Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

21/05/2022

Na história do Portugal dos Pequeninos, o século XXI não é assim tão diferente do XIX (5)

Continuação de (1), (2), (3) e (4)

Lendo «O Fundo da Gaveta» de Vasco Pulido Valente, dei comigo a pensar que, mudando a época, as modas e os protagonistas, o Portugal do século XIX me faz lembrar o Portugal da III República. Nos posts desta série cito algumas passagens que mais intensamente evocam essa ideia.

Os interesses, sempre os interesses

O Estado não apenas servia ou patrocinava certos interesses privilegiados, constituía ele próprio um conjunto autónomo de interesses, concorrente com os outros.

Aqui há uma nova confusão. Compreende-se que os agentes económicos auto-suficientes e as profissões liberais que não precisavam de empregos públicos experimentassem uma acentuada relutância em sustentar uma administração que lhes parecia hipertrofiada e inútil e que, além disso, pesava sobre o mercado de capitais. O programa acentua que a carga fiscal «obstava à formação de riqueza» e «castigava o esforço produtivo» e que muitos «estabelecimentos)) e «companhias» estavam a sofrer com as dificuldades do «crédito» (ie., com a subida da taxa de juros) e se arriscavam a um «abalo» ou ao <<aniquilamento», se as coisas não mudassem depressa. A vontade de não permitir que os clientes do Estado o governassem não espanta naqueles que pagavam a conta sem receber de volta coisa nenhuma. Consegui-lo era mesmo a condição indispensável à maioria das reformas que propunham. Nunca um Parlamento de funcionários consentiria em extinguir, a título de poupança, o Tribunal de Contas, o Conselho de Estado e os Conselhos Superiores dos ministérios; em restringir os quadros das secretarias, do exército e da marinha; em baixar os «vencimentos excessivos»; e em proibir as acumulações e gratificações. Acima de tudo, nunca permitiria uma autêntica descentralização que a inteligência revolucionária do tempo imaginava ser a panaceia universal. Limitar a «oligarquia» do Estado, reduzir o Estado a proporções toleráveis e contrariar o seu «absolutismo» exigia uma maioria de deputados sem ligações com ele. Mas esse propósito não se percebe da parte da cauda plebeia do movimento oposicionista, onde proliferavam os pequenos funcionários ou aspirantes a funcionários.

(…)

O défice, sempre o défice

Pelo contrário, a necessidade de combater o défice ou de, pelo menos, parecer que o combatia, levou-o a restringir o programa de extensão da rede viária; e a dispensar «operários» das empresas do Estado e muitos pequenos funcionários.

[Do capítulo Ressurreição e morte do radicalismo (1864-1870)]

(Continua)

20/05/2022

As "operações militares especiais" russas são a resposta à expansão da NATO, uma teoria da conspiração para devotos do Czar e para maluquinhos

  • 1939 URSS e Alemanha de Hitler assinam Pacto Molotov-Ribbentrop e invadem a Polónia
  • 1939-1940 URSS invade a Finlândia e anexa Região do lago Ladoga
  • 1944-1989 URSS instala governos fantoches na Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Checoslováquia, Hungria, Polônia e Roménia 
  • 1949 Criação da NATO com Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido
  • 1952 Adesão à NATO da Grécia e Turquia
  • 1955 Adesão à NATO da Alemanha Federal
  • 1956 URSS esmaga a revolução democrática da Hungria
  • 1968 URSS invade a Checoslováquia, derruba governo de Dubček e instala um governo fantoche
  • 1982 Adesão da Espanha à NATO
  • 1989 Queda do Muro de Berlim
  • 1991 Dissolução da URSS
  • 1991 Extinção do Comecon
  • 1991-1992 Guerra da Ossétia do Sul
  • 1991-1994 Guerra na Abecásia
  • 1992 Guerra da Transnístria
  • 1992 Conflito na Ossétia do Norte
  • 1992–1997 Guerra Civil do Tajiquistão
  • 1993 Guerra Civil na Geórgia
  • 1994-1996 Primeira guerra na Chechénia
  • 1999 Invasão do Daguestão
  • 1999–2009 Segunda Guerra da Chechênia
  • 1999 Adesão à NATO da República Checa, Hungria, Polónia e Bulgária
  • 2008 Guerra Russo-Georgiana
  • 2009 Insurgência no Cáucaso Norte
  • 2009 Adesão à NATO da Albânia e Croácia
  • 2013 Euromaidan na Ucrânia
  • 2014 Anexação russa da Crimeia
  • 2017 Adesão à NATO do Montenegro
  • 2020 Adesão à NATO da Macedónia do Norte
  • 2022 Invasão russa da Ucrânia
  • 2022 Pedido de adesão à NATO da Finlândia e Suécia
Os maluquinhos do título são os ressentidos do Ocidente a que se referiu Sérgio Sousa Pinto,

