Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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14/06/2026

Lost in translation (375) - Greve geral significa uma greve parcial dos funcionários públicos (II)

Continuação de Lost in translation (374).

BdP

Quem tenha consultado a lista de 66 páginas com 990 entidades afectadas pela greve, publicada pela CGTP, spin-off do Partido Comunista para as greves dos funcionários públicos, já teria concluído que impacto da greve geral foi ridiculamente insignificante e não terá razões para ficar surpreendido com a divulgação pelo BdP do Indicador diário da atividade económica (DEI) do Banco de Portugal dessa semana, de onde se conclui que ocorreu uma redução da actividade económica ao redor dos 5%.

04/06/2026

Lost in translation (374) - Greve geral significa uma greve parcial dos funcionários públicos


Ontem, tivemos mais outra greve dita geral envolvendo pouco mais do que os ocupantes da vaca marsupial pública, alguns dos quais também se manifestaram contra o que chamaram pacote laboral, pacote cuja putativa adopção não teria quaisquer efeitos relevantes sobre esses ocupantes com empregos vitalícios protegidos do stress da concorrência. A esmagadora maioria das "vítimas" do pacote, os trabalhadores do sector privado, dos quais só em cada quinze está sindicalizado, continuaram a trabalhar nas empresas ou em teletrabalho suportando o desconforto da escassez de transportes públicos paralisados pelos ocupantes das referida vaca e a indisponibilidade dos serviços públicos nomeadamente das escolas e dos hospitais públicos.

O impacto da greve geral foi tão ridiculamente insignificante que a CGTP, spin-off do Partido Comunista para as greves dos funcionários públicos, publicou no seu site uma lista de 66 páginas com 990 entidades afectadas pela greve, a saber:
  • 24 Empresas privadas com "produção parada" do milhão e meio de Micro e PME que existem em Portugal;
  • 215 organismos públicos encerrados dos cerca de 4.200 organismos públicos existentes;  
  • 15 organismos públicos com serviços mínimos;
  • A restante miscelânia de entidades, com taxas de adesão à greve de 45% a 100%, dos quais quase todas são organismos públicos, entre eles:
    • Cerca de 200 organismos ligados a câmaras municipais;
    • Cerca de 270 escolas e creches;
  • Com dificuldade, lá se conseguem encontrar algumas micro e PME, lista que inclui alguns  departamentos de empresas privadas (por exemplo a loja de Eiras da Auchan, um posto de abastecimento da BP, Lidl de Alcochete e de Tondela, o Posto logístico da Sonae na Azambuja e outra miudezas). 
A única novidade nas manifs com layout e slogans do século XIX, onde se viam cartazes a reclamar "pão" e a protestar porque o "custo de vida aumenta", foi a sua parasitagem por áctivistas (provavelmente os mesmos áctivistas das mudanças climáticas) que usaram a violência e provocaram a resposta, por vezes violenta, da polícia.

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Alteração do entrada do Glossário das Impertinências:

Greve geral (sindicalês)

Uma greve de muitos empregados do Estado, devidamente protegidos das agruras do mundo real, cujos "direitos" não são afectados, e de alguns trabalhadores de empresas privadas; greve convocada quando o governo não é de esquerda, por sindicatos que representam menos de um sexto dos trabalhadores, que reclamam ter mobilizado a maioria dos trabalhadores, greve geralmente com impacto limitado que é convocada para a véspera de um feriado, sexta-feira ou segunda-feira, acompanhada de manifs com cartazes do século XIX e parasitada por áctivistas violentos.

29/12/2025

Greve geral (sindicalês). Nunca tão poucos se fizeram passar por tantos

Um aditamento à NOVA ENTRADA PARA O GLOSSÁRIO DAS IMPERTINÊNCIAS: Greve geral

mais liberdade

Olhando para o gráfico, percebe-se que exista implícita nas centrais sindicais e nos sindicatos ou, mais exactamente, nos partidos que controlam o movimento sindical, uma certa nostalgia dos sindicatos "nacionais" do Estado Novo e da "unicidade sindical" do PREC.

