Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/06/2019

ESTADO DE SÍTIO: No Estado Sucial português até as ONG são governamentais

Ou Júdice é mentiroso, ou Soares dos Santos teve uma epifania

Há uns dois meses citei aqui Pedro Soares dos Santos, o actual presidente da Jerónimo Martins que, segundo José Miguel Júdice, «disse a quem o quis ouvir: “Acredito muito no Dr. António Costa"».

Note-se que ele não disse, temos de o aguentar, nem disse antes Costa que o Jerónimo ou a Catarina. Nada disso. Ele foi citado como tendo dito “Acredito muito no Dr. António Costa".

Passados dois meses o que nos diz Pedro Soares dos Santos em entrevista ao Observador? Não, ele não diz que tem dúvidas ou já não acredita no Dr. António Costa. Nada disso. Ele diz, entre outras coisas que contrariam frontalmente o ilusionismo de Costa e o seu Portugal cor-de-rosa, o seguinte sobre os resultados de três anos e meio da governação: 

«O país faliu, goste-se ou não se goste de dizer isto. O país faliu. Depois tivemos um processo doloroso, muito doloroso para todos, que foi o sair da troika, do controlo da troika e de todas as políticas que nos estavam a ser impostas. Conseguiu-se, com mérito das pessoas, com esforço da sociedade civil, em toda esta luta. Mas, depois, parou-se no tempo. E isto é o que me preocupa, porque há uma coisa que, no fim deste processo todo, não foi resolvido: a dívida. E com os níveis de dívida que existem a liberdade não existe para se fazer as políticas certas para os crescimentos. (...)

Quem estava atento, quem viveu este processo de assalto ao BCP, que agora começa a confirmar, de certa forma, que foi isso — isto não é novidade nenhuma. Isto é, talvez, porque faliram, porque também a Caixa Geral de Depósitos faliu, e isso é muito importante perceber que os portugueses foram muito injustiçados porque estão a pagar a falência dos bancos.»

29/06/2019

De boas intenções está o inferno cheio (51) – Os portugueses são muito imaginativos (II)

Segundo um estudo da Gerador, uma plataforma de ação e comunicação cultural, e da Qmetrics, consultora de prestação de serviços e estudos de mercado, que abrangeu portugueses maiores de 15 anos, «a “falta de tempo” é a razão mais apontada para deixar de ver um filme (64,5%), de ler um livro (60%), de visitar um monumento (46%) ou de ir a um museu (39%).»

Por outro lado, sabe-se os «portugueses passam mais de hora e meia por dia nas redes sociais», «têm a hora de almoço mais longa da Europa» e vêem televisão em média várias horas por dia, e particular. segundo um estudo já velhinho, «a maioria dos adolescentes (56,3%) vê entre 2 a 3 horas de televisão por dia».

Chegado aqui, ocorreu-me o episódio, que relatei há uns anos, de ter lido num desses estudos de opinião que uma percentagem considerável de tugas afirmava ser junto à lareira o seu local preferido para praticar sexo – logo a lareira, um dispositivo presente apenas numa pequena percentagem de fogos, passe o trocadilho.

28/06/2019

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (87) - Obsoleto é um poucochinho exagerado. O liberalismo não é uma moda. É um modo de vida, como o despotismo


«Passados 27 anos da queda do Muro de Berlim e veja-se onde estavam então os dois homens: Trump vivendo na Trump Tower e ainda promovendo «The Art of the Deal»; Putin era o segundo oficial no posto avançado do KGB em Angelika Strasse, na cidade de Dresden no leste alemão. Enquanto o Ocidente capitalista crescia, o mundo de Putin desmoronava. O KGB foi expulso da Alemanha Oriental, os exércitos soviéticos retiraram-se da Europa de Leste e, em seguida, o ex-espião supérfluo do KGB teve de testemunhar a desintegração da poderosa URSS. Deve ter sido surpreendente para ele, anos mais tarde, testemunhar uma Europa à beira do colapso. E manipular as eleições dos EUA, enquanto Trump o defende contra a CIA que ele combateu toda a sua carreira como espião. Mas em 2017 pode ter um prémio ainda maior. Se União Europeia se desintegrar e Trump desestabilizar a aliança da NATO, a Rússia de Putin terá a Europa onde a quer e deixará de existir uma união que ele não pode controlar: o funcionamento das democracias da Europa Ocidental, cujo exemplo ameaça o governo de Putin na Rússia, será fatalmente afectado. Isso será uma reviravolta ainda maior.» («Is Putin’s master plan only beginning?», Henry Porter na Vanity Fair)

Mitos (290) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (6)

Outros mitos: (1), (2), (3), (4) e (5)

Como já escrevi várias vezes, uma boa parte das causas abraçadas pela esquerdalhada é fundada em «factos alternativos». O pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é mais um desses factos que nos posts anteriores já foi desmistificado.

Volto à vaca fria a propósito de mais um artigo no mesmo sentido baseado no princípio de Goebbels que uma mentira repetida mil torna-se verdade. Desta vez é Jornal Eco que escreve:
«Desigualdade salarial está a diminuir, mas mulheres ainda ganham menos 18% que os homens, O fosso salarial entre homens e mulheres está a diminuir, mas ainda está longe de estar fechado. As trabalhadoras ganham menos 18,2% do que os seus colegas
Como os factos mostram, a desigualdade nos salários existe mas é quase irrelevante - e se existisse seria ilegal! O que é desigual é o acesso a certas profissões ou funções, consequência de mais de uma centena de milhar de anos de divisão do trabalho por sexos. Divisão de trabalho que a evolução tecnológica está a tornar cada vez mais obsoleta e que acabará por desaparecer, mesmo sem a engenharia social baseada em ejaculações legislativas.

27/06/2019

ACREDITE SE QUISER / ARTIGO DEFUNTO: Isso explica, se não tudo, muita coisa (mas agora é outra coisa)

Este post é uma espécie de continuação deste outro (embora não pareça).

Há dois dias citei uma notícia do Público que apresentava Portugal como «o terceiro país do mundo onde mais se acredita no Governo».

A minha fé no discernimento do bom povo português é limitada e por isso admiti precipitadamente que o bom povo poderia muito bem acreditar na trupe de ilusionistas que povoa o governo e o aparelho dirigente socialista.

Estava enganado e venho agora penitenciar-me, não da minha falta de fé no discernimento do bom povo português, que permanece intacta, mas da minha falta de atenção ao que a estupidez e ausência de escrúpulos do jornalismo de causas é capaz de produzir. Como produziu neste caso em que o estudo da fundação dinamarquesa Aliança de Democracias apontava para a conclusão oposta, o que levou o Público a rectificar mais tarde a notícia.

Apropriado de O Insurgente
Já agora, para limpar a minha folha, sempre acrescento que não me tenho enganado a respeito da trupe de ilusionistas, que como se pode ver na imagem da esquerda se apressou a enfeitar-se com a fake news para pouco depois ir a correr ao Twitter apagar a celebração.