19/05/2022

Na história do Portugal dos Pequeninos, o século XXI não é assim tão diferente do XIX (4)

Continuação de (1), (2) e (3)

Lendo «O Fundo da Gaveta» de Vasco Pulido Valente, dei comigo a pensar que, mudando a época, as modas e os protagonistas, o Portugal do século XIX me faz lembrar o Portugal da III República. Nos posts desta série cito algumas passagens que mais intensamente evocam essa ideia.

A oposição parecida com a situação

Os inimigos da fusão, no entanto, embora exprimissem um descontentamento real, não propunham ainda, ou não representavam ainda, uma alternativa prática. Por enquanto, não iam além da crítica a vícios universalmente reconhecidos. Também eles pediam reformas, ordem, moralidade e economias. O que não era original e se tomava por fraqueza, não sem fundamento.

Esta aparente concordância no essencial de todas as forças autónomas e activas tornava as divergências irrisória ou pouco respeitáveis. Imediatamente, contribuía para justificar a fusão. Como os seus chefes notavam, sob uma espécie de fusão vivera Portugal desde 1852. Os partidos, embora combatendo-se e substituindo-se no poder, aceitavam ambos a corrida aos «melhoramentos» e procuravam distinguir-se nela. Com frequência, mutuamente se disputavam a autoria de certas medidas ou «a primazia nas dores sofridas» por certos «avanços».

(…)

A reforma autárquica

Nesta ordem de ideias, não inteiramente indefensável, Martens Ferrão, fez a sua reforma administrativa. Extinguiam-se quatro distritos: Portalegre, Santarém, Braga e Leiria. Estabelecia-se a regra geral de que nenhum concelho podia ter menos de 3000 fogos, o que implicava a supressão de 178 em 295. Reduziam-se as freguesias, agora chamadas <<paróquias civis» de cerca de 3000 para 1046. Conservavam-se 3966 paróquias eclesiásticas. De resto, diminuíam-se as responsabilidades e prerrogativas das Câmaras e fortalecia-se a fiscalização do Estado central.

[Do capítulo Ressurreição e morte do radicalismo (1864-1870)]

(Continua)

18/05/2022

PUBLIC SERVICE: On Tyranny (9)

On Tyranny, Timothy Snyder

I would say even more, read books, for example this one.

Lembrai aos ocidentais ressentidos que o Ocidente não é um mito e se fosse era um belo mito

