Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

18/03/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (179)

Outras avarias da geringonça e do país.

Finalmente, o bromance entre Tomás Correia e Vieira da Silva, a propósito da Associação Mutualista, chegou a um desfecho em que o segundo, muito pressionado pelo fogo inimigo (e pelo fogo amigo), se rendeu e chifrou o primeiro mudando a lei, ou a sua interpretação, e submetendo-o ao escrutínio da ASF. Pelo caminho ficaram várias acções de socorro protagonizadas por amigos do Tomás, que pelos vistos tem imensos, incluindo o Padre Melícias - o sumo-sacerdote do regime, confessor de dois sumo-picaretas falantes do regime, o Guterres das Nações Unidas e o Marcelo de Belém - que ensaiou o discurso clássico do «só quando transitar em julgado» e em desespero de causa disparou o míssil nuclear do «não vai ser um ‘secretariozeco’ de Estado ou um ministro qualquer que agora vai correr com uma administração legitimamente eleita».

17/03/2019

Dúvidas (258) - Não será um poucochinho exagerado?

«Temos os melhores engenheiros nas escolas portuguesas, que estão entre os melhores do mundo, o que faz com que Portugal não fique atrás de nenhum outro país a nível mundial em matéria de tecnologia e inovação»,

Rui Cordeiro, sócio fundador da Critical Software ao Jornal Económico

Tecnologia? Inovação? Pois não é verdade que em 2018 o número de patentes registados por portugueses aumentou 46,7%? É, sim senhor.

Público
Porém, antes de começar o foguetório convirá saber: (1) quantas patentes os portugueses registaram em 2018, (2) que essas 220 patentes representam 0,13% do número de patentes registadas na UE; (3) que o número de patentes por milhão de residentes em Portugal (22) é uma fracção ínfima (0,06) do mesmo indicador na União Europeia (341); (4) que seriam necessários 20 anos com os números de patentes a crescerem ao ritmo do período 2014-2018 para o número de patentes por milhão de residentes alcançar o da UE, convindo não esquecer que inevitavelmente o crescimento português percentual nesse período (16,5% anual) é praticamente impossível de manter.

16/03/2019

ESTADO DE SÍTIO: Kafka em Castro Marim


Regulamento n.º 231/2019 - Diário da República n.º 53/2019, Série II de 2019-03-15
Ato da Série II
Freguesia de Castro Marim
Regulamento de licenciamento da atividade de arrumador de automóveis da Freguesia de Castro Marim
Artigo 4 Pedido de licenciamento
4.1 - O pedido de licenciamento da atividade de arrumador de automóveis é dirigido ao presidente da junta de freguesia, através de requerimento próprio, anexo I, do qual deverá constar a identificação completa do interessado, morada, número de contribuinte fiscal, zona ou zonas para a qual é requerido licenciamento, e será acompanhado dos seguintes documentos:
4.1.1 - Fotocópia do bilhete de identidade e do cartão de identificação fiscal ou do cartão de cidadão do requerente;
4.1.2 - Certificado de registo criminal;
4.1.3 - Fotocópia de declaração de início de atividade ou declaração do IRS;
4.1.4 - Fotocópia do comprovativo de seguro de responsabilidade civil;
4.1.5 - Atestado médico que comprove a robustez física para o exercício das funções;
4.1.6 - Duas fotografias.

15/03/2019

Poderá o clima afectar obra de Costa & Ronaldo das Finanças?


Segundo o Jornal Económico pode. A ser assim, uma segunda pergunta: se o arrefecimento global põe em causa a obra de Costa & Ronaldo, isso significa que a obra que se auto-atribuem resultou do aquecimento global?

Se sim, isso leva-me a uma terceira pergunta: se a obra de Costa & Ronaldo resultou do aquecimento global, qual foi afinal a obra de Costa & Ronaldo?

