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12/07/2025

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Expliquem isso ao Eng. António Guterres

The UN «was not created in order to bring us to heaven, but in order to save us from hell».

Dag Hammarskjöld, economista e escritor, membro da Academia Sueca, Secretário-Geral das Nações Unidas de 1953 até 1961, ano em que morreu num acidente de aviação em Ndola, Rodésia do Norte (actual Zâmbia)

02/10/2019

A encomenda de Guterres ou a ONU como departamento de agitprop do PS


Relatora especial das Nações Unidas para o problema da habitação pede a outros países para seguirem o exemplo de Portugal»

Depois queixem-se da falta de credibilidade desta agremiação em que os sócios são maioritariamente governos de regimes com democracia meramente formal ou abertamente totalitários.

15/12/2018

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Seria perigoso se fosse para levar a sério

«Há dias, em Marraquexe, a ONU juntou os membros, salvo seja, e adoptou um Pacto Global para a Migração, ou o “Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular”. A primeira peculiaridade do Pacto é não ser um pacto, leia-se um acordo entre partes. Mal se anunciou o acordo, percebeu-se que algumas partes não estavam para aí viradas. (...)  No fundo, o Pacto acabará restrito a meia dúzia de países que recebem migrantes, 150 países que os exportam e o Vaticano, fechado às turbulências terrenas. A coisa promete.

A segunda peculiaridade de um pacto celebrado por estados é o pormenor de uns 99,8% das respectivas populações nunca terem ouvido falar do dito até vinte minutos antes do certame marroquino. Compreende-se o segredo. Em regimes democráticos, submeter estas matérias à discussão popular acaba por correr mal. Parecendo que não, o povo é um bocadinho retrógrado, para não dizer “fascista”, pelo que tenderia a desconfiar de aberturas e progressos. Para sossego da plebe, os signatários garantem que o Pacto não é vinculativo, logo não belisca a soberania nacional. Para inquietação da plebe, nos lugares em que a plebe se inquieta (não é connosco), a discrição utilizada no processo prova que a soberania já faleceu há tempos. Quem discordar é livre de emigrar para paragens livres de o recusar. A coisa marcha.»

E você, já adoptou um migrante?,  Alberto Gonçalves no Observador

18/07/2017

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (40) - Guterrando

Outras preces.

Se não fosse este post do Blasfémias também não teria reparado que Marcelo exonerou o único militar até agora por ele nomeado para o lugar de secretário do Conselho Superior de Defesa Nacional.

Tudo começou quando Antunes Calçada durante a apresentação de um livro de um outro militar disse o que foi interpretado pelos presentes (e os ausentes) como classificando o CEME Rovisco Duarte «sabujo para cima» para proteger o ministro Azeredo Lopes e «cão para baixo» ao demitir os cinco comandantes das unidades que tinham a responsabilidade pela segurança de Tancos.

Imitando o inimitável Guterres, «depois de ouvido o Governo», Marcelo produziu um despacho exonerando «Antunes Calçada do cargo de Secretário do Conselho Superior de Defesa Nacional». Porquê exonerá-lo do cargo se a criatura, segundo o despacho, o «exerceu com zelo, competência e dedicação»? O que mostra isto? Mostra que nos momentos de crise Marcelo é incapaz de decidir contra as pressões ou contra a corrente, sempre preocupado com a popularidade e com evitar a crispação.

Contem com ele para as selfies, os afectos, os beijinhos, os abraços e, last but not least, as intrigas. Não contem com ele para tomar decisões disruptivas que serão inevitáveis durante os quatro anos que lhe faltam de mandato, para já não falar no seu segundo mandato pelo qual disfarça mal ansiar.

10/04/2017

Dúvidas (193) - Dará conta do recado? Pelos vistos não (3)

Outras dúvidas do mesmo teor: (1) e (2)

Os sarilhos de Guterres na ONU continuam. Desta vez, um tanto surpreendentemente para quem era considerado um especialista em desgraças, é a Amnistia Internacional que, a propósito do conflito no Iémen, critica Guterres pela boca da sua patroa Sherine Tadros: «ele disse que este é um dos principais temas que iria atacar e ouvimos coisas muito positivas sobre a forma como gosta de se envolver pessoalmente na mediação. No entanto, não vimos nada».

