Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

28/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 69a)

O governo do Dr. Montenegro não faz reformas, faz engordas

O dinheiro dos contribuintes europeus canalizado pelo PRR – a bazuca do Dr. Costa - serviu também para contratar um batalhão de 1.300 funcionários que «o fim do PRR ameaça deixar desempregados trabalhadores que o Estado contratou», e que o ministro da Economia já prometeu fazer «o possível» para os manter como utentes da vaca marsupial pública na companhia dos restantes 767 mil.

O Dr. Montenegro ou o Dr. Sarmento deveria seguir a sugestão do Dr. Centeno…

… «explicando onde é que o Governo vai cortar 12 mil milhões de euros para cumprir metas europeias», uma vez que o governo está a contar com um excedente da Segurança Social que não existe e as contas públicas têm um «défice profundo». O Dr. Centeno está carregado de razão, apenas faltou dizer que o Dr. Montenegro e o Dr. Sarmento estão a contar com um inexistente excedente que o Dr. Costa e ele próprio contaram.

Vale a pena acrescentar que chegaram tarde as preocupações de “contas certas” de um Dr. Centeno que garantiu que a reversão para 35 horas não teria impacto orçamental (o aumento da despesa pública em Saúde duplicou entre 2015 e 2025) e converteu o investimento público na autoestrada mexicana do PS.

Take Another Plan. SATA, uma TAP açoriana

Recordemos, uma vez mais, que a SATA, a companhia regional de aviação dos Açores, assinou em 2016 um contrato de leasing de um avião Airbus A330 que custou até 2023 mais de 40 milhões de euros, com o avião estacionado desde 2019 no aeroporto Sá Carneiro, por custar mais caro mantê-lo a operar. Entretanto, a SATA recebeu ajudas de 453 milhões de euros e só em 2023 a comissão de inquérito do parlamento açoriano se deu conta. Descobriu-se mais tarde que a SATA estava tecnicamente falida, ninguém parece saber qual o montante exacto do passivo e procura-se desde 2024 um candidato privado para comprar o mono.

Como se fosse pouco, o governo dos Açores, que tem usado o dinheiro dos contribuintes para sustentar o elefante branco da SATA, aumentou as taxas aeroportuárias ao ponto da Ryanair ter decidido terminar há 6 meses a sua operação iniciada em 2015, que deu um importante contributo para o crescimento do turismo açoriano. Resultado: desde Abril o turismo para os Açores caiu 8% e teve menos 100 mil turistas.

“O acerto de contas chegou” (*)

Trading Economics

Como mostram os gráficos, as yields das obrigações a 10 anos do Tesouro português e do Tesouro americano (e de muitos outros), que vinham a crescer desde o início do ataque americano ao Irão, estão a atingir máximos de uma década. O Dr. Centeno deveria ter também pedido ao Dr. Montenegro ou ao Dr. Sarmento para explicarem como é que vão ser pagos os juros crescentes das próximas emissões e como vai ser compensada a redução resultante do aumento das yields do valor de mercado de 25 mil milhões de euros das OT que fazem parte do  Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado economista-chefe do FMI.

27/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Reformar implica mexer nos interesses estabelecidos e sujeitar-se à presunção de culpa

O Dr. Fernando Alexandre é um dos raros ministros que tentaram meter o pau no vespeiro do ministério da Educação e por isso tem tido a retribuição oferecida pela coligação do costume, a saber: a Fenprof, o PS e toda a esquerda, o socialismo de direita do Chega, a comentadoria do regime e o jornalismo de causas. À falta de ganas e oportunidade para uma pega de caras, tentam pegar-lhe de cernelha, como esta em que insinuam com sonsice um qualquer cambalacho obscuro com a Deloitte porque o ME lhe adjudicou dois contratos de serviços de consultoria, única consultora das dez consultadas que apresentou propostas, God knows why.

O Dr. Montenegro quer continuar a política de extorsão fiscal do Dr. Costa?

Tudo indica que sim, camuflado com devoluções de IRS, que não chegam para mandar cantar um cego, como diz o povo. Segundo o INE, a carga fiscal em 2025 aumentou de 35,0% para 35,3%.

O lado B dos "centros de dados" ou a «socialização do custo da energia»

Como tenho vindo a lembrar, a estratégia constantemente verbalizada pelo Dr. Matias de fornecer aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses que alimentam resmas de processadores desenhados nos EUA e fabricados em Taiwan para armazenar resmas de dados europeus, terá como consequência aumentar o stress da rede eléctrica até ao ponto de ruptura do sistema e socializar o custo da energia. Ainda antes dos delírios do Dr. Matias terem efeitos devastadores, devemos ter em conta que, nesta altura, já existem 37 centros de dados em funcionamento que consomem por ano 1,86 terawatts-hora, o equivalente ao dobro do consumo doméstico de electricidade na cidade de Lisboa, e a previsão para 2030 para os centros de dados e outras indústrias de alta intensidade eléctrica é dez vezes superior (fonte).

Os rituais domésticos para baixar o preço dos combustíveis

Para fazer chover em tempo de seca, tribos de caçadores-recolectores adoptavam rituais como bater tambores ritmicamente para imitar o som dos trovões, soprar água pelos dentes para simular a neblina ou agitar chocalhos cheios de sementes para reproduzir o som das primeiras gotas a cair no solo.

No Portugal dos Pequeninos, em tempo do aumento do preço dos combustíveis resultante do concurso entre os guardas-revolucionários xiitas e a corte do imperador Donaldo, os consumidores organizam procissões ao som de buzinas de “utentes” na Ponte 25 de Abril e marchas lentas de camionistas na A1. Suspeito que as procissões e as marchas lentas sejam mais eficazes para compelirem o governo a extorquir mais uns dinheiros aos “utentes” para subsidiar os preços do que os rituais dos caçadores-recolectores para convencerem os deuses a fazer chover.

(Continua)

25/09/2026

"In MAGA-land people are dying faster than they are being born"

The Economist

«Populations grow and shrink from fertility and migration. At first glance Republicans appear to have the edge on both. We combined birth records with population data by age and sex to estimate fertility rates for more than 3,000 counties. In 2024 the total fertility rate—the number of children a woman would be expected to have over her lifetime—was 1.8 in counties that usually vote for Republicans, compared with just 1.4 in those that vote for Democrats (see chart 1).

The trouble comes later in life. Reliably Republican counties skew older, but they have significantly higher death rates even after adjusting for age. A paper published in 2022 by Haider Warraich, then at Brigham and Women’s Hospital, and colleagues found that the adjusted death rate in red counties was 16% higher than in blue ones in 2019. Updating their analysis with data from the Centres for Disease Control and Prevention, we found that the gap had widened to 18% by 2024, and to 27% among the most reliably Republican and Democratic counties. The result is visible in longevity, too: life expectancy in the most reliably Democratic counties is 80.7 years, versus 77.4 in the most reliably Republican ones.

This means deaths now outnumber births in reliably Republican counties for the first time since at least 1982. Natural population growth in solid-red counties fell to -2.0 per 1,000 people during the pandemic, and is now -0.4; in solid-blue counties it is +2.8 (see chart 2).»

22/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 68a)

A popularidade dos ministros diz mais sobre os eleitores do que sobre os ministros

Segundo o Tracking poll da CNN, além do incontornável saco de pancada do MAI Dr. Neves, são os ministros das áreas onde algo foi mudado ou tentado mudar os mais penalizados. Os mais populares são os ministros que distribuem ou parecem distribuir dinheiro (Finanças, Agricultura, Economia) ou que não têm impacto no quotidiano do eleitor (Ambiente, Negócios Estrangeiros).

Por alguma razão o Dr. Costa pronunciava “protividade”

Como já vimos, em dez anos, a economia portuguesa registou o quarto menor aumento de produtividade, abaixo, ou mesmo muito abaixo, do pelotão dos países ex-soviéticos. Segundo os cálculos da Associação Business Roundtable Portugal, a produtividade do trabalho por hora trabalhada, em paridade do poder de compra, é actualmente de 66,9% da média da UE, mais baixa do que a registada em 2000 (67,6%).

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Gostaria de poder explicar como foi possível o DN ter concluído que, com 11,4 milhões de residentes, a actualização do Registo Nacional de Utentes do SNS apurou mais de 19 milhões de inscritos e «deu médico de família a mais 107.453 utentes» - a única explicação que me ocorre é a conhecida ubiquidade dos portugueses ou um milagre da multiplicação dos utentes.

É mais fácil lançar projectos-piloto do que tornar eficiente a administração pública

O expediente adoptado por quase todos os governos (com a possível excepção do governo de Passos Coelho que governou encapsulado pelo Memorando de Entendimento) para “reformar” a administração pública foi de criar novos órgãos, departamentos, comissões, grupos de trabalho, estruturas de missão ou de projectos-piloto, como o agora anunciado para formar 100 mil trabalhadores em inteligência artificial, projecto do qual que, na melhor hipótese, não resultará nada e, na pior e mais provável, levará a concluir que serão necessários mais meios e a contratação de mais uns milhares de utentes da vaca marsupial pública, como o “reforço” da ASAE com 55 novos inspectores.

Em alternativa a eliminar a burocracia que emperra a máquina administrativa, como a «gestão de todos os licenciamentos, construção ambiental e industrial», o Dr. Matias imagina uma burocracia gerida pela IA com os mesmos procedimentos e, naturalmente, envolvendo mais uns milhares de apparatchiks formados em IA.

Para começar são mais 1,2 mil milhões de palha para a vaca marsupial pública

Citando o Jornal Eco, ainda antes de quaisquer medidas que aumentem a despesa corrente, o OE 2027 terá de contar com um aumento de 1.231 milhões de euros da despesa com pessoal da Administração Pública.

O contributo da esquerda “inteligente” para tornar obtusos os jovens

mais liberdade

Este é o resultado de dez anos de facilitismo para tornar os alunos felizes, de propaganda da identidade do género e do ideário woke.

21/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Fernando Alexandre poderá não ser um génio da governação e ainda que fosse…

… não conseguiria evitar que com a extinção da DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) um bando de apparatchiks sindicais não pusesse o pauzinho na engrenagem e usasse o jornalismo de causas para inchar o número de alunos ainda não colocados (umas centenas nalguns concelhos da zona da Grande Lisboa, onde se concentram filhos de imigrantes).

… como não conseguiria evitar a epidemia habitual de baixas nesta altura do ano lectivo que só na primeira semana ultrapassou os dois mil professores.

… como não conseguiria evitar que o Dr. Carneiro inventasse que esta foi a primeira vez em que houve alunos sem aulas no início do ano lectivo, que o jornalismo amigo instalado nas redacções não fizesse o agitprop do costume, insinuando que haveria menos candidaturas às universidades por causa da avaliação dos exames, quando, finalmente, as candidaturas aumentaram 33% face ao ano anterior.

Andam obcecados pelo 6.º preço mais caro da gasolina…


… ainda assim um preço mais baixo do que a média da UE e esquecem o que verdadeiramente importa - o quarto aumento mais baixo da produtividade em 10 anos.

A saga dos cacilheiros. Epílogo ou talvez não

Em 2019 foram comprados cacilheiros eléctricos pela Transtejo, uma das muitas empresas públicas geridas por apparatchiks lunáticos, cacilheiros que, ficou a saber-se, ficaram acostados vários anos por falta de baterias e um deles foi severamente danificado por ter chocado com o cais devido ao mau tempo - foram projectados para navegar em lagos. Sete anos depois, o Dr. Pinto Luz apresentou com visível satisfação a frota eléctrica.

Canários na mina de carvão

Até Agosto, da produção automóvel caiu 6,3% em termos homólogos, queda que, com a crise que atravessa a indústria automóvel europeia ameaçada pela concorrência chinesa, não é provável que seja conjuntural.

“O acerto de contas chegou” (*)

A emissão de mil milhões de BT a 12 meses na semana passada fez-se a uma taxa de 3,103%, 49 pontos-base acima da emissão de Maio do mesmo prazo.
(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

A redução da dívida foi mais à conta da inflação do que pelas “contas certas” do Dr. Costa

mais liberdade

(Continua)

20/09/2026

CASE STUDY: Will AI create a job apocalypse?

The jobs apocalypse is postponed.
An AI jobs boom is here

AI is generating new white-collar roles, such as AI engineers, data annotators, implementation specialists, and AI executives. Demand for these occupations has grown rapidly, creating entirely new career paths that barely existed a few years ago

In addition, AI appears to boost productivity in professions such as law, research, and finance. By allowing workers to complete tasks more efficiently, AI can lower costs and increase demand for professional services, potentially creating even more employment.

Some occupations, particularly routine administrative and customer-service jobs, are already shrinking as AI systems become more capable, however, technological change is likely to continue creating new types of work, just as previous technological revolutions generated occupations that did not previously exist.

In summary, AI is disrupting some jobs, but so far its overall effect on employment appears positive, with job creation outweighing job losses.