Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

21/07/2019

CASE STUDY: Um imenso Portugal (52) - Bolsonaro foi eleito pela corrupção extrema do pêtismo

[Outros imensos Portugais]

«O ex-ministro Antonio Palocci afirmou, em acordo de delação premiada homologado pela Justiça, que alguns dos principais bancos do país fizeram doações eleitorais que somam R$ 50 milhões a campanhas do PT em troca de favorecimentos nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Em trechos de sua delação obtidos pelo GLOBO, Palocci citou casos envolvendo Bradesco, Safra, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Banco do Brasil. O interesse das instituições, de acordo com o ex-ministro, ia de informações privilegiadas sobre mudanças na taxa básica de juros, a Selic, até a busca por apoio do governo na defesa de interesses das instituições e seus acionistas.» (O Globo)

20/07/2019

CASE STUDY: Trumpologia (48) - Podem queixar-se deles próprios

Mais trumpologia.

«Our analysis of polls and election results suggests that President Trump’s Electoral College advantage may be even larger than it was in 2016» concluiu o New York Times.

A infelicidade que é para os americanos terem um narcisista demagogo como presidente, com um provável segundo mandato à vista, deve-se menos aos seus admiradores do que aos seus detractores que inspirando repugnância àqueles a quem Hillary Clinton chamava deplorables inspiram complacência em relação ao Donaldo. O próprio NYT para isso contribui com as suas constantes notícias e duas ou três newletters diárias obsessivamente focadas no Donaldo, verdadeiros exercícios de double-standards.

Os quereres do berloquismo


Li com pasmo este inventário de Helena Matos dos 15 quereres do Berloque de Esquerda, só este mês e até hoje, que vão desde o «alargar dispensa de três horas para levar filhos à escola ao privado» até ao «englobar rendimentos prediais e de capitais no IRS».

É o esquerdismo não já como «doença infantil do comunismo» mas como doença senil do socialismo, com a actualização da palavra de ordem no PREC dos pais e tios dos actuais berloquistas de «os ricos que paguem a crise» para «os contribuintes que paguem a festa».

19/07/2019

Primeiro cria-se o problema, depois arranjam-se soluções que criam outros problemas e assim sucessivamente



«O Ministério da Educação lançou hoje uma campanha para sensibilizar pais, alunos, professores e diretores escolares a adotar medidas que reduzam o peso excessivo das mochilas, como o uso partilhado dos manuais de forma rotativa.»

Primeiro, adoptam-se mais de mil manuais para o ensino básico e secundário, muitos deles redundantes e uma boa parte inútil que nem sequer é usada pelos alunos - perguntem aos vossos filhos e aos dos vossos amigos.

De seguida, obrigam-se os alunos a carregarem os manuais todos os dias para a escola.

Depois, os alunos queixam-se aos pais, que se queixam aos professores, que se queixam aos apparatchiks do ME pelo peso excessivo nas costas dos alunos.

Para "resolver" o problema juntam-se umas dúzias de apparatchiks do ME para parirem a «campanha “Mochila Leve” com 22 medidas de planificação, gestão do material escolar e iniciativas que envolvem os encarregados de educação e quem trabalha nas escolas

Inicia-se assim um novo ciclo que vai complicar tudo e, dentro de algum tempo, juntam-se outras dúzias de apparatchiks para parirem mais medidas para resolver o problema criado pelas anteriores, problema que até pode ser nenhum se, como é provável, a campanha “Mochila Leve” não produzir quaisquer resultados.

18/07/2019

CASE STUDY: Trumpologia (47) - O que sabem 137 democratas que os outros não sabem?

Mais trumpologia.

Na última contagem eram duas dúzias de candidatos democratas a competirem para disputarem a presidência ao Donaldo.

A complicar as coisas para os democratas, ontem quarta-feira, a Câmara de Representantes reprovou uma tentativa de impeachment de Trump pelas suas declarações que a Câmara condenou como racistas, acusando-o de ter ridicularizado e desacreditado a administração. Os representantes democratas dividiram-se na votação e só 95 aprovaram a moção que foi reprovada por 137. (NYT)

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (88) - A queda anunciada de um esquerdista senil às mãos do seu lugar-tenente


«We’ll have a new prime minister next week, but who will he be up against? Maybe not Jeremy Corbyn, says Isabel Hardman: the plot to depose the Labour leader is stepping up because Tom Watson, his deputy, has hatched a plan. Watson would like to build a centrist answer to Momentum, the Corbynite campaign group, and his aim is to harangue Corbyn until he quits.» (Spectator)

17/07/2019

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: A polícia dos costumes já chegou aos talhos

Segundo o Movimento Democrático de Mulheres, o anúncio seguinte «ajuda a manter estereótipos de género, a disseminar e a naturalizar o desrespeito pelas mulheres enquanto seres humanos, desrespeito esse que incita à submissão, ao escárnio e à própria violência contra as mulheres.» (Público)


Pelo contrário, a imagem seguinte da campanha da marca Suistudio em 2017 da holandesa Suitsupply ajuda a combater os estereótipos de género, a disseminar e a naturalizar o respeito pelas mulheres enquanto seres humanos.

Quem disse que os africanos não fazem parte da Cristandade?

«O grande erro de MF Bonifácio (pessoa que, sublinho, abomino e de quem repudio tudo o que escreve, seja artigos académicos, crónicas nos jornais ou recados para a mãe) foi não ser de esquerda. O segundo, foi ter sido factualmente incorrecta e logo desmentida pela realidade. Bonifácio (que, lembro, esconjuro e decreto que lhe salguem o útero, para que não nasçam Bonifacinhos racistas) disse que os africanos não fazem parte da Cristandade e, passados dois dias, Mamadou Ba veio contradizê-la ao demonstrar que está perfeitamente integrado na cultura desse momento-chave da Cristandade que é a Inquisição. O nosso Torquemada dos Trópicos apareceu logo a exigir o respectivo auto-de-fé.»

José Diogo Quintela repôs aqui a verdade história deturpada por Fátima Bonifácio.

16/07/2019

Mais tarde ou mais cedo, as profecias do (Im)pertinências realizam-se



Ainda não chegámos lá mas estamos a caminho da minha profecia de há três anos:
Um dia chegará em que veremos um filme de James Bond dirigido por uma lésbica muçulmana, protagonizado por um James transexual do Soweto, um gay asiático como Bond girl e uma gueisha bissexual como Dr. No. E, para equilibrar as coisas, teremos na ópera um baixo maori a interpretar a Cio-cio-san da Madama Butterfly e um índio navajo no papel de Mr Pinkerton.
E, por falar em profecias, profetizo que dentro de uma década ou duas, o homem branco heterossexual será considerado uma espécie de género ameaçada pela International Union for Conservation of Nature (IUCN) e viverá em zonas protegidas para impedir a sua caça pelos outros 70 géneros.

Um amigo enviou-me há dias uma mensagem:
«Quando nasci era proibido ser gay. Depois passou a ser tolerado, desde que às escondidas... antes de ser aceite publicamente. Rapidamente se transformou num orgulho. Espero morrer antes que se torne obrigatório.»
Perguntei-lhe se estava com alguma doença grave.

Mitos (268) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (7) - «Quem acha que as mulheres devem ganhar mais, deve sintonizar sempre que pode a televisão para ver os jogos femininos»

Outros mitos: (1), (2), (3), (4), (5) e (6)

Este é um dos temas que mais se presta à demagogia e desonestidade intelectual que alimentam as ondas de indignação propagadas pelas redes sociais nas mentes fracas e pouco propensas à racionalidade. O texto que se segue é um exemplo, infelizmente raro, de uma abordagem séria do tema do equal pay no futebol.

«A liga inglesa de futebol partilha os direitos televisivos entre clubes, o que leva a que mesmo clubes do fundo da tabela possam vir comprar os melhores jogadores do Benfica ou do Porto. Podemos achar que isto é justo (ou não) da mesma forma que achamos que os portugueses ricos devem pagar muitos impostos (embora sejam mais pobres do que os ricos ingleses que pagam menos impostos) e os portugueses pobres receber subsídios. Mas ninguém de bom senso acha que a redistribuição fiscal deve ser tão intensa que ponha todos a ganhar o mesmo em Portugal depois de impostos.
Olhando antes para a fonte da discrepância salarial, ela está nos direitos televisivos. A imprensa britânica fez grande eco das audiências televisivas recorde neste campeonato do mundo. Quando a Inglaterra jogou contra os EUA na meia-final há dez dias, teve 11,7 milhões de espectadores, quando a final da Liga dos Campeões entre Liverpool e Tottenham só teve 11,3 milhões de espectadores. No entanto, novamente está-se a comparar bananas com maçãs. A comparação deve ser com a meia-final que a seleção inglesa jogou contra a Croácia há 12 meses no campeonato do mundo masculino. Esse jogo foi visto em média por 24,2 milhões de telespectadores.

15/07/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (196)

Outras avarias da geringonça e do país.

A minha renda é mais acessível do que a tua

Fernando Medina, o sucessor de Costa na câmara de Lisboa e presumível sucessor na liderança do PS, e Pedro Nuno Santos, líder da tendência pedronunista, ministro da Habitação e também candidato à sucessão em concorrência com Medina, iniciaram a disputa usando como ersatz os programas de renda acessível que ambos estão a promover, o primeiro para a cidade de Lisboa e o segundo para o país. É um poucochinho ridículo, mas cada um tem os sucessores que merece.

A família socialista tem imenso jeito para o negócio

André Matias de Almeida, irmão de Bruno Matias de Almeida, adjunto do secretário de Estado da Economia, nomeado pelo ex-secretário de Estado da Indústria João Vasconcelos para vários cargos dirigentes em fundos de apoio a empresas, foi agora empossado como porta-voz da Antran, a associação dos transportadores. (Fonte: Sol) Business as usual.

SERVIÇO PÚBLICO: Ele e os outros não viram, não ouviram, não sabiam de nada

«O Costa não tem 'tomates' para isso.» «Ele é um merdas.» (*)
«António Costa não achou estranho o licenciamento do Freeport? Nem teve um momento de perplexidade perante o processo de licenciatura de José Sócrates? Nunca lhe causou surpresa o estilo de vida do primeiro-ministro? A intervenção na TVI? A CGD? O BCP? A PT?… Nada. Nadinha. (...)

Mas o problema das declarações de António Costa não se esgota nesta inverosimilhança, aparentemente grosseira. Na verdade, para lá desta revelação quase anedótica sobre o que não percebeu, António Costa tenta habilmente passar a ideia de que os factos só foram conhecidos num depois que não se sabe ao certo quando aconteceu mas que há-de ter sido “depois”. Só que não foi depois. Foi “durante”, pois praticamente desde que José Sócrates se tornou primeiro-ministro que começaram a vir a público notícias que levantavam muitas dúvidas sobre a sua maneira de proceder.
Ao contrário do que declarou António Costa, os socialistas não só conheciam essas revelações como atacavam quem as fazia. Eram os tempos da “devassa”. Os diplomas de curso de Sócrates e as suas fichas na AR apresentavam várias incongruências? O que é que isso interessava? Era uma devassa. Como era possível José Sócrates manter aquele nível de vida? Lá vinha a devassa. O unanimismo soviético que os socialistas garantiam a Sócrates permitiu-lhe fazer o que quis

«PS, o partido com défice de atenção», Helena Matos no Observador

(*) José Sócrates nas escutas da Operação Marquês citadas pelo jornal SOL há dois anos.

14/07/2019

No estado da Nação o que é bom não se deve a Costa e o que se deve a Costa não é bom

Afinal qual é o estado da Nação? Segundo o Dr. Costa é um estado bom, segundo a oposição é um estado mau. Segundo comunistas e berloquistas, o estado da Nação tem dois estados: o estado bom que é sua obra e, vá lá, do pedronunismo (a parte boa do PS) e o estado mau, obra de Costa.

Segundo a imprensa do regime, o estado da Nação tem partes boas e, no caso da imprensa dita séria, aqui representada pelo semanário de reverência, tem parte menos boas. Para dar exemplos de partes boas, o emprego aumentou 318 mil e o desemprego caiu de 12,4% para 7,0%. O contributo do Dr. Costa para o primeiro foi "apenas" um aumento de 24 mil no número já pantagruélico de servidores do Estado, como lhes chamavam no antigo regime. Para o segundo, o contributo foi nenhum, visto que nunca existiu desemprego porque os servidores do Estado têm emprego vitalício. Outra parte boa citada foi o aumento das exportações que em percentagem do PIB passou de 40,4% para 43,6%. É um poucochinho exagerado atribuir ao Dr. Costa o aumento das exportações (aumento que de resto está a transformar-se em redução percentual...) porque a única coisa que o Dr. Costa tentou exportar, sem sucesso, foi a geringonça.

