Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

25/05/2017

Mitos (254) - O terrorismo está a aumentar

Economist

CONDIÇÃO MASCULINA: Precisamos de homens. Não precisamos de criaturas efeminadas com pénis (3)

Este post pode ser considerado uma sequela deste e deste.

«De acordo com as palavras do Chefe do Estado-Maior do Exército, são os fins-de-semana em casa, e não as exigências físicas e psicológicas do treino, que estão a provocar o grande número de desistências do curso deste ano, fazendo com que dos 57 militares iniciais restem neste momento apenas 17. Estamos por isso a falar de homens de barba rija, capazes de sobreviver uma semana no mato apenas com uma fita na cabeça e um corta-unhas, mas que não conseguem superar a prova da mamã aos Domingos à noite. (...)

A expressão (“MAMA SUME!”), adoptada pela unidade a partir do grito de uma tribo africana, significa qualquer coisa como “aqui estamos, prontos para o sacrifício”. Acredito profundamente no poder motivacional deste lema, e desconfio até que seja depois de o ouvirem que muitos mancebos se sentem com vontade de ingressar no quartel da Carregueira. E não é por alguns o interpretarem erradamente como “MAMÃ, SUMO!” que vou mudar de opinião.»

Lido no Blasfémias

24/05/2017

Centeno foi «além da troika». Volta Schäuble, estás perdoado

Schaüble chama a Centeno "o Ronaldo do ECOFIN"

(Fonte: o diário da manhã DN)

«O Ronaldo do ECOFIN» é como quem diz o Centeno a ir além da troika é o Cristiano a marcar golos? Alguém se lembra dos tempos em que Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, era diabolizado como um neoliberal empedernido? Alguém se lembra dos tempos em que a obsessão do défice era uma infâmia antipatriótica?

Criminosos a quem emprestaram um pretexto

Manchester suicide bomber moved from gangs to radical Islam

Salman Abedi, a student at University of Salford, was born in UK to Libyan parents

(Financial Times)

Muitos dos soldados do Islão fundamentalista são meros criminosos, potenciais ou de facto, alguns deles recrutados nas prisões, reciclados por ideólogos fanáticos que lhes emprestaram uma causa, isto é um pretexto para exercerem a violência arbitrária sob a forma de terrorismo.

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (151) - Ética republicana


Nomeações recentes de apparatchiks socialistas com currículos notáveis:
  • Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais - Ricardo Rodrigues, advogado e ex-vice presidente do grupo parlamentar socialista, que há 7 anos "tomou posse" por "acção directa" de dois gravadores de jornalistas da revista Sábado e com eles abandonou a entrevista por o estarem a questionar sobre o "caso de pedofilia" (CM e Expresso); 
  • Conselho de Fiscalização do Sistema Integrado de Informação Criminal - António Gameiro, deputado e presidente da distrital de Santarém do PS, condenado pelo tribunal (decisão confirmado pela Relação) a restituir 45.000 euros que reteve de uma venda em que foi procurador de uma cliente. (O Ribatejo)
(Lido aqui)

23/05/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (84)

Outras avarias da geringonça.

Até um dos mais contumazes adeptos da geringonça concedeu que o tão celebrado crescimento da economia de 2,8% no 1.º trimestre ficou a dever-se às exportações e ao investimento e não à receita da Mouse School of Economics que faria o crescimento brotar do consumo resultante do aumento do rendimento pelas políticas de reversão. Também é prudente lembrar que a última vez que a economia cresceu num trimestre 2,8% foi em 2007, era governo o animal feroz, e nos trimestre seguintes a coisa foi minguando, voltou a crescer quase a esse nível em 2010 um pouco antes da bancarrota no 2.º trimestre de 2011.

Ainda que o investimento tenha tipo um papel no crescimento do 1.º trimestre devemos saber que, segundo dados do Eurostat (citados aqui), o investimento total em 2016 em Portugal foi o mais baixo da UE com excepção da Grécia e em 20 anos caiu mais de 10% em percentagem do PIB, tendo sido o quarto com maior descida. Não deveria surpreender ninguém que o mais elevado índice de investimento em 2016 seja o da Irlanda onde o investimento nos últimos 20 anos foi o segundo que mais cresceu.

