Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
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01/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Take Another Plan (1). Os lucros caem ou os prejuízos sobem. Isso é uma constante. Variáveis são as causas

A TAP acabou de anunciar os resultados do 1.º semestre, que foram perdas de 71 milhões atribuídas ao aumento do preços do jet fuel. O aumento dos preços dos combustíveis, devido à guerra de estimação do Sr. Trump com os aiatolás, explica 89 milhões e o aumento dos custos com pessoal explica 36 milhões. Se os preços do combustível se tivessem mantido constantes, ainda assim, a TAP teria tido um resultado medíocre de 18 milhões, face aos mais de 2 mil milhões de receitas do semestre, resultado que se segue a uma queda dos lucros de 70% em 2024 e de 90% em 2025. Enfim, trocos face aos 3.340 milhões de euros de subsídios lá enterrados.

Take Another Plan (2). Para os socialistas, no perder é que está o ganho ou a maldição da tabuada

O Dr. Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar socialista, felicitou o seu partido pelo Dr. Montenegro ter previsto num comício que o seu governo iria recuperar com a venda da TAP todo o dinheiro lá enterrado pelo governo PS (3.340 milhões). Se o Dr. Brilhante soubesse a tabuada, teria concluído que entre 2016 e 2025 a TAP apresentou perdas em 2016 e entre 2018 e 2021, totalizando 1.481 milhões, e lucros nos restantes anos, totalizando 321 milhões. Ou seja, apresentou no conjunto desses anos, incluindo o 1.º semestre de 2026, prejuízos líquidos de 1.231 milhões que consumiram 37% dos subsídios lá torrados.

Que o Dr. Brilhante possa ter escrito isso sem que a comentadoria deste Reino de Pacheco tenha feito o menor reparo aos disparates do Bloco Central da Asneira, não chega a ser surpreendente (Camilo Lourenço fez o reparo, mas não faz parte do Reino de Pacheco), dá uma medida da indigência mental dos comentadores encartados.

No Portugal dos Pequeninos o lucro empresarial é um pecado tolerado - desde que seja pouco

mais liberdade

Que apenas durante o período da crise financeira de 2012-2018 as empresas portuguesas tenham tido margens de lucro superiores à média dos 38 países da OCDE é mais difícil de explicar do que a queda das margens nas últimas décadas.

A China aposta na alta tecnologia portuguesa

O investimento directo estrangeiro não é grande coisa e também não é animador o capital chinês acreditar na "tecnologia avançada" da indústria portuguesa e ir investir 30 milhões numa fábrica de fiação a húmido de linho e cânhamo.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… destacar alguns polícias dos pantagruélicos efectivos policiais do Portugal dos Pequeninos - o quarto país da UE com mais polícias por 100 mil habitantes -, para policiar a linha de alta velocidade Évora-Elvas, onde já se queimaram 460 milhões e continua sem ser certificada, devido aos furtos de equipamentos de catenária, sinalização e telecomunicações.

(Continua)

24/08/2026

Crónica da passagem de um governo (64a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Montenegro esqueceu que o «menos bem» é o que o seu governo faz correr

Na missa do Pontal, onde os sumo pontífices em exercício do PS-D costumam todos os anos dirigir-se aos crentes para revigorar a sua fé, o Dr. Montenegro, queixou-se de que ninguém fala «das grandes coisas que estamos a fazer bem» e só falam «das pequenas coisas que, porventura, não corram tão bem», referindo-se implicitamente ao jornalismo e à comentadoria. Tem de se dar ao Dr. Montenegro alguma razão por muitos dos membros dessas agremiações praticarem o que o Dr. Ascenso Simões chamou com uma expressão colorida «chafurdar em coisas de merda». Por outro lado, tem de se conceder também ao jornalismo e à comentadoria razão de que as supostas «grandes coisas» devem-se tanto ao governo como à divina providência, ao passo que as pequenas coisas são as únicas em que o governo toma a seu cargo com escasso sucesso.

Por falar em coisas que se devem à divina providência

Até meio de Agosto a área de floresta ardida este ano é um quarto da área ardida em 2025. É tão verdade como os incêndios até meados de Junho de 2017, em pleno primeiro consolado do Dr. Costa, se terem portado muito bem antes da tragédia de Pedrógão Grande que fez 66 mortos, queimou 500 casas e 53 mil hectares de floresta.

Por falar em «pequenas coisas» que não correm bem

aqui anotámos o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil e anotamos agora que os Registos Comerciais têm mais de dois mil dias de atraso e o governo deixou de publicar os dados.

O Hospital Amadora-Sintra, que já teve uma gestão privada de sucesso (foi extinta a PPP pelo governo do Eng. Sócrates), apresentava na tarde da sexta-feira passada um tempo de espera dos doentes urgentes superior a 9 horas.

A renovação das cartas de condução pelo processo online criado no âmbito da "transição digital" está atrasada há vários meses. Deve aguardar que o Portugal dos Pequeninos suba ao pódio mundial da IA pela mão do Dr. Matias.

E por falar do colapso do SNS…

… como está o estudo aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros de 7 de março de 2025 para a criação das cinco PPP para gerir os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Almada e os cerca de 170 centros de saúde nessas áreas?

Onde param os dados do ranking das escolas?

Os dados do ranking de 2024 das escolas secundárias o ano passado foram publicados em Abril e tornaram possível o (Im)pertinências publicar em Setembro três posts com os resultados do tratamento estatístico e as conclusões: «O que nos diz o ranking das escolas de ensino secundário» (1), (2) e (3). Os dados do ranking, cada ano publicados com maior atraso, como aqui sublinha João Marôco, este ano estão ainda mais atrasados do que o costume, fazendo suspeitar de um expediente para adiar más notícias em cima da má notícia do atraso da publicação do resultados dos exames.

Ao querer sacudir o aumento dos combustíveis o governo deu um tiro no próprio pé

O relatório da ERSE pedido pelo governo não encontrou evidências de manipulação dos preços pelos produtores. Os preços têm evoluído em linha com os da UE e, em relação à Espanha, a principal diferença resulta dos impostos que em Portugal são mais 41,8 cêntimos na gasolina e 25,1 cêntimos no gasóleo.

