Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

28/07/2026

Crónica da passagem de um governo (60b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 60a)

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central». Até ao lavar dos cestos ainda é vindima

Em Julho de 2020, depois do governo do Dr. Costa pela mão do Dr. Caldeira Cabral ter feito o favor de comprar a EFACEC à Dr.ª Isabel dos Santos, o Dr. Siza Vieira começou a tentar vendê-la anunciando todos os meses que a venda iria ter lugar e lá torrando mais uns milhões e mais garantias. Cinco anos depois, o Tribunal de Contas estimou que a festa iria ficar por 564 milhões, dos quais seriam recuperáveis uns 400 milhões. Isso foi antes da Mutares – a empresa alemã que comprou a EFACEC - ter exigido à Parpública o pagamento de responsabilidades financeiras no âmbito do mecanismo de compensação que podem atingir até 80 milhões de euros.

Se o Estado “lucrasse com a guerra” seria a única actividade lucrativa do Estado

O líder socialista Dr. Carneiro teve uma epifania e, a propósito do aumento dos preços dos combustíveis, acusou o Governo de «lucrar com os sacrifícios dos portugueses», no que foi prontamente desmentido pelo Dr. Leitão Amaro, que garantiu que «o Estado não lucra com a guerra». Com discussões desta elevação, ficámos a saber que governo e oposição estão atentos à opinião pública devidamente galvanizada pelas incontáveis páginas de jornais e dezenas de minutos dos telejornais dedicados a este tormentoso assunto.

Não. O Estado não falhou. O Estado fez o que costuma fazer

O ministro da Educação admitiu que o “Estado falhou na digitalização das avaliações para explicar por que muita coisa correu mal num processo em que a única coisa que correu bem foi o agitprop dos poderes fácticos instalados, apoiado pela comentadoria e multiplicado pelo jornalismo de causas para aproveitar o que correu mal para tentar correr com um ministro que meteu o pau no vespeiro com algumas medidas. Por exemplo, flexibilizou o processo de contratação dos profs pelas escolas, simplificou a substituição de profs, mobilizou profs aposentados e fora da profissão, reduziu a burocracia, digitalizou processos, concentrou funções administrativas, aumentou a autonomia das escolas, proibiu os telemóveis nos primeiros ciclos; reduziu a carga ideológica do programa de Cidadania e Desenvolvimento, alterou o RJIES do ensino universitário que obrigará as universidades e  a reverem os seus estatutos, mexeu na investigação fundindo a FCT e a ANI na AI2 com uma gestão mais empresarial e independente.

É sempre possível ficar pior do que está

mais liberdade

As trapalhadas do Dr. Luís Neves e as teorias da conspiração

A inegável gravidade das acções agora expostas do Dr. Neves quando pousado na Judite só é claramente ultrapassada pelo ridículo da pequenez das trafulhices e não é preciso comparar com a multiplicação do património de Donald Trump desde que tomou posse, basta comparar com a multiplicação do património do Sr. Eng. Sócrates. É por essa e por muitas outras que o nosso torrãozinho natal também é conhecido por "Portugal dos Pequeninos".

«Pagar a dívida é ideia de criança»?

Banco de Portugal

O endividamento total da economia (Estado, empresas não financeiras e famílias) continuou a crescer muito acima do PIB nominal e aumentou 6,4 mil milhões em Maio, dos quais 2,9 mil milhões do sector público. Vem a propósito registar que, no primeiro trimestre, dívida pública da UE aumentou para 82,9% do PIB e Portugal está muito bem classificado no quinto lugar com 91%.