Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

21/06/2018

E por falar no «futuro colaborador de um governo PS»

«Todos já sabiam, mas têm vergonha de o dizer: Rui Rio não nasceu e não tem jeito para isto. »

Se ainda não tinha reparado, pode ler aqui uma boa explicação.

Cenas de ciúmes: O actual colaborador aponta o dedo ao presumível futuro colaborador

«Rui Rio assume-se já como futuro colaborador de um governo PS, num bloco central subordinado», pode ler-se na moção subscrita pela Esganiçada em Chefe Catarina Martins à Convenção Nacional do berloquismo,

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (26) - A eucaliptofobia como manifestação de esquizofrenia esquerdizante (II)

Já por diversas vez abordámos no (Im)pertinências a eucaliptofobia, como patologia que ataca a esquerdalhada em geral e algumas luminárias em particular, como o tudólogo ou o tele-evangelista.

Àquelas luminárias poderemos agora acrescentar João Camargo e Paulo Pimenta de Castro, paneleireiro (de PAN), o primeiro, e berloquista (de Bloco de Esquerda Revolucionária), o segundo, que publicaram “Portugal em Chamas – Como Resgatar as Florestas”, pelos vistos uma espécie de manual da eucaliptofobia.

Escrevo pelos vistos porque honestamente não tenho a menor intenção de me auto-punir lendo-o. Bastou-me a autópsia em «O diabo travestiu-se de eucalipto» executada por Manuel Carvalho no Público, cuja leitura recomendo para encerrar o assunto.

20/06/2018

Bons exemplos (125) - BCP chuta para fora o futebol

«Depois de vários anos a financiar de forma expressiva vários clubes de futebol, o Millennium BCP já não o poderá fazer. Miguel Maya, o novo presidente-executivo, acaba de inscrever no regulamento interno que o banco não pode voltar a conceder empréstimos a clubes de futebol, não só pelo risco que incorporam, mas por não serem o seu core business (actividade estratégica).» (Público)

Depois do perdão de 94,5 milhões de euros do Novo Banco e do BCP ao Sporting SAD, se Miguel Maya continuasse a dar para este peditório deveria candidatar-se a CEO do Montepio Geral.

CASE STUDY: Efeito de substituição

Fonte
21 Club, uma firma de consultores de futebol, construiu um sistema de classificação dos jogadores baseado no big data do chuto que permitiu estimar o efeito que teria na probabilidade de certas selecções chegarem aos quartos de final do campeonato do Mundo com a mudança do seu melhor atacante por outro com maior score. Os resultados estão no diagrama acima e ficamos a saber que, baseado nesses pressupostos, Marrocos, o adversário de hoje da selecção portuguesa, se dispusesse de Ronaldo aumentaria as suas chances cerca de 20 pontos percentuais.

19/06/2018

A maldição da tabuada (46) - A dificuldade de contar está embebida na alma lusitana


Segundo o Relatório de Primavera 2018 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, citado pela RR, «Portugal desconhece quantos profissionais de saúde estão a trabalhar».

O próprio título presta-se a confusões e pode ser interpretado como: (1) quantos profissionais têm emprego no SNS ou (2) quantos desses profissionais estão a trabalhar, mesmo, uma vez que segundo um dos investigadores «um número indeterminado de profissionais trabalha tanto no setor público como no setor privado».

De onde é possível concluir que o próprio desconhecimento não é conhecido, o que me leva até Donald Rumsfeld que disse a propósito da invasão do Iraque:
«There are known knowns. These are things we know that we know. There are known unknowns. That is to say, there are things that we know we don't know. But there are also unknown unknowns. There are things we don't know we don't know

Os torquemadas alimentares são prejudiciais à saúde mental

O próximo passo
«Depois de os hospitais e os centros de saúde públicos terem retirado das máquinas de venda automática alimentos “prejudiciais à saúde”, como os bolos, salgados, snacks e refrigerantes, PAN quer estender a medida aos estabelecimentos de ensino público, de nível básico e secundário.» (Jornal Económico)

E porque não substituir os bolos, salgados, snacks e refrigerantes por canabis e drogas recreativas disponíveis gratuitamente nas cantinas escolares?

18/06/2018

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (140)

Outras avarias da geringonça.

Uma vez mais, a missão de supervisão (CE + BCE + MEE) pós-programa de assistência vem lembrar ao governo socialista que deve aproveitar a bonança para reduzir a dívida e adoptar as reformas estruturais. O BCE pelo seu lado fez saber que termina o quantitative easing até ao fim do ano e a partir de Setembro reduz as compras de dívida a metade.

Do outro lado do Atlântico a Fed subiu as taxas de juro, como esperado, e anunciou que voltará a aumentá-la mais duas vezes este ano, continuando assim uma trajectória de regresso à normalidade que apanhará o governo socialista de calças na mão, apesar dos avisos como a subida de 24 pontos bases em apenas um mês das  OT a 10 anos no leilão da semana passada.

17/06/2018

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (82) - Por onde têm andado os jornalistas do semanário de reverência?


Alguém pode explicar, se faz favor, a estas criaturas que o êxodo do centro para a periferia não começou agora, começou há cinco décadas por várias razões entre as quais leis do arrendamento parecidas com as que a esquerdalhada quer ressuscitar. O êxodo começou há cinco décadas e, não por acaso, começou a inverter-se precisamente a partir do momento em que as leis do arrendamento foram «liberalizadas» (vade retro satana!) - ler aqui o contributo velho de 15 anos do Impertinente para a compreensão do êxodo do centro para a periferia à luz da teoria do caos.

Unintended Consequences: Scandinavian Farmers Are Basking in Global Warming

«By 2050, experts predict, northern Norway’s growing season could increase by four weeks. That’s just one example of how climate change is expanding what Nordic agriculture is capable of, and already helping more “heat demanding” crops, including legumes, corn and the world’s go-to staple, wheat. And now Danish vintners are even nurturing a nascent wine grape sector once ideally suited for only Europe’s southern and central regions. But growers lament global warming’s other effects, like increased rain and less sunshine — something that might yield an unpalatable future for Danish vintages

Ozi

16/06/2018

CASE STUDY: Os profissionais portugueses de futebol como um exemplo de excelência

Deveria ser mais fácil explicar a falta de sucesso do que explicar como Portugal é o actual campeão europeu e a 4.ª selecção no ranking mundial, quando temos contra nós o teorema de Bernoulli, ou lei dos grandes números. De facto, é elevada a probabilidade de serem muito melhores do que os nossos jogadores os alemães que são 81 milhões, ou os franceses que são 66 milhões, ou os italianos que são 60 milhões, ou os brasileiros que são 214 milhões, ou mesmo os espanhóis que são 46 milhões,  só para dar alguns exemplos entre países em que o futebol é popular e existe uma grande massa de praticantes.

E se a probabilidade de ter um jogador de topo é baixa, a probabilidade de ter dois ou mais é ainda mais baixa. Suponha-se que em média se encontra um jogador de topo (seja lá o que isso for) em cada 100 milhões de habitantes (incluindo mulheres, crianças e velhotes, para simplificar). Nesse caso, a probabilidade de ter um jogador de topo em Portugal é 0,1 e na Alemanha 0,80 e probabilidade de ter simultaneamente dois é para Portugal de 0,01 e para a Alemanha 0,64 isto é 64 vezes mais. E no caso de três é 0,001 e 0,512, respectivamente, isto é 512 vezes mais.

Então porque atingem os futebolistas profissionais portugueses o topo?

Em primeiro lugar, notemos que dos 23 jogadores da selecção actual, 7 nasceram fora de Portugal e 18 jogam em clubes estrangeiros em 9 campeonatos diferentes.

Por isso, devemos começar por reconhecer que os jogadores portugueses de futebol são os únicos profissionais que verdadeiramente trabalham num mercado internacional competitivo sujeitos a uma avaliação constante e impiedosa. Deve ser mais fácil encontrar uma agulha num palheiro do que um português de outra profissão integrado num mercado de trabalho internacional comparável ao mais modesto dos nossos jogadores no estrangeiro.

E o que é que tem o futebol de diferente do resto das actividades em Portugal? Várias coisas, entre as quais: uma regulação leve, concorrência nacional e internacional entre operadores e, sobretudo, um mercado de trabalho aberto, competitivo e internacional - deve ser a única actividade em Portugal em que as famílias, os partidos e as maçonarias não arranjam lugares na profissão do chuto para os seus filhos, camaradas e irmãos, respectivamente.

Não é que os portugueses morram de amores pela Óropa, é mais estarem pelos cabelos com o Portugal que eles próprios construíram

Algumas conclusões sobre as idiossincrasias dos portugueses visíveis nos resultados do Inquérito Eurobarómetro Standard da primavera de 2018.

Os portugueses:

  • são, a seguir aos dinamarqueses, os que mais confiam na União Europeia (57 %), confiança que em relação ao outono de 2017 aumentou 6 pontos percentuais;
  • em grande maioria (80%) defendem o euro;
  • em grande maioria (88%) apoiam a livre circulação de pessoas na UE;
  • praticamente metade consideram má a situação económica do país.
  • são, a seguir ao luxemburgueses, os mais optimistas quanto ao futuro da UE (71%);

Se me permitem, aqui vai uma interpretação livre destes resultados:

  • compreensivelmente, os portugueses confiam mais no governo europeu do que no resultado das suas (más) escolhas;
  • idem mais na moeda europeia do que na sua própria, sujeita aos malabarismos do seu governo; 
  • há mais portugueses que querem viajar ou residir no estrangeiro do que estrangeiros a quererem viajar ou residir em Portugal (até os refugiados evitam Portugal e quando não conseguem escapolem-se na primeira oportunidade); 
  • a metade dos portugueses que consideram má a situação económica do país é a metade que não vive pendurada directa ou indirectamente no Estado Sucial; 
  • os portugueses são optimistas em relação futuro da UE porque são pessimistas em relação ao futuro do seu país governado pelos seus eleitos, depois de três resgates e a trabalhar para o quarto.

15/06/2018

Títulos inspirados (76) - E porque não? Ele é homem para vender qualquer coisa a qualquer um!

Público

ACREDITE SE QUISER: A fila das selfies de Marcelo era quase tão grande como a das farturas

«Não é por acaso que o Presidente da República é conhecido como o “Presidente dos afetos”. Onde quer que vá é procurado por quem com ele se cruza para o já denominado “momento selfie” e, ontem, isso foi particularmente visível. Tudo aconteceu ao final da tarde, pelas 18h30, na feira do livro lisboeta, quando Marcelo Rebelo de Sousa protagonizou um episódio curioso: como se de uma das bancas da feira se tratasse, uma fila com cerca de duas dezenas de pessoas formou-se para tirarem selfies e fotografias com o presidente.

A fila, garantiu ao i uma visitante, era “quase tão grande como a das farturas”

Jornal i

14/06/2018

Pro memoria (379) - Recordando os antecedentes da cimeira Trump-Kim. Tal pai, tal filho?


Há 26 anos Kim Jong-il, o pai de Kim Jong-un, autorizou a Agência Internacional de Energia Atómica a inspeccionar as suas instalações nucleares em troca da suspensão pelos Estados Unidos dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.

Dois anos mais tarde, Bill Clinton negociou com Kim Jong-il um acordo para interromper a construção das centrais nucleares da Coreia do Norte que se manteve nove anos, ou, melhor, um acordo que se descobriu em 2013 estar a ser violado com a compra de urânio pela Coreia do Norte.

Mitos (274) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (9)

Outros mitos: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)

Esta série de posts tem sido dedicada à desmistificação das teses das diferenças salariais entre sexos serem devidas à discriminação, teses que não têm conta as diferentes funções desempenhadas. É um erro metodológico primário não devido ao acaso, mas resultante das estatísticas de causas produzidas pelos militantes dessas causas que fabricam as hipóteses à medida das suas teses. Uma das consequências desta mistificação é que as políticas desenhadas com base em falácias são... falaciosas.

Para recordar um só exemplo, já aqui referido, o grupo a que pertence a Economist - um bastião da não discriminação sexual no trabalho - apresenta uma diferença salarial de quase 30%, porque como eles próprios reconhecem, os executivos são comparados directamente com as suas secretárias, entre outros disparates.

Como o feminismo de pacotilha - uma modalidade do politicamente correcto - é hoje a lengalenga dominante, muitas criaturas adoptam essa visão mistificadora. Não é o caso do post «O Feminismo faz tanta falta como o Machismo» (lema que pode ser adoptado pelos impertinentes cá de casa), de Cristina Miranda do Blasfémias que, contra a corrente, faz notar «as estatísticas enganadores das diferenças salariais quando as categorias profissionais estão todas tabeladas sem diferenciação de sexos».

13/06/2018

Dúvidas (224) - Costa vai abrir uma startup?

«Costa assume meta: mais 25 mil empregos científicos no setor privado até 2030» titulou o Jornal Económico a partir de uma press release do governo distribuída pela Lusa.

Fiquei preocupado. Irá Costa deixar o governo e lançar um negócio de investigação científica? Só sosseguei continuando a ler press release:

«António Costa assumiu estes objetivos no discurso que fez no final de uma visita que efetuou ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), na qual esteve acompanhado pelo ministro da Ciência e do Ensino Superior, Manuel Heitor.»

O ministro explicou assim a coisa aos jornalistas (isto é à Lusa, que lá estava):

«No caso do MIT, até 2030, haverá “um investimento público na ordem dos 120 milhões de euros”, dos quais 60 milhões de euros aplicados em Portugal.

“Haverá também o investimento das empresas nelas próprias, que se comprometeram a duplicá-lo em investigação e desenvolvimento. Estas linhas de ação contribuem para concretizar o objetivo mencionado pelo primeiro-ministro de criar 25 mil postos de trabalho em Portugal no setor privado”, declarou o titular das pastas da Ciência e do Ensino Superior.»

Suspirei. Afinal trata-se apenas de usar o dinheiro dos contribuintes para dar subsídios às empresas amigas que investirão nelas próprias e criarão os tais 25 mil empregos científicos. Certo? Talvez não. Não se duvida dos 25 mil empregos, desde que se despeje dinheiro suficiente. Quanto a esses empregos serem científicos é que a porca torce o rabo.

12/06/2018

CASE STUDY: Trumpologia (34) - «Terrific relationship» e «very special bond», disse ele

Mais trumpologia.

Para além de uma «terrific relationship» e uma «very special bond» com um sujeito que submete o seu povo à mais atroz ditadura, o que no dialecto trumpês significa tudo e não significa nada, quais foram os resultados palpáveis da cimeira que produziu um papel assinado por ambos onde a expressão «complete denuclearization of the Korean Peninsula» significará duas coisas completamente diferentes em Washington e Pyongyang?

Palpável, palpável, foi emprestar a Kim o estatuto de estadista respeitável.

Aprovado!

«Assim, proponho que deixemos de usar esse termo “museu”, eivado que está de preconceitos de uma sociedade machista, colonialista, racista e demais istas e passemos a falar de Local de Acumulação de Experiências e Artefactos. No caso concreto do que esteve para ser Museu dos Descobrimentos, depois Descobertas, depois Interculturalidade e depois Viagem proponho a seguinte designação que creio blindada a quaisquer suspeitas de supremacia cultural, racial ou outra, desde que se exclua a avaliação psiquiátrica: Local de Acumulação de Experiências e Artefactos do Fui Ali Num Instantinho Trocar Umas Ideias, Tratar de Uns Assuntos e Conversar um Pouco.»

Uma proposta irrecusável de Helena Matos em «O museu que não pode ser» no Observador

Evidentemente que há na história inúmeros exemplos da newspeak orwelliana, a começar por aquele que inspirou Orwell - o império soviético. Se não os houvesse, bastariam as criações berloquistas dos últimos anos, agora potenciadas pela geringonça, preço que o costismo paga de bom grado por não contar para a despesa.