Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

15/06/2026

PUBLIC SERVICE: The Nanny State finances everyone, those who don't need it and even terrorists


«Terrorists, hostile states and gangsters have been given more than £28bn of taxpayers’ money, including through aid payments, according to a secret government report.

The Telegraph can reveal details of a dossier showing that billions of pounds went to organised crime, with millions going to Russia and Islamic State.

It demonstrates that foreign aid and Covid relief loans were appropriated on a vast scale by Britain’s enemies, with the money beyond reach and those who took it unpunished.

More than £28bn ended up in the hands of those wishing to harm Britain between 2015 and 2021, according to the report, which was commissioned and produced by the Cabinet Office but was buried during the previous government.

Sources said it was never made public to save the government from the political embarrassment of revealing the huge scale of misdirected funds.

The Telegraph can reveal the existence of the document, believed to be the first assessment of how much taxpayer money has gone on to fund national security threats. It includes:

  • Grants given to companies linked to the Russian state
  • Covid loans sent to Islamic State terrorists
  • Investment in research for companies linked to the Chinese military.»

Continue reading in the Telegraph

14/06/2026

Lost in translation (375) - Greve geral significa uma greve parcial dos funcionários públicos (II)

Continuação de Lost in translation (374).

BdP

Quem tenha consultado a lista de 66 páginas com 990 entidades afectadas pela greve, publicada pela CGTP, spin-off do Partido Comunista para as greves dos funcionários públicos, já teria concluído que impacto da greve geral foi ridiculamente insignificante e não terá razões para ficar surpreendido com a divulgação pelo BdP do Indicador diário da atividade económica (DEI) do Banco de Portugal dessa semana, de onde se conclui que ocorreu uma redução da actividade económica ao redor dos 5%.

13/06/2026

ESTÓRIAS E MORAIS: Saberão eles o que é um líder forte que se borrife para o parlamento e as eleições?

Estória
  
Expresso

Em que partidos votaram esses 50% dos portugueses? Resistiriam esses 50% dos portugueses a um líder forte que adoptasse medidas indispensáveis, tais como o aumento da idade da reforma e/ou o aumento das contribuições para a Segurança Social e/ou a redução das pensões, o emagrecimento do Estado sucial, a qualificação e profissionalização dos quadros e a meritocracia da administração pública, a flexibilização da legislação laboral, incentivar a concorrência e o combate à cartelização, criar forças militares capazes de travar uma guerra moderna, etc. (um grande etc.)?

Recordemos o coro de protestos e queixas durante os anos da intervenção da troika que forçou o governo a tomar medidas indispensáveis, mas duras.

Em vez de culparem a democracia, que lhes permite escolher de acordo com os seus preconceitos, esses eleitores deveriam sentir-se responsáveis pelos seus preconceitos e pelas suas escolhas fundadas nesses preconceitos.

Já agora, olharam esses 50% para a História e viram os inúmeros exemplos de líderes fortes que se borrifaram para o parlamento e as eleições e foram tão incompetentes para governar como os líderes fracos e foram sobretudo competentes para impedirem as oposições de apresentarem alternativas?

Moral

Disse um líder forte que não se borrifou para o parlamento e as eleições, dois anos depois de as ter perdido, após ter enfrentado uma ameaça existencial para o seu país, ameaça conduzida por um outro líder forte que se borrifou para o parlamento e as eleições: 

«Many forms of Government have been tried, and will be tried in this world of sin and woe. No one pretends that democracy is perfect or all-wise. Indeed it has been said that democracy is the worst form of Government except for all those other forms that have been tried from time to time.…»

12/06/2026

A defesa dos centros de decisão nacional (36) - Os seguros inseguros

Outras defesas dos centros de decisão nacional.

Recordemos, uma vez mais, os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que, passado algum tempo, venderam a estrangeiros as suas empresas e as inúmeras declarações no mesmo sentido da esquerdalhada em geral. Recordemos também que esta necessidade de vender o país aos retalhos resulta do endividamento de públicos e privados e da descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses.


Os diagramas anteriores mostram as fases mais relevantes da evolução da repartição do mercado entre seguradores portugueses e estrangeiros, medida pelos Prémios Brutos Emitidos, ou seja, pelo Volume de Negócio dos seguradores.

Decorridas cinco décadas do mantra do "nacionalizado, nosso" do PREC, a estrutura do mercado inverteu-se completamente, com os seguradores controlados por grupos estrangeiros detendo mais de 90% do mercado.

A Caravela, detida pelo empresário Mário Ferreira do grupo Mystic Invest e da Pluris Investments, maior acionista da Media Capital, e pelas famílias Violas e Quintas, é ainda um dos seguradores sobrantes. Por pouco tempo, porque está a ser negociada a sua venda à Allianz, o maior grupo segurador europeu em capitalização bolsista e activos. Diz-se que a Lusitânia, do Montepio, é outro sobrevivente que pode ser vendido em breve.

11/06/2026

MAGA is a product of the decline of American democracy and an agent of its acceleration

«Belief in democracy as a core pillar of American identity is eroding, with only about two-thirds of U.S. adults now stating that a democratically elected government is highly important to the nation's identity, a sharp drop from 80% in 2021.

The poll reveals a widening generational divide over American exceptionalism, as 44% of adults under 30 say there are other countries better than the U.S., compared to just 22% of Americans aged 60 and older who feel the same way.

Skepticism surrounding the "American Dream" has become mainstream, with 51% of all respondents stating that the ideal—that hard work guarantees success—once held true but no longer does in the current economic landscape.

