Como é que tão excelente resultado nas escolas de gestão se explica num Portugal dos Pequeninos que é um desastre em matéria de gestão das empresas e, sobretudo, do Estado? Uma vez mais, só me ocorre a explicação de George Bernard Shaw na sua peça "Man and Superman": «Those who can, do; those who can’t, teach».
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
21/05/2026
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (81) - "Quem é capaz, faz, quem não é, ensina"
Como é que tão excelente resultado nas escolas de gestão se explica num Portugal dos Pequeninos que é um desastre em matéria de gestão das empresas e, sobretudo, do Estado? Uma vez mais, só me ocorre a explicação de George Bernard Shaw na sua peça "Man and Superman": «Those who can, do; those who can’t, teach».
19/05/2026
Crónica da passagem de um governo (50b)
Uma auditoria do IGF aos Regimes Fiscais de Ex-Residente e Residente Não Habitual concluiu que «a despesa fiscal do regime de RNH registou um acréscimo significativo de 2019 a 2024, respetivamente, de 619,7 milhões de euros (M€) para 1.741 M€, em linha com o aumento do número de beneficiários (41.229 para 128.958)».
Essa conclusão foi traduzida pela imprensa doméstica como «Residentes não habituais ‘custam’ 1,7 mil milhões aos cofres do Estado». Se assim fosse, para não custarem esses milhões ao Estado sucial seria preferível dar-lhes guia de marcha para regressarem aos seus países, poupando assim esses milhões ao Estado sucial, levando consigo os investimentos que fizeram e deixando de pagar os impostos que pagaram.
A flexibilidade segundo o Dr. Centeno chama-se rigidez
Em crónica anterior já citei o Dr. Centeno que numa conferência garantiu, que o «mercado de trabalho não tem défice de flexibilidade», emprestando a sua suposta autoridade de economista do trabalho às teses da UGT, ou, mais exactamente, do PS.
Por coincidência, o economista João Tovar Jalles comentou num artigo recente a confusão dos conceitos e publicou os gráficos acima, os quais, mais do que as palavras, mostram um mercado de trabalho português mais protegido e, em consequência, com mais contratos a prazo e mais desemprego jovem, desfazendo as fantasias do Dr. Centeno.
A palavra-chave aqui é “nominal”
O Volume de Negócios nos Serviços (VNS) registou no 1.º trimestre um crescimento nominal homólogo de 2,1%, o que seria uma boa notícia, não fora a inflação que fez do crescimento uma queda de -1,5% (INE).
Pensamento positivo
O Dr. Miranda Sarmento, que prometeu um novo bónus das pensões este ano «se houver margem orçamental», é o mesmo que admite que a dívida pública no final do ano represente 85% ou 86% do PIB, apesar de no final do 1.º trimestre andar pelos 91% e a conjuntura internacional não mostrar perspectivas cor-de-rosa.
O Dr. Montenegro tem concorrência socialista à esquerda e à direita…
O Dr. Carneiro faz o que entende lhe compete como opositor socialista e leva da UGT ao colo, o Dr. Ventura vai para além da oposição socialista de esquerda e acrescenta o aumento das férias à redução da idade de reforma em troca de um acordo no Código do Trabalho.
… e, não obstante, almeja uma maioria absoluta para o que pretende dilatar Portugal
Pelo menos foi o que disse na apresentação da sua candidatura a líder do PS-D sob a bandeira originalíssima «Fazer Portugal Maior»
18/05/2026
Crónica da passagem de um governo (50a)
O Dr. Montenegro está a mostrar-se um sucessor à altura do Dr. Costa que recebeu 655 mil funcionários públicos do “neoliberalismo” (que, por sua vez, herdou 730 mil do socialismo socrático) e aumentou esses efectivos para mais de 740 mil. O Dr. Montenegro está a continuar a expansão e só no primeiro trimestre deste ano acrescentou mais uns milhares ao pletórico aparelho atingindo 767 mil utentes da vaca marsupial pública.
O Estado sucial já está no futuro
Todas as projecções confiáveis apontam para a insustentabilidade do sistema português de Segurança Social dentro de uma dúzia de anos, isto é, por volta de 2038 as contribuições deixam de ser suficientes para cobrir as despesas com pensões e, a partir daí, outra meia dúzia de anos depois, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social poderá ficar esgotado.
A prioridade do governo é antecipar a insustentabilidade da SS
É nesse contexto que ganham sentido as promessas do ministro das Finanças que, parecendo ter mais juízo do que o Dr. Matias, afinal talvez não tenha, ao prometer um novo bónus das pensões este ano «se houver margem orçamental», fazendo depender da gestão de tesouraria a antecipação de um longo prazo insustentável.
O Dr. Matias e a IA
Na falta de reformas com impacto efectivo na máquina burocrática do Estado sucial com os seus referidos 767 mil utentes, que consome 43% do que o país produz, dos quais mais de 86% são despesa primária, o Dr. Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado, esfalfa-se a falar dia sim, dia sim na IA, que para ele parece cada vez mais consistir na construção de centros de dados para consumir resmas de MW produzidos por resmas de painéis solares fabricados na China que alimentam resmas de processadores desenhados nos EUA e fabricados em Taiwan para armazenar resmas de dados europeus. É um desperdício de inteligência natural.
A Inteligência Artificial de Sines não é ficção científica, é apenas ficção
Se não fosse a retórica do Dr. Matias não ter aparentemente limites, diria que teria atingido o ápice com a sua grandiloquente afirmação numa qualquer das inúmeras conferências onde derrama as suas visões de que «hoje Sines é um polo tecnológico de ponta. Hoje já é produzida Inteligência Artificial em Sines, não é ficção científica».
(Continua)
17/05/2026
Small facts that can help someone understand the big ones
Listing some trivial facts that help to understand why a government with the most powerful army in the world has been unable to win in Vietnam, Iraq, Afghanistan and, after 11 weeks, not only failed to defeat the ayatollahs of Iran, but also managed the feat of granting them control of one of the most important areas on the planet.
It is said that a Japanese soldier imprisoned in WWII, when asked which were the best armies fighting in the jungle, replied: the Japanese and the Australians. When asked about the Americans, he said that the Americans didn't know how to fight in the jungle; they destroyed the jungle.
Eighty years later, the same mindset leads Americans to raze entire city blocks and use multimillion-dollar missiles to shoot down $50,000 drones, and inspires the army of their Israeli disciples to destroy tens of thousands of homes and kill tens of thousands of civilians, only to have to do it repeatedly soon.
Donald Trump once criticized the «interventionists» for «intervening in complex societies that they did not even understand themselves», which was an avant la lettre good explanation for his own failure to anticipate that the ayatollahs would be willing to let themselves and their people be killed.
16/05/2026
Javier Milei ganhou uma batalha. Ganhar a guerra é outra coisa e, a ser possível, levará algum tempo (3)
Já o escrevi e repito: uma criatura com instintos liberais vê com natural simpatia os esforços de Javier Milei para pôr em prática políticas visando emagrecer o Estado dinossáurico argentino e dar aos argentinos liberdade para viverem as suas vidas sem o jugo de uma "casta" extractiva. Também escrevi que a política é a arte do possível e acrescento que o possível para um governo democrático é um possível mais limitado do que o possível numa autocracia.
E o possível na Argentina está chocar de frente com uma economia a tropeçar (o PIB caiu 2,6% em Fevereiro, a inflação subiu 3,4% em Março e o desemprego continua a aumentar) e os escândalos a crescerem, como o da criptomoeda $LIBRA promovida por Milei que se suspeita ter recebido pagamentos como consultor dos promotores, uma criptomoeda que um desastre para a maioria dos seus detentores (uma minoria "bem informada" vendeu antes do descalabro), ou o escândalo do chefe de gabinete Adorni a ser investigado por corrupção.
| Fonte |
Por tudo isto, a queda abissal da taxa de aprovação de Milei não é surpreendente. O que é uma surpresa para quem o imaginava com fortes convicções liberais é estar a fazer o que fazem os regimes autocráticos: inventar um inimigo.
É possível que a imprensa argentina esteja infestada pelo jornalismo de causas, acontece um pouco por todo o lado, mas os factos são os factos e as mentiras combatem-se com factos. A invenção de um inimigo por Milei não é original; quase todos os governos, com pouca consideração, to say the least, pela liberdade de expressão e pela democracia, a usam.
15/05/2026
ARTIGO DEFUNTO: A ecoansiedade e os delírios do jornalismo de causas
Para me poupar a citar excertos do artigo “Será que a zona onde vivemos continuará habitável?”: Quatro em cada 10 jovens hesitam ter filhos por causa das alterações climáticas, cito o resumo gerado por AI que segundo o Expresso reza assim:
«Estudo revela que quatro em cada dez jovens portugueses hesitam em ter filhos devido às alterações climáticas. A ecoansiedade, definida como medo crónico de catástrofe ambiental, surge como determinante nas decisões reprodutivas.
Investigação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto mostra que jovens com motivos ambientais apresentam três vezes mais ecoansiedade.»
Quanto ao primeiro estudo «Young People's Voices on Climate Anxiety, Government Betrayal and Moral Injury: A Global Phenomenon», foi publicado em 2021 na revista Lancet Planetary Health, é da autoria de uma equipa cujos membros publicaram um único paper - o paper em causa - e foi financiado pela AVAAZ, uma ONG que se define como «the campaigning community bringing people-powered politics to decision-making worldwide» e tem como fundadores vários notórios ideólogos do áctivismo online.
Esquecendo a óbvia falta de credibilidade dos "investigadores" e da entidade financiadora (é assim como militantes da CDU fazerem um estudo financiado pela CDU sobre a falência do capitalismo), o certo é que o estudo não revela uma especial preocupação dos jovens portugueses pelos supostos impactos das mudanças climáticas já que em relação à "ameaça à segurança familiar" se preocupam tanto quanto a média dos jovens dos 10 países considerados, e quanto "hesitação sobre ter filhos" preocupam-se menos.
Quanto ao segundo estudo, a conclusão é perfeitamente tautológica e não careceria de estudos: é claro que «jovens com motivos ambientais» teriam forçosamente de ser mais ecoansiosos, seja lá o que isso for.
| Pordata |
14/05/2026
You can't fool all of the people all the time (14) - Mr. Trump is hitting rock bottom in every area
Other "You can't fool all of the people all the time."
| YouGov |
Inflation, employment, foreign policy, immigration, or crime - take your pick.
Men or women, young or old, white or black, illiterate or with a doctorate - take your pick.
What's hard to understand for a creature with a modicum of mental sanity isn't why the net approval rating is so low. What's hard to understand is why it isn't lower.
