Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

19/11/2017

CASE STUDY: Os "ricos" ou o futuro, a escolha socialista

O governo romeno do partido social-democrata (na verdade um partido socialista com a sigla PSD, integrando o Partido Socialista Europeu), para conseguir reduzir os impostos, aumentar os salários funcionários públicos e manter o investimento público sem violar o limite de 3% do défice, optou por reduzir de 5,1% para 3,75% a sua contribuição para os fundos de pensões privados do 2.º pilar, um pilar complementar da segurança social pública. Esta redução da contribuição do Estado estima-se que reduzirá em 20% as pensões futuras de 7 milhões de trabalhadores romenos.

Os fundos privados do 2.º pilar dispõem de activos de 10 mil milhões de euros e entre 2008 e 2016 tiveram rentabilidades anualizadas líquidas de 5,3%. Antes de reduzir a contribuição do Estado o governo tentou tornar opcional a contribuição individual para estes fundos o que levaria muitos dos contribuintes e o Estado a deixarem de descontar. (fonte FT)

Moral da história: para manterem as clientelas felizes, se podem aumentar a carga fiscal da classe média, a que chamam os "ricos", os partidos socialistas fazem-no sem hesitações, umas vezes recorrendo aos impostos directos (como tentou o PS francês de Hollande) outras aos indirectos (como o PS português); se não podem aumentar a carga fiscal, chutam para o futuro as facturas de felicidade presente das clientelas.

18/11/2017

Estado assistencialista falhado (17) - Uma espécie de vaca marsupial pública

João Abel Manta
Para se ter uma ideia do falhanço do Estado montado pelos colectivistas de todas as tendências, incluindo desde os comunistas durante o PREC e agora na geringonça em parceria com bloquistas, socialistas do PS e até aos do PS-D,  é suficiente ouvir este discurso de Centeno no parlamento sobre as «carreiras» e as «progressões» - onde o mérito não tem lugar - dos professores e dos restantes utentes da vaca marsupial pública para se perceber como a geringonça governa para a sua clientela eleitoral e que nessa clientela os funcionários públicos constituem a corporação principal que capturou o Estado extorsionário dos sujeitos passivos, no sentido fiscal e no sentido comum. É um Estado que representa a evolução natural do Estado Novo corporativista criado pelo salazarismo.

ACREDITE SE QUISER: Notícia seria matança de cozinheiro em congresso de cabritos

Expresso diário

17/11/2017

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (10) - A maldição do jornalismo promocional, outra vez?

Como se poderá confirmar em outros posts desta série, o jornalismo promocional - uma variedade do jornalismo de causas - está frequentemente associado a uma maldição que leva as empresas promovidas a passar pelas maiores trapalhadas e no limite algumas delas a desaparecerem.

Espero que não seja o caso da Farfetch, uma plataforma de venda de artigos de luxo, o único unicórnio português - unicórnio segundo o jargão startápico é uma empresa tecnológica que foi avaliada em mais de mil milhões de dólares.

Mas receio que seja, porque desde 2007 até hoje, a Farfetch só perdeu dinheiro num total de quase 100 milhões de euros, dos quais 38 milhões só no ano passado, prejuízos que lhe comeram os capitais próprios negativos em quase 80 milhões de euros. É claro que existem a Amazon (desde a fundação), o Facebook (nos primeiros anos), a Tesla e várias outras empresas que perderam ou ainda perdem imenso dinheiro, crescem desalmadamente e estão cotadas em bolsa por dezenas ou centenas de vezes o seu valor contabilístico. Só que são todas elas empresas que criaram produtos ou serviços disruptivos o que não parece ser o caso da Farfetch. Pode ser que seja um unicórnio, mas até ver não apostaria neste cavalo.

Porém, a maior dúvida sobre o futuro radioso da Farfetch é a intensa paixão que está a provocar nos meios do jornalismo promocional, com destaque para o semanário de reverência que já tem um longo currículo de promoções falhadas.

DIÁRIO DE BORDO: E o Assange? E o Bill?

A lista de acusados de assédio sexual cresce todos dias. O último de que tenho conhecimento é o senador Al Franken que segundo o NYT foi acusado de beijar e apalpar uma apresentadora há 11 anos.