Deep partisan splits persist regarding the nation's global standing and values, as roughly half of Republicans view the U.S. as standing above all other countries compared to only 7% of Democrats, while 76% of Democrats see a mix of global cultures as essential to the U.S. compared to 40% of Republicans.

The data highlights a broader feeling of national unease, contrasting sharply with local and federal planning for the upcoming "America 250" celebrations commemorating the 250th anniversary of the United States' founding.»

(Groundnews)

10/06/2026

CASE STUDY: A Administração dita Pública?

mais liberdade

Como se pode confirmar, é vasta a colecção de posts deste blogue em que se cita ou referencia a Dr.ª Clara Ferreira Alves, também conhecida como Pluma Caprichosa. Se concluirem que esta vasta colecção indicia uma certa fixação nessa luminária do jornalismo doméstico, não vejo como negar. A fixação explica-se por boas e más razões e, no que me diz respeito, as boas razões radicam no facto de a Dr.ª Clara ser uma pessoa portadora de uma inegável erudição e porque, surpreendentemente, estou por vezes de acordo com o que escreve. As más razões são: a sua ostensiva Cóltura, o seu cosmopolitismo pedante e, sobretudo, aquele faux pas (a coisa é contagiosa) da entrevista apologética ao Sr. Eng. Sócrates, a pedido do seu ídolo Dr. Soares.

Nos últimos tempos, a Dr.ª Clara tem andado desiludida com o curso das coisas e tem escrito sobre as trivialidades do Portugal dos Pequeninos, como fez a semana passada com o seu artigo com o título A Administração dita Pública em que se lamenta da odisseia da renovação do seu passaporte (um utensílio indispensável para continuar a exercitar o seu cosmopolitismo). 

Vale a pena ler essa peça porque é um retrato da inépcia, incompetência, ineficácia e ineficiência do aparelho administrativo do Estado sucial. E, no entanto, isso não será por falta absoluta de dinheiro porque a despesa pública em Portugal está acima da média da OCDE, apesar de, como o gráfico acima mostra, a sua composição diferir da média na Protecção social (mais oito pontos percentuais), nos Serviços públicos gerais (menos três p.p.) e, ao arrepio do discurso oficial, na Saúde (menos três p.p,) e na classe residual Outros (menos quatro p.p.). Se fosse só um problema de dinheiro - e não é - dir-se-ia que o Estado português gasta demasiado a dar colo aos cidadãos em detrimento do funcionamento da sua máquina administrativa.

09/06/2026

Crónica da passagem de um governo (53b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 53a)

Boa Nova

Por mais do que os 2/3 necessários, Portugal foi eleito pela Assembleia da ONU como membro não-permanente do Conselho de Segurança. Mais do que o alegado prestígio internacional que as elites caseiras e o jornalismo de causas, dando a graxa a si próprios, atribuem aos 134 votos, este resultado é sobretudo a consequência de uma presença inócua na política internacional que não gera anticorpos. Não, esta não é uma consideração negativa do papel de Portugal.

É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença

Ao ficar a saber-se que dos cerca 5,3 milhões de empregados em Portugal mais de um milhão tiveram o ano passado baixas por doença (muitos deles por autodeclaração), cujos subsídios foram em média diária 2,3 milhões de euros, lembrei-me deste post do outro contribuinte, cujo título roubei, que enumera umas dezenas de maleitas que assolam milhões de portugueses explicando assim a pletórica frequência de baixas por doença.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

No mês de Abril bateu-se mais um recorde do número de “utentes” (acho esta palavra um achado para designar os cidadãos que não usam o SNS) sem médico de família (MdF) que atingiu em Abril o bonito número de 1.646.279, segundo o Portal da Transparência do SNS.


Conforme se vê no gráfico, a coisa veio sempre a subir desde Agosto de 2019 e atingiu o máximo em Maio de 2023, depois de dezenas de promessas do Dr. Costa de atribuir um MdF a todos os utentes.

Sem pretender limpar a folha do Dr. Montenegro que em tempos se atribuiu a missão impossível de resolver num ano os problemas do SNS, e que deixou escorregar os 1.565.880 utentes sem MdF que recebeu do Dr. Costa em Abril de 2024, para 1.646.279 dois anos depois, terei de conceder que a missão de salvamento do SNS fica difícil com a propensão dos utentes para a doença.

O Dr. Montenegro está a disparar para o lado a bazuca do Dr. Costa

O Conselho das Finanças Públicas e a Unidade Técnica de Apoio Orçamental alertam para uma execução de apenas 45% do PRR a um ano do termo. Será que o governo leu “O Vício dos Fundos Europeus” de Nuno Palma e concluiu que o dinheiro de Bruxelas faz parte do problema e não da solução?

O governo chutou as filas de espera para a Bruxelas que as devolve

O governo tentou chutar para Bruxelas a responsabilidade pelos problemas de implementação do Entry/Exit System (EES) para controlo dos passaportes que começou a funcionar em Outubro do ano passado, teve de ser suspenso em Dezembro e voltou a funcionar em Abril multiplicando as filas de espera nos aeroportos. A CE responde que os «tempos de espera mais longos, não estão relacionados com quaisquer problemas no funcionamento do Sistema de Entrada/Saída» e que «na maioria dos Estados-membros o processamento dos registos de primeira vez demora, em média, pouco mais de um minuto». Talvez seja porque nenhum desses países tem «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA».