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21/10/2026

Crónica da passagem de um governo (72b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 72a)

Chrystal Clear. Part 2

Já aqui citei o aviso de Kristalina Georgieva aos governos sobre os riscos que a economia mundial enfrentará e da inevitável «orientação prudentemente restritiva na política monetária», com cortes das despesas públicas, redução da dívida pública e aumento das taxas de juro.

Agora o Fiscal Monitor da OCDE, cujo tema central (Taxing Better to Boost Growth) é em si uma mensagem aos governos dos países membros, a quem exorta a reduzir as distorções induzidas por impostos, preservando a receita total, repondo a neutralidade do IVA, melhorando o tratamento tributário dos custos de investimento, fortalecendo os incentivos ao trabalho e à inovação e os custos de conformidade para aumentar a produtividade. Não por acaso, em vão se procuram traços destes propósitos no OE 2027 do governo do Dr. Montenegro e também não é por acaso que o FMI não acredita em excedentes dos orçamentos futuros.

Coisas que saltam à vista no OE2027

Infografia (adaptada) do Expresso

Quando se olha para o diagrama acima, alguns números que nos assaltam:
  • A carga fiscal atingirá 125,5 mil milhões, o que corresponde a 36% do PIB nominal previsto para 2027 (em 2025 foi de 35,3%);
  • Um terço das receitas orçamentais (44,6 mil milhões) são contribuições sociais que na sua esmagadora maioria se destinam a financiar pensões futuras e que em grande parte irão ser torradas no presente;
  • O total das contribuições sociais (44,6 mil milhões) cobre menos de três quartos das prestações sociais – quem é que garantiu a sustentabilidade da segurança social?
  • As contribuições sociais só são ultrapassadas como fonte de receita pelos impostos sobre a produção e importação (IVA, na sua maior parte – 62%);
  • O Estado sucial aplicará menos de 10 mil milhões ou menos de 7% das suas despesas para investir no seu capital fixo.
De como o governo do Dr. Montenegro continua a circular na autoestrada mexicana do investimento público…

mais liberdade

Se o governo do Dr. Montenegro é um infortúnio, a oposição é uma desgraça. O berloquismo (1)

Da incompetência dos batalhões de apparatchiks e dos seus comandos resultam inevitavelmente erros, como o do pagamento de pensões mais elevadas do que as devidas pela lei a uns milhares de reformados, desta vez antigos apparatchiks recebendo pensões da CGA. Agora que o governo pretende, de acordo com a lei (princípio que até a DECO reconhece) o Berloque de Esquerda, uma agremiação em vias de extinção, agarra-se como um náufrago a uma boia e produz uma queixa de 43 (quarenta e três) páginas que o chefe da turma Dr. Pureza e o deputado sobrevivente entregaram na Procuradoria-Geral da República.

20/10/2026

Crónica da passagem de um governo (72a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O perigo amarelo. Portugal no topo do mundo

«O perigo amarelo» (Gelbe Gefahr) foi uma expressão popularizada pelo Kaiser Guilherme II em meados da década de 1890, depois da vitória do Japão na Guerra Sino-Japonesa de 1894-1895. Desde então, tem servido, um pouco por todo o mundo, para justificar a discriminação em relação ao Japão e à China. Nos EUA, por exemplo, justificou o Chinese Exclusion Act de 1882 e na Segunda Guerra Mundial, o internamento forçado de japoneses residentes em campos de concentração.

Num país descapitalizado, por décadas a viver acima das posses, tem-se mostrado imune a tais preconceitos e tem acolhido com fervor e gratidão os capitais chineses. Tal como mostra o paper China's Global Ownership de Jennie Baie et al., que vem sendo citado na mídia portuguesa, o Portugal dos Pequeninos é o país com maior participação relativa do capital chinês.

Portugal quase no topo do mundo, noutra modalidade

Segundo o World Economic Outlook de outubro do FMI, o nosso Portugal dos Pequeninos, em três décadas, de 2001 a 2031, crescerá 41,6%, o que o faz o décimo país do mundo com menor crescimento nesse período, a seguir a nove países liderados por Porto Rico, que abrangem seis países em vias de subdesenvolvimento e três cansados de ser desenvolvidos, liderados pela Itália.

Take Another Plan. Percebe-se, ou é preciso fazer um desenho?

mais liberdade

É certo que a venda de 49,99% é bastante menos má do que manter o Estado sucial como accionista único e muito menos boa do que o Estado sucial vender a totalidade ou, vá lá, ficar com uma participação minoritária. O que não é certo, como por diversas vezes mostrei com contas elementares, é que de qualquer das opções de venda resulte a recuperação dos subsídios pagos à TAP com impostos dos contribuintes, como o gráfico acima mostra. É preço da governação socialista nas suas diversas modalidades, PS e PS-D. Já agora, veja-se o diagrama acima.

(Continua)

14/10/2026

Crónica da passagem de um governo (71a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Take Another Plan. Será a Luft tansa?

Parece que a Lufthansa irá comprar metade (49,9%) da TAP por 1.201 milhões, de modo que os 100% valeriam 2.407 milhões. Como os governos do PS sepultaram lá 3.340 milhões, as perdas entre 2016 e 2025 a TAP totalizaram 1.481 milhões e os lucros nesses anos foram de 321 milhões, incluindo o 1.º semestre de 2026, os prejuízos líquidos atingiram 1.231 milhões, montante que adicionado às injecções de capital totalizou 4.571 milhões que agora se concluiu valerem 2.407 milhões. Daqui resultaria que num país normal o líder parlamentar socialista, Dr. Eurico Brilhante Dias, que felicitou o seu partido pelo Dr. Montenegro ter previsto num comício que o seu governo iria recuperar com a venda da TAP todo o dinheiro lá enterrado pelo governo PS, deveria pedir demissão com efeitos retroactivos à data em que produziu tal desconchavo.