«Ocidente não é um mito e se fosse era um belo mito. Mas é uma realidade tangível, feita de instituições morais e sociais. O Governo constitucional, assente na minimização do arbítrio e na maximização do direito não é um mito. É um legado da república romana. A faculdade democrática de despedirmos os nossos governantes e escolhermos outros também não é um mito. É um legado de Atenas. A inviolabilidade dos direitos, liberdades e garantias individuais também não é um mito. Funda-se na proclamação da dignidade da pessoa humana e na fundamental igualdade entre todos os Homens, cada um sendo um fim em si mesmo. É um legado do cristianismo, uma religião nascida no Médio Oriente helenizado. O espaço público aberto à livre expressão das opiniões e das ideias também não é um mito. É o segredo do progresso e da adaptabilidade das democracias liberais às circunstancias novas e imprevistas, condição indispensável da inovação e da mudança. Sócrates foi condenado porque Atenas era democrática mas não era liberal. Platão e Aristóteles não se restabeleceram dos abusos democráticos. Não acreditavam que o bom, o belo e o justo fossem alcançáveis de braço no ar. As suas admoestações e advertências vigoraram até ao século XVIII, no cristianismo e no governo dos Homens, até à grande revolução.

O comunismo foi uma aberração do racionalismo e do elitismo platónico, metastizado no vanguardismo. Resultou numa experiência histórica atroz, que converteu parte do Ocidente numa sucursal sem Deus das teocracias orientais. O parto do Ocidente foi doloroso, repleto de crimes e padecimentos. O Ocidente, carregado de cicatrizes, é a síntese a que chegámos, sofridamente, e a que não podemos renunciar, pois fora dele só há trevas, como diriam os romanos do mundo exterior.

O Ocidente há muito deixou de ser um conceito geográfico. O Gabão pode ser ocidental, se assim o escolher e se disso for capaz. A internet e a aviação fizeram com que o Gabão esteja hoje infinitamente mais perto de nós do que nós, nosso canto ocidental, estávamos da Atenas do século V a.c.. O Ocidente não é um mito, mas pode ser uma meta.

A China levanta-se da servidão coletivista porque decidiu ocidentalizar-se. A força da China advém do seu sistema económico, tecnológico e militar copiado do Ocidente. A dívida da China ressurgente para com Mao é zero. Mao é apenas o legitimador da dinastia reinante, a dinastia do imperador coletivo.

Nenhuma fatalidade histórica empurra a Rússia para a autocracia. Os ocidentais ressentidos com o Ocidente — uma agremiação heterogénea — imaginam a Rússia como uma nova Esparta, feita de guerreiros indiferentes ao baixo materialismo de um Ocidente corrompido pelo luxo, que marcham com uma arma na mão esquerda e “Os Irmãos Karamazov” na direita. Os russófilos de direita pensam que estão perante o exército branco do almirante Kolchak. Os de esquerda imaginam Trotskys aos pontapés a desaguar no Donbas, saltando de comboios blindados.

Tudo isso integra a grandeza do Ocidente: trocámos um mundo de servos e senhores pelo caótico pluralismo democrático e pela concomitante e inevitável abundância de maluquinhos. Podem abjurar o Ocidente, onde têm a cautela de residir, mas não o podem substituir pelas fantasias da sua predileção. E é assim que deve ser, para nosso merecido descanso.»

Os maluquinhos, Sérgio Sousa Pinto

17/05/2022

Will Russia need to be humiliated in Ukraine?

«As Putin’s war against Ukraine drags on, Russia now faces the very real prospect of defeat. There are still difficult weeks and months ahead for Ukraine, and you cannot wholly discount the possibility of a dangerous escalation still in the war. But Putin has failed to attain his initial aims (the capture of Kyiv) and now looks likely to fall short of his secondary and much more modest aim of capturing Donbas. The war has turned into a protracted affair. That in itself is a defeat for the Russians.

Russia’s humiliation in Ukraine has untold benefits, not least for Russia itself. We have heard it said for years that Russia must be indulged and humoured because, if not, it will resent having lost its great power status. The Soviet collapse, we were told, was a terrible catastrophe from which aggrieved, embittered Russians never recovered. So they need to be respected. They need to stand tall and proud. God forbid if they are humiliated because who knows what they will do.

I witnessed the Soviet collapse first-hand. It was, without doubt, a traumatic experience. There was poverty and misery and chaos and a far-right backlash. Rabid nationalists rallied under their revanchist banners. And then Russia invaded Chechnya in a brutal attempt to recover its tainted pride by bringing defiant separatists in the region to heel. And we watched and commiserated because, you see, the Russians had a good reason to be resentful: they lost the Cold War!

