Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

22/01/2019

Bons exemplos (129) - Preso por arames, disse ele

Preso por arames
Daniel Bessa, ministro de Guterres (durante 6 meses, o que diz muito), docente e dirigente universitário, presidente dos conselhos fiscais da Galp e da Sonae e actual director-geral da Cotec, tem tudo para ser mais um economista do regime a contar estórias da carochinha. Não parece.

Mostrou-o na entrevista de ontem a que o Observador deu um título que diz muito: «O Diabo não veio, mas isto está por arames».

Destaque à guiza de teaser: «não acredito que (Centeno) vá ser ministro das Finanças no próximo governo. Vai para qualquer coisa. E, antes de mais, porque não vai poder gerir as consequências da política que tem sido seguida. Mário Centeno sabe perfeitamente que o ministro das Finanças que vier a seguir vai ter muitos problemas herdados da gestão que foi feita nesta legislatura».

ACREDITE SE QUISER: Educando os jovens para eliminar Israel da Terra

«O comandante da Força Aérea do Irão assegura que os seus efetivos estão preparados para eliminar Israel, horas depois de o Estado hebreu ter bombardeado alvos iranianos na Síria. “Os jovens estão impacientes e preparados para lutar contra o regime sionista (Israel) e eliminá-lo da Terra”, disse o general Aziz Nasirzadeh, citado no site de notícias iraniano Clube de Jovens Jornalistas, sublinhando que as novas gerações estão a receber “a educação necessária para o dia prometido e a eliminação de Israel”, e a ser treinadas ao nível da assistência de voo e de pilotagem, mas também da guerra eletrónica e cibernética.» (Expresso)

Eliminar da Terra? Não fazem isso por menos? E ainda há quem duvide que o Islão é uma região de paz.

21/01/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (171)

Outras avarias da geringonça e do país.

Não vou contar a estória das casinhas vendidas e compradas por Costa que está contada pelo Correio da Manhã aqui e aqui e em muitos outros sítios por vários outros jornais, com aquela excepção previsível que é o semanário de reverência. Vou apenas falar da moral da estória, a trafulhice rasteira para fugir ao IRS sobre as mais-valias, ele que é o principal responsável por virar a página da austeridade aumentando a carga fiscal. A propósito, refira-se que o governo de Costa fez de Portugal um dos apenas 6 países entre 94 analisados pela OCDE que aumentaram os impostos às empresas.

Mostrando merecer o rótulo de habilidoso, Costa enquanto mantém quente a cama. levantando os lençóis de um lado para o PSD de Rio, aconchega do outro lado os cobertores para comunistas e berloquistas garantindo que quer renovar os laços da geringonça.

E assim tem de ser porque Costa já percebeu estarem a amainar os ventos que sopravam as velas murchas da economia portuguesas e, por isso, tal como os mais atentos também perceberam, receia a desaceleração e está a mudar o discurso na economia. E Costa não foi muito lesto a perceber porque os sinais já se multiplicavam: na Zona Euro a produção industrial em queda acentuada, as importações a subirem e o excedente a descer, a Alemanha a crescer ao ritmo mais baixo em 5 anos e o sistema bancário grego a desfazer-se; na China as exportações no mínimo de dois anos e o crescimento do PIB a ser revisto em baixa.

20/01/2019

Dúvidas (252) - O que devemos pensar?


Depois de um ano a saltar para o colo do governo e a oferecer-se como futuro parceiro de governo do PS, Rui Rio na noite de quinta para sexta-feira tem uma epifania e conclui que «agora é o momento de carregar no discurso contra o PS e cavalgar a contestação social».

O que devemos pensar da visão e das convicções de um líder partidário que se apresentou como um campeão da ética e escolheu de seguida como seus lugares-tenentes um Barreiras Duarte, uma Elina Fraga e um Salvador Malheiro e, agora, pressionado pela oposição interna mudou de estratégia por epifania?  Ou teria sido «uma luz que lhe deu», como ao presidente do Benfica que também numa noite passou de despedir o treinador para lhe renovar a confiança? Recordemos, a propósito, que Luís Filipe Vieira poucas semanas depois teve outra epifania e despachou o treinador.