Dito isto, a Endgültige Lösung für TAP (pun intended) podia ter sido pior. A cultura alemã de gestão empresarial, com todas as suas fraquezas, complementa e contém o avacalhamento gestionário lusíada e uma TAP luso-alemã poderá ser um operador rentável – na condição do governo não usar os seus 50,1% para fazer o que costumam fazer os governos portugueses.

Onde estava o Dr. Centeno durante a falência socrática do Estado sucial?

Possuído por uma ambição mal servida por talento e atacado por uma verborreia incontida, o Dr. Centeno desdobra-se em declarações faladas e escritas. Exemplo destas últimas foi o seu artigo com um título a puxar ao manifesto político («Montenegro destrona Sócrates»), onde acusa o governo do Dr. Montenegro de colocar em causa as “contas certas” e “demonstra” que é mais despesista do que o do Eng. Sócrates. Seria uma declaração no mínimo arrojada, já que o Animal Feroz levou o Estado sucial à bancarrota e o Dr. Montenegro “apenas” não faz as reformas indispensáveis e não reduz tanto a dívida pública como poderia. Porém, não havendo memória de algum dia, na qualidade de diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos do BdP de 2004 a 2013 ou em qualquer outra ou como cidadão, ter apontado o dedo à governação socialista do Eng. Sócrates, a sua declaração, mais do que arrojada, é desavergonhada.

No Estado sucial não há conflito de interesses. Há interesses em conflito

Como se não fosse suficiente, o Dr. Centeno confirmou a sua tendência para iludir os conflitos de interesse, evidenciada quando pulou do ministério das Finanças para o Banco de Portugal, pulando agora do Banco de Portugal, onde ocupava o lugar de governador, para a administração de uma seguradora que é um braço financeiro do grupo bancário espanhol Abanca, grupo que havia comprado o banco EuroBic,m com a aprovação do Dr. Centeno durante o seu consolado no Banco de Portugal.

Chrystal Clear

No seu discurso de abertura da assembleia anual do FMI, a directora-geral Kristalina Georgieva avisou claramente os governos dos riscos que a economia mundial enfrentará e da necessidade imperiosa de uma «uma orientação prudentemente restritiva na política monetária», ou seja, cortem as despesas públicas, reduzam as dívidas e preparem-se para pagar juros mais elevados.

O futuro no Estado sucial é mais difícil de prever do que o passado na União Soviética (*)

Uma avaliação da sustentabilidade do sistema público de pensões num país normal seria feita por um modelo reconhecido, como o Overlapping Generations Model (ver aqui uma descrição resumida), e conduziria à constatação ululantemente óbvia que algures dentro de menos de uma geração o fundo de reserva estará esgotado como, sem gastar muito latim, foi constatado por um actuário que que sabe do que fala aqui citado. No mesmo sentido, o relatório «Reformar as Pensões em Portugal» do grupo de trabalho nomeado pelo governo conclui que a reserva é insuficiente e o sistema só será sustentável com uma reforma profunda.

E chegamos assim às projecções do governo no OE 2027 que sonha com um Fundo de Estabilização inesgotável que em 2070 atingirá 254 mil milhões de euros.

(*) Uma piada popular recorrente na URSS, citada, entre outros, pelo historiador soviético russo Natan Yakovlevich Eidelman. 

(Continua)

06/10/2026

Crónica da passagem de um governo (70a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Montenegro não se poupa a tentar resolver os grandes problemas nacionais

E foi assim que interveio no momentoso quid pro quo entre Cristiano Ronaldo, um jogador em fim de carreira que já foi um dos melhores do mundo, e o Sr. Jorge Jesus, um seleccionador cuja ignorância da língua portuguesa não o impede de obter bons resultados. E ainda teve tempo de telefonar ao Sr. Proença, presidente da Federação e antigo árbitro bem-sucedido, dizem, mas que falhou na arbitragem entre o CR7 e Jesus.

A tragédia dos alunos sem professor é uma comédia de baixas e de imobilidade

Para não me repetir, remeto para o item "Afinal quantos professores temos?", onde concluí que não se sabe quantos professores existem, sendo certo que durante o consolado costista o número de alunos se reduziu em cem mil, redução parcialmente compensada pela invenção de novas disciplinas.

Como as baixas no presente ano lectivo só na primeira semana ultrapassaram os dois mil professores e os milhares de professores do Norte que não estão a dar aulas não estão disponíveis para vir para o Sul, só por milagre se evitariam os 664 horários por preencher na região de Lisboa (fonte)

Deve um ministro responder pelos erros de uma plataforma?

Já se sabia há mais de dois meses e está agora claro que a causa principal dos atraso na avaliação da provas está os erros da Plataforma de Classificação e Supervisão (PCS), desenvolvida por uma empresa Blat seleccionada por um instituto com autonomia administrativa (Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação - EduQA).

O Estado sucial português é o garante do direito ao aborto nos PALOP

Segundo a DGS, mais de quatro em cada dez IVG (o nome politicamente correcto do aborto) foram de mulheres estrangeiras, e mais de metade destas provenientes dos PALOP.