02/11/2024

As personae non gratae da clique putinesca continuam a sofrer da vertigem das alturas ou de envenenamento por novichok

Há duas semanas Mikhail Rogachev, antigo vice-presidente da empresa de energia Yukos, caiu de uma janela do 10.º andar de um edifício em Moscovo. Este ano foi o décimo russo da lista das personae non gratae da clique putinesca morto em circunstâncias suspeitas. Segundo estas contagens de mortes suspeitas, em 2022 foram 27 e em 2023 foram 25.

É altamente provável que estas contagens não incluam todas as mortes aparentemente encomendadas pela clique putinesca. Por exemplo as mortes da jornalista Inessa Papernaya, do seu noivo Maxim Radchenko e do empresário uzbeque Khushnud Udekov ocorridas mais ou menos na mesma altura de Rogachev não estão na referida contagem.

Conta-se como anedota que os actuários italianos do ramo Vida conseguem prever com uma razoável precisão o número de mortes na Sicília e os que pertencem à Mafia vão mais longe e prevêem com total precisão quem serão os mortos. Poderia dizer-se o mesmo das previsões dos actuários do Федеральная служба безопасности Российской Федерации das mortes no grupo das personae non gratae da clique putinesca.

02/03/2023

Dúvidas (353) - Saberá o líder do PCP fazer contas?

Já se tinha concluído que evitar com a privatização da TAP extorquir aos contribuintes mais de três mil milhões de euros é para o Sr. Paulo Raimundo um crime económico. Agora ele acrescenta que «é um crime económico que nós vamos pagar muito caro nos próximos anos». 

Como assim? Se é certo que os accionistas privados compraram em 2015 uma participação de 61% na TAP por uma tuta-e-meia (*), o que dizer a essa participação ter sido recomprada também por tuta-e-meia pelo governo do Dr. Costa que a pretende agora privatizar de novo, depois de lá torrar mais de três mil milhões de euros dos impostos dos seus súbditos? Não seria mais adequado classificar como crime económico a nacionalização da TAP?  

(*) Sobre a operação que os accionistas privados fizeram com a Airbus pela troca de um leasing pela aquisição, remeto para este post e o artigo do Jornal Eco «Como Neeleman controlou a TAP com dinheiro da própria companhia».

12/02/2023

SERVIÇO PÚBLICO: Para ajudar a compreender a mística putiniana e a atracção que exerce sobre o conservadorismo no Ocidente


Slavoj Žižek, é um professor de filosofia esloveno, desalinhado e com tendência para o paradoxo, actualmente director do Instituto Birkbeck da Universidade de Londres. Aqui no (Im)pertinências é sobretudo conhecido por ter dado o nome, ainda que negue ser o autor, ao trilema de Žižek postulando que num regime autocrático, como o comunismo, ninguém poderá ser simultaneamente honesto, apoiante sincero do regime e inteligente.

O artigo que vou citar de seguida, publicado pelo Expresso (sob licença do Project Syndicate) com o título «Morte ou Glória na Rússia», aborda o regime putinista numa perspectiva pouco usual mostrando como instrumentaliza a tradição russa e a religião cristã ortodoxa para contaminar as mentes e impor a sua ordem despótica e corrupta, o que em consequência ilumina as razões por que muita gente conservadora no Ocidente se deixa fascinar pelo Czar Vladimiro.

Para quem o autointitulado semanário de referência (de reverência, como aqui parodiamos) suscitar anticorpos e for um obstáculo à leitura, sempre digo que o Expresso é uma instituição democrática com defeitos e qualidades. Publica coisas detestáveis, como um lip service regular à esquerdalhada, nomeadamente ao PS, como publica opinião desalinhada de gente com independência e qualidade intelectual,

«Voam rumores na Rússia relativos a manobras veladas sobre quem substituirá o Presidente Vladimir Putin, uma vez que a sua guerra de agressão na Ucrânia falhou de forma tão desastrosa. Uma luta desta natureza não pode deixar de expor as patologias mórbidas da política russa. Os principais intervenientes não são partidos políticos organizados, mas antes bandos de oligarcas que presidem aos vários nodos informais do poder.