(Continua)

11/08/2026

Crónica da passagem de um governo (62b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 62a)

Não é o turismo que é de mais, é o resto que é de menos


Em 2025, o turismo registou um crescimento nominal de 5,3% no PIB e de 5,5% no Valor Acrescentado Bruto (VAB, que mede o valor da produção líquida dos consumos intermédios). O VAB directo e indirecto gerado pelo Turismo foi de 30,4 mil milhões de euros equivalentes a 11,4% do VAB nacional e o contributo para o PIB foi de 36,2 mil milhões de euros ou 11,8% do PIB nacional. O contributo para o crescimento real do PIB nacional foi de 0,3 pontos percentuais equivalente a quase 1/3 do crescimento que se ficou em 1,9% o ano passado. (fonte Conta Satélite do Turismo para Portugal)

Se a isto acrescentarmos o crescimento de 10,6% do emprego no turismo, que passou a representar mais de um décimo do emprego total, percebe-se que o turismo é uma actividade essencial para a economia do Portugal dos Pequeninos não se afundar ainda mais. Sem o turismo e sem os 17 mil milhões que recebemos do PRR nos últimos quatro anos, já teríamos fechado a loja, o que nos leva a concluir que, não se sabendo o que vai ser o futuro, ainda assim podemos concluir que, com o turismo a desacelerar e o impacto do fim do PRR nas finanças públicas, o futuro não será igual ao passado.

Hoje há cadelinhas, amanhã não sabemos

mais liberdade


Enquanto o Dr. Montenegro se priva das férias para exaltar o «bom momento» e exortar «o país para crescer ainda mais» (fonte), o país sobe ao topo da UE dos custos estimados com o envelhecimento.

Durante a espera para o Dr. Matias nos tornar «um líder mundial na IA», por que não resolvermos problemas infinitamente mais simples?

Como seja o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil que viram os dias totais de atraso aumentarem de 40.947 para 46.289. Já agora, o Dr. Matias poderia pôr a acção onde põe a boca e ajudar com as ferramentas de IA o seu colega ministro da Justiça a desentupir o seu ministério.

E, se não for pedir muito, bem poderia o Tribunal Constitucional usar essas ferramentas para suprir a alegada insuficiência dos seus mais de 100 funcionários administrativos incapazes de notificar os titulares de cargos públicos faltosos, como o Dr. Luís Neves que nunca chegou a apresentar a declaração de rendimentos.

Caos é o que a comentadoria e o jornalismo de causas quiserem

Não faz sentido negar as falhas do ministério da Educação no processo dos Exames Nacionais do Ensino Secundário e, já agora, do ministro que revelou as insuficiências de que, quase sem excepção, os políticos domésticos padecem, resultantes do défice que infecta a maioria dos portugueses que têm como missão gerir seja lá o que for.

Não é inútil perceber a manipulação dos números e o empolamento das falhas que rodeou o tratamento noticioso e opinativo, como, por exemplo, a comparação do número de candidaturas na 1.ª fase do ensino superior deste ano com as dos anos de 2024 e 2025 que, segundo a versão corrente, estaria a diminuir. Remeto para o que escreveram Henrique Pereira dos Santos e Aguiar-Conraria desmontando as falácias e chamo a atenção para os últimos resultados, que apontam para mais de 60 mil candidaturas e um aumento de quase 11 mil em relação ao ano anterior.

10/08/2026

Crónica da passagem de um governo (62a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Marcação dois homens a um homem

No futebol o método defensivo mais usado é a marcação homem a homem. Para o PS na oposição, o método ofensivo é a marcação de dois homens a um homem, sendo este último o actual ministro das Finanças, Dr. Miranda Sarmento, e os dois primeiros os seus antecessores nas Finanças, o Dr. Medina e o Dr. Centeno. Como quase não vejo televisão, se não fosse Luís Marques, não teria reparado que os dois antecessores dispõem de púlpitos nas televisões (o Dr. Medina às segundas na CNN e o Dr. Centeno às sextas-feiras no Now) onde, saberão eles com que propósito, praticam regularmente tiro ao Professor Pardal, alcunha que o Dr. Centeno botou ao que viria a ser seu sucessor no ministério.

«Pagar a dívida é ideia de criança»?

Como se pode ver no gráfico do BdP, na vigência do governo do Dr. Montenegro, a dívida pública bruta não se reduziu e até aumentou 6,5%, aumento que o governo justificou com as amortizações da dívida a vencer-se, o que seria compensado com o aumento dos depósitos em bancos, mas não foi compensado porque a dívida líquida aumentou mais de 2 mil milhões de euros desde a tomada de posse.

BdP

Canários na mina de carvão

Apesar do retrato optimista do governo, desvalorizando a evolução das finanças públicas que viram o excedente de 2 mil milhões no primeiro semestre do ano passado transformar-se num défice de 212,6 milhões no mesmo período deste ano, o certo é que o défice da balança comercial se agravou em Junho em 1,1 mil milhões, sem esquecer que as variáveis fundamentais como da produtividade não só não melhoraram, como pioraram com a revisão da população activa com os números da imigração.

mais liberdade

O diagrama acima mostra o ano em que o actual valor do PIB per capita a PPP da economia portuguesa foi alcançado por outros países da UE e reflecte um atraso já antes da revisão da população que agora inevitavelmente se agravou.

Se a situação não é brilhante depois de quatro anos a receber quase 80% dos 22 mil milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o que segue não será mais agradável quando se antecipa que Portugal será o terceiro país da UE, depois da Grécia e da Bulgária, a ter maior impacto do fim do PRR nas finanças públicas (ver diagrama publicado a semana passada)

Ferrovia 2020 2027 Um dia

Decorridos 10 anos do seu lançamento, o grau de realização física global do Ferrovia 2020 está em 65% com 40 mil dias de atraso total nos troços. A linha de alta velocidade Évora-Elvas, com um investimento de 460 milhões, anunciada como pronta, está vazia e continua à espera de ser certificada, é apenas um exemplo notório.

(Continua)



03/08/2026

Crónica da passagem de um governo (61a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Caos é o que a comentadoria e o jornalismo de causas quiserem

Caos é, por exemplo, dos 290 mil exames ainda haver 170 exames sem classificação ou 15 mil pedidos de reapreciação muito incentivada pelos sindicatos.

Mais um prego para o caixão do Dr. Fernando Alexandre

A partir do próximo ano lectivo, a proibição do uso de ‘smartphones’ nas escolas será alargada até ao 9.º ano, medida que, entre outros efeitos, se espera que melhore o aproveitamento escolar e a socialização nas escolas. Se da maior socialização resultar um aumento do bullying, lá teremos o Dr. Alexandre a ser acusado de promover o caos nas escolas, depois de ter sido acusado de censurar a promoção da identidade de género no programa de Cidadania e Desenvolvimento.

