| Declaration of Independence, oil on canvas by John Trumbull, 1818; U.S. Capitol Rotunda, Washington, D.C. |
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
05/07/2026
It was already known that democracy is the worst form of government, except for all the others, and it is confirmed that democracy can be broken
04/07/2026
Crassus fits Donald better than Caligula
The folly of war
The Telegram (May 9th) compared Donald Trump to Caligula. As Caligula never started a war it would be more appropriate to compare Mr Trump to another Roman leader, Marcus Licinius Crassus. Crassus was a real-estate tycoon who made his fortune by buying the properties of those purged after a civil war. Frustrated that he had not received the credit he thought was his for having quelled Spartacus’s slave revolt, he was eager to gain glory through a victory against a “real” enemy. With the help of his buddies in the triumvirate, Caesar and Pompey, he got his chance in 53BC. Crassus was assigned to subdue Parthia, an empire that covered today’s Iraq and Iran. Ignoring advice from his generals, Crassus rushed headlong into the desert and the Parthian armoured cavalry, resulting in one of the largest defeats suffered by a Roman army. The Parthians cut off his head and poured molten gold into his mouth.
PAUL VANDERBROECK [Letter from a Reader of The Economist]
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Trump's BEAUTIFUL FINAL deadlines have a BIG mortality rate
- Trump initially gave Iran a deadline to reopen the Strait.
- He extended that deadline once rather than acting.
- He extended it again by about 10 days, saying he was pausing military action while giving diplomacy another chance.
- Today he issued a final 48-hour deadline, warning, «A whole civilization will die tonight».
02/07/2026
Continuamos muito "competivos", como dizia o Dr. Costa, e pouco competitivos
À ineficiência empresarial não é alheio o facto de, num país com 11,4 milhões de residentes, existirem 1,5 milhões de empresas não financeiras, das quais 96% são microempresas (em muitos casos, meros expedientes de profissionais isolados para diminuir a punção fiscal), 3,9% são PME e os 0,1% residuais são as grandes empresas que representam 36,4% do VAB total. É isto que temos, empresas pequeninas num país pequenino, com mentes pequeninas e egos inchados, sofrendo do complexo de Eduardo Lourenço.
01/07/2026
A ameaça de falência do Estado Social na pátria do capitalismo
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Na altura da criação do fundo americano de segurança social, em 1940, por cada pensionista havia 150 contribuintes, actualmente há menos de três. As reservas que atingiram o máximo de USD 2,8 biliões caíram para USD 400 mil milhões (triliões e biliões, respectivamente na escala curta). A diferença entre os rendimentos do fundo e os pagamentos em 2025 ultrapassou USD 200 mil milhões (cerca de 0,7% do PIB). Se nada for feito, estima-se que em 7 a 8 anos o fundo se esgote e as pensões tenham de ser reduzidas todos os anos.
Por alturas da criação do fundo americano, não existia em Portugal um sistema de segurança social universal que só foi criado com a reforma de 1962. Em 1970, existiam cerca de 13 contribuintes por cada pensionista, rácio que foi descendo até 1,5 antes do surto de imigração, tem vindo a aumentar e situa-se actualmente em cerca de 1,7. Segundo as projecções, a partir de 2035 as contribuições deixarão de ser suficientes para pagar as pensões e o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) actualmente com 42 mil milhões, graças às contribuições dos imigrantes, ficará esgotado por volta de 2050.
30/06/2026
Crónica da passagem de um governo (56b)
Uma da maiores falhas na construção do mercado único europeu é o sector de serviços onde está quase tudo inalterado, com excepção do tímido passo da Directiva FOS (Livre Prestação de Serviços). Uma das consequências práticas é que não há um mercado único de serviços, há 27 mercados nacionais num sector em que os obstáculos à concorrência são grandes, mesmo dentro do mesmo mercado nacional, devido à limitação pela dimensão e à granulosidade que impede a comparação entre serviços (exemplo entre muitos outros: na advocacia a diversidade dos quadros legais e regulamentares e das práticas jurídicas impedem praticamente a concorrência entre profissionais de países diferentes). Essa fragmentação dos mercados de serviços tem várias consequências, como seja a dificuldade dos operadores ganharem dimensão e melhorarem a qualidade dos serviços e a sua produtividade e a falta de concorrência com efeitos directos no nível dos preços.
O diagrama acima, extraído do relatório do FMI sobre Portugal, mostra bem como o impacto do aumento do preço dos serviços em Portugal é o factor determinante na inflação subjacente (core inflation). A maldição da tabuada Repetindo-me, a dificuldade com os números é uma realidade recorrente no Portugal dos Pequeninos, em geral, e em particular nos “gestores” (vejam-se numerosos exemplos na etiqueta “a tabuada faz muita falta”). No caso dos políticos, com poucas excepções, da teoria dos números só conhecem os imaginários. No caso das instituições, um exemplo recente é o de uma instituição cujo propósito é, precisamente, lidar com os números do Portugal dos Pequeninos, incluindo as Estatísticas Demográficas cuja edição de 2024 o INE ainda não publicou por ainda não ter todos os dados demográficos, nomeadamente os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo. Finalmente com atraso de anos, o INE informou-nos do resultado da irresponsabilidade da política socialista de imigração, nos anos dos governos do Dr. Costa em que o expediente da “manifestação de interesse” permitiu uma entrada descontrolada de imigrantes que encontraram emprego, como aqui já escrevemos várias vezes, nos sectores com menor valor acrescentado, principalmente agricultura e turismo onde os imigrantes representam quase metade da mão-de-obra. E, de repente, o elefante entrou na sala Toda a gente deveria saber que a riqueza de um país resulta principalmente da produtividade dos seus trabalhadores, que esta não se altera aumentando os salários e que a produtividade do trabalho depende do valor dos bens produzidos, do número de trabalhadores envolvidos e do tempo de trabalho. Por isso, se a produção se mantém e o número de trabalhadores e/ou o tempo de trabalho aumentam, a produtividade desce e o país fica mais pobre. Como há anos se vem escrevendo nesta oficina, a baixa produtividade tem sido o calcanhar de Aquiles do Portugal dos Pequeninos. Ainda há dias nestas crónicas se constatava a diferença de 14,6 pontos percentuais entre a produtividade portuguesa de 66,8% da média da UE e o salário médio que representa 81,4% dessa média.
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29/06/2026
Crónica da passagem de um governo (56a)
Ao discurso do Dr. Montenegro no congresso do PSD não se aplicaria a boutade de Helvétiuis «um dilúvio de palavras num deserto de ideias», mas antes «um dilúvio de palavras num dilúvio de vacuidades». Uma dessas vacuidades é a referência ao Amália, o modelo português de IA, que ele anunciou na Web Summit de 2024 e agora diz que estará pronta em Julho, e apresentou como uma das «Dez medidas de um Governo reformista para fazer Portugal maior». Segundo ele, a coisa irá promover a cultura portuguesa, «apoiar operações mais críticas, como nas Forças Armadas, na Marinha em particular, através da análise segura de dados em tempo real em visitas virtuais ao nosso património cultural» e até «auxiliar e poupar tempo aos professores no planeamento das suas aulas».
E eu a pensar que o Amália seria apenas um karaokê alucinado. Afinal não é, porque com a falência da Unbabel o karaoke foi abandonado. É uma versão lusitana de um modelo europeu já existente o EuroLLM-9B, desenvolvido sob os auspícios da eurocracia bruxelense, e ao contrário deste último o Amália não será acessível pelos “utentes” e segundo o governo servirá para aplicações no Estado sucial, onde, não será difícil de prever, se dissolverá num oceano de incompetência, negligência e burocracia.
Fundo Soberano do Dr. Montenegro, uma espécie de PREC cor-de-laranja
Não estou surpreendido pelo facto da ideia, no mínimo bizarra, da criação de um “fundo soberano” não estar a ser mal acolhida pela comentadoria, com poucas excepções. Afinal explica-se pelo complexo de Eduardo Lourenço que os governos aproveitam para afagar os sentimentos de inferioridade de um país que não tem recursos naturais abundantes e elevadas reservas de divisas (como a Noruega ou os emiratos), nem capacidade de investimento público (os governos circulam numa autoestrada mexicana e nos últimos dois anos a taxa de execução desceu para 80% a 85% ), que os fundos soberanos exigem, nem a visão de longo prazo e hábitos de gestão rigorosa.
É um mal-entendido que Luís Marques descreve com ironia: «enquanto Medina, que é socialista, queria um fundo para promover “investimentos estruturantes”, uma ideia social-democrata, Luís Montenegro, que é social-democrata, propõe um fundo para investir em sectores estratégicos, uma ideia socialista».
Os "relações públicas" do governo da AD são quase tão bons como os do PS
Um pouco por todas as redacções, os jornalistas de causas amigos relevaram em títulos encomiásticos o lucro de 4,9 milhões da CP, ou seja, menos de 2% das suas receitas, que incluem 111 milhões de subsídios, que representaram mais de 1/3 da sua facturação (282,8 milhões de bilhetes e 21,4 milhões de manutenção).
O Dr. Matias pode não ter jeito para fazer reformas, mas dispondo de um talento excepcional para fazer anúncios, também não é um bom contador de estórias
À estória do Dr. Matias que o TdC atrasou o novo hospital de Lisboa anos e lhe aumentou em 164 milhões o custo, respondeu o Tribunal com factos que estragaram a estória do Dr. Matias e entre eles o de que o contrato lhe chegou em Fevereiro de 2024, já com um reescalonamento de despesa, e teve o visto três meses depois. Em vez desta mal alinhavada, o Dr. Matias podia ter aproveitado a ocasião para contar uma outra estória que vem desde 2003, a do próprio novo hospital de Lisboa, para mostrar a inépcia de 11 (onze) governos) até chegar ao TdC, e retirar daí o prognóstico de que o Fundo Soberano que o seu chefe anunciou terá todas as condições para ser um grandioso fiasco, se não morrer às mãos do próximo governo.
O Estado sucial como máquina de extorsão
| mais liberdade |
Onde todos os governos, sem excepção que recorde, se têm revelado muito eficazes é na extração de rendimentos aos contribuintes com uma progressão progressiva do tipo função zingarilho, em que o escalão de rendimento mais alto aumentou mais do dobro do escalão mais baixo. Canários na mina de carvão O relatório do FMI sobre Portugal publicado há dias prevê a continuação dos crescimentos medíocres até 2028 (1,7%, 1,6% e 1,8%) e evidencia outros aspectos não menos preocupantes, como a contribuição crescente do consumo privado para o crescimento real do PIB, em comparação com a contribuição decrescente do investimento e das exportações. |
E agora algo muito impopular de se dizer
O sismo de Caracas - uma catástrofe num país a cair de maduro após três décadas de socialismo chávista - fez até agora milhares de vítimas às quais se acrescentarão muitas outras quando o balanço estiver feito. O governo português enviar ajuda para um país com uma importante presença de portugueses (50 mil nascidos em Portugal e cerca de 200 mil inscritos nos consulados), dos quais, até agora, seis portugueses e várias dezenas de descendentes se encontram entre as vítimas, faz todo o sentido. Fará sentido enviar como ajuda uma comitiva com 60 elementos dos quais nem um terço estarão qualificados para ter um papel activo no resgate das vítimas? Não será sobretudo mais um exemplo da ineficiência (e provável ineficácia) do Estado sucial a socorrer vítimas de acidentes?
(Continua)