A maldição da tabuada (49) - De como a inumeracia do plumitivo desperdiça uma cacha

Oferta do (Im)pertinências ao plumitivo

«Em Março de 2018, ex primeiro ministro entrou no ISCSP a ganhar cerca de €1.200. (...) em regime de "tempo parcial (50%)". A 1 de novembro, esse regime passou para "tempo integral". A SÁBADO fez as contas e a mudança salarial corresponde a um aumento de €800.»

A Sábado sabe fazer contas de subtrair e fez aquele título. Contudo, se a criatura tinha um regime de tempo parcial (50%) e esse regime passou para tempo integral, tempo integral que M de La Palice não hesitaria em considerar correspondente a um salário de 100%. De onde, se para um horário de 50% o salário era de 1.200 €, para um horário de 100%, segundo a aritmética mais elementar, o salário deveria ser de 2.400 € o ISCSP ficaria a dever 400 € (=2.400 € - 2.000 €) ao Coelho. Qed

De onde, se o plumitivo não sofresse de inumeracia, em vez de uma tentativa de inserir mensagens subliminares em meninges fracas, o título da peça poderia ter sido uma verdadeira cacha:

«Universidade pública fica a dever 400 euros a Passos Coelho»

Dúvidas (257) – Irá o Brexit consumar-se? (XII) Ninguém sabe. Entretanto, temos excelentes cartunes... e capas

14/03/2019

Lost in translation (318) - Vou à Bienal representar a geringonça e a mim própria, disse a artista

«Se estivesse o PSD ou o CDS no governo não aceitaria representar o país na conhecida exposição internacional de arte» informou-nos Leonor Antunes, a artista escolhida para representar Portugal na Bienal de Veneza, esclarecendo que «as pessoas irão a Veneza ver a exposição da Leonor Antunes e não o Pavilhão de Portugal.» (fonte)

Dúvidas (256) – Irá o Brexit consumar-se? (XII) Ninguém sabe. Entretanto, temos excelentes cartunes

The Spectator

BREQUINGUE NIUZ: Staggering arrogance

«George Pell, an Australian cardinal who was the Vatican’s chief financial officer and an adviser to Pope Francis, was sentenced to six years in prison on Wednesday, for molesting two boys after Sunday Mass in 1996.
The cardinal was convicted on five counts in December, making him the most senior Catholic official — and the first bishop — to be found guilty in a criminal court for sexually abusing minors, according to BishopAccountability.org, which tracks cases of sexual abuse by Catholic clergy.
Cardinal Pell, who stood stone-faced with lips pursed when his sentence was read aloud, will not be eligible for parole for three years and eight months.
“I would characterize these breaches and abuses as grave,” the chief judge in the case, Peter Kidd, said during the sentencing. Speaking directly to Cardinal Pell, he added: “Your conduct was permeated by staggering arrogance.”» (NYT)

«For everyone who exalts himself will be humbled, and he who humbles himself will be exalted
Luke 14:11

13/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (178) - Com algumas excepções

«Dito isto, parece-me inquestionável que cabe ao Partido Socialista a maior quota de responsabilidade pelos maus resultados da governação do país, nomeadamente a partir dos governos de António Guterres. Seja porque foi o PS que esteve mais tempo no governo, seja porque foi no PS que se desenvolveu um modelo de poder endogâmico e pouco democrático, isto é, um casamento quase perfeito entre a cúpula partidária e os interesses económicos e outras instituições da sociedade, mais ou menos secretas, como seja a maçonaria e o Opus Dei, secretismo que entrou na cultura do partido até aos nossos dias. (...)

Depois do enorme desastre político, económico, financeiro, social e ético dos governos de José Sócrates, temos o governo do PS de António Costa, que tem sido um fiel continuador dos governos anteriores do PS. Digo-o com tristeza mas com uma forte convicção, ainda que saiba que, como aconteceu com os governos de José Sócrates, muitos portugueses se tenham deixado iludir outra vez, seja pela propaganda, seja pela aparente recuperação económica – ainda que reconheça da parte do atual governo um maior rigor nas contas públicas, porventura por força da União Europeia e porque também não existe alternativa possível em vista da dívida do Estado.

