Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
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24/12/2016

ACREDITE SE QUISER: «Um insignificante episódio burocrático»

Inês Pedrosa, jornalista e escritora de causas, enquanto «responsável pela Casa Fernando Pessoa (CFP), decidiu adjudicar vários contratos de fornecimento de serviços com um valor de cerca de dez mil euros, sem consulta a quaisquer outros fornecedores, a um amigo com o qual partilhava a sua habitação. Eram as próprias facturas emitidas por esse prestador de serviços que continham como endereço de contacto a morada de I.P. Além disso, vários outros contratos de valor mais elevado, embora nominalmente adjudicados a terceiros, foram depois executados pelo mesmo prestador de serviços.» (ler aqui a estória contada por José António Cerejo)

Até aqui nada de muito surpreendente. Afinal o nepotismo é uma doença nacional endémica. Mais surpreendente é a carta aberta de desagravo em que 38 luminárias das artes independentes pretendem limpar da folha de Inês Pedrosa o que classificam como «um insignificante episódio burocrático».

22/09/2016

Carta de quem trabalha desde os 16 anos a quem tem o seu rabito pousado no Parlamento e quer tributar quem só dá um beijinho

Pousando «o seu rabito no Parlamento»
Notícias relacionadas:

«E é graças a eles TODOS que a Mariana, sem mérito algum, pousa o seu rabito no Parlamento. Porque não fossem eles, não haveria salário para nenhum de vós, que a bem dizer, é um desperdício. O país não precisa de parasitas que estudam meios para conseguir roubar mais a quem os sustenta. Precisa sim de gente como nós, mais ou menos “abastados” que produz, que investe, que cria postos de trabalho.
 (Carta de Cristina Miranda, antiga professora, de Viana do Castelo, publicada no Facebook e lida aqui)

«Mariana Mortágua quer investigar todas as pessoas que só dão 1 beijinho. Mariana Mortágua, a nova ministra das Finanças, está apostada em tributar mais impostos aos mais ricos em Portugal e apresentou um novo critério muito mais eficaz que a mera posse de património avultado.» (Piadas ao minuto)

09/03/2014

DIÁRIO DE BORDO: Postal de um pai que ficou por cá (a uma filha que emigrou)

Minha filha, tenho muita pena de não estar contigo todos os dias, mas não tenho pena de não viver a tua vida que deve ser vivida por ti e não por mim, agora que decidiste procurar emprego no estrangeiro e emigrar porque, como disse em tempos Belmiro de Azevedo, «os empregos nascem em sítios que não estão ao lado de casa.»

Não me surpreende a indiferença das «elites» portuguesas, essa amálgama paroquiana de gente cada vez menos preparada, cada vez mais medíocre mas fundamentalmente clientelista, precisamente porque são as elites «portuguesas» que ora ficam indiferentes, ora se ficam pela comoção, sempre sem acção.

Agora que partiste faço votos que tudo corra pelo melhor. Faz um bom trabalho, amealha uns cobres porque o estado social está falido e mostra aos tugas medrosos e às elites merdosas que és uma rapariga que não tem medo dos desafios porque lhe corre nas veias o sangue de várias gerações de emigrantes da nossa parentela que foram à procura de empregos nascidos em sítios como França, Inglaterra, Alemanha, Brasil, Argentina, Estados Unidos, Austrália, Bahrein, Angola, Mauritânia, Cabo Verde e noutras paragens que já esqueci - e alguns deles ainda por lá andam.

Um grande abraço

[O Expresso de sábado passado publicou, com grande destaque, mais uma carta «comovente» modelo «Tordo», que tanto sucesso tem tido, de um português professor da universidade Manchester que emigrou e escreve uma «carta a uma filha que por cá ficou». Por coincidência, uma das minhas filhas partiu na passada 4.ª feira para trabalhar em Luanda durante uns anos. Resolvi escrever-lhe este postal anti comovente, subvertendo algumas das frases do comovido professor.]

