Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

28/09/2022

Before Mr. Erdogan dropping Mr. Putin, Mr. Xi had already made him fall to his knees

"That hug", cartoon by António on Expresso

Last week, in an interview with PSB, Mr. Erdogan, the Turkish Pasha, resoundingly dropped support for Mr. Putin, the Czar of All Russia, but a week earlier Mr. Xi, the Emperor of the Middle Kingdom, had already done so with Chinese circumspection and perhaps that inspired Mr. Erdogan.

In fact, on the 15th, at the meeting with Mr. Putin, Mr. Xi, who was supposed to reiterate his support for the so-called "special military operation" in Ukraine, didn't say a word on the matter and Mr. Putin felt obliged to guarantee that he would respond to Chinese “question and concerns”, thus showing that Mr. Xi had asked him questions hitherto ignored, considered China's position "balanced", that is, revealed that support was not unconditional, and guaranteed that it would contribute to peace, surprisingly declaring that he and Mr. Xi "stand for the formation of a just, democratic and multipolar world order based on international law and the central role of the United Nations", he who all days since 24 February violated the UN charter and even fired a missile when the UN Secretary General was visiting Kiev. Furthermore, without any statement of support from China on the invasion of Ukraine, Mr. Putin declared his unconditional support for China in an eventual invasion of Taiwan.

Worse would have been difficult.

27/09/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (33b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.


Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

O desemprego começa a dar alguns sinais de que irá voltar com a inevitável recessão a caminho - apesar da redução homóloga em relação ao ano passado, em Agosto o desemprego aumentou 1,9% em ao mês anterior relação.

Segundo as estimativas do Conselho das Finanças Públicas, o crescimento de 2023 não ultrapassará 1,2%, de onde a taxa anual de crescimento entre 2019 e 2023 será pouco superior a 1%.

As taxas de juro continuam a sua trajectória ascendente com a Euribor 12 meses em 2,5% e as emissões da semana passada de BT a 6 meses e 12 meses tiveram yields de 1,291% e 1,916%, respectivamente, contra -0,179% e 0,236% das últimas emissões.

Se a coisa corre mal não é por falta de esforço da imprensa amiga

Com títulos como «PIB aumentou 7,0% para 214,5 milhões em 2021», que poderia ser PIB reduziu-se em 2021 relativamente a 2019, «Abaixo da linha vermelha. Dívida pública nos 118,9% este ano», que poderia ser dívida pública 16 mil milhões acima da de 2019, «Portugal tem excedente de 0,8% do PIB no primeiro semestre», que poderia ser receita fiscal aumentou mais de 20% e a despesa de capital diminuiu 8% (INE), não será por falta de boa-vontade e de fé que o mafarrico virá.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

A EFACEC, nacionalizada por um governo do PS que sucedeu a outro governo do PS que havia facilitado a entrada de Isabel dos Santos, depois de inúmeros anúncios pelo Dr. Siza Vieira foi finalmente vendida em Abril ao grupo DST e a operação continua a ser avaliada pela DGComp que desconfia de um auxílio do Estado à DST. Enquanto isso, a EFACEC continua a afundar-se e estava falida no fim do primeiro semestre com as vendas a caírem 40%, um prejuízo de 53 milhões, a dívida acima de 220 milhões e os capitais próprios negativos.

O socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros, disse Lady Tatcher sem saber que o governo do Dr. Costa nem o dinheiro dos outros consegue investir

A pouco mais de um ano do limite para investir os fundos do Portugal 2020, o governo do Dr. Costa ainda só conseguiu investir 40% da grana disponível para as 20 maiores obras públicas, em resultado de uma combinação de incompetência na gestão dos projectos com as cativações orçamentais que afectam a parte desses projectos dependente do investimento público.

Os quereres do Dr. Costa não são poderes

No caso dos fundos não aplicados do Portugal 2020, Helena Matos pode não ter razão quando se refere aos «quereres do Governo que pouco faz mas muito quer se forem os outros a pagar». Razão que lhe sobra nos outros casos como o querer do governo chegar às 300 mil casas para arrendar, querer que vai em 7 anos de anúncios dos programas de renda acessível concorrentes do Dr. Pedro Nuno, como ministro do pelouro, e do Dr. Medina, como presidente da câmara de Lisboa, programas que foram fiascos acabados.

De volta ao velho normal

Terminados os confinamentos da pandemia o povo voltou às compras com os dinheiritos que não tinha conseguido gastar e os resultados foram os do costume: a taxa de poupança voltou ao nível habitual (5,9%) de menos de metade da taxa média da Zona Euro (13%) e o défice externo das balanças corrente e de capital chegou a 2,8 mil milhões até Julho, contra um superavit e 275 milhões o ano passado.

26/09/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (33a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

A insustentável leveza da sustentabilidade da Segurança Social

Como o país (isto é, as pessoas com pelo menos meia dúzia de neurónios a funcionar) se deu conta a semana passada, a Segurança Social passou em poucos dias da sustentabilidade ad eternum para o descalabro anunciado - ver aqui o vídeo da CNN com as sucessivas estórias contadas pelo Dr. Costa sobre este tema desde 2018.

Para justificar que a actualização automática das pensões não terá lugar em 2023, apesar de prevista na lei, porque, segundo o governo, anteciparia em cinco anos o défice da Segurança Social, a trafulhice chegou ao ponto de as projecções da ministra das Pensões apresentadas ao parlamento a semana passada omitirem mais de 1.300 milhões de aumento das receitas resultante da inflação e a redução das despesas com o subsídio de desemprego. Sem esquecer que tais projecções contrariam completamente o relatório de 21 páginas inserto no OE 2022, apresentado pelo ministro das Finanças e aprovado há 3 meses, onde se concluiu que o Fundo de Estabilização da Segurança Social sobreviria até 2060.

O Estado sucial gerido pelo PS & Cª diz querer acabar com os “precários”, mas apenas está a empobrecê-los

Eurostat

Transformar em vitalícios os "precários" tem sido uma bandeira dos governos socialistas desde o Eng. Guterres e objecto de grande desvelo por parte da extinta geringonça. Além do seu número ter vindo a aumentar (sobretudo como consequência da rigidez do mercado de trabalho), também o risco de pobreza e de exclusão social não só aumentou como é o maior de toda a UE, com excepção da Roménia sobrevivente do colapso do socialismo soviético.

«A educação é a nossa paixão» ou de como o socialismo torna escasso o que é abundante

Apesar de entre 2015 e 2019 o número médio de alunos por turma em Portugal se ter reduzido de 21,2 para 20,9 e o número de professores entre 2015 e 2021 ter aumentado de 97.100 para 102.077 (Pordata) continuam as queixas da falta de professores. Talvez a explicação deva procurar-se nos 7.500 professores (mais de 7% do total) com baixa ou em “mobilidade por doença” ou nos 2 mil professores “cedidos” “às mais variadas instituições” (sindicatos na sua maioria). Se o Dr. Costa tivesse uma empresa de construção civil no Sará, em breve faltaria a areia.

Para suprir a “falta” de professores, o ministério vai preencher 80% dos horários com professores sem formação específica.

O governo do Dr. Costa como saco de gatos

O primeiro-ministro manda revogar o despacho do ministro da TAP e dos aeroportos. O ministro das Finanças manda calar o da Economia que havia admitido a descida do IRC, ministro da Economia que já havia sido mandado calar por ter falado na windfall tax sobre os lucros das energéticas.

Take Another Plan

Se fosse um “privado” seria um escândalo, mas tratando-se da TAP é uma coisa normal deixar que fossem expostos os dados pessoais de dúzias de dignitários do regime, incluindo S. Ex.ªs o PR e o primeiro-ministro.

(Continua)

25/09/2022

Mitos (322) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (13) - Evitemos a fé nas doutrinas

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

Em retrospectiva: o pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem-nascidos e mal-nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 "géneros" identificados pelo Tumblr.

Num livro (Career and Family: Women’s Century-Long Journey Toward Equity) publicado o ano passado, Claudia Goldin, uma especialista nos temas mulher e trabalho, analisa cinco gerações de mulheres distinguindo diferentes atitudes face ao trabalho e reconhece, em relação à geração mais recente nascida após 1958, que a generalização da pílula anticoncepcional ao permitir o planeamento familiar tornou possível privilegiar simultaneamente carreira e família. No entanto, isso não eliminou um gap salarial entre sexos estimado em 20% em média.

Até aqui nada de novo, porque esse gap é indesmentível, reconhecido nos posts anteriores que escrevi a este respeito e em minha opinião é devido, não a qualquer tipo de discriminação como a esquerdalhada defende, mas à "especialização sexual" que durante toda a história e até recentemente atribuía às mulheres funções "inferiores", funções que, gradualmente, se vêm aproximando das funções "masculinas".

Diferentemente, Claudia Goldin argumenta que as diferenças salariais associadas às diferenças de funções resultam de escolhas racionais das famílias para maximizar o rendimento familiar com os homens a optarem por carreiras profissionais (“greedy jobs”) mais bem pagas e por isso mais exigentes e as mulheres por carreiras menos exigentes mais fáceis de compatibilizar com as responsabilidades domésticas e a menor disponibilidade dos maridos para as assumir. 

Como era previsível, independentemente do fundamento desta explicação, a tese de Claudia Goldin é rejeitada pelo áctivismo do género. O que era menos previsível é que esta explicação não agrada igualmente aos liberais que cultivam a liberdade de escolha e a quem repugna admitir que do exercício dessa liberdade resultem unintended consequences. E é isso que a torna fascinante para mim porque, se a explicação de Goldin estiver certa, é um exemplo de como a crença cega numa qualquer doutrina pode levar os crentes para uma realidade alternativa.

24/09/2022

Tsar Vlad's Russia is a gigantic Potemkine village (2)

Sequel to (1).

«As russia’s troops were abandoning their positions and armour in Kharkiv, in Ukraine, Russia’s capital was celebrating the “Day of the City”. Vladimir Putin, the dictator who started the war, boasted of a new attraction—a giant Ferris wheel called the Sun of Moscow at vdnkh, a vast theme park built in the 1930s to exhibit the achievements of the Soviet empire that Mr Putin is now fighting to restore.

“It is unique. There is nothing like that in Europe…It is very important for people to have a chance to relax with their family and friends,” Mr Putin said on September 10th. It was meant to be an advertisement for Mr Putin’s successes. But within minutes, the 140-metre-high wheel got stuck, and the next day it closed altogether. Visitors were offered a refund.

The symbolism was not lost on those who flooded social media with sarcastic or angry comments. “Why? What are all these carousels, attractions and pavilions with clowns? [Our] people are dying for us there [in Ukraine]. Are you sure that at such moments we need events whose goal is to distract, relax and entertain?” Boris Korchevnikov, a pro-war television presenter, wrote on Telegram, a social-media app.

“The army has NO thermal-imaging cameras, NO body armour, NO reconnaissance equipment, NO secure communications, NO first-aid kits. You’re holding a billion-rouble feast. What is wrong with you?” another social-media post read.

It was not just the Sun of Moscow that was malfunctioning. Having failed in his plan to take Kyiv in three days, and having failed to dissuade the West from supporting Ukraine, Mr Putin suffered another reversal. He had planned sham referendums to give a figleaf of legitimacy to the annexation of Russian-occupied territories in Ukraine on September 11th. These have now been postponed indefinitely. Russian forces do not know if they will be around long enough to intimidate voters.

Mr Putin’s power depends on Russians believing that he is strong and ever-victorious. His propagandists do all they can to promote that notion. However, the rout of Russian forces in north-east Ukraine caught them off-guard. At first state television was silent. Then its channels coyly acknowledged Russia’s retreat, described by the army as “an operation to organise the transfer of troops”. The bad news was padded out with patriotic guff. All criticism was deflected away from Mr Putin.»

Russian discontent with the war, and Vladimir Putin, is growing

23/09/2022

Tsar Vlad's Russia is a gigantic Potemkine village (1)

«What has happened to the Kremlin’s invasion of Ukraine is explained in a remarkable memoir published on VKontakte, Russia’s Facebook, by Pavel Filatyev, a Russian professional soldier (not a conscript). Despite joining an ‘elite’ unit – the 56th Guards Air Assault Regiment – Filatyev found there were no beds in his barracks, and often no power or water. A pack of wild dogs roamed through the buildings. He wrote in his diary that there was not enough food: just stale bread and ‘soup’ that was raw potatoes in water. He had to buy his own winter uniform after being given summer clothes and boots in the wrong size. His rifle was rusty and jammed after a few shots.

On paper, his unit had 500 soldiers, but it was really just 300. While, officially, some 200,000 troops invaded Ukraine, he believes the real number was more like 100,000. Filatyev was sent into battle without a flak jacket – no doubt it had been stolen and sold. He was driven to the front in a truck that was carrying mortar bombs but had no brakes. He calls the army a ‘mafia’ and says officers continually lied to the top brass to hide the true state of their units. ‘All this [equipment] is 100 years old, a lot is not working properly, but in their reports everything was probably fine… the Russian army is a madhouse and everything is for show.’

Filatyev’s account comes as no surprise to Yuri Shvets, a former KGB officer. He tells me one story about four Russian tanks arriving in a Ukrainian village. Two ran out of fuel, so the crews hopped on to the other two and they went to look for a gas station. Meanwhile, villagers put Ukrainian flags on the stalled tanks. Having failed to find fuel, the returning soldiers – perhaps forgetting where they had parked – shelled those tanks, destroying them. Then the remaining two tanks ground to a halt. The soldiers tried to leave on foot but were caught by the villagers and handed to the Ukrainian army.

Shvets talks of a Russian ‘collapse’ in Ukraine. ‘It looks like the whole regime, including the Russian armed forces, including the FSB [the main intelligence service], was just one big Potemkin village. Putin made the biggest mistake in starting this damn war because it ruined the village. People are amazed to see that what they believed was Russia was all fake. It was virtual reality. And the reality is different. It is a disaster.’ Shvets believes that defeat in Ukraine, the army trudging home on foot, could be the end of Russia. ‘The army keeps this vast land together… Putin put himself in a corner from which he has no escape. He has killed his country.’. »

Paul Wood, Spectator

22/09/2022

Dúvidas (343) - Qual a diferença para o semanário de reverência entre "tempo de antena" e comentário político?

Tsar Vlad's speech to his subjects is a paradigm of the Orwellian Newspeak: the abuser becomes the abused; the invader becomes the invaded; war becomes peace


“Today our armed forces are operating across a front line that exceeds 1,000 km, opposing not only neo-Nazi formations but the entire military machine of the collective West.”

“Nuclear blackmail has also been used. We are talking not only about the shelling of the Zaporizhzhia nuclear plant – encouraged by the West – which threatens to cause a nuclear catastrophe but also about statements from senior representatives of NATO countries about the possibility and permissibility of using weapons of mass destruction against Russia: nuclear weapons.

“I would like to remind those who make such statements about Russia that our country also possesses various means of destruction, and in some cases, they are more modern than those of NATO countries. When the territorial integrity of our country is threatened, we, of course, will use all the means at our disposal to protect Russia and our people.

“This is not a bluff. And those who try to blackmail us with nuclear weapons should know that the weathervane can turn and point towards them.”

“In its aggressive anti-Russian policy, the West has crossed every line. We constantly hear threats against our country and our people.”

“The purpose of this West is to weaken, divide and ultimately destroy our country. They are already saying that in 1991 they were able to break up the Soviet Union, and now the time has come for Russia itself that it should disintegrate. And they have been planning it for a long time.”

“The West is not interested in a peaceful solution and making compromises; they just want to break all negotiations.”