Isto explica porque é que a força militar da Rússia mais eficaz na linha da frente com a Ucrânia, o mercenário Grupo Wagner, nem sequer faz parte do exército russo. A Rússia é hoje uma terra de senhores da guerra, algo que normalmente se associa a Estados-pária e Estados falhados. Os seus líderes atuais e aspirantes estão a traficar sonhos febris de glória no campo de batalha. Está implícita nesta cultura marcial uma perspetiva hobbesiana da vida como solitária, pobre, desagradável, brutal e curta — e com um valor cada vez menor.

09/02/2023

Dúvidas (350) - Para um comunista, evitar extorquir aos contribuintes três mil milhões de euros é um crime económico?

«Nós somos completamente contra essa ideia [da privatização da TAP]. É um erro que, a concretizar-se, será um crime económico. E nós faremos tudo para contrariar essa ideia», disse à agência Lusa Paulo Raimundo, o secretário-geral do PCP.

À Agência Lusa (a Tass do Portugal dos Pequeninos) não lhe ocorreu questionar o camarada Raimundo se considerou crime económico o governo da gerigonça, apoiado pelo seu partido, usar dinheiro dos contribuintes para pagar uns milhões para ter 50% da TAP, mais 3.200 milhões para a manter no ar e no final anunciar que poderá vender a sua participação por 900 milhões.

08/02/2023

Não volte Dr. Pedro Nuno porque não lhe perdoamos a mixórdia de incompetência e pesporrência a que nos sujeitou


Numa peça com o saboroso título «Volta, Neeleman, estás perdoado!», a jornalista Isabel Stilwell concluiu que a explicação para os «3,2 mil milhões despejados diretamente para o bueiro da TAP» pode ter sido a mesma «razão (por que) os pais do Dr. Nuno Pedro mandaram-no para a política, mantendo-o assim longe do próspero negócio de marroquinaria que conduzem com desvelo e mestria». 

Acrescento que aquilo que perceberam os pais do Dr. Pedro Nuno (especulo que a inversão dos nomes próprios da criatura não tenha sido uma distração da jornalista) não esteve ao alcance do discernimento do Dr. Costa, o que não admira porque o Dr. Costa nunca conseguiria criar e manter um negócio, de marroquinaria ou qualquer outro, excepto o negócio de tráfico de influências a que se dedica com esforço e proveito.

05/02/2023

Tal como a esquerdalhada, ao usar a mitologia nazi-fascista, a clique putinesca está a ver-se ao espelho

Nas palavras de um artigo sonso não assinado do Diário de Notícias, o «Regime de Putin comemora 80 anos da vitória soviética na atual Volgogrado (antiga Leninegrado Estalinegrado) para traçar paralelismo com a invasão à Ucrânia». O artigo cita também um Andrei Oreshkine e uma Tatiana Prikazchikova que em nome do povo russo abençoam a tese putinesca que, no essencial, troca o papel do agressor pelo do agredido.

A propósito de novas sanções anunciadas pelo Canadá, também Maria Zakharova, a porta-voz de Sergei Lavrov, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, evocou o Terceiro Reich.

Essa evocação da mitologia nazi-fascista, com o seu culto da nação ariana, do seu Fuhrer e do nacionalismo agressivo, é um equívoco porque a evocação seria muito mais apropriada à clique cleptocrática putinista, que usa o complexo imperialista russo e procura a legitimação na igreja do patriarca Cirilo, do que a qualquer das democracia ocidentais, incluindo as defeituosas.

