Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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29/10/2019

CASE STUDY: Trumpologia (53) - AI (Arrogance and ignorance), as usual

Mais trumpologia.

Depois de ter deixado os curdos, os principais aliados dos americanos no combate ao Estado Islâmico, à mercê do déspota Erdogan, a quem twittou uma bazófia inspirado na sua «inigualável sabedoria» e a quem escreveu no mesmo sentido, o Donaldo recebeu como resposta humilhante que a sua carta tinha ido para o caixote do lixo do déspota.

De caminho, justificou o abandono dos curdos com «kurds didn't help us in Second World War», o que na altura me pareceu uma justificação esfarrapada, até que descobri que, além de esfarrapada, era falsa e revelava a sua habitual e confrangedora ignorância.

Na verdade, os curdos que na época faziam parte do Império Britânico foram mobilizados e incorporados em várias unidades curdas, como a Assyrian Parachute Company, que combateram em inúmeras batalhas da II Guerra Mundial - ver por exemplo o site «Assyrian RAF Levies» e em particular esta página.

20/10/2019

CASE STUDY: Trumpologia (52) - Finalmente, a esquerdalhada encontrou uma alma gémea na Casa Branca

Mais trumpologia.

«Finalmente, a esquerda tem o que sempre quis: um Presidente americano que recusa intervenções militares no Médio Oriente, mesmo quando há populações civis vítimas do uso da força por parte de ditadores, como na Síria, ou compromissos com aliados, como no caso dos Curdos. Enquanto Trump estiver na Casa Branca, não veremos as esquerdas a marcharem nas ruas das cidades europeias contra as guerras americanas. Entretanto, os ditadores da região matam milhares de populações indefesas, e acabam com as minorias Cristãs no Médio Oriente. Veremos se alguma sobreviverá quando finalmente chegar a hora da Europa.

A outra grande causa das esquerdas radicais nas últimas décadas foi o ataque à globalização e ao comércio livre (aqui devemos excluir o PS e outros partidos sociais democratas europeus). Lembram-se das ‘cimeiras anti-globalização’ organizadas por Lula em Porto Alegre, onde as grandes figuras das esquerdas radicais europeias gostavam de ir? As esquerdas radicais nunca esconderam a defesa do protecionismo e do nacionalismo económico contra a globalização americana, à qual que chamam o “consenso de Washington”. Ora, hoje na Casa Branca, há uma pessoa que pensa como as esquerdas radicais contra a globalização e a favor do protecionismo.»

«Trump está a fazer o que a esquerda sempre quis», João Marques de Almeida no Observador

14/11/2018

CASE STUDY: Voltando ao ponto de partida


Economist
Se considerarmos como centro de gravidade da economia mundial as coordenadas do globo terrestre correspondentes à média ponderada pelo peso económico medido pelo PIB das coordenadas das diferentes regiões ao longo da história, chegamos ao mapa construído pela Economist que nos mostra esse centro de gravidade a deslocar-se nos últimos 20 séculos uns 7 ou 8 mil km, o equivalente a cerca de um quinto do perímetro da terra. Curiosamente, voltando quase ao mesmo ponto onde se encontrava no início da revolução industrial.

Em 1989, por alturas do massacre da Praça Tiananmen, o PIB (PPP) da China representava 4% do PIB mundial e actualmente representa 19%, quase 5 vezes mais em termos relativos. Já agora, acrescente-se que, no seu conjunto, as economias emergentes aumentaram a sua quota na economia mundial de 36% para 59%, muito à custa da China, evidentemente. Quando ouvirdes a esquerdalhada (e uma parte da direita, para dizer a verdade) dos países ocidentais queixar-se do empobrecimento da humanidade pela globalização, lembrai-vos que para a esquerdalhada a humanidade reside toda nos países ocidentais, porque na Ásia e em outras regiões do mundo que saíram maciçamente da miséria vivem humanóides.