O navio-vapor Mexico onde viajou o bisavô da emigrante, desembarcado em Ellias Island
com destino a Danbury, Connecticut (I guess)

22/04/2013

Exemplos do costume (12) – O partido da carta aberta

É costume dizer-se fulano é uma carta aberta significando não ter a a criatura em causa nada a esconder. Na política, e especialmente no PS, uma carta aberta significa que o militante ou o dirigente em causa tem tudo a esconder.

O exemplo mais recente foi o do secretário-geral António José Seguro, divulgando uma carta à troika já conhecida de Portugal inteiro ainda sem ter sido colocada no correio. Aliás já cognominei AJS de «O Epistológrafo» pelas suas inúmeras cartas desde a sua elevação a líder.

O seu exemplo frutificou e agora chegou a vez de um grupo de socialistas eméritos onde parece proliferar a tralha socrática, preocupados com a «crescente falta de confiança dos cidadãos nos partidos» (palavras da jornalista de causas do Expresso que está a transmitir o recado), dirigir uma carta aberta ao líder, reeleito há dias, propondo várias medidas à cabeça das quais encontramos a realização de «eleições primárias abertas a simpatizantes na eleição para secretário-geral do PS». É mais um exemplo de carta aberta onde se tem tudo a esconder, mas à vista de todos.

05/04/2013

Epistolário de António José Seguro, o epistológrafo

Diagrama do Expresso

Registe-se que todas as mencionadas epístolas de AJS são cartas abertas cujo destinatários foram os últimos a conhecer o respectivo conteúdo.

29/03/2013

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (68) – a carta aberta e as cartas fechadas

Em tempos, a propósito desse apreciado desporto nacional de produção de cartas abertas, o Impertinente acrescentou ao Glossário das Impertinências o termo, assim definido:

É uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (ver La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários.

É mais ou menos isto que se está a passar com o líder do PS que anda há vários dias a escrever uma carta à troika cujas diferentes versões já são conhecidas de toda a gente menos dos seus destinatários: o BCE, a CE e o FMI. A carta, à maneira do seu autor, parece dizer uma coisa e o seu contrário. Por um lado jura que «honrará os compromissos assumidos pelo Estado português» mas, por outro lado, diz que «o momento chegou para reorientar o memorando», ou seja para não os cumprir.

Passemos às cartas fechadas, que são como os melões – só se sabe se são boas depois de as abrir. Como os melões ou como os militantes dos partidos, cujo recrutamento parece estar muito difícil como, segundo o SOL de ontem, confessou com apreciável e distraída sinceridade o dirigente do PS Ricardo Gonçalves durante o jantar da «tertúlia dos amigos do Tó Zé»: «como é que em época de crise prolongada vou integrar gente, se não tenho nada para distribuir?»

07/05/2011

Resposta do Povo Finlandês à carta aberta do correspondente português da TSF

Caro Senhor Hélder Fernandes,

Recebemos a sua carta aberta ao Povo Finlandês que lemos atentamente. Queremos aproveitar para agradecer a generosidade do Povo Português, na altura tão pobre e sob um regime fascista, por ocasião da invasão do nosso País pelo exército soviético em 1940. Estamos também gratos pelos muitos milhões de telemóveis que generosamente compraram nas 2 últimas décadas à Nokia, agravando o problema que agora vos aflige.

Se o Povo Português estivesse a ser invadido uma vez mais pela vizinha Espanha ou pela França, como o foi várias vezes no passado, nós, o Povo Finlandês, teríamos a obrigação de secundar o Povo Inglês, e de vos socorrer, retribuindo a vossa ajuda de há 70 anos. Também contariam com a nossa solidariedade se tivessem sido atingidos por um novo terramoto de 1755, um tsunami ou qualquer outra catástrofe imprevisível para a qual não tivessem contribuído.

