Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

26/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (5) - Interventionalists take note and try to understand complex societies

Continuation of (1), (2), (3), (4)

According to Iran’s state broadcaster Press TV an official has said «Iran will end the war when it decides to do so and when its own conditions are met,» and outlined five conditions:
  1. A complete halt to "aggression and assassinations" by the enemy
  2. The establishment of concrete mechanisms to ensure that the war is not reimposed on the Islamic Republic
  3. Guaranteed and clearly defined payment of war damages and reparations
  4. The conclusion of the war across all fronts and for all resistance groups involved throughout the region
  5. International recognition and guarantees regarding Iran's sovereign right to exercise authority over the Strait of Hormuz.
Mr Trump was right when he derided “interventionalists” for “intervening in complex societies that they did not even understand themselves”.

25/03/2026

Crónica da passagem de um governo (42b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 42a)

A conversa da treta é irresistível

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Dr. Pinto Luz, fez no parlamento um vibrante discurso patriótico criticando quem «dá a carne aos privados e fica com o osso», discurso que deve ter provocado ao líder do PCP Dr. Paulo Raimundo um orgasmo, ali mesmo na bancada. O Dr. Pinto Luz garantiu que a CP não será desmantelada o que poderia ser uma boa ou má notícia dependendo do que se faria a seguir. Disse ainda que a CP «não vai dar um, nem dois, nem três, nem quatro milhões de euros [de lucro]. Vai dar mais.» Por engano o Dr. Pinto Luz disse lucro querendo dizer que é o saldo entre os prejuízos operacionais de dezenas de milhões de euros e os mais de 100 milhões de compensações que a CP recebe do dinheiro dos contribuintes, incluindo os que não usam o comboio.

E por que não mudar a escala dos termómetros?

Subsidiar os preços dos combustíveis já é um disparate, fixar os preços da electricidade como o governo promete no caso de crise energética é assim como para fazer face a uma epidemia de gripe com febres elevadas o governo decretar a mudança de escala dos termómetros.

No fundo, a aspiração dos portugueses é serem funcionários públicos

mais liberdade

Emprego vitalício, “progressões” automáticas, antiguidades, etc. dão em “precariedades” e no resto.

Take Another Plan. O governo tem dúvidas se privatiza

O Dr. Montenegro disse, traduzido em português corrente, que o governo só privatiza a TAP se o comprador garantir o aproveitamento de toda a capacidade aeroportuária, o que levanta, desde logo, a dúvida se o Dr. Montenegro inclui nesse aproveitamento o aeroporto de Beja (para quem não fizer ideia do que está em causa, sugiro a leitura da série de posts que dediquei ao assunto). É claro que aos potenciais interessados também convirá saber o que pensa o governo que pretende que um operador privado com uma minoria (44,9%), sujeito a decisões potencialmente delirantes, vá torrar dinheiro para comprar e ainda tenha de garantir o aproveitamento de toda a capacidade aeroportuária. Talvez por isso, um dos interessados, o grupo IAG (BA e Iberia), já fez saber que também tem dúvidas.

24/03/2026

Crónica da passagem de um governo (42a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Derrapagem é o outro nome para a gestão das obras do Estado sucial

Em 2003 a construção do Hospital Oriental de Lisboa ou Hospital de Todos os Santos foi considerada prioritária (ver aqui a estória resumida). Desde então o projecto andou de Herodes para Pilatos e, por último, 100 milhões dos contribuintes europeus via PRR que iriam financiar uma das alas ficaram comprometidos por atraso na construção.

O Estado sucial é lerdo até a gastar o dinheiro dos outros

Dos 21,9 mil milhões do PRR, cerca de 70% (13,7 mil milhões) já foram torrados numa multidão de projectos, muitos deles sem retorno que justificasse o dinheiro neles torrado. Dos restantes 30% uma parte irá provavelmente perder-se porque os projectos não serão aprovados até 31 de Agosto. Irá perder-se? Depende da perspectiva. Do lado de lá é uma poupança, do lado cá são uns dinheiros que dariam jeito para disfarçar o marasmo.

Quereis reformas? Ora tomai lá disto

No caso de incumprimento do dever de diligência, um gestor privado é civilmente responsável pelas perdas sofridas pela empresa, pelos seus sócios e terceiros, pelos credores sociais e ainda por incumprimento fiscal, podendo (e nalguns casos devendo) dispor de uma garantia financeira. 

A ninguém passaria pela cabeça exonerar os gestores das suas responsabilidades. Salvo se as cabeças forem as de um governo que quer acabar com a «ameaça que paralisa a administração pública» pelo receio de decidir, limitando as responsabilidades dos gestores públicos à negligência grosseira e ao dolo, isto é, aos casos de incompetência terminal e crime. E foi assim que o ministro da Reforma do Estado, Dr. Matias, anunciou a sua primeira grande reforma.

No Estado sucial importa apenas a ignorância. A especialidade é irrelevante

O mês passado foi nomeado um enfermeiro para a coordenação da EMER 2030, um zingarelho para acelerar o licenciamento de projetos de energias renováveis. Dado o escândalo, umas semanas depois foi nomeado em substituição do enfermeiro um advogado, actual vogal da junta de freguesia de Alvalade.

O Estado sucial é um caloteiro

Pódio dos caloteiros (Fonte)

Que o Estado é mau pagador não é novidade, mas, que diabo, levar em média 6,5 anos para pagar as facturas é um bocadinho exagerado. A não ser por se tratar de financiar a inovação…

E, no entanto, o eleitorado não parece preocupado com a governação

Como mostra a sondagem ICS/ISCTE para o Expresso, as maiores insatisfações dos eleitores são com aquilo pelo qual o governo não pode fazer muito: custo da habitação (74% de insatisfeitos), custo de vida (64%) e corrupção (63%).

(Continua)

23/03/2026

Pro memoria (146) - Os cortes no orçamento federal anunciados pelo Sr. Musk pareciam ser um bocadinho magalómanos... e estão a ser

Continuação de Os cortes no orçamento federal anunciados pelo Sr. Musk podem ser um bocadinho magalómanos e de Os cortes no orçamento federal anunciados pelo Sr. Musk podem ser um bocadinho magalómanos... e o défice pode ainda aumentar

Recordemos que o Sr. Musk garantiu em plena campanha eleitoral em 2024 num comício MAGAlómano no Madison Square Garden que iria cortar um terço do orçamento federal anual de US$ 7 biliões, o equivalente a US$ 2,3 biliões (2.300.000.000.000). 

Consumado o divórcio Musk-Trump, passado um ano e meio desde o anúncio e apenas cinco meses do ano fiscal de 2026 iniciado em Outubro e ainda sem a despesa militar decorrente do ataque ao Irão ao fim da 3.ª semana estimada em cerca de USD 20 mil milhões (o governo pediu ao Congresso um reforço do orçamento militar de USD 200 mil milhões), os dados oficiais mostram uma dívida federal em constante crescimento que já ultrapassou a do ano fiscal anterior.
Treasury.gov

Nas palavras do Committee for a Responsible Federal Budget «No matter what metric one chooses to examine our fiscal trajectory, we are clearly headed in the wrong direction. Gross debt is now $39 trillion; debt held by the public recently surpassed $31 trillion for the first time; deficits are approaching $2 trillion; and deficits as a share of the economy are twice as large as the 3% goal many economists and bipartisan policymakers believe we ought to be targeting.?»

22/03/2026

DIÁRIO DE BORDO: Peter Hegseth e Aziz Nasirzadeh, semelhanças e diferenças

Descubra as diferenças

«The war in Iran is protected by God», disse Peter Hegseth, o secretário de Estado da Defesa, perdão, secretário de Estado da Guerra, em entrevista ao programa 60 Minutes Overtime da CBS News. 

Dei comigo a pensar que o general de brigada Aziz Nasirzadeh, o homólogo de Peter Hegseth no Irão, poderia ter dito, em nome de Alá, algo equivalente sobre o ataque ao seu país pela tropa comandada pelo seu homólogo.

E daí a dúvida. Afinal, quais são as diferenças entre Pete Hegseth e Aziz Nasirzadeh? Ocorreram-me várias, por exemplo, Hegseth foi acusado e julgado por assédio sexual, o que seria impossível acontecer a Aziz Nasirzadeh, talvez por boas e, certamente, por más razões. Porém, a maior diferença é que Aziz Nasirzadeh e o seu chefe Supremo Aiatollah Ali Khamenei estão mortos desde o dia 28 de Fevereiro em consequência de um ataque ordenado por Pete Hegseth e o seu chefe, e estes ainda estão vivos.

De volta à Mota-Engil e aos "fundos-abutre"

Faz um tempo, comentei aqui a ridícula conclusão de uma peça do Expresso com o título "Quem são os 'fundos abutres' que investem quase €300 milhões para a bolsa nacional se afundar?" (*) de que existe um enorme risco de uns fundos afundarem uma bolsa na qual controlam menos de 0,5% da capitalização bolsista de 11 empresas portuguesas.

Algum tempo depois, à mesma conclusão chegou o artigo «Mota-Engil foi a “vítima perfeita para um fundo abutre”, diz administrador financeiro». Já agora, recorde-se que a Mota-Engil teve como presidente executivo durante vários anos o Dr. Jorge Coelho, ministro de vários governos socialistas e eminência parda do PS e do regime. Desta vez, o abutre foi identificado como o Muddy Waters Capital Domino Master Fund que, apenas com uma posição curta de 0,65% que reduziu para 0,57%, teria segundo o artigo alcançado o milagre de afundar as cotações da Mota-Engil em quase 40%.

O passo seguinte foi uma entrevista ao Expresso do presidente da Mota-Engil em que este acusou o Muddy Waters de "manipulação do mercado" por deter posições a descoberto de 0,65% do capital, no qual a família Mota perdeu em 2021 a maioria por ter vendido aos chineses da CCCC (+)  China Communications Construction Company -, venda determinada pelas dificuldades da Mota-Engil de pagar a dívida pantagruélica ao Novo Banco, herdada por este do BES. 

Desta vez, o tiro saiu pela culatra porque um ano depois dessa entrevista a Muddy Waters «moveu um processo de difamação no tribunal federal do Texas contra Carlos Mota dos Santos». É um exagero. Não havia necessidade - se o ridículo fosse mortal, a "difamação" teria morto a Mota-Engil.
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(*) Os "fundos abutres" praticam o short selling ou venda a descoberto que consiste em vender um activo esperando comprá-lo mais tarde a uma cotação menor, o que só faz sentido para o fundo se tiver expectativas que o activo em causa está sobreavaliado. Em mercados evoluídos, considera-se que esta prática reduz o risco para os investidores e aumenta a liquidez e a estabilidade dos mercados.

(+) A Mota-Engil foi mais um dos "centros de decisão nacional" vendidos a estrangeiros devido ao endividamento de públicos e privados e à descapitalização da economia portuguesa.

20/03/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (4) - He now knows that "complex societies" with zero capacity can inflict huge damage

Continuation of (1), (2), (3)

«Although President Donald Trump says he has “destroyed 100% of Iran’s Military Capability”, the 0% that remains is playing havoc with the global economy by choking off 10-15% of its oil supply.» (Source)

Yes, Mr Trump was right when derided «interventionalists» for «intervening in complex societies that they did not even understand themselves».


«Vexed by negative coverage, Mr Trump is describing critical media outlets as “Corrupt and Highly Unpatriotic”. On March 15th he said he was “thrilled” to hear that his Federal Communications Commission might review the broadcast licences of those that peddle “FAKE NEWS”

19/03/2026

Bons exemplos (144) - Leitura recomendada aos membros actuais e futuros dos governos do Portugal dos Pequeninos

Não desconhecendo a diferença entre intenções e realizações e acreditando que sem boas intenções não há boas realizações (as opiniões dividem-se a este respeito), recomendaria aos membros dos governos actuais e futuros a leitura integral da mensagem aos funcionários da administração pública inglesa (que lá, não por acaso, se chama Civil Service) de Antonia Romeo, recentemente nomeada Secretária do Gabinete e Chefe do Serviço Civil, mensagem da qual à guisa de teaser extraio alguns trechos.

«The Civil Service has deep skills and expertise, but we need to continue to modernise and innovate. I have spent much of the past five years talking to civil servants across the country about what they want from the Civil Service. What you have told me is that you want to change the things that get in the way of you doing your jobs. You want us to be more productive, to do things differently. You want to be proud of what you achieve. Civil Service modernisation needs to embrace your ideas and have innovation at its core.

I have given my career to public service because I care passionately about the country and the importance of democracy. No one will be a stronger advocate of the Civil Service than I am. I will stand up strongly for the Civil Service and I will work with you all to maintain and build trust in our institution. In 25 years I have seen civil servants respond to huge challenges with creativity, resilience, and determination. I know what we can achieve together.

Finally, my commitment to you as your Cabinet Secretary is to provide the energy, direction and support you need to excel. I will always take pride in what we do. You do some of the hardest jobs in the country - and you do them because they are hard, not in spite of them being hard.

That is the heart of public service. Every single person in the country, every day, depends on our work. That should be a matter of pride for us all, and something we should all carry with us.»