Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

23/07/2021

A pandemia ameaça a democracia liberal no país onde foi inventada (2)

Continuação daqui.
Some Britons crave permanent pandemic lockdown

Após um ano e meio de pandemia, numa sociedade com profundas tradições liberais como a britânica a maioria dos cidadãos aceita pesadas limitações à liberdade durante um período de tempo indeterminado («até que a covid-10 esteja globalmente controlada»). E, pior do que tudo, uma parte significativa dos britânicos aceitam essas limitações permanentemente. 

Imagine-se o que estarão dispostos a aceitar os cidadãos de uma sociedade sem essas tradições, como a sociedade portuguesa que viveu durante quase 50 anos acomodada num Estado Novo com drásticas limitações das liberdades.

21/07/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Menos máscaras, menos confinamento e mais ventilação

«Superspreading is loosely defined as being when a single person infects many others in a short space of time. More than 2,000 cases of it have now been recorded—in places as varied as slaughterhouses, megachurches, fitness centres and nightclubs—and many scientists argue that it is the main means by which covid-19 is transmitted.

In cracking the puzzle of superspreading, researchers have had to re-evaluate their understanding of sars-cov-2’s transmission. Most documented superspreadings have happened indoors and involved large groups gathered in poorly ventilated spaces. That points to sars-cov-2 being a virus which travels easily through the air, in contradistinction to the early belief that short-range encounters and infected surfaces were the main risks. This, in turn, suggests that paying attention to the need for good ventilation will be important in managing the next phase of the pandemic, as people return to mixing with each other inside homes, offices, gyms, restaurants and other enclosed spaces. (...)


But the widespread assertion, still stubbornly promulgated by the who, that droplets above five microns in diameter do not stay airborne, but rather settle close to their source, is a dodgy foundation on which to build public-health advice. According to Dr Jimenez, physicists have shown that any particle less than 100 microns across can become airborne in the right circumstances. All of this matters because hand-washing and social distancing, though they remain important, are not enough to stop an airborne virus spreading, especially indoors. Masks will help, by slowing down and partially filtering an infectious person’s exhalations. But to keep offices, schools, hospitals, care homes and so on safe also requires improvements in their ventilation.


(...) All sorts of symptoms, from headaches, fatigue and shortness of breath to skin-irritation, dizziness and nausea, are linked to poor ventilation. It has also been connected with more absences from work and lower productivity.

The ventilation measures needed to deal with all this are not difficult, but existing regulations and design standards often have different objectives—particularly, these days, conserving heat and thus reducing energy consumption. That often means recirculating air, rather than exchanging it with fresh air from the outside world. (An exception is passenger aircraft, which refresh cabin air frequently.)

In situations where it is not possible to reduce health risks by ventilation alone—for example, places like nightclubs, where there are lots of people crowded together, or gyms, where they are breathing heavily—air filtration could easily be incorporated into ventilation systems. Air could also be disinfected, using germicidal ultraviolet lamps placed within air-conditioning systems or near ceilings in rooms.»

Improving ventilation will help curb SARS-CoV-2

20/07/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (58) - As velas não estão enfunadas

Sem que tenha sido dada nenhuma explicação oficial, desde o dia 7 de Julho o ritmo de vacinação sofreu uma queda substancial. O número médio de doses administradas desde os finais de Junho até então atingiu 166 mil e a partir dessa data caiu para menos de metade.

Não obstante essa queda a generalidade dos objectivos parece ainda atingível e, nesta altura, o falhanço mais notório é o do objectivo seguinte: 
No início da terceira semana de Julho a percentagem de totalmente vacinados é a seguinte (fonte ECDC):

95,4% dos +80
92,1% dos 70-79
80,1% dos 69-70 anos. 

 

ECDC

Não obstante a 10.ª posição de Portugal na EU27 no que respeita ao rácio de pelo menos uma dose administrada aos adultos (18+) se poder considerar aceitável, está muito longe de justificar a euforia da imprensa do regime. 

19/07/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (94) - Em tempo de vírus (LXXI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Take Another Plan. «Está no terreno» disse o Dr. Pedro Nuno

Não, o Dr. Pedro Nuno não se referia à frota da TAP que essa, sim, está no terreno há um ano e meio. Referia-se ao plano de reestruturação que segundo ele estará aprovado «a breve prazo». Dependendo do que ele quer significar com breve pode ser que sim, ou que não, visto que a CE «vai avançar para investigação aprofundada do plano.

L’État c’est nous

A Dr.ª Ana Paula Vitorino, ex-ministra e actual deputada e cônjuge do ministro Dr. Cabrita, foi considerada suficientemente independente e competente para ser nomeada presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e como fez parte da comissão parlamentar que lhe fez a audição para nomeação tentou corrigir o relatório da comissão. O descaramento desta gente não tem limites.

Depois do acidente a 200km/h do esposo da Dr.ª Vitorino, também o ministro do Ambiente foi detectado a essa velocidade na A2 e a 160km/h numa estrada nacional. A impunidade desta gente não tem limites.

O estado do Estado sucial administrado pelos socialistas

Cinquenta e um técnicos qualificados recrutados em 2019 e em Abril deste ano colocados na PlanAPP, cuja missão é apoiar a definição de políticas públicas, continuam engavetados à espera.

As obras no Hospital Militar de Belém orçamentadas em 750 mil euros "derraparam" mais de quatro vezes para para 3,2 milhões, e como se fosse pouco, em plena pandemia, foi desactivada a infraestrutura para o tratamento de doenças infecciosas. A coisa é tão escandalosamente incompetente (e talvez corrupta) que motivou uma tomada de posição pública de um grupo de pessoas, médicos e militares, encabeçados pelo general Eanes.

Quando se pensava que já tinha sido atingido o limite...

O Banco de Fomento foi várias vezes anunciado para as «próximas semanas», sucedendo a um banco de fomento que fora privatizado por um governo PS, tinha ressuscitado há três anos e segundo o mesmo ministro já estava criado em Janeiro do ano passado. Afinal não estava e o governo teve de alterar o estatuto do gestor público para colocar os membros da grande família socialista, na circunstância nove administradores e vinte e quatro directores, entre eles, como presidente, o Dr. Vítor Fernandes uma criatura com um vasto currículo que inclui a pertença com o Dr. Santos Ferreira e o Dr. Vara à administração da Caixa que emprestou dinheiro ao Sr. Berardo para comprar uma participação no BCP, para cuja administração o trio foi transladado pelo governo do Eng. Sócrates, e, por último, incluiu também uma relação íntima com o Sr. Vieira do presidente do Benfica. Melhor é impossível.

18/07/2021

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (2) - Não tem emenda

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas)

«O comentador Marcelo Rebelo de Sousa não perdeu tempo, pegou no telefone e ligou para uma televisão (no caso a SIC Notícias) a proclamar a derrota jurídica do constitucionalista Marcelo Rebelo de Sousa para reclamar a vitória política do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa no caso da declaração de inconstitucionalidade da lei da Assembleia da República da iniciativa do PSD e aprovada em chamada ‘coligação negativa’ pela Oposição com os votos contra do partido do Governo sobre medidas de proteção social em plena pandemia.

Parece inverosímil, mas é verdade. Na quarta-feira à noite, mal foi anunciada a decisão do Tribunal Constitucional que deu razão a três das cinco dúvidas de constitucionalidade suscitadas pelo Governo em relação à dita lei obviamente violadora da Lei Travão que proíbe a AR de impor ao Governo leis que determinem o aumento da despesa ou a diminuição da receita previstos na lei do Orçamento do Estado, Marcelo pegou no telefone e ligou para aquele canal de televisão, que estava a dar a reação do Governo pela voz do secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes.

O telefonema presidencial – tal como já acontecera noutras ocasiões igualmente inusitadas – apanhou de surpresa o pivô de serviço, que não disfarçou a satisfação com que recebeu aquela chamada. Afinal, e como podia ler-se em rodapé, tinha um ‘furo jornalístico’: «Marcelo R. de Sousa reage em direto na SIC Notícias».

A palhaçada de S. Ex.ª relatada por Mário Ramires no Nascer do Sol

O Teste da Jangada como processo de detectar um esquerdalho

«Regressando a Cuba, salvo seja, a brutal hipocrisia da esquerda não sobrevive ao Teste da Jangada. Não é um teste complicado. De um lado, temos um país de onde as pessoas fogem em condições pavorosas da prisão provável e da indigência garantida. Do outro, temos um país que os recebe e lhes permite prosperar de acordo com o seu empenho, a sua habilidade ou a sua sorte. Adivinhem qual o país que a esquerda adora e qual o que a esquerda abomina (para os idiotas terminais, esclareço que o ponto de origem é Havana é o ponto de chegada é Miami – apesar das bazófias, nem idiotas terminais fariam o percurso inverso). O teste não termina aqui. Visto que falamos de refugiados, infelizes ao Deus dará que no “contexto” correcto encheriam as manchetes com sentimentalismo, é de presumir que a esquerda demonstre ao menos um vestígio de apreço pela sociedade que os acolhe e, por coerência, condene a sociedade que os afugentou. Nada disso. A esquerda detesta com indisfarçado vigor os cubanos da Flórida, na medida em que a liberdade de que beneficiam na América torna mais evidente a falta de liberdade em Cuba. Nas Caraíbas e em toda a parte, o pobre deixa de ser útil para a esquerda quando deixa de ser pobre. O Teste da Jangada não se limita a revelar hipocrisia: revela os abismos de selvajaria a que a humanidade pode descer.»

O esquerdismo é um crime de ódio, Alberto Gonçalves no Observador

Dependendo das característicos geográficas do Paraíso Socialista em causa, o Teste da Jangada pode ser substituído pelo Teste do Muro ou pelo Teste da Fronteira.

17/07/2021

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (70) O clube dos incréus reforçou-se (XXIII)

Outras marteladas e O clube dos incréus reforçou-se.

Recapitulando:

O intervencionismo do BCE, que copiou com atraso a Fed e o BoE, adoptando o alívio quantitativo e as taxas de juro negativas ou nulas, desde o «whatever it takes» do Super Mario há 6 anos, é parecido como terapêutica com a sangria dos pacientes praticada pela medicina medieval para tratar qualquer doença, incluindo a anemia.

As raras vozes dissonantes (temos citado algumas delas) não têm chegado para perturbar e muito menos abafar os salmos cantados pelo coro imenso dos prosélitos louvando a bondade das políticas de injecção de dinheiro e de juros artificialmente baixos dos bancos centrais.

Desta vez foi a Comissão dos Assuntos Económicos da Câmara dos Lordes que questionou o BoE sobre as suas políticas de alívio quantitativo e pela boca do seu presidente Lord Forsyth acusou o banco central de não conseguir justificar a necessidade dessas políticas e «ter-se tornado viciado» na injecção de dinheiro na economia através da compra de activos.

Com uma frase lapidar, Lord Forsyth disse por outras palavras o que Abrahan Maslow disse há cinco décadas ("I suppose it is tempting, if the only tool you have is a hammer, to treat everything as if it were a nail) e que serve de epígrafe a esta série de posts:
«It’s like playing a round of golf with only one club. They reach for it whatever the economic problem.»

16/07/2021

Dúvidas (314) - Estará a democracia americana avariada?


A história mostra que uma democracia liberal para funcionar precisa de um centro político, isto é que uma parte significativa do eleitorado partilhe crenças, valores e ideias compatíveis, ainda que diferentes, e a mais importante dessas crenças é que a democracia funciona ou, dito de uma maneira simplista e tautológica, a democracia liberal para funcionar exige que a maioria acredite que funciona. Não é isso que está a acontecer na democracia americana onde quatro em cada dez eleitores não confiam na contagem dos votos, um quarto do eleitorado acredita que o seu voto não tem influência e cerca de um terço considera o actual presidente ilegítimo e que o outro candidato venceu as eleições.

15/07/2021

A pandemia ameaça a democracia liberal no país onde foi inventada


«The pandemic has shaken faith in liberal democracy: opinion polls show huge support for curfews and quarantines. Johnson himself has remarked in private that he has been amazed at how easy it is to take freedoms away — and how hard it is to give them back. It’s quite possible he has concluded his liberalism was for an era that perished in the pandemic. Some of the most liberty-loving Tories have looked with envy towards Asian countries whose surveillance technology seemed to do a better job of stopping the spread of Covid. The future may well be one in which the government knows your temperature wherever you go, and vaccine passports may be welcomed as an alternative to blanket lockdowns.

There is a case for all of this. But no such case has been made — at least not in the open. We instead see a worrying pattern: ministers promising not to implement vaccine passports, then breaking their word, then presenting them as a reserve option, then as a fait accompli. ‘I certainly am not planning to issue any vaccine passports and I don’t know anyone else in government who would,’ said Michael Gove in December. The government has ‘absolutely no plans for vaccine passporting’, promised vaccines minister Nadhim Zahawi in February: the very idea, he added, was ‘absolutely wrong’. Downing Street said it was ‘discriminatory’.

The lack of debate matters because important questions are not being asked. For example, what if — as the latest studies suggest — the double-vaccinated still have a 21 per cent chance of catching and transmitting the virus? The vaccines are effective at preventing serious illness, but how far can we say that a fully vaccinated theatre is safe? And without such assurance, what’s the point of any nightclub or sports arena screening its customers in this way?

Vaccine passports may have a marginal impact on slowing the spread of the virus (especially in a Britain where 90 per cent of adults have antibodies), but what if their real purpose is to harass the unvaccinated on a daily basis, thereby encouraging vaccine uptake? Then comes the more important question: who would be excluded from society by a vaccine passport? A Tory party that took so much flak for the Windrush scandal ought to be careful about pushing any scheme that’s likely to hit ethnic minorities hardest, as vaccine passports would do. All over-fifties have been offered the jab. Among them, just 6 per cent of whites are unvaccinated compared with 31 per cent of blacks — an ethnicity gap that refuses to narrow.

As the vaccine programme works its way down the age range, ministers are also worried that the young are not co-operating. Non-white groups are proving particularly hard to convince. In France, Emmanuel Macron is thinking about making vaccines compulsory. Vaccine passports offer a softer tool of coercion: people are free, in theory, not to have the jab, but their lives can be made much more difficult by the government. It could become harder to get a job, harder to travel, harder to go anywhere that isn’t home.»

Nanny Boris: the PM’s alarming flight from liberalism, Fraser Nelson na Spectator

14/07/2021

SERVIÇO PÚBLICO: O pior não passou. O pior está para vir

«Está em questão que nos planos económico e social, comparado com o que está para vir, a crise ainda mal se iniciou.

Iniciar-se-á a crise económica e social quando o Estado Português tiver de começar a travar as ajudas ao rendimento e a aumentar a carga fiscal, em virtude de uma situação das finanças públicas em que os números hoje prevalecentes não são sustentáveis. Concordo com o nosso primeiro-ministro na tese de que o regresso a algum tipo de normalidade terá de ser muito controlado, mas, mais cedo ou mais tarde, de um modo ou de outro, esse regresso terá de ocorrer.

Iniciar-se-á a crise económica e social quando o Banco Central Europeu começar a normalizar a sua política monetária, impondo algum tipo de subida das suas taxas de juro, arrastando, em conformidade, as taxas de juro a que o Estado Português e todos os Estados da área do euro têm vindo a financiar-se nos mercados (taxas negativas, como se sabe, nos prazos mais curtos). É absolutamente crítico neste processo que Portugal, acompanhando a subida das taxas de juro de referência impostas aos países de mais baixo risco, não deixe aumentar o nosso prémio de risco país pela condução de qualquer política financeira que agrave a perceção dos mercados no que se refere à solvabilidade do Estado Português. Foi o agravamento deste prémio de risco e a posição em que nos deixámos isolar, de um défice público que chegou a superar os 11% do PIB, que determinou a crise financeira do nosso país em 2011 e anos seguintes.

Iniciar-se-á a crise económica e social quando começarem a ser levantadas as moratórias de que hoje beneficia uma boa parte do crédito bancário a empresas e a particulares. De acordo com dados divulgados pela EBA (Autoridade Bancária Europeia), Portugal é o terceiro Estado-membro com maior percentagem de crédito bancário protegido por moratórias (mais de 20% do total, num montante de cerca de 45 mil milhões de euros, percentagem apenas excedida por Chipre e pela Hungria).

Iniciar-se-á a crise económica e social quando se regressar a algum tipo de normalidade em matéria de rendas de estabelecimentos comerciais, pondo termo à quase nacionalização dos centros comerciais decretada no início da pandemia.»

Excerto de A crise económica e social ainda não começou, por Daniel Bessa, ministro (por engano) da Economia do governo Guterres durante cinco meses e actual Director-Geral da COTEC é um dos poucos economistas do regime com independência e credibilidade