A «hecatombe social» do Dr. Dominguinhos

Perante a proximidade do fim do PRR e o atraso para aplicar os respectivos dinheiros da bazuca, o Dr. Dominguinhos, presidente da respectiva Comissão Nacional de Acompanhamento, alerta que «se a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social», hecatombe que desde S. Bento até ao Edifício Berlaymont toda a gente teme tanto como os beneficiários, pelo que, com toda a probabilidade, serão feitos os “ajustes” indispensáveis para isso não acontecer, como por exemplo considerar como executados para efeitos de financiamento uma percentagem de conclusão abaixo dos actuais 90% (qual, logo se vê).

Apesar dos “ajustes”, à cautela, o ministro da Economia garante que «nenhum euro do PRR será devolvido a Bruxelas».

Afinal, a bazuca serviu para alguma coisa…

Pelo menos serviu para contratar um número de funcionários a acrescentar aos 767 mil, que ninguém sabe ao certo qual seja, e que poderá andar pelos 1.295 autorizados por um despacho em 2021, e que agora «o fim do PRR ameaça deixar desempregados trabalhadores que o Estado contratou», lamenta, compungido, o semanário de reverência.

Canários na mina de carvão

mais liberdade

Segundo as projeções da CE, Portugal será um dos países mais impactados pela mudança radical da política orçamental devido ao fim do PRR e à dependência da economia portuguesa dos fundos europeus. Em 2027, Portugal deverá passar para uma política orçamental restritiva, registando um dos maiores arrefecimentos orçamentais da Zona Euro, apenas superado pela Bulgária e Grécia.

Take Another Plan. Como transformar 3.340 milhões de euros em menos de 2.000 milhões

Segundo uma avaliação financeira encomendada pelo jornal ECO, a TAP poderá valer entre 1.948 e 2.073 milhões de euros, depois lá terem sido enterrados 3.340 milhões de euros de ajudas com o dinheiro dos contribuintes.
 
(Continua)

27/07/2026

Crónica da passagem de um governo (60a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A bazuca de pólvora seca. Desta vez também não foi diferente

Para quem tivesse dúvidas, o PRR - a bazuca do Dr. Costa - , que até agora despejou mais de 13 mil milhões, vinha condicionada à adopção de centenas de medidas e reformazitas, teve o destino que tiveram grande parte dos donativos que os contribuintes europeus (nomeadamente os alemães) nos têm vindo a conceder com os resultados conhecidos que, para simplificar, se reduzem em grande parte a projectos inviáveis que o dinheiro grátis tornou viáveis e a  alimentar o consumo de bens duradouros (*). Quanto às centenas de medidas e reformazitas (que deram origem a seis “reprogramações”) foram sendo “ajeitadas”: 112 das 117 investimentos previstos há três anos forem modificados e só 28 das 44 reformas não foram alteradas.

(*) Vem a propósito lembrar que as vendas de veículos ligeiros no 1.º semestre aumentaram 10,5%, o dobro do aumento na UE (recorde-se que a taxa de motorização no Portugal dos Pequeninos já está acima da média da UE). Sendo certo que correlação não é causação, pedi a um chatbot estimativas do coeficiente de Pearson (uma medida estatística para medir o grau de relação linear entre duas variáveis) entre os valores anuais da entrada de fundos europeus nos últimos 30 anos e o volume anual de vendas de veículos ligeiros em Portugal (com um atraso de 1-2 anos) que estimou valores no intervalo 0,65-0,80 o que se considera uma correlação moderada-forte.

O que começa mal é difícil acabar bem

O SIRESP é um zingarelho que suporta o sistema de comunicações de segurança e emergência (o mesmo que falhou rotundamente nos incêndios de 2017), gerido por uma empresa pública com o mesmo nome, criada pelo Dr. Costa como MAI, com a ajuda do seu amigo Dr. Lacerda Machado, que custou até agora mais de 700 milhões de euros. Actualmente, a NOS fornece o suporte de comunicações utilizado pelo SIRESP. Foi responsabilizada pelas suas falhas no ano passado, e o seu presidente lava as mãos do assunto, explicando que não teve qualquer intervenção no desenho do sistema, que tem inúmeras deficiências e limitações de cobertura e deveria ser suportado pelas redes comerciais existentes, como acontece em muitos países.

É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (continuação)

Segundo o Relatório sobre Emprego e Formação, no ano passado o número de baixas por doença dos 5,3 milhões de empregados em Portugal aumentou 8,4% para quase 1,6 milhões, das quais se estima em meio milhão as “autobaixas” em que o trabalhador se declara incapaz para trabalhar. Se imagina que a maioria dessas baixas foi dos velhotes, imaginou mal – metade dessas baixas foi de jovens entre os 25 e 39 anos, os quais, contudo, representam apenas cerca de 30% do total.

O Dr. Ventura hesita entre o Estado Novo e o Estado Socialista

Copiando Andy Burnham, novo primeiro-ministro e o líder do Partido Trabalhista mais esquerdista desde o trotskista Jeremy Corbyn, o Chega anunciou que vai propor ao parlamento a eliminação do IVA sobre a eletricidade a partir de 2027. Nem Burnham nem o Dr. Ventura explicaram onde vão espremer os contribuintes para compensar a receita fiscal perdida (umas centenas de milhões de euros no caso do Dr. Ventura).

(Continua)

25/07/2026

JD Vance, Trump's running mate, the righteous hypocrate, from Never Trump to Ever Trump and beyond (4)

Sequel to (1), (2), (3)

«Why is a smart man spending so much time saying stupid things? The simplest explanation is that Vance believes his voters are stupid. Or as Vance himself told Rogan last week: “There’s a real populism that I’m very much a fan of because I think you should be responsive to people, but there’s, like, a faux populism of: The way that I’m going to appeal to people is by assuming that they’re idiots and acting like they’re idiots.”

This is admission by analysis. All politicians pander, but the best of them do it with some finesse. Vance, who struggles through the most basic photo ops, is not one of the best; his two successful elections are both testaments to Trump’s political muscle. In 2022, when he was a U.S. Senate candidate, I included Vance in a round-up of very intelligent Republicans who were clumsily pretending to be fools for electoral purposes. Vance seems to have doubled down on the strategy since then, but each new incident just offers more evidence of his dripping disdain for voters’ intelligence.

