Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
12/03/2026
Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (3) - Trump puts his mouth where his head is; the Ayatollah puts his head where his mouth is.
11/03/2026
Crónica da passagem de um governo (40b)
A expressão «Chega e restante esquerda» é um pouco simplista, ao meter o Chega na esquerda quando, na verdade, é mais um híbrido que em matéria social é socialista, como neste caso em que vota uma proposta que obrigará as empresas a pagar durante o lay-off extraordinário (uma emergência em que arriscam a falência) o mesmo salário, do qual resultará um rendimento líquido maior do que se estivessem a trabalhar.
Está tudo explicado. O governo não tem "fetiche sobre o crescimento”
Quem o disse foi o ministro da Economia que, por isso, deveria mudar o título para ministro da Ecoanomia. Percebe-se agora que o governo, não se preocupando com o aumento da produtividade, não faz as reformas indispensáveis para aumentá-la e assim criar mais riqueza. Fica por esclarecer por que diabo o ministro se queixa da «excessiva retração» dos bancos e do «excesso de prudência (que) atrasa o crescimento económico».
O Dr. Matias e a atracção de talento
Enquanto prepara Portugal para vir a ser «um líder mundial na IA», o ministro da Reforma do Estado, Dr. Gonçalo Matias, anuncia um projeto estratégico para criar uma gigafábrica de Inteligência Artificial (IA) de escala europeia, para posicionar o país como um dos principais polos de computação avançada da Europa e «atrair investimento e talento» (fonte). O Dr. Matias devia limitar a ambição à venda de electricidade. Atrair talento é muita ambição. Já ficaríamos gratos se o Dr. Matias se ficasse pela retenção do talento que todos os anos abandona o Portugal dos Pequeninos, enquanto se criam “vias verdes” para atrair trabalhadores para a construção para fazerem o trabalho que o nosso talento que ficou retido não está disponível para fazer.
Os canários na mina de carvão estão em risco de vida
E não estão em risco de vida porque em Janeiro o Índice de Volume de Negócios na Indústria, que tinha crescido 2,3% em Dezembro, teve redução homóloga nominal de 1,5% (fonte INE), após o crescimento de 2,3% observado no mês anterior. Isso são miudezas face aos possíveis impactos da «operação militar especial» Trump-Bibi em curso.
Enquanto isso fazem-se jogos florais…
… e o Dr. Passos Coelho aponta o dedo ao Dr. Montenegro que não faz reformas (que, por boas razões, se suspeita que os eleitores podem não querer) e o Dr. Montenegro desafia o Dr. Passos Coelho para um duelo nas directas do partido de ambos.
10/03/2026
Crónica da passagem de um governo (40a)
Por falar em burocracia municipal, relato a minha experiência recente numa visita a uma das câmaras municipais com maior orçamento, considerada um modelo autárquico, para tentar agendar uma reunião com um arquitecto. Fiquei a perceber que, na verdade, a transformação digital (geralmente definida como a integração das tecnologias digitais nas operações de empresas e serviços públicos, com vista a simplificar ou, como se diz no patuá pós-moderno, agilizar os processos) consiste em montar em cima de um processo por natureza simples uma série procedimentos que envolvem criar registos com uma pletora de dados, confirmar e reconfirmar esses a dados com a chave móvel digital e vários códigos de acesso enviados por SMS, etc. e no final a simpática funcionária informa o munícipe que um dia vai receber uma telefonema para agendar a reunião.
Boa Nova
As más novas são várias. Em valor, o endividamento da economia (o total da dívida do Estado, das empresas não financeiras e das famílias) aumentou o ano passado em 28,9 mil milhões. A dívida pública na ótica de Maastricht aumentou em Janeiro 6,1 mil milhões ultrapassando os 280 mil milhões. E o Estado português foi um dos três países da OCDE que mais recorreu a novas emissões para amortizar dívida.
Isto são apenas os preliminares. Com as tempestade e as prováveis sequelas da «operação militar especial» Trump-Bibi no Irão as coisas vão mais difíceis, o que levou o ministro das Finanças, habitualmente tão optimista, a não excluir (uma maneira simpática de dizer que é quase inevitável) voltar aos défices.
(Continua)
09/03/2026
TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: E se o povo não quiser reformas?
«(...) É claro que reformas deste tipo não teriam qualquer hipótese de aprovação no parlamento. Mesmo que o PSD as desejasse (o que não estaria assegurado), encontra-se entalado entre dois partidos, o Chega e o PS, avessos a reformas liberais e que defendem mais intervenção do estado na economia e na sociedade. A resposta de PPC a um impasse deste tipo é confiar no povo. O político reformista deve apresentar e advogar a sua agenda perante os eleitores sempre, em eleições ou fora delas. Deve apresentar as suas propostas com coragem, sem compromisso ou calculismos. Os consensos que muitos advogam são frequentemente bissetrizes que nada mudam, simulacros de reformas que reduzem a pressão para as verdadeiras alterações estruturais. Insistir sempre. Se não for possível, ouça-se o povo.