25/01/2023

O pedronunismo como alternativa ao costismo, pior a emenda do que o soneto


O Dr. Pedro Nuno Santos, líder do pedronunismo, candidato a substituir o Dr. Costa e ex-ministro das Infraestruturas, é o mais directo responsável por dois dos maiores desastres da governação socialista, a saber: a maior torrefacção de euros num só disparate - a TAP e a incapacidade total de aplicar uma política de habitação que nunca se chegou a saber qual seria. Apesar disso, ou talvez por causa disso, concita grande admiração entre quem vê nele uma figura capaz de fazer pontes com comunistas e berloquistas para reconstruir uma geringonça 2.0 e também entre os patetas que se deixam fascinar por criaturas com pose e voz grossa. 

Saiu do governo para não ser apanhado na mentira e aparentemente para preparar seu futuro como putativo sucessor do Dr. Costa. Por isso, quando se lê uma peça que conclui que «O primeiro-ministro parece ter pedido a mão no controlo da governação. E as coisas dificilmente se vão emendar. O processo de degenerescência não tem volta.» e tem o título "E se a solução for a saída de Costa e o PS encontrar um novo primeiro-ministro?", é difícil não imaginar que já está em marcha um processo de recuperação seguida de tentativa de entronização do Dr. Pedro Nuno. 

16/10/2022

In case the failure of the invasion of Ukraine leads to a coup who will succeed the Tsar? The siloviki court will handle that.

« The main challenge to Putin’s power, then, comes not from the street but from within the regime itself. (...)

Institutionally, the Kremlin has for years been effectively an extension of the Federal Security Service, or FSB. The three most powerful men in Russia today are all current or former FSB chiefs – Putin himself, the Security Council chairman Nikolai Patrushev and the current FSB head Alexander Bortnikov. They met in the Leningrad KGB in the mid-1970s and have known and worked with each other for nearly half a century. Most other top Kremlin mandarins – for instance the Rosneft head Igor Sechin, the foreign intelligence chief Sergei Naryshkin and many more – are also drawn from that same tiny Leningrad KGB circle, leavened by a few of Putin’s old friends from his time as deputy mayor of St Petersburg in the 1990s.

For these people, the question of who is eventually chosen to succeed Putin is much less important than who does the choosing. (...)

Modern Russia is not just a security state but literally a state that has been taken over by its own security services. Putin is the ultimate decision-maker and arbiter in various disputes between rival factions inside that extended FSB-connected ruling class. And insofar as a ‘collective Putin’ exists, it’s composed of a tiny group of very closely connected, very paranoid old men whose chief goal is to preserve their wealth and power and pass it on to their children and protégés.

So when we consider whether regime change is possible in Russia, what we are really wondering is whether some outside force could ever challenge the rule, not of Putin himself, but of the extended FSB clan that currently holds ultimate political and economic power.

(...)

If the Russian army suffers a serious collapse and the country moves into a revolutionary situation, such nationalist firebrands will be the Kremlin elite’s most dangerous foes. It is much more likely, however, that the FSB clique around Putin will respond to a rising tide of nationalist anger and frustration by becoming more nationalist and authoritarian themselves. They may make Kadyrov defence minister or appoint Prigozhin to a senior ministerial post. But Kadyrov’s and Prigozhin’s ambitions in themselves do not present a fundamental challenge to the power of the ruling FSB clan which controls serious military force, and has a stronghold on Russia’s media and politics.

The power of the extended FSB dwarfs that of any potential challengers except for one: a rising, angry people who feel cheated of victory by their corrupt leaders. That revolution is likely to be as chaotic and ugly as the one which followed Russia’s last catastrophic military defeat in 1917 – and will doubtless begin, as the previous one did, with angry soldiers on remote train platforms railing against the tsar’s corrupt ministers. »

Excerpt from Kremlin crack-up: who’s out to get Putin?, Owen Matthews, The Spectator

05/04/2022

BELIEVE IT OR NOT! "An open Eurasia from Lisboa to Valadivostok", says Tsar Vlad's hand man

Realnoe Vremya

Dmitry Medvedev has been one of Vladimir Putin's most trusted men and alternated with him in 2008 in the presidency and was prime minister from 2012 to 2020. 

