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30/05/2019

Mitos (289) - O povo gosta de eléctricos

Há um bom número de mitos acerca das energias renováveis e em particular sobre os veículos eléctricos, como se o seu fabrico não tivesse maiores impactos ambientais (devido principalmente às baterias) do que os veículos a combustíveis fósseis e como se a produção da electricidade que usam não tivesse impacto ambiental (uma parte dessa electricidade continua a ser produzida por centrais a carvão). [*] 

Um mito mais recente é o da suposta preferência pelos veículos eléctricos dos consumidores iluminados pelas preocupações ambientais. Mito muito celebrado nos primeiros meses do ano devido ao aumento da venda de veículos eléctricos, aumento com pouco significado quando se compara com uma base minúscula de umas centenas de veículos por mês.

A euforia arrefeceu em Abril quando as vendas desceram para metade. E porquê desceram? perguntareis. O que precisa de ser explicado não são as vendas em Abril, o que precisa de ser explicado são as vendas de Janeiro a Março "aditivadas" pelos incentivos fiscais que entretanto se esgotaram em Abril.

Por isso, não podemos concluir que o povo gosta de eléctricos. O povo gosta é de subsídios.

[*] Ver o link citado no segundo comentário.

04/02/2018

ACREDITE SE QUISER: Coerência e convicções

A Fundação Gulbenkian foi criada pelo arménio Calouste, aka Mr. Five per Cent, que lhe deu o nome e lhe deixou como legado precisamente parte dos cinco por cento de participações em petrolíferas, cujos dividendos sustentaram a filantropia artística e científica da fundação que, principalmente no campo da música erudita e, até há uns anos, do bailado, foi nas últimas sete décadas o polo mais importante nessas áreas e por vezes quase o único neste Portugal dos Pequeninos.

Nos últimos dias a Fundação comunicou pela boca da sua presidente que «por uma questão de coerência com as nossas convicções» iria vender a Partex, a holding que agrupa as participações no petróleo. Com grande originalidade a Fundação decidiu vendê-la aos chineses da CEFC que também estão a negociar a compra da maioria do capital das seguradoras Lusitânia e Lusitânia Vida à Associação Mutualista accionista do Montepio Geral, compras que se seguem às participações na EDP, REN, BESI, Fidelidade, Hospitais Luz Saúde, etc., chineses que são quase os únicos que ainda compram as pratas desta nossa família arruinada.

As luminárias ecologistas que compõem a associação Futuro Limpo, de que faz parte o incontornável António Pedro Vasconcelos, celebraram efusivamente o acontecimento e aproveitaram a embalagem para pedir uma audiência ao sensibilizado ministro do Ambiente para o sensibilizarem ainda mais às energias renováveis, sensibilização que, quem sabe, pode passar por aumentar o preço de €74/MWh garantido às eólicas o qual, por agora, é apenas o triplo do garantido pela vizinha Espanha.

Terminada a entrevista ao semanário de reverência, a presidente de consciência regressou a casa no seu BMW Série 7 (CO2 159g/km) aliviada em coerência com as suas convicções.

12/01/2016

SERVIÇO PÚBLICO: Ventoinhas que sopram o défice tarifário

The windmills of your mind
«O capitalismo de compadrio entre o lóbi eólico e os posteriores governos veio, ao abrigo desse regime e com preços elevadíssimos, criar o monstro elétrico. Portugal é o quinto país do mundo em potência eólica instalada por habitante!

Manuel Pinho também se gabava de termos a maior fotovoltaica do mundo (com painéis chineses importados)! Publiquei então nesta coluna "O Escaldão Solar". Tal constitui um ótimo exemplo da nossa precipitação em investir precocemente em tecnologias ainda não maduras, com efeitos negativos na competitividade e sem qualquer vantagem para a nossa economia! Os países inteligentes, na nossa situação, esperariam pela maturidade da tecnologia para começar a investir.

Acontece que a fotovoltaica teve posteriormente descidas de custos e já será interessante para o autoconsumo em produção descentralizada.

Mas à boleia disso e depois desses elevados excessos de potência renovável intermitente, anunciam-se agora grandiosos investimentos em fotovoltaicas no Alentejo.

O argumento destes promotores é de que essa energia será exportada para a Alemanha que bem precisa dela para substituir a energia nuclear, mas isso vai depender do reforço das interligações europeias para a levarmos até lá. Tal vai levar algum tempo e não deverão obviamente ser os nossos consumidores a pagar isso. Tais projetos, se avançarem já, só conseguirão ter financiamento bancário ao abrigo da venda garantida da produção no regime da PRE ( Produção em Regime Especial), ou seja os nossos consumidores a pagar uma energia que não necessitam...

Com mais renovável intermitente no regime da PRE, a dívida tarifária (soma dos défices anuais) irá explodir. Basta saber ler os relatórios da ERSE para compreender a bomba-relógio que virá aí...
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Excerto de «As quintas solares» artigo no Expresso de Luís Mira Amaral

08/04/2013

Mitos (106) – O mau tempo é bom para o país porque faz muito vento, chove muito e temos electricidade barata

Foi muito celebrado por ambientalistas variados e pelos adeptos do Eng. Sócrates a produção de electricidade na última semana de Março ter sido quase totalmente à custa da energia eólica e hídrica.

Infelizmente, os factos são bastante diferentes do pensamento eco-mágico porque essa predominância das energias renováveis o que fez foi aumentar o volume de subsídios. De facto, em cada euro de facturação da EDP cerca de 42 cêntimos destinam-se a subsidiar a produção de energias renováveis mas também, por incrível que pareça, as centrais a carvão, gás natural e fuel, sem as quais não seria possível assegurar a continuidade da produção devido à variabilidade das energias renováveis. É o resultado da política energética do socratismo.