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| Público |
Com este título, o Avante! da família Azevedo (um apropriado epíteto inventado, salvo erro, por Helena Matos), induz nas meninges dos leitores a ideia maravilhosa de que basta um governo ou uma câmara municipal progressista parir uma portaria para as rendas diminuírem. O que, podendo ser verdade, esconde a verdade mais importante, que é a de que as rendas que diminuem são as rendas das habitações arrendadas.
Em consequência da fixação dos tectos das rendas, o número de habitações disponíveis para arrendamento de longa duração reduziu-se drasticamente para metade em Barcelona, parte da procura foi desviada para municípios sem controlo de rendas, onde os preços aumentaram cerca de 11%, a oferta foi desviada para arrendamento temporário ou sazonal e arrendamento por quartos, aos quais não são aplicados os tectos. Estes tipos de arrendamento representam agora 60% da oferta publicitada em Barcelona e uma parte significativa dos proprietários optou por retirar os seus imóveis do mercado de arrendamento e colocá-los à venda.
Pelo menos desde que James Steuart criou em 1767 o termo "supply and demand" e nove anos depois Adam Smith publicou A Riqueza das Nações, é sabido que os preços dos bens resultam da oferta e da procura e fixar-lhes limites é assim como fixar limites à temperatura das criaturas com febre.
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PS: Reparei agora que Mário Amorim Lopes explica, mais detalhadamente, a mistificação do Público no artigo "Rendas em Barcelona caíram 4,4%". E agora o resto da notícia.