11/07/2017

Mitos (258) - Os baixos salários chineses estão roubar postos de trabalho nos EU (e na UE)

«One of Donald Trump's frequent claims is that China has been "stealing" US manufacturing jobs, with low wages and poor conditions giving Chinese firms an unfair advantage. Recent analysis by The Economist intelligence Unit shows that, in fact, the days of Chinese wages being low are long gone. A shrinking workforce and fast productivity growth has meant that average monthly wages in China are now higher than in almost every country in Latin America and surpass those in a number of EU countries as well. Anyone who talks to people with operations in China won't be surprised: rapidly rising wages are a common business challenge.»

Simon Baptist, Chief Economist (The Economist)

22/12/2016

CASE STUDY: A cada um a sua globalização

Um pouco por todo o lado, a globalização ou o que é tido como tal (no essencial, simplesmente a redução das barreiras ao comércio internacional), desde sempre ostracizada pela esquerda de inspiração marxista e mal amada pela direita, foi convertida por toda a esquerda e pela direita não liberal na bête noire dos povos, causadora do desemprego e em geral de todos os males, à falta de outra explicação.

Um pouco por todo o lado? Não exactamente. Muito nuns lados, quase nada nos outros. Ora vejam-se os diagramas seguintes (fonte) que mostram a distribuição das atitudes face à globalização das populações de 19 países.


Como seria de esperar, a França lidera as atitudes negativas face à globalização, que os franceses baptizaram de mondialisation (l'exception française, voilà). A novidade são os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. E, no entanto, esses três países e vários outros foram durante décadas dos que mais beneficiaram com a globalização. No extremo oposto, encontramos como amantes da globalização os países que nos últimos anos estão a sair da miséria por via dela. Curiosamente, não é visível praticamente nenhuma relação entre esta atitude e a relacionada com os imigrantes que parece muito mais influenciada por factores culturais e pela homogeneidade ou diversidade étnica.

O segundo diagrama confirma as suspeitas. Quanto mais dinâmicas foram no passado recente as economias dos países e maiores ganhos tiverem os respectivos povos, mais positivas são as suas atitudes face à globalização. Não deveria ser uma surpresa, pois não?

21/12/2015

CASE STUDY: As previsões do marxismo-leninismo são comparáveis às profecias de Nostradamus (5)

Recapitulando: o culminar da impiedade com que a história trata o marxismo-leninismo é começo da inversão da relação de dominação. Hoje o capital das ex-colónias invade as antigas metrópoles. Para só citar dois exemplos de antigos impérios coloniais, além do clássico Estados Unidos–Inglaterra e do pedido de «ajuda» no auge da crise da UE à China: a Índia compra empresas britânicas em dificuldades e Angola e o Brasil fazem o mesmo com Portugal. Marx, Engels e Lenine revolvem-se nas respectivas tumbas e Mao Ze Dong prepara um Grande Salto no Além. Acrescentemos ainda à contra-revolução as remessas dos imigrantes nos países imperialistas.




06/10/2015

CASE STUDY: As previsões do marxismo-leninismo são comparáveis às profecias de Nostradamus (4)

[Continuação de (3)]

«The combination of Lenin's genius for propaganda and an audience receptive to his thesis allowed his theory of imperialism to be widely accepted among intellectuals, activists and people in the Third World. Exploitation is a virtually perfect political explanation of income differences. It validates whatever envy or resentment may be felt by people with lower incomes toward people with higher incomes. It removes whatever stigma may be felt from implications of lower ability or lower performance on the part of those with lower incomes. It locates the need for change in other people, rather than imposing the burden of change on those who wish to rise. Moreover, it replaces any such burdensome task with a morally uplifting sense of entitlement. Whatever the empirical and logical problems with the theory of exploitation, political movements are seldom based on empirical evidence and logic.