Não é o turismo que é de mais, é o resto que é de menos

O Dr. Machado, secretário de Estado do Turismo, estima que o turismo vai crescer este ano 2,5%, e ultrapassar 32 milhões de turistas e 125 milhões de dormidas. Dizem os detractores do turismo que este crescimento aumenta a dependência de um sector muito volátil com qualificações e salários baixos que manterão baixa a produtividade do trabalho. Os detractores esquecem que, com a prevista redução futura dos dinheiros de Bruxelas, é preciso encontrar um sucedâneo que evite ter de fazer reformas.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

A CReSAP é uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos. Foi completamente ignorada durante os consolados do Dr. Costa, cujos governos enxamearam o aparelho do Estado sucial com gente incompetente ou/e corrupta. Pelos vistos, o governo actual está a seguir o mesmo caminho, nomeando 85% a 90% dos quadros que já ocupavam o cargo em regime de substituição, isto quando não fazem como o Dr. Pinto Luz que nomeou o seu chefe de gabinete para presidente do Instituto de Mobilidade e Transportes.

É por isso que o preço da gasolina é uma questão nacional

Como se vê no gráfico seguinte, o aumento do preço dos combustíveis está a dificultar o uso do automóvel pelos pobres que constituem quase 90% da população. 

mais liberdade

Entretanto, os neoliberais entendem que o aumento do preço dos combustíveis é apenas o resultado do aumento do preço das matérias-primas devido ao bloqueio de um quinto da produção mundial que passava, e agora não passa, pelo Estreito de Ormuz. Em consequência, dizem os neoliberais, é um problema que não se resolve com subsídios directos ou indirectos (o nome politicamente correcto de tirar dinheiro a uns para dar a outros) mas com o ajuste da procura à oferta, como o estão a fazer os consumidores ignorantes destas subtilezas (o consumo de combustíveis reduziu-se 10,3% em resposta ao aumento de 6,3%).

(Continua)

28/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 69a)

O governo do Dr. Montenegro não faz reformas, faz engordas

O dinheiro dos contribuintes europeus canalizado pelo PRR – a bazuca do Dr. Costa - serviu também para contratar um batalhão de 1.300 funcionários que «o fim do PRR ameaça deixar desempregados trabalhadores que o Estado contratou», e que o ministro da Economia já prometeu fazer «o possível» para os manter como utentes da vaca marsupial pública na companhia dos restantes 767 mil.

O Dr. Montenegro ou o Dr. Sarmento deveria seguir a sugestão do Dr. Centeno…

… «explicando onde é que o Governo vai cortar 12 mil milhões de euros para cumprir metas europeias», uma vez que o governo está a contar com um excedente da Segurança Social que não existe e as contas públicas têm um «défice profundo». O Dr. Centeno está carregado de razão, apenas faltou dizer que o Dr. Montenegro e o Dr. Sarmento estão a contar com um inexistente excedente que o Dr. Costa e ele próprio contaram.

Vale a pena acrescentar que chegaram tarde as preocupações de “contas certas” de um Dr. Centeno que garantiu que a reversão para 35 horas não teria impacto orçamental (o aumento da despesa pública em Saúde duplicou entre 2015 e 2025) e converteu o investimento público na autoestrada mexicana do PS.

Take Another Plan. SATA, uma TAP açoriana

Recordemos, uma vez mais, que a SATA, a companhia regional de aviação dos Açores, assinou em 2016 um contrato de leasing de um avião Airbus A330 que custou até 2023 mais de 40 milhões de euros, com o avião estacionado desde 2019 no aeroporto Sá Carneiro, por custar mais caro mantê-lo a operar. Entretanto, a SATA recebeu ajudas de 453 milhões de euros e só em 2023 a comissão de inquérito do parlamento açoriano se deu conta. Descobriu-se mais tarde que a SATA estava tecnicamente falida, ninguém parece saber qual o montante exacto do passivo e procura-se desde 2024 um candidato privado para comprar o mono.

Como se fosse pouco, o governo dos Açores, que tem usado o dinheiro dos contribuintes para sustentar o elefante branco da SATA, aumentou as taxas aeroportuárias ao ponto da Ryanair ter decidido terminar há 6 meses a sua operação iniciada em 2015, que deu um importante contributo para o crescimento do turismo açoriano. Resultado: desde Abril o turismo para os Açores caiu 8% e teve menos 100 mil turistas.

“O acerto de contas chegou” (*)

Trading Economics

Como mostram os gráficos, as yields das obrigações a 10 anos do Tesouro português e do Tesouro americano (e de muitos outros), que vinham a crescer desde o início do ataque americano ao Irão, estão a atingir máximos de uma década. O Dr. Centeno deveria ter também pedido ao Dr. Montenegro ou ao Dr. Sarmento para explicarem como é que vão ser pagos os juros crescentes das próximas emissões e como vai ser compensada a redução resultante do aumento das yields do valor de mercado de 25 mil milhões de euros das OT que fazem parte do  Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado economista-chefe do FMI.

22/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 68a)

A popularidade dos ministros diz mais sobre os eleitores do que sobre os ministros

Segundo o Tracking poll da CNN, além do incontornável saco de pancada do MAI Dr. Neves, são os ministros das áreas onde algo foi mudado ou tentado mudar os mais penalizados. Os mais populares são os ministros que distribuem ou parecem distribuir dinheiro (Finanças, Agricultura, Economia) ou que não têm impacto no quotidiano do eleitor (Ambiente, Negócios Estrangeiros).

Por alguma razão o Dr. Costa pronunciava “protividade”

Como já vimos, em dez anos, a economia portuguesa registou o quarto menor aumento de produtividade, abaixo, ou mesmo muito abaixo, do pelotão dos países ex-soviéticos. Segundo os cálculos da Associação Business Roundtable Portugal, a produtividade do trabalho por hora trabalhada, em paridade do poder de compra, é actualmente de 66,9% da média da UE, mais baixa do que a registada em 2000 (67,6%).

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Gostaria de poder explicar como foi possível o DN ter concluído que, com 11,4 milhões de residentes, a actualização do Registo Nacional de Utentes do SNS apurou mais de 19 milhões de inscritos e «deu médico de família a mais 107.453 utentes» - a única explicação que me ocorre é a conhecida ubiquidade dos portugueses ou um milagre da multiplicação dos utentes.

É mais fácil lançar projectos-piloto do que tornar eficiente a administração pública

O expediente adoptado por quase todos os governos (com a possível excepção do governo de Passos Coelho que governou encapsulado pelo Memorando de Entendimento) para “reformar” a administração pública foi de criar novos órgãos, departamentos, comissões, grupos de trabalho, estruturas de missão ou de projectos-piloto, como o agora anunciado para formar 100 mil trabalhadores em inteligência artificial, projecto do qual que, na melhor hipótese, não resultará nada e, na pior e mais provável, levará a concluir que serão necessários mais meios e a contratação de mais uns milhares de utentes da vaca marsupial pública, como o “reforço” da ASAE com 55 novos inspectores.

Em alternativa a eliminar a burocracia que emperra a máquina administrativa, como a «gestão de todos os licenciamentos, construção ambiental e industrial», o Dr. Matias imagina uma burocracia gerida pela IA com os mesmos procedimentos e, naturalmente, envolvendo mais uns milhares de apparatchiks formados em IA.

Para começar são mais 1,2 mil milhões de palha para a vaca marsupial pública

Citando o Jornal Eco, ainda antes de quaisquer medidas que aumentem a despesa corrente, o OE 2027 terá de contar com um aumento de 1.231 milhões de euros da despesa com pessoal da Administração Pública.

O contributo da esquerda “inteligente” para tornar obtusos os jovens

mais liberdade

Este é o resultado de dez anos de facilitismo para tornar os alunos felizes, de propaganda da identidade do género e do ideário woke.

21/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Fernando Alexandre poderá não ser um génio da governação e ainda que fosse…

… não conseguiria evitar que com a extinção da DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) um bando de apparatchiks sindicais não pusesse o pauzinho na engrenagem e usasse o jornalismo de causas para inchar o número de alunos ainda não colocados (umas centenas nalguns concelhos da zona da Grande Lisboa, onde se concentram filhos de imigrantes).

… como não conseguiria evitar a epidemia habitual de baixas nesta altura do ano lectivo que só na primeira semana ultrapassou os dois mil professores.

… como não conseguiria evitar que o Dr. Carneiro inventasse que esta foi a primeira vez em que houve alunos sem aulas no início do ano lectivo, que o jornalismo amigo instalado nas redacções não fizesse o agitprop do costume, insinuando que haveria menos candidaturas às universidades por causa da avaliação dos exames, quando, finalmente, as candidaturas aumentaram 33% face ao ano anterior.

Andam obcecados pelo 6.º preço mais caro da gasolina…


… ainda assim um preço mais baixo do que a média da UE e esquecem o que verdadeiramente importa - o quarto aumento mais baixo da produtividade em 10 anos.

A saga dos cacilheiros. Epílogo ou talvez não

Em 2019 foram comprados cacilheiros eléctricos pela Transtejo, uma das muitas empresas públicas geridas por apparatchiks lunáticos, cacilheiros que, ficou a saber-se, ficaram acostados vários anos por falta de baterias e um deles foi severamente danificado por ter chocado com o cais devido ao mau tempo - foram projectados para navegar em lagos. Sete anos depois, o Dr. Pinto Luz apresentou com visível satisfação a frota eléctrica.

Canários na mina de carvão

Até Agosto, da produção automóvel caiu 6,3% em termos homólogos, queda que, com a crise que atravessa a indústria automóvel europeia ameaçada pela concorrência chinesa, não é provável que seja conjuntural.

“O acerto de contas chegou” (*)

A emissão de mil milhões de BT a 12 meses na semana passada fez-se a uma taxa de 3,103%, 49 pontos-base acima da emissão de Maio do mesmo prazo.
(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

A redução da dívida foi mais à conta da inflação do que pelas “contas certas” do Dr. Costa

mais liberdade

(Continua)

20/09/2026

CASE STUDY: Will AI create a job apocalypse?

The jobs apocalypse is postponed.
An AI jobs boom is here

AI is generating new white-collar roles, such as AI engineers, data annotators, implementation specialists, and AI executives. Demand for these occupations has grown rapidly, creating entirely new career paths that barely existed a few years ago

In addition, AI appears to boost productivity in professions such as law, research, and finance. By allowing workers to complete tasks more efficiently, AI can lower costs and increase demand for professional services, potentially creating even more employment.

Some occupations, particularly routine administrative and customer-service jobs, are already shrinking as AI systems become more capable, however, technological change is likely to continue creating new types of work, just as previous technological revolutions generated occupations that did not previously exist.

In summary, AI is disrupting some jobs, but so far its overall effect on employment appears positive, with job creation outweighing job losses.

14/09/2026

Crónica da passagem de um governo (67)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Preparemo-nos para a autoestrada mexicana do Dr. Sarmento

Durante o consolado do Dr. Centeno e dos seus sucessores foi prática orçamental da política das “contas certas”, inventada pelo Dr. Costa, comparar sistematicamente o investimento público orçamentado no ano (sempre empolado e nunca executado) com o investimento público executado no ano anterior (sempre inferior ao orçamentado para esse ano) e anunciar estar sempre a aumentar quando na verdade não aumentava ou mesmo diminuía.

