A maioria das pessoas (que sabem o que é a produtividade) tendem a pensar que a produtividade do trabalho na economia americana é largamente superior à da maioria dos países da União Europeia. O que é verdade quando medimos a produtividade do trabalho em termos nominais, isto é, pelo valor médio por trabalhador da produção de bens e serviços a preços correntes. Se em vez disso, tivemos em conta o poder aquisitivo da moeda nos diferentes países e compararmos o valor médio da produção por trabalhador a preços a paridade do poder de compra (PPP) a produtividade por trabalhador altera-se nalguns casos substancialmente. Se dermos mais um passo e medirmos a produtividade a PPP por hora trabalhada chegamos ainda a outros valores diferentes.
Há uns meses a Economist fez esse exercício e calculou as produtividades segundo esses três diferentes conceitos. Os resultados representados no diagrama mostram algumas coisas interessantes: a produtividade a PPP por hora trabalhada nos EUA desce quatro lugares no ranking revelando que a produtividade americana se deve em parte a simplesmente trabalharem mais horas; a produtividade asiática (Japão e Coreia do Sul) depende ainda mais das horas de trabalho; a maioria dos países europeus mais desenvolvidos sobe no ranking da produtividade por hora.
Quanto ao Portugal dos Pequeninos, a produtividade medida em qualquer dos conceitos é fraca mas a produtividade total poderia aumentar se trabalhássemos mais horas, ou seja, se fizéssemos o contrário do que o pensamento económico milagroso nos está a sugerir que façamos: a semana dos quatro dias.