Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
22/04/2026
Um Serviço de Desenvolvimento de Identidade de Género pode ser uma espécie de clínica do Dr. Mengele (6) - Atropelados pela realidade
21/04/2026
Crónica da passagem de um governo (46b)
Já o escrevi, os centros de dados recorrentemente anunciados com investimento de milhões de euros usarão resmas de megawatts produzidos em incontáveis hectares cobertos por painéis solares fabricados na China e contribuirão com dúzias de empregos semi-qualificados. O anúncio pela AWS European Sovereign Cloud da Amazon descrito pomposamente pelo Expresso como «uma nova infraestrutura europeia de computação em nuvem concebida para responder às exigências de soberania digital da União Europeia» não é excepção.
O governo merece todas as críticas, menos as estúpidas
O Dr. Montenegro foi incinerado pela oposição durante o debate quinzenal que teve lugar no parlamento na semana passada à pala da inflação em geral e do aumento dos combustíveis em particular, acusado de insensibilidade por não derramar mais subsídios, ou seja, por não espremer uns portugueses com impostos para dar a outros. O Dr. Ventura destacou-se nas baboseiras esmerando-se a apresentar a diferença de preços da gasolina entre Elvas e Badajoz à vista, mostrando um desvelo pelo socialismo que faria inveja ao Dr. Sánchez, responsável pelo milagre dos preços de Badajoz.
É indispensável saber quem são os clientes das empresas dos políticos. Os doadores dos partidos é segredo de Estado
A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECPF) vai passar a retirar das lista de doações aos partidos os dados pessoais que identifiquem os doadores.
«Pagar a dívida é ideia de criança», dizia o Eng. Sócrates
O governo do Dr. Montenegro parece estar a seguir o conselho do Animal Feroz. Segundo o relatório da UTAO as amortizações das OT têm vindo a ser chutadas para a frente e o período 2026-2039 irá exigir um grande volume de reembolsos.
Canários na mina de carvão
As más notícias multiplicam-se e as boas notícias não são notícias, são pensamento milagroso para aliviar o povo. O BdP já tinha reduzido a previsão de crescimento de 2,3% para 1,8%. O CFP tirou agora 0,2 pontos percentuais à estimativa de crescimento, subiu a da inflação para 2,9% e prevê um défice nas contas públicas. O FMI prevê um crescimento de apenas 1,9% e a inflação a subir de 2,1% para 3,1% e um défice de 0,1%. E pronto, é o que há.
20/04/2026
Crónica da passagem de um governo (46a)
Frequentemente no Portugal dos Pequeninos as reformas consistem em aprovar leis em cima das existentes mantendo intocado o essencial. A criação da Prestação Social Única, à qual o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) dedica 500 milhões, é só mais um exemplo de manter oito ou mais prestações sociais, incluindo o Rendimento Social de Inserção (RSI), agregando-os. Sim, leram bem. O verbo não é eliminar ou, vá lá, simplificar. O verbo é «agregar», por 500 milhões. Por sorte, a coisa está atrasada e os 500 milhões estão em risco.
O peão socrático falhou a Provedoria de Justiça
O Dr. Tiago Antunes, ex-secretário de Estado do Eng. Sócrates e suporte do Simplex e do Câmara Corporativa, dois blogues criados para promoção do Animal Feroz, foi proposto para Provedor de Justiça pelo PS e aceite pelo PSD e o Chega. Na votação teve apenas 104 dos 151 votos necessários. A única surpresa é ter conseguido pelo menos 46 votos não socialistas.
Tribunal de Contas defende o Relatório Minoritário
O Tribunal de Contas, queixou-se pela boca da sua presidente de o governo «procurar denegrir a imagem do Tribunal perante a opinião pública» e, espantosamente, considerou para justificar a manutenção do visto prévio que «os gestores ficam com a sensação que podem fazer tudo sem serem condenados», fazendo o papel do juiz que no filme de Spielberg “Relatório Minoritário” manda prender os criminosos antes de os crimes serem cometidos.
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS». Medicamentos que criam diabéticos, emagrecer não sai barato e as verrugas saem caras
Em cinco anos o número de diabéticos aumentou 12%, tudo por causa do Ozempic e outros medicamentos para o diabetes do tipo 2 que, por coincidência, também servem para emagrecer. Afinal era uma fraude que custou ao SNS 250 milhões.
Muito mais baratos - apenas pouco mais de 800 mil euros - ficaram os pagamentos indevidos por mais de 500 cirurgias dermatológicas adicionais no Hospital de Santa Maria.
Governar ao ritmo dos telejornais e no final mais uma reforma (aumentar o número de chuis)
Os telejornais do fim de semana da Páscoa atulharam-se de notícias dos 20 mortos nas estradas. Sem surpresa, o inefável ministro da Administração Interna Dr. Luís Neves apressou-se a manifestar a sua «profunda preocupação e consternação» e a prometer medidas estratégicas «muito em breve».
Estamos no Portugal dos Pequeninos com o seu Estado sucial governado por um governo que se pretende reformista e por isso ninguém ficará surpreendido se souber que as medidas "estratégicas" anunciadas nos dias seguintes consistiram em constatar a falta de polícias (*) e reactivar a Brigada de Trânsito da GNR extinta em 2007 e, como não poderia faltar numa reforma, um novo Código da Estrada.
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(*) Para se perceber a crónica falta de polícias, remeto para as duas dezenas de posts que escrevemos sobre esse momentoso problema que assola o Estado sucial do nosso Portugal dos Pequeninos que se encontra no sexto lugar no ranking da UE do número de chuis por 100 mil habitantes.
19/04/2026
CASE STUDY: Democracias defeituosas (7) - O contributo do PS para a democracia em Portugal é quando deixa de governar
Outras democracias defeituosas.
O Portugal do governo PS, classificado como “flawed democracy” em 2023, melhorou em 2024 com o governo AD para “full democracy”, alcançando a 23ª posição. A pontuação de Portugal melhorou de 7,75 em 2023 para 8,08 em 2024 e voltou a subir para o 20.º lugar com 8,28 em 2025.
| Fonte |
O governo do Dr. Montenegro é melhor a promover a democracia do que a reformar, talvez (um simples talvez) porque a maioria dos portugueses não gosta de reformas que cheiram a "sacrifícios" e, sobretudo, odeiam a incerteza, sendo que se há coisa em que os portugueses são notáveis é na aversão ao risco, talvez (um simples talvez) porque durante cinco séculos se deu uma espécie de anti-selecção, em que foram saíndo os afoitos e ficando os acomodados.
Já o governo do Dr. Trump faz o seu melhor para piorar a democracia e seu melhor para empatar guerras que não fazia ideia de qual o propósito com inimigos da terceira divisão, descendo mais uma vez para o 34.º lugar com 7,65 pontos.
17/04/2026
PUBLIC SERVICE: Facts and Opinions
«In public discourse, we spend a great deal of collective energy debating the accuracy of facts. We fact-check politicians, monitor social media for misinformation, and prioritise data-driven decision-making in our workplaces. This focus is vital; the distinction between truth and falsehood is the bedrock of a functioning society.
However, by focusing so intently on factual accuracy, we risk overlooking another fundamental distinction: the difference between a fact and an opinion.
A statement of fact is relatively easy to verify: it is either true or not. But a claim’s objectivity – is it a verifiable objective statement or a subjective expression of belief? – is far more complex. This is why our minds process and encode opinions in a fundamentally different way to facts.
The stakes of objectivity
Objectivity is not a mere linguistic nuance; it lies at the foundation of important policy and legal debates. For instance, in defamation lawsuits against US media figures like Tucker Carlson and Sidney Powell, legal defences have hinged on whether statements could “reasonably be interpreted as facts” or were merely “opinions.” Similarly, social media platforms have struggled with whether to fact-check posts labelled as opinions, a policy that has recently complicated efforts to combat climate change denialism.
The distinction matters because it frames how we disagree. When a claim is clearly an opinion – for instance, “the current administration is failing the working class” – one may agree or disagree, but we understand that there is room for disagreement and neither side is inherently right nor wrong.
However, a factual statement – “The official US poverty rate was 10.6% in 2024” – leaves little room for debate. It necessitates the existence of a source, and an objectively correct response.
As a result, beliefs about claim objectivity can stifle receptiveness to conflicting perspectives. This, in turn, fuels interpersonal conflict and drives political polarisation.
16/04/2026
Dúvidas (366) - Qual o efeito na natalidade das políticas de promoção da natalidade? (II)
Continuação de (1)
Em retrospectiva: uma das bandeiras do nativismo é o aumento da natalidade para combater a "Grande Substituição", uma modalidade das míticas ameaças externas a que todos os ideários autocráticos recorrem. O governo húngaro de Viktor Orbán foi um dos que mais apostaram na engenharia demográfica e gastou 6% do PIB da Hungria com vários incentivos, incluindo uma isenção vitalícia do imposto sobre o rendimento das mães com mais de um filho.
| Fonte |
Confirmando que a engenharia social da direita é tão inútil como a de esquerda (e às vezes mais nociva), os resultados das políticas de promoção da natalidade da Hungria (e da Polónia até há dois anos) para evitar o que a extrema-direita magiar chamou nemzethalal (extinção nacional) - o equivalente à "Grande Substituição" (Grand Remplacement, Great Replacement) - não estão à altura das expectativas do pensamento milagroso nativista.
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Post scriptum (ou post mortem)
Este post era para ser publicado durante a vigência do governo de Viktor Orbán. Provavelmente continuará a ter actualidade, uma vez que o novo governo húngaro de Péter Magyar parece adoptar as mesmas políticas. Mesmo assim, não me digam que é mais do mesmo (ainda que possa ser). Ao menos é uma questão de higiene porque, como escreveu Eça, ainda que um governo não tenha de cair - porque não é um edifício, tem de sair com benzina - porque é uma nódoa!
15/04/2026
JD Vance should suggest to D Trump that he read Thucydides' History of the Peloponnesian War, or, given DT's illiteracy problems, ask Marco Rubio for a summary
For some time now, I've been drawing parallels between the evolution of the United States under Trump and the decline and defeat of Athens, as recounted by Thucydides.
Since I read the History of the Peloponnesian War quite a while ago and my memory isn't what it used to be, I asked Gemini's AI to summarize the reasons for Athens' decline and defeat. Here's the summary.
«According to Thucydides, the primary reason for Athens' defeat was not a lack of resources or military skill, but internal political instability and the rise of demagogues following the death of Pericles.
In his analysis, Thucydides highlights a few critical factors:
Leadership Vacuum: After Pericles died, he was replaced by ambitious leaders (like Alcibiades) who were more interested in personal glory and power than the safety of the city.
Internal Factionalism: The Athenian citizens became divided. Constant infighting led to inconsistent decision-making, where the assembly would approve a plan one day and abandon it—or punish its generals—the next.
The Sicilian Expedition: Thucydides views this disastrous military campaign as the ultimate consequence of bad leadership. Athens overextended its reach due to hubris and greed, and the internal bickering at home meant the expedition wasn't properly supported, leading to the total loss of their fleet.
Essentially, Thucydides argues that Athens "destroyed itself" through domestic discord rather than being simply overcome by Spartan strength.»

