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30/03/2012

Pro memoria (53) – Cada cavadela, cada minhoca

Cada auditoria do Tribunal de Contas tem revelado um rosário de atrocidades legais e financeiras. A auditoria (*) ao Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação do Ministério da Educação no âmbito do Plano Tecnológico da Educação, uma das jóias da coroa dos governos de José Sócrates, relativa os exercícios de 2007 a 2010 não é excepção.

Os 400 milhões de euros que custou o Plano Tecnológico foram torrados com muitos ajustes directos, alguns deles ilegais, incluindo assessoria jurídica totalizando 1,5 milhões de euros dividido pelos pulgões do regime sociedades de advogados de Vieira de Almeida, com quase 400 mil euros, e Sérvulo Correia, com mais de 1 milhão de euros. Noutros estudos e assessoria técnica foram torrados quase 3 milhões de euros.

A PT Prime que não cumpriu os prazos do contrato de 52 milhões de euros e não teve qualquer penalização, mas também ninguém deu por isso porque não o GEPE não controlou a execução do projecto e o cumprimento dos contratos.

Em síntese, o costume.

(*) Relatório de Auditoria nº 8/2012 - 2ª Secção

17/09/2011

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Do lado errado, outra vez

Secção Padre Anchieta

A proposta Modesto Navarro
O deputado do PCP Modesto Navarro não esteve «preparado para intervir» na discussão sobre reestruturação das empresas municipais porque não recebeu o printout dos documentos enviados para os gabinetes municipais por via digital.

Como os índios tupis do padre Anchieta que na rapidez da caminhada deixaram ficar a alma para trás, os deputados municipais do PCP deixaram ficar a alma atrás do muro em Berlim Oriental. Levam por isso 4 chateaubriands por se encontrarem no lado errado do digital divide e 5 bourbons por se encontrarem de há muito nos outros lados errados da história.

16/01/2010

CASE STUDY: o triimm

Aceito que alguém como o senhor engenheiro possa classificar-me como um pessimista, um derrotista, um velho do Restelo (esta última fia mais fino). Em todo o caso, antes de me colarem o rótulo, podem explicar-me o préstimo de uma «solução tecnológica» desenvolvida pela Novabase, Efacec e Critical Software para ligar um automóvel eléctrico ao telemóvel do seu proprietário e o avisar que a bateria só tem carga disponível para 40 km?

Estou a ver-me ao km 213 na 3.ª auto-estrada Lisboa-Porto com o indicador da bateria do carro a zumbir e a piscar (e eu a pensar, espera aí que eu já trato disso), a parar na próxima estação de serviço em que o senhor engenheiro instalou um carregador da baterias (sim, porque é o senhor engenheiro que faz estas coisas todas), entrar no bar e sentar a beberricar um café Delta (sim, porque o senhor Nabeiro é amigo do senhor engenheiro), esperar que o telemóvel faça triimm (como escreve a menina jornalista do Diário Económico, o jornal do senhor doutor Vasconcellos que trabalha para os senhores Espíritos Santos, os quais, como se sabe, são admiradores do senhor engenheiro, como os seus ascendentes já haviam sido admiradores do senhor professor AOS, um faraó que por cá reinou durante mais de 40 anos), e ao ouvir o triimm dizer com os meus botões: agora sim já posso carregar a bateria.

A tecnologia é uma coisa muito bonita.

07/08/2008

Faça você mesmo (troque as voltas aos «especuladores»)

«American consumers are bypassing Big Oil and Big Auto, they are going directly to the electric car. They are not waiting for fancy new start ups to come out with traditional looking cleantech vehicles. How is this happening? By buying golf carts. More and more American towns are making them legal street vehicles. Some entire states also allow golf carts on roads. Some town police departments are using them for street patrols.» (ZDNet)

08/05/2008

CASE STUDY: a Eslovénia não tem um engenheiro Sócrates

Se tivesse, andaria a substituir importações. Também não tem um plano tecnológico.

Em vez disso, têm empresas como a Pipistrel que vai produzir o Taurus Electro, o primeiro avião eléctrico a ser comercializado que custará cerca de 85.000 Euros.