A direita a que temos direito não tem ideias, tem elucubrações poéticas

À falta de ideias, a direita a que temos direito, uma direita complexada que se tenta legitimar imitando a esquerda, fabrica elucubrações poéticas, como as que recentemente duas luminárias, uma do PSD e outra do CDS, produziram, aliás muito parecidas.

Primeiro foi Pedro Duarte do PSD com o seu Manifesto X que pretende medir o medir desenvolvimento nacional com um índice de «Felicidade Interna Bruta».

A seguir foi a líder do CDS, Assunção Cristas, que no seu novo livro propõe substituir o PIB como medida da riqueza do país por um índice do «sentimento de felicidade».

A coisa depara desde logo com um problema metodológico que é o facto de um qualquer indicador deve poder medir algo objectivo e mensurável, o que não parece de todo ser o caso da felicidade, o que deixaria ampla margem para a engenharia social dos governos.

De seguida depara com uma objecção prática incontornável porque seria no limite o «indicador» ideal para ser usado por projectos utópicos que, como a história mostra, geram invariavelmente distopias onde o ministério da Verdade coexistiria com o ministério da Felicidade.

Mesmo sem chegar a esse limite, quando a economia começasse a correr mal, a «Felicidade Interna Bruta» faria as delícias de todos os ilusionistas, como o Dr. Costa, os seus antecessores e, provavelmente, os seus sucessores.

26/06/2019

ACREDITE SE QUISER: Isso explica, se não tudo, muita coisa


Um estudo da fundação dinamarquesa Aliança de Democracias revela que os portugueses são dos que mais acreditam que a sua voz interessa na política».

Ó vós, cépticos, que pensais que Costa, o seu governo e o aparelho dirigente socialista, capitaneado pelo excelso César, são uma trupe de ilusionistas, constatai que o bom povo português parece acreditar em ilusionistas. O que explica, se não tudo, muita coisa.

Lost in translation (324) - «Todos», significa ele próprio, o seu chefe e mais uns quantos, principalmente os amigos do picareta falante e do animal feroz

Continuação daqui.

Com a preciosa ajuda deste artigo de Helena Garrido a quem por coincidência Teixeira dos Santos, o então ministro das Finanças, disse, à revelia do chefe Sócrates, a 6 de Abril de 2011 «é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu», atirando a toalha ao chão e abrindo assim a porta ao resgate, é possível ter uma ideia quantificada de quem são «todos» mais directamente implicados no desastre do banco público.

Helena Garrido no Observador
Como o quadro evidencia, ainda antes da crise, em menos de três anos, o duo Santos Ferreira (o amigo do peito de Guterres) e Vara (o amigo do peito de Sócrates), actuando como comissários de Sócrates, autorizaram empréstimos de que resultaram imparidades numa ordem de grandeza não muito longe da dos nove anos seguintes (40% e 52% respectivamente), dos quais quatro em plena crise.

25/06/2019

Arranjem um lugar ao rapaz. Ele merece! (4)

Outros apelos para arranjarem um lugar ao rapaz: (1) e (2) e (3)

Com esta é a quarta vez que faço este apelo ao governo, à geringonça, enfim, a quem de direito, para oferecer um lugar, de porta-voz, de consultor de imagem, de guru, de conselheiro, de estratego, seja lá do que for, ao jornalista de causas / militante / comentador / analista,  ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar, ufa!, Daniel Oliveira.

Afirmando definitivamente e acima de qualquer dúvida a sua vocação de bactéria diligente-mor da fossa séptica socialista, à pala de algumas imprecisões resultantes da falta de profissionalismo do jornalismo doméstico a tratar assuntos que ultrapassem a trivialidade, Daniel Oliveira na peça «Constâncio, a imprensa e a velha rábula da “história mal contada”» do Expresso Diário atira-se ao Público e procede à limpeza da ficha de Victor Constâncio com um empenho tal que creio ser impossível ultrapassar até por um escriba socialista escalado para esse propósito. Que se tenha disposto a tal em relação a uma figura gelatinosa infectada de insanáveis conflitos de interesse e comprometida com o pior da governação socialista parece demasiado, até para ele.

ACREDITE SE QUISER: É como uma greve de fome para lutar contra a falta de alimentos

Depois de uma semana a anunciar a greve dos trabalhadores e dos armazéns e supermercados do Continente marcada para domingo passado e trombeteada pelo jornalismo de causas como jornada de luta pelo «aumento de salários, melhores condições de trabalho e encerramento aos domingos e feriados», dos 32 mil trabalhadores do Continente aderiram à greve 11 (onze).

A explicação para a falta de adesão à greve segundo um dirigente do CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal é «porque os salários são tão baixos que os trabalhadores não podem abdicar das horas a 100% ao domingo.» O dirigente não explicou como trabalhadores que não podem abdicar das horas a 100% ao domingo fazem fariam greve ao domingo para não trabalhar ao domingo.

24/06/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (193)

Outras avarias da geringonça e do país.

Há coisas que é melhor não perguntar

Faria de Oliveira é um notório songamonga do Bloco Central, conivente até ao gorgomilo com a instrumentalização da banca em geral e da Caixa em particular em benefício do complexo político-empresarial socialista. Mas só lhe devem atirar pedras quem não tenha telhados de vidro, como não era o caso do deputado socialista que lhe perguntou porque se «acelerou» na La Seda - um dos investimentos mais ruinosos do banco público nos tempos de Sócrates - e recebeu como resposta porque esse era o «objectivo do seu governo».

O cobrador do fraque do Estado Sucial

O programa eleitoral do PS contém mais uma medida para combater as desigualdades. E como se combatem as desigualdades? Ora, como haveria de ser? Aumentando os impostos, claro. A quem? Ora, a quem haveria de ser? Aos ricos, claro? E quem são os ricos? São os que não englobam os rendimentos das rendas e dos capitais, entre outros. Por exemplo, a minha prima Ermelinda que com um rendimento colectável de 26 mil euros cai no 5.º escalão de IRS (37%), tem um T1 na Amadora que herdou do tio Jacinto e aluga por 400 euros e um depósito a prazo de 10 mil euros das suas poupanças.

A mesma Ermelinda que também herdou uma courela em Gouveia, com um hectare de mato que ela nem sabe bem onde fica, irá pagar um IMI agravado a menos que a Ermelinda vá para lá cavar a courela.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (20) - Há uns mais no topo do que outros

Outros portugueses no topo do mundo.

Apesar de os profissionais do chuto, jogadores e treinadores, serem dos portugueses mais bem sucedidos no estrangeiro, por razões que possivelmente se fundam nos complexos de inferioridade da intelectualidade saloia que ocupa muitas das redacções e faz comentário nos mídia, essa realização raramente é reconhecida, a não ser quando assume a forma de um sucesso da selecção porque, nesse caso, o sucesso é apropriado por uma parte dessa intelectualidade como exemplo de excelência do país do qual que se consideram la crème de la crème.

