| Ground News |
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
08/04/2026
Trump has already done more for China than Jinping
11/02/2026
PUBLIC SERVICE: Bring Jimmy Lai Home
«On Monday, Jimmy Lai, the heroic freedom fighter and my dear friend, was sentenced to 20 years in prison by a Hong Kong court. He’s 78. This amounts to a life sentence.
For more than three decades, Jimmy has been a leading voice in the struggle for a free, democratic Hong Kong. Chinese control over Hong Kong has steadily increased since Britain ceded the territory in 1997.»
"Jimmy Lai’s Sentence Tests the Free World", Natan Sharansky, The Free Press
13/11/2025
Is President Trump the paper tiger of Emperor Xi?
«XI JINPING, CHINA’S supreme leader, is not frightened of President Donald Trump. Increasingly, Chinese elites see Mr Trump as “very soft” on their country, say Beijing insiders.
China was “a bit panicky” during Mr Trump’s first term, concedes an analyst in Beijing. The first Trump administration expanded a trade war into an ideological contest, with officials making stern critiques of China’s political and economic systems. China is not panicking any more, insists the analyst. When Trumpian bullying resumed this year, China’s leaders pushed back hard, refusing to buy American soyabeans and restricting exports of rare-earth minerals and permanent magnets that are vital to carmakers and other industries. Mr Trump “blinked first”, the analyst says.
At a meeting with Mr Xi in South Korea on October 30th Mr Trump offered concessions, including a one-year pause of a rule extending American export controls to the subsidiaries of blacklisted Chinese companies. China agreed to buy soyabeans and made vaguer promises to block smuggled shipments of chemicals used to make fentanyl, and to facilitate exports of rare earths.
Pundits in Beijing claim other wins. Since returning to power ten months ago, Mr Trump has shown no ideological ill-will towards the Communist Party, even when imposing dizzying tariffs on China. In the telling of Chinese scholars, Mr Trump treats China as an “indispensable” nation. He urges China to buy American goods and has welcomed its companies to invest in America. As an added bonus, in his second term Mr Trump has so tightened his grip over the federal government and the Republican Party that conservatives dare not challenge him for engaging with China.
(...)
Mr Trump does seem ready to treat Mr Xi as a peer. After their encounter in South Korea, Mr Trump bragged on social media about a “G2 meeting” that would lead to “everlasting peace and success”. China has learned how to intimidate America’s president: hence the current, uneasy truce in their trade war. Wooing Mr Trump is a trickier task. China hawks in Washington have much to fear, should Mr Xi succeed.»
Beijing insiders’ plan to play Donald Trump
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«"Paper tiger" is a calque of the Chinese phrase zhǐlǎohǔ (simplified Chinese: 纸老虎; traditional Chinese: 紙老虎). The term refers to something or someone that claims or appears to be powerful or threatening but is actually ineffectual and unable to withstand challenge.The expression became well known internationally as a slogan used by Mao Zedong, former chairman of the Chinese Communist Party and paramount leader of China, against his political opponents, particularly the United States. It has since been used in various capacities and variations to describe many other opponents and entities.» (Wikipedia)
20/08/2025
A arma das terras raras pode vir a disparar no pé do Imperador Xi
É cada vez mais evidente que o Novo Império do Meio usou, usa e usará como arma o controlo das exportações e, nomeadamente, o controlo da exportação das chamadas "terras raras", um conjunto de minerais por agora essenciais para quase todos os dispositivos eléctricos e electrónicos, minerais dos quais a China dispõe de cerca de 90% das reservas mundiais. Com essa arma a China já conseguiu eliminar as restrições dos EU à importação de chips da Nvidia e adiar a aplicação das "tarifas".
