Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

25/10/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (108) - Em tempo de vírus (LXXXV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

É possível enganar todos durante algum tempo, é possível enganar alguns sempre, não é possível enganar todos sempre

O mundo do Dr. Costa parecia um paraíso, mas bastou uma derrota na câmara de Lisboa para de súbito os demónios escondidos nos armários socialistas saírem à luz do dia.

Na bolsa orçamental, onde cabe tudo o que os comunistas e os berloquistas quiserem, as cotações dos votos de aprovação subiram exponencialmente e exigem-se alterações na legislação laboral, na contratação colectiva, no desemprego dos "trabalhadores da cultura", nas horas extraordinárias, nas pensões, nos salários mínimos, etc. Para dificultar mais a mercearia, o PS já não tem mais nada de orçamentalmente intangível a oferecer ao BE, no domínio da "identidade de género", da linguagem neutra e das outras tretas que excitam o esquerdismo. Daí as nove exigências berloquistas terem directa ou indirectamente impacto tangível. Entalados entre a espada de uma aprovação, que será vista como mais uma cedência e causará perdas futuras de votos dos fiéis, e a parede de eleições antecipadas, onde terão perdas que esperam sejam menores, PC e BE vão especulando, fazendo bluff e jogando com expectativas. O PS do Dr. Costa faz o mesmo, mas tem muito mais a perder.

O país que o Dr. Costa nos deixa é um país devorado pelo Estado sucial

Entre 2019 para 2022 o governo socialista fez a despesa primária crescer 14 mil milhões de 84,7 (39,7% do PIB) para 98,7 mil milhões (43.6% do PIB).

No topo da União Europeia (e do mundo)

Terceiro lugar no ranking da UE em matéria de dívida pública e nos impostos na electricidade e o sexto no preço dos combustíveis. Na competitividade fiscal, o Portugal socialista ocupa o quarto lugar (a contar do último)

A emergência climática do Dr. Costa cede à necessidade de se manter no governo

Uma semana depois de apontar o dedo aos «responsáveis políticos (que dizem), durante metade da semana, que há uma emergência climática, e (na) outra metade da semana (dizem) que não querem medidas para combater a emergência climática», face aos protestos pelo aumento do preço dos combustíveis, o Dr. Costa anunciou que iria baixar «poucachinho» os impostos sobre os combustíveis em 2 (gasolina) e 1 (gasóleo) cêntimos.

Fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes é sinal de insanidade (ou estupidez)

A vocação empresarial socialista consiste em torrar o dinheiro dos outros nas empresas falidas. O caso da EFACEC é apenas mais um. Estão previstos este ano 20 milhões de prejuízo e prevê-se um novo financiamento com linhas de crédito com garantia pública. Aposto que o crédito não chegará e será necessário injectar mais dinheiro para alguém se chegar à frente e comprar o mono.

22/10/2021

O algodão não engana. Esperar que o situacionismo do novo regime comemore o 25-11 é como esperar que o situacionismo do velho regime comemore o 25-04

«Deputados preparam-se para chumbar comemoração do 25 de Novembro»

Os milhões do FEDER torrados durante décadas e a "geração mais bem preparada de sempre" confirmam a antítese de Vasco Pulido Valente

«Um quarto dos trabalhadores tem qualificações a mais para o emprego que tem

Estudo do ISCTE conclui que fenómeno da sobrequalificação está relacionado com o fraco investimento na indústria e nos serviços de alta tecnologia e com a reduzida capacidade de contratação do sector público

(conclusão de um estudo do ISCTE, citado pelo Público)

 Há seis anos, Vasco Pulido Valente escreveu por coincidência no mesmo jornal, 

 «…à velhíssima crença de que a educação - e a formação - contribuem para o crescimento económico: uma tese desacreditada desde o princípio do século XX».

21/10/2021

E se uma pessoa com próstata dissesse uma imbecilidade assim? Será uma exaltação da masturbação?

«Quando somos donas do nosso prazer e este só depende de nós, isso torna-nos poderosas»

María Hesse, uma ilustradora em entrevista ao Avante da Sonae

Proposta Modesta Para Proibir a Prostituição, Promover a Assistência Sexual aos que Dela Carecem, Combater a Precariedade e Devolver aos Profissionais a sua Dignidade

Outras propostas modestas

Em 1729 Jonathan Swift publicou um panfleto satírico com o título longo e insólito A Modest Proposal: For Preventing the Children of Poor People in Ireland from Being a Burden to Their Parents or Country, and for Making Them Beneficial to the Public.

Desde então, inúmeras Propostas foram baptizadas de «Proposta Modesta». O (Im)pertinências, com quase quatro séculos de atraso, apresentou já várias. Desta vez trata-se da prostituição que o governo socialista espanhol quer proibir. O sindicato das prostitutas protestou porque da proibição resultariam 400 mil prostitutas sem trabalho. 

Desde logo é inaceitável a discriminação negativa dos prostitutos, excluindo-os da proibição ou, num outro ângulo, é inaceitável a sua discriminação positiva mantendo-lhes o privilégio de poderem continuar a exercer uma profissão vedada às suas colegas mulheres ou, como agora se diz, pessoas portadoras de vagina.

Assim, a primeira parte desta Proposta Modesta é eliminar a discriminação, seja ela positiva ou negativa, abrangendo na proibição do exercício da profissão nas condições actuais todas as pessoas que a ela se dedicam, sejam pessoas com vagina ou pessoas com próstata. 

Constatando-se que a profissão, a mais antiga do mundo, dizem, proporciona serviços terapêuticos socialmente insubstituíveis, a segunda parte da proposta, partindo do pressuposto que não devemos deitar fora o bebé com a água de o lavar, é dignificar esses serviços incluindo-os no âmbito do SNS a prestar pelos antigos profissionais, no futuro libertos da precariedade com um contrato vitalício, em paralelo com a prestação dos mesmos serviços por profissionais liberais devidamente inscritos na Ordem dos Cuidadores Sexuais, já no novo quadro jurídico das ordens profissionais que o governo pretender aprovar.

20/10/2021

TAP, a companhia da bandeira do Dr. Pedro Nuno Santos

Outros There is no such thing as flag carrier, ver também a etiqueta TAP

«Porque é que em nenhum outro país europeu se questiona a intervenção e o auxílio público às suas companhias de bandeira? Em nenhum outro país europeu assistimos ao debate sobre o apoio e auxílio à sua companhia aérea de bandeira que assistimos em Portugal.»

Dr. Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e líder do pedronunismo

Vamos supor que o Dr. Pedro Nuno chama companhias de bandeira a operadores em que o Estado tem uma participação de controlo. Há 6 anos, na União Europeia a maioria das companhias já só tinha uma participação nula ou minoritária dos respectivos governos. 

Actualmente há em todo o mundo 110 companhias de aviação com participação do Estado e 46 companhias antes participadas pelo Estado foram privatizadas ou deixaram de operar (fonte). 

A maioria da companhias com participação do Estado são de países africanos e apenas 9 na União Europeia, uma delas (SAS) com participação minoritária dos governos da Dinamarca e Suécia (14,24% e 14,82%) e, com uma única excepção (Alitalia, tecnicamente falida e comprada por tuta e meia pela ITA Airways), todas elas pequenos ou muito operadores, a saber: 

  • Alitalia
  • Air Malta
  • Air Baltic
  • Croatia Airlines 
  • Finnair
  • LOT Polish Airlines
  • Scandinavian Airlines 
  • TAP
  • TAROM
Assim, já se percebe que companhia de bandeira para o Dr. Pedro Nuno é um operador falido e/ou microscópico. Ele tem razão, a TAP é uma companhia de bandeira.

19/10/2021

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (35) - Entrada de leão, saída de...

Outras botas para descalçar
Expresso

Mais um português no topo do mundo. Bem diz S. Ex.ª, «somos os melhores dos melhores». E é assim, de sucesso em sucesso, vamos caminhando para o fundo da tabela na produtividade e para o topo no endividamento.

Jornal de Negócios

18/10/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (107) - Em tempo de vírus (LXXXIV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Estará o Dr. Costa cansado de desgovernar?

Há quem pense que esta farsa da aprovação do orçamental que se repete todos os anos desta vez pode ser uma tragicomédia. Na verdade para quê tanta agitação a discutir um orçamento em que a quase totalidade da despesa está à partida pré-determinada pelos compromissos do passado? Só se fosse para discutir o aumento de 1.700 milhões dos impostos, que sabe a pouco aos parceiros desavindos da geringonça.

Talvez o Dr. Costa esteja a procurar um pretexto para sair antes do diabo chegar. E tem boas razões para isso. No final do seu mandato em 2023, após oito anos, segundo previsões do seu governo, o Dr. Costa deixará o país com um PIB com crescimento anual médio de 1,5%, mais pobre em termos relativos na UE, com uma dívida pantagruélica, dependente da caridade de uma UE em decadência que em 2008 representava 25,6% do PIB mundial, dez anos depois representava 18,6% e em 2023 talvez represente menos de 15%. E a pandemia é uma desculpa de mau pagador porque a despesa adicional não chegou a 6% do PIB contra 17% dos países da OCDE e 25% dos Estados Unidos. Já agora, registe-se que o Dr. Leão que executa todos os anos menos investimento do que o orçamentado é o mesmo Dr. Leão que justifica que os 6% do PIB (uns meros 12 mil milhões) gastos com a pandemia explicam um aumento de 40 mil milhões da dívida.

Tresanda a fim de ciclo

O desaire comunista nas eleições autárquicas teve como consequência a necessidade de apresentar prova de vida ameaçando votar contra o orçamento e usando o expediente do costume. Estão anunciadas resmas de greves desde o clássico dos funcionários públicos até aos farmacêuticos, passando por enfermeiros, bombeiros, Transtejo, etc. No que respeita ao SNS, a respectiva ministra Dr.ª Temido diz «não há coincidências» porque que estava tudo bem e de repente são convocadas várias greves. Imagino-a a trautear a Internacional Socialista no duche para afastar os espíritos maléficos.

Estará o governo a gozar com a populaça?

Que outra coisa pode ser? Face aos protestos pelo aumento do preço dos combustíveis de 34 (gasolina) e 35 (gasóleo) cêntimos em um ano, preço em que os impostos representam quase dois terços, o governo decidiu reduzir o imposto em 2 (gasolina) e 1 (gasóleo) cêntimos.

Take Another Plan. Entradas de leão, saídas de sendeiro

Começou por ser uma redução de 2.000, foram depois anunciados 1.600 até ao final de 2020, em Fevereiro desde ano já eram 800, mais tarde o despedimento colectivo que era para ser de 124, em Agosto foi reduzido para 82 e agora ficou em 72. É claro que saíram mais trabalhadores por decisão própria, aqueles precisamente que deveriam ficar e saíram para os concorrentes porque há procura para gente capaz. É mais um resultado da gestão pedronista que começa por falar grosso e acaba a falar fininho. 

17/10/2021

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (5) - Antes de se começar a torrar o dinheiro conviria perceber o que se pode fazer com o H2

«Amid the excitement, it is worth being clear about what hydrogen can and cannot do. Japanese and South Korean firms are keen to sell cars using hydrogen fuel cells, but battery cars are roughly twice as energy efficient. Some European countries hope to pipe hydrogen into homes, but heat pumps are more effective and some pipes cannot handle the gas safely. Some big energy firms and petrostates want to use natural gas to make hydrogen without capturing the associated carbon effectively, but that does not eliminate emissions.

Instead, hydrogen can help in niche markets, involving complex chemical processes and high temperatures that are hard to achieve with electricity. Steel firms, spewing roughly 8% of global emissions, rely on coking coal and blast furnaces that wind power cannot replace but which hydrogen can, using a process known as direct reduction. Hybrit, a Swedish consortium, sold the world’s first green steel made this way in August.

Another niche is commercial transport, particularly for journeys beyond the scope of batteries. Hydrogen lorries can beat battery-powered rivals with faster refuelling, more room for cargo and a longer range. Cummins, an American company, is betting on them. Fuels derived from hydrogen may also be useful in aviation and shipping. Alstom, a French firm, is running hydrogen-powered locomotives on European tracks.

Last, hydrogen can be used as a material to store and transport energy in bulk. Renewable grids struggle when the wind dies or it is dark. Batteries can help, but if renewable power is converted to hydrogen, it can be stored cheaply for long periods and converted to electricity on demand. A power plant in Utah plans to store the gas in caverns to supply California. Sunny and windy places that lack transmission links can export clean energy as hydrogen. Australia, Chile and Morocco hope to “ship sunshine” to the world.»

Excerto de Hydrogen’s moment is here at last

16/10/2021

Dúvidas (322) - Será o Wokeismo um Transtorno obsessivo-compulsivo ou Esquizofrenia paranóide?

«O músico e compositor norte-americano Bright Sheng [que pertence a uma minoria étnica] viu-se obrigado a abandonar o cargo de professor na Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, depois de ter exibido numa das suas aulas o filme clássico Othello, de 1965, onde o ator britânico Laurence Olivier surge com a cara pintada de negro para representar o protagonista, o mouro Otelo da peça de Shakespeare. (...)

Na sequência da polémica, o próprio Sheng fez um pedido de desculpas público, assumindo que foi “insensível relativamente à raça e antiquado” e cancelando os projetos letivos que se preparava para levar a cabo na faculdade.» (Observador)

Sendo certo que do ponto de vista político o Wokeismo é uma ideologia tirânica e do ponto de vista do senso comum é uma imbecilidade, como caracterizá-lo ponto de vista psiquiátrico? 

Transtorno obsessivo-compulsivo

«... presença de crises recorrentes de pensamentos obsessivos, intrusivos e em alguns casos comportamentos compulsivos e repetitivos.É muito comum que pacientes com TOC acreditem que, se deixarem de cumprir o ritual, algo terrível poderá acontecer. Esse comportamento tende a agravar-se à medida em que a doença não é tratada ou diante de algum evento estressante ou traumático.»

ou 

Esquizofrenia paranóide

«Transtorno psiquiátrico em que a pessoa perde total ou parcialmente o contato com a realidade objetiva, sendo comum que passe a ver, ouvir ou sentir sensações que não existem na realidade. A esquizofrenia paranoide é o subtipo da esquizofrenia mais comum, em que predominam os delírios de perseguição ou de aparecimento de outras pessoa, o que torna muitas vezes a pessoa desconfiada, agressiva e violenta.»

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