I can't wait to see the siloviki, apparatchik, oligarchs, kleptocrats and all those people strolling through Chiado and their yachts moored at the Expo marina.

10/02/2022

«Middle income trap», disse a Dr.ª Elisa

Na conferência de imprensa de apresentação do 8.º Relatório da Coesão, a Dr.ª Elisa Ferreira, comissária europeia da Coesão e Reformas, referindo-se às «regiões de rendimento intermédio ou menos desenvolvidas, especialmente no sul e no sudoeste, (que) estão a sofrer de estagnação económica ou declínio (...)  foram atingidas pela crise económica e financeira de 2008 e estão a ter dificuldade em recuperar desde então» explicou que essas regiões, que abrangem todas as regiões (NUTS) portuguesas salvo a PT17 (Área Metropolitana de Lisboa), estão numa armadilha de rendimento médio («middle income trap»).

No caso português, com a excepção da Área Metropolitana de Lisboa, todas as outras regiões tiveram desde a adesão um PIB per capita bastante abaixo da média da UE, por razões conhecidas que incluem factores políticos, sociais, culturais e económicos, tais como um Estado omnipresente que não aprecia os "privados", aversão ao risco e à concorrência, mão-de-obra pouco qualificada, défice de gestão e descapitalização que explicam a persistente a baixa produtividade, etc. Por isso, no caso português explicar que estão numa armadilha de rendimento médio, pareceu-me excêntrico até para a Dr.ª Elisa.

Pareceu-me, até que recordei a proverbial excentricidade do seu pensamento político e económico que mostrou, por exemplo, quando foi candidata pelo PS à Câmara do Porto, em simultâneo com a candidatura ao parlamento europeu, onde, como então disse, «vou só dar o nome e volto», e explicou aos velhinhos de um lar que visitou «pintaram [a vereação de Rui Rio] os bairros, mas esqueceram-se de vos dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS».

14/04/2021

Alguém do PS está a tentar pôr a cabeça de fora da fossa séptica socialista

«Medina quebra silêncio do PS: comportamento de Sócrates "corrói o funcionamento da nossa vida democrática" »

Este blogue tem sido particularmente crítico deste putativo sucessor do Dr. Costa, não obstante, e por isso mesmo, estamos à vontade para registar algo de original entre os novos situacionistas que mantêm o prudente silêncio dos merdosos medrosos.

18/03/2021

Os observatórios como lugar geométrico do nepotismo e da lei de Parkinson no Portugal dos Pequeninos

Enviaram-me uma lista dos "Observatórios" existentes em Portugal que circula por aí e parece ter algumas imprecisões. Ainda assim, a lista é impressionante: 119 observatórios, cada um com uns quantos apparatchiks o que perfaz centenas de tenças. Suspeito que a maioria desses observatórios tenha sido criada por governos socialistas, mas os governos do PS-D não devem estar inocentes. 

[Leitura recomendada para quem não conheça: Parkinson Law revisited, um post já velhinho do outro contribuinte]

A lista completa:

1) Observatório dos medicamentos e dos produtos da saúde
2) Observatório nacional de saúde
3) Observatório português dos sistemas de saúde
4) Observatório da doença e morbilidade 
5) Observatório Vida
6) Observatório do ordenamento do território

13/01/2021

Como o PSD de Rui Rio foi cúmplice das manobras do PS de Costa para dificultar as candidaturas de grupos de cidadão empobrecendo a democracia

Em complemento deste post sobre a criação de mais 600 freguesias para instalar apparatchiks, recomendo a quem, como eu, não se tenha apercebido da manobra para dificultar as candidaturas de grupos de cidadãos, a leitura deste artigo de Sofia Afonso Ferreira, do qual respigo os parágrafos seguintes: 

«Em agosto passado, PS e PSD alteraram a lei das Eleições Autárquicas dificultando a vida aos pequenos partidos, movimentos e independentes. Nas últimas eleições autárquicas, em 2017, concorreram perto de 950 grupos de cidadãos, dos quais resultaram a eleição de 17 presidentes de câmara e cerca de 400 presidentes de junta de freguesia.