Com a redução ou a extinção dos excedentes orçamentais e a distribuição do bodo aos pobres da descida de IRS e da gratificação de Natal aos pensionistas, o Dr. Miranda Sarmento pode ver-se na necessidade de adoptar o expediente que ele tão fortemente criticou há cinco anos («A farsa orçamental continua… mesmo em tempos de pandemia») e que baptizámos de autoestrada mexicana do investimento. É o que se pode deduzir da garantia do MF aos deputados de que se a coisa correr mal a resposta «não assentará em aumentos generalizados de impostos, nem em cortes indiscriminados nos serviços públicos, preservando antes o equilíbrio através de controlo rigoroso da despesa e priorização das medidas com maior impacto económico e social» (fonte)

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

O número de cirurgias no 1.º semestre desceu nas três maiores regiões de saúde e caiu 4,7% no total nacional, enquanto o número de “utentes” na fila aumentou 278 mil ou 4,2% do total (fonte).

«Portugal não esperou pela Europa. Fez o trabalho de casa»

Foi o que, face à proposta apresentada pela CE, disse o Dr. Pinto Pangloss Luz, "trabalho de casa" que o governo diz ter feito com o programa “Construir Portugal”.

O trabalho de casa

O número de edifícios licenciados caiu 9,7% no primeiro trimestre e 7,1% no segundo (fonte).

“O acerto de contas chegou” (*)

Taxa de inflação (Trading Economics=


Euribor Rates

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

No topo errado do ranking da UE

Expresso

Tendo como base o ano de 2025, em dez anos a economia portuguesa teve, até ao segundo trimestre deste ano, o quarto aumento mais baixo da produtividade, abaixo ou mesmo muito abaixo do pelotão dos países ex-COMECON que, libertos do jugo do Estado Soviético, têm tido uma progressão muito mais rápida do que a do Portugal dos Pequeninos liberto do jugo do Estado Novo.

13/09/2026

CASE STUDY: O Estado liberal dinamarquês é uma boa solução para os dinamarqueses

Pedro Santa Clara, uma mente liberal na academia portuguesa - uma espécie não protegida mais rara do que o lince da Serra da Malcata num ambiente hostil -, publicou há dias no jornal Eco o artigo «Muito mais liberais do que nós», onde descreve com compreensível admiração o sistema político dos países nórdicos, em especial o dinamarquês. 

Cito, a seguir, uma curta amostra da sua argumentação e remeto para a leitura integral do artigo. 

«A Dinamarca não tem salário mínimo legal. O despedimento faz-se por carta, com aviso prévio, sem tribunal. A maioria dos funcionários públicos tem um contrato igual ao do sector privado. A idade da reforma sobe automaticamente com a esperança de vida desde 2006 e o parlamento votou em maio de 2025 fixá-la em 70 anos para quem nasceu depois de 1970. Dois terços da despesa pública são decididos e executados pelos municípios e não pelo governo central. O IVA é de 25% sobre tudo, sem taxa reduzida para o restaurante nem para a eletricidade. O orçamento teve um excedente de 2,9% do PIB em 2025 e a dívida pública é de 28% do PIB. A Suécia aboliu o imposto sucessório em 2004 e o imposto sobre a fortuna em 2007, e desde 1992 paga a escola que os pais escolherem, pública ou privada, com fins lucrativos ou sem eles. (...)

O consumo final das administrações públicas, que é a medida do que o Estado produz diretamente em escolas, hospitais, tribunais e polícias, é de 26,5% do PIB na Suécia e 23% na Dinamarca. Em Portugal é 16,9%. Em contrapartida, Portugal gasta 13% do PIB em pensões, contra 8 a 9% na Dinamarca e 7 a 8% na Suécia, e passou uma década a pagar juros que os nórdicos não tinham. O Estado nórdico é uma máquina de produzir serviços de qualidade. O Estado português é uma máquina de transferir dinheiro de uns bolsos para outros, com uma comissão elevada pelo caminho.»

Subscreveria sem dificuldade a demonstração de Pedro Santa Clara da superioridade do modelo nórdico para oferecer aos cidadãos uma sociedade livre e próspera. Só não subscrevo a conclusão implícita de que esse modelo é viável num Portugal dos Pequeninos, e não subscrevo por considerar qualquer característica atávica dos portugueses, mas porque os portugueses são eles e a sua circunstância, como notou Ortega y Gasset em relação ao eu.

A circunstância dos portugueses são séculos de história que caldearam uma cultura colectivista e avessa ao risco, como constatou o modelo 6-D de Geert Hofstede (recorrentemente citado neste blogue) e destilaram elites medíocres, como o próprio Pedro Santa Clara implicitamente reconhece num outro artigo (A oferta de estadistas), em que descreve o sistema político português e constata a sua incapacidade para gerar líderes que escapem ao estigma da mediocridade. 

Sendo assim, perguntarão, como é que se chega lá? E eu respondo, não sei se, e não sei como. Não está escrito em parte alguma que todas as nações tenham de ser sempre livres e prósperas e o que não faltam são exemplos de Estados mais ou menos falhados entre os cerca de 200 existentes. Não sei como se chega e suspeito que não se chega com recurso ao pensamento milagroso, por exemplo.  

10/09/2026

Crónica da passagem de um governo (66b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 66a)

Canários na mina de carvão

[Recordo que nas minas de carvão se usavam canários que são muito sensíveis ao monóxido de carbono e ao metano para alertar os mineiros de um perigo iminente.]

