Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

04/03/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (107a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Como distrair a populaça com causas fracturantes marginais

Alguém se lembra da campanha para legalizar a adopção de crianças por casais gays que em 2016 levou o parlamento a aprovar a lei que entrou em vigor em 1 de Março de 2016? A coisa era apresentada como se dezenas de milhar de gays estivessem em estado de desespero. Pois bem, em oito anos 40 (quarenta) casais adoptaram 55 (cinquenta e cinco) crianças.

Situação e oposição concordam que a Defesa Nacional não é uma prioridade

Os líderes do PSD e do PS concordam que aumentar a despesa com a defesa para atingir o compromisso de 2% do PIB assumido com a NATO pode esperar até 2028 ou 2030, respectivamente. E invasão da Ucrânia pelos exércitos putinescos não quer dizer nada? Pois parece que não talvez. Talvez acreditem que os portugueses viveriam muito bem como parte do império russo.

O que nos diz o investimento directo estrangeiro sobre o que pensa a estranja do Portugal socialista?

Diz-nos que a estranja não pensa grande coisa porque o montante do IDE voltou a descer de cerca de 8 milhões em 2022 para cerca de 6,8 milhões em 2023, dos quais mais de metade foi investimento imobiliário, o qual cresceu de cerca de 1,6 mil milhões em 2020 (23% do total) para 3,9 mil milhões em 2023 (57% do total). (fonte BdP)

Se quisermos ser optimistas, diz-nos que estranja acha que Portugal é um país bom para viver, mas não para produzir.

O que nos dizem as exportações de bens sobre o sector exportador?

Dizem-nos que o sector exportador tem baixa produtividade e é pouco sofisticado, visto que representando metade do PIB só representa um quinto do valor acrescentado total. Diz-nos também que a dimensão das empresas exportadoras é muito baixa e que mais de 90% das empresas só representam 23% do valor exportado.

Expresso

E também nos dizem que é mais uma área onde o PS agita os 50% que as exportações representam do PIB quando só atingiram 48% em valor nominal influenciado pelo aumento dos preços ou 46% se considerarmos o valor real. (fonte Ricardo Pinheiro Alves)

O Portugal dos Pequeninos ao serviço da vaca marsupial pública

Um inquérito da DGAEP mostrou que 84% dos funcionários públicos inquiridos prefere a redução de horário sem perda de salário com uma semana de quatro dias.

O PS avariou o elevador social e as consequências serão pesadas

mais liberdade

Não é preciso ser um cientista social para olhar para o diagrama e concluir que os filhos dos pobres continuarão pobres – a especialidade do socialismo é a criação de pobres. Se admitirmos, como nós aqui no (Im)pertinências, que o talento está aleatoriamente distribuído, daqui resulta um enorme desperdício.

O estado natural das empresas públicas do Estado sucial é o estado de falência

O Conselho das Finanças Públicas apurou que um terço das empresas públicas está em estado de falência técnica, isto é, tem capitais próprios negativos ou, dito de outra maneira, tem um passivo superior ao activo, o que numa empresa privada determinaria a obrigação do órgão de gestão a apresentar à insolvência.

(Continua)

03/03/2024

American foreign policy delusions

«For 30 years American foreign policy has struggled with delusions that the end of the cold war meant the world was somehow overcoming history. It has turned out, to Washington’s sorrow, that the internet and capitalism did not make liberal values self-actualising in China or Russia. They did not guarantee democracy in Afghanistan or in Arab countries, even when backed up by American might. Now it appears that some nations still harbour revanchist ambitions. That was as true in the second world war as it was in the first, and in the Peloponnesian war, too. Only a fool would choose to keep learning these hard lessons all over again.»

What America can learn from Sparta

02/03/2024

Os "governos de gestão" não gerem todos da mesma maneira

Desde as eleições de Novembro, ganhas sem maioria parlamentar pelo Partido da Liberdade liderado por Geert Wilders, que desde essa altura tenta ainda sem sucesso negociar uma plataforma parlamentar que lhe permita governar, os Países Baixos têm um governo que por cá se chamaria de gestão.

O "governo de gestão" liderado por Mark Rutte do VVD, um partido do centro direita que defende a economia de mercado, anunciou há dias que os Países Baixos vão entregar 100 milhões de euros à Ucrânia para munições. O "governo de gestão" do Dr. Costa do PS, um partido que defende o socialismo, anunciou uma contribuição com o mesmo propósito de 1 milhão de euros

A proporção das ajudas dos dois países é 100 para 1. A proporção do PIB (a paridade dos poderes de compra) dos dois países é de 3,5 vezes para 1.

01/03/2024

Dúvidas (368) - Por que são os pobrezinhos de Lisboa muito mais caloteiros do que os do Porto?

Segundo o JN, nos bairros sociais de Lisboa as rendas por pagar atingem 45 milhões de euros a uma média de 2 mil euros por fogo nos cerca de 22 mil fogos. Na cidade do Porto, os números são 25 mil euros em dívida a 2 euros por fogo dos cerca de 13 mil fogos.

