Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

15/05/2026

ARTIGO DEFUNTO: A ecoansiedade e os delírios do jornalismo de causas

Para me poupar a citar excertos do artigo “Será que a zona onde vivemos continuará habitável?”: Quatro em cada 10 jovens hesitam ter filhos por causa das alterações climáticas, cito o resumo gerado por AI que segundo o Expresso reza assim:

«Estudo revela que quatro em cada dez jovens portugueses hesitam em ter filhos devido às alterações climáticas. A ecoansiedade, definida como medo crónico de catástrofe ambiental, surge como determinante nas decisões reprodutivas. 

Investigação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto mostra que jovens com motivos ambientais apresentam três vezes mais ecoansiedade.»

Quanto ao primeiro estudo «Young People's Voices on Climate Anxiety, Government Betrayal and Moral Injury: A Global Phenomenon», foi publicado em 2021 na revista Lancet Planetary Health, é da autoria de uma equipa cujos membros publicaram um único paper - o paper em causa - e foi financiado pela AVAAZ, uma ONG que se define como «the campaigning community bringing people-powered politics to decision-making worldwide» e tem como fundadores vários notórios ideólogos do áctivismo online.

Esquecendo a óbvia falta de credibilidade dos "investigadores" e da entidade financiadora (é assim como militantes da CDU fazerem um estudo financiado pela CDU sobre a falência do capitalismo), o certo é que o estudo não revela uma especial preocupação dos jovens portugueses pelos supostos impactos das mudanças climáticas já que em relação à "ameaça à segurança familiar" se preocupam tanto quanto a média dos jovens dos 10 países considerados, e quanto "hesitação sobre ter filhos" preocupam-se menos.

Quanto ao segundo estudo, a conclusão é perfeitamente tautológica e não careceria de estudos: é claro que «jovens com motivos ambientais» teriam forçosamente de ser mais ecoansiosos, seja lá o que isso for. 

Pordata
Daí concluir, como o faz uma "investigadora" citada no artigo, que a baixa de fertilidade é consequência da ecoansiedade é uma conclusão audaciosa. Pela razão simples de que, como o diagrama mostra para Portugal (em outros países ocidentais a evolução é semelhante) a baixa da fertilidade precedeu em décadas as preocupações ambientais, baixa que toda a gente com juízo sabe ter resultado da "igualização" das mulheres e foi tornada possível pela acessibilidade dos anticoncepcionais e tornada inevitável pela entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho.

14/05/2026

You can't fool all of the people all the time (14) - Mr. Trump is hitting rock bottom in every area

Other "You can't fool all of the people all the time."

YouGov

Inflation, employment, foreign policy, immigration, or crime - take your pick.

Men or women, young or old, white or black, illiterate or with a doctorate - take your pick.


What's hard to understand for a creature with a modicum of mental sanity isn't why the net approval rating is so low. What's hard to understand is why it isn't lower.

13/05/2026

SERVIÇO PÚBLICO: Desfazendo o mito do efeito milagroso dos fundos europeus

«... os fundos europeus, longe de promoverem convergência, funcionam como uma «pílula envenenada» para países receptores, incluindo Portugal. Estas transferências sustentam um Estado ineficiente, alimentam clientelismo político, e distorcem a alocação de recursos para sectores não-transacionáveis. Ao reduzirem a pressão para reformas estruturais, os fundos perpetuam a baixa produtividade e o atraso económico. Décadas de apoios não geraram convergência real com a Europa rica. Terminar com os fundos de coesão traria benefícios substanciais a longo prazo, tanto para os contribuintes líquidos como para os próprios beneficiários.»

Nuno Palma anunciando o seu novo livro: «O Vício dos Fundos Europeus», no Portugal no longo prazo, em mais «Uma obra de demolição de alguns dos mitos mais populares no Portugal dos Pequeninos»

12/05/2026

Crónica da passagem de um governo (49b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 49a)

Esta reforma laboral não resolveria a falta de competitividade e de produtividade, mas mal não faria (Marcos 16:18)

Morreu na praia o acordo com a UGT, que representa 7% trabalhadores do sector privado, e a CGTP, que praticamente só representa os trabalhadores com emprego vitalício, não chegou a embarcar.

«O governo quer dar aumentos salarias de 6,2% para 111 mil trabalhadores do privado com retroativos a março»

É este o título para parolos do Jornal Eco (com títulos assim deveria mudar de nome para jornaleco) para noticiar o expediente que se repete todos os anos das “portarias de extensão", expediente pelo qual os contratos colectivos negociados pelos sindicatos que representam um décimo ou menos dos trabalhadores influenciam 90% dos contratos de trabalho, em empresas e sectores sem condições para pagarem a bitola das maiores empresas e continuarem competitivos.

A bazuca do Dr. Montenegro é maior do que a do Dr. Costa

mais liberdade

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… clarificar as dúvidas sobre aplicação do IVA de 6% na construção que fizeram cair os licenciamentos em 16% em Janeiro e Fevereiro; licenciar parques autónomos de baterias que limitariam as consequências dos apagões; antecipar os 10 anos previstos para a operacionalidade completa do SIRESP que é um dispositivo que anda por aí há mais de 10 anos, em cujo lançamento esteve envolvido o Dr. Costa e o seu melhor amigo Dr. Lacerda Machado.

Incompetência até a gastar o dinheiro da Óropa

O Portugal 2030, que é uma espécie de herança do Portugal 2020 que não foi cumprido, só está executado a 18% (a menor percentagem da UE), encaminhando-se assim para se transmutar num Portugal 2040.

Canários na mina de carvão

O piar dos canários ouve-se cada vez mais. O emprego parece ter atingido o seu ápex e começou a cair enquanto a taxa de desemprego está a subir (fonte INE); a dívida pública aumentou 0,5 mil milhões de euros em março e atingiu 91,0% do PIB no primeiro trimestre do ano (fonte BdP.

Hoje há conquilhas, amanhã logo se vê (os tugas não estão a ouvir os canários)

Surdos ao piar dos canários, os particulares contraíram novos empréstimos num montante que ultrapassou pela primeira vez 4 mil milhões de euros num mês, o valor mais elevado desde 2003 (fonte BdP), e compraram quase 100 veículos até Abril, outro recorde, desta vez desde 2005.

11/05/2026

Crónica da passagem de um governo (49a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Dados do SNS citados pelo Expresso mostram a continuação da degradação do SNS que é cada vez mais da responsabilidade do Governo da AD. Ainda assim, não faz sentido branquear as enormes responsabilidades da governação socialista nessa degradação por via da gestão ideológica da Dr. ª Marta Temido. Mais 20 mil médicos e 53 mil enfermeiros e muito mais horas extraordinárias não foram suficientes para compensar a reversão para 35 horas e a incompetência de gestão que o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares sacode com grande desvergonha ao descartar-se: «as causas são todas responsabilidade do governo». Um dos hospitais que mais se degradou foi o Hospital de Loures, em tempos uma PPP bem-sucedida.

O Dr. Centeno pode ter saído do governo e do BdP mas o narcisismo sonso não saiu dele

Como explicar que a «ideia que está a amadurecer» do seu livro de memórias tenha sido com imensa antecedência e muito desvelo revelada pelo semanário de reverência não em uma, mas em duas peças, uma no caderno principal e outra no caderno de economia (este, uma espécie de resumo, sem link)? Aguardo ansiosamente as suas memórias na esperança de que nos revelem o desdobramento de personalidade que permitiu ao Dr. Centeno, ministro, nomear o Dr. Centeno governador.

(Quase) Todos os políticos são mentirosos, mas há uns mais mentirosos do que outros

Em Novembro de 2023, o Dr. Costa demitiu-se jurando que o seu amigo Dr. Lacerda Machado (ler aqui uma breve resenha sobre essa amizade) nunca lhe tinha falado sobre o projeto Start Campus. Não é verdade que se apanha mais depressa um mentiroso do que um coxo porque a verdade levou três anos para emergir das escutas divulgadas pela TVI e CNN Portugal que revelam o Dr. Costa a dizer ao seu melhor amigo e padrinho de casamento, na véspera de Natal de 2022: «Já sei que foste lá dar boas notícias ao Vítor.» 

O óbvio ululante. Eu diria mesmo mais

No seu relatório sobre Portugal, o FMI aconselha a reversão das «isenções do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares específicas para jovens que aumentam os custos fiscais e introduzem distorções, sem evidência clara de eficácia na contenção da emigração juvenil» e «não são sujeitas a critérios de rendimentos, ao mesmo tempo que impulsionam a procura e contribuem para agravar os desequilíbrios». (fonte) Já o tinha dito várias vezes nestas crónicas.

O novo MAI mostra a sua costela socialista

O Dr. Luís Neves não se tem cansado de atribuir o desgoverno das polícias e a incompetência das respectivas chefias à falta de efectivos, que deve ser um dos poucos problemas que as polícias portuguesas não têm (no caso de dúvida, cfr. a série de posts Vivemos num estado policial?)

As rotundas do governo

Um dos expediente dos autarcas para mostrar obra feita é construírem rotundas inúteis em cruzamentos em que a esmagadora maioria do tráfego é num único sentido, rotundas que são muito mais visíveis e muitíssimo mais baratas do que reparar os quilómetros de estrada em mau estado que por elas atravessam. À falta de rotundas, o Dr. Miguel Pinto Luz anunciou o «início do serviço fluvial em junho entre o Seixal e o Barreiro» ao fim de semana, iniciativa que é coisa para servir prá aí uma dúzia de pessoas.

Na ausência do PCP, o Chega assusta o patronato?

Pelo menos foi o que o JE escreveu: «foi a proposta do Chega de reduzir a idade de reforma em troca de um acordo no Código do Trabalho que assustou a CIP» e levou a ceder «em toda a linha à UGT»

Por que não resistem os governos ao show-off?

O governo PS-D/CD-S não resistiu e o ministro das Finanças já confirmou que vai “melhorar e calibrar” as medidas do governo PS em 2022, nessa altura classificadas como demagógicas pelo Dr. Montenegro, para tributar os “lucros extraordinários das petrolíferas. Bem pode o Dr. Pardal “melhorar e calibrar” os 5 milhões de euros de 2023, ou seja, 10% da receita que o governo do Dr. Costa previa.

Boa Nova. O exército já pode comprar as lagartas de um tanque Leopard

Talvez na esperança de facturar pelo menos os 5 milhões de euros, o governo autorizou o Exército a gastar até 2,2 milhões de euros para comprar viaturas especiais, o que é menos de um décimo do custo de um tanque Leopard 2A8.

(Continua)

10/05/2026

Dúvida (365) - Um bicho que se parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, pode ser um ornitorrinco?

Ceci n'est pas un canard
Distraidamente, não comentei as reacções à derrota eleitoral do Fidesz de pessoas geralmente tidas como conservadoras que se reclamam democratas (alguns até se dizem liberais), concluindo que essa derrota demonstraria que, afinal, Viktor Orbán era um democrata e a Hungria uma democracia plena.
 
Nunca pensei que a Hungria governada pelo Fidesz já fosse uma ditadura - era mais uma democracia avariada. Porém, isso não era por causa de Viktor Orbán e do Fidesz; era, apesar deles, que tudo fizeram para se perpetuarem no poder, como aqui se exemplificou, e disso extraírem vantagens.

Concluir que Viktor Orbán era um democrata e a Hungria uma democracia plena é parecido com concluir que as acções erráticas de Donald Trump escondem uma estratégia coerente que escapa aos não iniciados ou, para dar um exemplo doméstico, é parecido com concluir que a defesa da redução da idade da reforma pelo Dr. Ventura não é um oportunismo irrealista de um demagogo e antes resulta de uma estratégia sofisticadíssima para encostar ao PSD à parede promovendo as ideias do PS e assim chegar à maioria. 

Como explicar que pessoas inteligentes e cultas conseguem imaginar que um bicho que se parece com um pato, nada como um pato, grasna como um pato, acasala com patas, não é um pato, é um mamífero que põe ovos? Não me ocorre explicação melhor do que a de Leor Zmigrod no seu The Ideological Brain.

09/05/2026

Zugzwänge para Vladimir (continuação)

Continuação daqui

...  a invasão da Ucrânia a que chamou pudicamente "operação especial", que era para durar uma semana e já vai, se não estou enganado, em 218 semanas...