Aparentemente está tudo a correr bem na mina. Até uma jornalista íntegra e profissional como Helena Garrido, não sente o cheiro do metano (o monóxido de carbono não tem odor). Estamos a crescer, o desemprego é historicamente baixo, os salários crescem acima da inflação, a dívida pública continua a diminuir e as contas públicas estão equilibradas e, cereja no topo do bolo, a Fitch subiu a notação de A para A+. Até poderia ter celebrado a redução do défice da balança comercial de bens (como este jornal) e não o fez, eventualmente porque olhou para o comportamento do conta corrente e viu esta evolução da balança corrente

Trading Economics

Depois vêm as más notícias. A pior de todas é que a produtividade do trabalho – o indicador crucial que reflecte a capacidade do país criar riqueza – é a quarta mais baixa da UE e voltou a cair no 2.º trimestre

Expresso

A segunda pior é que, se é certo que a dívida pública tem vindo a diminuir, tudo aponta para os juros irem aumentar, como as pessoas mais atentas já perceberam (A subida dos juros vai doer, O acerto de contas chegou) e os mercados já anteciparam, e mostram as yields da dívida colocada nos últimos dias que aumentaram face à últimas emissões 29 (prazos 8,7 e 3,4 anos) e 55 (prazo 8 anos) pontos base. (fonte)

Com o metano a vazar na mina, a gerência acende uma fogueira para aquecer os mineiros

E o que faz o governo para mitigar os riscos externos e internos que ameaçam a economia portuguesa? Ora, faz o que sabe fazer. Em plena orgia de oratória, a propósito das trapalhadas do Dr. Neves, o Dr. Montenegro anuncia o bodo aos pobres com uma descida de IRS e uma gratificação de Natal aos pensionistas. Isto é coisa de pobres com pouca vergonha, o Sr. Trump, que é rico sem vergonha, prometeu USD 5.000 a cada adulto se o seu partido ganhar as eleições intercalares.

01/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Take Another Plan (1). Os lucros caem ou os prejuízos sobem. Isso é uma constante. Variáveis são as causas

A TAP acabou de anunciar os resultados do 1.º semestre, que foram perdas de 71 milhões atribuídas ao aumento do preços do jet fuel. O aumento dos preços dos combustíveis, devido à guerra de estimação do Sr. Trump com os aiatolás, explica 89 milhões e o aumento dos custos com pessoal explica 36 milhões. Se os preços do combustível se tivessem mantido constantes, ainda assim, a TAP teria tido um resultado medíocre de 18 milhões, face aos mais de 2 mil milhões de receitas do semestre, resultado que se segue a uma queda dos lucros de 70% em 2024 e de 90% em 2025. Enfim, trocos face aos 3.340 milhões de euros de subsídios lá enterrados.

Take Another Plan (2). Para os socialistas, no perder é que está o ganho ou a maldição da tabuada

O Dr. Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar socialista, felicitou o seu partido pelo Dr. Montenegro ter previsto num comício que o seu governo iria recuperar com a venda da TAP todo o dinheiro lá enterrado pelo governo PS (3.340 milhões). Se o Dr. Brilhante soubesse a tabuada, teria concluído que entre 2016 e 2025 a TAP apresentou perdas em 2016 e entre 2018 e 2021, totalizando 1.481 milhões, e lucros nos restantes anos, totalizando 321 milhões. Ou seja, apresentou no conjunto desses anos, incluindo o 1.º semestre de 2026, prejuízos líquidos de 1.231 milhões que consumiram 37% dos subsídios lá torrados.

Que o Dr. Brilhante possa ter escrito isso sem que a comentadoria deste Reino de Pacheco tenha feito o menor reparo aos disparates do Bloco Central da Asneira, não chega a ser surpreendente (Camilo Lourenço fez o reparo, mas não faz parte do Reino de Pacheco), dá uma medida da indigência mental dos comentadores encartados.

No Portugal dos Pequeninos o lucro empresarial é um pecado tolerado - desde que seja pouco

mais liberdade

Que apenas durante o período da crise financeira de 2012-2018 as empresas portuguesas tenham tido margens de lucro superiores à média dos 38 países da OCDE é mais difícil de explicar do que a queda das margens nas últimas décadas.

A China aposta na alta tecnologia portuguesa

O investimento directo estrangeiro não é grande coisa e também não é animador o capital chinês acreditar na "tecnologia avançada" da indústria portuguesa e ir investir 30 milhões numa fábrica de fiação a húmido de linho e cânhamo.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… destacar alguns polícias dos pantagruélicos efectivos policiais do Portugal dos Pequeninos - o quarto país da UE com mais polícias por 100 mil habitantes -, para policiar a linha de alta velocidade Évora-Elvas, onde já se queimaram 460 milhões e continua sem ser certificada, devido aos furtos de equipamentos de catenária, sinalização e telecomunicações.

(Continua)

24/08/2026

Crónica da passagem de um governo (64a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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O Dr. Montenegro esqueceu que o «menos bem» é o que o seu governo faz correr

Na missa do Pontal, onde os sumo pontífices em exercício do PS-D costumam todos os anos dirigir-se aos crentes para revigorar a sua fé, o Dr. Montenegro, queixou-se de que ninguém fala «das grandes coisas que estamos a fazer bem» e só falam «das pequenas coisas que, porventura, não corram tão bem», referindo-se implicitamente ao jornalismo e à comentadoria. Tem de se dar ao Dr. Montenegro alguma razão por muitos dos membros dessas agremiações praticarem o que o Dr. Ascenso Simões chamou com uma expressão colorida «chafurdar em coisas de merda». Por outro lado, tem de se conceder também ao jornalismo e à comentadoria razão de que as supostas «grandes coisas» devem-se tanto ao governo como à divina providência, ao passo que as pequenas coisas são as únicas em que o governo toma a seu cargo com escasso sucesso.

Por falar em coisas que se devem à divina providência

Até meio de Agosto a área de floresta ardida este ano é um quarto da área ardida em 2025. É tão verdade como os incêndios até meados de Junho de 2017, em pleno primeiro consolado do Dr. Costa, se terem portado muito bem antes da tragédia de Pedrógão Grande que fez 66 mortos, queimou 500 casas e 53 mil hectares de floresta.

Por falar em «pequenas coisas» que não correm bem

Já aqui anotámos o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil e anotamos agora que os Registos Comerciais têm mais de dois mil dias de atraso e o governo deixou de publicar os dados.

O Hospital Amadora-Sintra, que já teve uma gestão privada de sucesso (foi extinta a PPP pelo governo do Eng. Sócrates), apresentava na tarde da sexta-feira passada um tempo de espera dos doentes urgentes superior a 9 horas.

A renovação das cartas de condução pelo processo online criado no âmbito da "transição digital" está atrasada há vários meses. Deve aguardar que o Portugal dos Pequeninos suba ao pódio mundial da IA pela mão do Dr. Matias.

E por falar do colapso do SNS…

… como está o estudo aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros de 7 de março de 2025 para a criação das cinco PPP para gerir os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Almada e os cerca de 170 centros de saúde nessas áreas?

Onde param os dados do ranking das escolas?

Os dados do ranking de 2024 das escolas secundárias o ano passado foram publicados em Abril e tornaram possível o (Im)pertinências publicar em Setembro três posts com os resultados do tratamento estatístico e as conclusões: «O que nos diz o ranking das escolas de ensino secundário» (1), (2) e (3). Os dados do ranking, cada ano publicados com maior atraso, como aqui sublinha João Marôco, este ano estão ainda mais atrasados do que o costume, fazendo suspeitar de um expediente para adiar más notícias em cima da má notícia do atraso da publicação do resultados dos exames.

Ao querer sacudir o aumento dos combustíveis o governo deu um tiro no próprio pé

O relatório da ERSE pedido pelo governo não encontrou evidências de manipulação dos preços pelos produtores. Os preços têm evoluído em linha com os da UE e, em relação à Espanha, a principal diferença resulta dos impostos que em Portugal são mais 41,8 cêntimos na gasolina e 25,1 cêntimos no gasóleo.

(Continua)

11/08/2026

Crónica da passagem de um governo (62b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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(Continuação de 62a)

Não é o turismo que é de mais, é o resto que é de menos


Em 2025, o turismo registou um crescimento nominal de 5,3% no PIB e de 5,5% no Valor Acrescentado Bruto (VAB, que mede o valor da produção líquida dos consumos intermédios). O VAB directo e indirecto gerado pelo Turismo foi de 30,4 mil milhões de euros equivalentes a 11,4% do VAB nacional e o contributo para o PIB foi de 36,2 mil milhões de euros ou 11,8% do PIB nacional. O contributo para o crescimento real do PIB nacional foi de 0,3 pontos percentuais equivalente a quase 1/3 do crescimento que se ficou em 1,9% o ano passado. (fonte Conta Satélite do Turismo para Portugal)

Se a isto acrescentarmos o crescimento de 10,6% do emprego no turismo, que passou a representar mais de um décimo do emprego total, percebe-se que o turismo é uma actividade essencial para a economia do Portugal dos Pequeninos não se afundar ainda mais. Sem o turismo e sem os 17 mil milhões que recebemos do PRR nos últimos quatro anos, já teríamos fechado a loja, o que nos leva a concluir que, não se sabendo o que vai ser o futuro, ainda assim podemos concluir que, com o turismo a desacelerar e o impacto do fim do PRR nas finanças públicas, o futuro não será igual ao passado.

Hoje há cadelinhas, amanhã não sabemos

mais liberdade


Enquanto o Dr. Montenegro se priva das férias para exaltar o «bom momento» e exortar «o país para crescer ainda mais» (fonte), o país sobe ao topo da UE dos custos estimados com o envelhecimento.

Durante a espera para o Dr. Matias nos tornar «um líder mundial na IA», por que não resolvermos problemas infinitamente mais simples?

Como seja o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil que viram os dias totais de atraso aumentarem de 40.947 para 46.289. Já agora, o Dr. Matias poderia pôr a acção onde põe a boca e ajudar com as ferramentas de IA o seu colega ministro da Justiça a desentupir o seu ministério.

E, se não for pedir muito, bem poderia o Tribunal Constitucional usar essas ferramentas para suprir a alegada insuficiência dos seus mais de 100 funcionários administrativos incapazes de notificar os titulares de cargos públicos faltosos, como o Dr. Luís Neves que nunca chegou a apresentar a declaração de rendimentos.

Caos é o que a comentadoria e o jornalismo de causas quiserem

Não faz sentido negar as falhas do ministério da Educação no processo dos Exames Nacionais do Ensino Secundário e, já agora, do ministro que revelou as insuficiências de que, quase sem excepção, os políticos domésticos padecem, resultantes do défice que infecta a maioria dos portugueses que têm como missão gerir seja lá o que for.

Não é inútil perceber a manipulação dos números e o empolamento das falhas que rodeou o tratamento noticioso e opinativo, como, por exemplo, a comparação do número de candidaturas na 1.ª fase do ensino superior deste ano com as dos anos de 2024 e 2025 que, segundo a versão corrente, estaria a diminuir. Remeto para o que escreveram Henrique Pereira dos Santos e Aguiar-Conraria desmontando as falácias e chamo a atenção para os últimos resultados, que apontam para mais de 60 mil candidaturas e um aumento de quase 11 mil em relação ao ano anterior.