Porém, tal não é o caso. E do mesmo modo como temos a certeza que o Povo Português não estaria disponível em 1940 para nos enviar cobertores, casacos, sapatos, casacões e sacos de trigo e de arroz se, em vez de invadidos por bárbaros, tivéssemos sido invadidos por carros alemães, plasmas japoneses e coreanos, iPods e tabletes americanas e ocupados por primeiras, segundas e terceiras casas e coberto o nosso sagrado solo por revestimento betuminoso de auto-estradas - dizem-nos ser Portugal o 9.º país do mundo com melhor cobertura rodoviária e o 4.º com mais automóveis por 100 habitantes. Foi isso, segundo também julgamos saber, que aconteceu, agravado por líderes políticos incapazes e corruptos, por vós livremente escolhidos durante 3 décadas. E foi isso que vos conduziu, dia após dia, mês após mês, durante essas 3 décadas, ao estado de insolvência em que vos encontrais, situação com a qual agora fundamentais o vosso direito adquirido a ajuda financeira.

É por isso que só vos podemos oferecer o nosso exemplo de esforço num clima adverso e com um solo sem recursos, onde com muito trabalho, diligência e integridade, e sem colónias, conseguimos construir um país bem sucedido, com uma juventude educada e profissionalmente bem preparada e com elites responsáveis que prestam contas ao Povo – em suma, um País com uma elevada qualidade de vida onde vale a pena viver e um dos 10 países maiores contribuintes para a ajuda humanitária. É claro que sempre podemos oferecer uma pequena ajuda adicional passando férias no vosso País com esse sol acolhedor e belas praias - se estas ainda resistirem ao urbanismo selvagem, à incúria e ao desleixo.

O Povo Finlandês

Post Scriptum
Este nosso agradecimento ao Povo Português exclui os militantes, simpatizantes e eleitores do PCP e do Bloco de Esquerda, uns porque ainda hoje glorificam o bolchevismo que na sua versão estalinista nos invadiu em 1940 e os outros porque pensam que o bolchevismo não foi suficientemente longe e todos porque se fossem vivos nessa época teriam aplaudido a invasão da nossa Pátria por esses bárbaros.

21/04/2011

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Tiro (mais um) no pé de Passos Coelho

«Fernando Nobre é … inconsistente politicamente, como abundantemente demonstrou na última campanha eleitoral e as televisões já começaram a evidenciar impiedosamente, relembrando algumas afirmações comprometedoras e as incoerências em que está a cair.
Nomeadamente penosa é a afirmação peremptória de que nunca seria candidato à Assembleia da República, invocando então razões de coerência e de independência. Por outro lado, não podemos esquecer que Fernando Nobre foi o mandatário da candidatura do BE ao Parlamento Europeu, nem podemos ignorar as posições deste Partido contrárias à União Europeia! Como é que agora pode integrar as listas de um Partido que defende a integração europeia, e ser proposto para segunda figura do Estado, sem que isso seja tomado como mais uma grave contradição e incoerência?
…
De resto, tenho as maiores dúvidas que a inclusão de Fernando Nobre nas listas do PSD se traduza numa mais-valia eleitoral. Pelo contrário: o cidadão comum olha para esta operação como uma 'caça ao voto' e creio que a generalidade dos eleitores que nele apostaram estão à nossa esquerda e são críticos dos Partidos. Serão provavelmente poucos os que vão acompanhar o candidato nesta transumância.
…
Mas, mais grave e chocante é o inexplicável compromisso de candidatar Fernando Nobre à Presidência da Assembleia (candidatura cujo desfecho está longe de ser garantido, mesmo com uma maioria parlamentar do PSD). Estamos a falar da segunda figura do Estado, que pode ser chamado em qualquer momento a substituir o Presidente da República, caso em que teríamos um político sem preparação e anti-europeísta no cargo cimeiro do Estado. Estamos a falar de um cargo que, para além das funções meramente protocolares, exige uma experiência parlamentar sólida (não é por acaso que sempre foram eleitos para o efeito personalidades com larga e consistente experiência política e parlamentar). Por outro lado, proporcionar a Fernando Nobre um mandato na Presidência da Assembleia, significa catapultá-lo para a candidatura seguinte à Presidência da República. Se ele decidir avançar, o PSD estará então em condições de lhe negar o apoio?»

Carta (aberta?) de António Capucho ao PSD Cascais, publicada no SOL

05/01/2008

DIÁRIO DE BORDO: ultimato à falta de produção pertinente

Doctor Jekyll ou Mister Utterson, tanto faz. Tens 24 horas para dares corda aos sapatos e publicares ao menos um postezito pertinente ou acaba-se a parceria.

13/11/2007

ARTIGO DEFUNTO: trocaram o quê?

Só por falta de tempo não registei aqui na devida altura o que escreveu o Jornal de Negócios no semana passada, a propósito da publicação no Abrupto da carta provocatória dum burgesso, spin doctor do doutor Menezes (cada um tem o que merece). A publicação acompanhada de comentários piedosos e educados, merecedores da beatificação urgente de JPP, foi assim descrita:
«José Pacheco Pereira, comentador político e membro do PSD, e António Cunha Vaz, proprietário da agência que assessorou Luís Filipe Menezes nas directas do PSD, trocaram hoje insultos no conhecido blog "Abrupto".»

28/10/2007

CASE STUDY: uma carta já não é o que era

Demonstrando que o real neste país ultrapassa a ficção, foi ontem publicada no Expresso uma carta estritamente confidencial em mão do engenheiro Jardim Gonçalves ao seu sucessor doutor Filipe Pinhal. A carta termina com este patético apelo: «pedia-lhe, por fim, que, atendendo às razões de consciência e do foro exclusivamente privado do compromisso que agora assumo (de pagar as dívidas do seu filho ao banco), fossem tomadas as medidas necessárias para acautelar a confidencialidade deste pagamento».

Por muito assombroso que seja o seu conteúdo (que parece evidenciar que, contra tudo o que seria de esperar dum membro da Obra, o seu signatário não fala com o seu filho Filipe faz anos), mais assombrosas são as vicissitudes que a carta estritamente confidencial em mão sofreu no curto percurso que vai desde o gabinete do engenheiro Jardim Gonçalves até ao do seu destinatário.

Ainda pensei acrescentar um novo termo ao Glossário das Impertinências, mas talvez não se justifique se a carta estritamente confidencial em mão do engenheiro Jardim Gonçalves for afinal uma carta aberta, como a defini em tempos aqui, a propósito duma missiva do incontornável professor doutor Freitas do Amaral dirigida ao presidente da República através dos jornais:
É uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (=>La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários.

18/10/2004

BLOGARIDADES: Carta aberta ao professor Salazar.

Caro senhor professor Salazar,
Começo por pedir que me releve o atrevimento de lhe escrever uma carta aberta, expediente que eu próprio já tinha classificado - levianamente, confesso - de «grande falta de vergonha».
É com alívio que tomo conhecimento do seu regresso, após quase 40 anos de ausência. Os portugueses merecem-no, cada vez mais, e o senhor professor merece-os desde sempre. Bem haja por ter regressado ao nosso convívio.
Aproveito para expressar o quanto me sinto honrado por incluir o Impertinências na sua secção «Deus nos livre!». Honrado, mas ao mesmo tempo, embaraçado. Com o devido respeito, senhor professor, tal Secção eu classificaria de albergue espanhol pela promiscuidade com que abriga criaturas que nunca coabitariam sob o mesmo tecto.
Sem querer ser pobre e mal agradecido, peço-lhe encarecidamente, senhor professor, que não me arrebanhe junto com as criaturas dos alterblogues (Barnabé, Blogue de Esquerda, entre outros da mesma família). Essas criaturas ficariam bem melhor na companhia do senhor professor, partilhando o mesmo criogénio onde se conservam.
Atento, venerador e grato
Pede deferimento
O Impertinente

Post scriptum:
Dou-me conta, com preocupação, que não incluiu o blogue O Anacleto no seu albergue «Deus nos livre!». É uma lacuna imperdoável que o exorto a colmatar quanto antes.
Admito que o senhor professor, apesar da sua imensa sapiência, desconheça o que seja um albergue espanhol. Poderá imaginar ser a pensão onde poderia ter ficado quando da sua única saída da Pátria para visitar o Generalissimo. Mas não é essa pensão. Para poupar explicações direi apenas albergue espanhol é uma coisa parecida com a «oposição ao regime» que senhor professor tão bem conheceu e a quem mandou dar uns «safanões» só para manter o respeito.