O Partido Socialista de hoje não é uma cópia exata do PS do último quarto de século, mas é certamente o seu fiel continuador. Existe a mesma tentação de controlo sobre o sistema político e o Estado e têm crescido as formas de controlo sobre a sociedade, o que é favorecido pela ideologia estatizante dos restantes partidos que formam a geringonça. Há a mesma navegação à vista, agora ainda mais atrabiliária por força das contradições entre os partidos da maioria. Cresceu a endogamia dirigente, agora através de um círculo restrito de familiares e de amigos, nuns casos mais desgastados por muitos anos no poder e noutros escolhidos pela sua fidelidade ao chefe e não pelas suas qualidades e experiência, resultando em seguidores acríticos e frequentemente incompetentes.(*) O ex-ministro Pedro Marques, agora cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu, representa bem esta nova juventude partidária chegada ao governo, que alia uma perigosa ignorância ao desejo de poder, com as mesmas qualidades para a propaganda e para a mentira e a mesma incapacidade para o debate e para a critica.»

Defender a democracia – recusar a geringonça, Henrique Neto no Jornal i

(*)
Exemplo da exclusão de quem não faz parte do círculo restrito de familiares e de amigos: «Francisco Assis demite-se de cargo europeu após ser impedido de falar pelo PS»
Exemplo de protecção pela fidelidade ao chefe: «O tribunal já pediu três vezes ao Parlamento que levante a imunidade a José Magalhães, arguido num processo. O deputado do PS Pedro Delgado Alves está incumbido do parecer mas ainda não fez.»

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (77) - Estamos a falar do mesmo Marcelo?

Outras preces


«O Marcelo que dois anos depois dos incêndios diz que ameaçou dissolver a Assembleia da República no ano seguinte aos acontecimentos é o mesmo que um ano antes de Pedrogão disse que ia estar atento às medidas contra os fogos e que em 2017 disse que tinha sido feito o máximo possível?»

Perguntou, impertinentemente mas muito pertinente, o blasfemo Telmo Azevedo Fernandes e eu respondo.

Pode ser o Marcelo que «só se Cristo descer à terra» se candidataria a líder do PSD; ou o que garantiu ter havido um jantar, que nunca existiu, com vichyssoise de entrada; ou o que garantiu a Isabel II que, com oito anos de idade, filho de um ministro de Salazar, estava na primeira fila da plebe que na Praça do Comércio a viu passar na visita a Lisboa em 1957 e que voltou a encontrar-se com ela em 1985 como «líder da oposição». A mesma criatura a quem o «Presidente da República Federativa do Brasil, (...) pediu para ser recebido» mas não apareceu. A mesma que em pleno incêndio de Pedrógão Grande garantiu que «tudo está a ser feito com critério e organização», para poucos dias depois garantir que se iria «apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar». Ou pode ser ainda a mesma criatura que depois de ter minimizado o desaparecimento de munições em Tancos, veio dias depois defender «uma investigação que apure tudo, factos e responsabilidades». Ou a mesma criatura que garantiu «não faço comentários sobre os meus antecessores» enquanto comentava o que Cavaco Silva, seu antecessor em Belém, disse enaltecendo a ausência de verborreia de Macron, chapéu que Marcelo enfiou pressurosamente na cabeça. Ou não. Não sabemos.

12/03/2019

Dúvidas (255) - O que falta para trazermos de volta a Inspecção dos Espectáculos?



























«O Departamento Nacional de Mulheres Socialistas do PS "repudia de forma veemente" os programas que estrearam domingo à noite na SIC e na TVI em que homens procuram mulheres para casar ou namorar.

"Quem Quer Casar Com o Meu Filho?" e "Quem Quer Namorar Com o Agricultor?" têm gerado críticas e Elza Pais, presidente da estrutura feminina do Partido Socialista, confessa à TSF que ficou espantada com "tudo" o que se viu nestes programas: "Imagens estereotipadas de género que contrariam o princípio da igualdade constitucionalmente garantido".

A dirigente socialista diz que não querem colocar em causa o princípio da liberdade de imprensa, "mas no cumprimento da liberdade de imprensa, estes estereótipos não deviam ser veiculados pela própria imprensa". "Há limites que não podem ser ultrapassados", afirma.» (TSF)

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A endogamia uma espécie de nepotismo nas universidades do Portugal dos Pequeninos

«Eis a primeira aberração: o número! Em Portugal há um excesso de docentes, mal justificado com um excesso de aulas (desnecessárias). Uma triste herança do PREC quando um assistente doutorado passava imediatamente a professor auxiliar da sua universidade (um direito adquirido). Sempre lutei contra a endogamia, encorajando os novos doutores a concorrerem a outras universidades. E sempre me bati - sem sucesso, devo confessar, e muitas vezes incorrendo na ira de colegas e reitores pela distinção entre concursos académicos de recrutamento e de promoção, com escolha rigorosa dos melhores. Esta forma subtil de endogamia é o cancro que afeta todas as universidades portuguesas. E é difícil de combater porque a autonomia universitária é uma ficção, e os portugueses, na generalidade, servem -se a si próprios e aos seus parentes e amigos, antes de servir as instituições onde trabalham e o seu país. (Olhem para a política, a banca, a PT que Deus tem, etc.) Para complicar ainda mais o problema, há o terrível equívoco de que o doutoramento se destina a uma carreira académica ou de investigação. O doutoramento é o treino/ aprendizagem para resolver problemas novos, a ser realizado entre os 23-30 anos. Não é um frete para acrescentar o Doutor por extenso ao nome (como acontece muitas vezes em Portugal). Abaixo os títulos no dia a dia! Acho ridículo uma pessoa de 40-50 anos querer doutorar-se. Ou já tem um bom currículo, e não vale a pena; ou não tem, e já é tarde. Por outro lado, o que se aprende com o doutoramento na altura certa serve para qualquer outra atividade. Serve para pensar - e pensar cientificamente (experimentar, estar aberto à novidade, saber refutar as próprias certezas) é útil em qualquer profissão

Excerto de «Ciência em Portugal», Jorge Calado na Revista do Expresso

Jorge Calado é um intelectual no sentido próprio da palavra, com uma imensa cultura e, tendo sido um reputado professor do IST, sabe bem do que fala quando fala do cancro da generalidade das universidades portuguesas que os patetas de serviço passam a vida a louvaminhar.

11/03/2019

Por uma vez concordo com a apparatchik em subchefe do PS. É inaceitável

«Para o PS não é aceitável a comparação que Catarina Martins faz entre António Costa e Passos Coelho na gestão do sistema financeiro.»

Disse Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, acusando Catarina Martins de ter feito essa «comparação inaceitável». Não posso estar mais de acordo e não só na gestão do sistema financeiro. Também no resto e na vida em geral, comparar António Costa e Passos Coelho é absolutamente inaceitável.  É uma jogada baixa da berloquista.

Um foi cúmplice na bancarrota, o outro ajudou a sair dela. Um perdeu as eleições, o outro ganhou-as. Um disse disse que tinha virado a página da austeridade, continuando nela, o outro disse que ia além da troika, prejudicando-se e não foi. Um beneficia a sua freguesia eleitoral, o outro tomou medidas transversais.

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (178)

Outras avarias da geringonça e do país.

