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04/09/2022

Vivemos num estado policial? (22) - O drama dos suicídios e a falta de subsídios

Outros casos de polícia.

Um dia destes podia ler-se no Expresso o lamento de um polícia dirigente de um dos 17 (dezassete) sindicatos de polícias (entre os quais um "Vertical", outro "Independente", outro "Autónomo", outro "Livre" e até um dos "Polícias do Porto"), tendo o 16.º 451 associados e 459 dirigentes e delegados e o 17.º sindicato 27 polícias todos dirigentes sindicais. 

Escreveu o Expresso: 

«Segundo um estudo do Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP), 83% dos polícias que se suicidam usam a arma de serviço. “Uma das razões para continuar a haver uma alta taxa de suicídios nas polícias portuguesas — é uma das maiores da Europa — é o facto de os polícias terem acesso à arma de serviço 24 horas por dia e de, só em casos muito excecionais, esta ser retirada”, diz Miguel Rodrigues, autor do estudo, que apresenta uma solução: “O Ministério da Administração Interna (MAI) deveria criar uma bolsa para que quem não tivesse a arma não ficasse sem os suplementos.”

O mesmo estudo do SIAP — cujos resultados são apresentados a 1 de setembro — diz que a taxa de suicídio nas polícias é de 16,3 por cada cem mil habitantes, contra os 9,7 da população em geral. Ou seja, quase o dobro. “Uma das causas é o acesso fácil às armas. Mas principalmente o impacto negativo de uma profissão em que tem de se lidar diariamente com violência. A PSP não dota os profissionais de meios para combater os efeitos negativos dessa exposição”, argumenta Miguel Rodrigues.
»

Repare-se que os polícias suicidam-se mais porque têm acesso à arma de serviço, mas como «quem fica sem a arma deixa de poder fazer patrulhamentos ou gratificados e de receber suplementos que podem chegar aos €300 por mês» o problema do excesso de suicídios resolve-se com uma bolsa.

Excesso de suicídios? O dirigente compara a taxa de suicídios de um grupo profissional com mais de 90% de homens com a população em geral, ora a taxa de suicídios dos homens em 2019 foi 15,2 por 100 mil, quase o quadruplo das mulheres, sem esquecer que é nas idades dos polícias (entre os 25 e os 60 anos) que a taxa de suicídio é mais elevada. Tudo considerado, é até possível que os polícias se suicidem menos do que a população e isto passa ao lado do jornalismo de causas ao serviço da corporação policial.