Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

15/07/2026

Proposta Modesta Para Evitar que os Áctivistas Desperdicem Acções e Indignações (14) - Áctivistas pró e anti-xenofobia ide manifestar-vos na África do Sul

 Outras propostas modestas

PBS News

Áctivistas de todas as tendências, nomeadamente especialistas em xenofobia, tendes agora mais oportunidade soberana de combater a discriminação contra os imigrantes que tanto vos indigna, reservai já o vosso voo para Joanesburgo. O desafio é extensivo aos áctivistas xenófobos que podem aproveitar a oportunidade para estágios com o movimento anti-migrações March & March. Boa viagem.

14/07/2026

Crónica da passagem de um governo (58b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 58a)

Mais um exemplo de montar a “transição digital” em cima do imobilismo medieval

Em síntese, que admito ser simplista, a bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário resulta de deixar tudo na mesma e criar uma superestrutura “moderna” sobre processos antiquados, altamente centralizados, da responsabilidade de serviços artríticos. Digna de estudo psiquiátrico é a reacção das lideranças governativas tentando instilar optimismo e chutar o problema para a frente, em contraste com as lideranças de oposição acusando a falha do governo de «insensibilidade atroz».

O Dr. Matias teve uma nova epifania

Para nos entreter enquanto não nos tornarmos «um líder mundial na IA», o Dr. Matias, ministro das Reformas, num intervalo da sua louvável campanha épica para retirar ao Tribunal de Contas o seu papel de empata nas decisões públicas, em concorrência desleal com os 11 governos que andam há 23 anos a empatar o novo hospital de Lisboa, produziu uma vibrante declaração de princípios, ou mais exactamente, de fins. Segundo ele, a reforma do Estado «consiste em resolver problemas dos portugueses». Peço desculpa por discordar, mas a reforma do Estado consiste em resolver problemas do Estado que dificultam aos portugueses resolver os seus próprios problemas.

E se em vez de nos tornarmos «um líder mundial na IA», nos tornarmos um líder nos apagões (continuação)

Já o escrevi, a estratégia proposta pelo Dr. Matias de fornecer aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses, terá como consequência aumentar o stress da rede eléctrica até ao ponto de rutura do sistema, como concluiu o Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento do Sistema Elétrico da Direção-Geral de Energia e Geologia. No meio do silêncio ensurdecedor das luminárias deste país apenas a voz de Miguel Stilwell se fez ouvir sobre o risco de «socialização do custo da energia» resultante da proliferação dos centros de dados (apud Bruno Faria Lopes).

Canários na mina de carvão

Apesar dos esforços do governo secundados pela imprensa amiga de animar os animal spirits keynesianos, depois de um primeiro trimestre com crescimento nulo, para o segundo as previsões das pitonisas de serviço variam entre 0,2% e 0,4% o que, em seguida à estagnação do 1.º trimestre, não é muito animador. A queda em Maio do índice de produção industrial também não é uma boa notícia. Só o turismo continua a crescer – e também a compra de automóveis, uma consequência imprevista, mas habitual, dos fundos da bazuca, suspeito.

Do lado do comércio externo até Maio também não há motivos de celebração com a queda de 0,2% das exportações, o aumento de 3,5% das importações e o agravamento de 14,4 mil milhões do défice (fonte),

Estamos a crescer mais do que a Óropa, já dizia o Dr. Costa e com ele o Dr. Castro Almeida

A maioria dos políticos parecem pensar que faz parte do seu papel infantilizar o eleitorado, dando boas notícias e praticando um optimismo de pacotilha (foi o Animal Feroz quem disse que um político é um profissional do optimismo, quando deveria dizer que é um profissional da aldrabice). O ministro da Economia, Dr. Castro Almeida, também parece praticar este mantra quando diz à SIC Notícias «que Portugal está a crescer pouco, mas está a crescer bastante acima da média europeia», como se fizesse algum sentido um país que tem um PIB per capita que é menos de metade dos países mais ricos e onde a produção da AutoEuropa (um investimento da VW), que em Portugal representa 1% do PIB, representaria no seu país de origem 130 vezes menos, crescesse abaixo desses países.

13/07/2026

Crónica da passagem de um governo (58a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A meritocracia do Estado sucial é uma espécie de caquistocracia

A CReSAP é uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos. Foi completamente ignorada durante os consolados do Dr. Costa cujos governos enxamearam o aparelho do Estado sucial com gente incompetente ou/e corrupta. Em entrevista ao Expresso, o actual presidente da CReSAP revela que 85% a 90% dos nomeados já estavam no cargo em regime de substituição, um expediente pelo qual, ainda que cumprindo as formalidades de avaliação, se colocava o escolhido de confiança numa situação de vantagem da qual saía nomeado com naturalidade.

 Com estas práticas, ninguém deveria ficar surpreendido por, nos últimos dois anos, 15 diretores distritais da Segurança Social com ligações conhecidas ao PS terem sido substituídos pelos homólogos do PSD (fonte).

O que tem de ser tem muita força. Uma medida errada pode ter duas consequências indesejadas

Em vez de simplificar os processos kafkianos de licenciamento e criar incentivos fiscais à construção de novas habitações (agora tardia e timidamente aprovados), ou seja, em vez de aumentar a oferta, o governo aprovou medidas como a Garantia Jovem para aumentar a procura (até o FMI ao longe percebeu o disparate e recomendou o fim desses apoios).

Uma das consequências, como acentuei na crónica da semana passada, foi o aumento em dois anos de quase 60% das novas operações de crédito à habitação o que determinou o aumento do endividamento das famílias.

mais liberdade

Outra consequência foi o aumento no 1.º trimestre de 17,8% do preços das casas, o maior aumento da UE. O resultado inevitável é o aumento do défice de novas construções e, inevitavelmente, o aumento dos que os preços de mercado reflectiram como um termómetro reflecte o aumento da febre.

