista a transformar este em mais une putain de la République.

Como disse Paulo Azevedo, a propósito da OPA da Sonae sobre a PT, «de uma forma ou outra, estavam todos feitos».

30/04/2019

ACREDITE SE QUISER: Para os cépticos que pensavam que Guterres não faria diferença nenhuma na ONU (4)

Outras diferenças que Guterres não fez.

Não obstante todos os esforços do nosso picareta falante mais internacional (enquanto o outro de Belém não o alcançar em internacionalizações), há sempre detractores a apontarem-lhe o dedo, injustamente, será preciso acrescentar?

Desta vez foi Kenneth Roth, director da Human Rights Watch, que acusou o nosso Guterres de «preocupante silêncio» sobre os direitos humanos num artigo do Washington Post. Ora se há coisas que ninguém pode acusar Guterres é de silêncio seja sobre o que for - será preciso recordar o merecido epíteto de picareta falante que lhe foi prantado por Vasco Pulido Valente?

Num estilo mais cínico e não menos detractivo, o antigo primeiro-ministro francês Jean-Pierre Raffarin, põe em dúvida que o nosso Guterres, «homem corajoso, com muita experiência», esteja à altura do difícil desafio. Não passa de inveja do Jean-Pierre que secretamente acalentava a ideia de ser o «homem mais poderoso do mundo», como lhe chamaram os nossos mais encomiásticos opinion dealers e a única coisa que conseguiu foi fundar a ONG Leaders pour la Paix.

SERVIÇO PÚBLICO: A lição das eleições espanholas

«A lição das transições de poder em Madrid e na Andaluzia em 2018 é que nunca o PSOE ou o PP deixarão de ir para o governo se tiverem votos para isso, venham esses votos de onde vierem. Como António Costa provou em Portugal, todos os votos valem agora o mesmo. O luxo de excluir partidos ditos de “extrema-direita” ou “extrema-esquerda” durou, após a Guerra Fria, apenas enquanto os outros partidos não precisaram deles para disputarem o poder. A extrema-esquerda, por exemplo, exalta-se muito com a extrema-direita. Mas na Grécia, o Syriza governou durante quatro anos com um partido, o Anel, que se por acaso estivesse no poder em coligação com a direita, todos os dias seria denunciado como racista e fascista. A regra é simples: só os “extremistas” que ajudarem os nossos inimigos é que são maus. Não  vale a pena fingir que não é assim.»

Três avisos por causa das eleições espanholas, Rui Ramos no Observador

29/04/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (185)

Outras avarias da geringonça e do país.

Começam a ser visíveis para o exterior os sinais de decomposição da geringonça como mostra o episódio das PPP da Saúde, que a ministra da Saúde aceitou, com o aval de Costa, fossem proibidas no futuro no documento em discussão com o BE para revisão da Lei de Bases da Saúde. Proibição que Costa, pressionado, resolveu deixar cair, desculpando-se ser um documento de trabalho, para poucos dias depois ser desmentido publicamente pelo BE que mandou para as redacções dos jornais a proposta do governo que continha essa proibição. Pressionado por fora e muito por dentro, essa é a novidade, por dirigentes socialistas como Carlos César que se demarcaram desse passo colectivista - «isto não é a União Soviética» disse um anónimo do grupo parlamentar do PS. Passo colectivista que ainda não se percebeu se era apenas fruto da necessidade de manter a cama quente para os berloquistas ou também reflexo da costela soviética de Costa.

Uma palavra para a ministra da Saúde, um óbvio erro de casting, dirão os distraídos, De todo, pelo contrário. Escreveu João Vieira Pereira no Expresso, «é a pessoa certa na altura certa. Uma ministra fraca, numa pasta que ser quer fraca pois toda a política de Saúde, além de ser feita na sede do Bloco de Esquerda, está condicionada pela insistente recusa de Mário Centeno em passar cheques».

28/04/2019

ACREDITE SE QUISER: E há quem diga que os comunistas não são democratas...

Claro que são democratas. Em rigor, depende do que se entenda por democracia, já explicou o chefe deles.

Faltava dizer que os comunistas não têm «uma visão da democracia como podendo ser imposta aos povos contra a sua vontade». Faltava mas já não falta. Acabou de ser dita em entrevista ao Expresso por João Ferreira, o apparatchik nomeado para chefe da lista da CDU às eleições europeias,

Assim se vê a diferença entre a fortíssima convicção democrática dos comunistas que respeitam a vontade do povo e os fascistas como o general Figueiredo, o último dos chefes da ditadura militar que governou o Brasil, que em 1978, ao ser questionado sobre o anúncio da democratização do regime, não querendo saber da vontade do povo, declarou «É para abrir mesmo. E quem quiser que não abra, eu prendo. Arrebento.»

E como se sabe qual é a vontade do povo? Perguntarão os cépticos. E a resposta é, pergunta-se ao partido. De que outra forma poderia ser?

O milagre dos cravos transforma vigaristas em incompreendidos, ditadores em democratas e o governo em oposição

Os cravos apareceram após 64 anos e ainda por aí
andam cada vez mais murchos (Créditos)
«Não há incredulidade ou cepticismo que não se rendam diante do milagre dos cravos: em Portugal, basta colocar um cravo ao peito para os terroristas passarem a combatentes pela liberdade; os vigaristas a incompreendidos; os ditadores a democratas; os medíocres a intelectuais e os parasitas a solidários.

Mas a esta transfiguração que já estávamos mais ou menos habituados acresceu este ano um mistério que a teologia não explica mas a política esclarece: os ministros e os parceiros do Governo puseram cravo ao peito e de imediato deixaram de ser Governo para se tornarem oposição. Na avenida da Liberdade, cravo na mão, a ministra da Saúde já não é a ministra que tem de explicar como foram retirados nomes das listas de espera para se tornar numa manifestante defensora do mesmo SNS que deixa degradar a níveis nunca vistos.  Já o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes transfigurou-se em jovem e desfilou com os manifestantes da Juventude Socialista que gritavam: “Queremos revolução, socialistas em acção“. Sendo certo que a única revolução que está  por fazer em Portugal é precisamente a que derrube a ditadura fiscal presidida pela secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais, cabe perguntar se o senhor secretário de Estado dos Assuntos Fiscais quando miraculado em jovem manifestante nos toma por parvos ou se faz parvo? Por fim o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, desembaraçado do Porsche, além do cravo muniu-se de calças de ganga, o que para o caso faz do seu um milagre  ainda mais promissor.»

O milagre dos cravos, Helena Matos no Observador

27/04/2019

ESTADO DE SÍTIO: E o que são cinco minutos depois de dois meses de espera?

«Novo sistema em Espaços do Cidadão permite renovar cartão de cidadão em cinco minutos»

O Redondo Vocábulo, o contraponto a um 25 de Abril impertinente

Aqui no (Im)pertinências somos fanáticos do pluralismo e, por isso, em contraponto a este nosso post reaccionário, derrotista, hipercrítico, super-pessimista, acolhemos a peça progressista, visionária, laudatória, antecipatória dos amanhãs que cantam, do jornalista Valdemar Cruz no Expresso Curto, a newsletter do semanário de reverência.

O Redondo Vocábulo

«Abril. Os equívocos e ditames do novo Acordo Ortográfico apoucaram-lhe a ortografia. Não lhe diminuíram a grandeza. Abril. Em abril nos queremos. Em abril nos vemos. Em abril nos revemos. Abril não é sonho, nem utopia. Abril não é um estado de espírito. E, ainda assim, não há abril sem a dimensão do sonho. Não há abril sem o desejo de utopia. Não há abril sem esse imenso e solidário espírito de entrega. De dádiva. Abril não é um estado de exceção. É uma forma de ser. E de estar. É a normalidade adquirida de um país reencontrado com um povo sedento de liberdade. A ansiar democracia.

Abril é um estado em construção. Não é um ponto de chegada. É tão só um início de viagem. Cada um terá o seu próprio abril. Cada um esboçará a sua própria representação de abril. Cada um terá as suas próprias frustrações. A cada um as suas muito particulares revoltas e devoções. Pelo abril que (não) se cumpriu. Em cada rosto se idealiza um percurso. Em cada rosto se narra uma história. Em cada história se desvenda um mundo. São muitos e infinitos os mundos de abril. Às vezes contraditórios. Às vezes incompatíveis. Às vezes conflituais.

Em cada instante abril nasce de novo. Reformula-se. Reequaciona-se. Interpela-nos. Desafia-nos. Abala certezas adquiridas. Questiona verdades tidas por intocáveis. Absolutas. Essa a grandeza de uma data. Essa a glória derramada pela memória do tempo vivido e construído. Em abril. Por abril. E pelo abril sem o qual jamais seríamos o país que somos. Com todas as suas fragilidades. Com todas as suas grandezas. 25 de Abril foi ontem. 25 de Abril é hoje. 25 de Abril será sempre. Se soubermos lutar. Se o soubermos defender. Se o soubermos preservar . Se o soubermos continuar.

Liberto. Sem amarras. Sem donos. Abril é o absoluto e redondo vocábulo

Depois deste banho de ilusionismo utópico, talvez convenha regressar ao mundo real com uma citação do artigo «25A: viver no passado, evitar o presente, fugir do futuro» do "estrangeirado" Nuno Garoupa:
«Sejamos sinceros. As coisas são assim porque os eleitores gostam, a sociedade civil não existe e a comunicação social demitiu-se de escrutinar o regime.»

26/04/2019

E assim se vê por que temos de ter um banco público prosseguindo infatigavelmente o interesse nacional...

... ainda que isso nos custe os olhos da cara (e do cu).


Campanha de crédito “imbatível” está a chegar por email a clientes. Banco justifica com metas “extremamente exigentes”. E diz que não está a promover o endividamento, pois clientes acederiam na mesma a outras opções de financiamento do mercado

É claro que há outras razões também de interesse nacional, como por exemplo os empréstimos a Berardo e ao Vasconcelos para comprar acções do BCP e ajudar a colocar na administração os amigos do animal feroz, ou o financiamento dos PIN (Projectos Impossíveis de Negar), e tudo o mais sempre no interesse nacional, para fazer da Caixa «um porto seguro para as poupanças dos portugueses».

Nada se perde, salvo as cabeças guilhotinadas

Lavoisier e sua mulher em 1788,
Metropolitan Museum of Art, NY
No próximo dia 8 de Maio completam-se 225 anos do assassinato de Antoine Laurent de Lavoisier, justamente considerado o pai da química moderna, também economista e filósofo.

Lavoisier enunciou pela primeira vez a lei da conservação da matéria («rien ne se perd, rien ne se crée, tout se transforme»), decompôs a água e identificou e baptizou o oxigénio.

Tudo isso foi feito nos escassos 45 anos de idade que viveu antes de ser guilhotinado depois de um julgamento sumário durante o Terror, acusado de ser inimigo do povo e traficar tabaco adulterado (na verdade podia ter sido qualquer outra coisa).

Antes do Terror tinha sido comissário das finanças da Convenção encarregado de reformar a cobrança de impostos, talvez o verdadeiro motivo por que lhe cortaram a cabeça.

Nas palavras do presidente do tribunal revolucionário que o condenou: «La République n'a pas besoin de savants ni de chimistes; le cours de la justice ne peut être suspendu

25/04/2019

DIÁRIO DE BORDO: Um 25 de Abril impertinente

O meu 25 de Abril foi o dia em que comecei a descobrir que as coisas não eram o que pareciam ser.

Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.

Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).

Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?

Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.

E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.

[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]

Os cenários do Ronaldo caiem por terra porque não têm nada que os segure


Foi o título escolhido pelo DN para um artigo onde explica que Nazaré Costa Cabral, a presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP), na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento, considerou que as previsões do Programa de Estabilidade 2019-2023 apresentadas pelo Ronaldo das Finanças «não são prudentes» devido ao arrefecimento da economia alemã e ao risco de declínio do turismo.

Tendo em conta que o crescimento da economia portuguesa, ainda que pífio e em queda, durante o mandato deste governo apoiado pela geringonça se ficou a dever exclusivamente ao puxanço das economias europeias e ao turismo, um título mais rigoroso seria «Alemanha e turismo podem deixar de segurar os cenários de Centeno», mas percebe-se a dificuldade de um jornal que vai para quatro anos atribui ao governo a obra da conjuntura internacional.

24/04/2019

Lost in translation (321) - Tenho esperança que ele transforme a acusação numa solução homeopática, quis o animal feroz significar

«Há um juiz que respeito e que considero independente», disse em entrevista à TVI José Sócrates, o alegado criminoso preferido dos mídia que lhe concedem mais tempo de antena desde pelo menos D. João II, referindo-se a Ivo Rosa o juiz da Operação Marquês a quem saiu na rifa dirigir a fase de instrução onde o ex-primeiro-ministro socialista é «acusado de 31 crimes e de acumular 24 milhões de euros na Suíça».

SERVIÇO PÚBLICO: As raízes do Brexit


Talvez pelo seu passado de causas fracturantes, quando já tinha idade para ter juízo, não tenho levado muito a sério Sérgio Sousa Pinto. Por isso, foi com alguma surpresa que li no Expresso do fim de semana o seu texto «Os ingleses na sua ilha», uma visão lúcida sobre as raízes do Brexit que aqui transcrevo em benefício dos leitores que não frequentam o semanário de reverência.

«A confusão e caos em que o 'Brexit' se transformou têm sido um bálsamo para inúmeras famílias no continente. A esquerda arcaica, a esquerda cosmopolita e globalista, a direita liberal, os beatos da Europa, os seus senhores, e, por todos, a picareta falante Guy Verhofstadt, escondem mal o seu íntimo regozijo com a débâcle britânica, e sobretudo inglesa. Infelizmente, não há razões para festejos. A saída do Reino Unido representa muito mais do que uma perda quantitativa para a Europa, medida em PIB, comércio, orçamento, influência. A saída do Reino Unido terá um impacto qualitativo na Europa pós-'Brexit', no sentido em que a Europa sairá modificada na sua natureza, resultará numa qualquer outra coisa, ainda impossível de antecipar, transformada a um nível muito mais profundo do que a mera amputação de uma ilha. O que o futuro reserva ao Reino Unido não é problema nosso. O impacto da sua saída no projeto de integração continental, no seu desenho e no seu. destino, não pode deixar de o ser. A Europa é tributária de um núcleo de valores políticos e históricos, que são o legado cultural britânico à nossa civilização comum, e de que o Reino Unido tem sido, à sua maneira, guardião. O espírito da integração europeia repousa, em não pequena medida, na adesão de todos a esse tronco central, à tradição da liberdade e às suas instituições, que, devidamente testadas pelo tempo, a garantem. Uma parte importante da Europa que saiu de si para ir ao encontro do mundo, a Europa pós-colonial, separa-se do conjunto, deixando-nos num plano inclinado, que adorna em direção ao centro europeu, germânico, eslavo, de tradição e cultura mais comunitarista que liberal.