«Russia's internal expectations for the war were remarkably short. Documents found inside Russian tanks described how the "special military operation" would conclude in just ten days. Ukraine also captured "flagship" tanks — the kind used in parades — along with military parade uniforms, suggesting that Russia expected to stage a victory parade in Kyiv after a swift campaign. Wikipedia

The broader picture painted by the evidence is even more striking. After the invasion began, Ukrainian and Western analysts assessed that Putin seemed to have believed Russian forces would be capable of seizing Kyiv within days, leading to the conclusion that "taking Kyiv in three days" had been the original goal. This narrative was reinforced by statements from Aleksandr Lukashenko and Margarita Simonyan, editor-in-chief of Russian state broadcaster RT. The Security Service of Ukraine also released a video showing a captured Russian soldier claiming his unit had been sent into Ukraine with food supplies for only three days. Wikipedia

Russia's invasion plan involved defeating Ukraine within ten days and capturing or killing its government, followed by "mopping up" operations, establishing filtration camps, setting up occupation regimes, and eventually annexing territory. Wikipedia

Three days after the invasion began, the Russian state news agency RIA Novosti mistakenly published a pre-written article called "Russia's Coming and the New World," prepared in anticipation of a quick Russian victory, which announced that "Ukraine had returned to Russia." Wikipedia

Of course, none of this came to pass. By April 2022, the invasion's initial goal of a rapid victory via decapitation had failed, with Ukraine pushing back the northern arm of the invasion and preventing the capture of Kyiv. The war has now dragged on for over three years, becoming the largest conflict in Europe since World War II. Wikipedia»

Resposta do Claude Sonnet 4.6. da Anthropic à pergunta «When Russia invaded Ukraine, what was the Russian government's prediction for the duration of the so-called "special operation"?»

08/05/2026

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Zugzwänge para os compadres Vladimir e Donald

Secção Tiros nos pés

Já várias vezes evoquei (aqui, acolá e acoli, por exemplo) o Zugzwang, do alemão zug (jogada) e zwang (compulsão), que é a situação no xadrez em que, em consequência das jogadas anteriores, um jogador é obrigado a fazer a jogada seguinte da qual sairá em pior situação.

Volto a fazê-lo desta vez para caracterizar a situação em que se colocaram no tabuleiro internacional os compadres Vladimir Putin e Donald Trump, o primeiro com a invasão da Ucrânia a que chamou pudicamente "operação especial", que era para durar uma semana e já vai, se não estou enganado, em 218 semanas, e o segundo com o Great and Beautiful Bombardment (GBB) dos aiotolás, que era para durar o que Bibi achasse necessário, e já vai em 6 semanas e vários anúncios de Total and Complete Victory

Quanto a Vladimir Putin, as coisas vão de mal a pior e, segundo um ex-alto funcionário do governo russo, enfrenta uma situação de perfeito Zugzwang, situação que, com os mesmos critérios, tomo a liberdade de atribuir a Donald Trump e, já agora, ao seu ajudante, o secretário de Estado da Guerra, Pete Hegseth.

É assim que, não sem algum Schadenfreude, concedo o máximo de cinco Zugzwänge (plural de Zugzwang) ao primeiro e quatro ao segundo (o quinto poderá ser atribuído em breve). A Pete Hegseth não atribuo nenhum - é apenas um secretário.

07/05/2026

The '"Total and Complete Victory"' achieved through a Great and Beautiful Bombardment seems more like half a defeat (3)

Sequel of (1), (2)

«By the United States military’s estimation, about 1,550 marine vessels—oil tankers, bulk carriers, container ships, and more—are idling in the Persian Gulf right now. With the Strait of Hormuz effectively blockaded, their crews, many of them uninvolved in the ongoing war with Iran, are slowly using up supplies as they await safe passage through the mine-filled waterway. Donald Trump announced on Sunday that the U.S. would rescue these “victims of circumstance” by guiding them out of the war zone in an as-yet-unspecified way. On Monday, though, Iran’s military rejected the plan, warning that American military forces would be attacked if they approached the strait.

Both sides fired shots yesterday, although the U.S. claims that the cease-fire remains in place. The fact that Iran’s leaders are apparently willing to risk violating the delicate monthlong truce emphasizes just how fiercely they want to protect their hold over the strait. The past 65 days of war have badly punished Iran: Its leaders are dead, its navy and air force have been depleted, and its economy and infrastructure have been decimated. “If we leave right now,” Trump said last week, “it would take them 20 years to rebuild.” But amid the destruction, the country has also found new forms of leverage. Iran had not previously exercised this degree of control over the Strait of Hormuz, and before the war, the country could not have been confident that it would be able to do so. Even in its diminished state, the Iranian military has managed to deter enemy ships and outmaneuver anti-air systems, maintaining that grip on the strait while costing the U.S. billions.

After the U.S. and Israel began their military action, the Iranian government said it would attack any ship that tried to sail through the strait, and began deploying mines as deterrents. Before the war, more than 130 ships passed through each day; yesterday, that number was down to three. The ships that do cross now mostly do so under the strict supervision of Iran’s Islamic Revolutionary Guard Corps, which reportedly has been demanding tolls in cryptocurrency and Chinese yuan, and rerouting traffic away from Oman, toward Iran-controlled waters.

Iranian dominance over the strait may well be the new norm. On Sunday, Iran’s Deputy Speaker of Parliament Ali Nikzad was emphatic that the country “will not back down” from its position on the strait, “and it will not return to its prewar conditions.” That’s because the country’s restrictions on the strait have succeeded on a strategic level, creating a global energy shock and unleashing economic devastation around the world—putting massive pressure on the U.S. and Israel to come to the bargaining table. Trump has demanded that Iran “Open the Fuckin’ Strait,” but as Iran’s threats yesterday made clear, we’re a long way off from the pre-February status quo. Even when Iranian leadership has offered to reopen the strait as part of potential peace deals, as it has over the past month, it has done so with the knowledge that Iran could always reassert control. That’s exactly what happened on April 17, when the country declared the strait open to all; the next day, Iran reimposed its restrictions on passing ships, effectively closing the waterway once again.

06/05/2026

Crónica da passagem de um governo (48b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 48a)

Lost in translation: “lucro” em politiquês-socialês significa o que restou dos subsídios

Se o problema fosse o lucro das 126 empresas do Estado ter caído 480 milhões para 11 milhões de euros, seria um problema simples. O problema complicado é que o “lucro” neste caso são as sobras de cerca de 3,5–4 mil milhões de euros em subsídios, indemnizações compensatórias e outras transferências para empresas públicas.

No meio do nevoeiro informativo, o Public Relations da CP conseguiu que a Lusa passasse para os jornais a “notícia” que fez o título no Avante da família Azevedo: «Lucro da CP mais do que duplica em 2025 para 4,8 milhões», esquecendo de informar que foi a sobra de cerca de 100 milhões de subsídios com diversos nomes pagos no ano passado.

Então não estamos a crescer mais do que a Óropa?

mais liberdade

O diagrama mostra o resultado do caminho para uma sociedade socialista em que os salários galopam e a produtividade coxeia. Já agora, para não embandeirarmos em arco, recordo que a progressão de 2020 para 2025 se deve ao crescimento das maiores economias ter sido mais afectado pelas consequências da invasão da Ucrânia.

Canários na mina de carvão

Multiplicam-se os sinais de que pode estar a chegar ao fim o tempo das vacas voadoras do Dr. Costa: no primeiro trimestre as exportações de bens desceram 6,4% e as importações aumentaram 2,6%; a taxa de inflação homóloga aumentou 3,4% em Abril e o PIB não cresceu no primeiro trimestre.

O Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (petit nom PTRR), a bazuca do Dr. Montenegro, foi desenhada pelo Dr. Matias?

mais liberdade

Poderá parecer uma pergunta retórica, mas o PTRR não é um fundo autónomo, é uma manta de retalhos financiada por fundos nacionais, fundos europeus, empresas públicas, empresas privadas, PPP e concessões. Segundo o Diário de Notícias (não confirmei) dois terços dos 22,6 mil milhões de euros previstos para torrar até 2034 estavam previstos no orçamento há 6 meses, e os números do diagrama mostram que cerca de um quarto é para fazer a recuperação das infraestruturas e serviços afectados pelas tempestades, o que inevitavelmente teria de ser feito com ou sem PTRR.

Operação Marquês - uma justiça de opereta numa república dos bananas

Já o escrevi em tempos: 300 (trezentos) juízes, 50 (cinquenta) recursos, uma queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, vários crimes já prescritos, um processo com mais de 62 mil (sessenta e duas mil) páginas, incluindo as 6 mil (seis mil) páginas do despacho do Juiz Rosa, em mais de 200 (duzentos) volumes, o equivalente a um décimo dos julgamentos de Nuremberga (de 20/11/1945 a 1/10/1946) onde foram julgados 23 dirigentes nazis.

Actualizo agora com a prescrição dos crimes de corrupção activa relativos ao empreendimento de Vale do Lobo de que beneficiaram a semana passada dois dos arguidos e, salvo qualquer imprevisto não previsto, beneficiarão em Junho o Animal Feroz e o seu compadre Dr. Vara.

05/05/2026

Crónica da passagem de um governo (48a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A unanimidade na UGT significa o quê? É o centralismo democrático?

Os 90 (noventa) membros do secretariado da UGT aprovaram por unanimidade a rejeição das propostas de alteração da legislação laboral do governo. A UGT (controlada pelo PS) e a CGTP (controlada pelo PC) representam em conjunto cerca de 7% dos trabalhadores do sector privado e uma percentagem muito superior dos funcionários públicos que não são afectados pelas reformas em discussão por terem emprego vitalício, um seguro de saúde público e uma pensão garantida pela CGA.

Precariedade” é o efeito secundário do emprego vitalício

A UGT opõe-se mais tenazmente ao aumento da flexibilidade do emprego, cuja rigidez é o factor principal que explica a preferência das empresas pelos contratos a prazo que afectam quatro em cada dez trabalhadores jovens, sendo Portugal o quarto país da UE com mais contratos a prazo.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… dar corda aos sapatos e concluir o estudo aprovado pela Resolução de Conselho de Ministros de 7 de março de 2025 para a criação das cinco PPP para gerir os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Almada e nos cerca de 170 centros de saúde nessas áreas.

Para «abrir caminho para uma sociedade socialista» o Dr. Montenegro e o Dr. Ventura pretendem igualar o salário mínimo ao salário médio

O Dr. Montenegro e o Dr. Ventura, ultrapassaram pela esquerda o Dr. Carneiro e querem antecipar o salário mínimo de € 1.000 já em 2027 e o Dr. Ventura, mostrando os seus pergaminhos socialistas, propõe aumentá-lo para € 1.150 até 2029. Numa economia em que 96% das empresas representando 36% do VAB tinham menos de 10 trabalhadores, o impacto destes aumentos com uma produtividade estagnada poderá inviabilizar muitas delas.

O caminho para o socialismo da pobreza relativa


Enquanto o salário mínimo e o salário médio galopam desde 2015 a produtividade coxeia atrás deles.

Nas mãos do Dr. Montenegro, a bazuca do Dr. Costa continua entupida

Quase um terço dos 22 mil milhões do PRR poderão não ser usados se os projectos não forem aprovados até 31 de Agosto. Segundo o presidente da Comissão de Acompanhamento da torrefacção, os «tempos de resposta aos pedidos de pagamento do PRR estão a aumentar em vez de diminuir». Pelo resultado de várias décadas a torrar dinheiro da Óropa, não é de esperar que se perca grande coisa, porém, dava jeito a circular por aí.

O Estado sucial é um caloteiro

Governado pelo PS ou pelo PSD, há várias coisas imutáveis no Estado sucial e uma delas é que é um Estado caloteiro que paga mal a todos os prestadores de serviços, como neste caso o INEM que pagou aos bombeiros no último dia do prazo. É apenas uma gota de água no oceano das dívidas a fornecedores, cujo prazo médio de pagamento é superior a 70 dias e no caso do SNS vai até aos 204 dias na ARS Norte.

Take Another Plan. Quem cabritos vende e cabras não tem…

Enquanto decorre o plano de privatização, perdão, o desejo de vender 49,9% a um benfeitor, a TAP vai-se desfazendo das suas pratas, que no caso são mais sucata do que prata. Comprou por 11,7 milhões 51% da empresa de catering há um ano, está agora a tentar vendê-la por 9,6 milhões.

(Continua)

04/05/2026

Ser de esquerda é... (34) - ... é querer cumprir Abril

Pesquisa Google

Sempre me intrigou que, como a gripe surge no Inverno, a expressão "cumprir Abril" surge na Primavera e prolonga-se até meados de Maio. Para citar alguns, entre muitos outros, exemplos recentes: «cumprir Abril é a coragem de dizer não»; «continuar a cumprir Abril»; «cumprir Abril, na justiça social, na dignidade do trabalho, no combate às desigualdades e na defesa da verdade».

Intriga-me, desde logo,  porque o verbo "cumprir", segundo o dicionário, tem vários significados: «Executar com exactidão;  Acatar, obedecer; Realizar o prometido; Submeter-se, sujeitar-se; Ser da sua competência». Admiti que o cumprir Abril poderia significar "Realizar o prometido", mas realizar o quê e por quem?  Para simplificar, admiti que o quem seria a esquerdalhada, sempre muito dada a promessas (os amanhãs que cantam, etc.). E o quê? O que seria o quê? 

Sem respostas, resolvi uma vez mais consultar o nosso web bot favorito de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data e recebi a seguinte lista de exemplos de incumpridos:

A criação do soviete do Barreiro, a adesão do Portugal Democrático ao COMECON, a criação de uma Frente Popular liderada pelos camaradas Drs. Barreirinhas Cunhal e Nobre Lopes Soares, um governo com todas as forças progressistas, incluindo a Frente de Libertação dos Animais Domésticos (FLAD), a promoção a Marechal do Camarada General Saraiva de Carvalho, a inclusão do Livro Vermelho do Presidente Mao Ze Dong nas leituras obrigatórias do 2.º ciclo, a inauguração pelo Camarada Doutor Anacleto Louçã de uma estátua de Leon Trotsky no lugar de Dom José na Praça do Comércio, a nomeação da Camarada Doutora Mariana Mortágua como ministra das Finanças.

Outros "Ser de esquerda é..."

03/05/2026

The '"Total and Complete Victory"' achieved through a Great and Beautiful Bombardment seems more like half a defeat (2)

Sequel of (1)

Let's recap the outcome of the war in Iran according to Mr. Trump, who started it 9 weeks ago:

  • March 9 - «I think the war is very complete, pretty much»
  • March 11 - «We’ve got to finish the job»
  • March 31 - «we are on track to complete all of America’s military objectives shortly, very shortly»
  • April 1 - the war is «nearing completion»
  • April 7 - «A whole civilization will die tonight, never to be brought back again»
  • May 1 - hostilities have «terminated»

Let's look at the result of all these victories:
  • Iran remains administratively and militarily functional, providing diplomatic responses and military retaliation.
  • Iran has disabled a significant portion of US surveillance in the Middle East; half of the THAAD interceptors and Patriot interceptors equivalent to 5 years of production have been used.
  • Iran forced American troops to abandon all of their air bases.
  • The Iron Dome myth has been compromised.
  • Tel Aviv has been severely hit in recent weeks.
  • The closure of the Strait of Hormuz has given Iran enormous leverage, allowing it to exert significant pressure on the US.
  • Iran maintains drone warfare, ballistic missile launch, submarine and combat capabilities.
  • Iran is viewed as a victim by public opinion in several countries.
So, Mr Trump was right when he once derided “interventionalists” for “intervening in complex societies that they did not even understand themselves” and he was mistaken in imagining that his transactional approach would have the same success with the ayatollahs, who are willing to sacrifice themselves and their people, as it had with the fearful democratic leaders he despises.

30/04/2026

JD Vance, Trump's running mate, the righteous hypocrate, from Never Trump to Ever Trump and beyond (3)

Sequel to (1), (2)

«Mike Pence should have been a warning to J. D. Vance about the inevitable abasement in store once you join a ticket with Donald Trump. Before he became Trump’s running mate a decade ago, conservative Christian values were the center of Pence’s political identity, but in October 2016, he reluctantly stood by Trump after the release of the tape in which Trump boasted about grabbing women “by the pussy.” It was a sign of things to come. Pence became vice president, and for the next four years, he defended his boss through moral abominations and deficit explosions that cut against his fiscal conservatism, flinching only when Trump asked him to help steal an election. His reward? Trump did nothing while a mob threatened to hang Pence.

All of this was common knowledge when Vance agreed to run with Trump in 2024. No one lands on a presidential ticket if they’re not outrageously ambitious—nearly every veep for at least a century has fancied themselves a future president—but Vance is particularly brazen. Becoming Trump’s running mate required a yearslong effort to ingratiate himself with a guy whom Vance had, in the pages of this magazine, referred to as “cultural heroin” and elsewhere called “America’s Hitler.” Maybe Vance’s ambition blinded him to Pence’s lesson, but the war in Iran is teaching it to him the hard way.»

J. D. Vance learns what Mike Pence already knows
______________

«JD Vance just delivered one of those painfully awkward moments that ends up defining a political appearance.

While speaking at a rally in Hungary where he was promoting Viktor Orbán Vance tried to create a headline-grabbing moment by calling Donald Trump live on stage to show support. Instead, it completely backfired. Trump didn’t answer.

Trying to play it off, Vance joked with the crowd that it might get embarrassing if the call didn’t go through. Moments later, that’s exactly what happened the call went straight to a voicemail that wasn’t even set up. The room was left with an uncomfortable silence and a failed stunt.

He eventually tried again and did get Trump on the line, but even that didn’t help much. Trump sounded distracted and irritated, briefly mumbling before offering a generic endorsement of Orbán. It felt more like an obligation than enthusiasm.»

Hudson Flores, Quora
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«Vice-President J.D. Vance loves big ideas, or at least the idea of big ideas. Unlike President Donald Trump, he reads books and even writes his own, and he talks, authentically, like a diploma-carrying member of the elite they both ostentatiously disdain. He aligns himself with the “post-liberal right”, a term so highfalutin one struggles to imagine Mr Trump using it. Mr Vance serves as the chief emissary between the Trump White House and the intellectual “New Right”, the agglomeration of pointy-heads, Silicon Valley potentates and podcasters with big ideas of their own for saving Western civilisation, as Mr Vance, apocalyptically, likes to describe his mission.

It is heady stuff. It must also, on some days, prove vexatious, for it has led Mr Vance to cast himself as the chief ideologist of a movement, MAGA, whose essence is that it has no ideology. MAGA is committed instead to the instincts, impulses and glory of one man. As a result, Mr Vance’s theories of governance keep taking a beating from Mr Trump’s practice.

For example, contrary to the big ideas of Mr Vance, Mr Trump has recently been threatening to destroy a civilisation. Mr Vance, a veteran of the Iraq war, has been an advocate of isolationism. As he put it during the last presidential campaign, “America doesn’t have to constantly police every region of the world.” A war with Iran seemed to him a particularly bad idea. It was not in America’s interest and would mean “a huge distraction of resources”; war between Israel and Iran was “the most likely and the most dangerous scenario” for starting a third world war.»


J.D. Vance’s theory of Trumpism is no match for the practice

29/04/2026

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O Dr. Ventura quer descer a idade da reforma. Alguém lhe deveria explicar que seria um disparate e para isso ser possível só com mais imigrantes

O meu radar não está programado para detectar flatulências e só me dei conta de que o Dr. Ventura exigiu há dias a descida da idade da reforma ao ler este artigo de Henrique Raposo.

Apesar da minha apreciação por HR não abranger o seu estilo gongórico-emotivo, vou citar um excerto do seu artigo «A proeza do Chega: ser mais imbecil do que PCP e BE»

«Há vinte ou quinze anos, era impossível discutir com a esquerda a questão das pensões, porque a esquerda anti-passista recusava (recusa?) os números da demografia. Recusava enfrentar este facto: nós temos um saldo natural negativo desde 2007/08. Ou seja, há quase vinte anos que temos mais mortes do que nascimentos todos os anos. (...) 

O Chega torna-se ainda pior a partir do momento em que ataca a imigração e a consequente contribuição para a segurança social dos imigrantes. O Chega é um perigo para o país, sobretudo para os reformados mais pobres, porque não sabe ou não quer fazer contas. E é fácil demonstrar a estupidez do Chega: se pensarmos que a pensão mínima em Portugal ronda os 350 euros e se olharmos para os 4,15 mil milhões que os imigrantes descontaram para a segurança social em 2025, isto quer dizer que os imigrantes garantem o valor de 856 mil pensões mínimas anuais.»

Para me ser desculpada a citação e sair do campo do insulto, remeto para a longa série de posts «A leveza insustentável do sistema público de pensões», cuja leitura, espero, demonstra que o Dr. Ventura é um lunático, um socialista de direita ou um demagogo (e, sem dar por isso, caí também no insulto).

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Post Scriptum: Já agora, para ilustrar o que HR escreveu sobre mortes e nascimentos, aqui vão os dados dos últimos cinco anos, que seriam muito piores se não fosse a imigração:

28/04/2026

Crónica da passagem de um governo (47b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 47a)

O peditório da restauração, o Álvaro e o príncipe Vassíli (continuação)

Mais cedo o “Álvaro” metesse o pau no ninho de vespas, neste caso no peditório da restauração, mais cedo as vespas começariam a escarafunchar as suas cuecas que neste caso assumem a forma de aplicação das poupanças, investimento que, com quatro meses de atraso em relação à compra de acções de duas empresas portuguesas, mas apenas uma semana depois do Álvaro ter metido o pau no ninho, foi “denunciado” pelo jornalismo de causas anticapitalistas que habita a redacção do Avante da família Azevedo.

«O SNS é um tesouro». Quanto mais precisam menos têm

O diagrama mostra que à medida que passamos das classes médias-altas (A+B) para as classes baixas, é maior a dependência exclusiva do SNS e maior a probabilidade de doença e não, não estou a sugerir que a utilização do SNS causa a pobreza. 

mais liberdade

Estou a constatar que a pobreza conduz à dependência de um serviço estatal cada vez mais degradado, ou, sabendo-se que os pobres que trabalham em empresas com seguros de saúde podem optar e optam pela saúde privada, para ser mais rigoroso, direi que são cada vez os mais pobres e os mais velhos que não têm alternativa ao SNS.

A UGT como só representa 8% dos trabalhadores compensa com a representação dos partidos e o Dr. Centeno, que nunca teve de fazer despedimentos, debita bitaites

mais liberdade

O diagrama ilustra algo óbvio para qualquer criatura que não tenha as meninges contaminadas pelo pensamento milagroso: a estagnação de produtividade com o aumento dos salários é o caminho certo para a pobreza relativa. Para sair desse caminho muita coisa tem de mudar a começar pelos empresários, mas, já que estamos a tratar da lei laboral, algumas modificações serão indispensáveis e uma delas é aumentar a flexibilidade do emprego que permita aos empresários reduzir o pessoal sem fechar a empresa e despedir toda a gente, em alternativa a optarem pela “precariedade” e recorrerem maciçamente aos contratos a prazo. É neste contexto que devemos olhar para as posições de sindicatos, que representam sobretudo funcionários públicos e trabalhadores com emprego vitalício e são dirigidos por gente ao serviço de partidos que ocultam informação.

É claro que também se pode aderir às visões de criaturas como o Dr. Centeno que numa conferência garantiu, do alto da sua ciência como economista do trabalho, que nunca dirigiu uma empresa sujeita à concorrência em que tivesse de tomar decisões de despedimento, que o «mercado de trabalho não tem défice de flexibilidade». Ou então ler o que escreveu com muito mais realismo o Conselho das Finanças Públicas sobre o mercado de trabalho no seu relatório «Perspetivas Económicas e Orçamentais 2026-2030»:
«Para a resiliência do mercado de trabalho contribui a elevada proporção de empresas que ainda identificam a dificuldade em contratar pessoal qualificado como um fator limitativo da atividade, fomentando a retenção de mão-de-obra (labour hoarding) perante choques adversos que se assumem ser maioritariamente temporários.»

27/04/2026

Crónica da passagem de um governo (47a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Matias ainda não percebeu que não é por invocar o Altíssimo que o milagre acontece

Quando falava na AI Summit 2026 na quarta-feira, o ministro da Reforma lá voltou com o seu mantra «Portugal tem condições únicas para atrair a indústria do futuro da inteligência artificial» o que até poderia não ser um disparate se ele quisesse referir que as condições de Portugal são raríssimas de tão fraquinhas.

Terá o Dr. Matias tido uma epifania percebendo por que não acontece o milagre?

Nessa mesma conferência, o Dr. Matias também deu indícios de que anda a ler o (Im)pertinências que já aqui escreveu que «a transformação digital no Estado sucial dos Pequeninos não é em vez de, é em cima de» e disse:
«Não vale a pena digitalizar aquilo que é complexo, não vale a pena digitalizar aquilo que é antiquado… a criar uma camada de burocracia digital em cima da burocracia física».
Louvado seja o Senhor, Dr.

Se há “reformas” que nunca deixaram de se fazer são as reformas por idade

Como as dos 900 polícias que o Dr. Luís Neves anunciou irão ser aposentados este ano ao mesmo tempo que nos tranquilizou com o anúncio de 1.400 (= 600 + 800) novos agentes que entrarão mitigando a gravíssima carência de pessoal do Estado sucial policial.

O Dr. Tiago diz que o “cancelaram”

O Dr. Tiago Antunes, ex-secretário de Estado do Eng. Sócrates e suporte do Simplex e do Câmara Corporativa, dois blogues criados para promoção do Animal Feroz, foi proposto para Provedor de Justiça pelo PS e aceite pelo PSD e o Chega. Não passou no parlamento e queixou-se ao Expresso «fui vítima de cancelamento». O semanário de reverência com a simpatia que os amigos do Eng. Sócrates sempre lhe merecem, ofereceu-lhe 1.100 (mil e cem) palavras em metade de uma "broadshit" para se lamentar.

«Pagar a dívida é ideia de criança»?

BdP
«Palavras para quê? É um artista português!»

O peditório da restauração, o Álvaro e o príncipe Vassíli

O sector da restauração que com o Dr. Costa foi bafejado por uma descida do IVA inútil para aumentar a procura (foi absorvida pelo aumentos dos preços) e muito útil para melhorar as margens dos “restauradores”, voltou ao peditório queixando-se de uma crise que consiste em ter crescido «desde 2019, … 69% em termos nominais e 25% em termos reais», como salientou o governador do BdP Dr. Santos Pereira, o “Álvaro”, incorrendo num crime de lesa peditório severamente punido pela opinião pública. E é este o quid da questão porque o Álvaro está a gastar preciosa munição, melhor usada nas guerras que são de sua conta ou, como escreveu alguém, não seguindo o conselho do príncipe Vassíli a quem Tolstói pôs na boca sábias palavras sobre a «influência … um capital que é preciso guardar bem para que não desapareça».


(Continua)

25/04/2026

Mitos (354) - O dia em que o Estado Novo começou a ser substituído pelo Estado novo

Por falta de tempo e porque os 25 de Abril tendem a ser todos iguais, republico o post do ano passado que ainda me parece actual.

Tivemos os 48 anos de Estado Novo que, sendo uma ditadura sonsa e beata, não deixou de ser uma ditadura encalhada no tempo, tentando endoutrinar as crianças e os jovens com a Mocidade Portuguesa e organizar os adultos com a Legião Portuguesa, com uma polícia política que vigiava e punia uma oposição fraca quase resumida ao Partido Comunista e garantia que do simulacro de eleições saísse sempre o mesmo resultado. Um Estado Novo que nos manteve numa miséria pacata, onde para usar um isqueiro era preciso ter uma licença (as fábricas de fósforos eram propriedade de eminências do regime) e só nos anos 60 com a adesão à EFTA (European Free Trade Association) se iniciou um período de crescimento interrompido pelo golpe militar. Uma ditadura que tentou, contra as tendências da história, manter um império colonial que nunca chegou a ser império e consumiu as energias de uma geração numa guerra impossível de ser vencida.

Uma ditadura que não sobreviveu quase cinco décadas sem a adesão das elites, dos situacionistas e dos oportunistas (alguns deles viraram a casa) e com a passividade, mansidão e conformidade de um povo traumatizado pela incompetência, violência e instabilidade da 1.ª República. Uma ditadura que se desfez como um castelo de cartas com um simples golpe militar, cuja génese deve mais ao sindicalismo militar e menos à ideologia e aos grandes princípios, golpe militar cavalgado pela única força política organizada.

O Estado Novo e o Estado novo vistos por
João Abel Manta
Com o mesmo povo, gradualmente menos passivo e menos conformado, chegámos ao PREC de onde quase saiu uma ditadura pior do que a do Estado Novo, tivemos a reforma agrária e as nacionalizações que expropriaram o "capitalismo monopolista", desmantelou-se o sector financeiro, hoje quase totalmente controlado por capital estrangeiro, a indústria foi reduzida a microempresas e PME e a uma ou outra sobra das grandes empresas industriais. Foi construído um Estado sucial pletórico, que faliu três vezes nos últimos 50 anos, controlado pelos novos situacionistas e povoado  por um número de funcionários (780 mil) que é o dobro da soma dos "servidores do Estado" (200 mil) com os mobilizados para a guerra colonial (170 mil). As Forças Armadas foram reduzidas a uma tropa pelintra, desmoralizada, mal equipada e incapaz de defender o país. O ensino público foi gradualmente infectado por ideologias neo-marxistas a um grau que rivaliza com a endoutrinação no ensino do Estado Novo mas fica longe do seu grau de exigência técnica. A qualidade do pessoal político degradou-se e a maioria dos ministros do regime actual não teriam por incompetência técnica lugar num governo do Dr. Salazar ou do Dr. Marcelo. O resultado é um país ultrapassado pelos países saídos das ruínas do império soviético, com uma economia pouco competitiva de baixa produtividade, endividado e dependente dos dinheiros europeus.

No final ficámos com o arbítrio mais livre e, em consequência, com menos desculpas, o que só por si é positivo.

23/04/2026

NPD. Confirmed diagnosis (2) - Dear devotees of Mr. Trump, you have been warned

Exactly four months ago, I wrote about Mr. Trump's narcissistic personality disorder and added that this is not a matter within Mr. Donald Trump's private domain. The syndrome of exacerbated narcissism leads the subject to choose his team not based on competence, but on their ability to flatter him and make decisions, not in the national interest, but according to whims and his need to be constantly flattered. In the case of the President of a State, once an uncontested world power that commands the second-largest nuclear arsenal, this syndrome is particularly dangerous.

It has now come to light that Chief of staff Susie Wiles «was concerned aides were giving the President a rose-colored view of how the war was being perceived domestically, telling Trump what he wanted to hear instead of what he needed to hear.»

But things got so out of control, and the escape from reality went so far that the former yes-men «kept the president out of the room as they got minute-by-minute updates because they believed his impatience wouldn’t be helpful, instead updating him at meaningful moments, a senior administration official said.»

Therefore, we have to agree with The Atlantic when it wrote: «A president whom aides do not view as reliable and steady is a danger in any situation, but the war in Iran has brought many of these issues to the fore. In the lead-up to the war, which Trump launched without consulting Congress, making a case to the American people, or assembling allies, many of his aides believed that Trump was not taking seriously the risks and trade-offs involved, according to Jonathan Swan and Maggie Haberman of The New York Times. (The fact that these aides have voiced none of these concerns publicly but said enough privately that the comments leaked later does not speak well for the Cabinet’s judgment or courage.)»

22/04/2026

Um Serviço de Desenvolvimento de Identidade de Género pode ser uma espécie de clínica do Dr. Mengele (6) - Atropelados pela realidade

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5)

«Duas notícias recentes sugerem que médicos que prescrevem procedimentos de transição irreversíveis para adolescentes devem levar a ameaça legal a sério. A primeira foi uma indemnização de $2 milhões para um único paciente em Nova York em 30 de janeiro.

O caso dizia respeito a uma mulher chamada Fox Varian. Após uma infância difícil, a Sra. Varian começou a sofrer de depressão e ansiedade. Ela também foi diagnosticada com autismo. Com 15 anos, ela se identificava como rapaz. A sua psicóloga teria alertado a sua mãe de que ela corria risco de suicídio se não fizesse a cirurgia.

Em Dezembro de 2019, aos 16 anos, a Sra. Varian passou por uma mastectomia dupla. Longe de melhorar, sua saúde mental piorou. Em 2022, ela decidiu fazer a detransição. No ano seguinte, ela entrou com uma acção por erro médico contra a sua psicóloga e o seu cirurgião. Foi o primeiro processo desse tipo movido por um detransicionador a ser apresentado a um júri americano. "Eu tinha 16 anos e estava realmente, realmente mentalmente doente, obviamente", disse a Sra. Varian ao tribunal, segundo o Free Press. O júri concedeu a ela $1,6 milhão por dor passada e futura e $400.000 por custos médicos futuros.

21/04/2026

Crónica da passagem de um governo (46b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 46a)

Mal não fará (Marcos 16:18), mas assim não vamos lá

Já o escrevi, os centros de dados recorrentemente anunciados com investimento de milhões de euros usarão resmas de megawatts produzidos em incontáveis hectares cobertos por painéis solares fabricados na China e contribuirão com dúzias de empregos semi-qualificados. O anúncio pela AWS European Sovereign Cloud da Amazon descrito pomposamente pelo Expresso como «uma nova infraestrutura europeia de computação em nuvem concebida para responder às exigências de soberania digital da União Europeia» não é excepção.

O governo merece todas as críticas, menos as estúpidas

O Dr. Montenegro foi incinerado pela oposição durante o debate quinzenal que teve lugar no parlamento na semana passada à pala da inflação em geral e do aumento dos combustíveis em particular, acusado de insensibilidade por não derramar mais subsídios, ou seja, por não espremer uns portugueses com impostos para dar a outros. O Dr. Ventura destacou-se nas baboseiras esmerando-se a apresentar a diferença de preços da gasolina entre Elvas e Badajoz à vista, mostrando um desvelo pelo socialismo que faria inveja ao Dr. Sánchez, responsável pelo milagre dos preços de Badajoz.

É indispensável saber quem são os clientes das empresas dos políticos. Os doadores dos partidos é segredo de Estado

A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECPF) vai passar a retirar das lista de doações aos partidos os dados pessoais que identifiquem os doadores.

«Pagar a dívida é ideia de criança», dizia o Eng. Sócrates

O governo do Dr. Montenegro parece estar a seguir o conselho do Animal Feroz. Segundo o relatório da UTAO as amortizações das OT têm vindo a ser chutadas para a frente e o período 2026-2039 irá exigir um grande volume de reembolsos.

Canários na mina de carvão

As más notícias multiplicam-se e as boas notícias não são notícias, são pensamento milagroso para aliviar o povo. O BdP já tinha reduzido a previsão de crescimento de 2,3% para 1,8%. O CFP tirou agora 0,2 pontos percentuais à estimativa de crescimento, subiu a da inflação para 2,9% e prevê um défice nas contas públicas. O FMI prevê um crescimento de apenas 1,9% e a inflação a subir de 2,1% para 3,1% e um défice de 0,1%. E pronto, é o que há.

20/04/2026

Crónica da passagem de um governo (46a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Prestação Social Única, a reforma do século

Frequentemente no Portugal dos Pequeninos as reformas consistem em aprovar leis em cima das existentes mantendo intocado o essencial. A criação da Prestação Social Única, à qual o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) dedica 500 milhões, é só mais um exemplo de manter oito ou mais prestações sociais, incluindo o Rendimento Social de Inserção (RSI), agregando-os. Sim, leram bem. O verbo não é eliminar ou, vá lá, simplificar. O verbo é «agregar», por 500 milhões. Por sorte, a coisa está atrasada e os 500 milhões estão em risco.

O peão socrático falhou a Provedoria de Justiça

O Dr. Tiago Antunes, ex-secretário de Estado do Eng. Sócrates e suporte do Simplex e do Câmara Corporativa, dois blogues criados para promoção do Animal Feroz, foi proposto para Provedor de Justiça pelo PS e aceite pelo PSD e o Chega. Na votação teve apenas 104 dos 151 votos necessários. A única surpresa é ter conseguido pelo menos 46 votos não socialistas.

Tribunal de Contas defende o Relatório Minoritário

O Tribunal de Contas, queixou-se pela boca da sua presidente de o governo «procurar denegrir a imagem do Tribunal perante a opinião pública» e, espantosamente, considerou para justificar a manutenção do visto prévio que «os gestores ficam com a sensação que podem fazer tudo sem serem condenados», fazendo o papel do juiz que no filme de Spielberg “Relatório Minoritário” manda prender os criminosos antes de os crimes serem cometidos.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS». Medicamentos que criam diabéticos, emagrecer não sai barato e as verrugas saem caras

Em cinco anos o número de diabéticos aumentou 12%, tudo por causa do Ozempic e outros medicamentos para o diabetes do tipo 2 que, por coincidência, também servem para emagrecer. Afinal era uma fraude que custou ao SNS 250 milhões.

Muito mais baratos - apenas pouco mais de 800 mil euros - ficaram os pagamentos indevidos por mais de 500 cirurgias dermatológicas adicionais no Hospital de Santa Maria.

Governar ao ritmo dos telejornais e no final mais uma reforma (aumentar o número de chuis)

Os telejornais do fim de semana da Páscoa atulharam-se de notícias dos 20 mortos nas estradas. Sem surpresa, o inefável ministro da Administração Interna Dr. Luís Neves apressou-se a manifestar a sua «profunda preocupação e consternação» e a prometer medidas estratégicas «muito em breve».

Estamos no Portugal dos Pequeninos com o seu Estado sucial governado por um governo que se pretende reformista e por isso ninguém ficará surpreendido se souber que as medidas "estratégicas" anunciadas nos dias seguintes consistiram em constatar a falta de polícias (*) e reactivar a Brigada de Trânsito da GNR extinta em 2007 e, como não poderia faltar numa reforma, um novo Código da Estrada.

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(*) Para se perceber a crónica falta de polícias, remeto para as duas dezenas de posts que escrevemos sobre esse momentoso problema que assola o Estado sucial do nosso Portugal dos Pequeninos que se encontra no sexto lugar no ranking da UE  do número de chuis por 100 mil habitantes.
 
(Continua)