Gosto! Mas ... e se o povo não quiser reformas? E se o povo
preferir a quietude anestesiante do declínio gradual à agitação transformadora?
Afinal foi o povo que deu ao Chega e ao PS o poder bloqueador que atualmente
detêm.
É que as reformas têm sempre ganhadores e perdedores.
Esperam os reformistas que os benefícios dos ganhadores sobrelevem as perdas
dos perdedores - isto é, que as reformas sejam um jogo de soma positiva - e que
existam mecanismos redistributivos que permitam a compensação daqueles
prejudicados. Em jargão de economista, esperam que as reformas representem uma
melhoria potencial à Pareto. O problema complica-se quando consideramos a
dimensão intergeracional. Os benefícios das reformas podem levar muito tempo a
manifestar-se e os maiores ganhadores podem vir a ser aqueles que hoje ainda
são muito jovens ou mesmo ainda não-nascidos - ou seja, segmentos com pouca voz
eleitoral ou sem ela Em contrapartida, os eleitores mais velhos, com as vidas
resolvidas, são aqueles expostos a maiores riscos e para quem o up side das reformas
é menos óbvio. Vê-se assim que em sociedades envelhecidas como a portuguesa, em
que a idade mediana são 47 anos e 25% da população tem mais de 65 anos,
conseguir maiorias eleitorais reformistas é tremendamente difícil.
O reformador arrisca-se, assim, a ser como o escuteiro que queria praticar a sua boa ação diária levando uma velhinha a atravessar a rua. Só que ela não o queria fazer.»
08/03/2026
Trumponomics' unintended consequences (6) - Possible collateral damage from the attack on Iran and the Ayatollah regime's response
«The shutdown of oil and gas production due to saturation of storage capacity (the so-called tank-top) is a critical scenario, as the sector operates in continuous flow. If the Strait of Hormuz closes and the flow stops, the consequences would be:
1. Structural and Technical Damage to Wells
Unlike a tap, stopping production in an oil field is a complex process.
Damage to reservoirs: The sudden shutdown can alter underground pressure, causing leaks of water or sand that can permanently damage the well.
Difficulty in Restarting: Resuming production can take months and require massive investments. In some cases, the flow never returns to previous levels, resulting in the definitive loss of reserves.
2. "Flaring" and Waste of Gas
Natural gas is often extracted along with oil (associated gas).
If oil tanks are full but the gas cannot be processed or exported, companies are forced to burn the gas (flaring) in massive volumes, generating an environmental disaster and economic waste of resources that could heat millions of homes.
3. Value Destruction and Bankruptcies
Maintenance Costs: Even when shut down, infrastructure requires maintenance to prevent corrosion. Without sales revenue, producing countries (such as those in the Gulf) face acute fiscal crises, as they depend on this flow to finance the state.
Take-or-Pay Contracts: Production shutdowns lead to non-compliance with long-term supply contracts, generating international legal battles and financial penalties of billions of dollars.
4. Extreme Price Volatility
Short Term: The price skyrockets globally due to scarcity in the consumer market.
Medium Term: When production is finally resumed, a sudden oversupply may occur, causing a price crash, similar to what briefly happened in 2020 (negative prices).
5. Reconfiguration of Energy Geopolitics
The forced shutdown in the Middle East would accelerate the energy transition and investment in exploration in other regions (USA, Brazil, Guyana) and renewable energies, to reduce dependence on such a vulnerable chokepoint.»
Google's Gemini Response
07/03/2026
How many trumps there are in this Trump? Read my lips and watch my leaps
«Donald Trump campaigned on the idea that electing him was the best way to avoid wars. He has referred to himself as the “peace president,” going so far as to complain that he hadn’t won a Nobel Peace Prize.
Yet Trump has governed as a hawkish interventionist whose approach better aligns with his neoconservative secretary of state, Marco Rubio, than with the anti-interventionists in his administration, such as J. D. Vance and Tulsi Gabbard. The United States is now enmeshed in so many conflicts that its foreign policy is closer to “world police” than “America First.”
The newly launched war against Iran is the most significant. Operation Epic Fury begins less than a year after the United States and Israel partnered to strike Iran’s nuclear facilities. At the time, Trump declared that operation a success, and Vance defended it by stating, “I certainly empathize with Americans who are exhausted after 25 years of foreign entanglements … But the difference is that back then, we had dumb presidents and now we have a president who actually knows how to accomplish America’s national-security objectives. So this is not gonna be some long, drawn-out thing.” (...)
All alone, this war would make a mockery of MAGA claims that Trump is an anti-interventionist. But it is one in an extensive list of Trump-era entanglements.»
(Who Is the U.S. Actually at War With Right Now?)
| Truth social |
06/03/2026
DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.
| António Lobo Antunes, in illo tempore |
Trinta e três anos antes, no meio dum pelotão de cadetes da EPI em Mafra, composto por ele próprio, mais quatro dezenas de mancebos brutos e o Impertinente, todos ensebados pela falta crónica de água, quem diria que havia de sair daquele invólucro jovem e frágil este animal da escrita, escrevi há 22 anos.
