Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

25/04/2017

Mitos (250) - O contrário do dogma do aquecimento global (XV)

Outros posts desta série.

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.


Economist
Supondo que estes não são «factos alternativos», está a passar-se qualquer coisa no Árctico. Que esta qualquer coisa seja obra do homem é uma outra questão.

24/04/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (80)

Outras avarias da geringonça.

Segundo o semanário de reverência Expresso, o «Governo pressiona agências de rating» e «Mourinho Félix fez raide nos EU para a saída do "lixo"» - sim, é o mesmo Félix que protagonizou aquele número deprimente com Dijsselbloem, registado para a posteridade por um câmara-homem de causas. Tendo sobrevivido àquele momento de ridículo mortal, Félix abusa da sua sorte e reincide com o «raide» às agências, talvez pensando pôr as perninhas dos analistas a tremer como aquele outro pateta imaginava fazer tremer as perninhas dos banqueiros alemães.

O ministro da Cultura quebra o silêncio desde o show Cornucópia, com a participação especial de Marcelo, e promete que irão ser criados lugares de quadro para os trabalhadores de museus e monumentos, dando assim o seu contributo cóltural para a engorda da vaca marsupial pública.

No seu esforço de levar o governo aos ombros, a imprensa amiga produz títulos que são verdadeiros achados, como os do Público «Centeno conta com prenda nos juros para pagar exigência da esquerda» e «Estado só acaba de encolher em 2020», ambos da autoria do seu director.

ACREDITE SE QUISER: Realizações do socialismo africano


Robert Mugabe, o soba marxista que há 37 anos manda no regime socialista que desgoverna o Zimbábue, depois de uma inflação de 4 dígitos durante vários anos e de ter substituído o dólar de Zimbabué, actualmente a valer $ 0,00276, pelo dólar americano, perante a falta destes, planeia obrigar os bancos a aceitarem gado como colateral para os empréstimos e as escolas a aceitarem cabras como pagamento das propinas.

23/04/2017

Bons exemplos (119) - A arte de recuperar bancos com o português certo

Era uma vez o banco Lloyds resgatado em 2008 pelo governo inglês com 20,3 mil milhões de libras (à época quase 30 mil milhões de euros) dos contribuintes. Nove anos depois, o chanceler Philip Hammond anunciou na sexta-feira que o governo tinha vendido gradualmente desde 2013 os 43% que detinha no Lloyds, ficando com menos de 2% que irá vender nas próximas semanas. Com o produto da venda em bolsa e os dividendos recebidos, o governo já encaixou 20,4 mil milhões de libras, ou seja recuperou todo o dinheiro do resgate. Se a este valor somarmos a venda dos restantes 2% o governo ganhará com o resgate quase mil milhões de libras em 9 anos.

Para justificar a venda Hammond explicou: «while it was right to step in with support during the financial crisis, the government should not be in the business of owning banks in the long term». Algo que o presidente dos Afectos, Costa, Centeno e a geringonça em coro deveriam recitar todas as noites antes de dormirem enquanto por aí andarem.

Como foi isto possível, quando se sabe que os os governos portugueses não tem parado de torrar dinheiro nos bancos resgatados, incluindo num cagalhoto chamado BPN, que foi nacionalizado pelo governo socialista de Sócrates e, segundo Teixeira dos Santos, era para não custar nada e custará pelo menos um quarto do resgate do Lloyds?

As respostas óbvias são: (1) o governo inglês nomeou para resgatar o Lloyds Horta Osório, provavelmente o único português capaz de o fazer com sucesso; (2) o governo inglês teve a rainha Isabel II no lugar de Cavaco, primeiro, e de Marcelo dos Afectos, depois, teve David Cameron e Theresa May no lugar de Sócrates, primeiro, de Passos Coelho e António Costa depois. teve George Osborne, primeiro, e Philip Hammond, depois, no lugar de Teixeira dos Santos, primeiro, e de Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, depois, e finalmente Centeno.

Abreviadamente: a Inglaterra ficou com o português certo (aquele a quem Ricardo Salgado e os outros banqueiros que arruinaram os bancos portugueses chamavam a bocca chiusa «o amigo dos espanhóis») e, claro, ficou com os ingleses que já tinha; Portugal ficou sem o português certo e, claro, ficou com os portugueses errados que já tinha e ainda arranjou outros.

