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06/07/2025

The emergence of Homo interneticus

Erasmo Amato

In 2004 Michael H. Goldhaber published the essay "The mentality of Homo interneticus: Some Ongian postulates" (*) anticipating that the Internet would create a new type of human being, the Homo interneticus that would succeed Homo sapiens vulgaris. Due to the excessive use of the Internet, the Homo interneticus would have his mind altered by the constant dispute for his attention and would lose the notion of time and space.

Goldhaber's essay, from which I have extracted the following excerpt, proved to be prescient and sheds some light on the intense struggles between the tribes that follow the various most extreme and exacerbated ideologies that fill the internet space today.

«Without notable clues to a particular identity being provided by how one was raised, being cast in a sea of ten billion or so rough and directionless equals would be too much of a challenge. A floating spar — or several — must be found to cling to. H. interneticus tends towards community on the basis not of birth so much as of what feels like commonality — tasks and goals inspired by those who resonate with one — whether from some inner, possibly inchoate sense of being, a chance encounter, a shared bit of history, an aptitude that finds use, an almost arbitrary predilection or just a desire for meaning, connection or focus. These Internet communities are unshackled by space, unbounded by borders, though probably dominated by a rough version of the English language. Like any community, their enfoldings multiply through use and mutual familiarity, providing what remains of the dimension of time.

If the printed book first helped bind the world of European science and scholarship through the universal use of learned Latin [13], that language was comprehensible only to an elite — and male — few. As booksellers ought a wider market, they helped propel vernacular tongues into standardized, written and printed form. New feelings of nationality were thus brought into being, further aided by the desire for those literate in each "tongue" to have access to professions such as law and to government positions. So arose the drive for "national self–determination," meritocracy and even democracy.

Where stands H. interneticus when it comes to nationalism and electoral democracy? As an inevitable member of multiple global communities, on the whole she finds the pull of any particular nationality waning, especially insofar as nationalism implies loyalty to a particular government and its actions. If an Internet community happens to veer in some undesirable direction, it is easy to secede and start a new one with other dissidents, and in next to no time. By contrast electoral politics and representative democracy is achingly slow and unreliable, necessitating compromise and often leaving one agonizing in opposition for year upon year. H. interneticus has no sense of the future — no tolerance, that is, for waiting. Change should occur right now, instantaneously.

But what of the real, material world? Internet community formation might be an adequate substitute for representative democracy in the world of the Internet itself, but how can environmental issues, poverty, war, violent crime, terrorism, medical care, and on and on, be dealt with just by changing the subject? My guess is that to a first approximation the answer is that, for H. interneticus, cyberspace is most of the real world, and the rest is an appendage of it. If anything is to be done about global warming, for example, it will be through communities coalescing on the Internet and then taking a variety of actions ranging from developing alternative modes of transport (or dispensing with it in favor of heightened use of the net to replace travel and shipping alike) to direct action powerful enough that governments and corporations will have little choice but to acquiesce.

As Internet communities proliferate and interweave they will take on more and more of the functions now more or less the monopoly of government and business alike. It isn’t much of a stretch to visualize the Internet successes such as Google, e–Bay and Amazon gradually being replaced by open source distributed processing just as Napster was by Gnutella. From there it is not much of a further stretch to imagine the transformation of all kinds of organizations into distributed Internet versions.»

___________

(*) The term "Ongian" evokes Walter J. Ong, the American Jesuit priest and professor of English literature,  who studied how the transition from orality to literacy influenced culture and changed human consciousness.

17/05/2025

Olhe que não Dr.ª Mortágua. Taxar os ricos não "alivia quem trabalha"...

«‘Tax the rich’ comes the familiar cry from the left – but what happens when the rich leave? As Michael Simmons observes in this week’s cover piece, Britain is becoming an increasingly inhospitable place for the wealthy and, unsurprisingly, many are voting with their feet. Since 2016, more than 30,000 millionaires have left the UK – an exodus unmatched in the developed world. It’s not easy to muster sympathy for the ultra-rich. But the uncomfortable truth is that Britain depends on them: the top 1 per cent of earners contribute nearly 30 per cent of all income tax. The Treasury thought it could squeeze the rich without consequence. It was wrong. Unless that mistake is acknowledged soon, it won’t just be the wealthy who pay the price; it will be all of us.»