Vamos por partes. Percebo a gratidão do grupo Impresa e percebo que não poderá ser só a SIC a levar o Costa a cozinhar a cataplana no programa da Cristina e que o semanário de reverência também tem de contribuir. Percebo por isso que, apesar das sondagens da Eurosondagem serem sondagens amigas, ficaria bem encontrar sondagens ainda mais amigas e daí também perceber ter o Expresso substituído a Eurosondagem por uma parceria com o ICS e o ISCTE. Não percebo é estragarem o efeito da coisa quando fazem títulos de primeira página a dizer que os «Portugueses estão otimistas com a evolução da economia» e na 6.ª página mostram que afinal 61% dos portugueses entendem que a economia piorou (21%) ou ficou na mesma (40%). O esforço adicional do escriba nessa 6.ª página com a legenda «77% dizem que a economia não piorou» também não ajuda nada porque, como saberão esses 77%, e até alguns dos restantes 23%, como é que a economia poderia piorar se Costa, os socialistas e a geringonça en masse nos garantiram que a página da austeridade estava virada? Não trabalho para o governo, se trabalhasse lembraria à central de manipulação o verso do poeta popular António Aleixo P'ra a mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade.

E por falar em mentira - que por vezes tem perna curta -, depois de meses a empurrar Tomás Correia para cima da ASF, a quem não deu poderes para avaliar a falta de idoneidade da criatura, soube-se agora que o parecer do BdP aconselhou Vieira da Silva a prever na lei "expressamente" e "de imediato" a avaliação.

10/03/2019

CONDIÇÃO FEMININA: A Worten faz mais pela emancipação de mulher do que a UMAR e a Capazes juntas

«A falta de mão de obra nos anos 60 do século passado, as crescentes habilitações escolares das raparigas, o acesso a água canalizada, as redes de  esgotos e a electrificação do país que permitiu a vulgarização de electrodomésticos fizeram mais pela qualidade de vida das mulheres que muitas das leis que se tornou lugar comum incensar como libertadoras. Por muito chocante que tal seja para os ouvidos sensíveis de quem imagina que tudo se deve ao intervencionismo estatal, em matéria de vida das mulheres as máquinas de lavar roupa, os frigoríficos e os supermercados com os seus horários alargados foram mais importantes que os manifestos feministas. O legislador que sonha países criados à força de decretos-lei e os políticos que se vêem libertadores privilegiam o papel das leis. Ou seja o seu papel. A realidade essa não se compadece com esses egos exacerbados e os activismos que os sustentam

Excerto de «O arraial da luta», Helena Matos no Observador

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (76) - Geringonça 2.0

Outras preces

A geringonça 2.0 vista pelo Carnaval de Torres Vedras
«A frente das esquerdas só causa um problema sério a Costa: há o risco de colocar os socialistas numa posição demasiado radical, com custos ao centro. Por isso, necessitou desde 2015, e continuará a precisar, de um atestado de moderação. Foi o que o Presidente da República lhe deu, e continuará a dar, pelo menos até ao fim do seu mandato em 2021. O “óptimo entendimento” entre Belém e São Bento legitimou a geringonça. Ora, Rui Rio nunca poderá dar a Costa, em termos de legitimidade política, o que Marcelo dá.

O entendimento entre Marcelo e Costa dispensa o apoio de Rio a um futuro governo socialista. Será que Rui Rio não entende a natureza da relação política entre Marcelo e Costa? Em linguagem acessível a Rio, é fácil de explicar: os poderes máximos da Corte de Lisboa não precisam do apoio de um político do Norte. Para Costa e Marcelo a principal qualidade de Rio é não ser Passos Coelho. Mais do que isso, dispensam.

Por fim, o apoio de Marcelo ao governo de Costa não afetará a sua reeleição. O Presidente da República só tem que garantir que não aparece um candidato forte no espaço da direita. Enquanto a sua popularidade continuar alta, ninguém à direita pensará em Belém. A reeleição de Marcelo será um passeio, com muitos beijos, muita dança e selfies para todos os gostos. É isto que a maioria dos portugueses gosta. Porque nos havemos de maçar?»

«Já há um “bloco central”: entre Marcelo e Costa», João Marques de Almeida no Observador

Porque havemos de nos maçar? Ora porque haveria de ser? Porque se não nos maçarmos antes, ficamos depois maçados em dobro.