As alterações prejudicam sobretudo as candidaturas independentes a Assembleias de Freguesia, ao ser exigido agora que tenham um grupo diferente daquele que o mesmo movimento propõe para a candidatura à Câmara Municipal e Assembleia Municipal. Assim como um grupo de cidadãos que apenas se candidate a uma junta de freguesia não terá direito a subvenção do Estado, uma vez que as subvenções são pagas em função do número de eleitores na Assembleia Municipal, à qual não se podem candidatar.

Outra questão é a recolha de assinaturas exigidas que é sempre proporcional ao número de eleitores inscritos. Tomando por exemplo a Câmara Municipal de Matosinhos, e tendo por referência o número de habitantes nas últimas eleições autárquicas, para concorrer são precisas quatro mil assinaturas que, se multiplicadas para as dos restantes órgãos autárquicos, poderão chegar às 15 mil. Ora, se para concorrer ao cargo de Presidente da República, a lei exige 7.500 assinaturas, por aqui se pode ver o absurdo da imposição.»

02/01/2021

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Depois não se queixem (actualização)

Recapitulando:

Em 2011 com o pedido de resgate (pelo PS) foi negociado e aceite (pelo PS) um memorando de entendimento que incluía a medida «3.44. Reorganizar a estrutura da administração local. Existem actualmente 308 municípios e 4.259 freguesias. Até Julho 2012...»

Pressionados pelos aparelhos do PSD e CDS, o governo não conseguiu mexer nas câmaras, mantendo o absurdo de 117 câmaras em concelhos com menos de 10 mil habitantes. Mas fê-lo nas freguesias reduzindo o seu número para 3.091.

Vem agora o governo socialista do Dr. Costa, pela boca da ministra da Modernização do Estado, fazer o Estado recuar 10 anos com a criação de 600 freguesias.

É nisto que consistem as "reformas" socialistas e o seu racional é muito simples: fazer a freguesia eleitoral feliz aumentando o número de lugares disponíveis para colocar alguns milhares de apparatchiks. Cada nova freguesia dará entre 9 a 19 lugares na assembleia de freguesia e entre 1 a 7 lugares na junta de freguesia. Se a média das novas freguesias andar pelos 15 novos lugares, o PS oferecerá 9 mil novos lugares para apparatchiks.

Sem surpresa, os comunistas aproveitaram a boleia e apresentaram uma das suas facturas para se absterem na votação do OE 2021: querem mais 100 mil funcionários públicos em quatro anos e 25 mil já em 2021. O governo PSD-CDS reduziu 70 mil funcionários entre 2011 e 2015 e passou 660 mil ao PS que, mesmo sem ultimatos do PCP, os aumentou para 700 mil em 2019 e 705 mil em Junho deste ano, mais 15 mil em 12 meses. Imagine-se esses batalhões propostos pelos comunistas em cima de todo este exército de utentes da vaca marsupial pública. Ficará um exército eleitoral imbatível da esquerdalhada, a ser pago com o resultado da mineração do guito europeu em que o PS se está a especializar.

Actualizando:

No passado dia 28 o governo do Dr. Costa apresentou ao parlamento a proposta de Lei 68/XIV em que 
define o regime jurídico de criação, modificação e extinção de freguesias da qual resultará se aprovada (já tem garantido os votos do PS e do PCP) que podem ser criadas freguesias com um mínimo de 900 eleitores e no interior (que inclui mais de 200 freguesias) com um mínimo de 300 eleitores. Talvez convenha saber que das 3.091 freguesias existentes cerca de três quartos têm menos de mil residentes e  a média desta últimas é cerca de 445.

07/10/2020

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Depois não se queixem

Em 2011 com o pedido de resgate (pelo PS) foi negociado e aceite (pelo PS) um memorando de entendimento que incluía a medida «3.44. Reorganizar a estrutura da administração local. Existem actualmente 308 municípios e 4.259 freguesias. Até Julho 2012...»