Olhe que não Dr.ª Mortágua, não alivia, carrega. Se espremer demasiado os "ricos" eles emigram e serão os "pobres" a pagar mais impostos para manter o Estado sucial. 

27/04/2025

ARTIGO DEFUNTO: As receitas do marxismo tele-evangélico promovidas pelo jornalismo de causas

«265 fundos imobiliários obtiveram 1700 milhões de euros de lucro, contribuíram para o aumento do preço das rendas, mas não pagaram um cêntimo de impostos! Taxação justa e tectos máximos nas rendas é uma questão de elementar sensatez.»

Disse num vídeo, com aquele seu ar sisudo e acusador, o Prof. Francisco Anacleto Louçã, fundador da Liga Comunista Internacionalista (LCI) representante em Portugal da IV Internacional, uma dissidência de inspiração trotskista da Internacional Comunista, fundador do Bloco de Esquerda, uma fusão de trotskistas com os maoístas e outros grupelhos, ex-membro do Conselho Consultivo do Banco de Portugal nomeado pelo Ronaldo das Finanças e ex-membro do Conselho de Estado.

Talvez receando que o vídeo publicado no X fosse submergido pelo ruído ambiental da rede social do tecnogarca Elon Musk, o jornal Público apressou a promovê-lo submetendo-o ao seu fact checking, submissão completamente inútil porque o Prof. Louçã não é tolo e na primeira parte da sua sentença misturou um facto verdadeiro («265 fundos imobiliários obtiveram 1700 milhões de euros de lucro, (...) mas não pagaram um cêntimo de impostos) com outro infundado («contribuíram para o aumento do preço das rendas», e o resto não são factos são opiniões que obviamente reflectem o pensamento do camarada Anacleto, isto é receitas do marxismo tele-evangélico.

Na verdade, os fundos imobiliários não contribuíram para o aumento do preço das rendas porque, em primeiro lugar, representam apenas uma fracção diminuta dos arrendamentos sem influência significativa nas rendas e, de resto, foram estas rendas, supostamente elevadas, que contribuíram para os 1700 milhões de euros de lucro e não o contrário.

Quanto às opiniões do camarada Anacleto, a taxação justa apenas contribuiria para aumentar as rendas e, por outro lado, os detentores de unidades de participação dos fundos estão já sujeitos a IRS ou IRC pelas mais-valias resultantes da transmissão ou resgate das unidades de participação. Os tectos máximos nas rendas é uma medida que em todo o lado em que foi adoptada diminuiu a oferta de arrendamento, primeiro, e aumentou as rendas, depois.

18/04/2024

Tele evangelista avant la lettre e tele evangelista après la lettre


Até num Portugal dos Pequeninos, onde no lugar dos conflitos de interesse só existem interesses em conflito, é algo insólito ficarmos a saber no mesmo dia que o Dr. Costa, ex-primeiro-ministro acabado de sair do governo, um político profissional toda a sua vida adulta, e o Cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal, um eclesiástico profissional e celebridade mediática, irão fazer comentário político e religioso (?), respectivamente (?), no mesmo canal de televisão.

[O título deste post saiu em modo de escrita automática e fiquei sem saber quem são o avant e o aprés.]

07/10/2023

As ácções dos jovens áctivistas climáticos à luz dos direitos dos áctivistas

Só na última semana ocorreram várias maninfestações perpetradas por soi-disants áctivistas climáticos: Terça-feira - Segunda Circular; Quarta-feira - Rua de S. Bento; Quinta-feira - Fachada da REN; Sexta-feira - Avenida de Roma.

Todas essas maninf  foram promovidas pela Climáximo, uma subsidiária do berloquismo gerida pelo genro do tele-evangelista Dr. Louçã. Escrevo isto apenas pro memoria porque, em boa verdade, não tenho nada contra o negócio de empresas como esta. Tenho, sim, contra o facto de o produto que vendem não ser adquirido pelos seus consumidores e ser pago por terceiros contra a sua vontade, directamente, por via das ácções, ou indirectamente, por via do Estado sucial cujos recursos humanos e materiais são usados e por vezes avariados.

Jovem áctivista seviciado por bófias 

E sou também contra a exploração da mão-de-obra se, como tudo indica, os jovens "rebeldes" que fizeram de maninfestantes não foram devidamente contratados e remunerados de acordo com os salários que o berloquismo gostaria de obrigar os empresários a pagar por igual trabalho. 

