Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/05/2019

Não, não é a bicha para o Cartão de Cidadão. É a hora de ponta no Everest

200 criaturas na bicha do Everest
Sendo o Everest o topo do mundo é altamente provável que por lá estejam na bicha pelo menos uma dúzia de portugueses.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (18) - les Portugais, ils étaient encore plus maquisards que les Français, voilà

Outros portugueses no topo do mundo.

«Houve, proporcionalmente, mais portugueses a resistir aos nazis em França do que franceses» revela-nos o Público, citando uma investigação de José Manuel Barata-Feyo.

Esta celebração tão peculiar dos portugueses no topo do mundo é talvez a mais surpreendente até agora. Não questiono le fait même, mas devemos colocá-lo no contexto histórico da II Guerra Mundial e, sobretudo, na imensa legião de franceses que viraram a casaca e se tornaram collaborateurs du régime nazi.

Foram tantos (e entre eles alguns famosos, como mon ami Miterrand, sobre o qual recaíram fortes suspeitas de colaboracionismo) que ainda hoje alguns deles sobrevivem e recebem pensões da segurança social alemã.

O balanço entre collaborateurs e maquisards franceses pendia claramente para os primeiros e, por isso, não é assim tão impressionante ter havido, proporcionalmente, mais portugueses maquisards do que franceses. Impressionante seria, dada a multidão de collaborateurs franceses, ter havido, proporcionalmente, mais collaborateurs portugueses.

30/05/2019

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Numa jogada atrevida, Costa deixa a oposição em Zugzwang (4)

Secção Tiros nos pés

Há quatro semanas escrevi, a propósito da pantomina da demissão, que se Costa ganhasse as eleições legislativas (o que se tornou então mais provável) poderíamos agradecer à miopia de Rio & Cristas. O que na altura parecia totalmente afastado, vem-se tornando cada vez mais provável. Vejamos os resultados da última sondagem e como os 40% do PS se aproximam perigosamente do limiar da maioria absoluta.

Sondagem Pitagórica para a TSF 
Rio e Cristas já ganharam o direito à pontuação máxima: cinco bourbons e cinco chateaubriands. Adicionalmente levam mais cinco urracas por não pegarem pelos cornos o boi da falta de um programa alternativo claro. Em vez disso, desculpam-se com um problema ficcionado de mensagem e comunicação quando o problema é que o que têm para comunicar é mais do mesmo, é o socialismo costista sem Costa e o melhor protagonista do socialismo costista é o Costa.

Mitos (289) - O povo gosta de eléctricos

Há um bom número de mitos acerca das energias renováveis e em particular sobre os veículos eléctricos, como se o seu fabrico não tivesse maiores impactos ambientais (devido principalmente às baterias) do que os veículos a combustíveis fósseis e como se a produção da electricidade que usam não tivesse impacto ambiental (uma parte dessa electricidade continua a ser produzida por centrais a carvão). [*] 

Um mito mais recente é o da suposta preferência pelos veículos eléctricos dos consumidores iluminados pelas preocupações ambientais. Mito muito celebrado nos primeiros meses do ano devido ao aumento da venda de veículos eléctricos, aumento com pouco significado quando se compara com uma base minúscula de umas centenas de veículos por mês.

A euforia arrefeceu em Abril quando as vendas desceram para metade. E porquê desceram? perguntareis. O que precisa de ser explicado não são as vendas em Abril, o que precisa de ser explicado são as vendas de Janeiro a Março "aditivadas" pelos incentivos fiscais que entretanto se esgotaram em Abril.

Por isso, não podemos concluir que o povo gosta de eléctricos. O povo gosta é de subsídios.

[*] Ver o link citado no segundo comentário.

29/05/2019

ACREDITE SE QUISER: O cobrador do traque

«Condutores foram apanhados de surpresa com operação STOP que Autoridade Tributária e Aduaneira e GNR fizeram na manhã desta terça-feira em Valongo para apanhar contribuintes incumpridores. (...)

