Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

03/07/2020

CASE STUDY: Parece um círculo vicioso, mas não é

Fonte: Newsletter Abr.-Jun. 2020, Ordem dos Economistas

Não investimos em I&D porque somos pobres ou somos pobres porque não investimos em I&D? Para o caso interessa pouco a relação causal, porque salvo uma nova aparição da Nossa Senhora de Fátima, desta vez aos pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam, para aumentar o PIB per capita é preciso aumentar a produtividade e para aumentar a produtividade são precisas várias coisas e entre elas um maior investimento em I&D.

Enquanto pensávamos no assunto, nós, os melhores dos melhores, segundo o presidente dos beijinhos, fomos sendo ultrapassados pelos sobreviventes do colapso do socialismo soviético: República Checa, Eslovénia, Eslováquia, Lituânia, Estónia, Hungria. Polónia e Hungria e os outros estão a caminho.

02/07/2020

Lost in translation (338) - A salvação de empresas segundo o pedronunismo

O ministro das Superestruturas Dr. Pedro Nuno Santos garantiu há dias no parlamento a respeito da TAP «não vamos ceder nas nossas condições e estamos preparados para intervencionar e salvar empresa».

Fiquei confundido. Então este ministro não é o que tutela a CP e outros elefantes brancos dos transportes públicos? Por via das dúvidas, submeti a declaração do ministro ao nosso web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data que a traduziu assim:
«Se não fosse o Lacerda que é amigo do primeiro e está contra porque perderia o tacho, eu nacionalizava já a TAP e inclui-a na lista das empresas subsidiadas.» 

Aprendam. É assim que as coisas se fazem desde que os comunistas soviéticos inventaram o agitprop


A estória é conhecida. Tudo começou quando um@ daquel@s imbecis da identidade dos 71 géneros escreveu qualquer coisa sobre «pessoas que menstruam». De seguida J. K. Rowling, a criadora de Harry Potter, arvorou-se em impertinente e, esquecendo que tinha um negócio a defender, brincou com a imbecilidade escrevendo que essas pessoas que menstruam costumavam chamar-se mulheres. Açulou, assim, inadvertidamente a tropa do politicamente correcto (PC) que enxameia as redes sociais e, cada vez mais, os jornais.

O incêndio propagou-se rapidamente e até a sua editora hesitou em publicar o último dos seus livros. Contudo, a tropa do PC e em particular a brigada LGBTIQQAAP não estava ainda satisfeita e queria atingir Rowling onde lhe dói mais: as vendas dos seus livros.
 
Era pois necessário criar uma reacção "viral" que infectasse as livrarias. Como? Um outro imbecil de nome Jarek Steele, «writer, bookseller, tree whisperer in variable order according to my whim», condenou a "transfobia" e declarou solenemente que a sua incógnita e merdosa livraria deixaria de vender os livros da Rowling. Segue-se o inevitável incêndio da redes sociais soprado pela tropa do PC e o jornalismo de causas em geral, na esperança que mais livrarias adiram ao justo repúdio da obra da pérfida Rowling e, acima de tudo, que isso sirva de lição os escritores adeptos do cis-heteropatriarcado.

Identitários de todo o mundo, ide catar os piolhos púbicos que infestam as vossas promíscuas genitálias! Vou já encomendar Harry Potters para oferecer aos netos dos amigos (os meus netos já estão devidamente fornecidos).

01/07/2020

O óbvio que deveria ser ululante em relação ao peditório da bazuca

Não fosse o Portugal dos Pequeninos dominado por elites medíocres com uma cultura extractiva que instila a mendicância na populaça e torna a dissidência um acto perigosamente revolucionário, o texto seguinte de Ramón O'Callaghan, dean da Porto Business School, seria de um óbvio tão ululante que não valeria a pena citá-lo. Como não é o caso, aqui vai.

«A chanceler alemã e o Presidente francês querem dar 500 mil milhões de euros aos países da UE mais afetados economicamente pelo “lockdown” da covid-19, especialmente os do Sul da Europa. Pretende-se que este fundo constitua uma doação incondicional. Com ele, a Alemanha está “a atravessar o Rubicão”. Pela primeira vez, está disposta a transferir dinheiro para o Sul da Europa. Embora a maioria dos Estados-membros da UE pareça apoiar a proposta, os chamados “Quatro Frugais” (Áustria, Dinamarca, Holanda e Suécia) estão contra.

Um artigo recente na revista holandesa Elsevier argumenta que esta proposta é perversa, pois os países do Sul da Europa (particularmente França e Itália) não são, de modo algum, pobres e têm acesso a dinheiro. De acordo com o Credit Suisse Global Wealth Report (a referência no que toca à avaliação de riqueza doméstica global), os alemães são menos ricos do que os franceses e os italianos. A riqueza média dos franceses é de 276.121 euros, e a dos italianos é de 234.139 euros. Mas para os alemães é de 216.654 euros. Assim, os alemães são, em média, mais pobres do que os franceses e os italianos. Os holandeses são um pouco mais ricos (279.077 euros).

De acordo com a mesma revista, o que os holandeses acham mais estranho é a acusação do Presidente francês, Emmanuel Macron, e do primeiro-ministro italiano, Guiseppe Conte, de que a Europa do Norte não é solidária. Isto é um disparate. A Alemanha sempre foi um contribuinte líquido para a União Europeia e para os seus antecessores. E a Holanda é, per capita, o maior contribuinte líquido para o orçamento da UE.

Dúvidas (299) - E se o pedronunismo defendesse a nacionalização da CP para resolver os problemas que o accionista não resolve?

«Governo vai demorar três meses a estudar reforço da Linha de Sintra (que pode nem acontecer)».

Repare-se: três meses a estudar e pode nem acontecer. Seria caso para o Dr. Pedro Nuno Santos, fundador do pedronunismo, terror dos banqueiros alemães e putativo candidato a sucessor do Dr.  Costa, reproduzir a propósito da CP o mesmo discurso que fez no parlamento há dois meses ameaçando os accionistas da TAP com um «a música agora é outra» e acusando-os de má gestão

Seria, não fosse o caso dele por coincidência ser o representante do accionista único da CP. Sendo assim, na falta de acordo com o accionista da CP porque não nacionalizá-la? O quê? Já está nacionalizada? Então talvez privatizá-la.

30/06/2020

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Take Another Plane ou Take Another Plan? (VIII)

«As discussões em Portugal começam sempre em pontos de partida sagrados e definidos pelo PS e pela restante corte socialista de Lisboa. O alegado debate continua a partir desta sacralização inicial e é ampliada por dezenas de comentadores que dizem exatamente a mesma coisa mil vezes; é como se fossem pagos para não pensar pela sua própria cabeça, é como se fossem pagos para não agitar águas, para manter uma dormência discursiva na sociedade portuguesa, uma mesmice que enfarta e adormece.

A verdadeira questão não é se o Estado deve entrar na TAP, porque a TAP não pode ser sagrada. Porque é que temos de manter dentro do erário público uma companhia aérea eternamente deficitária numa era em que há dezenas e dezenas e dezenas de outras companhias? A TAP, a meu ver, ou é privada ou não é. Ou se orienta sozinha ou pode falir como qualquer outra empresa, porque já não estou disponível para suportar a TAP enquanto contribuinte. Já chega, de facto, de Novos Bancos.»

Excerto de Você quer pagar a TAP ou o SNS?, Henrique Raposo no Expresso

NOTA: Este post é uma sequência deste e faz parte das dezenas que sobre a TAP publicámos em 17 anos (ver etiqueta TAP).

Dúvidas (298) - É o governo que aldraba os números da pandemia ou o vírus é "relativamente bonzinho"?

O outro contribuinte do (Im)pertinências tem tratado o assunto da pandemia com seriedade e rigor na série de posts De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. Não vou por isso acrescentar nada, a não ser a dúvida cartesiana enunciada no título do post que resulta da comparação da histeria generalizada com os factos conhecidos e a conclusão chocante para a verdade oficial da cientista Maria Manuel Mota. Como a dúvida me foi suscitada pelo título do texto do médico Tiago Tribolet de Abreu: Covid-19: afinal quão grave é esta doença? vou citar alguns curtos excertos.

Desde logo não se sabe se o número de “casos confirmados” é o número de pessoas com a doença Covid-19 porque «a presente definição de “caso confirmado” possui, em si mesma, uma enorme e grave incongruência, pois permite classificar como “caso confirmado” (pressupõe-se que de Covid-19) alguém sem qualquer manifestação de doença, em plena saúde, apenas com um teste positivo».

Dando de barato a questão da causa mortis que segundo o critério da DGS inclui "por Covid" e "com Covid", «para comparação, em 2019 morreram 111.793 indivíduos em Portugal. Ou seja, estes 1.549 mortos com teste positivo corresponderiam a 1,4% da mortalidade total em Portugal em 2019.

Também para comparação, cumpre referir que, de acordo com a DGS, terão morrido mais de 3.300 pessoas de gripe na época de 2018-2019» e, acrescento, ninguém se inquietou com o dobro das mortes.

Por isso, é razoável supor que ou bem os mídia sabem coisas que nós os humanos não sabemos, por exemplo que o governo aldraba os números da pandemia para não inquietar a populaça, ou bem a Dr. Mota tem razão e o vírus é «relativamente bonzinho».

29/06/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (39) - Em tempo de vírus (XVI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Correndo bem, é nossa realização. Correndo mal é problema deles

«O líder socialista, “visivelmente aborrecido”, pôs-se de pé e quis “deixar claro” que, se algo falhar, a culpa não será sua» e , dito isto, deu de frosques deixando S. Ex.ª a falar sozinho. Foi assim, segundo a Visão, que o Dr. Costa lavou antecipadamente as mãos se a coisa correr mal.

Ele deixou claro que não aceitou o lugar de primeiro-ministro para a choldra mal agradecida lhe pedir responsabilidades das mortes de Pedrógão Grande, das vergonhas de Tancos, das consequências dos ajuntamentos do 1.º de Maio ou dos espectáculos no Campo Pequeno ou das finais da UEFA ou da Festa do Avante. Por exemplo, a choldra que acagaçada se refugiou em casa deve agradecer-lhe a mitigação dos efeitos da pandemia e não responsabilizá-lo pelos efeitos devastadores na economia das medidas que tomou de parceria com o Dr. Rebelo de Sousa. Quereis outros exemplos? Culpai a pandemia da queda das exportações e do turismo e agradecei ao Dr. Costa o que ele exportou e os turistas que mandou vir.

A família Costa está já a trabalhar para o futuro

O presidente socialista da junta de freguesia de Campo de Ourique renuncia ao cargo e passa a pasta ao vogal Pedro Miguel Tadeu Costa que tem sido sido responsável pelo relacionamento com a câmara municipal de Lisboa de que é presidente o putativo sucessor na liderança do PS do seu pai, o Dr. Costa.

No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito

A semana passada o Dr. Costa informou o parlamento que o Dr. Leão, ex-secretário de Estado do Dr. Centeno e seu sucessor na pasta das Finanºas, tinha proposto ao seu governo a nomeação do Dr. Centeno para governador do Banco de Portugal, onde será fiscalizado por um conselho de auditoria por ele nomeado e onde terá nas mãos os casos do Banif e do Novo Banco, as mesmas mãos onde já estavam como ministro das Finanças.

Por uma daquelas felizes coincidências que os deuses reservam aos seus favoritos, o BCE a quem compete dar um parecer sobre o projecto de lei que altera as regras de nomeação e que se aprovado impediria o Dr. Centeno de ser agora nomeado, pediu mais quatro semanas. Em consequência, o parlamento não aprovará a lei antes na nomeação e permitindo ao Dr. Centeno ser governador do Banco de Portugal e ter finalmente um merecido descanso como gerente de uma sucursal do BCE com um salário superior em 100 mil euros ao salário do presidente da Reserva Federal americana.

Ser de esquerda é...

... fingir que se combate o racismo incentivando a vitimização das minorias étnicas e inventando "discriminações positivas" e depois queixar-se da discriminação pelas maiorias, em vez de remover os obstáculos à igualdade de oportunidades e criar incentivos para que essas minorias se auto-promovam.

A propósito, nova entrada para o Glossário das Impertinências:

Rácismo
A causa fracturante inventada pelo áctivismo para vitimizar minorias étnicas e servir de pretexto para a destruição de estátuas e outros supostos símbolos do rácismo. (*)

(*) Sim, eu sei, o definiendum está ser usado no definiens. Mas que fazer? Estamos no domínio surreal do áctivismo.

28/06/2020

Do lives only matter if they are black?


«The Cuban government continues to repress and punish dissent and public criticism. The number of short-term arbitrary arrests of human rights defenders, independent journalists, and others was lower in 2019 than in 2018, but remained high, with more than 1,800 arbitrary detentions reported through August. The government continues to use other repressive tactics against critics, including beatings, public shaming, travel restrictions, and termination of employment.»

Human Rights Watch, World Report 2020 Cuba

A pandemia é politicamente incorrecta. Mata conforme a classe social e o sexo

Spectator

27/06/2020

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (34) - O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho

Outras botas para descalçar

Recapitulando: o Dr. Galamba, actual secretário de Estado «para a Transição», que «frequentou um doutoramento em Filosofia Política na London School of Economics» (não me perguntem o que é frequentar um doutoramento) e foi uma espécie apoderado do Sr. Eng. José Sócrates, anunciou há três meses uma «mega fábrica de hidrogénio em Sines» em parceria com a Holanda. Seis dias depois a Holanda esclareceu que «ainda é cedo» para falar disso.

Desde então o Dr. Galamba, à míngua de obra «para a Transição», vem vendendo a sua imagem numa campanha pessoal a pretexto do hidrogénio, que tudo indica será mais um daqueles projectos megalómanos e economicamente inviáveis de que o animal feroz e agora os seus discípulos tanto apreciam para torrar dinheiro dos contribuintes.

Fiz referência há dias o artigo sobre o tema hidrogénio solar de Mira Amaral que desmistifica os fundamentos técnico e económico do balão do Dr. Galamba. No mesmo sentido, transcrevo de seguida um artigo de Clemente Pedro Nunes, um professor de engenharia que tem obra publicada sobre os temas da energia e em particular do hidrogénio:

 «E em vez de se enfrentar o problema da eletricidade intermitente com inteligência e eficácia, temos agora em consulta pública a Estratégia Nacional para o Hidrogénio, que propõe promover ainda mais potências intermitentes, pondo novamente os consumidores a pagar todos os custos e os promotores a ficarem com todos os benefícios.

O hidrogénio não é uma fonte de energia primária e, sendo um gás muito leve, exige pressões muito altas e temperaturas muito baixas para poder ser armazenado, o que implica custos e riscos muitíssimo elevados.

Tal como Sócrates e Pinho tinham feito em 2008, o pretexto mediático é que “Portugal vai salvar o planeta sozinho armazenando eletricidade através do hidrogénio”.

E, de novo, “os consumidores portugueses irão pagar por decreto o que for preciso por tecnologias que ainda não existem”, indo-se buscar aos fundos europeus, que se espera venham salvar a economia portuguesa, 7 mil milhões de euros para este “delírio tecnológico” que o próprio documento em consulta pública assume irá ter prejuízos até 2030.

Embora António Costa Silva tenha sido, em 2010, um dos defensores do lóbi das elétricas intermitentes, nomeadamente num artigo publicado no Expresso e intitulado “O plágio dos Orangotangos”, espera-se que, nas suas atuais funções de supervisor do plano económico para aplicar os fundos europeus, saiba defender o reforço das empresas de bens transacionáveis e não deixe que sejam utilizados num desastre tecnológico que põe em causa o que foi aprovado na Cimeira de Lisboa, em 2018.»

Excerto de A catástrofe da eletricidade intermitente: da dívida tarifária à bomba de hidrogénio, no jornal i.

26/06/2020

PAN, um partido vulgar de Lineu com os defeitos dos velhos e sem nenhuma das suas qualidades

É o deputado ao PE que rasga o cartão de sócio queixando-se do «constante afastamento de alguns princípios fundadores do partido». É a deputada municipal de Cascais, mulher daquele deputado, que se demite por «divergências políticas». É deputada por Setúbal que se queixa da «voz silenciada e a da capacidade de trabalho condicionada». É a comissão política da Madeira que acusa o «excesso de autoridade crescente imposto por um núcleo duro na direção do partido».


E talvez isso seja apenas o princípio. Parece um partido da espécie marxista-leninista-maoista cujos militantes costumam acusar-se de traidores uns aos outros e fraccionar-se em um partido por cada sacerdote. No caso do PAN, será que vamos ter um PAN por cada filo, classe, ordem, família, género e espécie?

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: No Portugal dos Pequeninos «sem “contactos” não se vai a lado nenhum»

«Mas nem sempre o sucesso das empresas depende apenas da qualidade dos seus gestores. Quando o regime capitalista é substituído pelo regime compadrista, muitos desses incentivos deixam de existir (há quem lhe chame “capitalismo de compadrio”, mas eu prefiro apenas “compadrismo” porque capitalismo e compadrio são expressões antagónicas). Se o sucesso de uma empresa depende mais das relações que essa empresa tem com o poder político do que com a sua capacidade de inovar e gerir de forma eficiente, ser bom gestor deixa de ser importante para se ter sucesso numa empresa. Aquilo que ganha relevância nas empresas é a capacidade de estabelecer as ligações certas.

Um bom exemplo disto é o socialista Seixas da Costa, um dos grandes acumuladores de cargos de administração em grandes empresas e, por “pura coincidência”, um grande adversário político das ideias liberais e da economia de mercado (os beneficiários dos regimes compadristas tendem a detestar o capitalismo e a economia de mercado). Seixas da Costa foi embaixador de Portugal na UNESCO. No exercício das suas funções, Seixas da Costa influenciou a UNESCO para permitir a construção da barragem do Tua, que destruiu parte do Património Mundial do Alto Douro. Teve sucesso na sua empreitada e quando deixou o cargo público tinha à sua espera um lugar de administrador na empresa concessionária da barragem (a EDP Renováveis) e na empresa que a construiu (a Mota-Engil). Para além destas duas empresas no sector da energia e da construção, ainda consegue ter “capacidade de gestão” para ser administrador da Jerónimo Martins no sector da distribuição. (...)

Em Portugal sem “contactos” não se vai a lado nenhum. Desde a pequena empresa que precisa de contactos na câmara para não estar sempre a levar com multas e fiscalizações à grande empresa cujo desempenho depende dos contactos no governo.»

O regime compadrista, Carlos Guimarães Pinto no Eco

Esta é uma questão transversal ao espectro político. Quase todos das esquerdas e muitos das direitas detestam a concorrência, não praticam a igualdade de oportunidades, adoptam o nepotismo como forma de vida e cultivam o inbreeding. O resultado é o Portugal dos Pequeninos.

25/06/2020

Ser de esquerda é...

... ser neto de um emigrante europeu e chamar afro-americano a uma criatura cujo tetravô do tetravô nasceu na América.

A estratégia do Novo Império do Meio para controlar os países subdesenvolvidos

Fonte: Sovereign debt crises are coming, A report by The Economist Intelligence Unit
Nova Rota da Seda, compra de activos de todos os tipos, imóveis, empresas (*), etc., em todo o mundo, compra de áreas gigantescas de terrenos agrícolas (2,3% no caso da Austrália), financiamento de mega-projectos nos países em desenvolvimento (um eufemismo que abrange países em vias de subdesenvolvimento), com os países endividados a comer na mão chinesa, são alguns dos componentes da estratégia do Xi Jinping e do PC Chinês.

(*) Em Portugal, EDP, REN, BCP, partes do ex-BES, Fidelidade, entre outras.

Aditamento:

Em relação a este comentário, não entendo que o Estado chinês seja uma ameaça aos países democráticos por a China ser um país aforrador. O Estado chinês é uma ameaça porque é um Estado totalitário dominado por uma nomenclatura que se auto-perpetua e a China é uma potência expansionista e agressiva. Porque é um país aforrador, por enquanto, pode usar o seu excedente externo como instrumento da sua estratégia de dominação.

24/06/2020

CASE STUDY: Trumpologia (67) - Se fossem apenas os disparates, seria divertido

Mais trumpologia.

«Pode fazer a lista dos disparates do Trump?»  pergunta-se num comentário ao post anterior. A escolha é difícil e tenho pouco tempo para dedicar aos disparates. Ainda assim, numa perspectiva de serviços mínimos, aqui vai um vídeo já publicado há três meses com uma curta compilação bastante desactualizada e apenas sobre a pandemia.


Na verdade, se a presidência de Trump se limitasse a disparates teria sido apenas divertida e não teria tido as consequências devastadoras que está a ter sobre a degradação da democracia americana e o descrédito das suas instituições. Os efeitos perversos de fortalecer as ideias e as forças políticas que pretensamente combate, fazem de Donald Trump o melhor aliado de facto do radicalismo esquerdista que diz combater e de quem copia o agitprop. E vice-versa.

CASE STUDY: O jornalismo americano em risco de infecção pelos vírus do politicamente correcto e dos "factos alternativos"

Mat Taibbi, o autor do texto seguinte, é um conhecido jornalista independente americano de origem uzbeque que, apesar de ser "liberal" no sentido americano, isto é de esquerda, e sem surpresa detractor do trumpismo, denuncia o controlo e a censura crescentes em vários grandes jornais americanos por uma nova geração de jornalistas formados em universidades em que as faculdades de "ciências sociais" estão infestadas pelo esquerdismo e pelo politicamente correto. É um bom exemplo de como não escolher entre dois males.

«Our president, Donald Trump, is a clown who makes a great reality-show villain but is uniquely toolless as the leader of a superpower nation. Watching him try to think through two society-imperiling crises is like waiting for a gerbil to solve Fermat’s theorem. Calls to “dominate” marchers and ad-libbed speculations about Floyd’s “great day” looking down from heaven at Trump’s crisis management and new unemployment numbers (“only” 21 million out of work!) were pure gasoline at a tinderbox moment. The man seems determined to talk us into civil war.

But police violence, and Trump’s daily assaults on the presidential competence standard, are only part of the disaster. On the other side of the political aisle, among self-described liberals, we’re watching an intellectual revolution. It feels liberating to say after years of tiptoeing around the fact, but the American left has lost its mind. It’s become a cowardly mob of upper-class social media addicts, Twitter Robespierres who move from discipline to discipline torching reputations and jobs with breathtaking casualness.

The leaders of this new movement are replacing traditional liberal beliefs about tolerance, free inquiry, and even racial harmony with ideas so toxic and unattractive that they eschew debate, moving straight to shaming, threats, and intimidation. They are counting on the guilt-ridden, self-flagellating nature of traditional American progressives, who will not stand up for themselves, and will walk to the Razor voluntarily.

They’ve conned organization after organization into empowering panels to search out thoughtcrime, and it’s established now that anything can be an offense, from a UCLA professor placed under investigation for reading Martin Luther King’s “Letter from a Birmingham Jail” out loud to a data scientist fired* from a research firm for — get this — retweeting an academic study suggesting nonviolent protests may be more politically effective than violent ones!

Now, this madness is coming for journalism. Beginning on Friday, June 5th, a series of controversies rocked the media. By my count, at least eight news organizations dealt with internal uprisings (it was likely more). Most involved groups of reporters and staffers demanding the firing or reprimand of colleagues who’d made politically “problematic” editorial or social media decisions.

The New York Times, the Intercept, Vox, the Philadelphia Inquirier, Variety, and others saw challenges to management.»

Excerto de The American Press Is Destroying Itself - leitura integral recomendada.

Ser de esquerda é...

... exigir uma relação vitalícia com o patrão e querer uma relação precária com a namorada.