E não se desculpem por lhes chamarem voluntários porque não cumprem os requisitos das Bases do enquadramento jurídico do voluntariado (Lei n.º 71/98, de 3 de novembro) por não lhes serem reconhecidos os direitos do voluntário, nomeadamente, para só citar um dos dez: "Enquadrar-se no regime do seguro social voluntário, no caso de não estar abrangido por um regime obrigatório de segurança social«.

O que se passa na verdade é que os jovens áctivistas ao serviço da Climáximo são usados como o berloquismo diz que são usados os imigrantes clandestinos, são vítimas de maus tratos físicos pelos bófias e maus tratos psicológicos pelos transeuntes que os insultam e interferem na maninf, sem esquecer que estando em idade escolar ficam impedidos de frequentar as madrassas do wokeism.

15/09/2023

Que cem Ruis e Ildas se multipliquem e que mil petições floresçam

Porto
«Ana Plácido era uma mulher extraordinária que ali é menorizada. Querem pô-la nua, muito bem, não me oponho, desde que Camilo também esteja nu. Ou os dois nus, ou os dois vestidos».
Ilda Figueiredo, vereadora da câmara do Porto pela CDU.

Lisboa, Alpiarça, S. Pedro do Sul

Moral da estória: Se a estupidez fosse mortal a classe política estaria em vias de extinção e o Portugal dos Pequeninos quase desabitado.

25/03/2023

Pela mão do governo de Jacinda Ardern, o wokeism infectou a Nova Zelândia

The Spectator

Fica-se a saber por este artigo do biólogo e escritor Richard Dawkins, escrito durante a sua visita à Nova Zelândia, que o governo woke de Jacinda Ardern adoptou uma política, saída da cabeça do ministro da Educação e seu substituto Chris Hipkins, segundo a qual nas aulas de ciência deve ser ensinado que os "Caminhos do Conhecimento" Maori (Mātauranga Māori), um repositório dos saberes tradicionais misturados com mitologia indígena, estão em igualdade com a ciência "ocidental" e que, entre muitos outros insultos à inteligência que o governo de Ardern incitou e promoveu, encontramos princípios como «insistir que as crianças maori aprendam a ler é um ato de colonização».

28/10/2022

Se isto é a Direita, eu sou o Papa Francisco

 

Alguns exemplos:
  • TAP, empresa pública de "bandeira"
  • Central sindical ao estilo corporativo-comunista 
  • Torrar mais do que a despesa do SNS ou a despesa em Educação com distribuição de dinheiro (125 euros por mês e não tributação dos subsídios de férias e Natal)
  • Brigada para fiscalizar o gasto de 125€ pelas famílias para impedir que «sejam para garrafas de Jameson e de Grant’s.»
  • e, sobretudo, 
  • Demagogia em quantidades pantagruélicas.

23/10/2022

Dúvidas (344) - Ainda vamos ter de aturar o "wokeism" muito mais tempo? Sim, vamos


No que poderia ser uma resposta à minha dúvida, Ruy Teixeira, um cientista político americano de origem portuguesa, considera que apesar o movimento woke estar em retrocesso na sociedade americana e nos círculos políticos, incluindo os democratas, continua e continuará «teimosamente entrincheirado» nas instituições americanas.  
«É nas instituições americanas que a curva da "wokeness" parece estar ainda em ascensão. Nas universidades, nas artes, nos mídia, nos principais grupos de defesa, nas ONGs, fundações, administrações escolares, organizações profissionais e departamentos corporativos de recursos humanos, é difícil detectar um refluxo da maré. Nos últimos dois anos, houve uma proliferação de burocracias imbuídas de princípios de "diversidade, equidade e inclusão", coexistindo com o endoutrinamento ideológico, regras e restrições destinadas a obrigar condutas consideradas sensíveis aos marginalizados. Até mesmo revistas científicas veneráveis como a Nature estão renegando o seu racismo passado e prometendo "descolonizar" a pesquisa científica.

O "wokeness" está teimosamente entrincheirada nessas instituições, e é lá que se vai posicionar. Milhões de pessoas têm empregos, dinheiro, cargos e influência que agora estão ligadas do "wokeness", e não desistirão facilmente. O mundo que habitam está mais isolado das visões das pessoas comuns do que as do discurso social e da competição política. Podemos ainda não ter visto "peak woke" nesse mundo — o que significa que muitos de nós, infelizmente, ainda podem enfrentar ser confrontados, cancelados ou visados de alguma forma.»