Adicionalmente à simplificação dos processos de licenciamento e dos incentivos fiscais à construção de novas habitações, o governo poderia fazer algo muito mais simples, como promover o arrendamento das cerca de 250 mil fogos fora do mercado de venda ou arrendamento e, já agora, descongelar as rendas de cerca de 250 mil contratos, retirando aos senhorios o papel de substituto da segurança social.

Quem fala assim não é gago

Não são todos os dias que um presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana diz no parlamento «se há uma coisa da qual se pode acusar o Estado português é de gerir mal o seu património», explicando aos deputados ignaros que os imóveis que foram vendidos não tinham qualquer aptidão para habitação, coisa que os governos socialistas não perceberam durante quase uma década ao tentarem resolver o défice de habitação com os edifícios públicos.

(Continua)

12/07/2026

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Câmara de Almada, um caso notável de incompetência individual e sistémica

Alfredo Martirena
Secção Res ipsa loquitur

A Dr.ª Inês de Medeiros, com um nome próprio acompanhado de seis apelidos, dois advérbios e um hífen, é um membro característico das elites de esquerda bem-pensante (também poderia ser das elites de direita, que vinha a dar ao mesmo), actriz de cinema, deputada pelo PS, é há 9 anos presidente da Câmara de Almada, onde chegou, sucedendo a uma dezena de vereações comunistas, sem qualquer experiência ou vocação para gerir o que quer que seja e com notável pesporrência.

Durante sete anos produziu inúmeras declarações, sendo uma das mais notáveis sobre a água, e ignorou olímpicamente a crescente degradação da rede de água, que tem uma das mais elevadas taxas de perda e serve um concelho com um consumo per capita muito superior à média, concelho que, segundo a Dr.ª de Medeiros, estaria «assente sobre uma reserva quase inesgotável de água de grande qualidade» (apud Helena Matos). O que faz uma criatura bem-pensante quando a realidade da falta de água lhe entra pelo gabinete e os protestos dos munícipes pelos ouvidos? Procura rapidamente um culpado pelas consequências da sua negligência (o governo, Bruxelas) e alega a universal falta de meios (neste caso, os omnipresentes fundos generosamente providenciados pelos contribuintes europeus).

Concedo à Dr.ª Inês de Saint-Maurice Esteves de Medeiros Victorino de Almeida cinco urracas pela sua inacção na presidência, quatro bourbons por nada ter apreendido nem esquecido, cinco pilatos por lavar as mãos do assunto, apesar da falta de água, e três chateaubriands por imaginar que não faltaria a água em Almada, apesar do rio passar ao lado da cidade e não a atravessar. (avaliação contínua)

11/07/2026

Thought of the day: best deal ever


If you think this cartoon is inspired by Donald Trump, it is. But think again and look around you.

10/07/2026

De volta ao patriotismo tudológico a cavalo da ignorância pesporrente

Faz um tempo zurzi o patriotismo tudológico a cavalo da ignorância pesporrente do Dr. Tavares, que então investiu contra «os holandeses, os novos-ricos da Europa, actuando como gauleiters da Alemanha» tentando diminuir a Holanda para enaltecer o Portugal dos Pequeninos. Lembrei-me desse episódio ao cruzar-me com mais um exemplo de realizações notáveis dos holandeses, a acrescentar aos vários que então citei. 


Trata-se da ASML, o único fabricante mundial de máquinas de fotolitografia por ultravioleta extremo (EUV) cujos sistemas de precisão permitem produzir em massa os chips mais avançados, indispensáveis para a inteligência artificial, smartphones e data centers. As máquinas da ASML permitem imprimir circuitos com menos de 2 nanómetros (*) de largura para aplicações de IA da próxima geração.


É uma empresa espantosamente bem-sucedida, que em 2025 facturou mais de € 30 mil milhões e prevê facturar € 40 mil milhões este ano com cerca de 42 mil empregados de 140 nacionalidades. É a empresa europeia com maior valor de mercado - quase 700 mil milhões de euros ou mais do dobro do PIB português. É tão inovadora que a administração americana exigiu que, para continuar a operar nos EUA, a ASML não exportasse as suas máquinas para a China porque isso comprometeria a vantagem tecnológica americana, cada vez menor.

__________
(*) Equivalente a um milionésimo de milímetro; as células humanas têm, em média, um diâmetro entre 10 mil e 30 mil nanómetros, pelo que na largura de um circuito impresso da ASML caberiam de 5 mil a 10 mil células humanas. 

08/07/2026

07/07/2026

Crónica da passagem de um governo (57b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 57a)

O Dr. Miranda critica o Dr. Matias

Num qualquer Talk on Competition & Regulation, o Dr. Miranda, que, recorde-se, é o ministro de Estado e das Finanças deste governo, queixou-se que a falta de competitividade (ou “competividade”, de acordo com o Dr. Costa, agora a repousar em Bruxelas) resulta de «constrangimentos importantes» e apontou o dedo às «elevadas barreiras à entrada» e aos «encargos regulatórios e administrativos excessivos».

A verdade é uma coisa muito escorregadia ou o governo e o TdC a ensaiarem Così è (se vi pare) de Pirandello

Com umas décadas de atraso, Lisboa está a ser palco do Teatro do Grotesco, com o ministro da Reforma do Estado a desmentir o TdC depois do TdC ter desmentido o ministro em seguida ao TdC ter desmentido a versão do ministro.

Sim, os erros estatísticos do INE sobre a população residente são uma vergonha, mas vejamos a coisa pelo lado positivo

Agora que está em curso a negociação em Bruxelas do Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2028-2034, em que se desenhava uma redução relativa do donativo para os pobrezinhos do Portugal dos Pequeninos, a descida do PIB per capita até dá jeito para justificar uma maior fatia.