ARTIGO DEFUNTO: Factos alternativos

22/05/2017

Um governo à deriva (32) - Crescimento apesar de... ou... aconteceu

Como que uma continuação daqui.

Dizendo mais ou menos a mesma coisa por menos palavras, a propósito do tão festejado crescimento de 2,8% no primeiro trimestre, João Salgueiro: «não se fez nada para isso. Aconteceu».

Para ler mais palavras, vá à entrevista do Negócios.

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (11) - As razões para felicitar os portugueses pela saída do PDE são as mesmas para felicitar os habitantes de um bairro de alta criminalidade pela saída da polícia

Outras botas para descalçar.

Mitos (253) - A banca está bem e recomenda-se

«Se olharmos para os cinco maiores bancos do sistema financeiro português (CGD, BCP, Novo Banco, BPI e Santander) constatamos que se perderam quase 22,5 mil milhões de activos durante 2016. Isto em si não seria mau se a economia não acabasse subfinanciada, não se perdendo investimento. Porém, foi mesmo isto que sucedeu, pois esta redução foi em parte feita à custa de uma queda do crédito concedido (o qual registou uma quebra colectiva de 13 mil milhões de euros) e teve um impacto negativo no investimento. Por outro lado, perderam-se 11 mil milhões de depósitos! 

Se, por um lado, o total dos activos desceu, seria de esperar um menor volume de imparidades. Porém, ao invés, assistimos a um crescimento destas imparidades em 3300 milhões de euros, ficando o ano de 2016 registado como o ano em que se registaram mais 6000 milhões de euros de novas imparidades! Se os resultados de 2015 foram colectivamente maus (-330 milhões de euros), os de 2016 foram piores (-1910 milhões) embora particularmente por causa da CGD, que este ano apresentou um resultado negativo de -1860 milhões de euros. 

Por fim, há que não esquecer: 1) a necessidade da CGD fechar o seu financiamento de 500 milhões através de dívida júnior emitida no mercado internacional; 2) a litigância em torno do Novo Banco quer pela reclassificação da senioridade da dívida e que foi transferida para o BES quer pelas providências cautelares levantadas à venda do Novo Banco; e 3) o desfecho do processo do Montepio

De um artigo do professor João Duque, um economista impertinente, publicado (por engano?) faz algum tempo no Expresso

21/05/2017

ESTADO DE SÍTIO: Roçar-se pela fama

«A pressa em roçar-se pela fama de um pobre cantor indefeso e desarmado mostra bem quem é esta gentinha da política, que Portugal inteiro despreza. Por um voto e um pouco de presuntiva simpatia, roubada ao próximo, vende unanimemente a sua dignidade e a dignidade das suas funções. O carácter, para ela, não passa de uma ficção. Agora sabemos quem nos governa.»

Eles e Nós, Vasco Pulido Valente no Observador

A propósito do agora sabemos (sabemos há muito), recordo o lema de estimação do (Im)pertinências: «Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.»

ACREDITE SE QUISER: Portugal está na moda e Lisboa é cool

A OZY é uma revista lançada há quatro anos, online, de largo espectro que vai desde as notícias vulgares, contadas de forma invulgar, sobre política, negócios, desporto, passando pela cultura, seja lá o que isso for.

Até há pouco tempo a OZI desconhecia praticamente a existência de um país chamado Portugal. Praticamente, mas não totalmente. O nosso Cristiano Ronaldo já tinha sido objecto das atenções da OZI graças ao seu «twisted, goofy bust» da autoria do escultor Emmanuel Santos. Ronaldo, uma vedeta internacional mais conhecida por enquanto do que o presidente Marcelo, não conta para o efeito. Nem o escultor que passou também a vedeta por ter desvalorizado a polémica sobre o busto com «Nem Jesus agrada a toda a gente», o que é inteiramente verdade e quem duvida pergunte a um muçulmano.

Com o governo Costa, a geringonça e sobretudo o presidente Marcelo, Portugal ficou na moda. O papa Francisco veio a Fátima, o Salvador ganhou a Eurovisão - até então um festival ridículo sempre ganho por canções foleiras e onde as nossas belas canções eram sistematicamente desprezadas - e a OZI publicou numa única semana dois artigos sobre Portugal. Ou, mais precisamente, dois artigos sobre Lisboa, uma cidade presidida pelo sucessor de Costa (sempre ele) e habitada oficialmente pelo presidente Marcelo, em Belém, pátria dos famosos pastéis.

No primeiro desses artigos (IS LISBON'S HOTTEST HANGOUT THE FUTURE OF THE OFFICE?) a OZI fala-nos sobre o Mercado da Ribeira, ou mais precisamente sobre «the first international outpost of London workspace provider Second Home» que lá podemos encontrar. No segundo artigo (INSTAGRAM TRAVEL GUIDE TO … LISBON) a OZI descreve-nos «their favorite little-known spots to eat, drink, shop and sight-see».

20/05/2017

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (76) - He’s hopeless (III)

Continuação de (I) e (II) e daqui.

Backward, comrades!
O manifesto eleitoral do Partido Trabalhista tem tudo aquilo que se pode esperar de um manifesto eleitoral de uma sopa de radicais, desde os órfãos dos diversos marxismos até simplesmente lunáticos. Lá encontramos a dose habitual de nacionalizações dos caminhos de ferro, dos correios, da energia, do abastecimento de água, aumentos dos impostos de quase 50 mil milhões de libras (1/3 do PIB português), nomeadamente sobre as empresas, abolição das propinas das universidades, aumento da despesa pública em saúde e educação, e o incontornável aumento dos salários dos funcionários públicos - uma parte importante da sua clientela eleitoral - e até a adopção de um salário máximo correspondente a 20 vezes o salário mínimo.

O resultado praticamente certo é o naufrágio eleitoral do Partido Trabalhista, com grande gáudio de Theresa May que pode vir a ter a maior maioria das últimas décadas, o que a acontecer mostra o juízo e maturidade do eleitorado. Um resultado provável é a secessão do Partido Trabalhista com muitos deputados e outros militantes a criarem um novo partido ou a juntarem-se aos liberais-democratas.

ARTIGO DEFUNTO: Os dois regimes noticiosos

«Na última meia dúzia de anos, os portugueses passaram por dois regimes noticiosos: entre 2011 e 2015, não podia haver boas notícias; desde 2015, não pode haver más notícias.»

Rui Ramos no Observador

19/05/2017

¿Por qué no te callas? (19) - Le couronnement de sa carrière


«Em Portugal as coisas estão a melhorar. Muito, muito rapidamente e muito bem. Os últimos números mostram uma taxa de crescimento de 2,8. E penso que no final do ano será de cerca de 3,2, o que é uma grande surpresa. O défice está a descer 1,4 %, o que é muito, muito, muito bom. O investimento está aumentar, a exportação está a aumentar».

Marcelo Rebelo de Sousa lendo a bola de cristal à sua homóloga da Croácia, a charmosa Kolinda Grabar-Kitarović.

CASE STUDY: Trumpologia (18) - Factos alternativos

Mais trumpologia.

A administração Trump (se é que se pode chamar administração ao caos do governo americano gerido pelo tweeter de Trump) baniu a entrada nos Estados Unidos de nacionais de seis países maioritariamente muçulmanos com o alegado propósito de proteger o país do terrorismo. Vários tribunais americanos já se pronunciaram contra a ordem executiva de Trump por o presidente não ter esses poderes e/ou por considerarem que a ordem se fundamenta numa atitude discriminatória e, por isso ilegal, contra o islamismo.

The Economist
Se a ilegalidade por uma ou outra razão é matéria de opinião, a eficácia da ordem executiva para prevenir o terrorismo, considerando os dados do seu historial, é matéria de estatística.  Basta olhar para o diagrama anterior para se perceber que a decisão de Trump se baseia, uma vez mais, em factos alternativos e na recusa esquizofrénica da realidade, um traço que, reconheça-se, o Donald partilha com a secção mais assanhada da esquerdalhada que o vilipendia.