No Portugal dos Pequeninos, onde tudo chega atrasado (voltarei a este tema), suspeito que mesmo depois de expirada a validade do wokeism nos States, cujas universidades de artes e ciências sociais substituíram Moscovo, Pequim e Tirana para a esquerdalhada, ainda o teremos por cá muito tempo nas nossas universidades caducas e endogâmicas.

24/08/2022

Duginism in a nutshell

«Aleksandr Dugin is part of a weird strain of Russian imperial hypernationalism that somehow manages to venerate Russian Orthodoxy, Stalin, the Nazis, and the occult all at the same time. You can read more here about the late-1980s trends in the U.S.S.R. that produced this vicious and deeply weird school of thought, but spare yourself the effort it would take to make sense of it all. Much of it is warmed-over Russian messianism and mystical gobbledygook, the product not only of 19th-century Russian grievances against Europe and Western Christianity but also of late-20th-century Soviet resentments against the “Atlantic” world led by the United States.

Underneath it all is the simple and brutal belief that Russia—specifically white, Christian Russia—is destined to rule Eurasia as the first step to contesting world domination with the decadent Americans and Europeans. Dugin’s ravings are as unreadable in Russian as they are in English, but the Russian General Staff assigns Dugin’s book as a required text, and understandably so. It is an almost perfectly Orwellian view of total and permanent war, a perfect ideology for a country afflicted by both a deep inferiority complex and a dark spiritual vacuum».

Tom Nichols, The Atlantic Daily

27/05/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Com a verdade nos enganam - "influenciados por três russos envolvidos numa revolução mal-sucedida"

«No Congresso do Bloco houve uma frase memorável. Um congressista, Américo Campos, afirmou o seguinte: “É curioso que três russos envolvidos numa revolução mal-sucedida, com mais de 100 anos, influenciam um partido de esquerda do século XXI.” Os três russos são, obviamente, Lenine, Trotsky e Estaline. Não sei se o camarada Américo percebeu devidamente o que estava a dizer. Se percebeu, não sei se já foi expulso ou silenciado pelo partido, como faziam os famosos três russos aos seus camaradas que se afastavam da linha oficial (e como fizeram uns aos outros, mais precisamente Estaline a Trotsky).

De propósito ou sem querer, o camarada Américo revelou o grande disfarce do Bloco. Um partido que continua a seguir uma ideologia que fracassou e espalhou violência, miséria e pobreza em todo o lado onde chegou ao poder. Mas usa uma linguagem moderna atraente para os jovens e até os liberais urbanos para disfarçar a sua verdadeira natureza. Um partido onde quem pensa são os discípulos dos três russos, neste caso Louça, Fazendas e Rosas, mas os rostos da falsa modernidade são a Catarina, as manas Mortágua e a Marisa. Ninguém tenha ilusões, o poder está com os velhos revolucionários, não está com as senhoras simpáticas. Além disso, as senhoras simpáticas pensam como os velhos revolucionários. Tudo o que sabem foi com eles que aprenderam.

Nas ideias de muitas das moções apresentadas no Congresso, há uma linha constante: o anti-capitalismo, e a luta contra a economia de mercado e a iniciativa privada. A política económica do Bloco tem um objectivo máximo: a nacionalização da economia. Os bancos, os CTT e a TAP seriam apenas o início. Depois nacionalizariam a EDP, a Galp, as várias indústrias, as seguradoras, a hotelaria, as empresas agrícolas e os meios de comunicação social. Quando Louçã sugere Mariana Mortágua para ministra das Finanças, o que quer dizer é que ela seria a CEO da economia portuguesa, e ele seria naturalmente o Chairman.» 

Excerto de O anti-capitalismo do Bloco, João Marques de Almeida no Observador

Por falar em anti-capitalismo, recordo que o capitalismo e os mercados são apenas a democracia liberal a funcionar na economia, sem os quais a democracia no mínimo é meramente formal e no máximo não existe. E, já agora, recordo também que a aliança espúria e oportunista do Dr. Costa com os marxismos comunista e bloquista, para governar apesar de ter perdido as eleições de 2015, contaminou irremediavelmente o Partido Socialista e está a transformá-lo num partido colectivista cujo propósito se resume à ocupação do aparelho de Estado fazendo o país pagar por isso um elevado preço.