06/05/2008

BREIQUINGUE NIUZ: a ressurreição da doutrina da substituição de importações segundo o engenheiro Sócrates

«Na cerimónia de apresentação de um novo projecto da tecnológica alemã Qimonda, realizada hoje em Vila do Conde, José Sócrates, citado pela agência Lusa salientou que "Portugal tem hoje um 'cluster' nas energias renováveis que não tinha há três anos", tendo acrescentado que o país "está agora a produzir o que antes era importado porque era demasiado sofisticado para ser feito em Portugal".» (Diário Económico)

Com 60 anos de atraso, o melhor do pensamento económico do engenheiro Sócrates ressuscitou a doutrina da substituição das importações, imaginada pela esquerdalhada que infestava a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) no princípio dos anos cinquenta, que deu um pouco por toda a América Latina os resultados conhecidos. E também por cá o marcelismo a adoptou ao colo da adesão à EFTA, com resultados obscurecidos pelas trapalhadas do PREC. Abandonada por todos, incluindo as luminárias que aconselham o presidente Lula da Silva, parece ter sido acolhida como doutrina oficial do governo (pelo menos nessa manhã).

Este soluço doutrinal foi produzido durante a inauguração da fábrica da Qimonda que fabricará células solares cujo sofisticado processo de produção não incorpora uma só patente, um módico de tecnologia gerado pelas sinapses de cientistas portugueses.

10/04/2008

Do papel almaço ao ciberespaço - a inovação por decreto

Segundo o DN, a proposta de Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas que o Governo aprovou e irá discutir com os sindicatos, prevê o teletrabalho na função pública.

Só quem não conhece de todo o que é administração pública e os requisitos de comunicações, de software e de hardware (este último é o problema mais simples de resolver) para executar um trabalho em condições minímas de produtividade e de controlo pode imaginar que uma medida como esta envolva mais do que uma dúzia de figurantes pagos pelo Governo para aparecer na foto.

A menos que se pretenda um sucedâneo para o casaco na cadeira e substituir o «saiu mas não deve demorar porque tem o casaco aí na cadeira» por «está em teletrabalho». Neste caso o sucesso estará garantido.

15/03/2008

DIÁLOGOS DE PLUTÃO: inominado

- Atão Anunciação, já recebeste a pensão este mês?
- Olha cá, ainda na vi a minha conta na Caixa.
- Estás à espera do quê, mulher? Vê aí na máquina.
- Na m'entendo com ela. Só se for aqui a Vitória. Vê tu filha.
- Olha, a pensão já foi depositada.
(Foto enviada por JB)

26/10/2007

ESTÓRIA E MORAL: o plano tecnológico das hortaliças

Estória

«Ontem, em Abrantes, depois das 19.00, um grupo de agricultores/comerciantes apressa-se para descarregar as frutas e as hortaliças, junto do mercado.
Será Portugal um país atrasado tecnologicamente? Para os que constantemente respondem afirmativamente a esta questão, vejam lá esta foto, onde a facturação é passada na hora, com um portátil e uma impressora em pleno parque de estacionamento. Tirei eu a foto com o tlm.
»
(de um email de MV, que ilustra um fenómeno tão extraordinário como a aparição da Virgem aos pastorinhos)

Moral

Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes.

(Desabafo tornado popular por volta de 1808 pela fraca reacção à ofensiva de Junot. Este, por essa altura, passeava-se por entre as viçosos nabiças de Abrantes, depois de ter assistido à fuga da Corte portuguesa para o Brasil. A coisa levou 7 anos a resolver e só começou a resultados práticos quando o futuro duque de Wellington meteu mãos à obra que começou aqui e concluiu em Waterloo.)

10/10/2007

SERVIÇO PÚBLICO: estará a lesma na mesma corrida da lebre?

Enquanto a Telepac anda entretida a anunciar as suas ligações ADSL de 24Mbs a 54,40 euros por mês (o dobro do preço no mundo civilizado), que quando atingem 10Mbps é caso para fazer uma festa, o consórcio Internet2 anuncia «over 100 Gbps Capacity, Point to Point Circuits, and On-Demand Optical Networking Capabilities Now Available to Research and Education Community» e depois, logo se vê.