A operação STOP foi realizada na localidade de Alfena, em Valongo, e foi, entretanto, mandada cancelar pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF), António Mendonça Mendes. Sobre esta decisão da tutela, o advogado da VdA comenta que o SEAF “fez muito bem”. De acordo com a agência Lusa, que citou uma fonte do fisco presente em Alfena, a iniciativa foi denominada Ação Sobre Rodas e visou “intercetar condutores com dívidas às Finanças, convidá-los a pagar e dar-lhes essa oportunidade de pagarem”. “Se não tiverem condições de pagar no momento, estamos em condições de penhorar as viaturas”, mencionou a mesma fonte.» (Expresso)

28/05/2019

As eleições europeias vistas noutro ângulo (o segundo)

Continuação do primeiro ângulo.

Este segundo ângulo, que me parece compatível com o primeiro, ainda que noutro tom e sem ironia, é o ângulo de João Cotrim Figueiredo neste artigo do jornal Eco. Aqui vão alguns excertos contrariando a visão da comentadoria oficial e dos opinion dealers:
  1. A abstenção subiu. Não subiu, não. Votaram mais 30.000 pessoas do que em 2014. 
  2. O BE teve uma grande vitória. Não teve, não. (...) Fica abaixo dos 10,2% obtidos nas legislativas de 2015 e perde 223.000 votos! 
  3. O PS teve uma grande vitória. Não, não teve.  Em 2014  o PS teve 31,46%, a coligação PSD/CDS teve 27,71%, ou seja, uma diferença de 3,75%. Nas actuais eleições a diferença para PSD + CDS + Aliança + Iniciativa Liberal foi 2,52%.
  4. A direita teve uma grande derrota. Não teve, não. O PSD tem, de facto, uma derrota histórica, e o CDS um resultado mau, mas a direita no seu todo subiu. Com o Aliança e o Iniciativa Liberal, teve 27,71% em 2014 e passou para 30,87%.
  5. O PCP teve uma grande derrota. Não, não teve. Teve um desastre eleitoral.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (17) - et aussi à Cannes, voilà

Outros portugueses no topo do mundo.

Se, como diz o senhor presidente da República, os portugueses são os melhores dos melhores, temos um problema de cada vez  que entre os melhores em qualquer coisa, seja lá o que melhores quiser dizer e seja o que for essa coisa, não aparece nenhum português. Por exemplo, entre as stars que frequentam festivais de cinema, como o de Cannes.

Temos um problema, mas nada que os portugueses presentes, na circunstância jornalistas patrióticos, sendo eles próprios os melhores entre os melhores, não sejam capazes de resolver. E foi o que fez, «na conferência de imprensa mais concorrida da história do festival» (sobre o filme de Tarantino «Era uma Vez em... Hollywood) o jornalista do Diário de Notícias que, segundo as suas palavras, «conseguiu a pergunta que gerou mais entusiasmo no Palais Lumiére de Cannes», a saber:
«Afinal, Rick Dalton, o ator de westerns televisivos em declínio, é um grande ator ou um canastrão de todo o tamanho?»
Com justo orgulho por mais este feito que assombrou tout le monde, o DN fez um título à altura:

27/05/2019

As eleições europeias vistas noutro ângulo

Resultados em número de eleitores:
  • Partido da Abstenção 7.249.277
  • PS 1.105.948
  • PS-D 726.750
  • BE 325.367
  • PC 228.054 
  • CDS 204.962 
  • PAN 168.372 
  • Partido dos Brancos 140.911
  • Partido dos Nulos 88.950
  • Partido do ETC. 323.378
E o grande vencedor foi o Partido da Abstenção com mais do dobro dos votos de todos os outros. O segundo vencedor foi o PAN que deve ter feito o pleno das divorciadas e viúvas com animais de estimação. O terceiro vencedor foi o radical chic berloquista que deve ter feito o pleno dos 71 "géneros" propostos pelo Facebook no Reino Unido.

O PS foi o segundo mais votado com um poucochinho mais de votos (70 mil) do que o Costa achou suficientes para apear o seu antecessor.

Como se esperava, depois da pantomina da demissão de Costa com a colaboração de Rio e Cristas, PSD e CDS despencaram, mas não muito, já que obtiveram em conjunto quase os mesmos votos de 2014. Só que por essa altura estavam a ser castigados pelo eleitorado por tomarem as medidas que o PS negociou com a troika (não, não é uma piada, foi isso mesmo que aconteceu).

A maior surpresa de todas foi o resultado do Iniciativa Liberal que com 29.083 votos desmentiu o boato de que seria mais fácil encontrar um lince na Serra da Malcata do que um liberal ou, mais exactamente, do que uma criatura que votou num partido que se diz liberal. O IL tem muita margem para crescer entre o Partido dos Brancos e o dos Nulos.

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (189)

Outras avarias da geringonça e do país.

A carga fiscal aumentou? Depende do que seja, como a democracia norte-coreana para o Sr. Jerónimo

Apesar dos prognósticos de há 3 anos do ex-ministro da Economia, o mais notável dos songamongas que passaram pelo governo, que profetizava uma redução da carga fiscal, esta, indiferente às inovações do Ronaldo das Finanças, não cessa de aumentar e bate novo recorde em 2018.

A inovação não se fica pela fórmula de cálculo da carga fiscal, também pretende adoptar uma solução original para a supervisão financeira. Que o BCE tenha achado que dessa solução resultaria uma pressão política sobre o BdP só mostra que não perceberam que é exactamente isso que se pretende para trazer o BdP pela trela.

«Electricidade em Portugal é a mais cara da União Europeia» bombearam os jornais com grande gáudio do povo e da comentadoria. E no entanto, o título mais adequado seria «Impostos sobre a electricidade em Portugal são os mais altos da UE» e, ainda assim, o preço incluindo impostos é o sexto, como se pode confirmar na newsrelease do Eurostat divulgou.

26/05/2019

DIÁRIO DE BORDO: E pronto. Já está


Apesar de não ter a certeza se é um partido ou uma agremiação diletante e apesar deste cartaz horrendo que se confunde com o do partido com mais socialistas a seguir ao PS e ao PS-D, votei nos rapazes.

CASE STUDY: É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença (13.º capítulo) - Tal como o prof Centeno quer recalcular a carga fiscal, devemos recalcular a produtividade do trabalho

Outras doenças a que resistimos heroicamente.

Há uma dúzia de anos publiquei sete posts sobre o estado de saúde da nação e no último ponto de situação a multidão de sofredores era composta por:
  • 4 milhões hipertensos,
  • 38% com reumatismo ou artrite,
  • 15 a 20.000 com parkinsonismo,
  • 130 mil homens com cancro na próstata,
  • 200.000 fibromiálgicos,
  • 1.200.000 com fadiga crónica (estimativa do Impertinências),
  • 4.000 electricistas com doenças profissionais,
  • 30.000 portugueses que sofrem dos intestinos,
  • 14 milhões de dias de baixa por ano devido a problemas respiratórios,
  • 15 a 20% da população com prurido, vermelhidão e lacrimejo na primavera,
  • 4.000 (1 em cada 2.500 pessoas) que sofrem duma das mais de 40 doenças neuromusculares,
  • 1.500 crianças com doenças reumáticas de causa desconhecida,
  • 44.000 dias de falta por doença (15 dias por ano e alma) dos funcionários da Judite,
  • 1 em cada 4.000 recém nascidos que sofre de fibrose quística,
  • mais de um milhão de mulheres (1 em cada 5) e cerca de 300.000 homens (1 em cada 15) que sofrem de varizes,
  • 5% das mulheres que sofrem da síndrome dos ovários poliquísticos,
  • meio milhão de portuguesas e portugueses que sofrem de apneia do sono,
  • 1 em 200 que sofrem de epilepsia,
  • 500.000 diabéticos.
Depois disso ainda inventariei mais os seguintes sofredores:
Quando pensava já não haver portugueses suficientes para tanta doença, reparei que a SPEDM aumentou o número de diabéticos de 500 mil para 1 milhão, nem todos diagnosticados (pergunto-me se não estão diagnosticados como se sabe que são diabéticos?) e a mesma SPEDM informa-nos em anúncios publicados na imprensa que «as doenças da tiroide afectam mais de 1 milhão de portugueses».

Diz-se que a nossa produtividade é miserável e continua a cair (em 2018 desceu 0,2% e na UE subiu 0.9%). É injusto concluir isso porque se calcularmos a produtividade em relação ao pequeno número de portugueses que não foram atingidos por uma qualquer das imensas maleitas que nos afligem concluiremos seguramente que temos uma das produtividades mais altas da Europa, quiçá do mundo.

24/05/2019

BREIQUINGUE NIUZ: May Penny Mordaunt be May's replacement?


Penny Mordaunt, 46, Portsmouth MP, Naval reservist, Secretary of State for Defence

Are machines threatening to make workers unemployable? Think again


«EVERYONE SAYS work is miserable. Today’s workers, if they are lucky enough to escape the gig economy and have a real job, have lost control over their lives. They are underpaid and exploited by unscrupulous bosses. And they face a precarious future, as machines threaten to make them unemployable.

There is just one problem with this bleak picture: it is at odds with reality. As we report this week (see Briefing), most of the rich world is enjoying a jobs boom of unprecedented scope. Not only is work plentiful, but it is also, on average, getting better. Capitalism is improving workers’ lot faster than it has in years, as tight labour markets enhance their bargaining power. The zeitgeist has lost touch with the data.»

The rich world is enjoying an unprecedented jobs boom, The Economist

23/05/2019

Óropa? Não, não é só carcanhol e o futuro poderá não ser igual ao passado

Portugal dos Pequeninos, a Miami dos brasileiros

Em declarações à Bloomberg, inseridas numa peça com o título «Para muitos brasileiros ricos, Portugal está a tornar-se a nova Miami», o empresário brasileiro Ricardo Bellino, «que diz ter convencido Trump em três minutos em 2003 a investir em um resort de golfe de meio bilhão de dólares em São Paulo que nunca foi construído, vê Portugal como um país cheio de oportunidades». Que o Sr. Bellino veja tantas oportunidades deixa-me ligeiramente preocupado. De passagem, repare-se que o articulista Henrique [Champalimaud Simões de] Almeida, que parece ser mais um português no topo do mundo (*), faz equivaler todo o Portugal dos Pequeninos a uma só cidade americana.

Na mesma peça, o mesmo articulista escreve que «no Chiado, um dos bairros mais caros de Lisboa, alguns moradores dizem que sua vizinha, a brasileira Regina de Camargo Dias, é a mulher mais rica de Portugal. Camargo, uma das três irmãs que controlam a construtora e cimenteira Camargo Correa SA, está entre os brasileiros ricos que compraram casas na capital portuguesa, Lisboa, onde o preço pode chegar a 10 mil euros por metro quadrado (11.170 dólares por 10,8 pés quadrados)

O mundo, até para os portugueses no topo do mundo, é pequeno por várias razões. O articulista  tem entre os seus contactos LinkedIn um muito bem conhecido meu, e, por outra coincidência, a dona Regina não sei se é a mulher mais rica de Portugal mas é uma mulher da família Camargo Correia, maior accionista da Cimpor a quem o falecido Pedro Queiroz Pereira (um dos poucos empresários portugueses com tomates) fez uma OPA que morreu na praia por oposição da Caixa e do BCP e, dado o endividamento da Carmargo Correia, ficaram criadas as condições para o passo seguinte - a venda da Cimpor (ver a estória contada neste post pelo outro contribuinte).

Entretanto, em 2017 a Camargo Correia retira a Cimpor da bolsa e começa a procurar comprador para a InterCement que controlava 90% da Cimpor, para reduzir o seu pesadíssimo passivo. Encontrou e vendeu no final do ano passado a Cimpor ao fundo de pensões das Forças Armadas turcas OYAK. É um desfecho condizente com o capitalismo português falido e pendurado no Estado Sucial através da Caixa e do BCP que durante os anos de Sócrates foi um apêndice da Caixa.

(*) As expressões "portugueses/português no topo do mundo" têm 23 mil ocorrências numa pesquisa Google de hoje.

22/05/2019

Óropa? Estamos a falar de carcanhol, não é verdade?

Cartazes colocados no Parque Eduardo VII junto ao Marquês
O que me leva a citar o comediante (*) Tiago Dores que escreveu hoje no Observador:
«Uma vez que a posição de Portugal no panorama europeu é sempre de mão estendida seria óptimo que os nossos representantes fossem os políticos com mais resistência ao nível dos membros superiores.»
(*) Os comediante inteligentes, como é o caso, são as pessoas mais habilitadas a comentar a atitude mental dos nossos políticos face à Óropa, atitude que, não por acaso, é a da maioria dos eleitores que votam nesses políticos.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Numa jogada atrevida, Costa deixa a oposição em Zugzwang (3)

Secção Tiros nos pés

Reincidindo...

No dia seguinte à pantomina da demissão, 4 de Maio, escrevi aqui: se Costa ganhar as eleições legislativas (o que se tornou hoje mais provável) agradecei à miopia de Rio & Cristas. Se confirmarem a aprovação da recuperação integral da carreira dos professores surgem como irresponsáveis e oportunistas. Se recuarem perdem o que lhes resta de credibilidade.

... e confirmando...

Resultado das sondagens para as eleições europeias:

18 de Abril: PS 33,6%, PSD 31,1% - diferença 2,5%
17 de Maio: PS 36%, PSD 28% - diferença 8%
20 de Maio: PS 33%, PSD 23% - diferença 10%


Não vou distribuir mais afonsos a Costa pelo Zugzwang a Rio e Cristas, nem bourbonschateaubriands a estas duas criaturas apanhadas pelo Zugzwang, por já estarem esgotados (os bourbons e os chateaubriands, entenda-se; também as criaturas, mas estas ainda não deram por isso).

(*) Zugzwang, do alemão zug (jogada) e zwang (compulsão), é a situação no xadrez em que, em consequência das jogadas anteriores, um jogador é obrigado a fazer a jogada seguinte da qual sairá em pior situação.

21/05/2019

ESTADO DE SÍTIO: O órgão legislativo continua a ejacular

«Maratona legislativa: deputados têm 46 leis para votar em 37 dias»

É próprio do órgão legislativo produzir ejaculações legislativas supérfluas e inférteis.

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Distraído, mentiroso ou medroso? (3)

Uma continuação por outras palavras daqui

Secção Musgo Viscoso

Tentando lavar a sua roupa interior ainda com vestígios da sua obra e da que foi cúmplice enquanto ajudante de Sócrates para as Finanças, obra que começou pela nomeação de Vara para a administração da Caixa, recusada pelo seu antecessor Campos e Cunha, demitido por essa razão por Sócrates, e continuou com o assistir impávido ao assalto ao BCP (*), Teixeira dos Santos aproveitou o Fórum Desafios e Oportunidades para dizer que «não nos podemos esquecer do que há 20 anos se tornou quase um paradigma, pelo menos entre as elites bem pensantes económicas, que achavam que precisávamos de ter centros de decisão nacional» o que, segundo ele, explicaria o expediente «de os bancos arranjarem empresários portugueses que personificassem estes tais centros de decisão nacional e de os financiarem para que pudessem existir.»

Com esta narrativa para estúpidos, digna do seu chefe Sócrates, uma vez mais Teixeira dos Santos merece cinco urracas pela falta de tomates, cinco bourbons por continuar igual a si próprio, cinco pilatos por ter passado o tempo a lavar as mãos das responsabilidades, e cinco ignóbeis por desta vez já ter percebida que não é distraído, é mentiroso e medroso.

Em alternativa ao estilo Berardo que se ri, com toda a razão e a maior desfaçatez, nas trombas dos deputados tendes o estilo songamonga do cúmplice de Sócrates na bancarrota do Estado Sucial que insulta a vossa inteligência. Pela minha parte, se me obrigarem a escolher, prefiro o Berardo.

(*) Para recordar o caso BCP releiam-se as seguintes séries de posts: «A parte submersa do iceberg Millenium bcp»; «Cronologia de um golpe»; «La strategia del ragno»; «Móbil do assalto ao BCP»; «Sequelas do assalto ao Millenium bcp».