23/05/2021

Lost in translation (352) - A direita só voltará ao governo depois da camarada Mortágua terminar a obra do Costa, disse ele

Dr. Louçã quando não usava máscara

Francisco Louçã garante que graças à "força" do BE "não haverá mais maiorias absolutas, nem a direita voltará ao Governo". Histórico bloquista volta ainda a lançar Mariana Mortágua como ministra.

O nosso web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data que usamos para interpretar os discursos mais herméticos do tele-evangelismo gastou horas para traduzir o discurso do Dr. Louçã: «a direita só voltará ao governo depois da camarada Mortágua terminar a obra do Costa, acabar com o dinheiro dos outros e chamar a troika».

06/04/2021

O tele-evangelista Dr. Louçã tem razão: os comunistas nunca comeram criancinhas, nem precisaram. Quem comeu criancinhas foram as vítimas do comunismo. E não só no Holodomor

É claro que os comunistas nunca comeram criancinhas. Os apparatchiks do socialismo soviético e de outros socialismos sempre desfrutaram de um estatuto privilegiado, mesmo que nunca tivessem conseguido proporcionar datchas a todos, pelo menos sempre tiveram acesso prioritário à alimentação e aos bens de consumo disponíveis, nalguns casos importados do capitalismo. 

Quem recorreu ao canibalismo, incluindo o sacrifício de crianças, foi o povo sob o jugo dos partidos comunistas, e em especial os camponeses a quem os comunistas confiscaram terras e colheitas. 

E não foi o Holodomor ucraniano em 1932 e 1933 o primeiro caso de morte em massa pela fome. Antes disso, ainda nos anos 20, ocorreram fomes devastadoras que só não dizimarem mais russos graças à ajuda do capitalismo americano. A este propósito vou republicar um post do ano passado sobre um episódio esquecido dos anos 20 da revolução russa relatado por Douglas Smith em «The Russian Job: The Forgotten Story of How America Saved the Soviet Union from Ruin».

«Já devastada por guerras e revoluções, em 1920-22 a Rússia foi atingida por secas e enfrentou uma das piores fomes de todos os tempos na Europa. Foi parcialmente auto-induzida: aterrorizados pelo Exército Vermelho e ameaçados com requisições e execuções, os camponeses russos reduziram drasticamente as terras cultivadas, semeando o mínimo necessário para sua própria sobrevivência.

Consciente de que comida significava poder, Vladimir Lenine abandonou o comunismo de guerra em favor de uma nova política económica que substituiu a requisição por impostos e fez algumas concessões ao capitalismo. Mas era tarde demais. No final de 1921, o vasto território ao longo do Volga sucumbiu à fome e ao canibalismo.

Tendo chegado ao poder com a promessa de fornecer pão e acabar com a guerra, os bolcheviques enfrentaram a perspectiva de serem varridos pela fome. Incapazes de alimentar seu próprio povo, os líderes da revolução proletária voltaram-se para o Ocidente em busca de ajuda. Maxim Gorky, um escritor bolchevique que outrora demonizou o capitalismo americano, apelou a “todo o povo europeu e americano honesto” para “dar pão e remédios”.

Vítimas do comunismo de joelhos e com fome

O apelo atingiu Herbert Hoover, principal fundador da American Relief Administration (ARA). O futuro presidente respondeu não por simpatia pela "tirania assassina" do regime bolchevique, mas pela fé na missão - e capacidade - da América de melhorar o mundo. Se as crianças estavam morrendo de fome, a América era obrigada a aliviar seu sofrimento. “Devemos fazer alguma distinção entre o povo russo e o grupo que tomou o governo”, argumentou Hoover.

A insistência da ARA em ter uma autonomia completa deixou o governo soviético suspeito, assim como a sua promessa de ajudar sem levar em conta "raça, credo ou status social". Afinal, o regime liquidou classes inteiras de cidadãos e nacionalizou não apenas a propriedade privada, mas a vida humana. Ainda assim, dada a escolha entre perder a face ou perder o país, os bolcheviques aceitaram as condições da ARA - enquanto colocavam a operação sob vigilância da polícia secreta.

