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09/10/2019

ESTÓRIA E MORAL: Quem quer controlar o presente tenta controlar o passado para controlar o futuro

Estória

A Direcção-Geral da Educação Endoutrinação do ministério da Educação Verdade propõe-se criar uma nova disciplina do 12.º ano chamada “História, Culturas e Democracia”, disciplina que visa transmitir aos alunos as "aprendizagens essenciais" e está organizada em quatro grandes temas, a saber:
  • “A História faz-se com critério”
  • “Global e Local (“Glocal”) e Consciência Patrimonial”
  • “Passados Dolorosos na História” 
  • “História e tempo Presente”
Sobre o tema “Passados Dolorosos na História”, a Direcção-Geral da Educação Endoutrinação explica que «as memórias individuais e coletivas devem ser valorizadas por constituírem contributos importantes para a compreensão de questões socialmente vivas. Assumir as heranças dolorosas pode e deve contribuir para o apaziguamento das relações sociais inerentes a uma cultura democrática»

Reinterpretar o passado à luz de uma ideologia do presente corresponde a uma necessidade profunda e constitui o comportamento padrão da esquerdalhada em relação à História. O exemplo mais notável e extremo é a reescrita da História pelo Estalinismo que apagou das fotos dos caídos em desgraça, a começar por Leon Trotsky mandado assassinar no México. Ironicamente, Trotsky foi o inspirador da 4.ª Internacional representada em Portugal pela LCI, liderada pelo tele-evangelista Louçã, hoje uma figura de cera do Estado Sucial com pouso no Conselho de Estado e no Conselho Consultivo do BdP.

O Bloco de Esquerda, uma espécie de geringonça avant la lettre do esquerdismo infantil, agrupou sob o mesmo tecto os netos de Trotsky, os netos ideológicos de Estaline, que o mandou assassinar e os netos ideológicos de Mao que, desavindos, se tornaram inimigos dos dois anteriores.

O BE, uma caldeirada ideológica que encontrou nas causas fracturantes o elixir que tem reunido os inimigos do passado, e a quem o PS paga tributo para apoiar o governo no parlamento e fazer o papel de 5.ª coluna nos mídia, com a ajuda interna da tendência pedronunista do PS, o BE, dizia, tem aproveitado para infiltrar o Estado Sucial com a ideologia e os militantes do politicamente correcto, que na essência é o marxismo cultural, uma transmutação do marxismo clássico cujas profecias desabaram com a queda do Império Soviético e a conversão do PC chinês às delícias do capitalismo de Estado.

Moral

A modificação retroactiva da narrativa histórica pela esquerdalhada foi muito bem caracterizada por George Orwell no seu 1984, uma distopia inspirada na União Soviética.

Para quem possa ainda estar distraído, recordo que o preço que o PS de Costa nos está a fazer pagar pelo apoio da geringonça não se limita a ter desperdiçado uma oportunidade, que não voltará tão cedo, de fazer as reformas necessárias para aliviar a sociedade civil e a economia da tutela sufocante do Estado Sucial.

Esse preço já é muito pesado, mas não é tudo. A esse preço devemos juntar a tentativa de condicionar as mentes dos portugueses às obsessões doentias do esquerdismo politicamente correcto.

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