Those who blamed the poverty of Third World nations on colonialism continued to blame the legacy of colonialism for decades after most of these Third World colonies became independent nations. The same belief provided a basis for independent Third World nations to confiscate the property of foreign investors who were seen as "exploiters". ln the places where there were sizable European settler communities, as in Zimbabwe or South Africa, such beliefs provided rationales for dispossessing the European settlers. However, in doing so, Third World governments inadvertently revealed the fallacy of the belief that physical wealth was crucial.

If it was, such confiscations would improve the economic conditions of the indigenous population. But, if it was the internal knowledge, skills, and cultural patterns which produced prosperity, then the transfer of physical wealth from those who had the necessary knowledge, skills, and cultural patterns to those who did not would have very different consequences. The African nation of Zimbabwe was an all too typical example. Zimbabwe repudiated the last remnants of its colonial past in the early twenty-first century by dispossessing white landowners, with these results, as reported the New York Times:
“For close to seven years, Zimbabwe's economy and quality of life have been in slow, uninterrupted decline. They are still declining this year, people there say, with one notable difference: the pace is no longer so slow ...
In recent weeks, the national power authority has warned of a collapse of electrical service. A breakdown in water treatment has set off a new outbreak of cholera in the capital, Harare. All public services were cut off in Marondera, a regional capital of 50,000 in eastern Zimbabwe, after the city ran out of money to fix broken equipment. ln Chitungwiza just south of Harare, electricity is supplied only four days a week.”»

Exploitation, Economic Facts and Fallacies, Thomas Sowell

02/10/2015

CASE STUDY: As previsões do marxismo-leninismo são comparáveis às profecias de Nostradamus (3)

«Perhaps the most famous and most influential explanation of economic differences between rich and poor nations was V. l. Lenin’s Imperialism. lt was a masterpiece in the art of persuasion, for it convinced many highly educated people around the world, not only in the absence of compelling empirical evidence, but in defiance of a large body of hard evidence to the contrary.

The thesis of Imperialism was that industrial capitalist nations had surplus capital, which would drive down the rate of profit over time in accordance with Marxist theory, unless it were exported to the nonindustrial poorer nations of the world, where it could find a wider field for exploitation. What Lenin called the "super profits" to be earned in these poorer nations would save capitalism in the industrial nations and even allow them to share some of the fruits of their exploitation with their own working-classes, so as to keep them quiescent and forestall the proletarian revolution which Marx had predicted, but which by Lenin's time showed no signs of materializing. This theory thus neatly explained away the failure of Marx's predictions and at the same time provided a politically satisfying explanation of income differences between rich and poor nations.

A table of statistics in Imperialism provided a crucial summary evidence for Lenin's theory. The countries listed in capital letters across the top of the table are the industrial capitalist nations that were investing the various sums of money shown in the places listed in smaller letters along the side of the table - supposedly in the poorer and less industrially developed parts of the world. But the huge and heterogeneous categories - for example, "America," meaning the entire Western Hemisphere - make it impossible to know whether the industrial nations' investments are being made in the less industrial parts of these sweeping categories or in the more industrialized parts. However, data from other sources make it clear that in fact most of the foreign investments of prosperous industrial nations went to other prosperous industrial nations - then and now.

The United States was then, and is today, the largest recipient of foreign investment from Europe. Likewise, the foreign investments of Americans went primarily to other prosperous modern nations, not to the Third World. For most of the twentieth century, the United States invested more in Canada than in all of Africa and Asia put together. Only the economic rise of postwar Japan and, later, other Asian industrializing nations, attracted American investments to Asia on a large scale in the latter part of the twentieth century. In short, the actual pattern of international investments went directly opposite to the theories of Lenin, who concealed that fact within his large and heterogeneous categories of investment recipients.»


