Em 2003 a construção do Hospital Oriental de Lisboa ou Hospital de Todos os Santos foi considerada prioritária (ver aqui a estória resumida). Desde então o projecto andou de Herodes para Pilatos e, por último, 100 milhões dos contribuintes europeus via PRR que iriam financiar uma das alas ficaram comprometidos por atraso na construção.
O Estado sucial é lerdo até a gastar o dinheiro dos outros
Dos 21,9 mil milhões do PRR, cerca de 70% (13,7 mil milhões) já foram torrados numa multidão de projectos, muitos deles sem retorno que justificasse o dinheiro neles torrado. Dos restantes 30% uma parte irá provavelmente perder-se porque os projectos não serão aprovados até 31 de Agosto. Irá perder-se? Depende da perspectiva. Do lado de lá é uma poupança, do lado cá são uns dinheiros que dariam jeito para disfarçar o marasmo.
Quereis reformas? Ora tomai lá disto
No caso de incumprimento do dever de diligência, um gestor privado é civilmente responsável pelas perdas sofridas pela empresa, pelos seus sócios e terceiros, pelos credores sociais e ainda por incumprimento fiscal, podendo (e nalguns casos devendo) dispor de uma garantia financeira.
No Estado sucial importa apenas a ignorância. A especialidade é irrelevante
O mês passado foi nomeado um enfermeiro para a coordenação da EMER 2030, um zingarelho para acelerar o licenciamento de projetos de energias renováveis. Dado o escândalo, umas semanas depois foi nomeado em substituição do enfermeiro um advogado, actual vogal da junta de freguesia de Alvalade.
O Estado sucial é um caloteiro
Pódio dos
caloteiros (Fonte) |
E, no entanto, o eleitorado não parece preocupado com a governação
Como mostra a sondagem ICS/ISCTE para o Expresso, as maiores insatisfações dos eleitores são com aquilo pelo qual o governo não pode fazer muito: custo da habitação (74% de insatisfeitos), custo de vida (64%) e corrupção (63%).
(Continua)