23/04/2019

Olha que grande novidade... Tiremos daí as consequências

«Em 2016 havia 6.109 filiais estrangeiras no país, o que representava 0,73% do universo empresarial (excluindo o sector financeiro e segurador). Esta percentagem era a sexta mais baixa entre todos os 28 países da União Europeia (UE) e ficava bem abaixo da média da UE, que atingia 1,2%. E Portugal também ficava aquém da média da UE em termos do peso das filiais estrangeiras no emprego - 13,1% versus 15,3% - e no valor acrescentado bruto a custo de fatores - 24% contra 25%. (...)

Em 2016, a produtividade por trabalhador (valor acrescentado bruto por pessoa empregada) atingia 45,4 mil euros, em média, nas filiais estrangeiras em Portugal, o que comparava com 24,9 mil euros no conjunto do tecido empresarial. Tradução: um diferencial de 82,3%, o nono maior entre os 28 países da UE. 

Quanto aos custos médios com pessoal atingiam, em 2016 (valor anual), 24,6 mil euros nas filiais estrangeiras e 17,5 mil euros no conjunto de todas as empresas no país. Ou seja, em média, nas filiais estrangeiras os salários eram 40,6% superiores, colocando Portugal na sétima posição entre os 13 países da UE para os quais há dados disponíveis no que toca a este diferencial.»

(Dados do Eurostat citados pelo Expresso Diário)

E porquê? Pelas razões do costume: (1) o capital por trabalhador nas filiais estrangeiras é mais elevado o que permite um nível de automação maior; (2) a qualificação dos trabalhadores é mais alta e (3) a qualidade da gestão dessas filiais é melhor.

O que é preciso para se chegar lá? Mais desses ingredientes e tempo (muito tempo). E como se chega lá? Não se chega com o complexo político-empresarial socialista nem com a fórmula preferida da esquerdalhada que é aumentar os salários e esperar que isso aumente a produtividade. Isso é seguro. O resto podemos discutir.

Um palhaço-presidente é a mesma coisa que um presidente-palhaço?

Os ucranianos elegeram este fim de semana como presidente Volodymyr Zelensky, um comediante cuja experiência política se resume a ter protagonizado na série «O Servo do Povo» um professor de História que se tornou presidente.

Há quem diga que os ucranianos elegeram um palhaço para presidente o que até pode ser verdade, mas não é original.

22/04/2019

Os extremismos são todos iguais, mas há uns mais iguais do que outros

Qual a diferença entre um atentado bombista por fanáticos cristãos e um atentado bombista por fanáticos islâmicos?

Ao contrário do primeiro, no segundo Não há ódio. Não há autor. Não há motivo. As explosões explodem e as pessoas morrem.

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (184)

Outras avarias da geringonça e do país.

Um estudo sobre Segurança Social patrocinado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos tornou público um segredo de Polichinelo: a longo prazo o sistema de pensões é insustentável. Depois de várias reformas "definitivas" da Segurança Social da iniciativa de governos socialistas, o ministro socialista do pelouro desvalorizou as conclusões com os truques habituais que fazem soar a campainha de milhões de idiotas atribuindo ao estudo o propósito de «abrir o mercado aos privados», aproveitando para anunciar um novo aumento real das pensões em 2020, a que se seguiu o recado de Costa na imprensa amiga de taxar os lucros para financiar as pensões. É a reacção lógica de quem mede o interesse nacional pelo impacto nos seus resultados nas eleições deste ano.

Um dos exemplos mais notáveis, e eles não faltam, do desinteresse pelos conflitos de interesse da casta socialista, dos novos situacionistas, como lhes chamou com propriedade Helena Matos, é o bonzo jurídico do regime, Eduardo Paz Ferreira, que na sua qualidade de especialista em Finanças Públicas facturou quase 600 mil euros a organismos públicos durante o governo em que sua mulher é ministra da Justiça. Mais notável do que ter facturado - já o tinha feito quase à mesma escala no governo anterior - é ele não ter visto nisso qualquer problema ético, mesmo quando actua como advogado para contestar o Tribunal de Contas.