30/06/2004

DIÁRIO DE BORDO: Cherne grelhado ou Filet de Mérou à la crème d'ail? (2)

(Continuação)

Alguns leitores do Impertinências comentaram que o doutor Durão Barroso é livre de escolher e não tem que ser penalizado por essa escolha. Concordo que é livre de escolher. Os eleitores são livres de o penalizar por ter violado um compromisso eleitoral, não apenas tácito, mas explícito, por declarações suas ao propor-se para um segundo mandato.

Haveria uma circunstância em que a sua escolha deveria ser aceite pelos eleitores: se o benefício político previsível para Portugal, resultante do seu desempenho futuro como presidente da CE, fosse inquestionavelmente superior ao custo político visível de deixar encalhado um governo que já estava à deriva, sem a garantia duma solução credível de sucessão. É um SE demasiado grande. E não vale o argumento da supracional. Mesmos os federalistas concordarão que será mais fácil em 25 países encontrar um presidente aceitável para a CE, do que a qualquer maioria encontrar um primeiro-ministro decente para Portugal.

Chegado aqui, faço a agulha para os outros ângulos de análise.

Do ponto de vista institucional, creio que a questão é pacífica. É difícil não concordar com o professor Jorge Miranda, que tive o privilégio de ter como professor (não de direito constitucional) quando estudante da dismal science. Disse ele ao Público «Haja ou não eleições, o Presidente da República terá de nomear um novo Governo ... logo que se formalize a demissão de Durão Barroso o presidente tem de nomear um novo primeiro-ministro», que não pode ser «uma pessoa à margem da escolha de um partido com maioria relativa». «Deve-se evitar a antecipação das eleições ... porque as legislaturas devem ir até ao fim. A não ser que o nome escolhido para primeiro-ministro seja pouco consensual e que provoque instabilidade na maioria». Crystal clear.

No mesmo sentido, a doutora Assunção Esteves disse ao Público que «o Presidente tem hipótese sempre de convocar eleições, mas não tem de o fazer necessariamente. Mas a primeira alternativa é nomear alguém da maioria. Se achar que as condições não são as melhores, se não houver um projecto de governabilidade, então convoca eleições. Mas a legislatura é de quatro anos e tem base partidária».

Não vale a pena mandar mais poeira para os olhos da opinião pública, como faz o professor Freitas do Amaral na sua carta aberta ao PR, misturando, no seu caldeirão de intelectual do albergue espanhol, direito constitucional e ciência política temperados com as suas preferências, obsessões, opiniões avulsas e apelos convulsivos.

Em conclusão, do ponto de vista institucional, o PR não pode (não deve) dissolver a AR sem o partido maioritário lhe apresentar uma alternativa de governo. Compete-lhe decidir então se essa alternativa tem ou não legitimidade e apresenta garantias de estabilidade suficientes para evitar a convocação de novas eleições, a dois anos de vista do termo da legislatura. Compete-lhe decidir e assumir as suas responsabilidade. É para isso que foi eleito. Não foi eleito para brincar às presidências abertas, inventadas pelo doutor Soares para fornicar a governação do professor Cavaco.

Tudo o resto é contrabando de ideias. Também não gosto desta Constituição que temos. Mas é a que temos e devemos respeitá-la. A esquerdalhada tem deveres especiais de respeito, porque passa a vida a encher a boca com aquela tralha programático-social-comunista que encharca as duzentas e tantas páginas, que mais parecem um contrato colectivo de trabalho dos metalúrgicos, do que uma constituição.

Se ainda hoje tiver pachorra, abordarei o o ângulo político da questão. É um bom dia para isso, porque 90% da bloguilha vai estar a marimbar-se para tudo o que não seja o Portugal-Holanda.

Nova definição impertinente:
Carta Aberta
É uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários.