Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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08/10/2017

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (163) - O amigo do Costa (III)

Continuação de (I) e (II)

Em retrospectiva:

Diogo Lacerda Machado, o amigo do Costa, esteve envolvido no SIRESP, na compra dos helicópteros Kamov, na reversão da privatização da TAP, na resolução do caso dos lesados do BES, no acordo do CaixaBank com Isabel dos Santos, no caso dos lesados do Banif e na tentativa de solução do crédito malparado da banca.

Na parte que agora interessa, Lacerda Machado foi administrador da Geocapital que foi parceira da TAP na compra da Varig Engenharia e Manutenção, em 2005, saindo dois anos mais tarde. A Varig Engenharia e Manutenção é hoje parte integrante da TAP com o nome TAP Manutenção e Engenharia.

Rebobinando rapidamente:

As contas do 1.º semestre de 2017 da TAP evidenciaram um aumento de 3% dos prejuízos para 52 milhões apesar da facturação ter aumentado 11% para 1.254 milhões. Pronto, concluirá qualquer socialista encartado, estão a ver?, apesar de gerida pelos "privados" a TAP continua a perder dinheiro.

A sério? Tomemos o ano passado em que a TAP perdeu 27,7 milhões. Qual a origem dos prejuízos? Por coincidência na TAP Manutenção e Engenharia que perdeu 47,5 milhões em parte compensados pelos lucros na operação da TAP, prejuízos a somar às muitas centenas de milhões desde que por lá andaram as mãozinhas de Lacerda Machado e de outros socialistas (Almeida Santos, por exemplo).

18/05/2016

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (6)

Outras preces.

Arriscando vencer os leitores do (Im)pertinências pelo cansaço da repetição de temas inspirados pelo presidente dos afectos, venho uma vez mais comentar duas intervenções da pletórica agenda do presidente Marcelo, ambas típicas da personalidade da criatura.

A primeira tem a ver com os paninhos quentes dos comentários às projecções económicas da geringonça completamente desacreditadas de Lisboa até Washington, passando por Frankfurt e Bruxelas. Ainda percebo que Marcelo esteja prisioneiro da sua própria estratégia e tenha de levar ao colo a geringonça. Perceberia por isso que guardasse de Conrado o prudente silêncio em alternativa a alarmar o povo dizendo que a geringonça está a aldrabar os sujeitos passivos. O que não lembra a um careca é fazer apelos ao povo para não se alarmar.

A segunda é o «amplíssimo consenso» que Marcelo diz haver em Portugal e o «acto de justiça histórica» que para ele é rebaptizar o aeroporto de Lisboa com o nome de Humberto Delgado, rebaptismo que considera (e agora esforço-me para não agoniar) «simbólico que seja um Governo de esquerda, porventura o mais à esquerda nos seus apoios dos últimos longos anos, a decidir, e um Presidente de centro-direita a dar a chancela a uma homenagem que assim retrata em consenso nacional uma vida e uma obra».

Desfazendo o «amplíssimo consenso», recordo brevemente alguns episódios da vida e da obra do «General Sem Medo», apagados à boa maneira estalinista da fotografia, mas que Marcelo tem obrigação de conhecer. Lembro que Delgado participou em 1926 no golpe de 28 de Maio e escreveu em 1941 artigos na revista «Ar» de grande simpatia pelo nazismo e em particular por Hitler. Citando-o:
«O ex-cabo, ex-pintor, o homem que não nasceu em leito de renda amolecedor, passará à História como uma revelação genial das possibilidades humanas no campo político, diplomático, social, civil e militar, quando à vontade de um ideal se junta a audácia, a valentia, a virilidade numa palavra.»
«O capitão Humberto Delgado participou na manifestação 
dos falangistas espanhóis em Lisboa» (Fonte)
Lembro também que em 1944 Delgado continuava a ser um homem de confiança do regime tendo sido nomeado Director do Secretariado da Aeronáutica Civil. Em 1951 e 1952 foi procurador à Câmara Corporativa e em 1952 foi nomeado adido militar na embaixada em Washington onde viveu durante cinco anos. É nesse período que a lenda situa a sua conversão à liberdade, a caminho dos 50 anos e após 3 décadas de situacionista emérito - existe ampla evidência que a conversão se ficou a dever mais a vaidades e ambições insatisfeitas do que a convicções.

É claro que pelo meio, em 1945 e 1946, Delgado criou a TAP e lá deixou nucleótidos não fascistas que trazia escondidos no seu ADN. Nucleótidos que quando em 1958 Delgado se candidatou a PR passaram despercebidos até ao atento PCP que começou por apoiar o anticomunista Cunha Leal, uma relíquia da I República, para finalmente apoiar o compagnon de route Arlindo Vicente e praticamente só depois do assassinato de Delgado, numa manobra típica do tacticismo de Cunhal, o recuperou para o património antifascista.

Voltando ao presidente dos afectos, cito Henrique Raposo que, a propósito das fintas sobre as barrigas de aluguer, me tirou as palavras da boca e escreveu no Expresso Diário de ontem: «Marcelo é uma das barrigas de aluguer da política portuguesa, ele acredita no que tiver de acreditar num dado momento tático para depois esquecer facilmente esses credos, crenças ou causas. Marcelo só tem uma causa: o próprio Marcelo».

05/03/2016

Mitos (221) - Take Another Plane ou Take Another Plan? (V)

Lembram-se da lengalenga da companhia de bandeira, daquela TAP mítica só existente na cabeça dos Ruis Moreiras (por conveniência, já se sabe) e dos Antónios Pedros de Vasconcelos (por tontice, já se vê)?

Não deve ser a mesma TAP classificada pela AirHelp como a 5.ª pior em 34 companhias analisadas, principalmente devido ao tratamento das reclamações. A AirHelp sabe do que fala porque o negócio deles é representar os passageiros nas reclamações às companhias aéreas a respeito de bagagens perdidas ou danificadas, atrasos de voo, etc.

Agora que a geringonça já deu o seu melhor para fazer derrapar a gestão privada, já só falta os accionistas privados minoritários, cansados da entropia patriótico-socialista, saltarem do avião em andamento.

[Para uma recapitulação da saga clique a etiqueta TAP]

25/02/2016

Dúvidas (146) – Porque nunca ocorreu à ANAC escrutinar em detalhe o passivo da TAP?

Segundo o Expresso, «a Autoridade da Aviação Civil quer escrutinar ao detalhe novo financiamento de 120 milhões de euros para a TAP».

19/02/2016

ACREDITE SE QUISER: A metamorfose de um socialite em socialista

A pessoa que em entrevista à Visão, a propósito das rotas canceladas da TAP no Porto, disse
«causarei o maior dano possível para que a TAP mude de opinião», 
é a mesma pessoa que em Abril do ano passado disse

«Como portuense não estou muito preocupado, a TAP há muito que abandonou o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que hoje não é tão importante como foi. (...) A TAP não é estrutural para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro nem para a região, nem a região parece ser estrutural para a TAP, não dramatizo essa situação, é um problema do Governo, não é um problema nosso»

Registe-se que a TAP pesa apenas 20% dos passageiros do aeroporto do Porto, que a TAP se comprometeu a fazer voos horários Lisboa-Porto e vice-versa durante o dia e várias companhias low cost já fazem voo de e para o Porto.

17/02/2016

A mentira como política oficial (13) – Costa e o poeta Aleixo

Para a mentira ser segura 
E atingir profundidade, 
Tem que trazer à mistura 
Qualquer coisa de verdade. 
António Aleixo 

A ideia até é boa e é lamentável que Passos Coelho nunca a tenha usado para explicar ao país os quês e os porquês das medidas impopulares do seu governo, sobretudo aquelas que mexiam nos «direitos adquiridos», a sacrossanta instituição da 4.ª República, e entre estes nomeadamente os direitos adquiridos das corporações que têm meios para vocalizar a sua «indignação».

António Costa adoptou-a e começou a aviar vídeos explicando as políticas da geringonça com a eficácia a que nos habituou ao transformar derrotas em vitórias, mostrando assim dispor de abundantes dotes comuns à maioria dos políticos da 4.ª República: elevada capacidade de mentir (à mistura com tão pouca verdade que lhe retira alcance e profundidade, como sabiamente percebeu o poeta Aleixo) e descaramento.

Como exemplos, vejam-se os vídeos #1#2 e leia-se neste post do Insurgente o desmacarar das tretas de Costa, com destaque para o «nós diminuímos o IRS para 99,7% dos portugueses». Jorge Costa no seu post desmonta a coisa lembrando que «52,6% dos portugueses está isento de IRS» e eu acrescento a constatação, conforme aqui se mostra, do saldo das medidas orçamentais (devoluções de salários + reduções de impostos – aumentos de impostos) ser negativo para o 3.º escalão dos agregados familiares que representam mais de 40% do total de agregados. Dito de outra maneira, os 99,7% que Costa diz que desagravou reduzem-se a bem menos de dez por cento.

Costa só não maltratou a verdade porque esteve demasiado afastado para lhe infligir danos. Tal não significa, porém, que a sua manipulação não seja eficaz e o seu descaramento não seja compensador, como se viu com o seu antecessor José Sócrates que, já sem crédito dos credores, depois de ter esvaziado os cofres e à beira de fugir para Paris, ainda desfrutava de crédito junto da opinião pública, crédito dado pela imensa legião de crédulos que povoam o país.

Por falar em Costa e mentiras, vale a pena registar mais uma em entrevista ao Expresso: «os accionistas privados (da TAP) viram-se envolvidos numa aventura irresponsável do Governo anterior, que assinou um contrato já depois de demitido», disse, como se as negociações e o acordo não tivessem sido feitos dispondo o governo de plenos poderes e como se o governo tivesse sido demitido (não foi, terminou o seu mandato e depois das eleições teve os poderes de gestão corrente, onde se enquadra a assinatura de um contrato que fora negociado e aprovado antes das eleições) e como se a venda da TAP não estivesse prevista no Memorando de Entendimento que o governo do PS assinou com a troika, onde se escreveu:
«3.30. The Government will accelerate its privatisation programme. The existing plan, elaborated through 2013, covers transport (Aeroportos de Portugal, TAP, and freight branch of CP), … and is hopeful that market conditions will permit sale of these two companies, as well as of TAP, by the end of the 2011.»

13/02/2016

ACREDITE SE QUISER: Foi encontrado o nucleótido da liberdade no ADN da TAP (2)

Depois de re-verter a venda da TAP, a geringonça decidiu re-baptizar o Aeroporto da Portela dando-lhe o nome de Humberto Delgado, o «General Sem Medo». Vem por isso a propósito re-publicar parcialmente o post que escrevi faz um ano acerca da notícia «TAP: Nascida há 70 anos com liberdade no ADN».

Tudo o que temos pensado e escrito aqui no (Im)pertinências sobre a «companhia de bandeira» fica posto em causa porque, afinal, o ácido desoxirribonucleico da TAP tem lá uns nucleótidos de Humberto Delgado. Fica-nos a dúvida se na altura da criação da TAP nos idos de 1945 o «General Sem Medo» já teria expurgado todos os nucleótidos do fascismo até então predominantes, desde 1926 quando participou no golpe de 28 de Maio e em 1941 quando publicou artigos na revista «Ar» de grande simpatia para com o nazismo em que escreveu sobre Hitler
«O ex-cabo, ex-pintor, o homem que não nasceu em leito de renda amolecedor, passará à História como uma revelação genial das possibilidades humanas no campo político, diplomático, social, civil e militar, quando à vontade de um ideal se junta a audácia, a valentia, a virilidade numa palavra
Ou quando foi nomeado em 1944 pelo governo de Salazar Director do Secretariado da Aeronáutica Civil, ou em 1951 e 1952 quando foi procurador à Câmara Corporativa ou quando foi nomeado em 1952 adido militar na embaixada em Washington onde viveu durante cinco anos. É nesse período que a lenda situa a sua conversão à liberdade, a caminho dos 50 anos e após 3 décadas de situacionista emérito - dizem os detractores que a conversão se deve mais a vaidades e ambições insatisfeitas do que a convicções.

É claro que pelo meio, em 1945 e 1946, Delgado criou a TAP e lá deixou nucleótidos não fascistas que trazia escondidos no seu ADN. Nucleótidos que passaram despercebidos até ao atento PCP, quando em 1958 Delgado se candidatou a PR, e, talvez por isso, começou por apoiar o anticomunista Cunha Leal, uma relíquia da I República, para finalmente apoiar o compagnon de route Arlindo Vicente e praticamente só depois do assassinato de Delgado, numa manobra típica do tacticismo de Cunhal, o recuperou para o património antifascista.

E assim assistimos, 5 décadas depois, a propósito da «resistência» à privatização da TAP, ao reescrever da história pelo jornalismo de causas em cujo ADN encontramos mais facilmente os nucleótidos do PCP do que os nucleótidos da liberdade.

08/02/2016

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (18)

Outras avarias da geringonça.

Esta foi uma semana dominada pelos sound bites orçamentais de que já tratámos bastamente no (Im)pertinências e, entre eles, algumas mentiras de Costa (ver por exemplo esta sobre as famílias beneficiadas pela redução da sobretaxa).

Destaque para a fumaça produzida pela geringonça para obscurecer o facto de ter considerado no rascunho de orçamento para Bruxelas que a reposição dos cortes dos funcionários públicos era uma medida one-off (ver aqui a hermenêutica das questões políticas e técnicas).

Destaque também para o «alvo em movimento» das projecções do crescimento do PIB a descerem e as do défice a comprimirem-se em resultado das pressões de Bruxelas.

Confirma-se que Centeno não passa de um verbo-de-encher, todos os dias ultrapassado por Costa, e não terá qualquer ascendente para limitar a voracidade dos ministros pendurados na toalha da mesa do orçamento. Percebe-se cada vez melhor que Costa o tenha colocado em quarto lugar na hierarquia do governo.

22/12/2015

Pro memoria (278) – A declaração mais biblicamente estúpida do ano

A pose

O prémio Impertinências
Para quem, por distracção, considere este post é uma ofensa gratuita ao realizador António-Pedro Vasconcelos, recomenda-se a leitura dos nossos posts com a etiqueta TAP para se ter uma estimativa de que estamos a falar de uma ofensa caríssima e crescente.

29/11/2015

ARTIGO DEFUNTO: A renacionalização da TAP vista por um «jornal de referência» (2)

Insatisfeita com manipulação da peça da semana passada, a jornalista do Expresso volta a fabricar um título no caderno de Economia no mesmo sentido:

«Poder dos bancos para reverter venda da TAP causa dúvidas

Não há consenso sobre a validade do acordo que a Parpública negociou com os bancos, dando-lhes o poder de obrigar o Estado a renacionalizar a companhia aérea»

Uma vez mais, o texto tenta confundir a eventual execução de uma garantia do Estado com a renacionalização. Para confundir ainda mais, cita António Costa que terá dito que o governo anterior «fingiu» privatizar a TAP mas na realidade estava a assumir o risco da dívida. Ora acontece que, sendo a TAP uma empresa pública, o Estado já tinha assumido o risco de uma dívida que vem crescendo há décadas. Ao vender a maioria na TAP e transferir a sua gestão para gente profissional que mete o dinheiro onde põe a boca, o Estado pode ter esperança que, garantindo a dívida que vinha do passado, a dívida não crescerá no futuro e a dívida do passado talvez se consiga pagar.

É mais um exemplo do Efeito Lockheed TriStar: para (não) salvar o dinheiro que está enterrado na TAP devemos continuar a sepultá-lo lá.

22/11/2015

ARTIGO DEFUNTO: A renacionalização da TAP vista por um «jornal de referência»

Título de chamada na 1.ª página do caderno principal do Expresso:

«EXCLUSIVO: DOCUMENTOS REVELAM
Bancos têm poder para mandar nacionalizar a TAP»


Interroguei-me: teríamos voltado ao PREC com os bancos a substituírem o MFA?

Título na 1.ª página do caderno Economia:

«Estado garante dívida e risco da TAP»


Título no artigo na página 8

«Risco da dívida da TAP fica no Estado»


Excerto do texto do artigo:
«As negociações de última hora deram aos bancos a segurança de que, se for necessário, o Estado repõe a garantia pública à dívida bancária. Em causa estão quase € 770 milhões, que incluem uma dívida bancária de € 646,7 milhões e € 120 milhões adicionais pedidos pelo consórcio comprador para financiamento corrente.»
Repare-se como se começa na 1.ª página com os bancos a poderem mandar renacionalizar a TAP e se acaba por admitir se tratar de uma garantia vulgar de Lineu que quem vende uma empresa tecnicamente falida com capitais próprios negativos de mais de 500 milhões e passivos de mais de mil milhões dificilmente poderia deixar de prestar ao comprador a não ser que recapitalizasse previamente a empresa.

19/11/2015

Mitos (214) – Take Another Plane ou Take Another Plan? (VI)


«Os trabalhadores da TAP reuniram-se hoje em plenário durante cerca de duas horas e meia tendo o encontro, segundo a Comissão de Trabalhadores, chegado a reunir 300 pessoas.

Este plenário contou com a presença de deputados do Partido Comunista Português (PCP), Bloco de Esquerda e Verdes, que defendem a reversão da privatização da companhia, assim como da Associação Peço a Palavra e da central sindical CGTP.

Os trabalhadores da TAP reuniram-se hoje em plenário durante cerca de duas horas e meia tendo o encontro, segundo a Comissão de Trabalhadores, chegado a reunir 300 pessoas.

Este plenário contou com a presença de deputados do Partido Comunista Português (PCP), Bloco de Esquerda e Verdes, que defendem a reversão da privatização da companhia, assim como da Associação Peço a Palavra e da central sindical CGTP.» (Observador)

Resumo para pessoas normais: uma parte «tendo chegado» a 3% dos cerca de 10 mil empregados da TAP aprovou uma proposta de renacionalização inspirada por um pelotão de apparatchiks do agitprop.

26/06/2015

Dúvidas (106) – Onde está escondido o lado escondido do novo dono da TAP?

Ao ler título do artigo da Visão «O lado escondido do novo dono da TAP» salivei de excitação, antecipando os podres de Humberto Pedrosa, o dono da Barraqueiro.

Primeira decepção. Não se trata de Humberto Pedrosa, anunciado como o maior accionista da Gateway, o consórcio que comprou 61% da TAP. Trata-se David Neeleman, anunciado como accionista minoritário e citado como tendo dito que «o Humberto é controlador» mas que o jornalismo de causas já provou que é quem manda. Como provou o jornalismo de causas tal coisa quando considera que em relação ao preso 44 nada está provado? Ora que pergunta. Porque a TAP era uma companhia de bandeira e Sócrates era uma bandeira da companhia.

Segunda decepção. Procurei avidamente o tal lado escondido. Seriam os 9 filhos? Seria o défice de atenção? Seria a religião mórmon? Seria os oito mil metros quadrados da casa? Seria só dormir 4 a 5 horas por dia? Seria por ter baptizado mais de 200 brasileiros? Seria por doar o seu salário ao fundo de emergência dos empregados? Seria por ajudar a limpar os aviões?

Por fim lá encontrei «um fracasso americano»: em 2007 um avião da JetBlue ficou 11 horas paralisado pela neve com 100 passageiros a bordo no aeroporto de NY. Uf! Pronto está explicado.

25/06/2015

Mitos (203) – Take Another Plane ou Take Another Plan? (V)

Outros mitos (I), (II), III) e (IV)

Menos de 5 em cada 1.000 trabalhadores da TAP protestaram ontem contra a venda de 61% da TAP com a presença de Carmelinda Pereira, a célebre militante trotskista da facção lambertista, em representação da Fenprof.


Os momentos da justa luta contra a entrega da TAP ao capital monopolista imperialista foram registados para a história por Pacheco Pereira, o conhecido militante maoísta da AOC (*), reconstruído a partir do antigo líder parlamentar e dirigente do PSD com o mesmo nome.

(*) Ou terá sido «na OCMLP. Se bem que, tirando ele, ninguém deve saber qual era a diferença.» (ver comentário de JMG)

19/06/2015

ARTIGO DEFUNTO: No melhor pano cai a pior nódoa

Como que a demonstrar mais uma ocorrência do aforismo popular e de que é sempre possível juntar mais dislates aos que já foram produzidos, João Miguel Tavares juntou-se ao pelotão dos opinion dealers que já disseram baboseiras sobre a venda da TAP e escreveu no seu artigo «Brincar aos aviões e às oposições»:
  • A TAP está a ser vendida «à velocidade a que Usain Bolt corre os 200 metros» quando é público (até no Público) que está para ser privatizada há uns 15 anos e até só não foi vendida por Jorge Coelho à Swissair porque esta faliu; 
  • «O Estado acabou de vender 61% – ou seja, o controlo da TAP – por pífios dez milhões», quando é público (até no Público) que a Gateway vai pagar 354 milhões de euros por uma empresa falida.

16/06/2015

ACREDITE SE QUISER: «É só para dizer que não é dado» disse ele

Usando as palavras do Expresso aqui citadas, a Gateway «vai efectivamente pagar 354 milhões de euros, aplicando 338 milhões para reforçar o capital da TAP.» TAP que, recorde-se, era a única companhia de aviação da União Europeia totalmente pública (ver este quadro), tem tido prejuízos todos os anos, tem passivos superiores a 2 mil milhões de euros (60% dos quais a curto prazo), tem uma situação líquida negativa de 500 milhões de onde resulta ter perdido todo o capital social o que, se fosse uma sociedade anónima, obrigaria a administração (CSC artigo 35.º) a convocar uma assembleia geral que teria de deliberar uma das seguintes opções:
  • a) A dissolução da sociedade; 
  • b) A redução do capital social para montante não inferior ao capital próprio da sociedade – opção indisponível porque os capitais próprios são negativos; 
  • c) A realização pelos sócios de entradas para reforço da cobertura do capital - opção indisponível por via das restrições comunitárias que impedem os governos de injectar capital nos operadores.
De onde resultaria que a TAP teria de ser dissolvida.

Pois bem, face a esta situação Marcelo Rebelo de Sousa, um professor de direito cujas performances televisivas espantaram o dificilmente espantável El País, formulou durante a sua prestação semanal de entretenimento na TVI a seguinte fábula: «O preço podia ser dez milhões, como podia ser, no fundo, um euro. É só para dizer que não é dado

Diz-se que este entertainer pode vir a ser presidente da República e transformar o palácio de Belém num centro de entretenimento e intriga.

14/06/2015

ARTIGO DEFUNTO: O preço de venda da TAP visto pelo jornalismo de referência

No topo da pág. 2 da “broadshit” do Expresso:


Na parte inferior da mesma página:

13/06/2015

Mitos (198) – Take Another Plane ou Take Another Plan? (IV)

Outros mitos (I), (II) e (III)

A propósito da decisão de vender 61% da TAP ao consórcio Gateway de David Neeeleman e Humberto Pedrosa, os tapistas e as suas câmaras de eco nos mídia excederam-se uma vez mais a dizer e a escrever coisas biblicamente estúpidas. Dois de entre dezenas de exemplos possíveis:
Não vou repetir tudo o que já escrevemos no (Im)pertinências (ver a etiqueta TAP) desmontando a mistificação à volta do tema. Vou simplesmente e a propósito das reacções à venda recomendar a leitura do artigo «Quero tudo, quero já e quero de borla» de Paulo Ferreira no Observador e, muito especialmente, o post esclarecedor e faqtual «FAQ sobre a TAP» no Insurgente.

07/06/2015

Mitos (197) – Take Another Plane ou Take Another Plan? (III)

Outros mitos (I) e (II)

Take Another Plane      ou       Take Another Plan       
Recordando: segundo a mitologia oficial, a TAP era uma companhia valiosíssima que há anos não tem um cêntimo de lucro e que até recentemente só encontrou um interessado bastante exótico para a comprar.

Depois de décadas parasitada por apparatchiks, sindicalistas, comissários políticos, gestores incompetentes, lugar geométrico dos direitos adquiridos, falida e transformada em companhia de bandeira de um grupo de retardados mentais, o melhor que pode acontecer à TAP é ser comprada por um homem que tem como divisa: «cuida bem dos teus trabalhadores e eles irão tomar bem conta dos teus clientes».

Ver aqui a biografia de Humberto Pedrosa, o sócio de David Neeleman da Azul, que nem parece uma criatura do país dos songamongas, das cunhas, dos betos, das tias e das "boas" famílias.

29/05/2015

Lost in translation (241) – there is no such thing as flag carrier (V)

A sublinhar a singularidade no concerto das nações da companhia de bandeira das caravelas dos Descobrimentos (d'après Costa), uma das vacas sagradas do regime, singularidade já aqui mostrada e agora outra vez reproduzida, registe-se que o governo irlandês decidiu vender a sua participação na Aer Lingus à IAG, a holding que detém a British Airways e a Iberia.


É claro que o governo irlandês não vai pagar à IAG para lhe ficar com a Aer Lingus, como eventualmente o governo português terá de fazer, porque para começar a Aer Lingus não tem o passivo da TAP nem está tecnicamente falida.

A Aer Lingus tem capitais próprios positivos de 660 milhões mais do que o buraco da TAP de 400 milhões and counting. Ou seja, em termos contabilísticos simplistas a Aer Lingus vale mais mil milhões do que a TAP. Em termos de resultados operacionais os 44 milhões da TAP comparam com os 72 milhões da Aer Lingus. Isto apesar da Aer Lingus transportar apenas 10 milhões de passageiros/ano com um staff de 4 mil contra 28 milhões da TAP com um staff de 11,5 mil. É claro que se metermos nos pratos da balança os mil pilotos da TAP, o seu sindicato e o seu consultor é o fim da conversa. (ver relatório de 2014 da Aer Lingus)

É por isso que o governo irlandês poderá arrecadar uns 1,4 mil milhões de euros vendendo a um consórcio que incorpora dois grandes operadores (British Airways e Iberia), enquanto o governo português se tem de contentar com os candidatos que apareceram (oremos para que seja adjudicado à Azul, porque quanto ao Sr. Efromovich estamos conversados).