10/08/2026

Crónica da passagem de um governo (62a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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Marcação dois homens a um homem

No futebol o método defensivo mais usado é a marcação homem a homem. Para o PS na oposição, o método ofensivo é a marcação de dois homens a um homem, sendo este último o actual ministro das Finanças, Dr. Miranda Sarmento, e os dois primeiros os seus antecessores nas Finanças, o Dr. Medina e o Dr. Centeno. Como quase não vejo televisão, se não fosse Luís Marques, não teria reparado que os dois antecessores dispõem de púlpitos nas televisões (o Dr. Medina às segundas na CNN e o Dr. Centeno às sextas-feiras no Now) onde, saberão eles com que propósito, praticam regularmente tiro ao Professor Pardal, alcunha que o Dr. Centeno botou ao que viria a ser seu sucessor no ministério.

«Pagar a dívida é ideia de criança»?

Como se pode ver no gráfico do BdP, na vigência do governo do Dr. Montenegro, a dívida pública bruta não se reduziu e até aumentou 6,5%, aumento que o governo justificou com as amortizações da dívida a vencer-se, o que seria compensado com o aumento dos depósitos em bancos, mas não foi compensado porque a dívida líquida aumentou mais de 2 mil milhões de euros desde a tomada de posse.

BdP

Canários na mina de carvão

Apesar do retrato optimista do governo, desvalorizando a evolução das finanças públicas que viram o excedente de 2 mil milhões no primeiro semestre do ano passado transformar-se num défice de 212,6 milhões no mesmo período deste ano, o certo é que o défice da balança comercial se agravou em Junho em 1,1 mil milhões, sem esquecer que as variáveis fundamentais como da produtividade não só não melhoraram, como pioraram com a revisão da população activa com os números da imigração.

mais liberdade

O diagrama acima mostra o ano em que o actual valor do PIB per capita a PPP da economia portuguesa foi alcançado por outros países da UE e reflecte um atraso já antes da revisão da população que agora inevitavelmente se agravou.

Se a situação não é brilhante depois de quatro anos a receber quase 80% dos 22 mil milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o que segue não será mais agradável quando se antecipa que Portugal será o terceiro país da UE, depois da Grécia e da Bulgária, a ter maior impacto do fim do PRR nas finanças públicas (ver diagrama publicado a semana passada)

Ferrovia 2020 2027 Um dia

Decorridos 10 anos do seu lançamento, o grau de realização física global do Ferrovia 2020 está em 65% com 40 mil dias de atraso total nos troços. A linha de alta velocidade Évora-Elvas, com um investimento de 460 milhões, anunciada como pronta, está vazia e continua à espera de ser certificada, é apenas um exemplo notório.

(Continua)



03/08/2026

Crónica da passagem de um governo (61a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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Caos é o que a comentadoria e o jornalismo de causas quiserem

Caos é, por exemplo, dos 290 mil exames ainda haver 170 exames sem classificação ou 15 mil pedidos de reapreciação muito incentivada pelos sindicatos.

Mais um prego para o caixão do Dr. Fernando Alexandre

A partir do próximo ano lectivo, a proibição do uso de ‘smartphones’ nas escolas será alargada até ao 9.º ano, medida que, entre outros efeitos, se espera que melhore o aproveitamento escolar e a socialização nas escolas. Se da maior socialização resultar um aumento do bullying, lá teremos o Dr. Alexandre a ser acusado de promover o caos nas escolas, depois de ter sido acusado de censurar a promoção da identidade de género no programa de Cidadania e Desenvolvimento.

A «hecatombe social» do Dr. Dominguinhos

Perante a proximidade do fim do PRR e o atraso para aplicar os respectivos dinheiros da bazuca, o Dr. Dominguinhos, presidente da respectiva Comissão Nacional de Acompanhamento, alerta que «se a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social», hecatombe que desde S. Bento até ao Edifício Berlaymont toda a gente teme tanto como os beneficiários, pelo que, com toda a probabilidade, serão feitos os “ajustes” indispensáveis para isso não acontecer, como por exemplo considerar como executados para efeitos de financiamento uma percentagem de conclusão abaixo dos actuais 90% (qual, logo se vê).

Apesar dos “ajustes”, à cautela, o ministro da Economia garante que «nenhum euro do PRR será devolvido a Bruxelas».

Afinal, a bazuca serviu para alguma coisa…

Pelo menos serviu para contratar um número de funcionários a acrescentar aos 767 mil, que ninguém sabe ao certo qual seja, e que poderá andar pelos 1.295 autorizados por um despacho em 2021, e que agora «o fim do PRR ameaça deixar desempregados trabalhadores que o Estado contratou», lamenta, compungido, o semanário de reverência.

Canários na mina de carvão

mais liberdade

Segundo as projeções da CE, Portugal será um dos países mais impactados pela mudança radical da política orçamental devido ao fim do PRR e à dependência da economia portuguesa dos fundos europeus. Em 2027, Portugal deverá passar para uma política orçamental restritiva, registando um dos maiores arrefecimentos orçamentais da Zona Euro, apenas superado pela Bulgária e Grécia.

Take Another Plan. Como transformar 3.340 milhões de euros em menos de 2.000 milhões

Segundo uma avaliação financeira encomendada pelo jornal ECO, a TAP poderá valer entre 1.948 e 2.073 milhões de euros, depois lá terem sido enterrados 3.340 milhões de euros de ajudas com o dinheiro dos contribuintes.
 
(Continua)