Pressionados pelos aparelhos do PSD e CDS, o governo não conseguiu mexer nas câmaras, mantendo o absurdo de 117 câmaras em concelhos com menos de 10 mil habitantes. Mas fê-lo nas freguesias reduzindo o seu número para 3.091. 

Vem agora o governo socialista do Dr. Costa, pela boca da ministra da Modernização do Estado, fazer o Estado recuar 10 anos com a criação de 600 freguesias.

É nisto que consistem as "reformas" socialistas e o seu racional é muito simples: fazer a freguesia eleitoral feliz aumentando o número de lugares disponíveis para colocar alguns milhares de apparatchiks. Cada nova freguesia dará entre 9 a 19 lugares na assembleia de freguesia e entre 1 a 7 lugares na junta de freguesia. Se a média das novas freguesias andar pelos 15 novos lugares, o PS oferecerá 9 mil novos lugares para apparatchiks. 

Sem surpresa, os comunistas aproveitaram a boleia e apresentaram uma das suas facturas para se absterem na votação do OE 2021: querem mais 100 mil funcionários públicos em quatro anos e 25 mil já em 2021. O governo PSD-CDS reduziu 70 mil funcionários entre 2011 e 2015 e passou 660 mil ao PS que, mesmo sem ultimatos do PCP, os aumentou para 700 mil em 2019 e 705 mil em Junho deste ano, mais 15 mil em 12 meses. Imagine-se esses batalhões propostos pelos comunistas em cima de todo este exército de utentes da vaca marsupial pública. Ficará um exército eleitoral imbatível da esquerdalhada, a ser pago com o resultado da mineração do guito europeu em que o PS se está a especializar.

20/07/2020

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O governo socialista como barriga de aluguer dos impulsos censórios do esquerdismo

«Na verdade, o que se anuncia é um dos mais violentos atentados contra a liberdade de expressão que Portugal conhece há décadas! Como quase sempre, sob a aparência de causas nobres (contra o racismo) e de sentimentos elevados (contra o ódio), o que na verdade se propõe é o estabelecimento de um cânone de virtudes e de um catecismo de valores. Os governantes e os cientistas sociais que assim se exprimem pretendem a “monitorização” dos discursos, actividade aparentemente inócua. O que na verdade querem é o estabelecimento de uma ordem. Para que serve “monitorizar”? Não tenhamos dúvidas: é um eufemismo para vigiar, policiar, registar e fiscalizar. É o que fazem as polícias, a PIDE, a KGB, a STASI e outras, vivas ou defuntas. É o que sempre fizeram as censuras. De repente, estas pessoas encontram o pretexto ideal: um partido fascista e um deputado xenófobo! Contra esse mal, desembainham espadas e alinham artilharia. Revelam-se os censores que são. (...)

Depois do manifesto inquisitório, os pezinhos de lã do governo disfarçam as botifarras da censura. Parece que o governo vai abrir democrático concurso para aprovar cinco projectos de monitorização das expressões e das narrativas! Sempre com motivos nobres, claro: denunciar o ódio e observar o racismo! (...)


Entre governantes, grupos fanáticos e académicos apostados em destruir a universidade e substitui-la por fuzileiros do pensamento, está a criar-se um clima que faz lembrar a Censura salazarista, o Macarthismo, o Jdanovismo soviético… Com algumas diferenças. Antes, eram as polícias e os tribunais. Hoje, são agências de comunicação e universidades que se prestem a tal serviço.»

Monitorizar o pensamento, António Barreto

«Em Portugal, a liberdade é muito difícil» escreveu há muitos anos Alçada Baptista. Após 46 anos de democracia asmática, a liberdade é cada vez mais difícil porque os portugueses não a apreciam e estão dispostos a abdicar dela por quase tudo, desde o medo até um prato de lentilhas. Isso acarreta uma responsabilidade acrescida para quem a liberdade é tão importante como o ar que se respira.