Suspeito que não seja suficiente a explicação da câmara de Lisboa ter tido presidentes socialistas em 31 de 46 anos, enquanto a câmara de Porto teve presidentes socialistas em apenas 12 anos no mesmo período. Talvez tenhamos que considerar os séculos em que Lisboa tem sido sede da corte monárquica, republicana, corporativa e socialista, sucessivamente.

A defesa dos centros de decisão nacional (30) - Greenvolt. Está quase feito

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17), (18), (19), (20), (21), (22), (23), (24), (25), (26), (27), (28) e (29)]

Recordemos, uma vez mais, os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que passado algum tempo venderam a estrangeiros as suas empresas e as inúmeras declarações no mesmo sentido da esquerdalhada em geral. Recordemos também que esta necessidade de vender o país aos retalhos surge pelo endividamento gigantesco de públicos e privados e pela consequente descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses.

Pronto, está quase feito. A Autoridade da Concorrência não se opõe à OPA para 60% da Greenvolt pela KKK, uma private equity americana com uma carteira equivalente a 2,3 vezes o PIB português. A Greenvolt é uma das não muitas empresas de sucesso cotada em bolsa com sete accionistas portugueses de referência, entre os quais a Actium, uma participada da Cofina de Paulo Fernandes

As private equity são como o algodão, não enganam. Se compram é porque acreditam que as empresas são viáveis e terão sucesso. Infelizmente, não é possível fazer este teste do algodão a todas as empresas penduradas no Estado sucial o que proporcionaria um excelente critério para identificar os elefantes brancos que circulam em manada pela economia portuguesa. Quando falo de empresas penduradas no Estado sucial não me refiro às empresas públicas. Essas não estão penduradas, estão alojadas na bolsa da vaca marsupial pública, nunca foram viáveis e 1/3 delas estão em situação de falência

29/02/2024

SERVIÇO PÚBLICO: Uma obra de demolição de alguns dos mitos mais populares no Portugal dos Pequeninos (5)

Continuação de (1), (2), (3) e (4

Mais um post sobre os mitos cuja demolição considero mais importante, recordando que os factos que fundamentam a demolição foram amplamente estudados e documentados no livro de Nuno Palma (NP) e nas dezenas de trabalhos de investigação que publicou (cfr o seu Research output).

No post anterior referi a conclusão de NP de que a afluência de ouro do Brasil destruiu a maior parte de uma indústria incipiente (sobretudo nos têxteis, sabão, ferro, vidro e seda). Acrescento que, de acordo com os dados citados, as percentagens da população a trabalhar fora da agricultura (grande parte na indústria) foi crescendo gradualmente a partir de meados do século XVII, atingiu o máximo com mais de 45% em meados do século seguinte para desde então ter decrescido para cerca de 36% em 1890, precisamente no período de afluência do ouro.

Ao mesmo tempo que teve impacto na economia e nas actividades económicas, o ouro brasileiro teve repercussões políticas e sociais significativas. Desde logo, como sublinha NP, criou um capitalismo de compadrio que capturou o Estado e, acrescento, se manteve desde então quase intacto até meados do século XX e nas últimas décadas se transformou num capitalismo dependente pendurado nos fundos europeus.

Na esfera política, um efeito perverso da abundância de receitas extraordinárias do Estado resultou de, a partir de D. João V, o rei ter deixado depender dos impostos que até então precisara de negociar com as Cortes as quais deixaram de reunir a partir de então, iniciando um ciclo de centralização,

Deve salientar-se nesse período, a expulsão dos Jesuítas por Pombal de efeitos profundos no ensino com uma enorme redução do número de estudantes e do nível de ensino das matérias. Tudo isto está bem documentado no livro de NP que conclui que a partir de então Portugal, que antes não estava atrasado na educação, experimentou um retrocesso ainda hoje persistente. 

Vem a propósito citar Jorge Buesco que no seu "Matemática em Portugal" escreveu «a criação do ensino público pombalino foi provavelmente a grande oportunidade perdida para a Matemática em Portugal». Isso explicará a tradicional inumeracia das nossas elites merdosas a que aqui no (Im)pertinências dedicámos muitas dezenas de post sob a etiqueta «a tabuada faz muita falta». Essa inumeracia, que no jornalismo de causas é endémica, junto com a incultura, a preguiça e a falta de escrúpulos explica muita do superficialidade opinativa, na melhor hipótese, ou o enviesamento deliberado, na hipótese mais provável.

(Continua)

28/02/2024

How the Radical Left Conquered Almost Everything for a Time (VIII)

(Continued from IIIIII, IVVVI and  VII)
More examples picked up from those described by Christopher Rufo of neo-Marxism in institutions controlled by the clique of believers.

«Over the past decade the entire range of federal agencies, from the Environmental Protection Agency to the Federal Bureau of Investigation, has adopted critical race theory as an in-house ideology. In quick succession, these department created new programming that condemned the United States as “systematically racist”, interrogated employees for their “whiteness” and demanded loyalty to government by “anti-racism”, or, more accurately, government by the principles of critical race theory.  (…) 
 
Even federal defense contractors have submitted to the new ideology. 
Lockheed Martin, the nation's largest defense firm, sent white male executives on a mission to deconstruct their "white male privilege." The instructors told the men that "white male culture" and the values of "rugged individualism," "hard work," and "striving towards success" were "devastating" to minorities.

Raytheon, the second-largest defense firm, followed suit. The company launched an "anti-racism" program, teaching the principles of "intersectionality" and instructing employees to recognize "interlocking systems of oppression" and "break down power into privilege and marginalization." Whites, according to Raytheon's diversity consultant, "have the privilege of individuality" and must silence themselves in front of minorities. Finally, following the logic of critical race theory to its conclusion, the firm told employees to reject the principle of equality outright. The colorblind standard of "equal treatment and access to opportunities" is not enough; the company must instead strive for "equity," which "focuses on the equality of the outcome. "»

(To be continued)

27/02/2024

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (208) - Mais do que vergonha

Público

Mais do que vergonha, é estupidez porque (1) admitem a decomposição em que deixam o Estado sucial que ocuparam durante oito anos, (2) por isso julgam necessário encontrar um culpado e (3) não encontram ninguém mais à mão do que uma criatura há anos retirada da política - ainda assim, vá lá, não apontaram o Botas ou o Dr. Marcelo (o padrinho do que está em Belém).

É também um insulto à inteligência dos eleitores que não são estúpidos.

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (106b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 106a)

A lenda do corte de pensões pelo governo neoliberal

Nós aqui no (Im)pertinências depois de anos a escrever posts sobre esta lenda que o coro do PS com o situacionismo jornalístico e a comentadoria amiga está constantemente a invocar, já não conseguimos escrever mais nada, pelo que aproveitamos todas as boleias. Desta vez vamos à boleia de Miguel Poiares Maduro e pedindo desculpa pela extensão do excerto, aqui vai uma citação muito esclarecedora:

«Uma década depois talvez seja tempo de distinguir factos de opiniões. Eis os factos. O primeiro corte de pensões ocorreu com o Governo Sócrates que congelou a quase totalidade das pensões e criou a “tristemente famosa” contribuição extraordinária de solidariedade, inicialmente aplicável apenas às pensões mais elevadas. Foi ainda o Governo socialista que, primeiro no PEC4 e depois já no Memorando de Entendimento assinado com a troika, previu o alargamento deste corte para as pensões acima de €1500. Em dezembro de 2011, na segunda revisão do Memorando, já negociada com o Governo de Passos, são previstos cortes adicionais. Determinante nessa revisão foi a descoberta de que a estimativa do défice para 2010, usada como pressuposto das medidas acordadas, era incorreta. A estimativa era de 9,1% do PIB e o défice foi, afinal, de 11,4%. Um buraco de aproximadamente €4 mil milhões nos pressupostos originais do Memorando. Embora a revisão do Memorando previsse que os novos cortes começassem nas pensões de €485, a medida adotada pelo Governo acabou por atingir ‘apenas’ as pensões acima dos €600. Parte destas medidas, tal como outras alternativas subsequentes, vieram a ser anuladas pelo Tribunal Constitucional (TC) sendo parcialmente compensadas pelo igualmente “tristemente famoso” “enorme aumento de impostos”. A jurisprudência do Tribunal também impôs o carácter transitório dos cortes. A grande maioria dos cortes de pensões foi revertida ainda pelo Governo de Passos Coelho com exceção daqueles aplicáveis às pensões mais elevadas.»

Como explicar que com juízes tão competentes a Justiça funcione tão mal?

«Basta atentar na forma como os magistrados são avaliados por outros magistrados, numa lógica obviamente corporativista e da ‘clique’ instalada. Haverá, aliás, outra profissão em que 90% dos avaliados tenham nota equivalente ou superior a ‘Bom’? Ou seja, todos têm praticamente ‘Bom’ ou ‘Muito Bom’ (ou equivalente a ‘Relevante’ e ‘Excelente’)». (Justiça da roleta russa)

Ainda não é o mafarrico, que espera pelo fim da bazuca

Expresso

Por agora é só um aviso: há sete meses consecutivos que o número de desempregados sobe. Em Janeiro estava nos 335 mil, ainda muito longe dos anos negros da crise.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

Também tem sido muito celebrada a redução do rácio de endividamento da economia (relação com o PIB da dívida total pública e privada, excluindo entidades financeiras) que desceu de 28,4% em 2023, apesar do aumento do endividamento em 4,2 mil milhões. Ninguém nos jornais e na comentadoria parece ter reparado que uma boa parte dessa redução se deve exclusivamente ao aumento do PIB nominal por via da inflação.