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25/09/2022

Mitos (322) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (13) - Evitemos a fé nas doutrinas

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

Em retrospectiva: o pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem-nascidos e mal-nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 "géneros" identificados pelo Tumblr.

Num livro (Career and Family: Women’s Century-Long Journey Toward Equity) publicado o ano passado, Claudia Goldin, uma especialista nos temas mulher e trabalho, analisa cinco gerações de mulheres distinguindo diferentes atitudes face ao trabalho e reconhece, em relação à geração mais recente nascida após 1958, que a generalização da pílula anticoncepcional ao permitir o planeamento familiar tornou possível privilegiar simultaneamente carreira e família. No entanto, isso não eliminou um gap salarial entre sexos estimado em 20% em média.

Até aqui nada de novo, porque esse gap é indesmentível, reconhecido nos posts anteriores que escrevi a este respeito e em minha opinião é devido, não a qualquer tipo de discriminação como a esquerdalhada defende, mas à "especialização sexual" que durante toda a história e até recentemente atribuía às mulheres funções "inferiores", funções que, gradualmente, se vêm aproximando das funções "masculinas".

Diferentemente, Claudia Goldin argumenta que as diferenças salariais associadas às diferenças de funções resultam de escolhas racionais das famílias para maximizar o rendimento familiar com os homens a optarem por carreiras profissionais (“greedy jobs”) mais bem pagas e por isso mais exigentes e as mulheres por carreiras menos exigentes mais fáceis de compatibilizar com as responsabilidades domésticas e a menor disponibilidade dos maridos para as assumir. 

Como era previsível, independentemente do fundamento desta explicação, a tese de Claudia Goldin é rejeitada pelo áctivismo do género. O que era menos previsível é que esta explicação não agrada igualmente aos liberais que cultivam a liberdade de escolha e a quem repugna admitir que do exercício dessa liberdade resultem unintended consequences. E é isso que a torna fascinante para mim porque, se a explicação de Goldin estiver certa, é um exemplo de como a crença cega numa qualquer doutrina pode levar os crentes para uma realidade alternativa.