Poderá aplicar-se a Rio a anedota de Groucho Marx?

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Web Summit - as 200 mil dormidas já ninguém nos tira (6)

Uma sequela de (1), (2), (3), (4) e (5)

Recapitulando: já concedi que umas dezenas de milhar de visitantes (o número de participantes deste ano foi cerca de 70 mil), vá lá, uns cento e tantos mil, que por cá apareçam para ver o show de várias luminárias, incluindo o extra-programa do presidente Marcelo a agitar-se no palco, gastem umas dezenas de milhões de euros, vá lá uns cento e tantos milhões, justificando assim os 11 milhões que o governo paga com o nosso dinheiro ao Paddy. Quanto aos intangíveis, que por serem intangíveis nunca ninguém os vai tanger, esses, como já aqui escrevi são insultos à inteligência.

Um dos intangíveis que justificaria a Web Summit seria o efeito atractivo das palhaçadas sobre os investidores que, segundo o wishful thinking dos promotores, trariam resmas de investidores dispostos a torrar o seu dinheiro nas ideias luminosas das luminárias de serviço.

Não é bem essa a ideia de Stephan Morais, o promotor da Indico Capital Partners, um fundo privado e independente de capital de risco, que reuniu 46 milhões para investir em startups tecnológicas e que, por isso, tem de pôr o dinheiro onde põe a boca. 

Segundo ele «a vasta maioria das pessoas e das instituições com quem falamos e que não quis investir, disseram que não faziam venture capital e que esta classe de ativos não lhes interessava. Ou então diziam que não investiam no sul da Europa. (...) A credibilidade de Portugal foi um fator importante… negativamente (...) o país é visto como o sul da Europa, ou seja, não aparece no radar. Os investidores institucionais não querem saber do Web Summit.»

Lá se vai mais um mito.

19/01/2019

Se fazer comentários homofóbicos é discriminação, despedir uma criatura por homofobia é o quê?

Sergei Polunin é um dos mais talentosos bailarinos da sua geração - o mais talentoso, muita gente considera. Começou a dançar no Royal Ballet de Londres aos 19 anos e abandonou quatro anos depois. Em 2015 gravou o vídeo «Take Me to Church» que tem 26 milhões de visualizações.

Recentemente, em posts no Instagram, Polunin escreveu frases polémicas, algumas classificáveis como óbvio ululante, diria Nelson Rodrigues se ainda por cá andasse, e outras de gosto discutível, tais como:
«Man should be a man and woman should be a woman, that’s the reason you’ve got balls.» 
«Females now trying to take on the man role because you (gay male dancers) don’t f--- them and because you are an embarrassment.»  
«Let’s slap fat people when you see them. It will help them and encourage them to lose some fat. No respect for laziness!»
O Ballet da Opera de Paris que tinha convidado Polunin para dançar no próximo mês o «Lago dos Cisnes anulou o convite por «propos homophobes et grossophobes».

Se homofobia é o preconceito contra a homossexualidade, devemos usar o adjectivo heterofobia para designar o preconceito contra a heterossexualidade? Se fazer comentários homófobos é censurável, terminar uma relação contratual com esse fundamento é o quê?

18/01/2019

Finalmente, os comunistas estão plenamente integrados na democracia à portuguesa...

Primeiro foram os marxistas-leninistas-trotskistas-maoistas do BE com o caso Robles e agora são os estalinistas do PCP a demonstrarem a plena integração na democracia à portuguesa...

«A reportagem (da TVI) conta que Jorge Bernardino, casado com Marília de Sousa, filha do secretário-geral do PCP, celebrou com a Câmara Municipal de Loures um total de seis contratos desde 2015 por serviço como limpezas de vidros, trocas de cartazes ou substituição de lâmpadas — serviços para os quais aquele ex-talhante e trabalhador de supermercado não teria experiência. Todos somados, os contratos valeram ao genro de Jerónimo de Sousa mais de 150 mil euros. Os contratos foram celebrados depois de Jorge Bernardino ter estado desempregado perto de três anos.

Nos últimos meses de 2018, refere ainda a reportagem, Jorge Bernardino chegou a faturar 11 mil euros por mês com serviços prestados à autarquia de Loures. Em outubro de 2018, terá recebido essa quantia por ter mudado oito lâmpadas e dois casquilhos. Em novembro do mesmo ano, também ganhou 11 mil euros, tendo efetuado a mudança de 10 lâmpadas e a substituição de 160 cartazes publicitários.» (Observador)

... sem, contudo, deixarem de ser comunistas, ...

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (10.º capítulo). Virada a página da austeridade o burnout é geral

Outras doenças a que resistimos heroicamente

Já não são só os professores universitários. Segundo «os dados mais recentes da Ordem dos Psicólogos e da Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional, relativos a 2016, estimam que cerca de 14% dos profissionais no ativo em Portugal sofriam de burnout e 82% estavam em risco elevado de exposição à doença.» (Expresso)

O facto de os dados mais recentes já terem 3 anos não indiciará que os psicólogos também já estão em burnout? E se só 4% dos profissionais no activo não estão em burnout como estarão os profissionais no passivo? E o que se passará com os funcionários públicos que viram o virar da página do Costa reduzir-lhes o horário de trabalho de 40 para 35 horas? Sofrerão mais do que os sujeitos passivos vulgaris?

Teaser: não deixem de conhecer «as 12 etapas que levam o trabalhador de um estado de paixão até ao colapso - na edição do semanário [de reverência] do próximo sábado».

17/01/2019

ESTÓRIAS E MORAIS: Como ter chuva na eira e sol no nabal

Estória

Há mais de 20 anos sucessivos governos vêm concedendo benefícios vários à EDP, a eléctrica do regime, engordando-a à medida que a vendiam em bolsa para alimentar o monstro cravejado de dívidas, como Cavaco Silva chamou ao Estado Sucial, depois de ter contribuído para o inchar. Ao mesmo tempo, para não perderem votos, esses governos mantiveram preços políticos compensando-os com um expediente miraculoso chamado défice tarifário.

Eduardo Catroga, ex-presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, ele próprio uma figura do regime, lembrou ontem à comissão parlamentar de inquérito sobre as rendas da energia:

«O Estado arrecadou ao longo das oito fases de privatização da EDP 10 mil milhões de euros, que, capitalizados, seriam hoje 13 mil milhões de euros, mais do que o valor em bolsa atual da empresa. O Estado encheu os cofres com a privatização da EDP. O que fez ao dinheiro, não sei", declarou o ex-ministro das Finanças aos deputados, lembrando que parte desse encaixe resultou da projeção de 'cash flows' com base em contratos de venda de energia de longo prazo criados em 1996

Moral

«You can't have your cake and eat it»

Dúvidas (251) - Será Luís Montenegro o líder que o PSD precisa? (2)

Perguntava-me se Luís Montenegro maçónico e sócio de empresas que enquanto deputado tiveram contratos com o Estado adjudicados por ajuste directo, seria o líder que o PSD precisa, supondo que o país precisa do PSD?

Esclareço: ser maçónico, para mim, não é em abstracto um atributo negativo, tal como não é ter uma religião ou ser sócio do Benfica (a este respeito já tenho mais dúvidas). Para um político em concreto, no século XXI, neste país em concreto, impregnado de um colectivismo viscoso em que o grupo é uma espécie de elevador social e plataforma da cunha, ser maçónico em concreto não é um atributo recomendável.

Colei o rótulo maçónico a Luís Montenegro baseado nesta entrada da Wikipedia que o referia como "irmão" da  Grande Loja Regular de Portugal, através da Loja Mozart. Entretanto, Montenegro nega qualquer ligação à maçonaria. Espero bem que sim, porque já lhe chega ser sócio de empresas com ajustes directos. Seja como for, seria muito apreciado que explicasse as suas ideias e as políticas públicas que propõe para o país, em alternativa a falar de banalidades, como fez.

16/01/2019

É mais fácil encontrar as caganitas do lince da Serra da Malcata em S. Bento, do que um liberal na Grande Lisboa ou noutras paragens

Político liberal almoçando à borla
«Desde 1910 que ninguém em Portugal se reclama liberal (embora tenham aparecido partidos com essa designação). Os portugueses sempre acreditaram no Estado e temos que reconhecer que o Estado quase sempre se portou melhor do que muitos pensaram (e ainda pensam). E se se puder conciliar o Estado com a Democracia melhor.

Lamento, mas não há ideia liberal que resista cinco minutos entre nós. O único desses partidos novos que tem hipóteses de singrar é a Aliança. Não por ser liberal mas por ser o partido de Santana Lopes (que não é, que se saiba um liberal).

Todos esses partidos ameaçam cair em cima do PSD. Cairão mortos, estou em crer. O personagem principal, seja Rui Rio ou outro qualquer, limpará as penas e, ligeiro, reivindicará o que os portugueses sempre gostaram de ouvir: Estado, mais Estado, muito Estado. Ou, por outras palavras, e como Sá Carneiro dizia: social-democracia hoje e sempre!»

Ricardo Leite Pinto no Jornal Económico

Como perceberá facilmente qualquer freguês que frequente ocasionalmente esta loja (Established since 2003), nós apreciaríamos que o liberalismo numa das suas variadas modalidades tivesse audiência significativa entre os tugas. Porém, as coisas são como são e não como gostaríamos que fossem e é por isso que desde tempos remotos escrevemos coisas como o título deste post.

Dúvidas (250) – Irá o Brexit consumar-se? (X) O dilema de querer sol na eira e chuva no nabal

Outras dúvidas sobre a consumação do Brexit.


Como podem entender-se os brexiters que querem sair como se ficassem e os remainers que querem ficar como se saíssem? No lugar dos britânicos, os portugueses não teriam dúvidas, teriam dívidas.

15/01/2019

ARTIGO DEFUNTO: As disputas de liderança partidária são todas iguais, mas há umas mais iguais do que outras


Quereis mais uma demonstração de como a imprensa do regime está enfeudada ao Partido Socialista? Reparai no modo como o desafio de Luís Montenegro a Rui Rio é tratada pelo jornalismo de causas e como é comentado pelos opinion dealers do regime. É a autofagia do PSD que devora os seus dirigentes, é a incoerência de Luís Montenegro que disse que não candidatava e agora candidata-se, é a disputa de lugares, etc. - um grande etc.

Comparai agora com a compreensão desse mesmo jornalismo e comerciantes de opinião perante o passado de lutas sem tréguas pelo poder no PS e com o que se passou recentemente com António Costa a apear António José Seguro, apesar de ter assinado com ele o «documento de Coimbra», depois da vitória de Seguro nas europeias por «poucochinho». Recordai que à vitória por «poucochinho» de Seguro se seguiu a derrota de Costa no ano seguinte, apesar do enorme desgaste do governo PSD-CDS forçado a aplicar o memorando assinado com a troika pelo agora acusado de vários crimes, primeiro-ministro de dois governos em que Costa foi ministro de um deles.

Reparai também na complacência com que Rui Rio é tratado pela imprensa do regime, porque vê nele o que ele vê em si próprio - um candidato a parceiro menor de Costa, um dois em um, sucedâneo de Jerónimo e Catarina -,  em contraponto com hostilidade reservada a Luís Montenegro, não por causa de não estar à altura das suas ambições (talvez não esteja), mas porque se propõe combater o governo socialista da geringonça.

O milagre da redução do défice visto por praticantes da ciência sombria

Barómetro Fiscalidade 4.º T 2018 da Ordem dos Economistas

Pois se até 93 (41,9 + 26,5 + 24,7) em cada 100 economistas que responderam ao inquérito da Ordem dos Economistas já perceberam o milagre da redução do défice pelo Ronaldo das Finanças.

14/01/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (170)

Outras avarias da geringonça e do país.

Quanto vemos a distância abissal entre os factos e a lengalenga do governo, é forçoso reconhecer a Costa o talento de um mistificador e ao aparelho socialista o controlo que tem sobre os mídia, mais discreto mas muito mais eficaz do que o espalhafato berloquista. Alguns factos: até Novembro as exportações de bens reduziram-se 8,7% em relação a 2017 enquanto que o défice da balança comercial aumentou 1,2 mil milhões; a dívida pública atingiu em Outubro um recorde de 251 mil milhões; o investimento público quase se limita ao anúncio de 20 mil milhões de grandiosas obras; a carga fiscal bateu novo recorde e está 5 pontos percentuais acima da média da OCDE; no PIB per capita descemos para 77% da média da UE e caímos pela mão deste governo de 13.º para 15.º lugar nos 19 países da Zona Euro.

No dia 11 Costa falou no parlamento sobre o pomposo Programa Nacional de Investimentos 2030 de 20 mil milhões e deve ter-se distraído, deixando fugir-lhe a boca para a verdade. «Estes não são investimentos que sejam para esta legislatura, ou para a próxima legislatura. São, seguramente, para séculos», disse. A boca fugiu-lhe de novo quando implicitamente confirmou que o anunciado arranque das obras do aeroporto do Montijo é apenas para fazer passar a ampliação da Portela, entregando à ANA a Base Aérea de Figo Maduro para expansão do aeroporto actual, o que permitirá empurrar com a barriga a obra do Montijo, com o know-how em que o governo é exímio, como ficou patente nas obras escolares (ver aqui).

13/01/2019

Lost in translation (316) - O berloquês é um dialecto muito difícil

O Estado Sucial português gasta quase metade do valor total dos bens e serviços produzidos no país e apropria-se de 35% desse valor total em impostos e contribuições. Graças às cativações e à contenção do investimento que explicam a degradação dos serviços públicos, o governo prevê no OE de 2019 que as receitas constituídas essencialmente por impostos e contribuições extorquidos às famílias e às empresas superem as despesas em 6 mil milhões - valor que constitui o excedente primário que o governo da geringonça não se tem cansado de propagandear.

Como o Estado Sucial se endividou anos após ano, atingindo a dívida pública actualmente mais de 250 mil milhões, equivalente a quase 6 anos de impostos e contribuições, o governo prevê que serão pagos 8 mil milhões de juros.

Dito de uma forma simples em português corrente, segundo as previsões do governo socialista, o Estado Sucial em 2019 cobrará a Portugal mais 6 mil milhões do que o valor dos serviços que vai prestar aos seus cidadãos o que, ainda assim, não chega para pagar aos credores os 8 mil milhões de juros.

Como pode ser esta realidade, assim descrita em português corrente, ser traduzida para o dialecto berloquês, uma variedade do politiquês usada pelo Berloque de Esquerda? Assim:
«Como a Marisa explica, ‘um segredo bem escondido é que Portugal dá lucro. O excedente primário do OE será de 6 mil milhões de euros mas, devido ao serviço da dívida, mais de 8 mil milhões serão canalizados para o sistema financeiro.»
Catarina Martins, líder da agremiação marxista-leninista-trotskista-maoista, citando no Twitter uma outra luminária berloquista que nos ilustra as meninges com três grandes descobertas: (1) Portugal é o Estado Sucial; (2) lucro é o saldo entre receitas e uma parte das despesas e (3) a propaganda do governo é um segredo bem guardado.