Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

22/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 68a)

A popularidade dos ministros diz mais sobre os eleitores do que sobre os ministros

Segundo o Tracking poll da CNN, além do incontornável saco de pancada do MAI Dr. Neves, são os ministros das áreas onde algo foi mudado ou tentado mudar os mais penalizados. Os mais populares são os ministros que distribuem ou parecem distribuir dinheiro (Finanças, Agricultura, Economia) ou que não têm impacto no quotidiano do eleitor (Ambiente, Negócios Estrangeiros).

Por alguma razão o Dr. Costa pronunciava “protividade

Como já vimos, em dez anos, a economia portuguesa registou o quarto menor aumento de produtividade, abaixo, ou mesmo muito abaixo, do pelotão dos países ex-soviéticos. Segundo os cálculos da Associação Business Roundtable Portugal, a produtividade do trabalho por hora trabalhada, em paridade do poder de compra, é actualmente de 66,9% da média da UE, mais baixa do que a registada em 2000 (67,6%).

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Gostaria de poder explicar como foi possível o DN ter concluído que, com 11,4 milhões de residentes, a actualização do Registo Nacional de Utentes do SNS apurou mais de 19 milhões de inscritos e «deu médico de família a mais 107.453 utentes» - a única explicação que me ocorre é a conhecida ubiquidade dos portugueses ou um milagre da multiplicação dos utentes.

É mais fácil lançar projectos-piloto do que tornar eficiente a administração pública

O expediente adoptado por quase todos os governos (com a possível excepção do governo de Passos Coelho que governou encapsulado pelo Memorando de Entendimento) para “reformar” a administração pública foi de criar novos órgãos, departamentos, comissões, grupos de trabalho, estruturas de missão ou de projectos-piloto, como o agora anunciado para formar 100 mil trabalhadores em inteligência artificial, projecto do qual que, na melhor hipótese, não resultará nada e, na pior e mais provável, levará a concluir que serão necessários mais meios e a contratação de mais uns milhares de utentes da vaca marsupial pública, como o “reforço” da ASAE com 55 novos inspectores.

Em alternativa a eliminar a burocracia que emperra a máquina administrativa, como a «gestão de todos os licenciamentos, construção ambiental e industrial», o Dr. Matias imagina uma burocracia gerida pela IA com os mesmos procedimentos e, naturalmente, envolvendo mais uns milhares de apparatchiks formados em IA.

Para começar são mais 1,2 mil milhões de palha para a vaca marsupial pública

Citando o Jornal Eco, ainda antes de quaisquer medidas que aumentem a despesa corrente, o OE 2027 terá de contar com um aumento de 1.231 milhões de euros da despesa com pessoal da Administração Pública.

O contributo da esquerda “inteligente” para tornar obtusos os jovens

mais liberdade

Este é o resultado de dez anos de facilitismo para tornar os alunos felizes, de propaganda da identidade do género e do ideário woke.

21/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Fernando Alexandre poderá não ser um génio da governação e ainda que fosse…

… não conseguiria evitar que com a extinção da DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) um bando de apparatchiks sindicais não pusesse o pauzinho na engrenagem e usasse o jornalismo de causas para inchar o número de alunos ainda não colocados (umas centenas nalguns concelhos da zona da Grande Lisboa, onde se concentram filhos de imigrantes).

… como não conseguiria evitar a epidemia habitual de baixas nesta altura do ano lectivo que só na primeira semana ultrapassou os dois mil professores.

… como não conseguiria evitar que o Dr. Carneiro inventasse que esta foi a primeira vez em que houve alunos sem aulas no início do ano lectivo, que o jornalismo amigo instalado nas redacções não fizesse o agitprop do costume, insinuando que haveria menos candidaturas às universidades por causa da avaliação dos exames, quando, finalmente, as candidaturas aumentaram 33% face ao ano anterior.

Andam obcecados pelo 6.º preço mais caro da gasolina


… ainda assim um preço mais baixo do que a média da UE e esquecem o que verdadeiramente importa - o quarto aumento mais baixo da produtividade em 10 anos.

A saga dos cacilheiros. Epílogo ou talvez não

Em 2019 foram comprados cacilheiros eléctricos pela Transtejo, uma das muitas empresas públicas geridas por apparatchiks lunáticos, cacilheiros que, ficou a saber-se, ficaram acostados vários anos por falta de baterias e um deles foi severamente danificado por ter chocado com o cais devido ao mau tempo - foram projectados para navegar em lagos. Sete anos depois, o Dr. Pinto Luz apresentou com visível satisfação a frota eléctrica.

Canários na mina de carvão

Até Agosto, da produção automóvel caiu 6,3% em termos homólogos, queda que, com a crise que atravessa a indústria automóvel europeia ameaçada pela concorrência chinesa, não é provável que seja conjuntural.

O acerto de contas chegou” (*)

A emissão de mil milhões de BT a 12 meses na semana passada fez-se a uma taxa de 3,103%, 49 pontos-base acima da emissão de Maio do mesmo prazo.
(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

A redução da dívida foi mais à conta da inflação do que pelas “contas certas” do Dr. Costa

mais liberdade

(Continua)

20/09/2026

CASE STUDY: Will AI create a job apocalypse?

The jobs apocalypse is postponed.
An AI jobs boom is here

AI is generating new white-collar roles, such as AI engineers, data annotators, implementation specialists, and AI executives. Demand for these occupations has grown rapidly, creating entirely new career paths that barely existed a few years ago

In addition, AI appears to boost productivity in professions such as law, research, and finance. By allowing workers to complete tasks more efficiently, AI can lower costs and increase demand for professional services, potentially creating even more employment.

Some occupations, particularly routine administrative and customer-service jobs, are already shrinking as AI systems become more capable, however, technological change is likely to continue creating new types of work, just as previous technological revolutions generated occupations that did not previously exist.

In summary, AI is disrupting some jobs, but so far its overall effect on employment appears positive, with job creation outweighing job losses.

18/09/2026

The far-right Haredi religious group is an internal threat to Israel, just as the Persian Shiites are an external threat

1) Israel’s success was built on education and high‑tech

  • After independence, Israel invested heavily in research universities and scientific talent.
  • This produced a world‑leading high‑tech sector, responsible for half of exports and extraordinary levels of R&D investment.
  • But only 20% of the workforce—those in high‑tech, medicine, and academia—generate 93% of income tax.

2) A deep productivity divide

  • High‑tech workers produce 22% above the OECD average.
  • The rest of the economy—where 90% of Israelis work—lags 24% below the OECD average.
  • Half the workforce is too poor to pay income tax.

3) The education crisis

  • Israel ranks near the bottom of the OECD in PISA math, science, and reading.
  • Half of Israeli children receive a core education below levels seen in many developing countries.
  • The fastest‑growing groups are the least educated, especially the Haredim.

4) The Haredi demographic surge

  • Haredi boys receive almost no secular education; from age 13 they study only Torah.
  • Fertility rate: ~7 children per woman, compared with ~2 in other groups.
  • Their share of the population doubles every 25 years.
  • In 2023, they were 6% of 50–54‑year‑olds but 26% of children under five.

5) Municipal collapse as a warning

  • Cities like Jerusalem and Arad show rapid socioeconomic decline as educated residents leave and Haredi populations expand.
  • Secular students in Jerusalem fell from one‑third to 9% over 35 years.

_________________

Source: "Israel’s neglected threat from within" by Dan Ben-David , president of the Shoresh Institution for Socioeconomic Research and emeritus professor of economics at Tel Aviv University.

17/09/2026

"You can't fool all of the people all the time" (19) - The swing voters of 2024 have abandoned the president. Swing but not stupid

 Other "You can't fool all of the people all the time."

Donald Trump’s disintegrating coalition

«Since returning to office, Mr Trump's approval ratings have sunk to historic lows. Virtually all those who voted for Ms Harris disapprove of his performance, as does one in five of his own voters. (...)  Just 65% of Mr Trump’s supporters plan to vote for a Republican.»

15/09/2026

ARTIGO DEFUNTO: Títulos que são todo um programa

Jornal Económico

Este título é de um artigo publicado a semana passada que cita o “Guia para o Regresso às aulas”, do Dr. Finanças. Não vou comentar o guia. Em vez disso, vou citar a estimativa da plataforma One Value, que resulta de um protocolo entre a Fundação Calouste Gulbenkian e o Estado, do custo total médio por aluno dos alunos que frequentam o ensino público secundário público reportado ao ano de 2022 que é de 12.725€ por ano, e vou comparar essa estimativa com a estimativa do custo total médio cobrado pelos colégios particulares em Portugal, o qual, segundo o Gemini da Google, varia entre o mínimo de 5.900 € e o máximo de 9.550 € por ano com uma média de 7.725 €. A média nacional estimada pelo ChatGPT da OpenAI é muito próxima (7.753 €). 

Assim, o título correcto do Jornal Económico deveria ser:

_______________

Sim, eu sei que esta análise e a comparação entre os custos do ensino público e os custos do ensino privado são bastante simplistas e a "olho por cento". Ainda assim, se são simplistas, como devemos classificar o trabalho jornalístico do Jornal Económico?

14/09/2026

Crónica da passagem de um governo (67)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Preparemo-nos para a autoestrada mexicana do Dr. Sarmento

Durante o consolado do Dr. Centeno e dos seus sucessores foi prática orçamental da política das “contas certas”, inventada pelo Dr. Costa, comparar sistematicamente o investimento público orçamentado no ano (sempre empolado e nunca executado) com o investimento público executado no ano anterior (sempre inferior ao orçamentado para esse ano) e anunciar estar sempre a aumentar quando na verdade não aumentava ou mesmo diminuía.

Com a redução ou a extinção dos excedentes orçamentais e a distribuição do bodo aos pobres da descida de IRS e da gratificação de Natal aos pensionistas, o Dr. Miranda Sarmento pode ver-se na necessidade de adoptar o expediente que ele tão fortemente criticou há cinco anos («A farsa orçamental continua… mesmo em tempos de pandemia») e que baptizámos de autoestrada mexicana do investimento. É o que se pode deduzir da garantia do MF aos deputados de que se a coisa correr mal a resposta «não assentará em aumentos generalizados de impostos, nem em cortes indiscriminados nos serviços públicos, preservando antes o equilíbrio através de controlo rigoroso da despesa e priorização das medidas com maior impacto económico e social» (fonte)

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

O número de cirurgias no 1.º semestre desceu nas três maiores regiões de saúde e caiu 4,7% no total nacional, enquanto o número de “utentes” na fila aumentou 278 mil ou 4,2% do total (fonte).

«Portugal não esperou pela Europa. Fez o trabalho de casa»

Foi o que, face à proposta apresentada pela CE, disse o Dr. Pinto Pangloss Luz, "trabalho de casa" que o governo diz ter feito com o programa “Construir Portugal”.

O trabalho de casa

O número de edifícios licenciados caiu 9,7% no primeiro trimestre e 7,1% no segundo (fonte).

O acerto de contas chegou(*)

Taxa de inflação (Trading Economics=


Euribor Rates

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

No topo errado do ranking da UE

Expresso

Tendo como base o ano de 2025, em dez anos a economia portuguesa teve, até ao segundo trimestre deste ano, o quarto aumento mais baixo da produtividade, abaixo ou mesmo muito abaixo do pelotão dos países ex-COMECON que, libertos do jugo do Estado Soviético, têm tido uma progressão muito mais rápida do que a do Portugal dos Pequeninos liberto do jugo do Estado Novo.