Por isso, à primeira vista, o controlo das exportações, por exemplo de terras raras, concede à China um poder incontestável nas guerras comerciais. À segunda vista não é bem assim. Apesar da China deter 90% das reservas, os restantes reservas são uma quantidade imensa que em muitos casos não são exploradas por restrições ambientais que a China não tem. Por outro lado, inevitavelmente, a escassez irá ser um poderoso incentivo para desenvolver processos de extração e refinação menos poluentes e encontrar alternativas, como no caso da BMW e Renault que já fabricam veículos eléctricos sem utilizar terras raras (fonte: China’s power over rare earths is not as great as it seems)
Finalmente, como resulta do modelo desenvolvido por Albert Hirschman (National Power and the Structure of Foreign Trade) a partir da economia de guerra alemã, utilizado recentemente por Clayton, Maggiori e Schreger (A Theory of Economic Coercion and Fragmentation) para estudar o poder geoeconómico que os serviços financeiros proporcionam aos EUA, se é certo se mesmo um pequeno aumento da quota de mercado de um país num produto - por exemplo a China nas terras raras - poderá ter efeitos muito superiores no poder de controlo do mercado, é igualmente certo que uma pequena redução dessa quota terá efeitos múltiplos na redução desse poder do mesmo país.
12/06/2025
Dito de outro modo...
| Fonte |
20/12/2024
BRICS-à-brac
| Visual Capitalist |
Seja porque a parte europeia do chamado "Ocidente" tem vergonha de existir, um complexo de culpa instilado desde sempre pela esquerda amante das ditaduras, seja porque do lado dos BRICS, por razões diferentes que vão desde a necessidade crescente de afirmação como grande potência da China até à tentativa do Império Russo de esconder o declínio, o certo é que se foi criando a ideia completamente sem fundamento da importância relativa dos dois blocos.
26/07/2024
O que está o imperador Xi Jinping a preparar?
Desde 2020 a capacidade de armazenamento de petróleo da China aumentou de 1,7 mil milhões para 2 mil milhões de barris e o stock actual de 1,3 mil milhões de barris (compara com 800 mil milhões dos EUA) cobre quase quatro meses de importações. Entre 2010 e 2020 a capacidade de armazenamento subterrâneo de gás cresceu 6 vezes para 15 bcm (mil milhões de metros cúbicos) e o objectivo é atingir a 55 bcm em 2025 e, incluindo tanques de gás de petróleo liquefeito, o objectivo total de armazenamento é 85 bcm até 2030. Os stocks de trigo e milho representam 51% e 67% do total mundial e são suficientes para o consumo de um ano. Os stocks de soja duplicaram desde 2018. Estima-se que os stocks de cobre, níquel e outros metais raros sejam suficientes para cobrir entre 35% e 133% do consumo anual. (fonte)
Parece haver duas explicações mais prováveis para o crescimento acelerado dos stocks e o secretismo oficial que tem envolvido a divulgação dos seus valores. A explicação mais benigna é que o imperador Xi antecipe a possível eleição de Donald Trump e receie que imponha restrições às exportações para a China e tente pressionar outros países para fazerem o mesmo. A outra explicação é que o imperador Xi se prepare para invadir Taiwan e antecipe o quase certo embargo de exportações para a China.
17/05/2024
Ciência no Novo Império do Meio. O caso da covid-19
«Com o surgimento da covid-19 há mais de quatro anos na cidade central de Wuhan, o Partido Comunista tornou a vida miserável para aqueles que buscam estudar a doença e compartilhar suas descobertas com o mundo. Veja Zhang Yongzhen, virologista chinês cuja equipa sequenciou o genoma do vírus que causa a covid no início de 2020. Dias depois, ele concedeu permissão para que um cientista britânico publicasse o trabalho inovador. Isso permitiu que o mundo preparasse testes de covid e começasse a desenvolver vacinas. Mas para os funcionários do partido, empenhados em desviar a culpa por seus erros na gestão do surto, foi uma traição. O laboratório de Zhang foi investigado por irregularidades.
Hoje, a China continua mal preparada para um surto semelhante ao da covid – e o partido continua a atormentar cientistas cujo trabalho pode expor suas deficiências. No final de abril, Zhang foi informado de que seu laboratório em Xangai, que examinava as origens da covid, seria fechado. Em uma publicação no Weibo, uma plataforma de mídia social chinesa, ele disse que foi impedido por guardas de entrar no estabelecimento. Assim, em 28 de abril, ele e alguns colegas iniciaram um protesto na porta do laboratório. "Não vou sair nem desistir", escreveu. "Estou buscando a ciência e a verdade!" Fotos que circulam online parecem mostrar Zhang sentado desafiadoramente em uma cadeira de vime ou dormindo no chão do lado de fora do laboratório, enquanto os guardas o vigiam ao fundo.
Zhang é um dos muitos cientistas chineses que colocaram suas carreiras em risco ao buscar respostas sobre a natureza da covid e sua disseminação. Depois de sequenciar o genoma, ele alertou as autoridades chinesas sobre a gravidade da doença. Seu laboratório foi rapidamente ordenado a fechar temporariamente para "retificação". Mas levaria duas semanas até que o governo confirmasse que a transmissão entre humanos estava ocorrendo.
Os líderes da China trabalharam incansavelmente para evitar a culpa pela pandemia. Eles detiveram e puniram denunciantes, promoveram uma teoria da conspiração de que os EUA eram a fonte do vírus e bloquearam os esforços globais para estudar de onde ele veio. Ao mesmo tempo, afirmam ter feito um alerta oportuno ao mundo sobre os perigos da covid, ao mesmo tempo em que apresentam a China como um modelo de controle de doenças infecciosas.
O caso do Dr. Zhang desmente essas bazófias. As autoridades de saúde de Xangai afirmam que seu laboratório está sendo reformado e que sua equipe recebeu outro espaço. Sua postagem original nas redes sociais foi apagada. Um deles, em 1º de maio, afirmou que havia chegado a um acordo para continuar seu trabalho e que os funcionários poderiam ter acesso livre, mas temporário, ao laboratório. Sua determinação é admirável. Mas parece improvável que ele ou qualquer outro cientista que opere na China tenha permissão para descobrir e compartilhar novas verdades sobre as origens da covid.»
(The Chinese scientist who sequenced covid is barred from his lab)
13/04/2024
O Novo Império do Meio numa encruzilhada. Capitalismo e autocracia não combinam bem
Em comparação com 12 meses atrás, sem falar nos anos anteriores, o clima na China é amargo. Embora a produção industrial tenha crescido em Março, os consumidores estão deprimidos, a deflação espreita e muitos empresários estão desiludidos. Por trás da angústia estão temores mais profundos sobre as vulnerabilidades da China. Prevê-se uma redução de 20% de sua força de trabalho até 2050. Uma crise no sector imobiliário, que movimenta um quinto do PIB, levará anos para ser corrigida. Isso prejudicará os governos locais sem dinheiro que dependiam da venda de terras para obter receitas e do sector imobiliário florescente para crescer. (...)
A resposta da China é uma estratégia construída em torno do que as autoridades chamam de "novas forças produtivas". Isso evita o caminho convencional de um grande incentivo ao consumidor para estimular a economia (esse é o tipo de artifício ao qual o decadente Ocidente recorre). Em vez disso, Xi quer que o poder do Estado acelere as indústrias de manufatura avançadas, o que, por sua vez, criará empregos de elevada produtividade, tornará a China autossuficiente e a protegerá contra a agressão americana. A China vai saltar do aço e dos arranha-céus para uma idade dourada de produção em massa de carros elétricos, baterias, bioindústria e a "economia de baixa altitude" baseada em drones. (...)
No entanto, o plano de Xi está fundamentalmente equivocado. Uma falha é que negligencia os consumidores. Embora o consumo supere a propriedade e as novas forças produtivas, conta apenas 37% do PIB, muito abaixo das padrões globais. Para restaurar a confiança no meio de uma crise imobiliária e, assim, aumentar os gastos do consumidor é preciso um estímulo. Induzir os consumidores a poupar menos requer uma melhor segurança social e cuidados de saúde, bem como reformas que abram os serviços públicos a todos os migrantes urbanos. A relutância de Xi em adoptar isso reflete a sua mentalidade austera. Ele detesta a ideia de socorrer empresas imobiliárias especulativas ou dar subsídios aos cidadãos. Os jovens deveriam ser menos mimados e dispostos a "comer amargura", disse ele no ano passado. (...)
Se essas falhas são óbvias, por que não muda a China de rumo? Uma das razões é que Xi não escuta. Durante grande parte dos últimos 30 anos, a China esteve aberta a visões externas sobre reformas económicas. Os seus tecnocratas estudaram as melhores práticas globais e acolheram debates técnicos vigorosos. Sob o governo centralizador de Xi, os especialistas económicos foram marginalizados e o feedback que os líderes costumavam receber transformou-se em bajulação. A outra razão que Xi invoca é que a segurança nacional agora tem precedência sobre a prosperidade. A China deve estar preparada para um conflito no futuro com os Estados Unidos, mesmo que haja um preço a pagar. É uma mudança profunda em relação aos anos 1990 e seus efeitos nocivos serão sentidos na China e em todo o mundo.»
09/03/2024
A engenharia social de braço dado com o agitprop no Novo Império do Meio, uma espécie de "1984" em 2024
06/01/2024
Pro memoria (433) - Evocando Gao Yaojie
Em 1996 encontrou em Henan um primeiro paciente infectado com AIDS, uma doença cuja existência o regime não admitia existir na China. A partir de então, Gao Yaojie tratou milhares de doentes infectados. Foi perseguida porque concluiu que a epidemia se devia a infecções durante o processo de recolha de sangue para venda aos hospitais pelas autoridades de Henan com materiais que eram reutilizados inúmeras vezes sem serem desinfectados. Desde 2009 viveu exilada em Nova Iorque.
28/12/2023
O Grande Líder Xi Jinping apresenta-se aos seus súbditos como o filho espiritual da união de Karl Marx com Confúcio
A cena é de " Marx encontra Confúcio", série de televisão criada pelo departamento de propaganda da província de Hunan e lançada em outubro. Não é popular. No Douban, um site de filmes, recebeu apenas cerca de 100 críticas, a maioria delas negativas (por exemplo, "deixa-me doente"). Mas, para quem sabe disso, a série é uma boa maneira de entender o pensamento de Xi Jinping sobre Cultura, o mais recente ramo da filosofia do líder chinês.
Outras partes do pensamento de Xi enfatizam um controle mais rígido do Partido Comunista sobre coisas como diplomacia, defesa e economia. O Pensamento sobre Cultura de Xi Jinping, anunciado em Outubro, tenta fundir o orgulho na tradição chinesa com a lealdade ao partido. O seu princípio mais importante são as "duas combinações", um processo com décadas para tornar o marxismo mais chinês. A primeira combinação refere-se aos primeiros esforços para adaptar o marxismo à "realidade específica" da China. Essa flexibilidade ideológica permitiu que Deng Xiaoping, ex-líder da China, realizasse reformas económicas na década de 1980. A segunda combinação é a ideia de Xi: achinesar o marxismo fundindo-o com a cultura tradicional chinesa.
O esforço representa o culminar de uma reviravolta radical para o partido, que antes considerava a tradição seu inimigo. Durante a Revolução Cultural de 1966-76, os Guardas Vermelhos de Mao Tsé-Tung destruíram templos confucionistas, queimaram textos confucionistas e profanaram o túmulo do sábio. Os jovens denunciavam os mais velhos, contradizendo a ênfase do confucionismo no respeito filial. Mas após a morte de Mao, em 1976, o partido aproximou-se de Confúcio, ou pelo menos de uma versão simplificada dos seus ensinamentos que enfatiza a deferência à autoridade. Deng permitiu comemorações públicas do aniversário do filósofo. Jiang Zemin e Hu Jintao, sucessores de Deng, apropriaram-se das ideias confucionistas. No início dos anos 2000, estudiosos chineses debateram se o confucionismo poderia mesmo substituir o marxismo como ideologia orientadora da China.
Xi está a pôr fim a esse debate. O marxismo é a "alma" e o confucionismo a "raiz" da cultura chinesa, diz ele. Nenhuma ideologia pode ser abandonada. Em vez disso, eles devem ser fundidos.
" Marx encontra Confúcio" guia os espectadores por esse novo pensamento. Durante grande parte dos cinco episódios, os filósofos sentam-se em um palco na frente de estudantes e um elenco rotativo de académicos e funcionários do partido. Uma jovem vestindo hanfu, vestes tradicionais, arranca um guzheng, ou cítara antiga, ao fundo. Os filósofos conversam com hologramas de figuras como Vladimir Lenin e Mao, que explicam como seu pensamento é compatível. Os apresentadores do programa explicam então como tudo se encaixa no pensamento de Xi Jinping.»