This may not be the wisest political strategy, H. L. Mencken notwithstanding. Vance’s approval ratings have been underwater for more than a year, and the Never Trump pollster Sarah Longwell recently conducted a focus group with Trump voters and found that Vance has left them cold. Either way, Vance’s performance plays as tragicomedy: comic because he’s so bad at it, but tragic because of who Vance was not that long ago. Much has been made of his critique of Trump in his 2016 Atlantic essay, and although his flip-flop on the president is astonishing, he has also reversed himself on a more fundamental view of politics.

In that essay, he criticized the demagogic tendency to condescend to people in so-called flyover country, where he grew up—to view them as yokels who could be easily manipulated with simplistic talking points and grievance plays. The harms that Trump identified, Vance wrote, “demand serious thought and measured action—from governments, yes, but also from community leaders and individuals.” Trump, he argued, was cynically co-opting those harms for his own gain and doing Americans a disservice. That Vance was right; this Vance doesn’t seem to care.»

J. D. Vance Isn’t a Fool. Why Does He Act Like One?, David A. Graham, The Atlantic

21/07/2026

Crónica da passagem de um governo (59b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 59a)

A almofada dá para dormir por dois anos e picos. Depois logo se vê

O Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social anunciou com grande alegria que o FEFSS está prestes a atingir os 50 mil milhões, o que será suficiente para pagar as pensões durante 28 meses. Qualquer tuga com menos de 70 anos deveria ficar preocupado porque os fundos privados portugueses de pensões só representam cerca de 20 mil milhões e abrangem cerca de 1,2 milhões de pessoas. É claro que sempre os governos portugueses poderão objectar que, aqui ao lado, em Espanha, as reservas só chegam para um mês de pensões ou que na Bélgica só chegam para 3 anos e esquecerão cuidadosamente (eles e o Dr. Sousa Tavares) que as reservas totais dos Países Baixos são suficientes para 30 anos de pensões.

Take Another Plan. Mme Ourmières-Widener está de volta

Em retrospectiva, Mme Ourmières-Widener, foi apresentada pelo Dr. Pedro Nuno como uma experiente gestora internacional que salvaria a TAP e acabou a ser despedida com alegada justa causa pelo seu envolvimento na renúncia/demissão da Dr.ª Alexandra Reis, renúncia/demissão que fora aprovada pelo Dr. Pedro Nuno (via WhatsApp) e que a IGF considerou ilegal. Mme Ourmières-Widener está a pedir em tribunal uma indemnização de 5,9 milhões e deu um primeiro passo para ganhar a acção porque o STJ decidiu que o diferendo deveria ser resolvido por um tribunal cível e não por um tribunal administrativo como a TAP defendia.

Portugal no topo da OCDE

mais liberdade

A economia pode ter caído quatro lugares no ranking europeu do PIB per capita em PPC mas está no topo da rigidez laboral na OCDE, de onde resultará certamente estar igualmente no topo da “precariedade”, que é a irmã gémea do emprego vitalício.

Amália, um chatbot genuinamente patriota

Os primeiros testes públicos do chatbot Amália, que, segundo o Dr. Montenegro, é um LLM e cujo financiamento total atingirá 7 milhões de euros (e que, segundo o modelo Gemini do Google, não deveria custar mais do que um sexto disso), mostram-no mais vulnerável a “alucinações” do que o Dr. Montenegro, o que não é dizer pouco. Entretanto, ficou a saber-se que uma equipa de linguistas está a usar o Amália na “identificação de narrativas dominantes em artigos noticiosos de natureza manipuladora” e na “deteção de técnicas de persuasão em conteúdos jornalísticos”. Os serviços do Secretariado Nacional de Informação do Estado Novo teriam dado um grande préstimo ao Amália.

É nestas alturas de enrascanço que os instintos socialistas se tornam irreprimíveis 

A  ministra do Ambiente ameaça fixar as «margens máximas em qualquer uma das componentes comerciais que formam o preço de venda ao público». E por que não a ministra da Saúde mandar retirar nas horas de ponta 3 graus à temperatura medida pelos termómetros para diminuir a afluência às urgências dos hospitais?

20/07/2026

Crónica da passagem de um governo (59a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
No melhor pano cai a nódoa mais visível

A bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário é vergonhosa porque o que falhou são coisas que qualquer organização medianamente apetrechada e provida de gente competente resolveria sem problemas. Ainda assim, para dizer uma verdade simples e certamente impopular, seria disparatado concluir daí que deveria demitir-se ou ser demitido um ministro que em dois anos fez mais sem grandes alaridos do que o resto do governo (ver aqui o relato de João Duque). Seja como for, o atraso de alguns dias é uma gota de água no oceano dos atrasos sistemáticos no Estado sucial que nalguns casos se medem por décadas.

Então porquê tanta agitação? Simples, meu caro Watson. Porque o que o ministro fez interessa a poucos (os pais que se interessavam e têm dinheiro já inscreveram os filhos nas escolas privadas) e desagrada a muitos, a começar pelos exércitos de profs pastoreados pela Fenprof e açulados pelo Stop, que querem esperar sossegados pela reforma, e a acabar nos profs das universidades adeptos da endogamia e nos “investigadores” adeptos dos subsídios. Exagero? Nem por isso, veja-se a alegria com que os profs a quem o jornalismo de causas dá voz incitam os alunos a pedir revisão das provas na esperança de que a multiplicação dos pedidos prolongue a bagunça.

Teoria da relatividade

Não vou comparar o atraso de alguns dias na publicação das classificações dos exames com o atraso de muitas décadas do novo aeroporto de Lisboa (cuja capacidade estaria esgotada em 2007 ou 2008) nem mesmo compararei com os 23 anos do novo hospital de Lisboa, comparo apenas com a autorização ambiental da central solar Fernando Pessoa cujo processo de avaliação demorou três anos e anda por aí desde 2024.

Miudezas no Portugal dos Pequeninos

O Dr. Luís Neves, ministro da Administração Interna, até recentemente o único ministro estimado pelo PS, nos seus anos à frente da Polícia Judiciária (Judite), soube-se agora, envolveu-se numa série de indescritíveis trapalhadas menores que vão desde um tanque-piscina ilegal até obras no seu retiro alentejano feitas por um empreiteiro amigo com contratos com a Judite e um atrelado com produtos suspeitos (ler aqui a estória).

Não é preciso que algo mude para ficar tudo na mesma

Ao arrepio da larga maioria do jornalismo de causas e da comentadoria, quase metade (48%) dos eleitores preferem que o governo do Dr. Montenegro se arraste até ao fim do mandato e consideram que o actual titular e o desafiante Dr. Carneiro se equivalem na mediocridade com vantagem para o primeiro (fonte)

O salário único (excepto o dos apparatchiks) a caminho do socialismo

mais liberdade

Há um ministro que parece já ter percebido o lado B dos "centros de dados"

Já o escrevi várias vezes: a estratégia de fornecer energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses a centros de dados com chips produzidos em Taiwan a processarem dados do resto do mundo com software desenvolvido nos EUA, tem várias consequências, desde logo o aumento do stress da rede eléctrica. Por agora, só o Eng. Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, parece ter percebido que esses investimentos assim, sem mais, arriscam a que o Portugal dos Pequeninos seja «quase a lixeira da Europa».

(Continua)

18/07/2026

Trumpism at its finest: accusing China of trying to manipulate the 2020 elections while he himself tries to manipulate the 2026 elections

If he knows that these doctrines are not true, he is a
demagogue; if he believes his own lies, he is an idiot.

«(Wednesday night) President Trump delivered a rare prime-time speech, but his address fell well short of the hype. Purportedly, the president was going to make a major statement about election integrity, but in reality, the speech was dense and hoarsely delivered. As my colleagues report, he provided no evidence to back up his long-standing lie that the 2020 election was stolen. The White House also released four tranches of documents meant to support the speech, but Trump’s claims were a farrago of recycled information, misrepresentations of evidence, and tendentious claims based on materials too heavily redacted to parse. Major news networks, apparently concerned that Trump would mislead, declined to air the address live.

So why even deliver it? The speech was a sign of desperation. Trump spoke now not only to distract from his sputtering Iran war and its effects on the economy, but also because his attempts to concretely interfere with the 2026 election thus far have almost all failed. As his opportunities to change the rules of the game before November slip away from him, the president is falling back on one of the few tools he has left: attempting to sow chaos and doubt among Americans.»

Trump’s Plan for November Is Failing, The Atlantic

14/07/2026

Crónica da passagem de um governo (58b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 58a)

Mais um exemplo de montar a “transição digital” em cima do imobilismo medieval

Em síntese, que admito ser simplista, a bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário resulta de deixar tudo na mesma e criar uma superestrutura “moderna” sobre processos antiquados, altamente centralizados, da responsabilidade de serviços artríticos. Digna de estudo psiquiátrico é a reacção das lideranças governativas tentando instilar optimismo e chutar o problema para a frente, em contraste com as lideranças de oposição acusando a falha do governo de «insensibilidade atroz».

O Dr. Matias teve uma nova epifania

Para nos entreter enquanto não nos tornarmos «um líder mundial na IA», o Dr. Matias, ministro das Reformas, num intervalo da sua louvável campanha épica para retirar ao Tribunal de Contas o seu papel de empata nas decisões públicas, em concorrência desleal com os 11 governos que andam há 23 anos a empatar o novo hospital de Lisboa, produziu uma vibrante declaração de princípios, ou mais exactamente, de fins. Segundo ele, a reforma do Estado «consiste em resolver problemas dos portugueses». Peço desculpa por discordar, mas a reforma do Estado consiste em resolver problemas do Estado que dificultam aos portugueses resolver os seus próprios problemas.

E se em vez de nos tornarmos «um líder mundial na IA», nos tornarmos um líder nos apagões (continuação)

Já o escrevi, a estratégia proposta pelo Dr. Matias de fornecer aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses, terá como consequência aumentar o stress da rede eléctrica até ao ponto de rutura do sistema, como concluiu o Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento do Sistema Elétrico da Direção-Geral de Energia e Geologia. No meio do silêncio ensurdecedor das luminárias deste país apenas a voz de Miguel Stilwell se fez ouvir sobre o risco de «socialização do custo da energia» resultante da proliferação dos centros de dados (apud Bruno Faria Lopes).

Canários na mina de carvão

Apesar dos esforços do governo secundados pela imprensa amiga de animar os animal spirits keynesianos, depois de um primeiro trimestre com crescimento nulo, para o segundo as previsões das pitonisas de serviço variam entre 0,2% e 0,4% o que, em seguida à estagnação do 1.º trimestre, não é muito animador. A queda em Maio do índice de produção industrial também não é uma boa notícia. Só o turismo continua a crescer – e também a compra de automóveis, uma consequência imprevista, mas habitual, dos fundos da bazuca, suspeito.

Do lado do comércio externo até Maio também não há motivos de celebração com a queda de 0,2% das exportações, o aumento de 3,5% das importações e o agravamento de 14,4 mil milhões do défice (fonte),

Estamos a crescer mais do que a Óropa, já dizia o Dr. Costa e com ele o Dr. Castro Almeida

A maioria dos políticos parecem pensar que faz parte do seu papel infantilizar o eleitorado, dando boas notícias e praticando um optimismo de pacotilha (foi o Animal Feroz quem disse que um político é um profissional do optimismo, quando deveria dizer que é um profissional da aldrabice). O ministro da Economia, Dr. Castro Almeida, também parece praticar este mantra quando diz à SIC Notícias «que Portugal está a crescer pouco, mas está a crescer bastante acima da média europeia», como se fizesse algum sentido um país que tem um PIB per capita que é menos de metade dos países mais ricos e onde a produção da AutoEuropa (um investimento da VW), que em Portugal representa 1% do PIB, representaria no seu país de origem 130 vezes menos, crescesse abaixo desses países.

13/07/2026

Crónica da passagem de um governo (58a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
A meritocracia do Estado sucial é uma espécie de caquistocracia

A CReSAP é uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos. Foi completamente ignorada durante os consolados do Dr. Costa cujos governos enxamearam o aparelho do Estado sucial com gente incompetente ou/e corrupta. Em entrevista ao Expresso, o actual presidente da CReSAP revela que 85% a 90% dos nomeados já estavam no cargo em regime de substituição, um expediente pelo qual, ainda que cumprindo as formalidades de avaliação, se colocava o escolhido de confiança numa situação de vantagem da qual saía nomeado com naturalidade.

 Com estas práticas, ninguém deveria ficar surpreendido por, nos últimos dois anos, 15 diretores distritais da Segurança Social com ligações conhecidas ao PS terem sido substituídos pelos homólogos do PSD (fonte).

O que tem de ser tem muita força. Uma medida errada pode ter duas consequências indesejadas

Em vez de simplificar os processos kafkianos de licenciamento e criar incentivos fiscais à construção de novas habitações (agora tardia e timidamente aprovados), ou seja, em vez de aumentar a oferta, o governo aprovou medidas como a Garantia Jovem para aumentar a procura (até o FMI ao longe percebeu o disparate e recomendou o fim desses apoios).

Uma das consequências, como acentuei na crónica da semana passada, foi o aumento em dois anos de quase 60% das novas operações de crédito à habitação o que determinou o aumento do endividamento das famílias.

mais liberdade

Outra consequência foi o aumento no 1.º trimestre de 17,8% do preços das casas, o maior aumento da UE. O resultado inevitável é o aumento do défice de novas construções e, inevitavelmente, o aumento dos que os preços de mercado reflectiram como um termómetro reflecte o aumento da febre.

Adicionalmente à simplificação dos processos de licenciamento e dos incentivos fiscais à construção de novas habitações, o governo poderia fazer algo muito mais simples, como promover o arrendamento das cerca de 250 mil fogos fora do mercado de venda ou arrendamento e, já agora, descongelar as rendas de cerca de 250 mil contratos, retirando aos senhorios o papel de substituto da segurança social.

Quem fala assim não é gago

Não são todos os dias que um presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana diz no parlamento «se há uma coisa da qual se pode acusar o Estado português é de gerir mal o seu património», explicando aos deputados ignaros que os imóveis que foram vendidos não tinham qualquer aptidão para habitação, coisa que os governos socialistas não perceberam durante quase uma década ao tentarem resolver o défice de habitação com os edifícios públicos.

(Continua)

12/07/2026

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Câmara de Almada, um caso notável de incompetência individual e sistémica

Alfredo Martirena
Secção Res ipsa loquitur

A Dr.ª Inês de Medeiros, com um nome próprio acompanhado de seis apelidos, dois advérbios e um hífen, é um membro característico das elites de esquerda bem-pensante (também poderia ser das elites de direita, que vinha a dar ao mesmo), actriz de cinema, deputada pelo PS, é há 9 anos presidente da Câmara de Almada, onde chegou, sucedendo a uma dezena de vereações comunistas, sem qualquer experiência ou vocação para gerir o que quer que seja e com notável pesporrência.

Durante sete anos produziu inúmeras declarações, sendo uma das mais notáveis sobre a água, e ignorou olímpicamente a crescente degradação da rede de água, que tem uma das mais elevadas taxas de perda e serve um concelho com um consumo per capita muito superior à média, concelho que, segundo a Dr.ª de Medeiros, estaria «assente sobre uma reserva quase inesgotável de água de grande qualidade» (apud Helena Matos). O que faz uma criatura bem-pensante quando a realidade da falta de água lhe entra pelo gabinete e os protestos dos munícipes pelos ouvidos? Procura rapidamente um culpado pelas consequências da sua negligência (o governo, Bruxelas) e alega a universal falta de meios (neste caso, os omnipresentes fundos generosamente providenciados pelos contribuintes europeus).

Concedo à Dr.ª Inês de Saint-Maurice Esteves de Medeiros Victorino de Almeida cinco urracas pela sua inacção na presidência, quatro bourbons por nada ter apreendido nem esquecido, cinco pilatos por lavar as mãos do assunto, apesar da falta de água, e três chateaubriands por imaginar que não faltaria a água em Almada, apesar do rio passar ao lado da cidade e não a atravessar. (avaliação contínua)

07/07/2026

Crónica da passagem de um governo (57b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 57a)

O Dr. Miranda critica o Dr. Matias

Num qualquer Talk on Competition & Regulation, o Dr. Miranda, que, recorde-se, é o ministro de Estado e das Finanças deste governo, queixou-se que a falta de competitividade (ou “competividade”, de acordo com o Dr. Costa, agora a repousar em Bruxelas) resulta de «constrangimentos importantes» e apontou o dedo às «elevadas barreiras à entrada» e aos «encargos regulatórios e administrativos excessivos».

A verdade é uma coisa muito escorregadia ou o governo e o TdC a ensaiarem Così è (se vi pare) de Pirandello

Com umas décadas de atraso, Lisboa está a ser palco do Teatro do Grotesco, com o ministro da Reforma do Estado a desmentir o TdC depois do TdC ter desmentido o ministro em seguida ao TdC ter desmentido a versão do ministro.

Sim, os erros estatísticos do INE sobre a população residente são uma vergonha, mas vejamos a coisa pelo lado positivo

Agora que está em curso a negociação em Bruxelas do Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2028-2034, em que se desenhava uma redução relativa do donativo para os pobrezinhos do Portugal dos Pequeninos, a descida do PIB per capita até dá jeito para justificar uma maior fatia.

Pensamentos mágicos
  • Pensamento mágico (1)
Criar um “fundo soberano” para gerir uma riqueza que não se tem (leitura recomendada para desenvolver a ideia: «O fundo soberano dirigista do ‘mágico’ Montenegro» de Óscar Afonso).
  • Pensamento mágico (2)
Construir um Innovation District no espaço da antiga refinaria de Matosinhos, onde serão criados 100 mil empregos e que terá impacto anual na economia portuguesa de dois mil milhões de euros, durante 30 anos. Vá-se lá saber por quê, ocorreu-me o estudo (aqui evocado) do Dr. Augusto Mateus para o governo socialista do Animal Feroz em que o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».
  • Pensamento mágico (3)
O Dr. Montenegro, que garante que «não está a festejar nada», anunciou que o financiamento total do modelo Amália atingirá 7 milhões de euros. Questionado o modelo Gemini da Google para estimar o custo total real e razoável de replicar ou manter um modelo como o Amália, obtive a seguinte resposta:
«Se uma empresa ou entidade privada quisesse desenvolver hoje o mesmo modelo, de forma otimizada e comercialmente viável, o custo real de mercado situar-se-ia entre 450.000 € e 850.000 € para o desenvolvimento, acrescido de um custo operacional contínuo (infraestrutura) que varia conforme a escala de utilização.» E pronto, that’s it.
«Pagar a dívida é ideia de criança»?

Os excedentes orçamentais (que, recorde-se, são, na sua maioria, resultados de erros de previsão, atrasos no pagamento das despesas, ou, no final do ano, manobras orçamentais) estão a passar a défices, como no período até Maio que atingiu 1.762 milhões de euros, desta vez porque a despesa pública subiu quase 10%.

BdP

É claro que em Maio a dívida pública na ótica de Maastricht aumentou 1,7 mil milhões para 288,7 mil milhões.

06/07/2026

Crónica da passagem de um governo (57a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Enquanto Portugal não tem «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não?

(1) Evitar a vergonhosa bagunça das classificações dos exames nacionais do secundário

Obnubilado pelas poeiras mediáticas, só percebi a génese da bagunça quando um professor me explicou que a avaliação das provas digitalizadas não estava a funcionar por várias razões, entre elas a incapacidade dos apparatchiks digitalizarem em tempo útil as centenas de milhares de provas, os erros de digitalização, como o de não associarem o número de controlo a uma prova, e a saturação dos servidores das redes do ME, incapazes de darem acesso simultaneamente a quase 90 mil professores.

Em suma, incapacidade de planear, incompetência, desleixo, amadorismo, you name it. E não me venham com estórias da carochinha de que o responsável é o ministro. Sim, é ele e mais a cadeia de apparatchiks entrincheirados no aparelho do ministério.

(2) Evitar os erros estatísticos gigantescos do INE

A coisa era tão óbvia que até o Dr. Marcelo, que não é conhecido pelo seu desvelo pelo rigor (*), concluiu, há precisamente um ano, que os números sobre a imigração da AIMA e do INE não eram compatíveis. Um ano depois, saíram debaixo do tapete 700 mil residentes, o que, entre outras consequências, fez o PIB per capita PPP do Portugal dos Pequeninos cair quatro lugares no ranking da UE e deitar para o caixote do lixo das estórias a convergência com que todos os governos dos últimos 40 anos nos têm tentado excitar.
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(*) Veja-se o exemplo da reversão pelo Dr. Costa do horário dos funcionários públicos para as 35 horas, apadrinhada pelo Dr. Marcelo, jurando que enviaria para o TC se a despesa aumentasse e vejam o que aconteceu à despesa.
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Afinal, a população residente, estava nas «milhentas fontes de informação» e era um segredo de Polichinelo que só INE não conhecia

Se a coisa era óbvia para o Dr. Marcelo, imagine-se o que seria para o Dr. Centeno, o Ronaldo das Finanças (supõe-se que o Ronaldo antes de ser estátua). Na dúvida, ele próprio veio esclarecer nas suas comunicações semanais ao país através das jornadas parlamentares do PS:
«É evidente, e eu insisto nisto, sabíamos que não éramos aquele número [10 milhões de população]. Sabíamos há anos e anos e anos. Eu ainda era ministro e já perguntava ao INE, sem quebrar a independência do INE, 'onde é que estava o PIB para aquele volume de emprego' e depois passou-se a fazer a pergunta 'onde é que estava na população o emprego que nós identificávamos nas milhentas fontes de informação.»
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Até Maio, o número de “utentes” sem médico de família aumentou cerca de 66 mil, totalizando 1.666.823, dos quais 70% na região de Lisboa e Vale do Tejo. O Dr. Montenegro não é original, nisto como no resto, visto que está a continuar a obra do Dr. Costa.

A arte de deixar para o fim o mais difícil

O Dr. Dominguinhos disse ao jornal Sol que, a dois meses do fim do prazo, dos marcos e metas do PRR faltam precisamente os 25% mais difíceis de cumprir. Não é uma catástrofe, afinal, uma parte do dinheiro iria apenas ser derramada aumentando o consumo, e a outra parte são empréstimos que teriam de ser reembolsados.

Já que a oferta é insuficiente incentivemos a procura

Adaptado de BdP

Inebriado pela subida nas sondagens o Dr. Carneiro dá tiros nos pés

O Dr. Carneiro não está a conseguir ficar calado e fala mesmo quando não tem nada para dizer e nisso não é diferente de muitos outros. Mais grave é que foi a Grândola mostrar casas supostamente financiadas pela bazuca do Dr. Costa para habitação e afinal (segundo o Expresso) não foram financiadas pelo PRR nem se destinavam à habitação.

Poderia o Sr. Ministro explicar qual é a composição dos 2,01% da despesa com defesa?

O Dr. Nuno Melo vai à cimeira da NATO anunciar que Portugal atingirá 2,01% do PIB na Defesa, ou seja, vai ultrapassar os mínimos em um ponto-base, graças à inclusão das pensões de reformados e grande parte das despesas com a GNR. De acordo com os critérios estritos do Eurostat (COFOG), as despesas reais de defesa operacional andariam em torno de 0,8% do PIB.

(Continua)

30/06/2026

Crónica da passagem de um governo (56b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 56a)

Os malefícios da falta de concorrência

Uma da maiores falhas na construção do mercado único europeu é o sector de serviços onde está quase tudo inalterado, com excepção do tímido passo da Directiva FOS (Livre Prestação de Serviços). Uma das consequências práticas é que não há um mercado único de serviços, há 27 mercados nacionais num sector em que os obstáculos à concorrência são grandes, mesmo dentro do mesmo mercado nacional, devido à limitação pela dimensão e à granulosidade que impede a comparação entre serviços (exemplo entre muitos outros: na advocacia a diversidade dos quadros legais e regulamentares e das práticas jurídicas impedem praticamente a concorrência entre profissionais de países diferentes). Essa fragmentação dos mercados de serviços tem várias consequências, como seja a dificuldade dos operadores ganharem dimensão e melhorarem a qualidade dos serviços e a sua produtividade e a falta de concorrência com efeitos directos no nível dos preços.


O diagrama acima, extraído do relatório do FMI sobre Portugal, mostra bem como o impacto do aumento do preço dos serviços em Portugal é o factor determinante na inflação subjacente (core inflation).

A maldição da tabuada

Repetindo-me, a dificuldade com os números é uma realidade recorrente no Portugal dos Pequeninos, em geral, e em particular nos “gestores” (vejam-se numerosos exemplos na etiqueta “a tabuada faz muita falta”). No caso dos políticos, com poucas excepções, da teoria dos números só conhecem os imaginários. No caso das instituições, um exemplo recente é o de uma instituição cujo propósito é, precisamente, lidar com os números do Portugal dos Pequeninos, incluindo as Estatísticas Demográficas cuja edição de 2024 o INE ainda não publicou por ainda não ter todos os dados demográficos, nomeadamente os da Agência para a Integração, Migrações e Asilo.

Finalmente com atraso de anos, o INE informou-nos do resultado da irresponsabilidade da política socialista de imigração, nos anos dos governos do Dr. Costa em que o expediente da “manifestação de interesse” permitiu uma entrada descontrolada de imigrantes que encontraram emprego, como aqui já escrevemos várias vezes, nos sectores com menor valor acrescentado, principalmente agricultura e turismo onde os imigrantes representam quase metade da mão-de-obra.

E, de repente, o elefante entrou na sala

Toda a gente deveria saber que a riqueza de um país resulta principalmente da produtividade dos seus trabalhadores, que esta não se altera aumentando os salários e que a produtividade do trabalho depende do valor dos bens produzidos, do número de trabalhadores envolvidos e do tempo de trabalho. Por isso, se a produção se mantém e o número de trabalhadores e/ou o tempo de trabalho aumentam, a produtividade desce e o país fica mais pobre.

Como há anos se vem escrevendo nesta oficina, a baixa produtividade tem sido o calcanhar de Aquiles do Portugal dos Pequeninos. Ainda há dias nestas crónicas se constatava a diferença de 14,6 pontos percentuais entre a produtividade portuguesa de 66,8% da média da UE e o salário médio que representa 81,4% dessa média.

mais liberdade

Pois bem, agora que são conhecidos os números da população residente corrigidos pela emigração, descobrimos que, em vez dos 10,7 milhões, somos 11,4 milhões, o resultado é que o PIB per capita PPP foi corrigido e Portugal caiu quatro lugares no ranking da UE, ou mais exactamente os portugueses perceberam que o seu país afinal era mais pobre o que imaginavam.

29/06/2026

Crónica da passagem de um governo (56a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Amália, o teste à vacuidade

Ao discurso do Dr. Montenegro no congresso do PSD não se aplicaria a boutade de Helvétiuis «um dilúvio de palavras num deserto de ideias», mas antes «um dilúvio de palavras num dilúvio de vacuidades». Uma dessas vacuidades é a referência ao Amália, o modelo português de IA, que ele anunciou na Web Summit de 2024 e agora diz que estará pronta em Julho, e apresentou como uma das «Dez medidas de um Governo reformista para fazer Portugal maior». Segundo ele, a coisa irá promover a cultura portuguesa, «apoiar operações mais críticas, como nas Forças Armadas, na Marinha em particular, através da análise segura de dados em tempo real em visitas virtuais ao nosso património cultural» e até «auxiliar e poupar tempo aos professores no planeamento das suas aulas».

E eu a pensar que o Amália seria apenas um karaokê alucinado. Afinal não é, porque com a falência da Unbabel o karaoke foi abandonado. É uma versão lusitana de um modelo europeu já existente o EuroLLM-9B, desenvolvido sob os auspícios da eurocracia bruxelense, e ao contrário deste último o Amália não será acessível pelos “utentes” e segundo o governo servirá para aplicações no Estado sucial, onde, não será difícil de prever, se dissolverá num oceano de incompetência, negligência e burocracia.

Fundo Soberano do Dr. Montenegro, uma espécie de PREC cor-de-laranja

Não estou surpreendido pelo facto da ideia, no mínimo bizarra, da criação de um “fundo soberano” não estar a ser mal acolhida pela comentadoria, com poucas excepções. Afinal explica-se pelo complexo de Eduardo Lourenço que os governos aproveitam para afagar os sentimentos de inferioridade de um país que não tem recursos naturais abundantes e elevadas reservas de divisas (como a Noruega ou os emiratos), nem capacidade de investimento público (os governos circulam numa autoestrada mexicana e nos últimos dois anos a taxa de execução desceu para 80% a 85% ), que os fundos soberanos exigem, nem a visão de longo prazo e hábitos de gestão rigorosa.

É um mal-entendido que Luís Marques descreve com ironia: «enquanto Medina, que é socialista, queria um fundo para promover “investimentos estruturantes”, uma ideia social-democrata, Luís Montenegro, que é social-democrata, propõe um fundo para investir em sectores estratégicos, uma ideia socialista».

Os "relações públicas" do governo da AD são quase tão bons como os do PS

Um pouco por todas as redacções, os jornalistas de causas amigos relevaram em títulos encomiásticos o lucro de 4,9 milhões da CP, ou seja, menos de 2% das suas receitas, que incluem 111 milhões de subsídios, que representaram mais de 1/3 da sua facturação (282,8 milhões de bilhetes e 21,4 milhões de manutenção).

O Dr. Matias pode não ter jeito para fazer reformas, mas dispondo de um talento excepcional para fazer anúncios, também não é um bom contador de estórias

À estória do Dr. Matias que o TdC atrasou o novo hospital de Lisboa anos e lhe aumentou em 164 milhões o custo, respondeu o Tribunal com factos que estragaram a estória do Dr. Matias e entre eles o de que o contrato lhe chegou em Fevereiro de 2024, já com um reescalonamento de despesa, e teve o visto três meses depois. Em vez desta mal alinhavada, o Dr. Matias podia ter aproveitado a ocasião para contar uma outra estória que vem desde 2003, a do próprio novo hospital de Lisboa, para mostrar a inépcia de 11 (onze) governos) até chegar ao TdC, e retirar daí o prognóstico de que o Fundo Soberano que o seu chefe anunciou terá todas as condições para ser um grandioso fiasco, se não morrer às mãos do próximo governo.

O Estado sucial como máquina de extorsão

mais liberdade

Onde todos os governos, sem excepção que recorde, se têm revelado muito eficazes é na extração de rendimentos aos contribuintes com uma progressão progressiva do tipo função zingarilho, em que o escalão de rendimento mais alto aumentou mais do dobro do escalão mais baixo.

Canários na mina de carvão

O relatório do FMI sobre Portugal publicado há dias prevê a continuação dos crescimentos medíocres até 2028 (1,7%, 1,6% e 1,8%) e evidencia outros aspectos não menos preocupantes, como a contribuição crescente do consumo privado para o crescimento real do PIB, em comparação com a contribuição decrescente do investimento e das exportações.

















E agora algo muito impopular de se dizer

O sismo de Caracas - uma catástrofe num país a cair de maduro após três décadas de socialismo chávista - fez até agora milhares de vítimas às quais se acrescentarão muitas outras quando o balanço estiver feito. O governo português enviar ajuda para um país com uma importante presença de portugueses (50 mil nascidos em Portugal e cerca de 200 mil inscritos nos consulados), dos quais, até agora, seis portugueses e várias dezenas de descendentes se encontram entre as vítimas, faz todo o sentido. Fará sentido enviar como ajuda uma comitiva com 60 elementos dos quais nem um terço estarão qualificados para ter um papel activo no resgate das vítimas? Não será sobretudo mais um exemplo da ineficiência (e provável ineficácia) do Estado sucial a socorrer vítimas de acidentes?

(Continua)