Yet in 1991 there was a sense among many Russians that the USSR was not so much defeated as it folded under its own weight. Too many refused to accept that the Soviet collapse was the outcome of years of economic mismanagement and imperial hubris – and so they looked for traitors instead. Mikhail Gorbachev, in particular, was singled out for his naïveté, if not malice. In the blame-shifting game of the 1990s, someone had to be assigned responsibility for Russia’s woes: the traitor Gorbachev, the drunkard Yeltsin, the rapacious oligarchs, and of course the devious western advisers who had always sought Russia’s demise.

Out of the chaos and weakness of the 1990s arose Vladimir Putin who promised to deliver order and strength. Putin’s abuse of power, corruption, violation of human rights and erosion of democratic institutions were all tolerated in the name of that promise of strength. Russia may have been poor, corrupt, and authoritarian, but Putin was seen as investing in the military and restoring Russia’s ‘greatness’. And some Russians have always been suckers for greatness. They would sell their last shirt for its elusive promise.

Every year Putin’s Russia holds Victory Day parades. These used to be grandiose affairs. Tanks would roll. Planes would fly. And soldiers would goose-step in unison across Red Square as the ageing dictator looked on. I detested these militaristic displays, which had so little to do with the remembrance of the Second World War, and so much more to do with state-sponsored ‘greatness’. And yet I am certain I speak for many Russian liberals if I were to admit that somewhere in the depth of my ‘humiliated’ conscience I, too, was stirred by the sound and fury. It took a conscious effort to purge the poison of militarism – an effort too many Russians were simply unwilling to make even if they recognised the problem. And they didn’t.

Now Ukraine has punctured a big, gaping hole in the narrative of Russia’s ‘greatness’. Russia is poor, corrupt and authoritarian, and now we also know that it is weak and pathetic. Russia’s ‘greatness’ has crumbled in an orgy of murder and rape inflicted by brutal occupiers in Ukraine. Tainted by the blood of the innocents, and beaten in honest combat, the bully has been reduced to size. It’s about time. Thank you, Ukraine, for serving this bitter medicine. Russia needed it badly.

Russia needs proper humiliation. It needs a humble recognition of its diminished status, an acceptance of guilt, and a slow, painstaking effort to rebuild the trust of those it has wronged. Russia did not learn this lesson in the 1990s. It must learn it now.

True greatness lies not in hideous military parades, nor in promises to unleash a nuclear Armageddon. True greatness lies in acceptance of the past, and a willingness to make amends. It lies in the commitment to build a better future, in a country that could become known for its schools and hospitals rather than its tanks and missiles.

The real source of Russia’s humiliation has always been Russia itself: its arrogant, autocratic rulers and the chauvinistic populace that slavishly worship them. Russia’s defeat in this unjust, criminal war against Ukraine may help shift the domestic narrative in Russia towards accepting the country for what it really is, rather than what it has vainly pretended to be. It is only then that Russia can, finally, be at peace with itself and with its neighbours.»

Why Russia needs to be humiliated in UkraineSergey Radchenko, professor at the Kissinger Center, School of Advanced International Studies, Johns Hopkins University in Washington D.C.

Tenderia a concordar com a receita de Sergey Radchenko, com a reserva que do ponto de vista da real politik a receita é de duvidosa viabilidade. Na verdade, é tudo menos certo que uma derrota dos exércitos russos na Ucrânia tenha como consequência o afastamento pela oligarquia russa de Putin, condição provavelmente necessária, mas não suficiente, para o regime autárquico abandonar a sua política imperial agressiva face à vizinhança. Se a história nos ensina alguma coisa, é que só em circunstâncias muito particulares, como uma devastadora guerra mundial, as potências derrotadas tiveram os seus líderes autocráticos removidos e adoptaram um regime democrático.

16/05/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (14)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

A geringonça municipal como antena putinesca

Primeiro, ficaram a conhecer-se os episódios da delação persistente pela câmara de Lisboa presidida pelo Dr. Medina, candidato a sucessor do Dr. Costa, dos dados pessoais dos organizadores de manifestações a várias embaixadas, nomeadamente à da Rússia de Putin.

Agora foi a vez da câmara de Setúbal, presidida por comunistas, que tem russos putinescos na Linha Municipal de Apoio aos Refugiados os quais pediram cópias dos passaportes e informações detalhadas aos refugiados ucranianos sobre os seus familiares na Ucrânia.

A solução dos socialistas para as falhas do socialismo é mais socialismo e mais Estado Sucial

A despesa pública total ultrapassou em 2021 os cem mil milhões de euros (101.727 milhões) graças ao aumento das despesas correntes já que as despesas de capital voltaram a diminuir para 8 mil milhões por força do expediente que tem feito do investimento público a autoestrada mexicana do PS.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

Não chegam os dedos das mãos e dos pés para contar as vezes que o antigo ministro da Economia anunciou durante seis anos a venda da EFACEC. O actual não lhe quer ficar atrás e já entrou na corrida tendo dado a Boa Nova quase todas as semanas, a última delas na quinta-feira passada anunciando o feliz desenlace para o fim de Junho. Tomai nota.

No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito

O ex-ministro Siza Vieira que anunciou, em vão, vezes sem conta, a venda da EFACEC nunca anunciou o seu envolvimento na concessão da nacionalidade portuguesa ao oligarca Abramovitch cujas ligações à comunidade sefardita devem ser mais ténues do que as deste vosso escriba – como é conhecido a partir da sexta ou sétima iteração é quase impossível não encontrar um elo de ligação entre duas pessoas quaisquer.

«Em defesa do SNS, sempre»

As Urgências do Hospital de São João no Porto receberam 1.022 “utentes” na segunda-feira da semana passada, afluxo que, não obstante contar com apenas 53 testes positivos, foi prontamente atribuído pelo jornalismo de causas a um novo surto da Covid. Enquanto isso, ninguém se questiona seriamente sobre as causas da afluência às urgências na sua maioria por casos sem gravidade.

Como mais uma presumível consequência da paixão socialista pelo SNS, os sistemas e os técnicos informáticos dos hospitais estão completamente impreparados para lidar com o cibercrime. O hospital Garcia de Orta que foi alvo de um ataque há três semanas continua sem acesso aos sistemas e a recorrer ao papel.

No ano passado, as viaturas do INEM estiveram sete mil horas inoperacionais, dos quais 5.400 horas por falta de tripulação, o valor mais alto desde 2014.

15/05/2022

What if Russia was losing the war on the ground and winning the war on the sanctions?

«Russian forces are struggling in Ukraine – the latest fiasco being the destruction of almost an entire battalion while trying to cross the Siverskyi Donets River. But the sanctions war? That does not appear to be going quite so badly for the Russians. At the beginning of the invasion there were assertions that this might be the first conflict won by the West by economic forces alone, without the need for a single western soldier to fire a weapon. Sanctions were immediately imposed, as well as the freezing of Russian assets. But two-and-a-half months on it is western economies which are struggling to cross metaphorical rivers, while the Russian economy has managed to dig in surprisingly well.

EuroIntelligence looked at figures for the Russian balance of payments – something the country no longer publishes, but which can be calculated from the figures other countries publish on their trade with Russia. Remarkably, it found that the value of Russia’s imports fell by 44 per cent last month – but the value of its exports rose by 8 per cent. While Europe talks of trying to reduce its reliance on Russian oil and gas, it is still importing significant volumes.

Moreover, the price that Europe is having to pay for its oil and gas has surged as a direct result of the war – in other words, sanctions are helping to boost the value of Russia’s exports. It is not just oil and gas, either: Europe continues to rely on imports of nickel, chrome, copper, palladium and aluminium. While European countries have at least tried to cut their imports from Russia, many of the country’s other buyers see no need to do so: the value of China’s imports from Russia surged 56 per cent last month. Much of the oil and gas which has stopped flowing to Europe has simply been redirected to Asia.

This doesn’t mean everything is rosy with the Russian economy. The 44 per cent plunge in Russia’s imports last month tells a story of its own: foreign goods which were previously being bought by Russian consumers are no longer getting through. But what it does mean is that Russia’s trade balance is rapidly building a surplus. Last year, Russia had a trade surplus of $120 billion: this year it could be twice that. Russia might have been militarily embarrassed and its citizens might be suffering from shortages in the shops, as well as losing their freedoms as a result of Vladimir Putin’s repressive rule. But the West won’t drive Russia to bankruptcy – at least for the foreseeable future.»


«Is Russia winning the sanctions war?», Ross Clark, The Spectator newsletter

14/05/2022

Pro memoria (422) - O Dr. Rendeiro foi um pentelho na pentelheira socialista, um pentelho sem pedigree, filho de um sapateiro, só podia acabar assim

Pentelhos anteriores: PrimeiroSegundo e Terceiro.

Em retrospectiva:

Nos últimos meses as televisões e os jornais foram assaltados por resmas de jornalistas de causas, políticos comentadores e opinion dealers que nos intervalos de nos acagaçarem com a pandemia nos ensopam as meninges com os feitos do Dr. Rendeiro, como se de repente a criatura fosse o responsável por todos os desastres por que este país tem passado pela mão de vários governos, com um especial destaque para os governos do PS com os seus apparatchiks e toda a tralha que trazem pendurada e onde se penduram.

«(...) e quando a tendência do direito penal é para punir menos tempo, Rendeiro apanhou ao todo 19 anos de cadeia. Isto faz sentido? Faz, se analisarmos o fenómeno da ascensão social em Portugal. João Rendeiro continua a ser descrito como “filho de um sapateiro”. Este pecado imperdoável fez dele um milionário diferente de Ricardo Salgado, protegido pela dinastia de que era a cabeça e a providência, o distribuidor de fundos e de dinheiro, ao ritmo de milhões por mês, para manter o clã abastado e contente. João Rendeiro nunca teve uma das proteções nacionais que asseguram ou a impunidade ou o débil juízo moral.» (Clara Ferreira Alves, no Expresso)

Epílogo

«João Rendeiro, antigo presidente do BPP, foi encontrado morto na cela da prisão da África do Sul onde se encontrava em prisão preventiva, aos 69 anos. A notícia foi avançada pela CNN Portugal e confirmada pelo Observador junto de June Marks, advogada de Rendeiro, que se preparava para deixar de representar o antigo banqueiro por falta de pagamento pela sua representação legal. “Os fundos dele esgotaram-se há quatro dias.”» (Observador)

Suicidado ou assassinado? Na pior prisão da África do Sul, com uma população prisional dez vezes superior à lotação, numa cela com mais umas dezenas de prisioneiros, é igual ao litro. Enquanto isso, comparem-se os 43 milhões que ainda faltam recuperar do BPP do Dr. Rendeiro com os milhares de milhões do GES de um Dr. Ricardo Salgado possuidor de um currículo criminal muito mais extenso, dispensado de comparecer em tribunal, fazendo férias na Sardenha, tratado com reverência respeitosa pelo jornalismo de causas, que chama para o seu julgamento dezenas de testemunhas entre as quais um ex-primeiro-ministro, o presidente do BdP e outras luminárias. Às eventuais condenações do Dr. Salgado nos vários processos em que é arguido seguir-se-ão recursos que muito provavelmente lhe permitirão bater a bota em descanso na sua confortável mansão.