Pensamentos mágicos
  • Pensamento mágico (1)
Criar um “fundo soberano” para gerir uma riqueza que não se tem (leitura recomendada para desenvolver a ideia: «O fundo soberano dirigista do ‘mágico’ Montenegro» de Óscar Afonso).
  • Pensamento mágico (2)
Construir um Innovation District no espaço da antiga refinaria de Matosinhos, onde serão criados 100 mil empregos e que terá impacto anual na economia portuguesa de dois mil milhões de euros, durante 30 anos. Vá-se lá saber por quê, ocorreu-me o estudo (aqui evocado) do Dr. Augusto Mateus para o governo socialista do Animal Feroz em que o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».
  • Pensamento mágico (3)
O Dr. Montenegro, que garante que «não está a festejar nada», anunciou que o financiamento total do modelo Amália atingirá 7 milhões de euros. Questionado o modelo Gemini da Google para estimar o custo total real e razoável de replicar ou manter um modelo como o Amália, obtive a seguinte resposta:
«Se uma empresa ou entidade privada quisesse desenvolver hoje o mesmo modelo, de forma otimizada e comercialmente viável, o custo real de mercado situar-se-ia entre 450.000 € e 850.000 € para o desenvolvimento, acrescido de um custo operacional contínuo (infraestrutura) que varia conforme a escala de utilização.» E pronto, that’s it.
«Pagar a dívida é ideia de criança»?

Os excedentes orçamentais (que, recorde-se, são, na sua maioria, resultados de erros de previsão, atrasos no pagamento das despesas, ou, no final do ano, manobras orçamentais) estão a passar a défices, como no período até Maio que atingiu 1.762 milhões de euros, desta vez porque a despesa pública subiu quase 10%.

BdP

É claro que em Maio a dívida pública na ótica de Maastricht aumentou 1,7 mil milhões para 288,7 mil milhões.

06/07/2026

Crónica da passagem de um governo (57a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Enquanto Portugal não tem «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não?

(1) Evitar a vergonhosa bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário

Obnubilado pelas poeiras mediáticas, só percebi a génese da bagunça quando um professor me explicou que a avaliação das provas digitalizadas não estava a funcionar por várias razões, entre elas a incapacidade dos apparatchiks digitalizarem em tempo útil as centenas de milhares de provas, os erros de digitalização, como o de não associarem o número de controlo a uma prova, e a saturação dos servidores das redes do ME, incapazes de darem acesso simultaneamente a quase 90 mil professores.

Em suma, incapacidade de planear, incompetência, desleixo, amadorismo, you name it. E não me venham com estórias da carochinha de que o responsável é o ministro. Sim, é ele e mais a cadeia de apparatchiks entrincheirados no aparelho do ministério.

(2) Evitar os erros estatísticos gigantescos do INE

A coisa era tão óbvia que até o Dr. Marcelo, que não é conhecido pelo seu desvelo pelo rigor (*), concluiu, há precisamente um ano, que os números sobre a imigração da AIMA e do INE não eram compatíveis. Um ano depois, saíram debaixo do tapete 700 mil residentes, o que, entre outras consequências, fez o PIB per capita PPP do Portugal dos Pequeninos cair quatro lugares no ranking da UE e deitar para o caixote do lixo das estórias a convergência com que todos os governos dos últimos 40 anos nos têm tentado excitar.
______
(*) Veja-se o exemplo da reversão pelo Dr. Costa do horário dos funcionários públicos para as 35 horas, apadrinhada pelo Dr. Marcelo, jurando que enviaria para o TC se a despesa aumentasse e vejam o que aconteceu à despesa.
______

Afinal, a população residente, estava nas «milhentas fontes de informação» e era um segredo de Polichinelo que só INE não conhecia

Se a coisa era óbvia para o Dr. Marcelo, imagine-se o que seria para o Dr. Centeno, o Ronaldo das Finanças (supõe-se que o Ronaldo antes de ser estátua). Na dúvida, ele próprio veio esclarecer nas suas comunicações semanais ao país através das jornadas parlamentares do PS:
«É evidente, e eu insisto nisto, sabíamos que não éramos aquele número [10 milhões de população]. Sabíamos há anos e anos e anos. Eu ainda era ministro e já perguntava ao INE, sem quebrar a independência do INE, 'onde é que estava o PIB para aquele volume de emprego' e depois passou-se a fazer a pergunta 'onde é que estava na população o emprego que nós identificávamos nas milhentas fontes de informação.»
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Até Maio, o número de “utentes” sem médico de família aumentou cerca de 66 mil, totalizando 1.666.823, dos quais 70% na região de Lisboa e Vale do Tejo. O Dr. Montenegro não é original, nisto como no resto, visto que está a continuar a obra do Dr. Costa.

A arte de deixar para o fim o mais difícil

O Dr. Dominguinhos disse ao jornal Sol que, a dois meses do fim do prazo, dos marcos e metas do PRR faltam precisamente os 25% mais difíceis de cumprir. Não é uma catástrofe, afinal, uma parte do dinheiro iria apenas ser derramada aumentando o consumo, e a outra parte são empréstimos que teriam de ser reembolsados.

Já que a oferta é insuficiente incentivemos a procura

Adaptado de BdP

Inebriado pela subida nas sondagens o Dr. Carneiro dá tiros nos pés

O Dr. Carneiro não está a conseguir ficar calado e fala mesmo quando não tem nada para dizer e nisso não é diferente de muitos outros. Mais grave é que foi a Grândola mostrar casas supostamente financiadas pela bazuca do Dr. Costa para habitação e afinal (segundo o Expresso) não foram financiadas pelo PRR nem se destinavam à habitação.

Poderia o Sr. Ministro explicar qual é a composição dos 2,01% da despesa com defesa?

O Dr. Nuno Melo vai à cimeira da NATO anunciar que Portugal atingirá 2,01% do PIB na Defesa, ou seja, vai ultrapassar os mínimos em um ponto-base, graças à inclusão das pensões de reformados e grande parte das despesas com a GNR. De acordo com os critérios estritos do Eurostat (COFOG), as despesas reais de defesa operacional andariam em torno de 0,8% do PIB.