22/04/2017

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (2)

Continuação de (1).



Tendo aparentemente desistido de Rui Rio como cunha, o Acção Socialista Expresso tenta agora usar uma carta viciada para um jornal que in illo tempore denunciou as manigâncias de Relvas. É uma manobra bastante denunciada e tosca, até para os critérios do semanário de reverência, misturando cartomância com factóides e leituras da mente através de um acesso privilegiado ao cortex pré-frontal das criaturas citadas.

O que me leva a concluir, outra vez, que tendo eu próprio as maiores dúvidas que Passos Coelho seja o líder da oposição que o país precisa, a procura obsessiva de um seu substituto pela geringonça, o presidente dos Afectos e o jornalismo de causas talvez faça dele um candidato a líder que a oposição precisa (e o país, quem sabe?).

PS: Adicionei uma etiqueta dedicada ao Expresso: «semanário de reverência».

ACREDITE SE QUISER: Eles nunca irão a Torremolinos

As 15 crianças em idade escolar da aldeia de Atuler, uma comunidade com 72 famílias na província de Sichuan bem no coração da China, que vive com o equivalente a 240 dólares por ano e cabeça, têm de percorrer vários quilómetros até à escola. Nada de muito diferente do que milhões de outras crianças têm de fazer para aprenderem, salvo uma parte do percurso de apenas 800 metros - na vertical.

The Guardian
A descida e subida da escarpa é tão perigosa que já morreram 7 ou 8 crianças segundo contaram os aldeões ao fotógrafo Chen Jie, um vencedor do World Press Photo de 2016,

21/04/2017

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Austeridade socialista

«A política orçamental do Governo de António Costa foi, e promete ser, mais austeritária do que a concretizada pelo último ano de Governo de Pedro Passos Coelho. As perspectivas desenhadas no Programa de Estabilidade e Crescimento 2017-2021 dizem-nos exactamente isso: a página da designada austeridade não foi nem será virada. Como não podia ser, se o PS continuasse a ser aquilo que sempre foi, um partido que defende a integração de Portugal no euro e o respeito pelos compromissos da República Portuguesa em relação aos tratados que assinou e à dívida que contraiu.

O mais extraordinário dos tempos que vivemos em Portugal é a brutal diferença entre aquela que é a mensagem política e aquilo que de facto o Governo faz. É o ditado popular “faz o que eu digo, não faças o que eu faço” adaptado numa fórmula do género “acredita no que eu digo, sem olhar para as estatísticas, nem para o dinheiro que te entra de facto no bolso e muito menos para o teu poder de compra”.»

Helena Garrido no Observador

Qual a diferença entre a austeridade da geringonça e a austeridade do PáF? A austeridade da direita tem poucas reformas estruturais e beneficiários indeterminados. A austeridade da geringonça tem muitas contra-reformas, as célebres «reversões», e beneficiários bem determinados - os dependentes do Estado, a clientela eleitoral da geringonça.

Chávez & Chávez, Sucessores (56)

Outras obras do chávismo.


Os inimigos do socialismo bolivariano (Foto NYT)
O que faz esta gente toda? Manifestam-se contra as realizações do socialismo chávista. Como reagiu a nomenclatura chávista de Nicolás Maduro? Com violência.

Falamos de um país que há 50 anos era um exemplo para a América Latina de democracia e progresso, com um nível de vida pouco inferior ao da Grã-Bretanha, com as maiores reservas confirmadas de petróleo.

Quais os resultados do socialismo chávista? O ano passado a economia encolheu 10% e este ano estima-se que encolherá 23% em relação a 2013; a inflação deve atingir 1.600%; 75% dos venezuelano perderam em média 8,7 kg o ano passado, devido à escassez de comida. Como foi possível chegar a este ponto? Por várias razões, todas elas resultantes das escolhas políticas da nomenclatura chávista que se apoderou do poder.

20/04/2017

¿Por qué no te callas? (17) - Lucky Luke em Belém, mais rápido do que a própria sombra

Negócios

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (36) - A caminho da irrelevância?

Outras preces.

«O emplastro»
A caminho da irrelevância? Com um eleitorado politicamente adulto que não apreciasse ser tratado como adolescente retardado, estaria certamente.  Não necessariamente com um eleitorado que lhe dá índices de popularidade superlativos (mas também deu a Cavaco, não esqueçamos). Ainda assim, o sucesso da performance artística será seriamente abalado se e quando o PS tiver uma maioria e o seu público não precisar de Marcelo e comunistas e bloquistas puderem aliviar as frustrações acumuladas fazendo sobre ele fogo à vontade com a tropa do jornalismo de causas ao seu serviço. Em último caso, não resistirá (nem a gerigonça) quando a realidade se apresentar a cobrar as consequências da engorda da vaca marsupial pública, das «reversões», da falta de reformas e das políticas erradas.

19/04/2017

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (10) - Botas de todos os tamanhos, calçadas por vários pés

Outras botas para descalçar.

Recordando: nesta secção do (Im)pertinências recolhem-se para memória futura os juízos laudatórios do desempenho do zingarelho inventado por António Costa, juízos produzidos pelos comentadores (incluindo o residente em Belém), opinion dealers e jornalistas de causas que têm levado ao colo a geringonça e, acrescento agora, também os anúncios de amanhãs que cantam da autoria do governo.

Começando pelos anúncios do governo, no Programa de Estabilidade, que será discutido hoje no parlamento e posteriormente enviado para Bruxelas, o governo prevê que a dívida pública não ultrapassará o limite do tratado (60% do PIB) em 2032, 14 anos antes do que previa no OE 2017. Veja-se o carrossel imaginado pelo governo.


O mais inverosímil não é a previsão do que se passará em 2032 porque nessa altura o pessoal socialista que produziu estes delírios nem sequer estará no activo e, de resto, estes delírios não são muito diferentes dos que os seus antecessores vêm produzindo há muitos anos, O mais inverosímil é a previsão do que se passará dentro de 2 ou 3 anos quando sabemos o que se está a passar agora e a engorda da vaca marsupial pública a que o governo se tem dedicado. 


Passando ao capítulo dos comentadores/opinion dealers, atente-se o prognóstico de Marques Mendes na sua última homilia aqui resumida e imagine-se o esforço hercúleo, até para ele próprio, que terá de despender para descalçar a botifarra em que enfiou os pezinhos.

Passando ao capítulo do jornalismo de causas, leia-se qualquer número da edição diária do semanário de reverência Expresso, ainda mais do que a edição em papel, onde se sucedem páginas laudatórias da obra actual e sobretudo futura de Costa. Só para dar um exemplo, veja-se esta página de que reproduzo o título e alguns subtítulos: «FMI aumenta crescimento português em mais de 60% em seis meses»; «Alemanha e Itália abaixo de Portugal» e, à cautela, para o caso da coisa correr mal, «Trump e populismos podem estragar previsões» (estão encontrados os culpados em substituição das agências de rating, do neoliberalismo, de Angela Merkel, etc. que tão bem serviram para explicar a falência das políticas socialistas há 6 anos).

Estado empreendedor (103) - o aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos (8)

[Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaquiaqui e aqui]

Recapitulação

Ao princípio era o verbo do Eng. José Sócrates: mais de um milhão de passageiros até 2015 e o investimento seria recuperado nos 10 anos seguintes. Era o multiplicador socialista a funcionar de acordo com o estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» da autoria de Augusto Mateus – um ex-ministro socialista da Economia do 1.º governo de Guterres que nos últimos tempos tem tentado sacudir a água do capote dos seus estudos «multiplicativos».

Novos desenvolvimentos

O Observador escreveu o que já se estava cansado de saber: «o aeroporto de Beja, que custou 33 milhões de euros e foi inaugurado há seis anos, serve quase só para estacionamento e manutenção de linha de aviões».

Curiosamente não se faz qualquer alusão à «unidade de desmantelamento de aviões» o que me deixa triste porque é mais uma previsão que pensava ter acertado e falhei.

Para compensar, no segundo novo desenvolvimento não falhei. Trata-se da evolução do espírito inquieto de Augusto Mateus, de quem aqui tracei um retrato à la minute. Pois bem, o emérito economista em entrevista ao Expresso diz várias coisas de que é difícil discordar e, num inesperado flic-flac, só acessível a uma mente muito flexível, concede que «temos de ter a coragem de dizer não a muitos projectos» porque «só se devem apoiar projectos que trazem algo de verdadeiramente importante em matérias de reestruturação e reorientação da economia portuguesa». É algo de surpreendente para quem escreveu no estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» da sua autoria que o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».