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13/08/2025

If you torture data long enough, it will confess to anything or if you don't like the message shoot the messenger


«Broadly speaking, Donald Trump’s authoritarian moves come in two flavors. The first is devious plans that help him amass power (say, turning the Departments of Justice and Defense over to lackeys, or using regulatory threats to bully media owners into favorable coverage). The second is foolish impulses that he follows because they make him feel momentarily better.

Firing Erika McEntarfer, the commissioner of the Bureau of Labor Statistics, as Trump did via a Truth Social post this afternoon, (*) falls into the second category.

McEntarfer’s unpardonable sin was to oversee the routine release of BLS jobs data. This morning’s report showed that job growth last month fell somewhat short of expectations. The more interesting—and, to Trump, unwelcome—information came in its revisions, which found that previous months had much lower job growth than previous estimates. Economists had been puzzling over the economy’s resilience despite Trump’s imposition of staggering tariffs. Now that we have the revised data, that resilience appears to have largely been a mirage.

Trump went with the familiar “fake news” defense. McEntarfer, he posted, had ginned up fake numbers to make him look bad. “We need accurate Jobs Numbers,” he wrote. “I have directed my Team to fire this Biden Political Appointee, IMMEDIATELY. She will be replaced with someone much more competent and qualified. Important numbers like this must be fair and accurate, they can’t be manipulated for political purposes.” (...)

One problem with this move, even from the narrow standpoint of Trump’s self-interest, is that his complaints with economic statistics don’t fit together logically. Revisions of past numbers are a normal part of BLS methodology. Every monthly report is a projection based on limited information, so the bureau continues to update its findings. Last August, the BLS revised previous months’ job numbers downward. This was obviously a bad thing for the Biden administration, but Republicans decided that it was in fact evidence that the BLS had been cooking the books to make the economy look good. (They did not address the apparent puzzle of why it finally came clean, months before the election.) Now that Trump is president, however, downward revisions prove that the BLS is cooking the books to make the economy look bad.

The most prominent exponent of these incoherent theories is, of course, Trump himself. In his post firing the BLS commissioner, Trump cited the downward revisions as evidence that she was faking the numbers to hurt him: “McEntarfer said there were only 73,000 Jobs added (a shock!) but, more importantly, that a major mistake was made by them, 258,000 Jobs downward, in the prior two months.”

In another post an hour and a half later, he cited last year’s revisions as evidence that she had faked the numbers to make Joe Biden look good: “Today’s Jobs Numbers were RIGGED in order to make the Republicans, and ME, look bad — Just like when they had three great days around the 2024 Presidential Election, and then, those numbers were ‘taken away’ on November 15, 2024, right after the Election, when the Jobs Numbers were massively revised DOWNWARD, making a correction of over 818,000 Jobs — A TOTAL SCAM.” (The truth, as we’ve seen, is that the downward revisions under Biden were announced last August, not after the election, but never mind.) (...)»

_____________

Excerpt from Donald Trump Shoots the Messenger

(*) August 1st

16/05/2025

Pro memoria (442) - Os cortes no orçamento federal anunciados pelo Sr. Musk podem ser um bocadinho magalómanos

Antes de olharmos para os cortes anunciados pelo Sr. Musk, recordemos uma estimativa feita em Setembro do ano passado sobre os impactos orçamentais no período 2025-34 das políticas anunciadas pelos candidatos de onde resultava que o défice total estimado para uma administração Trump seria o dobro do de uma administração Harris.

Fonte

De volta ao Sr. Musk que perante o delírio dos magalómanos presentes no MAGA-comício no Madison Square Garden garantiu o ano passado que iria cortar um terço do orçamento federal anual de US$ 7 biliões, o equivalente a US$ 2,3 biliões (2.300.000.000.000). 

Seis meses depois a propaganda do DOGE (Departamento de Eficiência Governamental) anuncia ter feito cortes de US$ 170 mil milhões ou 7,3% do anunciado, dos quais a parte mais bem documentada são os US$ 31,8 mil milhões de 10.248 cancelamentos e alterações de contratos dos quais o Financial Times só conseguiu confirmar cerca de 2/3. Ainda assim, há provas de avaliações inflacionadas, por exemplo considerando como corte da despesa contratos já terminados, e muitos dos cortes anunciados são pontuais e não recorrentes nos próximos anos e outros ameaçam paralisar o aparelho federal.