O livro de Smith não é uma história política, entretanto. É principalmente uma reconstrução das vidas daqueles homens da ARA, muitos deles com histórico militar, que por mais de dois anos e meio assumiram as funções do governo civil na Rússia, alimentando cerca de 10 milhões de pessoas. Na região do Volga, onde os moradores eram levados pela fome a ferver e comer carne humana, a ARA organizou cozinhas e transporte, distribuiu alimentos e reconstruiu hospitais.

A miséria que encontraram na Rússia deixou-os nervosos ao ponto de entrar em colapso e desespero, mas também deu significado às suas carreiras. “É apenas prestando serviço que se pode ser feliz” , escreveu um oficial da ARA. “A ajuda dada pelos americanos nunca pode ser esquecida, e a história de sua gloriosa façanha será contada pelos avós aos seus netos”, disseram-lhes russos gratos.

No entanto, a duplicidade e paranóia do governo soviético assombrou a operação da ARA até o fim. Enquanto os líderes bolcheviques publicamente cobriam os americanos com elogios e agradecimentos, a polícia secreta instruiu as autoridades locais: "Sob nenhuma circunstância haverá grandes demonstrações ou expressões de gratidão feitas em nome do povo." Assim que o trabalho russo foi concluído, as autoridades começaram a apagar toda a memória da ajuda americana.

A edição da Grande Enciclopédia Soviética de 1950 descreveu a ARA como uma frente “para atividades de espionagem e destruição e para apoiar elementos contra-revolucionários”. Os livros didáticos russos modernos mal mencionam o episódio.»

20/02/2021

Inconstitucional, disse ele. Se o Dr. Salazar ainda por cá andasse não hesitaria em nomear o Dr. Pedro Filipe Soares vogal da comissão de censura

A menos que se considere que o Dr. João Caupers, presidente do Tribunal Constitucional, não respeita os vegetarianos ou os adeptos do Dalai Lama, temos de concluir que os homossexuais lhe mereciam algum respeito quando em 2010 escreveu sobre o casamento gay. 

O facto de ter separado «a tolerância para com as minorias» da «promoção das respectivas ideias» faz todo o sentido e não altera esse declarado respeito, como não altera ter citado dois factos (1) «os homossexuais não passam de uma inexpressiva minoria» e (2) «cuja voz é enorme e despropositadamente ampliada pelos media». Quem duvidar do primeiro facto pode consultar a sondagem Gallup de 2017 onde se constata que nos EUA, onde a comunidade gay que é mais influente do que em Portugal, os americanos adultos que se identificam como gays não passam de 4,5% da população. Quem duvida do segundo só pode ser alguém que não lê jornais nem vê televisão.

O que têm as declarações do Dr. Caupers de discriminatórias e ofensivas ou homofóbicas, como as classifica o Dr. Pedro Filipe Soares, deputado do BE, num artigo de opinião com um título que é uma espécie de ameaça implícita A homofobia não é constitucional? Será a frequência de um Mestrado em Detecção Remota que lhe permite identificar homófobos?

E se fosse homófobo? É proibido? É um delito de opinião? Que legitimidade tem o Dr. Pedro Filipe Soares, um admirador de democracias fantoches, para ameaçar: «se não se retratar, Caupers afirma a manutenção de uma visão homofóbica da sociedade»? Como se não chegasse a criatura já se ter retratado logo que foi sujeito à polícia do pensamento.

06/02/2021

De como um tele-evangelista arvorado em professor de ciência de causas económicas pode ser ridicularizado por um professor de economia propriamente dita

Caderno de Economia do Expresso: à esquerda o charlatão, à direita o economista

Ambos escrevem sobre o caso da GameStop, uma pequena empresa sem futuro e praticamente falida, sobre a qual vários fundos especularam usando o short selling e uma multidão de pequenos investidores activistas respondeu especulando contra os fundos. 

Do lado esquerdo é derramada uma prosa vazia de ideias em linguagem panfletária pelo charlatão berloquista a quem o PS deu púlpito no Conselho de Estado e no Conselho Consultivo do BdP , fazendo parte do preço da geringonça pago pelo PS e um verdadeiro escândalo que consistiu em nomear para estes órgãos uma criatura trotskista que repudia a democracia liberal, por um lado, e que se opõe ao euro e à UE, por outro.