Desta vez é um senador democrata, haja Deus! O que me leva a completar a pergunta e o Assange? ainda falta muito? com e o Bill? Tudo porque Henrique Raposo, um rapaz sensível que também repudia a doutrina Somoza, se perguntava «já podemos destituir Bill Clinton?», recordando o vasto currículo do ex-presidente americano que culminou com o caso Monica Lewinsky, encerrado com a complacência das feministas democratas com um «I did not have sexual relations with that woman», dito com a argúcia de um advogado no distinguo entre coitus e fellatio e a linguagem corporal de um mentiroso consumado.

16/11/2017

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O fingimento como forma de governar

«O segredo da actual solução de governo sempre consistiu num jogo de sombras políticas: o governo finge que dá mais do que efectivamente dá, e os partidos que o apoiam fingem que recebem mais do que efectivamente recebem. Este jogo infantil faz feliz a União Europeia, na medida em que o país lá vai cumprindo as metas sem chatear muito – e com o patrocínio, imagine-se, da extrema-esquerda –; faz feliz PS, Bloco e PCP, pois permite-lhes encherem a boca com o sucesso das reversões e com o esgarçado “virar da página de austeridade”; e faz felizes milhões de portugueses, estranhamente disponíveis para serem enganados. Contudo, há alturas em que o choque entre o simulacro de realidade e a própria realidade é inevitável, produzindo momentos absolutamente caricatos.

(...)

Neste jogo de sombras todos se mexem, todos dizem coisas, todos parecem desempenhar os seus papéis, mas ao fim do dia só sobra uma tremenda opacidade, porque ninguém fala claro. Não se percebe o que é que Mário Nogueira festejou, não se percebe o que é que o governo prometeu, e não se percebe o que é que os professores ganharam. O governo inventou ontem o descongelamento de carreiras sem impacto no Orçamento de Estado. O que é isso? Nenhuma ideia. Mas, por favor, palmas para os grandes artistas.»

Excerto de «Descongela e põe no frigorífico», João Miguel Tavares no Público

Mitos (266) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (4)

Outros mitos: (1), (2) e (3)

Os pergaminhos académicos não impedem que se caia nas mesmas falácias de sempre, neste tema contaminado pela ideologia. É o caso do artigo «Coladas ao chão com um tecto de vidro» de Luís Aguiar-Conraria, no Observador, onde em substância se conclui, com base numa amostra de 640 mil trabalhadores, que «a desigualdade salarial média em Portugal anda na casa dos 20%. Por um lado, menos mulheres acedem a profissões bem pagas; por outro, mesmo dentro da mesma profissão, as mulheres têm salários menores.»

Ora, uma vez mais, a desigualdade de que trata Conraria não pode ser a desigualdade para trabalho igual, ou seja para a mesma função ou posto de trabalho. Se fosse, estaríamos perante situações ilegais em milhares de empresas. É uma desigualdade perante a "profissão" e o problema está no que é uma "profissão".

Usando uma pitada de reductio ad absurdum, se entendermos, por exemplo, que "funcionário público" é uma "profissão" teremos de concluir que as mulheres são melhor pagas nesta "profissão", como aqui já referi. A explicação é simples: as mulheres estão em larga maioria nos professores que têm salários mais altos do que a maioria dos funcionários públicos, o que explica ser o salário médio das mulheres funcionárias públicas mais elevado do que o dos homens.

Vejamos as conclusões mostradas no diagrama seguinte de um outro estudo, já citado aqui, baseado no que respeita à Grã-Bretanha numa amostra de 8,7 milhões de trabalhadores - uma dimensão 14 vezes superior à de Conraria.

Economist
Também nos 3 países citados existe uma desigualdade acentuada entre os salários de homens e mulheres quando se observa a totalidade da amostra, desigualdade que se reduz a quase nada quando se comparam os salários para o mesmo posto de trabalho, empresa e função.

Suspeito que se Conraria definisse com rigor os conceitos e se, um SE com maiúsculas, tivesse acesso a dados com o detalhe necessário e os trabalhasse com metodologias adequadas, chegaria a conclusões comparáveis. Ou seja a conclusão de que nas economias modernas se pratica o princípio de a trabalho igual, salário igual.

Repetindo-me, o que é desigual é o acesso a certas profissões ou funções, consequência de mais de uma centena de milhar de anos de divisão do trabalho por sexos. Divisão de trabalho que a evolução tecnológica está a tornar cada vez mais obsoleta e que acabará por desaparecer, mesmo sem a engenharia social baseada em ejaculações legislativas. Aliás, suspeito que essa engenharia social em duas ou três gerações terá de trocar a discriminação positiva das mulheres pela discriminação positiva dos homens que precisarão dela para compensar a confusão nas suas mentes resultante do conflito entre as suas hormonas e os comportamentos feminizantes induzidos e de uma escola cada vez mais formatada para ensinar o sexo feminino.

Sugestão de leitura para quem queira aprofundar o tema deste tipo de falácias: «Male-Female Facts and Fallacies», um capítulo de Economic Facts and Fallacies, de Thomas Sowell.

15/11/2017

Dúvidas (210) - Como conseguem eles crescer assim sem Costa?

Depois do crescimento de 3% no 2.º trimestre, que tem tanto a ver com as medidas do governo da geringonça como os incêndios de Pedrógão, o 3.º trimestre registou um crescimento de "apenas" 2,5%, o que tem tanto a ver com o governo como o incêndio do Pinhal de Leiria. Ou, para ser exacto, talvez tenha a ver um pouco mais. Afinal a desaceralação no 3.º trimestre deve-se a um crescimento das importações superior aos das exportações e ao aumento do consumo em detrimento do investimento e isto, sim, tem a ver com as políticas e os incentivos da geringonça.

Ainda assim 2,5% é um excelente crescimento. Ou não? Depende. Nem por isso, se o compararmos com os 3,7% da Hungria, os 4,2% da Polónia, os 4,3% da República Checa e os 5,7% da Roménia, nem por acaso todos eles países comunistas até à década de 90.


Fonte: The Economist Espresso

De onde, apetece-me concluir, 43 anos em que a esquerda, numa das suas diversas encarnações, governou dois terços do tempo, é uma herança mais pesada do que um período equivalente de regime soviético na Europa de Leste.

DIÁRIO DE BORDO: Júpiter visto por Juno

Hemisfério sul de Júpiter fotografado pela sonda Juno

14/11/2017

Exemplos do costume (53) - Dá sempre jeito ter uma negaça de reserva

Tancos, colapso da Protecção Civil administrada pelos boys amigos de Costa na resposta aos incêndios (110 mortos), SIRESP contratado por Costa, SNS a colapsar, trafulhice nas filas de espera das cirurgias, legionella (5 mortos), cativações e engenharia orçamental, geringonça a desequilibrar-se só com duas pernas, greves, comunistas a acabarem a «paz social», comédia do Panteão Nacional...

Que tal se desenterrar o caso Tecnoforma? Dezenas de referências nos mídia nos últimos 7 dias.

ne·ga·ça 
(espanhol añagaza)
substantivo feminino
1. [Ornitologia Ave artificial que atrai as que andam voando. = CHAMARIZRECLAMO
2. [Figurado]  O que serve para atrair ou chamar a atenção. = ATRACTIVOCHAMARIZENGODO
3. Artifício para atrair com engano. = LOGRO
4. Negação ou recusa.

"negaça", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha]

CASE STUDY: Sant'Isaltino, o autarca milagreiro

Depois de uma ausência de 6 anos, durante os quais foi julgado, condenado e esteve preso quase 2 anos por corrupção passiva, fraude fiscal, branqueamento de capitais e abuso de poder, Isaltino Morais voltou à presidência da câmara de Oeiras. Ganhou as eleições de 1 de Outubro com maioria absoluta, derrotando a lista do anterior presidente Paulo Vistas, o seu vice durante dois mandatos, a quem acusou de ter manipulado um juiz para invalidar a sua candidatura.

Gradualmente e sobretudo nos últimos meses foi visível a degradação dos serviços camarários que pioraram até ao dia das eleições. Como indícios mais visíveis, raramente se via nas ruas de Oeiras o pessoal de limpeza e o lixo acumulava-se frequentemente nos pontos de recolha.

Pois bem, como que por milagre, nos dias imediatos à eleição e ainda antes da tomada de posse em 21 de Outubro, começaram a aparecer resmas do desaparecido pessoal da limpeza, com uniformes renovados, e o lixo recomeçou a ser recolhido regularmente sem falhas.

Além do milagre de Sant'Isaltino, é claro que existem outras explicações mais racionais para este fenómeno prodigioso, mas não vou entrar do domínio das teorias da conspiração.

DIÁRIO DE BORDO: E o Assange? Ainda falta muito?

Harvey Weinstein, Terry Richardson, Kevin Spacey, Dustin Hoffman, James Franco, Ben Affleck, Louis C.K e muitos outros (ver aqui uma lista de 40 nomes) foram acusados de assédio sexual anos depois, nalguns casos décadas depois dos actos.

Todos os dias são acrescentados novos nomes. Procuro o de Julian Assange, desde há seis anos com um pedido de extradição da Suécia - uma democracia falhada - por estupro e abuso sexual, e desde 2012 "refugiado" na embaixada em Londres do Equador - aquele país modelo de democracia. Em vão, até agora.

Actualização:
«Mensagens privadas trocadas através do Twitter revelam que o Wikileaks pediu ao filho do actual Presidente dos EUA para sugerir Julian Assange para o cargo de embaixador australiano em Washington» (Público). Vamos ver se com isto adicionam o Julian à lista dos mal-comportados.

13/11/2017

Pro memoria (366) - José Sócrates tinha razão

Continuação desta indignidade.


«O Costa não tem 'tomates' (...) ele é um merdas», José Sócrates, que foi chefe de Costa durante vários anos, gravado durante as escutas da Operação Marquês.

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (109)

Outras avarias da geringonça.

Os episódios da Web Summit mostram um Costa no seu melhor: a apropriar-se de tudo o que lhe parece sucesso, ainda que pouco ou nada tenha a ver com ele, e a passar culpas para o governo de Passos Coelho de tudo o que corre mal e lhe seja imputável. Usando as suas palavras sobre o jantar no Panteão Nacional, que poderia ter evitado e não evitou, a sua atitude é absolutamente indigna.

Outro exemplo glorificado pelo governo que pouco tem a ver com ele é a eleição para o conselho executivo da UNESCO. O comunicado do MNE salienta o facto de Portugal ter estado nesse conselho pela última vez entre 2005 e 2009 durante o governo Sócrates e voltar agora devido ao reconhecimento internacional - estamos a falar de um conselho com 58 dos 193 países membros da ONU o que só por via da aritmética levará cada membro da ONU a passar por lá regularmente.

12/11/2017

Pro memoria (365) - Absolutamente indigno e ofensivo é Costa ter «revertido» todas as medidas do governo anterior...

«António Costa diz que jantar da Web Summit no Panteão Nacional é “absolutamente indigno” e “ofensivo”

(...) e Ministério da Cultura diz que "estranhou" o evento. Ambos culpam lei do governo anterior, mas tiveram dois anos para alterá-la.» (Observador)

... e não ter revertido o que agora considerou «absolutamente indigno» e «ofensivo», ao mesmo tempo que se empenachou com o glamour do evento.

«Paddy, dá cá um abraço, espero que gostes de jantar
ao lado do Garrett, do Delgado e da Amália»
Esta gente não tem emenda, o que me lembra Eça de Queiroz:
«Esta gente não tem que cair, porque não é um edifício; tem que sair com benzina porque é uma nódoa»

Actualização:

«Já houve dez jantares no Corpo Central do Panteão Nacional. O evento final da Web Summit foi o terceiro evento organizado este ano no Panteão.»

«Turismo de Lisboa organizou jantar no Panteão quando Costa era presidente da câmara»

11/11/2017

CONDIÇÃO FEMININA / CONDIÇÃO MASCULINA: Os estereótipos são todos iguais, mas há uns melhores do que outros (2)

Continuação daqui.


O engenheiro de software James Damore trabalhava para a Google antes de resolver escrever um memo de 10 páginas onde tentou mostrar a diversidade biológica entre homens e mulheres, como ele próprio resume no vídeo acima.

A Google despediu Damore e Sundar Pichai, o CEO da Google, explicou que foi por «promover estereótipos prejudiciais de género no nosso local de trabalho». O que escreveu Pichai não é menos preconceituoso ao considerar que os estereótipos da Google são indiscutíveis, ao contrário dos pontos de vista de Damore que são estereótipos.

ARTIGO DEFUNTO: Escreveu a primeira coisa de jeito em anos e... arrependeu-se

O ano passado e há dias escrevi que acho excelente termos umas dezenas de milhar de forasteiros, com um razoável poder de compra, durante quatro dias em Lisboa a lotarem os hotéis, os restaurantes e os bares e a gastarem umas dezenas de milhões de euros. Já quanto aos pensamentos milagrosos que atribuem ao evento virtualidades para transformar o Portugal dos Pequeninos numa pátria de startups e num Silicon Valley manifestei as maiores reservas.

Socorri-me de um dos jornalistas-comentadores mais propenso aos pensamentos milagrosos que constatou com grande desgosto não ter encontrado nenhuma startup com sucesso que tivesse nascido do parto do ano passado e que a Web Summit não atraiu novas ideias nem investidores para startups portuguesas. Deve ter sido o pensamento mais sensato e realista que a criatura produziu durante a sua já longa carreira.

Pois, foi sol de pouca dura. Reparei agora que, poucos dias depois, Nicolau Santos se desdisse, talvez chamado à pedra pelos polícias do pensamento oficial - especulo eu -, atribuindo o que escreveu antes a ter sido vítima da sua impaciência - eu diria que sucumbiu ao realismo, o que para a criatura deve ser uma espécie de bacilo de Koch.

Para se desdizer cita vários sucessos de startups portuguesas desde a Farfetch e a Feedzai até à Critical Software, a Ciscog e a Outsystems cujo sucesso nada tem a ver com a Web Summit, aliás as 3 últimas são até anteriores à primeira Dublin Web Summit em 2009. Maravilha-se pelo facto de na Irlanda irem lá 25 startups portuguesas e em Lisboa estarem 250 - se contasse as startups irlandesas era capaz de chegar a números comparáveis. Resta o quê? Resta essencialmente o impacto no turismo, na hotelaria e na restauração que o bom do Nicolau estima em 200 milhões, o que para 60 mil pessoas a ficarem 4 dias dá uma média superior a 800 euros por pessoa/dia o que mostra que o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que cantam voltou a usar na sua estimativa o multiplicador keynesiano, como já tinha feito com as autoestradas.

Para um retrato realista do impacto da Web Summit nas meninges dos investidores, recomendo a leitura do artigo do DN - estranhamento tresmalhado do pensamento oficial - com um título que é um bom resumo «Investidores há, não chegam é a abrir a mala do dinheiro».

10/11/2017

Pro memoria (364) - Costa dos Afectos

Palavras para quê? É um artista português.

«O primeiro-ministro tem emoções, afinal. Mas tem apenas uma, a euforia em face de uma websummit. O que o homem suava de contente. Only human, after all.» escreve a Pluma Caprichosa, que, apesar de se ter disposto a limpar a folha do ex-primeiro-ministro (*), que está na primeira foto numa cena ternurenta com o actual, só agora se apercebeu do Costa dos Afectos cuidadosamente escondido dos olhares profanos.

(*) Já reconheceu que foi uma asneira e que o fez a pedido de Mário Soares.

DIÁRIO DE BORDO: Enough is enough!

Há quinze anos duas comediantes que formavam um duo tiveram a oportunidade de participar num festival de comédia. Depois do espectáculo os bares já estavam fechados e foram convidadas por uma celebridade do mundo da comédia para beberem um copo no seu quarto do hotel. Aceitaram. Quando chegaram ao quarto Louis C.K., um conhecido comediante americano, perguntou-lhe se podia tirar o pénis das calças. Elas, duas mulheres adultas e com experiência de vida, riram, acharam piada e ficaram. Louis C.K de seguida despiu-se a masturbou-se em frente delas.

Quinze anos depois, aproveitando o tsunami mediático do caso Weinstein, Louis C.K., que é reconhecido como um promotor da carreira de mulheres, é acusado publicamente por aquelas duas artistas e várias outras de masturbar-se na sua presença, com o seu consentimento, note-se. (fonte NYT)

Debato-me com o dilema de não saber se é mais patético o ridículo a que se expôs Louis C.K. ao ficar a sacudir o pénis à frente de duas marmanjas se a falta de decência dessas marmanjas ao viram quinze anos depois relatar o espectáculo a que consciente e voluntariamente assistiram.

Já foi atravessada a fronteira da insanidade.