(Continua)

04/07/2026

Crassus fits Donald better than Caligula

The folly of war

The Telegram (May 9th) compared Donald Trump to Caligula. As Caligula never started a war it would be more appropriate to compare Mr Trump to another Roman leader, Marcus Licinius Crassus. Crassus was a real-estate tycoon who made his fortune by buying the properties of those purged after a civil war. Frustrated that he had not received the credit he thought was his for having quelled Spartacus’s slave revolt, he was eager to gain glory through a victory against a “real” enemy. With the help of his buddies in the triumvirate, Caesar and Pompey, he got his chance in 53BC. Crassus was assigned to subdue Parthia, an empire that covered today’s Iraq and Iran. Ignoring advice from his generals, Crassus rushed headlong into the desert and the Parthian armoured cavalry, resulting in one of the largest defeats suffered by a Roman army. The Parthians cut off his head and poured molten gold into his mouth.

PAUL VANDERBROECK [Letter from a Reader of The Economist]

_________

Trump's BEAUTIFUL FINAL deadlines have a BIG mortality rate

  • Trump initially gave Iran a deadline to reopen the Strait.
  • He extended that deadline once rather than acting.
  • He extended it again by about 10 days, saying he was pausing military action while giving diplomacy another chance.
  • Today he issued a final 48-hour deadline, warning, «A whole civilization will die tonight».

02/07/2026

Continuamos muito "competivos", como dizia o Dr. Costa, e pouco competitivos

Continuação daqui e dali.

No último ranking de Competitividade do IMD, o Portugal dos Pequeninos volta a cair, desta vez para o 40.º lugar.


A queda resulta sobretudo de um score medíocre da eficiência empresarial, o que não deveria ser surpresa para ninguém que tenha um módico de conhecimento da estrutura empresarial e do funcionamento das empresas. 


À ineficiência empresarial não é alheio o facto de, num país com 11,4 milhões de residentes, existirem 1,5 milhões de empresas não financeiras, das quais 96% são microempresas (em muitos casos, meros expedientes de profissionais isolados para diminuir a punção fiscal), 3,9% são PME e os 0,1% residuais são as grandes empresas que representam 36,4% do VAB total. É isto que temos, empresas pequeninas num país pequenino, com mentes pequeninas e egos inchados, sofrendo do complexo de Eduardo Lourenço.

01/07/2026

A ameaça de falência do Estado Social na pátria do capitalismo

Fonte

Na altura da criação do fundo americano de segurança social, em 1940, por cada pensionista havia 150 contribuintes, actualmente há menos de três. As reservas que atingiram o máximo de USD 2,8 biliões caíram para USD 400 mil milhões (triliões e biliões, respectivamente na escala curta). A diferença entre os rendimentos do fundo e os pagamentos em 2025 ultrapassou USD 200 mil milhões (cerca de 0,7% do PIB). Se nada for feito, estima-se que em 7 a 8 anos o fundo se esgote e as pensões tenham de ser reduzidas todos os anos.

Por alturas da criação do fundo americano, não existia em Portugal um sistema de segurança social universal que só foi criado com a reforma de 1962. Em 1970, existiam cerca de 13 contribuintes por cada pensionista, rácio que foi descendo até 1,5 antes do surto de imigração, tem vindo a aumentar e situa-se actualmente em cerca de 1,7. Segundo as projecções, a partir de 2035 as contribuições deixarão de ser suficientes para pagar as pensões e o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) actualmente com 42 mil milhões, graças às contribuições dos imigrantes, ficará esgotado por volta de 2050.

30/06/2026

Crónica da passagem de um governo (56b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 56a)

Os malefícios da falta de concorrência

Uma da maiores falhas na construção do mercado único europeu é o sector de serviços onde está quase tudo inalterado, com excepção do tímido passo da Directiva FOS (Livre Prestação de Serviços). Uma das consequências práticas é que não há um mercado único de serviços, há 27 mercados nacionais num sector em que os obstáculos à concorrência são grandes, mesmo dentro do mesmo mercado nacional, devido à limitação pela dimensão e à granulosidade que impede a comparação entre serviços (exemplo entre muitos outros: na advocacia a diversidade dos quadros legais e regulamentares e das práticas jurídicas impedem praticamente a concorrência entre profissionais de países diferentes). Essa fragmentação dos mercados de serviços tem várias consequências, como seja a dificuldade dos operadores ganharem dimensão e melhorarem a qualidade dos serviços e a sua produtividade e a falta de concorrência com efeitos directos no nível dos preços.


O diagrama acima, extraído do relatório do FMI sobre Portugal, mostra bem como o impacto do aumento do preço dos serviços em Portugal é o factor determinante na inflação subjacente (core inflation).

A maldição da tabuada

Repetindo-me, a dificuldade com os números é uma realidade recorrente no Portugal dos Pequeninos, em geral, e em particular nos “gestores” (vejam-se numerosos exemplos na etiqueta “a tabuada faz muita falta”). No caso dos políticos, com poucas excepções, da teoria dos números só conhecem os imaginários. No caso das instituições, um exemplo recente é o de uma instituição cujo propósito é, precisamente, lidar com os números do Portugal dos Pequeninos, incluindo as Estatísticas Demográficas cuja edição de 2024 o INE ainda não publicou por ainda não ter todos os dados demográficos, nomeadamente os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo.

Finalmente com atraso de anos, o INE informou-nos do resultado da irresponsabilidade da política socialista de imigração, nos anos dos governos do Dr. Costa em que o expediente da “manifestação de interesse” permitiu uma entrada descontrolada de imigrantes que encontraram emprego, como aqui já escrevemos várias vezes, nos sectores com menor valor acrescentado, principalmente agricultura e turismo onde os imigrantes representam quase metade da mão-de-obra.

E, de repente, o elefante entrou na sala

Toda a gente deveria saber que a riqueza de um país resulta principalmente da produtividade dos seus trabalhadores, que esta não se altera aumentando os salários e que a produtividade do trabalho depende do valor dos bens produzidos, do número de trabalhadores envolvidos e do tempo de trabalho. Por isso, se a produção se mantém e o número de trabalhadores e/ou o tempo de trabalho aumentam, a produtividade desce e o país fica mais pobre.