Ocorre-me, pois, a conhecida anedota do doutorando que plagiou a tese e a quem um dos arguentes disse «a sua tese tem parte boas que não são originais e partes originais que não são boas».

13/07/2019

Não sendo derrotado pela direita, será o PS de Costa derrotado pela realidade?

«A própria dinâmica cíclica do sistema de partidos faz com que o PS nunca consiga estar no poder mais de seis anos. Ou seja, o PS cumpre um mandato, onde destrói as potencialidades deixadas pelos governos de centro-direita anteriores, e depois, porque tem sempre o mesmo modelo de crescimento baseado na venda de ativos, crescimento pelo aumento da despesa pública e consumo privado, o que inevitavelmente leva ao desequilíbrio da balança comercial - e o mesmo padrão ético - captura do Estado com esquemas de rent-seeking e de corrupção - acaba por não cumprir o segundo mandato. Aconteceu isso como António Guterres e com José Sócrates e certamente, irá acontecer com António Costa: os socialistas dificilmente irão cumprir o próximo mandato até ao fim, mais uma vez.»

Excerto de «A sina socialista de não acabar o segundo mandato». Rui Teixeira Santos no jornal SOL

É bem provável. No caso de dúvida, recomenda-se a leitura das Crónicas da avaria que a geringonça está a infligir ao País que já vão no seu número 195, crónicas em que cada exemplar é um número e cada número é um exemplar - dito assim em homenagem ao Pif Paf de Millôr Fernandes em que «cada exemplar é um número e cada número é exemplar».

O eleitorado prefere o socialismo do PS à imitação do PS-D de Rio e do CD-S de Cristas

Sondagem Expresso/SIC
Sendo certo que as sondagens publicadas pelo Expresso têm uma merecida tradição de serem sondagens amigas (como as notícias, naturalmente) a diferença é tão grande que se torna patente que a oposição continua na situação de Zugzwang em que Costa a deixou.

12/07/2019

A patrulha berloquista dos costumes pretende recriar o delito de opinião

A historiadora Fátima Bonifácio escreveu no Público um artigo de opinião contra as quotas para as minorias raciais. Pode concordar-se ou discordar-se da sua tese e/ou dos argumentos com que a fundamenta. Concordo com a tese, não pelas razões que Fátima Bonifácio refere, as quais, aliás, me parecem disparatadas, e sem atenuantes vindas de uma historiadora.

Pode concordar-se ou discordar-se. O que não se pode, numa sociedade democrática e aberta, é criminalizar-se opiniões, como a SOS Racismo pretende, ao reclamar a punição de Fátima Bonifácio pelo seu artigo, apresentando uma queixa-crime ao abrigo do artigo 240.º do Código Penal, o qual sujeita a uma pena de prisão de um a oito anos quem:

«fundar ou constituir organização ou desenvolver atividades de propaganda organizada que incitem à discriminação, ao ódio ou à violência contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, ... ou participar na organização ou (nessas) actividades ...»

«publicamente, por qualquer meio destinado a divulgação (...) provocar atos de violência (...) difamar ou injuriar (...) ou ameaçar Difamar ou injuriar (...) ou incitar à violência ou ao ódio contra pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional (...)»


Que a SOS Racismo, uma organização semi-clandestina servindo o agitprop do Bloco de Esquerda usando temas raciais, se proponha pedir a prisão de Fátima Bonifácio pelas suas opiniões, fazendo-as equivaler às referidas actividades criminosas, não nos diz muito sobre essas opiniões. Diz-nos imenso sobre essa organização e os seus promotores que convivem mal com a liberdade de opinião e denunciam assim a sua génese ideológica inspirada no marxismo-leninismo e nas suas variantes trotskistas, estalinistas, maoístas, correntes que, após o colapso do império soviético e a conversão do comunismo chinês ao capitalismo de Estado, se viram obrigadas a camuflar-se sob a capa do politicamente correcto.