E, no entanto, é no chuto que encontramos mais portugueses no topo do mundo. Segundo as contas da revista b.i. do jornal Sol deste fim de semana, há 50 jogadores e treinadores por esse mundo que conquistaram títulos e medalhas na época que agora acabou. É obra e mostra, uma vez mais, que os profissionais portugueses de futebol são um exemplo de excelência que não encontra paralelo noutras profissões e, ainda para mais, que se saiba, nenhum deles é «membro do clube do esperma sortudo» como lhe chamou Warren Buffett, o Sage of Omaha.

23/06/2019

Vivemos num estado policial? (18) - Sim, vivemos, mas os nossos polícias são um exemplo de empreendedorismo

Outros casos de polícia.

Duas ou três coisas que sabemos sobre as polícias:

Portugal «tem 432 polícias por 100 mil habitantes, um valor que torna a polícia portuguesa 36% mais bem equipada do que as polícias na média dos países europeus» (jornal Eco citando um relatório da OCDE), número que incluiu os GNR que são polícias com outro nome e são contados como tais nas estatísticas da OCDE.

Existem 17 (dezassete) sindicatos de polícias, tendo o 16.º 451 associados e 459 dirigentes e delegados e o 17.º sindicato 27 polícias todos dirigentes sindicais. Também já conhecíamos o quid da pletora de sindicatos: o «trabalho sindical» dos dirigentes dá quatro folgas por mês e o dos delegados sindicais 12 horas.

Apesar desta pletora policial, o país vive com um crónica falta de polícias, o que não admira porque se descontarmos os que estão de folga, de baixa ou em «trabalho sindical» restam muito poucos e desses só alguns estão aptos ao policiamento na rua.

Já sabíamos tudo isso, mas faltava saber que mais de 250 polícias, incluindo oficiais, se dedicaram à venda dos seus passes gratuitos dos transportes públicos, mostrando uma surpreendente veia empresarial e um gosto pela iniciativa privada.

ACREDITE SE QUISER: Um braço do Partido Comunista Chinês no mundo empresarial indigna-se contra uma «proibição tirânica»...

...,  considera que está a ser vítima de «restrições anticonstitucionais» e apela aos tribunais.

Trata-se da Huawei, que mostra assim um grande apego à rule of law e aos valores da democracia liberal. E não, não se trata nem da constituição nem dos tribunais chineses. Trata-se da constituição e dos tribunais americanos.

21/06/2019

Lost in translation (323) - «Todos», significa ele próprio, o seu chefe e mais uns quantos. «Não tínhamos modelos e sistemas», significa não líamos o (Im)pertinências

«No geral todos nós falhámos, todos tivemos as nossas falhas no meio. Por informação insuficiente ou deficiente, porque não tínhamos modelos e sistemas tão robustos como hoje temos na governação das entidades, que permitem alertas prévios de situações de risco, não estávamos equipados e falhámos por isso.» 
Foi o que disse no parlamento Teixeira dos Santos, o ex-ministro das Finanças de Sócrates, para justificar o desastre que o governo de que fez parte deixou ao país.

Como é costume aqui em casa, para tratar discursos enigmáticos das nossas luminárias, recorremos ao nosso tradutor automático (um web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data). Eis o resultado:
No geral todos nós, eu, o meu chefe Eng. Sócrates, o Dr. Costa que também fez parte do governo, e os outros ministros que ainda por aí andam, falhámos. No meu caso, por exemplo, para só citar alguns falhanços: (1) nomeei o Vara, actualmente sobre prisão, que o meu antecessor recusou nomear, e Santos Ferreira para tratarem de pôr a Caixa e o BCP ao serviço do socialismo e ainda hoje não me arrependo; (2) justifiquei a nacionalização do BPN garantindo que não custaria nada e o nada já vai em vários milhares de milhão o que para um bancozito de merda é obra; (3) falhei os défices todos e em particular o de 2009 que comecei por prever em 2,2% e, apesar de todo a engenharia orçamental, acabou em 9,3% e o de 2010 era para ser 4,6% e acabou em 11,2%. Por informação insuficiente ou deficiente, porque não era nosso hábito ler o (Im)pertinências, um blogue de merda que andava a anunciar o buraco uns 3 ou 4 anos antes de eu me enfiar lá, e falhámos por isso.

20/06/2019

PENSAMENTO DO DIA: O capitalismo, o socialismo, o machismo e o feminismo (outra vez)



Uma das mais prestigiadas escolas europeias de tecnologia, a universidade holandesa anunciou que nos próximos 18 meses só vai contratar mulheres, como forma de contrariar o excessivo peso masculino no seu corpo docente.»

Tal como o capitalismo é a exploração do homem pelo homem e o socialismo é o seu contrário, também o machismo é a dominação dum sexo género pelo outro e o feminismo é o seu contrário.

Ainda assim, ficam duas dúvidas, a saber: (1) se, como aconteceu com o heteropatriarcado branco, a engenharia social em curso conduzir ao homomatriarcado mestiço, a universidade de Eindhoven irá voltar a contratar só homens brancos? (2) o que fazemos quanto aos outros sessenta e nove géneros

Pro memoria (394) - Não é que Centeno seja um mentiroso especialmente competente, é mais por o eleitorado ser especialmente esquecido.

19/06/2019

Dúvidas (268) – Irá o Brexit consumar-se? (XIV) - A maior dúvida nem é essa. É se Boris sobreviverá

The Spectator

Boris Johnson 143 votos. Jeremy Hunt 54 + Michael Gove 51 + Sajid Javid 38 = 143.

Pro memoria (393) - Não é que Costa seja um mentiroso especialmente competente, é mais por o eleitorado ser especialmente esquecido.

Confiscado de O Insurgente, com adenda impertinente

ACREDITE SE QUISER: Para os cépticos que pensavam que Guterres não faria diferença nenhuma na ONU (6)


Apesar de ter relevado as calças molhadas, lamentavelmente deixei passar em branco uma acção intenção ponderação do «homem mais importante do mundo» que, com grande humildade cristã, confessou num círculo íntimo de diplomatas (*), certamente rogando-lhes que não comentassem a coisa com mais de 10 jornais, que confrontado com um buraco orçamental de 1,5 mil milhões de euros
«A primeira coisa que fiz quando cheguei foi perguntar se poderia vender a casa».
Tratava-se da residência oficial do secretário-geral da ONU, valendo umas dezenas de milhões de dólares, que Guterres não vendeu porque isso não era possível face aos acordos entre a ONU e os Estados Unidos. É Guterres no seu melhor a pensar fazer algo que se fosse possível ser feito não serviria para nada.

Nunca é demais recordar o lema de estimação do (Im)pertinências:
Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias.
(*) Trata-se do Fifth Committee, I guess, que tem centenas de membros, só portugueses são três.

18/06/2019

PS-D, um partido a navegar à deriva, rio abaixo

É apenas um detalhe, porém suficientemente revelador do vazio programático do PS-D de Rio que à míngua de ideias e de causas tenta colar-se às patetices do PAN.

Que outra coisa pode significar propor mais uma ejaculação do órgão legislativo com a apresentação de um projecto de lei para introduzir uma alteração do Código Penal - a 47.ª (quadragésima sétima) em 37 anos - aumentando a pena de prisão por matar animal de companhia de um ano para três anos?

SERVIÇO PÚBLICO: De como uma pessoa de esquerda pode saber melhor o que deve ser a direita

Não poucas vezes se escreveu no (Im)pertinências muito criticamente sobre os artigos de opinião de Clara Ferreira Alves. E também por vezes, poucas, se concordou com algumas aparentes epifanias da Pluma Caprichosa do Expresso. Esta é mais uma dessas poucas vezes em que nos surpreendeu pela acutilância e clareza da argumentação que uma pessoa de direita, conservadora ou liberal, subscreveria. Aqui vai o seu artigo «Ser de Direita» publicado na Revista do Expresso do fim de semana passado.

«Quanto custa ser de direita em Portugal? Em Portugal, toda a gente é de esquerda. Num país desigual, onde a diferença salarial entre patrões e empregados é uma brutalidade, onde os privados não têm tradição mecenática ou comunitária, onde a doação de dinheiro para causas públicas resvala no financiamento dos partidos e clientelas, e onde á autoridade e a responsabilidade são consideradas repressão de uma sacrossanta liberdade inventada pelos portugueses depois de abril que é apenas permissividade e inércia, a esquerda apurou o discurso. O PSD, um partido de centro direita na génese, tudo faz para não ser de direita, e o CDS é tudo menos um partido de direita conservadora clássica. Herdando as características da direita trauliteira do período colonial, o CDS define-se pelo desgosto com as esquerdas e pela irritação com socialistas. Pergunte-se pela política fiscal ou pelas políticas económicas e o que sobra é um ponto de interrogação e muita visitação de feiras e dichotes espirituosos.

17/06/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (192)

Outras avarias da geringonça e do país.

Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

Que um deputado da bancada socialista tenha assinado um artigo de opinião no Observador com o título «Como evitar um 4.º resgate?», prescrevendo políticas com esse propósito, várias das quais não hesitaríamos em apoiar, nós aqui nesta espécie de aldeia da Gália onde se refugiam duas almas de pendor liberal, quer dizer qualquer coisa? Certamente, mas não muito, porque Paulo Trigo Pereira, o deputado em causa, é professor de economia (não que isso signifique muito, lembremo-nos do professor Louçã), é independente (não que isso signifique muito, lembremo-nos das resmas de "independentes"), abandonou a bancada socialista e passou a deputado não inscrito (isso já quer dizer alguma coisa). Quer dizer principalmente, creio, que o resultado provável da página virada do Dr. Costa começa a ser evidente até para os seus prosélitos arrependidos.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Senhor, tende misericórdia! Livrai-nos desta praga!

«Na cidade o PEV e o PAN são a favor dos automóveis eléctricos mas no campo não querem minas para a  exploração de lítio. Ora sem lítio não há baterias e sem baterias os automóveis eléctricos não andam.  Na cidade todas as almas sensíveis são agora contra o  plástico e substituem os sacos de plástico pelos de papel. No campo as mesmas almas sensíveis são contra o plantio de eucaliptos. Ora sem eucaliptos não há pasta para fazer papel. Na cidade eles adoram a dieta mediterrânica, fazem do azeite uma espécie de elixir mas o campo partiram agora em cruzada contra o olival intensivo mas sem olival intensivo não há azeite que chegue para tanta dieta mediterrânica. O país fora as áreas metropolitanas é cada vez mais encarado como uma espécie de reserva etnográfica,  onde toda e qualquer actividade que gera riqueza e emprego é vista como descaracterizadora

Portugal, país-slime, Helena Matos no Observador

16/06/2019

Jerry, tie me up and do whatever you want, Tony says

«Se o PS tiver as mãos completamente livres, o que foi alcançado corre o sério risco de andar para trás, da mesma forma que andaria se o CDS e o PSD reunissem condições para tal», disse Jerónimo de Sousa, o chefe do PCP,  no Funchal.

Que os comunistas tenham chegado a este ponto não é surpreendente. É apenas consequência da sua inutilidade, de já terem sido varridos para o caixote do lixo da Estória e de não terem dado por isso.

Pro memoria (392) - A reversão para as 35 horas não iria custar nada (III) - Isto é um insulto à inteligência do eleitorado?

Sequência de (I) e (II)

1.ª página do semanário de reverência
Aritmética para totós:
  • Número de utentes da vaca marsupial pública antes da chegada da geringonça 659 mil
  • Redução do n.º de horas (40-35):40 = 12,5%
  • Aumento do número de funcionários públicos necessários para repor as horas 12,5% de 659 mil  = 82 mil
Alguém se lembra das garantias de Costa e de Centeno que a redução para as 45 horas não teria impacto orçamental e do despacho de promulgação de Sua Excelência o Rei Amor da Lei 18/2016 em 20 de Junho?
«Porque se dá o benefício da dúvida quanto ao efeito de aumento de despesa do novo regime legal, não é pedida a fiscalização preventiva da respectiva constitucionalidade, ficando, no entanto, claro que será solicitada fiscalização sucessiva, se for evidente, na aplicação do diploma, que aquele acréscimo é uma realidade».
Isto é um insulto à inteligência do eleitorado? Não, não é - vejam-se as sondagens. Dito de outro modo, não é que Costa e Marcelo sejam mentirosos especialmente competentes, é mais por o eleitorado ser especialmente desmazelado.

15/06/2019

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (86)

Outras preces

«Marcelo coroado 'rei amor' na Costa do Marfim»
E logo num país com um regime que até em África se salienta por um regime nada democrático - o seu índice de democracia da EIU está na metade inferior africana, é o 113.º do mundo e é metade (4,15 contra 8,22) do índice de Cabo Verde de onde Marcelo viajou.

Por falar na criatura, concordo frequentemente com André Abrantes Amaral e neste seu comentário também concordo com quase tudo, excepto com o título «Um pequeno de Gaulle chamado Marcelo» que me parece ofensivo para Charles de Gaulle, por Marcelo ser uma espécie do contrário dele. Aquilo em que são mais parecidos é a altura (1,76 m de Marcelo contra 1,96 m de de Gaulle) e o que são mais diferentes é a estatura política e moral.

14/06/2019

ACREDITE SE QUISER: Para os cépticos que pensavam que Guterres não faria diferença nenhuma na ONU (5)

Outras diferenças que Guterres não fez.

O homem mais poderoso do mundo, segundo a imprensa local

Um Rio cada vez mais parecido com um socialista (5) - Está praticamente indistinguível

Outras parecenças: (1), (2), (3), (4)

Recordando, já se sabia que Rui Rio é uma espécie de socialista tresmalhado e que a sua escolha de lugares-tenentes como Barreiras Duarte, Elina Fraga, Salvador Malheiro, etc., aproxima aquilo a que chama ética da ética republicana do Homo Socialisticus vulgaris. Mais recentemente, a seguir à palhaçada em que Costa fingiu ser um Passos Coelho preocupado com o rigor orçamental, veio dizer que não sabia de nada, que nem era deputado and all that bullshit, no que foi logo desmentido por Fernando Negrão e Margarida Mano, líder e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD.

Agora, Álvaro Amaro, ex-presidente da Câmara da Guarda, vice-de Rui Rio e eurodeputado, que já era arguido no processo Rota Final foi constituído arguido num caso de «fraude na obtenção do subsídio que financiou a festa de carnaval em 2014».

Percebem-se cada vez com mais dificuldade as declarações de probidade da criatura e percebe-se cada vez melhor a sua obsessão de domesticar a justiça.

CASE STUDY: Um imenso Portugal (51) - A limpeza do Lava Jato

[Outros imensos Portugais]

Terá o juiz Sérgio Moro influenciado os procuradores da Operação Lava Jato de Curitiba no sentido de obterem provas contra os suspeitos e designadamente o ex-presidente Lula contrariando as regras legais? Pois, parece que sim, a acreditar nas conversas publicadas pelo jornal online de factchecking, conversas através da aplicação Telegram a que teve acesso a equipa de investigação do The Intercept Brasil.

Não foi preciso mais para o coro multinacional dos órfãos de Lula e do pêtismo iniciar a operação de limpeza do Lava Jato, alegando que, em vista da interferência do juiz na investigação, a acusação seria infundada. À pala de irregularidades processuais pretendem os órfãos - grosso modo a esquerdalhada internacional - branquear o maior sistema de corrupção alguma vez existente que permitiu a um partido manter-se no poder à custa de comprar milhares de políticos e empresários, partido capitaneado por Lula durante mais de uma década, um Lula sobre cujos filhos se amontoam evidências de terem sido beneficiários do mesmo esquema de corrupção.

Andaram bem os juízes e os procuradores que não cumpriram as regras e usaram atalhos na investigação? Claro que andaram mal. Mas estão os órfãos da esquerdalhada preocupados com as dezenas de políticos de direita que também foram apanhados pelos mesmos processos e foram condenados e presos? Não, não estão. 

E se a ilegitimidade dos processos de investigação compromete as provas, o que dizer das conversas privadas que fundamentam a acusação a Moro e aos procuradores de investigação "dirigida" que foram obtidas por meios ilegais? Daí resulta que Moro e os procuradores ficam isentos de responsabilidades?

13/06/2019

Dúvidas (267) – Irá o Brexit consumar-se? (XIII) - A maior dúvida nem é essa. É o que pensa disso Boris



24-05-2019 «Boris Johnson has embraced the prospect of a no-deal Brexit»

12-06-2019 «Brexit: Boris Johnson says he is 'not aiming for no deal'»

Dúvidas (266) - E se crise da direita fosse apenas o resultado de os portugueses preferirem mais do mesmo em vez de menos do mesmo?


«Desde então, a dinâmica do “revezismo” governamental nunca mais deixou de ser a mesma: o PS propõem-se ser mais do mesmo, o PSD a ser menos do mesmo. O “despesismo” e a “austeridade” com que estes dois partidos respectivamente se acusam não passam de um resultado deste ciclo que repete há quase 25 anos: o PS governa enquanto a economia internacional e os bancos lhe permitem usar o Estado para saciar as mais variadas clientelas e dar aos cidadãos uma temporária (e relativa) prosperidade, e o PSD só lá volta quando a generosidade alheia se esgota, e só com a bengala do CDS (um partido de socialistas que gostam de usar o rótulo de “direita” como instrumento de afirmação de uma suposta superioridade social que mais ninguém lhes reconhece) a sustentá-lo, e nunca com os meios orçamentais necessários para repetir os “sucessos” do “cavaquismo”.
A crise do PSD vem daqui: em virtude das circunstâncias e dos caprichos da Fortuna, o PSD nunca de 1994 para cá teve oportunidade de recorrer ao Estado e ao festim do Orçamento para encher os bolsos de um número suficientemente grande de portugueses, e em Portugal só se conseguem maiorias absolutas quando existe essa oportunidade.

(...)

Mas – no seio do PSD e fora dele – “direita” e “esquerda” são cada vez mais meras etiquetas que os seus enunciadores usam como símbolo oratório sinalizador do seu desejo de se afirmarem (nem sempre com honestidade) como independentes de favores do Estado ou como pessoas preocupadas com as desigualdades de rendimentos e más condições de vida em Portugal. Na realidade, o problema é outro, e bem mais complicado, especialmente para o país: o PSD está em crise porque o Estado não tem, duradouramente, recursos para rechear as contas bancárias de uma suficiente vastidão de portugueses, e o facto de esse problema ser causa de uma crise no PSD mostra como não há em Portugal uma “base social de apoio” a uma série de reformas que pudessem tornar a sociedade mais próspera. Por isso mesmo, o PSD continuará em crise, e o país com ele.»

A crise do PSD e a crise do País, Bruno Alves no Económico

12/06/2019

Pro memoria (391) - Filipe Pinhal, o primeiro que não teve um apagão de memória

«Filipe Pinhal, que foi afastado do BCP na luta de poder dentro da instituição financeira, diz que as mudanças na administração do banco privado só aconteceram porque tiveram o apoio do “triunvirato” José Sócrates, Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio.» (Negócios)

Finalmente, alguém não teve um apagão de memória a respeito do assalto do BCP, tema que inspirou resmas de post aqui no (Im)pertinências, como por exemplo o seguinte de há 10 anos:

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

11/06/2019

Curtas e grossas (51) - O problema não são as manobras. O problema são os tomates


A propósito do comentário do comentador estacionado em Belém, durante uma sua intervenção, na FLAD ainda por cima, onde disse existir «uma forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos» e, por isso, se auto-atribuiu o papel «importante para equilibrar os poderes», escreveu Luís Menezes Leitão no Jornal i:

«É bastante estranho o Presidente da República assumir o papel de comentador político, ainda mais para decretar a existência de uma crise na oposição ao Governo. Mas de Marcelo tudo se espera, e deste caso pode concluir-se que o Presidente entrou claramente no jogo político, efectuando o que se pode considerar uma profecia auto-realizável.

Sá Carneiro tem sido muito citado, mas é muito pouco seguido. Perante um Presidente eleito pela direita que se colocou contra ela, não hesitou em negar-lhe o apoio à reeleição, arranjando um candidato alternativo. E perante um país que achava que a direita não podia ser Governo, criou uma coligação e demonstrou que a mesma conseguia governar. Hoje continua a ser esse o caminho. O centro-direita tem de considerar Marcelo Rebelo de Sousa como seu adversário político e tem de criar uma coligação para disputar as próximas eleições. A persistir neste caminho, não vai a lado nenhum.»

Dito de outra maneira, as manobras de Sua Excelência não são o problema. O problema é a falta de tomates de Rio e Cristas.

10/06/2019

DIÁRIO DE BORDO: 10 de Junho, dia negro da exclusão social (REPUBLICADO)

Já não falo mais do meu caso. Apesar das minhas críticas vitriólicas à Nação, não deixo de ser um seu filho, pródigo, mas Filho malgré moi. Mas vou estoicamente esquecer o meu caso. Aceito, rendo-me, desisto de lutar por uma Comenda.

Mas que dirão uns milhares de Portugueses que nunca mereceram uma atenção no 10 de Junho? Que devem pensar esses excluídos, a quem nunca um Venerando Chefe de Estado prantou uma Comendazinha no peito? Desde que foi instituído o Dia da Pátria, por coincidência no mesmo dia consagrado pelo fassismo à raça, já passaram por Belém Generais, Marechais, Doutores, Professores, uns Republicanos, outros fassistas, ainda outros Democratas ou Socialistas ou Social-democratas e esses milhares de excluídos continuam à espera, impacientes.

Esperei em vão que o professor Cavaco, que inscreveu no seu Pograma o Combate à Exclusão, erradicasse esta mancha do Estado Social. Sonhei depois que o professor Marcelo com a sua obsessão de engraxar o povinho multiplicasse as comendas ao ritmo das selfies.

Tudo em vão. E contudo propus um critério claro e inequívoco - o Venerando iria a partir de agora condecorar, Concelho a Concelho, ou Distrito a Distrito, quem sabe?, as Forças Vivas Concelhias ou Distritais. É certo que, mesmo sendo o Distrito a unidade escolhida, o Venerando precisaria de 4 Mandatos, mas sempre se poderia alterar a Constituição da República, por uma Boa Causa. Se os neoliberais admitem alterá-La para abolir os Direitos Adquiridos, porque não alterá-La para aumentá-Los - os do Presidente (o Direito a condecorar) e os dos Cidadãos (o Direito a serem condecorados)?

E as quotas? Para as Portuguesas colossalmente desvalorizadas nas comendas, em clara minoria. Mas também para cada um dos 112 (cento e doze) géneros ou, vá lá, pelo menos dos 71 (setenta e um).

Chegado a este ponto, sou obrigado a reconhecer, contra a minha vontade (basta ler um ou dois dos posts da série TV Marcelo), que o Venerando Presidente da República em Curso (Venerando PREC), está a fazer um esforço meritório para acabar com a exclusão social. Segundo DN, que nestas coisas nunca se engana, Sua Excelência atinge hoje as 300 condecorações em 1187 dias, ao prodigioso ritmo de uma condecoração a cada quatro dias. Eis aqui um incontornável argumento para um segundo mandato ou, suprema ousadia, para alterarmos a Constituição e abolirmos o limite de dois mandatos, colocando a Nação decididamente no caminho para o Socialismo.

É claro que também podia estar preocupado com a falta de medalhas que pode resultar do ritmo de entrega do Venerando PREC. Só não estou porque, seguramente, uma parte delas vai ter de ser devolvida pelos condecorados entretanto condenados.

[Este post já foi publicado várias vezes no passado em diferentes versões. Falta de inspiração? Certamente, mas a meu favor invoco que nestas áreas da mitologia patriótica a tradição ainda é o que era e, por isso, há pouco de novo a dizer.]

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (191)

Outras avarias da geringonça e do país.

O culturês, como subdialecto do politiquês

Para @ ministr@ da Cóltura as obras de arte desaparecidas que estavam à guarda do Estado, afinal não estavam desaparecidas. «Precisam de uma localização mais exacta». Não é extraordinário um Estado que não sabe tomar conta dele querer tomar conta de nós?

Depois do cobrador do fraque, o espião que veio do fisco

Segundo o Económico, as Finanças do Porto criaram há dois anos uma equipa secreta que vigia, segue e fotografa «suspeitos de crimes fiscais», ou seja qualquer cidadão. Se Orwell ainda vivesse, teria aqui inspiração para acrescentar ao seu «1986» um capítulo sobre o fisco da Oceania. E porquê não há indignações de relevo? Segundo o Impertinente (é bem capaz de ter razão), porque a maioria dos cidadãos espera do Estado que lhes proporcione umas migalhas que sobram da vaca marsupial pública do produto da extorsão à classe média (a quem chamam «os ricos»).

A família socialista tem imenso jeito para o negócio

Se é verdade que os autarcas dos outros partidos não se destacam pelo seu zelo e integridade na gestão dos municípios, é ainda mais verdade que os autarcas do PS batem todos os outros irremediavelmente: «dos 15 autarcas constituídos arguidos nos últimos dois anos, 11 são socialistas». Pelo menos nesta matéria, o PS já garantiu a maioria absoluta. Aos autarcas podemos acrescentar os apparatchiks como um tal Pizarro, o capo dos socialistas do Porto, que, soube-se agora, «prometeu influenciar Governo para beneficiar arguido da Operação Teia».

09/06/2019

CASE STUDY: Os profissionais portugueses de futebol como um exemplo de excelência (3)

A propósito da vitória há minutos da selecção portuguesa na Liga das Nações da UEFA, republico parcialmente este post que continua actual.

Porque atingem os futebolistas profissionais portugueses o topo?

Devemos começar por reconhecer que os jogadores portugueses de futebol são os únicos profissionais que verdadeiramente trabalham num mercado internacional competitivo sujeitos a uma avaliação constante e impiedosa. Deve ser mais fácil encontrar uma agulha num palheiro do que um português de outra profissão integrado num mercado de trabalho internacional comparável ao mais modesto dos nossos jogadores no estrangeiro.

E o que é que tem o futebol de diferente do resto das actividades em Portugal? Várias coisas, entre as quais: uma regulação leve, concorrência nacional e internacional entre operadores e, sobretudo, um mercado de trabalho aberto, competitivo e internacional - deve ser a única actividade em Portugal em que as famílias, os partidos e as maçonarias não arranjam lugares na profissão do chuto para os seus filhos, camaradas e irmãos, respectivamente.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (19) - Les portugais ne sont pas tous gais

Outros portugueses no topo do mundo.

Carlos Tavares, o actual presidente do grupo PSA (Citroen, Peugeot, Opel), nasceu em Portugal mas não é um português. É um sujeito enérgico, decidido, frontal, exigente e competente. O seu estilo de gestão não tem nada a ver com o songamonga patrício que confunde a gestão com a digestão.

Não percebendo isso, o jornalista do semanário de reverência que o entrevista faz-lhe a pergunta da praxe que um jornalista português não resiste a fazer a um patrício no topo do mundo e pergunta: «O facto de o presidente da PSA ser português é uma vantagem para Mangualde?» De volta recebe a seguinte resposta:
«A responsabilidade do presidente é para com todos os empregados do grupo, sem excepção. É uma questão de ética. Há aqui uma ignorância demagógica que eu não aceito. Tem de dizer-se às pessoas que o que se vota ao domingo tem consequências à segunda-feira. Não se podem ignorar as consequências
Para quem não saiba, a expressão «Les portugais sont toujours gais» é de um verso da ópera bufa «Le jour et la nuit» de Charles Lecocq, cantado pela personagem príncipe de Calabazas.

Les portugais sont toujours gais
Qu'il fasse beau, qu'il fasse lais,

Au mois de décembre ou de mai,
Les portugais sont toujours gais!

08/06/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (183) - Uma falta de memória só igualada pela falta de vergonha

«O PS quer um “dia da memória” porque sabe não haver nenhuma. Se houvesse, toda a gente se lembraria das figuras que os nossos estimáveis governantes fizeram naqueles desgraçados dias, sob o alto patrocínio de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria da grotesca indiferença do dr. Costa, disfarçada sob um ar pesaroso e interrompida para anunciar aos saltinhos a candidatura do autarca lisboeta. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria do “focus group” convocado pelo primeiro-ministro para medir os efeitos dos incêndios na sua popularidade. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria dos bonitos calções que o primeiro-ministro envergou numa praia espanhola enquanto os cadáveres arrefeciam. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria da valentia da então ministra da Administração Interna, uma criatura hoje sem nome que à época, e entre lágrimas, se proclamou a principal vítima de tudo aquilo. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria da eficácia do lendário SIRESP e dos míticos Kamov, não por acaso duas heranças do dr. Costa. Se houvesse memória, toda a gente se lembraria de que, em Pedrógão, um Estado voraz falhou na solitária tarefa que lhe devia competir: assegurar, na medida do possível e do razoável, a segurança física dos cidadãos. Se houvesse memória, enfim, o dia da dita seria dispensável. Assim, é apenas repugnante.»

Os dias nacionais da amnésia, Alberto Gonçalves no Observador

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Não há constância maior do que a de Constâncio

Secção Musgo Viscoso

Vítor Manuel Ribeiro Constâncio, várias vezes secretário de Estado e ministro, incluindo ministro anexo, duas vezes governador do Banco de Portugal da primeira das quais transitou directamente para secretário-geral do PS. Como governador decretou o fim das crises e do «problema monetário macroeconómico» e teve uma notável participação na equipa de assalto ao BCP.

Soube-se agora que em 2007, na sua segunda passagem pelo BdP como governador, durante o assalto ao BCP o CA do BdP, por si presidido, reuniu-se «com apenas um único ponto na agenda: autorizar a operação que daria a Berardo um reforço da sua posição no BCP de 3,99% até 9,99%, com um financiamento de 350 milhões de euros a libertar pela Caixa, mediante a promessa dos títulos adquiridos».

Sem nenhuma surpresa, «a informação foi ocultada dos deputados na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD, onde Constâncio disse ser “impossível” que o Banco de Portugal soubesse que a CGD ia financiar Berardo antes de o crédito ser dado». (Público via Observador)

Já premiado algumas vezes aqui no (Im)pertinências, é justo volta a atribuir-lhe cinco pilatos por ter elevado ao seu pináculo a arte de lavar as mãos do assunto, cinco ignóbeis pelo extremo descaramento sonso com que descarta as suas responsabilidades e cinco bourbons como prémio de carreira.

07/06/2019

ESTADO DE SÍTIO: Depois do cobrador do traque, o espião que veio do fisco

 Depois do cobrador do traque, o espião que veio do fisco
Num país cujos cidadãos prezassem a liberdade e a privacidade, isto faria perder as eleições aos partidos que criam, ou deixem que se criem, estes mecanismos de extorsão. Não é assim num país em que a maioria dos cidadãos espera do Estado que lhes proporcione umas migalhas que sobram da vaca marsupial pública do produto da extorsão à classe média (a quem chamam «os ricos»).

06/06/2019

DIÁRIO DE BORDO: Dia D - O princípio do fim do III Reich e talvez a última vez que os ianques salvaram a Óropa de si própria

Há 70 anos as forças aliadas (tradução americanos e ingleses e alguns canadianos, australianos et al.) desembarcaram em Omaha Beach para salvar a Europa de si própria (fonte: WSJ)
De vez em quando, perguntam-nos porque escrevemos Óropa em vez de Europa. Nunca explicámos até hoje, que é uma data importante para a Óropa e para os Estados Unidos de quem o Dr. Soares foi amigo quando precisou por estar cercado no PREC pelos comunistas. Óropa é uma homenagem ao falecido Dr. Soares porque era assim que ele dizia com a sua pronúncia peculiar.

05/06/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Trabalho de Grupo da Oposição

Secções: Entradas de leão e saídas de sendeiro /  Insultos à inteligência /  Res ipsa loquitur / Tiros nos pés (excepcionalmente, os prémios são atribuídos em várias secções)

A Rui Rio, por responsabilizar pelo «descalabro nas europeias» os críticos (que o pouparam), Rangel (que ajudou a minorar o descalabro) e os jornalistas (que não usaram com ele senão um módico da verrina que dedicaram ao seu antecessor), um afonso pela tesura (mal dirigida), cinco chateaubriands por atribuir a outros aquilo que é essencialmente da sua responsabilidade e cinco bourbons como prémio de carreira.

A Assunção Cristas, cinco urracas pelas entradas de leão na propaganda eleitoral e as saídas de sendeiro nos resultados e cinco chateaubriands pela confusão sobre o papel de um partido que ressalta da sua «política positiva» e do «colocar as pessoas no centro», dois desígnios cuja vacuidade que se pode medir pelo teste da negação: alguém pode preconizar uma política negativa ou o colocar as pessoas na periferia? Vamos esperar mais algum tempo para lhe começar a atribuir bourbons como prémio de carreira.

Um dia como os outros na vida do estado sucial (37) - Simplex

9 horas, bicha para o Cartão de Cidadão, começada às 5h, IRN, Oeiras,

04/06/2019

ACREDITE SE QUISER: Assaltantes do banco reclamam danos morais por terem ficado fechados dentro da casa-forte

«Doze dos treze ex-administradores do BES culpados pela comissão liquidatária da queda da instituição exigem créditos.

Ricardo Salgado e Ricciardi estão entre os lesados do BES, exigindo 9,98 milhões de euros e 2,46 milhões de euros, respetivamente.» (Jornal i)

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

Agustina Bessa-Luís, uma escritora impertinente

Dúvidas (265) - A fuga de Costa para a Óropa é só mais uma teoria da conspiração? (2) - "A skilled compromise-broker"

Continuação daqui.

Existem razões de peso para Costa imitar Guterres e Durão Barroso e fugir do pântano quando começar a ser evidente qual a página para qual ele nos virou. E Costa, que é tudo menos burro, perceberá que para tirar partido da fraca memória dos eleitores não poderá esperar até à véspera da próxima crise que, com o dobro da dívida pública da crise anterior, com a economia ainda mais descapitalizada, com a impossibilidade de repetir o whatever it takes de Draghi com o nível actual das taxas de juro, será provavelmente muito mais profunda do que a anterior.

Isto pode não passar de mera especulação ou de mais uma teoria da conspiração. Poder pode, mas os factos e o fundamento das previsões que sugerem ser mais do que especulação ou conspiração vão-se acumulando. Passemos em revista alguns deles.

«Macron elogia Costa no Facebook (em português e tudo)» e Macron procura um candidato para a presidência da CE alternativo a Manfred Weber, um burocrata cinzento promovido por Merkel.

«Temos a ganhar se partilharmos este gosto que temos os dois pelo futuro da Europa nestas eleições e temos de construir, com outros colegas, por uma coligação de progresso e futuro para o próximo Parlamento [Europeu], mas também para o próximo executivo europeu para juntos construirmos uma nova etapa do nosso projecto", disse Macron ao receber António Costa no Eliseu,

«Com a exceção do En Marche, o PS de Costa é o único partido no Governo que aceitou participar na conferência de Macron. (...) Matteo Renzi, ex-primeiro-ministro italiano próximo de Costa, aceitou fazer o mesmo tipo de intervenção que o chefe de governo português», escreveu Luís Rosa.

Assunção Cristas, que, no que respeita a si própria e ao CDS, não consegue antecipar nada, antecipa que Costa está a pensar na presidência do Conselho Europeu para «não ter de reparar os estragos» da página para onde nos virou. Engana-se na presidência que será mais provavelmente da Comissão e não do Conselho.

Enquanto o chefe Costa trabalha para uma aliança socialistas-liberais a nível europeu, o seu substituto in waiting Pedro Nuno Santos, possivelmente porque sente necessidade de mais tempo para consolidar no aparelho a sua futura liderança, para o que precisa de Costa por cá ainda algum tempo, defende mais do que uma separação clara entre liberais e socialistas na UE uma «tensão permanente».

A Economist, geralmente muito bem informada sobre os cozinhados eurocráticos, escreve esta semana: «Manfred Weber, the EPP’s candidate for the commission,  (...) falls short, (...) In a more meritocratic EU the commission presidency might go to Margrethe Vestager, the dynamic (Danish) competition commissioner. Antonio Costa of Portugal, Leo Varadkar of Ireland or even Mrs Merkel, all skilled compromise-brokers, might lead the council

03/06/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (190)

Outras avarias da geringonça e do país.

Finalmente, veio a ser pública a quarta carta que o ex-ministro das Finanças Campos e Cunha escreveu a José Sócrates explicando as razões porque pedia a demissão, razões que são um libelo à governação socialista e, por inerência, à dúzia de acólitos do animal feroz que ainda por aí circulam. A começar pelo actual primeiro-ministro Costa (o "merdas sem tomates", segundo Sócrates), Santos Silva (actual ministro dos Negócios Estrangeiros), Vieira da Silva, homem para toda a obra, a continuar com Freitas do Amaral, um socialista frustrado, e muitos outros, e a terminar com Teixeira dos Santos, o sucessor de Campos e Cunha que foi apanhado em mais uma mentira ao fazer um depoimento a limpar a folha do chefe, assumindo a responsabilidade por nomear Vara contra a vontade do chefe, uma semana antes de ser pública a carta de Campos e Cunha esclarecendo que a razão principal para se demitir foi a pressão de Sócrates para que nomeasse Vara. É o esgoto socialista em todo o esplendor.

O cobrador do fraque do Estado Sucial

A estória das operações stop do fisco sob ameaça de penhora dos veículos já foi aqui contada. Resta acrescentar que eram do conhecimento da DG das Finanças em Lisboa e estavam a ser preparadas acções de rua para penhorar activos financeiros e que vai (ou iria?) ser lançada «uma megaoperação de fiscalização a casamentos e festivais de música».

O Estado Sucial ocupado pela geringonça que nos assalta na rua para extorquir impostos, que nos quer impor uma dieta e controlar os nossos hábitos e gostos, é o mesmo Estado Sucial que não sabe o paradeiro de 170 obras de arte à sua guarda, incluindo quadros de Vieira da Silva e Júlio Pomar, José de Guimarães, Malangatana e muitos outros.

DIÁRIO DE BORDO: Tiananmen, 3 de Junho de 1989

02/06/2019

SERVIÇO PÚBLICO: A esquerdalhada, os fascistas da saúde

«O Bloco e o PCP (e o PAN para lá caminha) são os fascistas da saúde em Portugal. Têm dois objectivos: terminar com a iniciativa privada na saúde, e acabar com a liberdade de escolha dos cidadãos. (...)

O fascismo da saúde não se limita ao ataque ao investimento privado. Também se manifesta no modo como as esquerdas totalitárias querem controlar os hábitos das pessoas, desde a alimentação até actividades como a caça e as touradas.»

Continue a ler «Os fascistas da saúde», João Marques de Almeida no Observador

Pro memoria (390) - A torrefacção lusitana dos fundos da Óropa

Clique na imagem para a ampliar (fonte: Económico)
Fomos o quinto país com mais fundos atribuídos de 2007 a 2020 e o terceiro dos países com população comparável, depois da Hungria e da República Checa que aderiram mais tarde e tinham um PIB per capita PPS mais baixo (tinham, mas a República Checa já nos ultrapassou e a Hungria vai a caminho).

Não deve ser por acaso que o projecto mais financiado pelos fundos europeus é o Parque Escolar onde torrámos mil milhões em obras de fachada em grande parte inúteis e comprometidas por uma intensa corrupção durante o consolado socratista (ver aqui e aqui o que escrevemos a esse respeito)

01/06/2019

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: PAN, o catarismo do politicamente correcto

«E quem diz o Francisco diz o PAN em geral, cujas crenças, no sentido religioso do termo, não mereceriam comentário se assumidamente se limitassem aos membros e simpatizantes da seita. Sucede que não limitam. O PAN é livre de abominar os transgénicos e os respectivos benefícios. O PAN é livre de presumir que as “medicinas alternativas” são uma coisa autêntica e não uma impostura do gabarito da tarologia. O PAN é livre de preferir curar a enxaqueca com camomila no lugar de Zomig. O PAN é livre de trocar proteínas animais por alcachofras e tofu. O PAN é livre de não apreciar sacos de plástico e carregar as compras na cabeça. O PAN é livre de sentir cócegas com os combustíveis fósseis. O PAN é livre de acreditar nos méritos, e na viabilidade, de providenciar um salário aos que recusam trabalhar. O PAN é livre de ponderar a saída do euro. O PAN é livre de sonhar com o indicador da Felicidade Interna Bruta. O PAN é livre de, sob o verniz “urbano” e fofinho, ser bruto como as casas.

A chatice, e o perigo, é que o PAN não se satisfaz em passear ignorância sem um remoto vínculo à realidade. O PAN, que é para a ciência (e para a economia) o que o BE é para a economia (e para a ciência) quer, e aos poucos tem ajudado a conseguir, que a ignorância, a crendice e a superstição cheguem à lei. O PAN devia ser livre de tudo, não devia ser livre de interferir na liberdade alheia através de alucinações. A última palavra ao Francisco: “O nosso caderno de encargos é muito exigente”. De facto, exige uma imensa propensão para o atraso de vida.»

A natureza do PAN, Alberto Gonçalves no Observador