Para quem estivesse ao corrente da sua passagem pelo governo português (10 milhões de portugueses incluindo criancinhas de colo) e dispusesse de uma porção de neurónios ainda activos (uma percentagem não muito alta desses 10 milhões) não seria surpresa que a vida de Guterres como secretário-geral da ONU viria a ser difícil, podendo tornar-se impossível. Porquê então se criaram essas expectativas inverosímeis sobre o papel da criatura? O Impertinente já aqui escreveu que do seu ponto de vista é o resultado dos complexos de inferioridade e da necessidade de encontrar heróis, o refúgio nos falsos consensos e as câmaras de eco do jornalismo de causas. Tendo a concordar.

Há quem continue a garantir que acredita em grandiosas realizações de Guterres na ONU, como Santos Silva, o MNE que gosta de malhar na direita e de massajar a esquerda, que diz não ter «nenhuma dúvida de que Guterres vai fazer reformas nas Nações Unidas — até porque essas reformas são necessárias». É claro que Santos Silva, a menos que fosse parvo que não é, não acredita que quem nem no governo português, numa época de vacas gordas, não fez nenhuma reforma que se visse, fará as reformas necessárias na ONU num contexto especialmente difícil e com poderes de um chefe de secretaria.

20/03/2017

Dúvidas (192) - Dará conta do recado? Pelos vistos não (2)

Diferentemente do que previra Ricardo Costa, não foi preciso que o Presidente americano começasse a tweetar contra a ONU, até porque Trump esteve ocupado com outros tweets, para Guterres se ver em sarilhos. Bastou que a diplomata jordana Rima Khalaf, secretária executiva da Comissão Económica e Social para a Ásia e o Pacífico, publicasse um relatório descrevendo o tratamento de Israel aos palestinos como apartheid. A Comissão dedicada à Ásia e ao Pacífico região onde, como todos sabemos, se situa a Palestina, tem sede em Beirute e inclui, apropriadamente, 18 países árabes entre os quais não há notícia de algum que disponha de um regime democrático.

Perante a reacção americana, Guterres pediu a Rima Khalaf para retirar o relatório alegadamente porque o secretariado da ONU não foi consultado previamente à publicação. Khalaf vitimizou-se pela alegada censura e demitiu-se em protesto. Sem surpresa, a embaixadora americana Nikki R. Haley elogiou Guterres pela sua «decision to distance his good office from it» e o embaixador palestino manifestou a sua admiração pela «principled position in defending principles» da Sr. Khalaf (Fonte: NYT).

Business as usual numa organização onde a maioria dos países membros dispõem de sistemas autocráticos com práticas políticas e sociais que não envergonhariam o apartheid.

02/02/2017

Dúvidas (185) - Dará conta do recado? Pelos vistos não

Já tinha as maiores dúvidas que um Guterres, fugido do pântano no país onde era primeiro-ministro, cargo que estava a léguas de ser the hardest tasks on earth, desse conta do recado como secretário-geral da ONU, cargo a que comentadores do regime, opinion dealers e jornalistas de causas em manifestações de delírio chegaram a baptizar como o «mais poderoso do mundo».

Pois bem, ao ler o que escreveu hoje no Expresso Diário Ricardo Costa (um dos admiradores menos delirantes da criatura), dando-lhe de avanço os tweets de Trump como alibi antecipado para o anunciado falhanço, suspeito que Guterres está acabado antes de começar. Leia-se o que escreveu RC:

«Não deve faltar muito para que o Presidente americano comece a tweetar contra a ONU. Basta que a instituição não faça o que ele quer ou permita discursos ou posições pouco alinhadas com Washington. O azar de Guterres é este: é o homem certo, no lugar certo no tempo errado. O tempo atual é pouco favorável à ONU, infelizmente. Vamos ver isso por algum tempo e é quase impossível que António Guterres não seja arrastado nesse processo. Esperemos que ele consiga lutar contra isso. Era um bom sinal e estamos precisados disso.»

03/01/2017

Dúvidas (182) - Dará conta do recado?

Tough job: the UN’s new boss

«António Guterres, a former Portuguese prime minister who has just taken over from Ban Ki-moon, has one of the hardest tasks on earth. First, he must persuade Donald Trump not to fulfil his most extravagant campaign promises, such as junking the UN-endorsed Iran nuclear deal, withdrawing from the (UN’s) climate-change agreement and backing Israeli settlements on the land the international body has earmarked for a Palestinian state. Tricky: Mr Trump has also expressed contempt for the UN itself. Bloody crises abound (in Congo, Libya and Yemen, to name but a few), so Mr Guterres, a former head of the UN refugee agency thought to be cannier than his lacklustre South Korean predecessor, will rapidly have to set out his priorities. Syria should come first. The new secretary-general will need to co-operate closely with Vladimir Putin, without giving the Russian leader carte blanche to trample on international law elsewhere.»

