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28/10/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (3)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias


Um governo grande não é um grande governo

Estamos perante o governo com mais efectivos desde 1976: são 70-governantes-70, entre os quais 26 dos actuais deputados. Com os assessores e outros exemplares das outras espécies que parasitam os governos, estima-se que haverá emprego para quinhentos boys and girls. De onde a boutade que corre por aí: «estou confuso, o Costa prometeu um médico ou um secretário de estado para cada família

Tão amigos que nós fomos

Perante o numeroso governo, Jerónimo de Sousa fez uma apreciação mais própria de um novo inimigo do que de um velho aliado: «70 membros do governo. Se fosse para servir o povo, não via mal. Mas conhecendo a peça, diria que foi mais para se servirem do povo. Parece que em vez de procurarem pessoas para os cargos, procuraram cargos para as pessoas»

Novos amigos sucederão aos velhos

Diz a lenda que Churchill terá corrigido um conservador neófito explicando-lhe que na bancada oposta não estavam os inimigos, como ele pensava, mas os adversários. Os inimigos estão deste lado, explicou.

Para Rio, no PS também não estão os inimigos, estão os aliados. Os inimigos estão no PSD. É por isso, que se Rio continuar a liderar o PS-D , o PS só será derrotado pela realidade. É óbvio que Rio não é nenhum Churchill - a ser alguma coisa será um Chamberlain - e, lamento dizê-lo, não vejo no horizonte nenhum Churchill por aquelas bandas.

No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito

Terminou o conflito de interesses de Nuno Artur Silva que mudou o seu chapéu de administrador da RTP para o chapéu de secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media. Terminou, como é costume no Estado Sucial, com a venda à família da sua empresa Produções Fictícias.

A Óropa que pague as contas do socialismo

Na falta de ricos que paguem a crise, como preconizava o lema do esquerdismo infantil dos idos do PREC, o esquerdismo senil que lhe sucedeu atribui esse papel à Óropa. É este o essencial do pensamento político socialista, desde sempre partilhado pelo PS e pelo PS-D e ultimamente também adoptado pelo berloquismo e relutantemente silenciado pelos comunistas.

Infelizmente para esse propósito, a Comissão Europeia, de que faz parte a "nossa" Elisa Ferreira, que segundo a lenda haveria de "ajudar" o Portugal dos Pequeninos a continuar a viver de subsídios, está a roer a corda propondo ao PE um corte no próximo quadro comunitário de 7% dos fundos, equivalente a 1,6 mil milhões de euros para Portugal. Como se não fosse suficientemente mau, a presidência finlandesa da UE propõe um corte de 12% ou 2,8 milhões de euros - terão esquecido que lhes enviámos cobertores e latas de sardinha em Novembro de 1939 quando foram invadidos pelo exército soviético?

Os amanhãs que cantarão

O projecto de plano orçamental para 2020 apresentado pelo governo à CE prevê que o investimento público crescerá 9,7% em 2019 e 16,2% em 2020. Esquecendo o expediente a que o governo recorreu nos últimos quatro anos de anunciar aumentos do investimento que nunca são atingidos e depois anunciar um aumento comparando o medíocre executado do ano com o ainda mais medíocre executado do ano anterior, o certo é que mesmo com os aumentos anunciados o investimento público em Portugal em 2020 atingirá 2,2% do PIB e será o terceiro mais baixo dos 19 países em que já é conhecido. Para quem o investimento público era o alfa e ómega da política orçamental é mais uma daquelas realizações pífias do costismo, resultante de serem minguadas as sobras orçamentais do custo de satisfazer a sua clientela eleitoral.

«Temos resultados, temos contas certas»

Nem os orçamentos parecem estar certos. A CE olhou para o projecto de orçamento para 2020 e apontou o dedo à deterioração do saldo estrutural e à subida da despesa pública e pede uma nova versão. Eles não percebem que o socialismo fica caro.

O custo da geringonça

O custo da solução política para viabilizar o governo da geringonça incluiu inúmeras concessões para apaziguar a esquerda comunista e berloquista e uma delas é, ao invés de apostar em reformas que permitiriam aumentar a produtividade para poder aumentar os salários sem comprometer o desenvolvimento, vai aumentado o salário mínimo que em 10 anos subiu 18%, nove vezes mais do que o salário médio, e em 2018 representava 61,4% do salário mediano, o segundo rácio mais alto da UE, 20 pontos percentuais acima da Espanha e 16 acima da Alemanha, por exemplo. Na próxima recessão veremos com mais clareza as consequências.

Todas as bolhas um dia rebentam

Em complemento do surto do turismo, a compra de imóveis por estrangeiros tem sido um dos manás que tem permitido as vacas gordas de Costa voarem. Segundo os dados do Eurostat, citados pelo Expresso, os preços das casas aumentaram 53,4% nos últimos seis anos, o terceiro maior aumento da UE28 e duas vezes e meia mais do que a Zona Euro. Como se calcula, de toda esta massa monetária apenas uma pequeníssima parte tem aplicação produtiva, uma boa parte acaba a financiar a importação de bens de consumo.

Podemos ver em vários ângulos a venda de uma parte da participação que o grupo Mello detém na Brisa, a sua jóia da coroa, passando a accionista minoritário. Do ponto de vista do grupo é uma boa decisão que reduz drasticamente o seu endividamento e lhe permitirá investir em áreas em crescimento rápido, como a saúde. No que está a ter a ajuda preciosa do governo de Costa que asfixia com falta de investimento o SNS e o transforma no recurso incontornável dos indigentes. Do ponto de vista do país é um sintoma de uma profunda doença que é a descapitalização da economia que continuará a afundar todas as oportunidades de crescimento.

Por trás do manto da ilusão socialista, a luz crua da realidade

Abafada pelas pandeiretas da Web Summit, a publicação do Doing Business 2020 do Banco Mundial, com os índices que medem a facilidade (ou dificuldades) das empresas fazerem face ao contexto legal e regulatório, vem mostrar a queda do Portugal dos Pequeninos de 5 lugares no ranking, do 34.º para o 39.º entre os 190 países analisados.

Costa vendeu aos emigrantes o programa «Regressar» com vários incentivos para voltarem. Ao fim de seis meses há 37 emigrantes que voltaram ao abrigo do programa.

1 comentário:

Ricardo Amaral disse...

E estamos para ver qual será a solução proposta(a ver pelos últimos quatro anos não será nada de bom)para o problema demográfico.Entretanto muitos continuam a ir nas cantigas do socialismo,outros factores agora à parte temos uma pista forte https://novomundo111.blogspot.com/2019/10/blog-post.html