Moral da estória

Os ricos são todos iguais mas há uns mais iguais do que outros, tudo dependendo se nasceram filhos de sapateiros ou de banqueiros.

13/05/2022

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (73) Unintended consequences (XXV)

Outras marteladas.

Recapitulando:

O intervencionismo do BCE, que copiou com atraso a Fed e o BoE, adoptando o alívio quantitativo e as taxas de juro negativas ou nulas, desde o «whatever it takes» do Super Mario de Julho de 2012, é parecido como terapêutica com a sangria dos pacientes praticada pela medicina medieval para tratar qualquer doença, incluindo a anemia. 

Agora, com a inflação a caminho, as medidas para a conter, depois de mais de uma década de alívio quantitativo e em cima dos incentivos relacionados com a pandemia, do aumento do preço dos combustíveis e, por último, das consequências da invasão da Ucrânia, arriscam-se a  criar uma recessão, como faz notar o texto seguinte da Economist.

«Uncle Sam has been on a unique path because of Mr Biden’s excessive $1.9trn fiscal stimulus, which passed in March 2021. It added extra oomph to an economy that was already recovering fast after multiple rounds of spending, and brought the total pandemic stimulus to 25% of gdp—the highest in the rich world. As the White House hit the accelerator, the Fed should have applied the brakes. It did not. Its hesitancy stemmed partly from the difficulty of forecasting the path of the economy during the pandemic, and also from the tendency of policymakers to fight the last war. For most of the decade after the global financial crisis of 2007-09 the economy was hung over and monetary policy was too tight. Predicting inflation’s return was for those who wore tinfoil hats.

Yet the Fed’s failure also reflects an insidious change among central bankers globally. As our special report in this issue explains, around the world many are dissatisfied with the staid work of managing the business cycle and wish to take on more glamorous tasks, from fighting climate change to minting digital currencies. At the Fed the shift was apparent in promises that it would pursue a “broad-based and inclusive” recovery. The rhetorical shift ignored the fact, taught to every undergraduate economist, that the rate of unemployment at which inflation takes off is not something central banks can control.

In September 2020 the Fed codified its new views by promising not to raise interest rates at all until employment had already reached its maximum sustainable level. Its pledge guaranteed that it would fall far behind the curve. It was cheered on by left-wing activists who wanted to imbue one of Washington’s few functional institutions with an egalitarian ethos.

The result was a mess which the Fed is only now trying to clear up. In December it projected a measly 0.75 percentage points of interest-rate rises this year. Today an increase of 2.5 points is expected. Both policymakers and financial markets think this will be enough to bring inflation to heel. They are probably being too optimistic again. The usual way to rein in inflation is to raise rates above their neutral level—thought to be about 2-3%—by more than the rise in underlying inflation. That points to a federal-funds rate of 5-6%, unseen since 2007.

Rates that high would tame rising prices—but by engineering a recession. In the past 60 years the Fed has on only three occasions managed significantly to slow America’s economy without causing a downturn. It has never done so having let inflation rise as high as it is today

12/05/2022

Pro memoria (421) - Berardo quer contribuir para a educação dos banqueiros e dos políticos do regime que o alimentou

Flash back (há 13 anos):

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do BCP. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Ver também os posts da etiqueta Porque ri Berardo?

Fast forward (13 anos depois):

«Joe Berardo diz que todo o processo das dívidas à banca lhe provocou elevados danos morais, inclusivamente uma profunda depressão, e reclama uma indemnização de pelo menos 100 milhões de euros, com a qual pretende, em parte, financiar bolsas de estudo a gestores bancários e cursos de ciência política aos deputados.

Na ação que colocou contra Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Novobanco e BES, o comendador diz-se vítima de quem o quer rotular de “Responsável Disto Tudo”, de quem o acusa de ser o causador de “todos os males da banca” que teve de ser socorrida pelos contribuintes, numa estratégia concertada para mascarar as falhas das próprias instituições financeiras, do Banco de Portugal e do Governo.»