Por mais do que os 2/3 necessários, Portugal foi eleito pela Assembleia da ONU como membro não-permanente do Conselho de Segurança. Mais do que o alegado prestígio internacional que as elites caseiras e o jornalismo de causas, dando a graxa a si próprios, atribuem aos 134 votos, este resultado é sobretudo a consequência de uma presença inócua na política internacional que não gera anticorpos. Não, esta não é uma consideração negativa do papel de Portugal.
Ao ficar a saber-se que dos cerca 5,3 milhões de empregados em Portugal mais de um milhão tiveram o ano passado baixas por doença (muitos deles por autodeclaração), cujos subsídios foram em média diária 2,3 milhões de euros, lembrei-me deste post do outro contribuinte, cujo título roubei, que enumera umas dezenas de maleitas que assolam milhões de portugueses explicando assim a pletórica frequência de baixas por doença.
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»
No mês de Abril bateu-se mais um recorde do número de “utentes” (acho esta palavra um achado para designar os cidadãos que não usam o SNS) sem médico de família (MdF) que atingiu em Abril o bonito número de 1.646.279, segundo o Portal da Transparência do SNS.
Conforme se vê no gráfico, a coisa veio sempre a subir desde Agosto de 2019 e atingiu o máximo em Maio de 2023, depois de dezenas de promessas do Dr. Costa de atribuir um MdF a todos os utentes.
Sem pretender limpar a folha do Dr. Montenegro que em tempos se atribuiu a missão impossível de resolver num ano os problemas do SNS, e que deixou escorregar os 1.565.880 utentes sem MdF que recebeu do Dr. Costa em Abril de 2024, para 1.646.279 dois anos depois, terei de conceder que a missão de salvamento do SNS fica difícil com a propensão dos utentes para a doença.
O Dr. Montenegro está a disparar para o lado a bazuca do Dr. Costa
O Conselho das Finanças Públicas e a Unidade Técnica de Apoio Orçamental alertam para uma execução de apenas 45% do PRR a um ano do termo. Será que o governo leu “O Vício dos Fundos Europeus” de Nuno Palma e concluiu que o dinheiro de Bruxelas faz parte do problema e não da solução?
O governo chutou as filas de espera para a Bruxelas que as devolve
O governo tentou chutar para Bruxelas a responsabilidade pelos problemas de implementação do Entry/Exit System (EES) para controlo dos passaportes que começou a funcionar em Outubro do ano passado, teve de ser suspenso em Dezembro e voltou a funcionar em Abril multiplicando as filas de espera nos aeroportos. A CE responde que os «tempos de espera mais longos, não estão relacionados com quaisquer problemas no funcionamento do Sistema de Entrada/Saída» e que «na maioria dos Estados-membros o processamento dos registos de primeira vez demora, em média, pouco mais de um minuto». Talvez seja porque nenhum desses países tem «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA».