Mais verificável é a opacidade do funcionamento do DOGE sobre o qual pouco se sabe. É também mais verificável a perda de biliões de dólares da fortuna pessoal do Sr. Musk pela desvalorização da Tesla e o cancelamento de contratos da Starlink.

[Leia What has Elon Musk’s Doge actually achieved? para ter mais detalhes dos excessos magalómanos]

06/12/2024

Mitos (344) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (15) - As diferenças não são pelas razões que o woke inventa e, em qualquer caso, estão a diminuir

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

Em retrospectiva: o pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem-nascidos e mal-nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 géneros disponíveis.

Um dia destes deparei-me com o gráfico seguinte onde se representam as alterações entre os anos 2013 e 2017 das diferenças de salário entre os profissionais dos dois sexos com mestrados e os profissionais com licenciaturas, no Reino Unido em diferentes áreas académicas.

The Economist

Em primeiro lugar, constata-se que nesse período os ganhos dos mestrados em relação às licenciaturas diminuíram nas áreas soft e a aumentaram nas áreas mais técnicas. Em segundo lugar, e mais importante para esta questão "sexual", é que os ganhos das mulheres com o upgrade da licenciatura para mestrado foram em todas as áreas superiores aos dos homens, e no caso das tecnologias muito superiores. Note-se que se estão a comparar os ganhos com a maior qualificação e não os níveis salariais entre homens e mulheres, que certamente continuam ainda a ser superiores no caso dos homens, não por qualquer discriminação, de resto proibida por lei  e inaceitável nas empresas, mas pela razão de os homens ainda desempenharem funções e deterem cargos mais qualificados. Aqui a palavra-chave é ainda, porque estes dados demonstram precisamente que as diferenças se estão a reduzir.

14/03/2024

Mitos (334) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (14) - Os efeitos delirantes do mito na mente dos crentes

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

Faço uma pausa no tratamento "sério" deste tema nos posts desta série para mostrar os efeitos delirantes deste mito.

Desde 2002 o Eurostat vem publicando anualmente dados sobre a chamada "disparidade salarial" para um número crescente de países membros. Os dados de 2022 acabam de ser publicados no quadro «Gender pay gap in unadjusted form». Como seria de esperar e tenho vindo a salientar desde o primeiro post desta série, estes dados não se referem às diferenças salariais atribuíveis ao sexo, visto que não têm conta as diferentes funções desempenhadas por homens e mulheres, como ressalta da definição do indicador: 
«O indicador mede a diferença entre os rendimentos horários brutos médios dos trabalhadores remunerados do sexo masculino e dos trabalhadores remunerados do sexo feminino como percentagem dos rendimentos horários brutos médios dos trabalhadores remunerados do sexo masculino. O indicador foi definido como não ajustado, porque dá uma imagem global das desigualdades de género em termos de remuneração e mede um conceito que é mais amplo do que o conceito de salário igual para trabalho igual.»
Em consequência, o indicador não mede a desigualdade salarial mas a desigualdade de funções ainda hoje influenciada por factores sociais e culturais que estão a mudar há uma geração mas que ainda não se reflectiram completamente nos papéis desempenhados no mundo do trabalho por várias razões, incluindo pela "divisão do trabalho doméstico" que também está em mudança.

Baseado nestes dados, o Jornal Eco produziu uma peça onde assumindo que a disparidade salarial «irá reduzir-se ao ritmo dos últimos dez anos» conclui que o céu será atingido em 2071. Tendo em conta que essa conclusão se baseia num indicador enviesado, como referi, e numa premissa  completamente arbitrária, ocorre-me um termo muito usado nas tecnologias de informação GIGO (garbage in, garbage out) ou, em linguagem vernacular, se entra caca, sai caca. O que me leva a concluir que este é mais um domínio onde a ideologia subverte os factos e a lógica, constituindo aquilo que chamamos no (Im)pertinências ciência de causas cujas conclusões são publicadas pelo jornalismo de causas e aproveitadas por bandos de fazedores de opinião para gáudio de uma legião de crentes.

25/09/2022

Mitos (322) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (13) - Evitemos a fé nas doutrinas

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

Em retrospectiva: o pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem-nascidos e mal-nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 "géneros" identificados pelo Tumblr.

Num livro (Career and Family: Women’s Century-Long Journey Toward Equity) publicado o ano passado, Claudia Goldin, uma especialista nos temas mulher e trabalho, analisa cinco gerações de mulheres distinguindo diferentes atitudes face ao trabalho e reconhece, em relação à geração mais recente nascida após 1958, que a generalização da pílula anticoncepcional ao permitir o planeamento familiar tornou possível privilegiar simultaneamente carreira e família. No entanto, isso não eliminou um gap salarial entre sexos estimado em 20% em média.

Até aqui nada de novo, porque esse gap é indesmentível, reconhecido nos posts anteriores que escrevi a este respeito e em minha opinião é devido, não a qualquer tipo de discriminação como a esquerdalhada defende, mas à "especialização sexual" que durante toda a história e até recentemente atribuía às mulheres funções "inferiores", funções que, gradualmente, se vêm aproximando das funções "masculinas".

Diferentemente, Claudia Goldin argumenta que as diferenças salariais associadas às diferenças de funções resultam de escolhas racionais das famílias para maximizar o rendimento familiar com os homens a optarem por carreiras profissionais (“greedy jobs”) mais bem pagas e por isso mais exigentes e as mulheres por carreiras menos exigentes mais fáceis de compatibilizar com as responsabilidades domésticas e a menor disponibilidade dos maridos para as assumir. 

Como era previsível, independentemente do fundamento desta explicação, a tese de Claudia Goldin é rejeitada pelo áctivismo do género. O que era menos previsível é que esta explicação não agrada igualmente aos liberais que cultivam a liberdade de escolha e a quem repugna admitir que do exercício dessa liberdade resultem unintended consequences. E é isso que a torna fascinante para mim porque, se a explicação de Goldin estiver certa, é um exemplo de como a crença cega numa qualquer doutrina pode levar os crentes para uma realidade alternativa.

11/03/2022

Mitos (318) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (13)

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

A propósito do Dia das Mulheres multiplicaram-se os artigos sobre este tema, por exemplo este: Mulheres ganham menos 460 euros por mês do que os homens na Caixa Geral de Depósitos, que é particularmente ridículo porque todos os empregados bancários estão sujeitos ao CCT dos trabalhadores bancários e aos acordos específicos do respectivo banco e nem no primeiro nem nos segundos existe qualquer critério relacionando salários com o sexo, o que de resto seria legalmente proibido. 

Portanto, mais uma vez o que está em causa não são as desigualdades salariais, é a a especialização sexual que durante toda a história e até à generalização da pílula e da legalização do aborto "condenou" a esmagadora maioria das mulheres a "donas de casa", um papel desvalorizado pelo feminismo militante ainda que muito mais exigente do que a maioria das profissões dos respectivos maridos. Agora tudo isso é história, porque nas últimas décadas as mulheres abandonaram os "lares" chegaram em legiões ao ensino e hoje são a maioria dos estudantes universitários, têm em média melhores resultados e representam uma maioria crescente dos graduados. 

Do que ninguém fala é das possíveis causas que explicam os melhores resultados das mulheres - no passado já se escreveu aqui no (Im)pertinências sobre este tema (por exemplo aqui e aqui). Ainda veremos o dia em que os militantes da "identidade de género" preconizarão a discriminação positiva dos homens para promover a "igualdade dos géneros". Por isso estas políticas igualitárias de engenharia social são como as políticas demográficas do Partido Comunista Chinês que começou por proibir mais de um filho e agora viu-se forçado a promover primeiro pelo menos dois filhos e actualmente pelo menos três filhos.

17/02/2022

Fact check ao agitprop comunista rendido à "igualdade de género"

Nos tempos que correm qualquer discurso em conformidade com os chavões da "igualdade de género" passa incólume pelos crivos dos mídia por mais disparatado que seja. 

Segundo esta notícia, a CGTP, também rendida à "igualdade de género", afirma que «cruzando os dados da Segurança Social com os dados do desemprego nos três primeiros trimestres de 2021» concluiu:

  • «perto de metade das trabalhadoras desempregadas não tinha acesso a qualquer prestação de desemprego»
  • «As mulheres desempregadas recebem, em média, prestações de desemprego 12% mais baixas do que as auferidas pelos homens desempregados».

Não existindo na legislação laboral portuguesa nenhuma disposição que faça depender do sexo o salário ou o subsídio de desemprego ou qualquer outra prestação a não ser as relacionadas com a gravidez, gostaria que a CGTP explicasse em particular:

  • As mulheres desempregadas que não receberam subsídio de desemprego preenchiam as condições para receber o receber? Se não preenchiam, porquê discriminar as mulheres em relação aos homens que nessas condições também não receberiam? Se sim, porque não perguntaram à Segurança Social porque não pagou cometendo uma ilegalidade?
  • As prestações de desemprego recebidas pelas mulheres estavam de acordo com a lei que as faz depender da idade e do salário mas não do sexo do desempregado? Se sim, qual é o problema? Se não, porque não perguntaram à Segurança Social porque não aplicou a lei?

12/09/2021

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A fábula do surto inventivo que nos assola (12)

A fábula do surto inventivo é apenas mais uma fábula que a comentadoria e o jornalismo de causas recorrentemente contam, com a certeza que o sentimento de inferioridade lusitano lhes proporciona audiência. Como todas as fábulas, também esta é desmentida pelos factos como mostram os outros 11 posts sobre este tema. 

No fim do dia o indicador mais relevante para inovação não é o quanto se gasta ou quantas pessoas se dedicam à inovação, mas o número de patentes pedidas e aceites. Portugal com 2,2% da população da UE, em 2020, último ano disponível nas estatísticas do European Patent Office, pediu o registo de 249 e foram concedidas 119 patentes que representaram 0,14% e 0,09% dos números de patentes europeias, 180.089 e 133.709, respectivamente. 

Quando passamos dos factos às narrativas baseadas em indicadores que se prestam a manipulação (como por exemplo o investimento em inovação em que se incluem despesas correntes ou o emprego em empresas inovadoras em que se conta o emprego em actividades perfeitamente correntes) as coisas podem mudar drasticamente. Foi o que aconteceu desde que o governo do Dr. Costa conseguiu o milagre de fazer subir o país desde 2016 seis lugares no ranking europeu da inovação. 

Para se ter uma ideia do milagre, comparem-se os números de patentes de Portugal em 2020 (249 e 119) com da Espanha (1.790 e 909), que estava nesse ano dois lugares abaixo no ranking da inovação e com uma população 4,3 vezes maior pediu 7,2 e obteve 7,6 vezes mais patentes.

Com a passagem de comunicação dos dados, que foi feita até 2020 pelos apparatchiks da Agência Nacional de Inovação, para o INE em 2021 o Portugal miraculoso da inovação caiu de 12.º para 19.º, com grande desgosto e embaraço dos gabinetes de agitprop do governo socialista que agora procuram explicações para a queda, quando que deveriam é procurar explicações para a subida artificial com dados manipulados.

27/08/2021

ARTIGO DEFUNTO: População vacinada é o que o jornalista quiser

Exemplos de alguns títulos de jornais portugueses do dia 25 de Agosto e tenha-se em conta que nos últimos 7 dias foram administradas 520 mil doses suficientes para uma primeira dose de 5% da população ou 2,5% de duas doses e repare-se na confusão sobre o que seja população, população vacinada e vacinação completa: 

«Portugal com mais de 80% da população vacinada com a primeira dose» (Sic Notícias)

«72% da população com vacinação completa». (DN)

«Portugal atinge meta de 85% da população vacinada com primeira dose na próxima semana» (Jornal i)

«81,6% da população vacinada contra a Covid-19» (Renascença)

«85% da população estará vacinada com a primeira dose na próxima semana» (Económico)

«Portugal atinge 85% da população com primeira dose na próxima semana» (Eco)

«Portugal deverá atingir os 85% da população vacinada na próxima semana» (Público)

«72% da população portuguesa já tem vacinação completa» (Público)

«Portugal deverá atingir os 85% da população vacinada na próxima semana» (Sapo)

02/06/2021

No Novo Império do Meio o Imperador determina os nascimentos e as mortes

Durante uma geração inteira o Politburo proibiu os chineses de ter mais do que um filho, Dada a preferência dos chineses por terem filhos em vez de filhas, isso teve como consequência, além da redução drástica do número de nascimentos, uma alteração da relação entre nascimentos dos dois sexos com aumento do número de machos.

Em 2016 o Politburo permitiu um segundo filho. Ainda assim, a população chinesa com uma taxa de fertilidade de 1,3 estava ameaçada a prazo de redução, como se confirmou no último censo agora divulgado que mostrou uma queda de 20% dos nascimentos de 2019 para 2020. Face à redução do número de súbditos, o Imperador determinou agora que é autorizado ter três filhos.

No Novo Império do Meio, o Imperador determina quantos nascem e até quantos morrem. Como se concluiu num estudo publicado no British Medical Journal por investigadores chineses, considerando o excesso de mortalidade em Wuhan, segundo a Economist isso indicia um subregisto da mortalidade por Covid, ou seja mais um exemplo da habitual manipulação de estatísticas pelo governo/PC chinês.

26/05/2021

Mitos (310) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (12) - Segundo a ciência de causas da igualdade de "género", a Turquia e a Finlândia são paradigmas da igualdade e da desigualdade salarial, respectivamente

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

Em retrospectiva: o pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem nascidos e mal nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 "géneros" identificados pelo Tumblr.

Fonte: Expresso

Para fundamentar a tese do pay gap resultar da discriminação de sexos é usada uma modalidade de ciência de causas, como a que parece estar na origem do diagrama acima construído com base no estudo «Sticky floors or glass ceilings? The role of human capital, working time flexibility and discrimination in the gender wage gap» citado pelo Expresso, onde Turquia e Finlândia surgem como paradigmas da igualdade e da desigualdade salarial, respectivamente.  Se o "algoritmo" tem resultados absurdos, é porque é absurdo.

Para não repetir o que já foi dito em vários dos posts anteriores desta série, republico o diagrama seguinte. 

Fonte

Como se pode ver, aquilo que pode ser legitimamente atribuído à discriminação, ou seja as diferenças que resultam de comparar o que é comparável, expurgando todas as outras diferenças de posto de trabalho, de nível e de empresa, tem um peso residual em qualquer dos três países onde os inquéritos foram conduzidos.

21/02/2021

Estatísticas de causas. O risco de pobreza

No seu último Destaque sobre o Rendimento e Condições de Vida 2020 estima que em 2019 se encontravam em risco de pobreza 16,2% da população ou um em cada 6 residentes.

O que é afinal a "taxa do risco de pobreza"? É a proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos anuais por adulto equivalente inferiores a 60% da mediana da distribuição desses rendimentos, mediana que nesse ano foi de 10.800 euros.

Imaginemos que nesse mesmo ano os rendimentos tivessem sido em média 20% superiores, significando que em média as pessoas teriam mais rendimentos. Suponhamos agora que os rendimentos das famílias mais pobres tivessem aumentado 10%, o que significaria que os pobres estavam menos pobres. Porém, suponhamos que os rendimentos dos mais ricos teriam aumentado 30%. Nestas condições a mediana da distribuição teria aumentado, suponhamos para 14.400 para euros. Continuemos a supor que com esta mediana a proporção de habitantes com rendimentos inferiores a esse valor teria aumentado de 16,2% para 20%.

Teríamos assim a situação paradoxal que apesar dos pobres terem ficado menos pobres o risco de pobreza teria aumentado. Porquê o paradoxo? Porque na verdade se trata de um indicador que mede a desigualdade e não a pobreza, nem mesmo mede o risco de pobreza que, se as palavras querem dizer alguma coisa, seria a probabilidade de ficar pobre. Aliás, se compararmos o "risco de pobreza" assim definido verificamos que países mais ricos podem ter um "risco de pobreza" mais elevado. Por exemplo, em 2018 Espanha, Itália e Luxemburgo tinham "risco de pobreza" mais elevado do que Portugal (Eurostat).  

Afinal para que serve o indicador "risco de pobreza"? Para medir a desigualdade de uma forma tosca sem ter a maçada de dispor dos dados necessários para calcular o índice de Gini e, ao mesmo tempo, confundir e desenrolar a bandeira da igualdade, porque a única maneira de diminuir a "taxa do risco de pobreza" é reduzir a desigualdade na distribuição de rendimentos.

19/02/2021

Mitos (310) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (11) - Até eles

Outros mitos: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10)

Em retrospectiva: o pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem nascidos e mal nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 "géneros" identificados pelo Tumblr.

