Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

29/06/2026

Crónica da passagem de um governo (56a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Amália, o teste à vacuidade

Ao discurso do Dr. Montenegro no congresso do PSD não se aplicaria a boutade de Helvétiuis «um dilúvio de palavras num deserto de ideias», mas antes «um dilúvio de palavras num dilúvio de vacuidades». Uma dessas vacuidades é a referência ao Amália, o modelo português de IA, que ele anunciou na Web Summit de 2024 e agora diz que estará pronta em Julho, e apresentou como uma das «Dez medidas de um Governo reformista para fazer Portugal maior». Segundo ele, a coisa irá promover a cultura portuguesa, «apoiar operações mais críticas, como nas Forças Armadas, na Marinha em particular, através da análise segura de dados em tempo real em visitas virtuais ao nosso património cultural» e até «auxiliar e poupar tempo aos professores no planeamento das suas aulas».

E eu a pensar que o Amália seria apenas um karaokê alucinado. Afinal não é, porque com a falência da Unbabel o karaoke foi abandonado. É uma versão lusitana de um modelo europeu já existente o EuroLLM-9B, desenvolvido sob os auspícios da eurocracia bruxelense, e ao contrário deste último o Amália não será acessível pelos “utentes” e segundo o governo servirá para aplicações no Estado sucial, onde, não será difícil de prever, se dissolverá num oceano de incompetência, negligência e burocracia.

Fundo Soberano do Dr. Montenegro, uma espécie de PREC cor-de-laranja

Não estou surpreendido pelo facto da ideia, no mínimo bizarra, da criação de um “fundo soberano” não estar a ser mal acolhida pela comentadoria, com poucas excepções. Afinal explica-se pelo complexo de Eduardo Lourenço que os governos aproveitam para afagar os sentimentos de inferioridade de um país que não tem recursos naturais abundantes e elevadas reservas de divisas (como a Noruega ou os emiratos), nem capacidade de investimento público (os governos circulam numa autoestrada mexicana e nos últimos dois anos a taxa de execução desceu para 80% a 85% ), que os fundos soberanos exigem, nem a visão de longo prazo e hábitos de gestão rigorosa.

É um mal-entendido que Luís Marques descreve com ironia: «enquanto Medina, que é socialista, queria um fundo para promover “investimentos estruturantes”, uma ideia social-democrata, Luís Montenegro, que é social-democrata, propõe um fundo para investir em sectores estratégicos, uma ideia socialista».

Os "relações públicas" do governo da AD são quase tão bons como os do PS

Um pouco por todas as redacções, os jornalistas de causas amigos relevaram em títulos encomiásticos o lucro de 4,9 milhões da CP, ou seja, menos de 2% das suas receitas, que incluem 111 milhões de subsídios, que representaram mais de 1/3 da sua facturação (282,8 milhões de bilhetes e 21,4 milhões de manutenção).

O Dr. Matias pode não ter jeito para fazer reformas, mas dispondo de um talento excepcional para fazer anúncios, também não é um bom contador de estórias

À estória do Dr. Matias que o TdC atrasou o novo hospital de Lisboa anos e lhe aumentou em 164 milhões o custo, respondeu o Tribunal com factos que estragaram a estória do Dr. Matias e entre eles o de que o contrato lhe chegou em Fevereiro de 2024, já com um reescalonamento de despesa, e teve o visto três meses depois. Em vez desta mal alinhavada, o Dr. Matias podia ter aproveitado a ocasião para contar uma outra estória que vem desde 2003, a do próprio novo hospital de Lisboa, para mostrar a inépcia de 11 (onze) governos) até chegar ao TdC, e retirar daí o prognóstico de que o Fundo Soberano que o seu chefe anunciou terá todas as condições para ser um grandioso fiasco, se não morrer às mãos do próximo governo.

O Estado sucial como máquina de extorsão

mais liberdade

Onde todos os governos, sem excepção que recorde, se têm revelado muito eficazes é na extração de rendimentos aos contribuintes com uma progressão progressiva do tipo função zingarilho, em que o escalão de rendimento mais alto aumentou mais do dobro do escalão mais baixo.

Canários na mina de carvão

O relatório do FMI sobre Portugal publicado há dias prevê a continuação dos crescimentos medíocres até 2028 (1,7%, 1,6% e 1,8%) e evidencia outros aspectos não menos preocupantes, como a contribuição crescente do consumo privado para o crescimento real do PIB, em comparação com a contribuição decrescente do investimento e das exportações.

















E agora algo muito impopular de se dizer

O sismo de Caracas - uma catástrofe num país a cair de maduro após três décadas de socialismo chávista - fez até agora milhares de vítimas às quais se acrescentarão muitas outras quando o balanço estiver feito. O governo português enviar ajuda para um país com uma importante presença de portugueses (50 mil nascidos em Portugal e cerca de 200 mil inscritos nos consulados), dos quais, até agora, seis portugueses e várias dezenas de descendentes se encontram entre as vítimas, faz todo o sentido. Fará sentido enviar como ajuda uma comitiva com 60 elementos dos quais nem um terço estarão qualificados para ter um papel activo no resgate das vítimas? Não será sobretudo mais um exemplo da ineficiência (e provável ineficácia) do Estado sucial a socorrer vítimas de acidentes?

(Continua)

25/06/2026

Crónica da passagem de um governo (55b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 55a)

Canários na mina de carvão

Com excepção do ministério das Finanças, que tem fé num crescimento de 2% este ano, todas as outras previsões variam entre o realismo da Católica (1,5%), que estranhamento não acredita em milagres, e o realismo tardio do FMI que na última revisão cortou mais 0,2 pontos percentuais e está agora em 1,7%. A economia que estagnou no 1.º trimestre em relação ao anterior, não dá mostras de se animar no 2.º trimestre, segundo a maioria dos gurus. (fonte)

O excedente externo até Abril desceu 47% em relação ao mesmo quadrimestre do ano passado (BdP). O saldo orçamental do 1.º trimestre, que no ano passado foi nulo, este ano foi, segundo o INE, negativo (510 milhões ou 0,7% do PIB).

Com este quadro, não é surpreendente que a emissão de mil milhões de euros de Bilhetes do Tesouro a 2 anos tenha ficado quase oito pontos-base acima da emissão comparável em Abril. (fonte)

O Dr. Montenegro exorta à competitividade

O Dr. Montenegro apela ao país para melhorar a produtividade, as competências profissionais e a inovação? Não exactamente, ele apela para o «Governo, a administração pública, as universidades, politécnicos, agentes económicos» serem competitivos a concorrer aos subsídios do fundo europeu de competitividade.

Aumentar o salário mínimo só precisa de um decreto. Aumentar a produtividade é um pouco mais difícil (Bis)
 
Expresso

Os 14,6 pontos percentuais de diferença entre uma produtividade que é 66,8% da média da UE, contra um salário médio que representa 81,4% dessa média, explicam muita coisa, 

[Não tendo a certeza de que Confúcio estivesse certo a respeito do valor das imagens, volto a publicar dois diagramas diferentes dos da semana passada, uma vez mais, em intenção das almas atreitas ao pensamento milagroso que acreditam que se aumenta a produtividade aumentando os salários ou que a riqueza se pode aumentar sem aumentar a produtividade ou que a produtividade se pode aumentar sem aumentar o desempenho dos trabalhadores.]

Promovendo a mediocracia no país…

mais liberdade

… e nos utentes da vaca marsupial pública

A AD pode estar a cair nas sondagens, mas isso não impede o governo de subir nas nomeações e ganhar terreno ao PS, o grande especialista da ocupação do aparelho do Estado sucial, e nomear os seus fiéis para dois terços dos centros distritais do Instituto da Segurança Social.

Boa Nova. Más notícias para os brilharetes dos excedentes fabricados

Como aqui explica o economista Óscar Afonso, a despesa líquida, isto é a despesa primária financiada pelo país, excluindo os donativos de Bruxelas, passará a ser o indicador principal para avaliar a execução orçamental. Das novas regras resultará que no próximo ano o défice orçamental possa ultrapassar 0,5% do PIB e dar origem a um procedimento por défice excessivo.

O Dr. Montenegro continua a abusar dos superlativos

À medida que a AD se afunda nas sondagens, mais o Dr. Montenegro se transcende ao adjectivar a realidade. A semana passada, entre os múltiplos exemplos de adjectivação aditivada com que nos brindou, destaco a sua declaração sobre a PSU que considera «uma proposta que quebra a armadilha da pobreza, acredita no potencial de cada um, reconhece o seu esforço e o seu mérito, incentiva o trabalho e apoia na construção de projetos de vida com futuro e com dignidade». Tal consideração não impediu uma negociação atabalhoada e sem princípios, ora com o Chega ora com o PSD, que conduziu a um resultado sobre o qual nem o próprio PS se entende.

É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença

Além do que já sabia sobre a propensão nacional à doença, segundo o relatório 'Saúde do Cérebro em Portugal', da Headway, quase metade da população (47,1%) sofre de doenças cerebrais e o impacto económico ultrapassa os 4,7 mil milhões de euros anuais em despesas diretas de saúde (fonte).




23/06/2026

Crónica da passagem de um governo (55a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Fundo Soberano uma espécie de PREC cor-de-laranja

Num país como o Portugal dos Pequeninos que durante o PREC teve governos de inspiração comunista que nacionalizaram centenas de empresas dos sectores mais dinâmicos, deixando a economia de rastos durante o PREC, e desde então vem tentando timidamente diminuir a intervenção do Estado na economia, o que pode levar um primeiro-ministro a anunciar num congresso do seu partido a criação de um “fundo soberano” que «será um instrumento de autonomia e intervenção do Estado em setores estratégicos. (… com) a intenção ... de termos participações acionistas de forma a garantir um veículo de poupança para as gerações futuras e um instrumento de efetivar a soberania nacional, (…) em áreas como a energia, mas não excluímos a banca, as comunicações ou mesmo a gestão de infraestruturas aeroportuárias se os concessionários das mesmas não cumprirem as suas obrigações»?

Emitir dívida pública para participar em empresas “estratégicas”, que no patuá socialista são mais EFACEC («Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»)? Para acrescentar às 120 empresas participadas que poderiam valer 40 mil milhões se fossem empresas rentáveis?

O que pode levar um primeiro-ministro a anunciar esse “fundo soberano”? Apropriar-se das bandeiras socialistas (e comunistas) e tornar irrelevantes o PS e o PCP e até, quem sabe?, o socialismo de direita do Chega?

Um caso patológico do Complexo de Eduardo Lourenço

A moção de estratégia apresentada no congresso do PSD tinha (garantem, não contei) 90 vezes a expressão “Portugal Maior”. À força de invocarem “Portugal Maior”, o Portugal dos Pequeninos ainda fica mais minúsculo. Se Eduardo Lourenço ainda fosse vivo, faria uma adenda ao seu «O Labirinto da Saudade: Psicanálise Mítica do Destino Português».

À força de querer ser popular, acaba impopular

A sondagem da Intercampus da semana passada mostrou o PS com 24,3% e o Chega com 20,3% à frente da AD, com 19,5%, que caiu 3,4 pontos percentuais.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

Fonte BdP

Num país ainda fortemente endividado, aumentar  o endividamento total da economia num ano em 36,9 mil milhões (4,4%, ou 2,5 pontos percentuais acima do PIB), de 845,6 para 876,1 mM, dos quais 14,3 mil milhões do sector público, 14,5 mM das famílias e 8,1 mM das empresas), é no mínimo imprudência inspirada pelo pensamento mágico proporcionado pela entrada dos 13 mil milhões da bazuca.

Não seria preferível tributar os prejuízos ordinários para aumentar a receita?

A tributação dos “lucros extraordinários das petrolíferas, que proporcionou em 2023 ao Dr. Costa 5 milhões de euros, ou seja, 10% da receita prevista, classificada em 2022 como demagógica pelo Dr. Montenegro quando estava na oposição e agora anunciada e calibrada pelo Dr. Sarmento, foi confirmada a semana passada no parlamento pelo primeiro-ministro com um tranquilizante "não desistimos" ao Dr. Figueiredo, deputado único do Berloque de Esquerda.

Do ponto de vista da eficácia fiscal, estamos conversados. Do ponto de vista do controlo dos preços, é como mudar de termómetro para baixar a febre.

Na imigração, como no resto, não há chuva na eira e sol no nabal

Jornal Sol

Tenho esperança de que quando o Dr. Ventura for primeiro-ministro de um governo do Chega, consiga que os imigrantes contribuam para a economia portuguesa e para a Segurança Social a partir da terra deles. Até lá, temos de escolher entre as manifestações de interesse inventadas pelo Dr. Costa, que nos permitiram aumentar a população residente em 825 mil em cinco anos, de 2021 a 2025, dispor de mão de obra nos sectores onde os portugueses não querem sujar as mãos e aumentar as contribuições para a Segurança Social ou o controlo e regulação dos fluxos migratórios.

(Continua)

22/06/2026

CASE STUDY: Sócrates & Santos Ferreira, uma dupla de sucesso nos negócios – La Seda (Epílogo)

Quase duas décadas depois, encerra-se agora com uma perda superior a 500 milhões de euros para a CGD que financiou o projecto da Artlant PTA, a fábrica de matérias-primas para a indústria das embalagens de plástico em Sines, promovido pelos espanhóis da La Seda. Foi um projecto apadrinhado pelo governo do Eng. Sócrates em conluio com o Dr. Santos Ferreira, presidente da CGD, e o marido da Dr.ª Elisa Ferreira, ex-governadora do BdP entre outros lugares para os quais foi nomeada pelos governos socialistas.

O desastre foi à época acompanhado pelo (Im)pertinências que neste post de 2009 prenunciava o desastre agora confirmado, e aqui se recapitula:

20-09-2007
«O ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou hoje que gostaria de atrair para Portugal mais investimentos do tipo dos efectuados pelas empresas Abertis, Repsol e La Seda, que totalizam 1,5 mil milhões de euros.»

21-09-2007
«La Seda diz que produção da fábrica de Sines arranca em 2009 e estuda nova unidade em Portugal»

12-03-2008
«O investimento do grupo La Seda de Barcelona, que tem como principais accionistas as portuguesas Imatosgil, com 10,8 por cento, e a Caixa Geral de Depósitos (CGD), com 5 por cento, na unidade de PTA, que ficará localizada na Zona Industrial e Logística de Sines, é de 400 milhões de euros até 2010.
Este é um projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN) e, de acordo com declarações hoje à Lusa do presidente do grupo La Seda de Barcelona, Rafael Español Navarro, "os trabalhos no local estão bastante avançados".
O lançamento da primeira pedra da nova fábrica de PTA conta com as presenças do primeiro-ministro, José Sócrates, do ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho, e do presidente do grupo La Seda de Barcelona.»

04-02-2009
«Mais de quarenta accionistas da empresa La Seda de Barcelona apresentam quinta-feira à Comissão Nacional de Mercado de Valores (CNMV) espanhola um pedido de OPA obrigatória para que o grupo português Selenis/CGD/Imatosgil compre 100 por cento do capital da empresa.»

13-03-2009
«Um ano depois do lançamento da primeira pedra, o projecto de engenharia de base da fábrica da Artenius já está concluído em 95% e os equipamentos gerais já foram todos comprados, passando ao lado dos efeitos da crise económica.
A La Seda de Barcelona, onde os portugueses Imatosgil são accionistas (11%), está a investir 400 milhões de euros, em Sines, na construção da única fábrica n Europa dedicada, em exclusívo, à produção de PTA (que serve de matéria-prima ao PET, utilizado na produção de embalagens plásticas).»

20-05-2009
«O EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) baixou 99,2 por cento para 300 mil euros e as vendas caíram quase para metade, de 437 milhões de euros, no primeiro trimestre de 2008, para 258 milhões.
A LSB tem planos para construir uma fábrica em Sines, que tem sido apresentada como bom exemplo de investimento pelo Governo de José Sócrates

09-06-2009
«O grupo La Seda - que em Portugal está já atrasado cinco meses no desenvolvimento do projecto de 400 milhões de euros da fábrica de PET em Sines, para o qual garantiu financiamento até 320 milhões de euros – tem um passivo de 1,3 mil milhões de euros. A falta de liquidez do grupo foi já motivo suficiente para que a unidade catalã, em El Prat, parasse a laboração.
O “fantasma” de suspensão de pagamento de salários e de cobrança de credores, noticia o jornal económico, só foi afastado porque na semana passada se avançou a hipótese da CGD, “accionista e principal credor” da La Seda, poder “assegurar uma emissão de obrigações convertíveis em 150 milhões de euros como passo prévio ao refinanciamento da dívida”.
O jornal adianta que, em 18 meses, a companhia que detém agora as acções suspensas na praça espanhola nos 0,34 euros, já perdeu mais de 70% do seu valor, com a capitalização bolsista a descer para 213 milhões de euros.»

10-06-2009
«A Caixa Geral de Depósitos injectou 25 milhões de euros na espanhola La Seda, onde é um dos maiores accionistas, para assegurar a viabilidade financeira de curto prazo da companhia, que ontem alterou o presidente da empresa devido à pressão dos accionistas portugueses.»


27-07-2009
A La Seda chegou a um acordo de princpio com a Caixa Geral de Depósitos, accionista da empresa, para que esta adquira o capital da Artenius Sines por 40 milhões de euros, como forma de financiamento. Este valor faz parte de um financiamento total de 104 milhões de euros. Em paralelo, a fabricante de plásticos confirma que irá alienar activos não estratégicos, onde se inclui a fábrica de Portalegre, no Alentejo.
A La Seda espera obter do Caixa BI, banco de investimento da CGD, perto de 488 milhões de euros para viabilizar o projecto. A primeira pedra foi lançada há mais de um ano, mas a fábrica leva um atraso de seis meses.

21/06/2026

Pro memoria (148) - Some of the epitomes of anarcho-capitalism are, ultimately, examples of the triumph of the helping hand of the State.

«SpaceX “is a marvel of free markets” and “capitalism at its most remarkable”, you said in your leader on the rocket firm’s forthcoming initial public offering (“A Starship enterprise”, May 23rd). This overlooks the critical role that government played in getting SpaceX off the ground. In 2008 the fledgling startup was heading for bankruptcy until NASA awarded it a $1.6bn contract, thereby providing a trajectory-changing revenue stream. American taxpayers absorbed much of the early risk that private investors would not. SpaceX’s success is impressive, but it is a triumph of state-supported capitalism more than a free-market marvel.» T. Michael Spencer, Washington, DC (Source)

At first glance, it may seem that Elon Musk is very similar to the Portuguese capitalist who lives off the State. In reality, there are some differences. Musk was first saved by the State and repays it by wanting to slim down the State (DOJE), while the Portuguese capitalists are first saved by the State, repay it by trying to fatten the State, and go bankrupt despite the State.

Peter Thiel, a Musk's old pal and frenemy, and patron of president‑in‑waiting JD Vance, is yet another shining epitome of that anarcho‑capitalist, in Thiel's case, of the strain that foretells the arrival of the Antichrist.

His company Palantir — whose main clients include several governments, notably the American and the Israeli — somehow manages, quite miraculously, to enjoy the state’s helping hand as well.

19/06/2026

BELIEVE IT OR NOT! Finally, an agreement in which it is agreed that maybe an agreement will be reached (2) - Executive summary for MAGA believers

Continuation of (1), (2)

The following text is a summary by the MS Copilot of the article "Donald Trump gambles that Iran wants money more than power," and is intended for those who, 109 days after the incompetent attack on Iran, are still searching for a rationale in the chaotic decisions of their messiah. Good luck with that.

«The article analyzes Donald Trump’s preliminary peace deal with Iran, arguing that Trump is betting that Tehran values money more than strategic power — a risky and likely misguided assumption.

1. The deal: lots of money, few demands

Unable to defeat Iran militarily, Trump now offers:
  • The unfreezing of tens of billions of dollars
  • Lifting of sanctions
  • Immediate access to oil exports
  • A reconstruction fund of at least $300 billion (1)
In return, Iran promises:
  • Not to build a nuclear weapon (a long‑standing pledge)
  • To reduce part of its enriched uranium
  • To negotiate aspects of its nuclear program (without firm commitments)
The regime gives up almost nothing.

 2. The Strait of Hormuz and American humiliation

The deal includes reopening the Strait of Hormuz, but:
  • Before the war, the passage was already open
  • Now, after 60 days, tolls may be imposed
  • The article frames this as proof of the folly of the war and Trump’s final capitulation
3. Why the plan may fail

The text lists several reasons:
  1. Iranian leaders do not trust the U.S.
  2. They expect Israel to sabotage the agreement
  3. The nuclear program provides prestige and protection
  4. Iran is skilled at dragging out negotiations
  5. Inspections will be difficult, and the regime may cheat
4. Israel: the big loser
  • Israel pushed for the war but was excluded from the negotiations
  • Its campaign against Hezbollah was weakened
  • Netanyahu may pay a political price in the October elections (2)
  • The war was a strategic failure: Iran remains a threat
5. Gulf states: between fear and pragmatism
  • They need to restore an image of stability
  • They remain vulnerable to Iranian drones and missiles
  • They may:
    • Strengthen ties with Israel
    • Accommodate Iran
    • Or try to balance both sides
  • They can no longer rely on America’s willingness to fight
6. The final critique

The article concludes that:
  • Trump should never have started the war
  • He now tries to exit it by assuming that “everyone does everything for money”
  • But diplomacy requires understanding that the adversary does not think like you
In short

The deal is portrayed as:
  • A humiliating U.S. retreat
  • A strategic victory for Iran
  • A setback for Israel
  • A risk to regional security
  • A fragile bet based on financial incentives that may not work.»
_______________

(1) With the pious intention of shedding light on the dull minds that habitually resort to the lazy and unintelligent expedient of trying to disguise the errors of their idols with the errors of their enemies, I remind you that the Barack Obama administration agreed to pay Iran compensation for defaults by previous administrations to resolve a long-standing legal dispute handled by the Iran-U.S. Claims Tribunal in The Hague. This payment had the following two main components:
  • USD 400 million for failing to deliver military equipment paid for by Iran before the 1979 Islamic Revolution;
  • USD 1.3 billion relating to interest accrued over 35 years on that amount.
(2) Bibi has based his propaganda on: (a) only he could withstand international pressure and (b) only he could influence Trump. Now Bibi is compelled to choose between (a) and (b) and either disobey Trump on Lebanon and Iran, to save (a), or give in to preserve the perception of (b). Either option is bad for Bibi.