A bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário é vergonhosa porque o que falhou são coisas que qualquer organização medianamente apetrechada e provida de gente competente resolveria sem problemas. Ainda assim, para dizer uma verdade simples e certamente impopular, seria disparatado concluir daí que deveria demitir-se ou ser demitido um ministro que em dois anos fez mais sem grandes alaridos do que o resto do governo (ver aqui o relato de João Duque). Seja como for, o atraso de alguns dias é uma gota de água no oceano dos atrasos sistemáticos no Estado sucial que nalguns casos se medem por décadas.
Então porquê tanta agitação? Simples, meu caro Watson. Porque o que o ministro fez interessa a poucos (os pais que se interessavam e têm dinheiro já inscreveram os filhos nas escolas privadas) e desagrada a muitos, a começar pelos exércitos de profs pastoreados pela Fenprof e açulados pelo Stop, que querem esperar sossegados pela reforma, e a acabar nos profs das universidades adeptos da endogamia e nos “investigadores” adeptos dos subsídios. Exagero? Nem por isso, veja-se a alegria com que os profs a quem o jornalismo de causas dá voz incitam os alunos a pedir revisão das provas na esperança de que a multiplicação dos pedidos prolongue a bagunça.
Teoria da relatividade
Não vou comparar o atraso de alguns dias na publicação das classificações dos exames com o atraso de muitas décadas do novo aeroporto de Lisboa (cuja capacidade estaria esgotada em 2007 ou 2008) nem mesmo compararei com os 23 anos do novo hospital de Lisboa, comparo apenas com a autorização ambiental da central solar Fernando Pessoa cujo processo de avaliação demorou três anos e anda por aí desde 2024.
Miudezas no Portugal dos Pequeninos
O Dr. Luís Neves, ministro da Administração Interna, até recentemente o único ministro estimado pelo PS, nos seus anos à frente da Polícia Judiciária (Judite), soube-se agora, envolveu-se numa série de indescritíveis trapalhadas menores que vão desde um tanque-piscina ilegal até obras no seu retiro alentejano feitas por um empreiteiro amigo com contratos com a Judite e um atrelado com produtos suspeitos (ler aqui a estória).
Não é preciso que algo mude para ficar tudo na mesma
Ao arrepio da larga maioria do jornalismo de causas e da comentadoria, quase metade (48%) dos eleitores preferem que o governo do Dr. Montenegro se arraste até ao fim do mandato e consideram que o actual titular e o desafiante Dr. Carneiro se equivalem na mediocridade com vantagem para o primeiro (fonte)
O salário único (excepto o dos apparatchiks) a caminho do socialismo
| mais liberdade |
Há um ministro que parece já ter percebido o lado B dos "centros de dados" Já o escrevi várias vezes: a estratégia de fornecer energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses a centros de dados com chips produzidos em Taiwan a processarem dados do resto do mundo com software desenvolvido nos EUA, tem várias consequências, desde logo o aumento do stress da rede eléctrica. Por agora, só o Eng. Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, parece ter percebido que esses investimentos assim, sem mais, arriscam a que o Portugal dos Pequeninos seja «quase a lixeira da Europa». (Continua) |