Os comunistas do PCP resistiram durante algum a este tema fracturante, possivelmente por várias razões, como sejam marcarem as diferenças em relação aos antigos trotskistas e maoistas agora reciclados no caldeirão do radical chic dedicado ao politicamente correcto, e porque, ao contrário destes urbanitas, os comunistas por estarem implantados nos sindicatos e nas empresas, sabem perfeitamente que para a mesma categoria profissional e a mesma antiguidade, isto é, para o mesmo trabalho grosso modo, não há distinções por sexo, de resto proibidas por lei desde o tempo da outra Senhora.

Pois bem, nem os comunistas já resistem ao mantra e adoptaram a coisa desta vez num "estudo" publicado pela CGTP, citado pelo Jornal Económico onde concluíram que «as mulheres continuam a ganhar menos do que os homens, sendo a diferença de 14%, na generalidade, e de 26,1% entre os quadros superiores». É certo que o fizeram com um pouco mais de sofisticação, por exemplo reconhecendo que «na Administração Pública o problema de desigualdade verifica-se no acesso de mulheres a cargos dirigentes», mas ainda assim não percebendo que no sector privado o problema é o mesmo só que como o espectro salarial á mais largo a diferenciação salarial é maior.

Pode ser que esta gente um dia perceba que o problema não é a desigualdade salarial, o problema é a a especialização sexual que durante toda a história e até à generalização da pílula e da legalização do aborto "condenou" a esmagadora maioria das mulheres a "donas de casa", um papel desvalorizado pelo feminismo militante ainda que muito mais exigente do que a maioria das profissões dos respectivos maridos. Agora tudo isso é história, porque nas últimas décadas as mulheres abandonaram os "lares" chegaram em legiões ao ensino e hoje são a maioria dos estudantes universitários, têm em média melhores resultados e representam uma maioria crescente dos graduados. Do que ninguém fala é das possíveis causas que explicam esses melhores resultados - no passado já se escreveu aqui no (Im)pertinências sobre este tema (por exemplo aqui e aqui) e talvez seja altura de voltar a ele.

19/11/2020

ACREDITE SE QUISER: A comissão de sábios do governo britânico que parece um blogue (fraquito)

O Scientific Advisory Group for Emergencies (SAGE) tem sido o órgão que aconselha o governo britânico na definição da estratégia de resposta à pandemia. Pois bem, acredite-se ou não, hoje a imprensa britânica está cheia de manchetes a denunciar que os membros do SAGE admitiram ter sido o modelo preliminar baseado em números não verificados da Wikipedia. 

Segundo o professor da Universidade de Liverpool Calum Semple, membro do NERVTAG, outro subcomité da SAGE, «muitos de nós leram a literatura para SARS e MERS, mas não havia nenhum especialista em particular que apenas focasse toda a sua vida em coronavírus humanos.» 

Foi desse modelo preliminar que resultaram as previsões em Março de 500 mil mortos (hoje o número acumulado era de 54 mil) bem como a sobrelotação do serviço público de saúde (NHS) que nunca aconteceu. (fonte)

06/11/2020

Lost in translation (342) - "The figures are chosen to support the policy rather than the policy being based on the figures"


«For many people, it looks as if the figures are chosen to support the policy rather than the policy being based on the figures.» 
Theresa May
«MPs audibly groaned in the House of Commons when the Prime Minister stood up and walked out during Theresa May's speech which criticised the government's handling of the second lockdown.»

25/07/2020

O «Estado arrisca-se a perder 150 mil trabalhadores em dez anos» diz o perito. O Estado sucial enfrenta muitos riscos, este não é um deles

O «Estado arrisca-se a perder 150 mil trabalhadores em dez anos» concluiu «o perito em Administração Pública» no estudo do ISCTE porque, acredita ele, a regra «dois por um» teria sido substituída pela regra «um por um».

Infelizmente o perito está completamente equivocado, talvez porque as suas estatísticas de causas são do domínio da ficção. Desde logo porque o Dr. Costa nunca cumpriu a regra «dois por um» que fazia parte do programa da troika assinado pelo governo do Eng. Sócrates antes dele se exilar em Paris.

Como já demonstrei, a regra do «dois por um» foi transformada em um por dois ou mais. De facto, enquanto o governo PSD-CDS reduziu reduziu 68,7 mil funcionários públicos de 727,8 para 659,1 mil, o governo do Dr. Costa aumentou de 659,1 para 727,8 até 2018 e em 2019 aumentou mais 15,3 para 698,5 mil.

Alguém acredita que serão "perdidos" funcionários públicos por um governo PS apoiado por berloquistas e comunistas, todos eles dependentes da freguesia eleitoral em que os funcionários públicos no activo e reformados representam uma parte significativa dos 3 milhões de eleitores que têm no conjunto?

30/05/2020

Dúvidas (307) - Alguém pode explicar-me porque precisaram os mídia de dois meses e meio para perceber isto?


«Graças ao confinamento, a pandemia de covid-19 acabou por ser menos mortal do que algumas epidemias de gripe dos últimos anos. Houve mais mortes do que o normal neste período, mas Portugal evitou a tragédia de outros países europeus, onde a mortalidade chegou a triplicar face a anteriores epidemias gripais.»

Pois se numa época gripal morrem em Portugal entre 3 a 5 mil pessoas com gripe ou doenças relacionadas, e desde 17 de Março até agora morreram "por" ou "com" Covid 1.396 pessoas assim distribuídos por idades:

Expresso
Note-se que 87% dos óbitos são de pessoas com 70 ou mais anos.

O diagrama seguinte com dados do Reino Unido mostra que o risco de morte por Covid apenas é superior ao risco normal de morte para idades acima dos 60 anos nas mulheres e acima dos 70 nos homens.
Spectator

22/05/2020

Dúvidas (306) - Será a verdade a primeira vítima de uma pandemia num regime autocrático? (Continuação)

Continuação deste post.

«A RÚSSIA é muito mais bem sucedida no combate ao Covid-19 do que o Ocidente, graças ao seu sistema de saúde superior e excelente liderança. Apesar de enfrentar uma das maiores taxas de infecção, sua taxa de letalidade é um sétimo disso na maioria dos países. Isto é, se você acredita nas estatísticas russas.

Poucos especialistas independentes fazem isso. A Rússia registou oficialmente cerca de 290.000 casos de Covid-19 e 2.700 mortes, o que torna sua taxa de fatalidade menor que 1%, em comparação com 4,5% na Alemanha e 14% na Grã-Bretanha. No entanto, a taxa de letalidade entre os profissionais de saúde da Rússia, que mantêm seus próprios registos, é cerca de 16 vezes maior do que nas de países comparáveis, o que sugere que os números oficiais são muito cor de rosa.

No entanto, estas foram as cifras que, em 11 de maio, levaram Vladimir Putin, presidente da Rússia, a ordenar o fim de um período de "dias não-úteis", um eufemismo para um bloqueio nacional que ele nunca declarou oficialmente. Embora tenha transferido a responsabilidade de manter as restrições para as autoridades regionais, ele sinalizou que a Rússia estava passando pelo pior. "Devemos agradecer aos nossos médicos e ao nosso presidente, que trabalha dia e noite para salvar vidas", declarou Vyacheslav Volodin, presidente da Duma russa.

O governo russo e seu parlamento servil ficaram incomodados quando, no mesmo dia, o Financial Times informou que o número real de mortos poderia ser 70% maior; o New York Times citou um especialista dizendo que poderia ser quase três vezes a contagem oficial. Essas estimativas foram derivadas do cálculo do excesso de óbitos. Um membro da Duma exigiu que o autorização dos jornalistas fosse revogada. A propaganda estatal russa desencadeou uma campanha contra o que chamou de um ataque orquestrado à Rússia pelo Ocidente, com o objectivo de distrair a atenção de seus próprios problemas.


Enquanto isso, alguns médicos russos nas redes sociais dizem que foram instruídos a manter os números baixos, incluindo nas estatísticas do Covid apenas aqueles que morreram directamente da doença, não aqueles que tinham condições subjacentes que poderiam ter contribuído para sua morte. Os parentes das vítimas estão furiosos.»

Excerto de Anatomy of lies. Russia’s covid-19 outbreak could be far worse than the Kremlin admits

03/05/2020

A maldição da tabuada (52) - O número de infectados pode diminuir. A incompetência só pode aumentar

Quando ontem fui actualizar os meus dados do Covid-19 constatei no site da DGS que o número de infectados tinha diminuído e estranhamente os dados detalhados não estavam disponíveis. Pensei ter visto mal e fui consultar no worldometers a posição de Portugal. Encontrei esta nota que deixaria os portugueses envergonhados se ainda lhes restasse alguma vergonha depois de assistirem sem um sobressalto a um governo a exigir a caridade da Óropa: