Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
20/08/2026
ARTIGO DEFUNTO: Segundo a jornalismo de causas os salários médios deveriam ser o que o governo quisesse
18/08/2026
ARTIGO DEFUNTO: A "inclinação ideológica e política" das ciências actuariais, da estatística matemática, da econometria, da demografia, da macroeconomia e das finanças públicas
[Este post é uma espécie de continuação de Comparar a beira da estrada com a Estrada da Beira]
Cinco dias antes de ser conhecido o relatório sobre a sustentabilidade do sistema de pensões, o semanário de reverência, no seu papel de órgão oficial do militante socialista anónimo, citava o PS que já classificava o relatório como «enviesado» e se declarava preocupado por o estudo ter sido coordenado por «duas pessoas que têm uma inclinação ideológica e política muito clara».
Fiquei confundido, sem perceber qual seria o papel da inclinação ideológica e política na avaliação da sustentabilidade financeira de um sistema público de pensões. Admiti que essa confusão se devesse a não estar iluminado pela ciência das jornalistas de causas que assinam o artigo (duas economistas portadoras de mestrados pelo ISEG e uma cientista da comunicação da equipa das Redes Sociais e Online). Vergado ao peso dessa ciência, resolvi pedir a um agente de IA para descrever um modelo teórico geral de repartição (Pay-As-You-Go ou PAYG), em que os trabalhadores activos financiam diretamente as pensões dos reformados do mesmo período.
Eis a descrição do modelo que, surpreendentemente, não contém a variável inclinação ideológica e política.
17/08/2026
Crónica da passagem de um governo (63)
Devia ser evidente para qualquer governo ou para qualquer pessoa com um neurónio que, num país com ¼ de velhos (65+ anos) e quase dois idosos por cada jovem (0-14 anos) teria de existir uma procura crescente de serviços médicos. Em vez de aumentar a oferta, o Dr. Costa reverteu o horário dos funcionários públicos de 40 para 35 horas, reversão apadrinhada pelo Dr. Marcelo. Iniciou-se então uma espiral de queda da capacidade de resposta do SNS e da administração pública em geral e o aumento da despesa pública que, no caso da Saúde, duplicou entre 2015 e 2025.
O que faz um tuga com um know-how refinado em 900 anos a fintar as várias modalidades de Estado, desde Dom Afonso Henriques? Ora, o que haveria de fazer? Recorre às cunhas e aos expedientes. As cunhas permitem às pessoas bem relacionadas fintarem as filas que separam os doentes dos médicos. Quem não dispõe de cunha, na falta de MF o que, em consequência, aumenta a procura de consultas nos hospitais, vai às urgências onde se amontoam dezenas ou centenas de “utentes”, todos devidamente apetrechados da pulseira multicor do protocolo de Manchester, onde esperam pacientemente várias horas e são objecto do tratamento jornalístico habitual (ver aqui e ali, por exemplo).
Chafurdar em coisas de merda, disse ele, e diria eu com ele
Não é frequente concordar com o Dr. Ascenso Simões, um conhecido apparatchik socialista que inclui no seu currículo a defesa de uma condecoração para o Eng. Sócrates, uma dúzia de anos depois da maior obra deste homem que foi ter falido o Estado sucial. A última vez (e talvez a primeira) que concordei com ele foi quando disse ao Observador que «a moderação de Pedro Nuno Santos era completamente falsa». Volto agora a concordar quando, a propósito das polémicas férias do Dr. Montenegro, postulou «temos de dar importância ao que tem importância e não chafurdar em coisas de merda».
À atenção do Dr. Matias com sua saga para Portugal ter «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA»
A legislação laboral inglesa, como a portuguesa, contém uma disposição chamada «interim relief» (providência cautelar) que permite a um juiz compelir uma empresa a reintegrar um empregado despedido, ainda que legalmente, ou a pagar-lhe uma indemnização. Até recentemente, o número de casos apresentados aos tribunais andava pelas poucas dezenas por ano, devido à complexidade da lei e aos elevados honorários dos advogados. Com a banalização da IA, muitos trabalhadores despedidos estão a usá-la com sucesso para preparar petições a contestar o despedimento, o que está a multiplicar por 100 o número de casos que inundam os tribunais e a levar estes (que não usam a IA) à paralisia e as preocupações ao governo inglês, que a respeito da IA está a fazer, como o Dr. Matias, muitos anúncios e pouca obra. Processos semelhantes estão a ser usados por um número crescente de cidadãos para contestar os licenciamentos emitidos pelas autoridades locais e as multas de estacionamento, ou para reclamar benefícios ou subsídios sociais.
Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes. Ou talvez não…
… ou talvez seja apenas uma manobra de diversão para iludir a falta de solução dos problemas que não têm solução real, como é o caso do aumento do preço dos combustíveis, cuja solução é meramente ilusória e cuja génese, mais uma vez, a ERSE não conseguiu comprovar que residisse em supostas manobras obscuras dos operadores do mercado português dos combustíveis rodoviários.
16/08/2026
ARTIGO DEFUNTO: Comparar a beira da estrada com a Estrada da Beira
| Semanário de reverência |
- Custo estimado da construção (em 2024) 7,9 a 8,9 mil milhões
- Custo estimado das grandes obras de acessibilidade 5,5 mil milhões
- Custo total estimado 13,4 a 14,4 mil milhões
- Coeficiente médio de derrapagem das grandes obras públicas em Portugal 1,3 a 1,35
- Custo total provável 17,4 a 19,4 mil milhões
- Dois exemplos de derrapagem:
- Centro Cultural de Belém, o custo final triplicou o orçamentado;
- Aeroporto de Berlim: os 5 anos planeados escorregaram para 14 anos; o custo triplicou.
- O meu palpite do custo total final do Aeroporto Luís de Camões: 20 a 30 mil milhões
14/08/2026
SERVIÇO PÚBLICO: Startups no Portugal dos Pequeninos
| Número de startups |
| Número de unicórnios |
Com uma população de 11,4 milhões de habitantes, cerca de 1,54% dos 743 milhões da população total da Europa, Portugal tem 995 startups, uma percentagem de cerca de 2% das startups da Europa, e quatro unicórnios (startups com valor superior a USD mil milhões).
O valor do ecosistema português (o valor total económico criado pelo ecosistema nos últimos 20 anos), cresceu 7,2% nos 12 meses terminados em Abril e é estimado em USD 32,5 mil milhões e no ranking global situa-se no 15.º lugar na Europa (entre a Áustria e Chipre) e no 31.º mundial.
| Ranking mundial de Portugal por sector de actividade |
A posição no ranking mundial por sector de actividade mostra que, sem surpresa, as startups portuguesas estão melhor colocadas nos sectores menos sofisticados tecnologicamente, com destaque para o comércio electrónico e o retalho que representam 10% do total de startups e tem um unicórnio.
Em conclusão, o Portugal dos Pequeninos, estando longe dos delírios de grandeza do governo e dos sonhadores como o Eng. Moedas, não está mal posicionado neste domínio, talvez um pouco melhor do que no resto.
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Fonte: Startup Blink
13/08/2026
"You can't fool all of the people all the time" (17) - Oklahoma is gone, Idaho and West Virginia are next
11/08/2026
Crónica da passagem de um governo (62b)
Se a isto acrescentarmos o crescimento de 10,6% do emprego no turismo, que passou a representar mais de um décimo do emprego total, percebe-se que o turismo é uma actividade essencial para a economia do Portugal dos Pequeninos não se afundar ainda mais. Sem o turismo e sem os 17 mil milhões que recebemos do PRR nos últimos quatro anos, já teríamos fechado a loja, o que nos leva a concluir que, não se sabendo o que vai ser o futuro, ainda assim podemos concluir que, com o turismo a desacelerar e o impacto do fim do PRR nas finanças públicas, o futuro não será igual ao passado.
Hoje há cadelinhas, amanhã não sabemos
| mais liberdade |
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Durante a espera para o Dr. Matias nos tornar «um líder mundial na IA», por que não resolvermos problemas infinitamente mais simples? Como seja o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil que viram os dias totais de atraso aumentarem de 40.947 para 46.289. Já agora, o Dr. Matias poderia pôr a acção onde põe a boca e ajudar com as ferramentas de IA o seu colega ministro da Justiça a desentupir o seu ministério. E, se não for pedir muito, bem poderia o Tribunal Constitucional usar essas ferramentas para suprir a alegada insuficiência dos seus mais de 100 funcionários administrativos incapazes de notificar os titulares de cargos públicos faltosos, como o Dr. Luís Neves que nunca chegou a apresentar a declaração de rendimentos. Caos é o que a comentadoria e o jornalismo de causas quiserem Não faz sentido negar as falhas do ministério da Educação no processo dos Exames Nacionais do Ensino Secundário e, já agora, do ministro que revelou as insuficiências de que, quase sem excepção, os políticos domésticos padecem, resultantes do défice que infecta a maioria dos portugueses que têm como missão gerir seja lá o que for. Não é inútil perceber a manipulação dos números e o empolamento das falhas que rodeou o tratamento noticioso e opinativo, como, por exemplo, a comparação do número de candidaturas na 1.ª fase do ensino superior deste ano com as dos anos de 2024 e 2025 que, segundo a versão corrente, estaria a diminuir. Remeto para o que escreveram Henrique Pereira dos Santos e Aguiar-Conraria desmontando as falácias e chamo a atenção para os últimos resultados, que apontam para mais de 60 mil candidaturas e um aumento de quase 11 mil em relação ao ano anterior. |