Do lado direito, é explicada em linguagem clara e rigorosa o que se passou e expresso em destaque o sentimento causado pela prosa derramada pelo charlatão: «mete dó».

17/02/2020

Os comportamentos racistas como profecia auto-realizada

Desde sempre o futebol português teve jogadores negros e até recentemente não havia memória de espectadores a insultarem por esse facto qualquer jogador.

Até recentemente não existiam na sociedade portuguesa grupos radicais promovendo políticas identitárias e projectando um racismo que existe principalmente nas suas mentes doentes. A arrogância dos grupúsculos auto-denominados anti-racistas subsidiários do Berloque de Esquerda - uma espécie de racismo revertido - só pode exacerbar o preconceito e inspirar reacções negativas dos membros de uma comunidade. O caso da Dr.ª Joacine e da sua pesporrência ridícula também ajudou.

O episódio de ontem em Guimarães dos insultos ao jogador Marega do FCP parece o resultado desse exacerbamento potenciado pelas paixões e a irracionalidade típicas do submundo do futebol.

05/12/2019

Os idiotas úteis e a agenda escondida da luta contra as mudanças climáticas (2)

Já tinha escrito e publicado o post anterior quando li no Blasfémias a agenda, desta vez exibida, da luta contra as mudanças climáticas da Climáximo, uma subsidiária do berloquismo gerida também pela família Louçã - o genro do tele-evangelista. Reza assim:
«Ou derrubamos o capitalismo e mais uma vez nos lançamos na luta das revoluções internacionalistas, ou o terror capitalista autoritário será combinado com um clima implacável para afundar numa escassez desconhecida e numa decomposição social sem precedentes.»
É uma espécie de vulgata do trotskismo da IV Internacional reciclada para aplicação nas lutas ambientais.

Os idiotas úteis e a agenda escondida da luta contra as mudanças climáticas

Num artigo panfletário «Porque insistimos na greve», publicado no Project Syndicate, as três "activistas climáticas" Greta Thunberg, Luisa Neubauer e Angela Valenzuela, revelam sem dar por isso o leitmotiv que as inspira ou, talvez, que inspira os seus inspiradores:
«Afinal, a crise climática não diz apenas respeito ao ambiente. É uma crise de direitos humanos, de justiça, e de vontade política. Foi criada e alimentada por sistemas de opressão coloniais, racistas e patriarcais. Precisamos de desmantelá-los a todos. Os nossos líderes políticos não podem mais fugir às suas responsabilidades.»
Pergunta-se, e várias pessoas se perguntaram, afinal o que têm as mudanças climáticas a ver com os direitos humanos e com a sistemas de opressão coloniais, racistas e patriarcais?

Tem imenso aos olhos das várias encarnações da esquerdalhada, órfãos dos marxismos, leninismos, trotskismos, maoismos, etc. que hoje se abrigam sob estas bandeiras pós-modernas da identidade de género, das lutas anti-racistas contra um racismo inexistente ou ultra-minoritário, e, neste caso em particular, das lutas contra as mudanças climáticas.

O que está em causa é sempre o mesmo, a luta contra dois inimigos que historicamente convivem entre si. O capitalismo como sistema social e económico e a democracia liberal como sistema político. Sistemas incompatíveis com o Estado distópico que a esquerdalhada precisaria de criar e ocupar para trocar as desigualdades existentes, consequência inevitável da liberdade, por outras desigualdades e, acessoriamente, controlar eficazmente a produção e consumo de energia e asfixiar o capitalismo e o resto.

É claro que tudo isto passa ao lado da menina Greta (das outras meninas não tenho a certeza) que, como muitos outros jovens e imensos adultos, são o que os comunistas soviéticos chamavam nos anos 20 e 30 do século passado aos jornalistas e intelectuais, ingénuos uns e outros nem por isso, que faziam o agiprop comunista no mundo ocidental: idiotas úteis.

03/11/2019

É possível uma criatura simular que abandonou o trotskismo mas não é possível tirar o trotskismo dentro dela

«O liberalismo é maravilhoso. Jura baixar os impostos aos ricos, financiar a saúde privada, pagar os colégios, multiplicar os rendimentos, distribuir rios de leite e mel e satisfazer toda a gente. Isto só tem um problema: é que já vimos todas estas promessas, são quase todas feitas com o dinheiro público, e o resultado foi sempre feio.» 
Escreveu no caderno de Economia do semanário de reverência, na sua coluna da 5.ª página (a coluna chama-se «Estado da Noção», mas seria mais adequado chamar-lhe simplesmente 5.ª coluna), o professor Louçã, tele-evangelista, trotskista na clandestinidade travestido de democrata, fundador e dirigente da Liga Comunista Internacionalista - IV Internacional, fundador, dirigente e ideólogo do Bloco de Esquerda (um sortido variado de leninistas, trotskistas, estalinistas e maoistas, muitos deles transmutados no radicalismo chic), especialista no entrismo e actual dignitário do regime com cargos no Conselho de Estado e no Conselho Consultivo do Banco de Portugal.

Em 1983, na conferência do partido Conservador, Margaret Thatcher, respondeu por antecipação:
«The state has no source of money, other than the money people earn themselves. If the state wishes to spend more it can only do so by borrowing your savings, or by taxing you more. And it’s no good thinking that someone else will pay. That someone else is you.
There is no such thing as public money. There is only taxpayers’ money.»

09/10/2019

ESTÓRIA E MORAL: Quem quer controlar o presente tenta controlar o passado para controlar o futuro

Estória

A Direcção-Geral da Educação Endoutrinação do ministério da Educação Verdade propõe-se criar uma nova disciplina do 12.º ano chamada “História, Culturas e Democracia”, disciplina que visa transmitir aos alunos as "aprendizagens essenciais" e está organizada em quatro grandes temas, a saber:
  • “A História faz-se com critério”
  • “Global e Local (“Glocal”) e Consciência Patrimonial”
  • “Passados Dolorosos na História” 
  • “História e tempo Presente”
Sobre o tema “Passados Dolorosos na História”, a Direcção-Geral da Educação Endoutrinação explica que «as memórias individuais e coletivas devem ser valorizadas por constituírem contributos importantes para a compreensão de questões socialmente vivas. Assumir as heranças dolorosas pode e deve contribuir para o apaziguamento das relações sociais inerentes a uma cultura democrática»

Reinterpretar o passado à luz de uma ideologia do presente corresponde a uma necessidade profunda e constitui o comportamento padrão da esquerdalhada em relação à História. O exemplo mais notável e extremo é a reescrita da História pelo Estalinismo que apagou das fotos dos caídos em desgraça, a começar por Leon Trotsky mandado assassinar no México. Ironicamente, Trotsky foi o inspirador da 4.ª Internacional representada em Portugal pela LCI, liderada pelo tele-evangelista Louçã, hoje uma figura de cera do Estado Sucial com pouso no Conselho de Estado e no Conselho Consultivo do BdP.

O Bloco de Esquerda, uma espécie de geringonça avant la lettre do esquerdismo infantil, agrupou sob o mesmo tecto os netos de Trotsky, os netos ideológicos de Estaline, que o mandou assassinar e os netos ideológicos de Mao que, desavindos, se tornaram inimigos dos dois anteriores.

O BE, uma caldeirada ideológica que encontrou nas causas fracturantes o elixir que tem reunido os inimigos do passado, e a quem o PS paga tributo para apoiar o governo no parlamento e fazer o papel de 5.ª coluna nos mídia, com a ajuda interna da tendência pedronunista do PS, o BE, dizia, tem aproveitado para infiltrar o Estado Sucial com a ideologia e os militantes do politicamente correcto, que na essência é o marxismo cultural, uma transmutação do marxismo clássico cujas profecias desabaram com a queda do Império Soviético e a conversão do PC chinês às delícias do capitalismo de Estado.

Moral

A modificação retroactiva da narrativa histórica pela esquerdalhada foi muito bem caracterizada por George Orwell no seu 1984, uma distopia inspirada na União Soviética.

Para quem possa ainda estar distraído, recordo que o preço que o PS de Costa nos está a fazer pagar pelo apoio da geringonça não se limita a ter desperdiçado uma oportunidade, que não voltará tão cedo, de fazer as reformas necessárias para aliviar a sociedade civil e a economia da tutela sufocante do Estado Sucial.

Esse preço já é muito pesado, mas não é tudo. A esse preço devemos juntar a tentativa de condicionar as mentes dos portugueses às obsessões doentias do esquerdismo politicamente correcto.