(The Economist Espresso desta manhã)

Depois de ter fugido do pântano no país onde era primeiro-ministro, cargo que estava a léguas de ser the hardest tasks on earth, permitam-me ter as maiores dúvidas.

12/05/2013

Um governo à deriva (13) - Uma coligação destas dispensa a oposição (II)

Uma espécie de 2.º acto desta peça.

Esperava-se que o guião que há 3 meses Paulo Portas se prontificou a preparar para a reforma do Estado viesse um dia, mais tarde ou mais cedo, a ficar pronto. Ficámos agora a saber, segundo o Expresso, ter o «guião» sido transmutado em «argumentário político que dê sentido ao emagrecimento» e, de acordo com o ditado que o jornalista de causas escreveu, não será um programa de cortes é para «garantir que, apesar das restrições orçamentais, é possível ter um Estado eficiente sem perder equidade». Onde é que é já ouvi isto? Em vários sítios, várias vezes e há muitos anos.

05/03/2013

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Procrastinando

Os ministros das Finanças decidiram hoje na reunião da Ecofin aceitar o princípio de alongar as maturidades dos empréstimos concedidos a Portugal e à Irlanda ao abrigo do programa de assistência e remeteram a decisão para a troika. Decisão que, conhecendo-se a posição actualmente mais flexível do FMI, será provavelmente positiva.

Estamos a falar de maturidades dos empréstimos e não de alongar ainda mais a adopção de medidas de reforma do Estado e dos objectivos do défice, cujo adiamento significaria quase certamente a derrapagem definitiva do PAEF e o esgotamento do pouco ímpeto reformador que o governo tem mostrado.


Neste contexto, é não é um bom sinal o aumento de 4,2% das vendas em retalho em Janeiro, muito acima dos 0,9% da UE. É certo que o pagamento dos duodécimos pode ter tido um contributo, mas reduzido porque a maioria dos empregados optaram por não antecipar os subsídios; por outro lado, sendo o mês de Dezembro tradicionalmente um mês com maior consumo, o aumento em Janeiro tem um significado mais forte.

01/02/2013

Um governo à deriva (9) – Será este o tal governo neoliberal?

Um governo com um banco do Estado (CGD), participações significativas no capital de mais 3 bancos (BCP, BPI e Banif), que está a estudar a criação de um banco de fomento para «apoiar a recapitalização das PME e para impulsionar a reindustrialização», que ninguém sabe se irá financiar directamente ou através da banca comercial, podendo ser um de pelo menos quatro modelos possíveis, um governo assim pode andar à deriva, e anda, mas não é certamente um governo neoliberal.

Afinal por onde andam os 40 mil milhões de euros emprestados a juros evanescentes pelo BCE à banca portuguesa que poderiam e deveriam ser usados para «apoiar a recapitalização das PME e para impulsionar a reindustrialização»? Não andam, estão parados. Oitenta por cento, 32,5 mil milhões, estavam enterrados em dívida pública portuguesa. Se a isto somarmos mais de 30 mil milhões da dívida das empresas públicas na maior parte financiada pela banca portuguesa, chegamos a um montante de quase 40% do PIB que está parqueado para manter o monstro.

26/01/2013

Um governo à deriva (8) – Pior é difícil (mas não impossível)

Continuação daqui.

A gestão do caso RTP é um paradigma das asneiras de um governo que costumamos classificar no (Im)pertinências como mau no género bom, diferentemente dos governos de Sócrates que foram bons no género mau.

Entendamo-nos, mesmo para quem defenda (não é o meu caso) uma coisa chamada «serviço público de televisão», supondo que se saiba do que se trata, não há razão nenhuma para estar alimentar a pão-de-ló um burro que carrega 2 mil passageiros para produzir uma programação miserável que nada distingue das televisões privadas. Por uma fracção dos mais de 200 milhões que custa aos portugueses a RTP seria possível o governo comprar tempo de antena nas televisões privadas para as transmissões de «interesse público».

Depois de um ano e meio de novela realizada pelo inefável Relvas, com episódios de privatização pura e dura, episódios de concessão da exploração, entre outros que não percebi, chegamos a um anticlímax: aliviar o burro de 600 passageiros e reduzir assim a dose de palha. Supõe-se que este anticlímax se deve à necessidade de apaziguar as corporações que se opõem a alterar o status quo que vão desde os 2 mil passageiros até aos operadores privados de televisão, passando pelo CDS, apaziguamento que não parece estar a correr bem dadas as reacções do PS que está contra a «operação de cosmética de emagrecimento» e, inevitavelmente, das reacções do Sindicato dos Jornalistas que defende estar o processo de reestruturação «ferido de clara ilegalidade». Surpreendentemente, neste último episódio da novela, ainda ninguém falou da Constituição. Lá chegaremos, em devido tempo.

05/12/2012

Um governo à deriva (7) – Acobardados

Depois de mais de um ano de tergiversações, vir agora a la Guterres lançar uma sonda para ver as reacções ao modelo mais descabelado de «privatização» de 49% da RTP, só vem confirmar que Miguel Relvas em particular e o governo em geral estão, pelo menos a este respeito, completamente perdidos. 

É que independentemente da inexistente bondade do modelo em causa, ele é completamente inviável. Ou melhor só é viável encontrar um acionista privado que esteja disposto a aturar as constantes intromissões do governo à pala do serviço público, pagando-lhe – muito bem. Ou, dito de outro modo, este modelo teria inevitavelmente todos os defeitos e um custo igual ou superior ao actual.

Não acredito que não haja gente no governo que não perceba o desastre que tem sido a gestão deste caso. A única explicação que encontro é o governo ter-se acobardado de enfrentar a colusão de interesses entre a caixa de ressonância RTP, as câmaras de eco do jornalismo de causas e o lóbi das televisões. Relvas tocou o vespeiro mas com os telhados de vidro que tem as vespas entraram-lhe em casa, na dele e na de Passos Coelho.

08/09/2010

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: A má escola expulsa a boa escola

Secção George Orwell

As escolas têm vindo a aconselhar os alunos que procuram o ensino recorrente, nome pomposo para o ensino para adultos, a inscrever-se no programa «Novas Oportunidades». Questionada, a ministra da Educação deu uma no cravo e outra na ferradura, não confirmando nem a extinção nem a manutenção do ensino recorrente, mas implicitando a extinção a prazo porque a procura é cada vez menor.

Não é caso para se fazerem maninfestações para protestar contra uma extinção tão inevitável como a expulsão da boa moeda pela má moeda, referida alegoricamente por Cavaco Silva para preparar a expulsão do inefável Santana Lopes e aplanar a sua caminhada até Belém. Neste caso, a má moeda são as Novas Oportunidades que oferecem a um analfabeto funcional um diploma, pelo módico custo de contar a triste estória da sua alegre vida, em vez de suar as estopinhas umas horas por semana em horário pós-laboral durante 1, 2 ou 3 anos.

É caso para chumbar a ministra, ou retê-la, para usar a terminologia oficial, por uma de duas coisas: ou porque não percebeu a natureza do dilema, caso em que leva 4 chateaubriands, ou porque, tendo-o percebido bem demais, está a fazer o seu número de assobiar para o lado, caso em que leva 4 urracas.

06/07/2010

BREIQUINGUE NIUZ: Les uns et les autres

Enquanto os estadistas sacrificam o interesse das corporações ao interesse nacional, arriscando as próximas eleições, os estradistas, mesmo com as eleições já perdidas, engasgam-se na sua própria saliva.

02/06/2010

Lost in translation (49) – venha de lá a grana que bastante falta nos está a fazer

«PT não aceita nova oferta da Telefónica mas admite conversar», titula o DE.

19/03/2010

O animal feroz converteu-se em cordeiro manso

Em poucos meses, o governo Sócrates II entregou os pontos em três áreas que a versão I tinha convertido em cavalos de batalha. Na reforma da educação, recuou em toda a linha e continua sob ameaça de manifestações acusado de «traição negocial» pelos sindicatos. Na reforma da saúde depois de ter substituído o ímpeto reformista de Correia Campos pelo ímpeto comunicacional de Ana Jorge, prepara-se para ceder às ameaças de greve e manifestações dos enfermeiros e a contratar médicos reformados pagando-lhes pensão e salário. Em matéria de investimento em infra-estruturas, meteu na gaveta vários projectos que até há pouco tempo considerava inadiáveis.

Em suma está a guterrar, com todos os inconvenientes em relação ao original, que tinha por hábito começar cedo a guterrar. José Sócrates começa tarde, depois de ter gasto energia e paciência e torrado incontáveis milhões de euros.