Como há anos se vem escrevendo nesta oficina, a baixa produtividade tem sido o calcanhar de Aquiles do Portugal dos Pequeninos. Ainda há dias nestas crónicas se constatava a diferença de 14,6 pontos percentuais entre a produtividade portuguesa de 66,8% da média da UE e o salário médio que representa 81,4% dessa média.

mais liberdade

Pois bem, agora que são conhecidos os números da população residente corrigidos pela emigração, descobrimos que, em vez dos 10,7 milhões, somos 11,4 milhões, o resultado é que o PIB per capita PPP foi corrigido e Portugal caiu quatro lugares no ranking da UE, ou mais exactamente os portugueses perceberam que o seu país afinal era mais pobre o que imaginavam.

29/06/2026

Crónica da passagem de um governo (56a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Amália, o teste à vacuidade

Ao discurso do Dr. Montenegro no congresso do PSD não se aplicaria a boutade de Helvétiuis «um dilúvio de palavras num deserto de ideias», mas antes «um dilúvio de palavras num dilúvio de vacuidades». Uma dessas vacuidades é a referência ao Amália, o modelo português de IA, que ele anunciou na Web Summit de 2024 e agora diz que estará pronta em Julho, e apresentou como uma das «Dez medidas de um Governo reformista para fazer Portugal maior». Segundo ele, a coisa irá promover a cultura portuguesa, «apoiar operações mais críticas, como nas Forças Armadas, na Marinha em particular, através da análise segura de dados em tempo real em visitas virtuais ao nosso património cultural» e até «auxiliar e poupar tempo aos professores no planeamento das suas aulas».

E eu a pensar que o Amália seria apenas um karaokê alucinado. Afinal não é, porque com a falência da Unbabel o karaoke foi abandonado. É uma versão lusitana de um modelo europeu já existente o EuroLLM-9B, desenvolvido sob os auspícios da eurocracia bruxelense, e ao contrário deste último o Amália não será acessível pelos “utentes” e segundo o governo servirá para aplicações no Estado sucial, onde, não será difícil de prever, se dissolverá num oceano de incompetência, negligência e burocracia.

Fundo Soberano do Dr. Montenegro, uma espécie de PREC cor-de-laranja

Não estou surpreendido pelo facto da ideia, no mínimo bizarra, da criação de um “fundo soberano” não estar a ser mal acolhida pela comentadoria, com poucas excepções. Afinal explica-se pelo complexo de Eduardo Lourenço que os governos aproveitam para afagar os sentimentos de inferioridade de um país que não tem recursos naturais abundantes e elevadas reservas de divisas (como a Noruega ou os emiratos), nem capacidade de investimento público (os governos circulam numa autoestrada mexicana e nos últimos dois anos a taxa de execução desceu para 80% a 85% ), que os fundos soberanos exigem, nem a visão de longo prazo e hábitos de gestão rigorosa.

É um mal-entendido que Luís Marques descreve com ironia: «enquanto Medina, que é socialista, queria um fundo para promover “investimentos estruturantes”, uma ideia social-democrata, Luís Montenegro, que é social-democrata, propõe um fundo para investir em sectores estratégicos, uma ideia socialista».

Os "relações públicas" do governo da AD são quase tão bons como os do PS

Um pouco por todas as redacções, os jornalistas de causas amigos relevaram em títulos encomiásticos o lucro de 4,9 milhões da CP, ou seja, menos de 2% das suas receitas, que incluem 111 milhões de subsídios, que representaram mais de 1/3 da sua facturação (282,8 milhões de bilhetes e 21,4 milhões de manutenção).

O Dr. Matias pode não ter jeito para fazer reformas, mas dispondo de um talento excepcional para fazer anúncios, também não é um bom contador de estórias

À estória do Dr. Matias que o TdC atrasou o novo hospital de Lisboa anos e lhe aumentou em 164 milhões o custo, respondeu o Tribunal com factos que estragaram a estória do Dr. Matias e entre eles o de que o contrato lhe chegou em Fevereiro de 2024, já com um reescalonamento de despesa, e teve o visto três meses depois. Em vez desta mal alinhavada, o Dr. Matias podia ter aproveitado a ocasião para contar uma outra estória que vem desde 2003, a do próprio novo hospital de Lisboa, para mostrar a inépcia de 11 (onze) governos) até chegar ao TdC, e retirar daí o prognóstico de que o Fundo Soberano que o seu chefe anunciou terá todas as condições para ser um grandioso fiasco, se não morrer às mãos do próximo governo.

O Estado sucial como máquina de extorsão

mais liberdade

Onde todos os governos, sem excepção que recorde, se têm revelado muito eficazes é na extração de rendimentos aos contribuintes com uma progressão progressiva do tipo função zingarilho, em que o escalão de rendimento mais alto aumentou mais do dobro do escalão mais baixo.

Canários na mina de carvão

O relatório do FMI sobre Portugal publicado há dias prevê a continuação dos crescimentos medíocres até 2028 (1,7%, 1,6% e 1,8%) e evidencia outros aspectos não menos preocupantes, como a contribuição crescente do consumo privado para o crescimento real do PIB, em comparação com a contribuição decrescente do investimento e das exportações.

















E agora algo muito impopular de se dizer

O sismo de Caracas - uma catástrofe num país a cair de maduro após três décadas de socialismo chávista - fez até agora milhares de vítimas às quais se acrescentarão muitas outras quando o balanço estiver feito. O governo português enviar ajuda para um país com uma importante presença de portugueses (50 mil nascidos em Portugal e cerca de 200 mil inscritos nos consulados), dos quais, até agora, seis portugueses e várias dezenas de descendentes se encontram entre as vítimas, faz todo o sentido. Fará sentido enviar como ajuda uma comitiva com 60 elementos dos quais nem um terço estarão qualificados para ter um papel activo no resgate das vítimas? Não será sobretudo mais um exemplo da ineficiência (e provável ineficácia) do Estado sucial a socorrer vítimas de acidentes?

(Continua)

25/06/2026

Crónica da passagem de um governo (55b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 55a)

Canários na mina de carvão

Com excepção do ministério das Finanças, que tem fé num crescimento de 2% este ano, todas as outras previsões variam entre o realismo da Católica (1,5%), que estranhamento não acredita em milagres, e o realismo tardio do FMI que na última revisão cortou mais 0,2 pontos percentuais e está agora em 1,7%. A economia que estagnou no 1.º trimestre em relação ao anterior, não dá mostras de se animar no 2.º trimestre, segundo a maioria dos gurus. (fonte)

O excedente externo até Abril desceu 47% em relação ao mesmo quadrimestre do ano passado (BdP). O saldo orçamental do 1.º trimestre, que no ano passado foi nulo, este ano foi, segundo o INE, negativo (510 milhões ou 0,7% do PIB).

Com este quadro, não é surpreendente que a emissão de mil milhões de euros de Bilhetes do Tesouro a 2 anos tenha ficado quase oito pontos-base acima da emissão comparável em Abril. (fonte)

O Dr. Montenegro exorta à competitividade

O Dr. Montenegro apela ao país para melhorar a produtividade, as competências profissionais e a inovação? Não exactamente, ele apela para o «Governo, a administração pública, as universidades, politécnicos, agentes económicos» serem competitivos a concorrer aos subsídios do fundo europeu de competitividade.

Aumentar o salário mínimo só precisa de um decreto. Aumentar a produtividade é um pouco mais difícil (Bis)
 
Expresso

Os 14,6 pontos percentuais de diferença entre uma produtividade que é 66,8% da média da UE, contra um salário médio que representa 81,4% dessa média, explicam muita coisa, 

[Não tendo a certeza de que Confúcio estivesse certo a respeito do valor das imagens, volto a publicar dois diagramas diferentes dos da semana passada, uma vez mais, em intenção das almas atreitas ao pensamento milagroso que acreditam que se aumenta a produtividade aumentando os salários ou que a riqueza se pode aumentar sem aumentar a produtividade ou que a produtividade se pode aumentar sem aumentar o desempenho dos trabalhadores.]

Promovendo a mediocracia no país…

mais liberdade

… e nos utentes da vaca marsupial pública

A AD pode estar a cair nas sondagens, mas isso não impede o governo de subir nas nomeações e ganhar terreno ao PS, o grande especialista da ocupação do aparelho do Estado sucial, e nomear os seus fiéis para dois terços dos centros distritais do Instituto da Segurança Social.

Boa Nova. Más notícias para os brilharetes dos excedentes fabricados

Como aqui explica o economista Óscar Afonso, a despesa líquida, isto é a despesa primária financiada pelo país, excluindo os donativos de Bruxelas, passará a ser o indicador principal para avaliar a execução orçamental. Das novas regras resultará que no próximo ano o défice orçamental possa ultrapassar 0,5% do PIB e dar origem a um procedimento por défice excessivo.

O Dr. Montenegro continua a abusar dos superlativos

À medida que a AD se afunda nas sondagens, mais o Dr. Montenegro se transcende ao adjectivar a realidade. A semana passada, entre os múltiplos exemplos de adjectivação aditivada com que nos brindou, destaco a sua declaração sobre a PSU que considera «uma proposta que quebra a armadilha da pobreza, acredita no potencial de cada um, reconhece o seu esforço e o seu mérito, incentiva o trabalho e apoia na construção de projetos de vida com futuro e com dignidade». Tal consideração não impediu uma negociação atabalhoada e sem princípios, ora com o Chega ora com o PSD, que conduziu a um resultado sobre o qual nem o próprio PS se entende.

É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença

Além do que já sabia sobre a propensão nacional à doença, segundo o relatório 'Saúde do Cérebro em Portugal', da Headway, quase metade da população (47,1%) sofre de doenças cerebrais e o impacto económico ultrapassa os 4,7 mil milhões de euros anuais em despesas diretas de saúde (fonte).




23/06/2026

Crónica da passagem de um governo (55a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Fundo Soberano uma espécie de PREC cor-de-laranja

Num país como o Portugal dos Pequeninos que durante o PREC teve governos de inspiração comunista que nacionalizaram centenas de empresas dos sectores mais dinâmicos, deixando a economia de rastos durante o PREC, e desde então vem tentando timidamente diminuir a intervenção do Estado na economia, o que pode levar um primeiro-ministro a anunciar num congresso do seu partido a criação de um “fundo soberano” que «será um instrumento de autonomia e intervenção do Estado em setores estratégicos. (… com) a intenção ... de termos participações acionistas de forma a garantir um veículo de poupança para as gerações futuras e um instrumento de efetivar a soberania nacional, (…) em áreas como a energia, mas não excluímos a banca, as comunicações ou mesmo a gestão de infraestruturas aeroportuárias se os concessionários das mesmas não cumprirem as suas obrigações»?

Emitir dívida pública para participar em empresas “estratégicas”, que no patuá socialista são mais EFACEC («Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»)? Para acrescentar às 120 empresas participadas que poderiam valer 40 mil milhões se fossem empresas rentáveis?

O que pode levar um primeiro-ministro a anunciar esse “fundo soberano”? Apropriar-se das bandeiras socialistas (e comunistas) e tornar irrelevantes o PS e o PCP e até, quem sabe?, o socialismo de direita do Chega?

Um caso patológico do Complexo de Eduardo Lourenço

A moção de estratégia apresentada no congresso do PSD tinha (garantem, não contei) 90 vezes a expressão “Portugal Maior”. À força de invocarem “Portugal Maior”, o Portugal dos Pequeninos ainda fica mais minúsculo. Se Eduardo Lourenço ainda fosse vivo, faria uma adenda ao seu «O Labirinto da Saudade: Psicanálise Mítica do Destino Português».

À força de querer ser popular, acaba impopular

A sondagem da Intercampus da semana passada mostrou o PS com 24,3% e o Chega com 20,3% à frente da AD, com 19,5%, que caiu 3,4 pontos percentuais.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

Fonte BdP

Num país ainda fortemente endividado, aumentar  o endividamento total da economia num ano em 36,9 mil milhões (4,4%, ou 2,5 pontos percentuais acima do PIB), de 845,6 para 876,1 mM, dos quais 14,3 mil milhões do sector público, 14,5 mM das famílias e 8,1 mM das empresas), é no mínimo imprudência inspirada pelo pensamento mágico proporcionado pela entrada dos 13 mil milhões da bazuca.

Não seria preferível tributar os prejuízos ordinários para aumentar a receita?

A tributação dos “lucros extraordinários das petrolíferas, que proporcionou em 2023 ao Dr. Costa 5 milhões de euros, ou seja, 10% da receita prevista, classificada em 2022 como demagógica pelo Dr. Montenegro quando estava na oposição e agora anunciada e calibrada pelo Dr. Sarmento, foi confirmada a semana passada no parlamento pelo primeiro-ministro com um tranquilizante "não desistimos" ao Dr. Figueiredo, deputado único do Berloque de Esquerda.

Do ponto de vista da eficácia fiscal, estamos conversados. Do ponto de vista do controlo dos preços, é como mudar de termómetro para baixar a febre.

Na imigração, como no resto, não há chuva na eira e sol no nabal

Jornal Sol

Tenho esperança de que quando o Dr. Ventura for primeiro-ministro de um governo do Chega, consiga que os imigrantes contribuam para a economia portuguesa e para a Segurança Social a partir da terra deles. Até lá, temos de escolher entre as manifestações de interesse inventadas pelo Dr. Costa, que nos permitiram aumentar a população residente em 825 mil em cinco anos, de 2021 a 2025, dispor de mão de obra nos sectores onde os portugueses não querem sujar as mãos e aumentar as contribuições para a Segurança Social ou o controlo e regulação dos fluxos migratórios.

(Continua)

22/06/2026

CASE STUDY: Sócrates & Santos Ferreira, uma dupla de sucesso nos negócios – La Seda (Epílogo)

Quase duas décadas depois, encerra-se agora com uma perda superior a 500 milhões de euros para a CGD que financiou o projecto da Artlant PTA, a fábrica de matérias-primas para a indústria das embalagens de plástico em Sines, promovido pelos espanhóis da La Seda. Foi um projecto apadrinhado pelo governo do Eng. Sócrates em conluio com o Dr. Santos Ferreira, presidente da CGD, e o marido da Dr.ª Elisa Ferreira, ex-governadora do BdP entre outros lugares para os quais foi nomeada pelos governos socialistas.

O desastre foi à época acompanhado pelo (Im)pertinências que neste post de 2009 prenunciava o desastre agora confirmado, e aqui se recapitula:

20-09-2007
«O ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou hoje que gostaria de atrair para Portugal mais investimentos do tipo dos efectuados pelas empresas Abertis, Repsol e La Seda, que totalizam 1,5 mil milhões de euros.»

21-09-2007
«La Seda diz que produção da fábrica de Sines arranca em 2009 e estuda nova unidade em Portugal»

12-03-2008
«O investimento do grupo La Seda de Barcelona, que tem como principais accionistas as portuguesas Imatosgil, com 10,8 por cento, e a Caixa Geral de Depósitos (CGD), com 5 por cento, na unidade de PTA, que ficará localizada na Zona Industrial e Logística de Sines, é de 400 milhões de euros até 2010.
Este é um projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN) e, de acordo com declarações hoje à Lusa do presidente do grupo La Seda de Barcelona, Rafael Español Navarro, "os trabalhos no local estão bastante avançados".
O lançamento da primeira pedra da nova fábrica de PTA conta com as presenças do primeiro-ministro, José Sócrates, do ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho, e do presidente do grupo La Seda de Barcelona.»

04-02-2009
«Mais de quarenta accionistas da empresa La Seda de Barcelona apresentam quinta-feira à Comissão Nacional de Mercado de Valores (CNMV) espanhola um pedido de OPA obrigatória para que o grupo português Selenis/CGD/Imatosgil compre 100 por cento do capital da empresa.»

13-03-2009
«Um ano depois do lançamento da primeira pedra, o projecto de engenharia de base da fábrica da Artenius já está concluído em 95% e os equipamentos gerais já foram todos comprados, passando ao lado dos efeitos da crise económica.
A La Seda de Barcelona, onde os portugueses Imatosgil são accionistas (11%), está a investir 400 milhões de euros, em Sines, na construção da única fábrica n Europa dedicada, em exclusívo, à produção de PTA (que serve de matéria-prima ao PET, utilizado na produção de embalagens plásticas).»

20-05-2009
«O EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) baixou 99,2 por cento para 300 mil euros e as vendas caíram quase para metade, de 437 milhões de euros, no primeiro trimestre de 2008, para 258 milhões.
A LSB tem planos para construir uma fábrica em Sines, que tem sido apresentada como bom exemplo de investimento pelo Governo de José Sócrates

09-06-2009
«O grupo La Seda - que em Portugal está já atrasado cinco meses no desenvolvimento do projecto de 400 milhões de euros da fábrica de PET em Sines, para o qual garantiu financiamento até 320 milhões de euros – tem um passivo de 1,3 mil milhões de euros. A falta de liquidez do grupo foi já motivo suficiente para que a unidade catalã, em El Prat, parasse a laboração.
O “fantasma” de suspensão de pagamento de salários e de cobrança de credores, noticia o jornal económico, só foi afastado porque na semana passada se avançou a hipótese da CGD, “accionista e principal credor” da La Seda, poder “assegurar uma emissão de obrigações convertíveis em 150 milhões de euros como passo prévio ao refinanciamento da dívida”.
O jornal adianta que, em 18 meses, a companhia que detém agora as acções suspensas na praça espanhola nos 0,34 euros, já perdeu mais de 70% do seu valor, com a capitalização bolsista a descer para 213 milhões de euros.»

10-06-2009
«A Caixa Geral de Depósitos injectou 25 milhões de euros na espanhola La Seda, onde é um dos maiores accionistas, para assegurar a viabilidade financeira de curto prazo da companhia, que ontem alterou o presidente da empresa devido à pressão dos accionistas portugueses.»


27-07-2009
A La Seda chegou a um acordo de princpio com a Caixa Geral de Depósitos, accionista da empresa, para que esta adquira o capital da Artenius Sines por 40 milhões de euros, como forma de financiamento. Este valor faz parte de um financiamento total de 104 milhões de euros. Em paralelo, a fabricante de plásticos confirma que irá alienar activos não estratégicos, onde se inclui a fábrica de Portalegre, no Alentejo.
A La Seda espera obter do Caixa BI, banco de investimento da CGD, perto de 488 milhões de euros para viabilizar o projecto. A primeira pedra foi lançada há mais de um ano, mas a fábrica leva um atraso de seis meses.

21/06/2026

Pro memoria (148) - Some of the epitomes of anarcho-capitalism are, ultimately, examples of the triumph of the helping hand of the State.

«SpaceX “is a marvel of free markets” and “capitalism at its most remarkable”, you said in your leader on the rocket firm’s forthcoming initial public offering (“A Starship enterprise”, May 23rd). This overlooks the critical role that government played in getting SpaceX off the ground. In 2008 the fledgling startup was heading for bankruptcy until NASA awarded it a $1.6bn contract, thereby providing a trajectory-changing revenue stream. American taxpayers absorbed much of the early risk that private investors would not. SpaceX’s success is impressive, but it is a triumph of state-supported capitalism more than a free-market marvel.» T. Michael Spencer, Washington, DC (Source)

At first glance, it may seem that Elon Musk is very similar to the Portuguese capitalist who lives off the State. In reality, there are some differences. Musk was first saved by the State and repays it by wanting to slim down the State (DOJE), while the Portuguese capitalists are first saved by the State, repay it by trying to fatten the State, and go bankrupt despite the State.

Peter Thiel, a Musk's old pal and frenemy, and patron of president‑in‑waiting JD Vance, is yet another shining epitome of that anarcho‑capitalist, in Thiel's case, of the strain that foretells the arrival of the Antichrist.

His company Palantir — whose main clients include several governments, notably the American and the Israeli — somehow manages, quite miraculously, to enjoy the state’s helping hand as well.

19/06/2026

BELIEVE IT OR NOT! Finally, an agreement in which it is agreed that maybe an agreement will be reached (2) - Executive summary for MAGA believers

Continuation of (1), (2)

The following text is a summary by the MS Copilot of the article "Donald Trump gambles that Iran wants money more than power," and is intended for those who, 109 days after the incompetent attack on Iran, are still searching for a rationale in the chaotic decisions of their messiah. Good luck with that.

«The article analyzes Donald Trump’s preliminary peace deal with Iran, arguing that Trump is betting that Tehran values money more than strategic power — a risky and likely misguided assumption.

1. The deal: lots of money, few demands

Unable to defeat Iran militarily, Trump now offers:
  • The unfreezing of tens of billions of dollars
  • Lifting of sanctions
  • Immediate access to oil exports
  • A reconstruction fund of at least $300 billion (1)
In return, Iran promises:
  • Not to build a nuclear weapon (a long‑standing pledge)
  • To reduce part of its enriched uranium
  • To negotiate aspects of its nuclear program (without firm commitments)
The regime gives up almost nothing.

 2. The Strait of Hormuz and American humiliation

The deal includes reopening the Strait of Hormuz, but:
  • Before the war, the passage was already open
  • Now, after 60 days, tolls may be imposed
  • The article frames this as proof of the folly of the war and Trump’s final capitulation
3. Why the plan may fail

The text lists several reasons:
  1. Iranian leaders do not trust the U.S.
  2. They expect Israel to sabotage the agreement
  3. The nuclear program provides prestige and protection
  4. Iran is skilled at dragging out negotiations
  5. Inspections will be difficult, and the regime may cheat
4. Israel: the big loser
  • Israel pushed for the war but was excluded from the negotiations
  • Its campaign against Hezbollah was weakened
  • Netanyahu may pay a political price in the October elections (2)
  • The war was a strategic failure: Iran remains a threat
5. Gulf states: between fear and pragmatism
  • They need to restore an image of stability
  • They remain vulnerable to Iranian drones and missiles
  • They may:
    • Strengthen ties with Israel
    • Accommodate Iran
    • Or try to balance both sides
  • They can no longer rely on America’s willingness to fight
6. The final critique

The article concludes that:
  • Trump should never have started the war
  • He now tries to exit it by assuming that “everyone does everything for money”
  • But diplomacy requires understanding that the adversary does not think like you
In short

The deal is portrayed as:
  • A humiliating U.S. retreat
  • A strategic victory for Iran
  • A setback for Israel
  • A risk to regional security
  • A fragile bet based on financial incentives that may not work.»
_______________

(1) With the pious intention of shedding light on the dull minds that habitually resort to the lazy and unintelligent expedient of trying to disguise the errors of their idols with the errors of their enemies, I remind you that the Barack Obama administration agreed to pay Iran compensation for defaults by previous administrations to resolve a long-standing legal dispute handled by the Iran-U.S. Claims Tribunal in The Hague. This payment had the following two main components:
  • USD 400 million for failing to deliver military equipment paid for by Iran before the 1979 Islamic Revolution;
  • USD 1.3 billion relating to interest accrued over 35 years on that amount.
(2) Bibi has based his propaganda on: (a) only he could withstand international pressure and (b) only he could influence Trump. Now Bibi is compelled to choose between (a) and (b) and either disobey Trump on Lebanon and Iran, to save (a), or give in to preserve the perception of (b). Either option is bad for Bibi.