Exploitation, Economic Facts and Fallacies, Thomas Sowell

(Continua)

07/09/2015

CASE STUDY: Colocando em perspectiva a queda abissal das bolsas chinesas (2)

Com o seu pendor para o simplismo e o catastrofismo, os mesmos jornalistas e opinion dealers que veneram o intervencionismo dos bancos centrais a ditarem o preço do dinheiro e a entorná-lo na economia, fabricando lenta e seguramente a próxima crise, fizeram soar os alarmes com a queda das bolsas chinesas anunciando o crash galáctico, escrevi aqui há duas semanas.

Fonte: Bloomberg
Acrescento agora que, depois das quedas abissais dos últimos 3 meses, o valor do índice Shanghai Shenzhen CSI 300 era 3.365,8 no dia 2 de Setembro apresentando uma valorização de 38,4% em relação ao valor 2.432,4 de há um ano, ou seja tem ainda muito espaço para descer. Os valores de todos os outros principais índices estão agora abaixo de há ano. O que dirão os mesmos jornalistas e opinion dealers que já gastaram os adjectivos disponíveis há 2 semanas quando as bolsas chineses voltarem a cair?

26/08/2015

CASE STUDY: Colocando em perspectiva a queda abissal das bolsas chinesas

Com o seu pendor para o simplismo e o catastrofismo, os mesmos jornalistas e opinion dealers que veneram o intervencionismo dos bancos centrais a ditarem o preço do dinheiro e a entorná-lo na economia, fabricando lenta e seguramente a próxima crise, fizeram soar os alarmes com a queda das bolsas chinesas anunciando o crash galáctico.

Fonte: Bloomberg
O catastrofismo seguiu-se à aceitação com grande naturalidade da subida vertiginosa dos índices chineses nos 6 meses anteriores a Junho, subida que nunca poderia ser explicada pelos fundamentais da economia e que resultou igualmente do intervencionismo do banco central chinês. Como explicar de outro modo que as empresas chinesas cotadas passaram a valer o dobro do que valiam 6 meses antes? Como tudo o que sobe, mais tarde ou mais cedo, desce… poderá descer ainda mais porque o índice Shanghai Shenzhen CSI 300 continua acima do nível do início da injecção de anfetaminas do banco central chinês em Novembro do ano passado.

Capitalização bolsista [Fonte: Bank of America Merrill Lynch (via Market Watch)]
O outro aspecto da questão é a capacidade de propagação do crash bolsista chinês quando se sabe que a capitalização das bolsas chinesas vale menos de 30% das japonesas e menos de 5% das americanas. A razão principal do pânico se ter propagado às outras bolsas tem mais a ver com o sentimento da volatibilidade das bolhas criadas pelo intervencionismo dos bancos centrais americano, britânico e europeu do que pela importância relativa dos mercados de capitais chineses.

10/01/2015

CASE STUDY: As previsões do marxismo-leninismo são comparáveis às profecias de Nostradamus (2)

Continuação de (1)

Se as teorias segregadas pelo marxismo-leninismo forem avaliadas pelo seu rigor preditivo, um critério em última instância que separa a ciência da superstição, as previsões do marxismo-leninismo seriam comparáveis às profecias de Nostradamus.

«Karl Marx said that the world would be divided into people who owned the means of production—the idle rich—and people who worked for them. In fact it is increasingly being divided between people who have money but no time and people who have time but no money. The on-demand economy provides a way for these two groups to trade with each other.»

Workers on tap, Economist

01/06/2013

DIÁRIO DE BORDO: Viva o capitalismo, a globalização, o liberalismo clássico e a juventude (liberal)

Infelizmente só se encontram vestígios do liberalismo clássico e dos jovens liberais nesta jangada de pedra. Tratemos, pois, esses vestígios como se fossem espécies em ameaçadas.

01/03/2013

SERVIÇO PÚBLICO: Um mundo mais global e muito mais urbanizado

«A massive wave of urbanization is propelling growth across the emerging world. This urbanization wave is shifting the world’s economic balance toward the east and south at unprecedented speed and scale. It will create an over-four-billion-strong global “consumer class” by 2025, up from around one billion in 1990. And nearly two billion will be in emerging-market cities. These cities will inject nearly $25 trillion into the global economy through a combination of consumption and investment in physical capital


[Fonte: Unlocking the potential of emerging-market cities, McKinsey Quartely]

30/10/2011

CASE STUDY: As previsões do marxismo-leninismo são comparáveis às profecias de Nostradamus

Se as teorias segregadas pelo marxismo-leninismo forem avaliadas pelo seu rigor preditivo, um critério em última instância que separa a ciência da superstição, as previsões do marxismo-leninismo seriam comparáveis às profecias de Nostradamus.

O empobrecimento da classe operária nos países capitalistas transformou-se primeiro em aburguesamento e depois na sua quase extinção. A revolução socialista que deveria acontecer nos países capitalistas avançados foi acontecer numa Rússia rural, atrasada e retrógrada. O caminho para a sociedade sem classes, a que supostamente conduziria à revolução socialista, desembocou numa sociedade sem liberdades, sem prosperidade, esmagada por um poder despótico que implantou um imperialismo predador e agressivo e num estertor final implodiu. Sempre segundo a vulgata, teria sido o capitalismo monopolista a culminar no imperialismo – o último estádio do capitalismo, os países da periferia deveriam ter sido vítimas de uma exploração impiedosa e deveriam ter-se empobrecido, tal como a classe operária dos países imperialistas.

A queda do império soviético abalou profundamente estas tretas ideológicas até ao ponto que só mesmo os sacerdotes da religião continuaram a ter lata para as defender. O fenómeno da globalização veio revigorar uma espécie de teoria pós-moderna do imperialismo que no essencial previa o mesmo caminho da clássica: o progressivo empobrecimento os países subdesenvolvidos, depois rebaptizados pelo politicamente correcto como países em via de desenvolvimento.

Uma vez mais a realidade contradiz a profecia. Uma imagem vale mais do que mil palavras, poderia ter dito Mao Ze Dong. Neste caso quatro imagens valem mais do que quatro mil palavras.



O culminar da impiedade com que a história trata o marxismo-leninismo é começo da inversão da relação de dominação. Hoje o capital das ex-colónias invade as antigas metrópoles. Para só citar dois exemplos de antigos impérios coloniais, além do clássico Estados Unidos–Inglaterra e do recentíssimo pedido de «ajuda» da UE à China: a Índia compra empresas britânicas em dificuldades e Angola e o Brasil fazem o mesmo com Portugal. Marx, Engels e Lenine revolvem-se nas respectivas tumbas e Mao Ze Dong prepara um Grande Salto no Além.

[Algumas leituras recomendadas na Economist: Power shift; Why the tail wags the dog; The new special relationship; The celestial economy; A game of catch-up]

31/12/2010

SERVIÇO PÚBLICO: Na Europa, jogando no campeonato chinês

Um dos nossos dilemas resulta de 75% das exportações ter como destino a UE (dados de Out. 2009-Set. 2010 do Boletim Mensal de Estatística de Novembro do INE) e nosso concorrente principal ser a China.

Ou seja, produzimos e exportamos bens de baixa e média tecnologia em que mais de metade em valor das exportações está em concorrência directa com produtos chineses fabricados com incorporação de mão-de-obra custando menos de 1/3 da portuguesa (ao salário mínimo português de 475€ contrapõe-se o chinês de 130€). Não somos competitivos face aos nossos parceiros, porque temos uma produtividade de 1/3 da alemã ou francesa e não somos competitivos face à China porque, apesar de uma produtividade maior, temos custos de mão-de-obra muito mais elevados.

Por falar em comércio externo, convém mitigar as comemorações sobre a melhoria da balança comercial que no período Out. 2009-Set. 2010 diminuiu, de facto, face ao período homólogo anterior o saldo negativo de 20,1 para 19,9 mil milhões, porque a taxa de cobertura pelas exportações continua a um nível insustentável (64%).
[Gráfico daqui]

09/11/2009

LOG BOOK: Be prepared, be very prepared

«Be prepared, be very prepared

Recognising the political shortcomings of globalisation should redouble Western liberals’ determination to defend it: to close the gap in the right way. That involves a myriad of things, from promoting human rights to designing better jobs policies. But it also requires defending the enormous benefits that capitalism has brought the world since 1989 more forcefully than the West’s leaders have done thus far. And above all perhaps, taking nothing for granted.»

[So much gained, so much to lose, Nov 5th 2009, The Economist print edition]

07/07/2008

Os europeus em geral não se podem queixar da globalização. Os portugueses em particular podem-se queixar deles próprios.

A new book * by a pair of academics from America's Johns Hopkins University finds lots of facts to cheer Europeans up. European consumers (ie, all Europeans when they are shopping) are big winners from globalisation, which has delivered cheap imports, held down inflation and kept interest rates low. Despite the fuss about China and India, the EU's share of world exports rose slightly between 2000 and 2006. What is more, two-thirds of Chinese exports involve foreign brands, a good chunk of which are European. Nor does a “made in China” tag mean big revenues for Chinese firms. In a recent speech defending globalisation, the EU trade commissioner, Peter Mandelson, cited a University of California study into who gains when an iPod is sold in America for $299. Only $4 stays in China with the firms that assemble the devices, Mr Mandelson explained. $160 goes to American companies that design, transport and retail iPods. A similar pattern holds for many European products.

Europeans worry a lot about wage competition. The researchers note that globalisation is not just about wages, but more broadly about finding efficiencies anywhere along complex supply chains. After all, most non-EU employees of European firms live in America, not China (EU and Swiss firms employ some 3.5m workers in America). Yes, European jobs have been lost by offshoring, but unevenly. In France only 3.4% of jobs lost in 2005 could be blamed on offshoring, though there has been a wave of factory closures more recently (see article). Portugal has suffered more: a quarter of its job losses between 2003 and 2006 involved jobs heading overseas, mostly to new EU members.


* “Globalisation and Europe: Prospering in the New Whirled Order”. By Daniel S. Hamilton and Joseph P. Quinlan, Centre for Transatlantic Relations.

[Ver mais aqui]

05/06/2008

O IMPERTINÊNCIAS FEITO PELOS SEUS DETRACTORES: o desenvolvimento económico sem causas

Há dois anos o Banco Mundial reuniu uma comissão dedicada a estudar o desenvolvimento económico. Não para teorizar sobre receitas para o crescimento, mas para analizar em detalhe as razões do sucesso dos únicos 13 países do globo que conseguiram alcançar uma taxa de crescimento superior a 7% ao longo de pelo menos 25 anos consecutivos, a contar em 1950. O crescimento, dizem, não é um milagre, mas pode ser explicado e até repetido.

Como se pode imaginar são quase todos asiáticos (China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coreia (Sul), Malasia, Oman, Singapura, Taiwan e Tailandia) mas não só: Malta, Botswana e Brasil completam a lista. Poder-se-ia acrescentar India e Vietnam, que vão nos 15 anos.
Não há muito em comum entre eles, são grandes e pequenos, autoritários e democráticos, e razoavelmente espalhados pela Terra.
O resultado final deste exercício foi agora publicado e aponta para uma mescla DE recomendações heterodoxas, umas profundamente liberais, outras profundamente de esquerda.

O mercado, a mobilidade laboral, a globalização económica (este considerado como o principal) são essenciais mas também o termo da desigualdade dos géneros, a segurança económica a melhoria na educação e sua extensão a toda a sociedade, a arte de bem governar.... Foram em particular identificados cinco factores que todos esses países tem em comum. Com efeito todos:
1. Exploraram plenamente a abertura da economia mundial
2. Mantiveram estabilidade macroeconómica.
3. Apresentam altas taxas de poupança e de investimento.
4. Deixam aos mercados a aplicação dos recursos disponíveis a investir
5.Tem governos empenhados, credíveis e capazes.

As estratégias baseadas no mercado interno e na aprocura interna não podem ter sucesso, porque fácilmente atingem o limite. E não pode haver limite a prazo, e não autorga à economia a mesma liberdade para especializar-se no que melhor produz.

A democracia é que não parece ser um requisito imprescindível.

O meu papel consistiu em ler os jornais e fazer de relator para vocês: não participei nos trabalhos da comissão (deixei vaga a 21ª cadeira) que integrou académicos, políticos, governadores de bancos centrais, maioritáriamente de países em desenvolvimento. E dois prémios Nobel da Economia.

O crescimento não é um objectivo em si mesmo. Mas é importante porque é essencial para conseguir aquilo que preocupa toda a gente: redução da pobreza, emprego produtivo educação, saúde e oportunidade de ser criativo. É sob este último ponto de vista que a comissão e eu achamos que vocês têm todos razão.

(Os créditos vão para Walter Oppenheimer, autor do artigo a partir do qual compus a minha nota. Gostava até de transcrever o parágrafo final:

"A abertura à economia global á qualificada como a característica compartilhada mais importante e lição central deste relatório. Os países de alto crescimento beneficiam-se de duas formas: por um lado importam ideias, tecnologia e conhecimento do resto do mundo; por outro exploram a procura global para os seus bens, gerada num mercado grande e elástico. Para dizê-lo de forma simples, importam o que o resto do mundo conhece e exportam o que o resto do mundo necessita.")


[de um email de JARF que, não morrendo de amores pelos mercados, percebe que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal]

29/05/2008

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: tirou-me as palavras do teclado

Secção Perguntas impertinentes

Frequentemente, o doutor Mário Soares demonstra-nos que o seu pensamento político já ultrapassou o prazo de validade. Foi assim ontem, outra vez, quando perorou ao DN sobre os seus fantamas recorrentes. A este propósito, leiam-se as palavras certeiras de Camilo Lourenço no Jornal de Notícias:
«Há anos que me interrogo sobre o que leva Mário Soares a falar de questões que não domina. Ontem, a propósito das assimetrias sociais em Portugal (problema gravíssimo), Soares falou, no “DN”, sobre várias matérias: globalização, neoliberalismo, papel do Estado... Do que disse, destaco o ataque à globalização, a quem responsabiliza pelos problemas do mundo, e o apelo ao fortalecimento do Estado, a quem pede para “não entregar a riqueza aos privados” (tirada curiosa, vinda de quem iniciou a abertura da economia aos privados).

Na questão da globalização, Soares parece não saber que a queda das barreiras alfandegárias tirou da miséria mais de 150 milhões de chineses e centenas de milhões de indianos, coreanos, vietnamitas, brasileiros e mexicanos. Por outro lado, esquece-se de que foram os preços baixos, filhos da globalização, que permitiram ao mundo ter hoje acesso a coisas que, sem ela, não poderia pagar.

É impressionante como alguém a quem o País tanto deve (é também graças a si que hoje posso escrever estas linhas) assine um texto que podia ter sido parido por Hugo Chávez ou Fidel Castro.

Compreende-se que Soares queira, em nome da ala esquerda do PS, manietar Sócrates, mas para isso não precisa de fazer má figura. É que a globalização fez mais pelo combate à miséria e democratização do bem-estar, no mundo, do que todas as políticas socialistas juntas desde Marx e Engels.
»
Só faltou perguntar: onde está a riqueza criada pelo Estado que Mário Soares pede para não entregar aos «privados»?

Atribuo ao doutor Soares cinco bourbons, por continuar igual a si próprio, e três chateaubriands, por não lhe ter ocorrido a pergunta cuja resposta teria evitado alguns dislates.