Excerto de «Xi Jinping is trying to fuse the ideologies of Marx and Confucius» (tradução automática)
15/12/2023
In the New Middle Kingdom, cinema in general is politics by other means, and in particular it is another means to glorify President Xi
«The Communist Party wants to use film as an ideological tool: it has tightened its control over the country’s movie industry, demanding that storytellers “eulogise the party, the motherland, the people”. Films must be made with “ethics and warmth” and offer a “trustworthy, lovable and respectable image of China”.
In short, the party wants more movies like “Creation of the Gods I: Kingdom of Storms”, the winner of the Golden Rooster for Best Feature Film this year. The fantasy epic dramatises the battles of kings and spirits in ancient China. State-affiliated film groups say it is an example of how movies can promote cultural self-confidence in line with Xi Jinping Thought, the philosophy of China’s leader, which every schoolchild is required to study. (...)
The Communist Party wants to use film as an ideological tool: it has tightened its control over the country’s movie industry, demanding that storytellers “eulogise the party, the motherland, the people”. Films must be made with “ethics and warmth” and offer a “trustworthy, lovable and respectable image of China”.
In short, the party wants more movies like “Creation of the Gods I: Kingdom of Storms”, the winner of the Golden Rooster for Best Feature Film this year. The fantasy epic dramatises the battles of kings and spirits in ancient China. State-affiliated film groups say it is an example of how movies can promote cultural self-confidence in line with Xi Jinping Thought, the philosophy of China’s leader, which every schoolchild is required to study. (...)
In the past, indie films made without state approval could be shown only at private screenings within China and at international festivals. But in 2016 China passed a new law requiring all films to obtain permits, regardless of whether their makers planned to distribute them abroad, in Chinese cinemas or online. Anyone involved in producing a film without a permit could be fined and banned from the industry. That has made it much harder for independent film-makers to find actors, crew and financial backers.
As a result, most of China’s top actors, directors and producers have chosen the more straightforward option. Many are prepared to self-censor, or to lend their talents to the party’s propaganda efforts, if it means their work gets a nationwide release. (...)»
Excerpt from «Two film awards reveal the battle for the future of Chinese cinema»
26/10/2023
O velho imperialismo do Novo Império do Meio. Nova Rota da Seda, uma tentativa de capturar os países pobres na armadilha da dívida
Continuação do post O velho imperialismo do Novo Império do Meio, dos Mares do Sul ao FMI
«Por estes dias, representantes de 150 países estão em Pequim para o décimo aniversário da “Nova Rota da Seda”, o megalómano e delirante plano de Xi Jinping para estender ao mundo o seu poder imperial. Trata-se, na realidade, de uma espécie de assembleia-geral de devedores, muitos deles em avançado estado de insolvência e público descrédito, à cabeça dos quais está Vladimir Putin. O balanço está muito longe das glórias prometidas no dia 7 de setembro de 2013, quando tudo começou. Projetos ruinosos. Retornos dececionantes. Economias em falência ou pré-falência. Muitos países a descobrirem que o “internacionalismo comunista” esconde afinal um credor voraz e inflexível, agora transformado num cobrador de dívidas.
A “Nova Rota da Seda”, ou na sigla inglesa BRI (Belt and Road Iniciative), é provavelmente o maior projeto de desenvolvimento de infraestruturas de sempre à escala global. Nestes dez anos a China emprestou um bilião de dólares a cerca de 100 países, financiou largas dezenas de novos equipamentos e comprou ou arrendou ela própria muitas infraestruturas estratégicas, como é o caso do porto de Pireu, na Grécia. Um longo e bem documentado ensaio de Michael Bennon e Francis Fukuyama, publicado na revista “Foreign Affairs”, mostra que muitos países que entraram na BRI foram apanhados na “armadilha da dívida”.
A situação é de tal forma grave que o FMI já teve de ceder 100 mil milhões de dólares para que alguns países paguem as dívidas à China. São os casos da Argentina, do Quénia, do Sri Lanka e da Etiópia. Outros têm vivido de moratórias e renegociações das condições dos empréstimos, casos da Malásia, de Montenegro, do Paquistão e da Tanzânia, para referir os mais relevantes. Muitos projetos são elefantes brancos, sem retorno económico nem, em alguns casos, qualquer utilidade. “O problema financeiro é grave”, afirmam Bennon e Fukuyama. Há suspeitas de muitos calotes ocultos, inúmeros e graves casos de corrupção, misturados com crimes ambientais como o financiamento de fábricas a carvão em vários países. Um balanço dececionante e preocupante para milhões de pessoas que terão de pagar tanta loucura.
A “Nova Rota da Seda” é, no entanto, mais do que passar da exportação de bens para a exportação de capital. “Não se trata de exportar dinheiro, mas de exportar uma visão e uma influência chinesa do mundo”, escreve Keith Bradsher, vencedor do prémio Pulitzer e chefe da delegação em Pequim do “The New York Times”. Para Xi, e seus aliados com Putin à cabeça, a BRI é uma arma de combate ao Ocidente e à sua cultura liberal e democrática. É a rota para um mundo multipolar assente na erosão da influência e do poder dos Estados Unidos e dos seus aliados. Um mundo de autocratas, de iliberais, de gente perigosa, para quem os fins justificam os meios. Como se vê na Ucrânia e se confirmou na cautela das declarações sobre a selvajaria cometida pelo Hamas no Sul de Israel. A “rota da seda” é a rota do mal.»
«A rota do mal», Luís Marques no Expresso
04/07/2023
O velho imperialismo do Novo Império do Meio, dos Mares do Sul ao FMI
«Para os anais da competição de grandes potências no Pacífico, a carta de David Panuelo que divulgada em 10 de março é um marco. Dirigindo-se ao Congresso e aos governadores estaduais de seu país, o presidente cessante da Micronésia descreve detalhadamente os esforços chineses para intimidar e subornar políticos para que sigam uma linha pró-China. Panuelo acusa a China de travar uma "guerra política" contra seu país. Para mitigar os danos que isso está causando, ele recomenda que a Micronésia mude o reconhecimento diplomático para Taiwan. Ele afirma ter garantido uma promessa de US$ 50 milhões de Taiwan, mais pagamentos anuais de US$ 15 milhões, para tapar o buraco fiscal resultante de se distanciar da China.
Os métodos descarados da China para dominar os pequenos Estados insulares do Pacífico não são segredo. No entanto, o nível de detalhe que o Sr. Panuelo fornece é notável – e certamente profundamente embaraçoso para a China. "Somos subornados para sermos cúmplices e subornados para ficarmos em silêncio", escreve. Ele descreve envelopes chineses de dinheiro e ofertas de viagens de avião particular para obter favores entre políticos e administradores que "promovem seu interesse pessoal em vez do interesse nacional". Em outro caso, o embaixador chinês na Micronésia colocou as vacinas contra a covid-19 no centro das recentes campanhas de propaganda global da China de forma tão insistente que o presidente teve que mudar seu número de telemóvel.
Quando os presentes não funcionam, são feitos avisos. Panuelo afirma ter recebido "ameaças diretas contra minha segurança pessoal" de autoridades chinesas. Enquanto participava de uma reunião do Fórum das Ilhas do Pacífico em Fiji, ele diz que foi seguido por dois homens da embaixada chinesa.»
«Três fatores explicam o enfraquecimento do FMI. Primeiro, a intransigência dos credores chineses que emprestaram aos países pobres. Em segundo lugar, o estado lamentável dos países de renda média em dificuldades perenes, para os quais os empréstimos são tanto geopolíticos quanto econômicos. Em terceiro lugar, a incapacidade do fmi de executar um plano, impulsionado por sua liderança, para usar recursos para fins menos controversos do ponto de vista diplomático, como empréstimos climáticos caros e políticas de saúde.
Os credores chineses causam problemas quando o FMI aborda a reestruturação da dívida. Antes que o fundo possa emprestar, ele deve ter certeza de que o empréstimo de um país é sustentável. Isso geralmente requer um acordo para reestruturar - jargão para anotar - dívidas existentes. As amortizações já foram acordadas em negociações tranquilas conduzidas pelo FMI entre os países ocidentais no “Clube de Paris” dos credores. A ascensão da China nos últimos 20 anos como um grande credor tornou isso praticamente impossível. Pelo menos 65 países devem à China mais de 10% de sua dívida externa. (...)
Falando após uma visita à China, Kristalina Georgieva, diretora-gerente do fmi , diz que o país agora está envolvido com o fundo: “A questão já não é 'Deve haver uma redução [nas dívidas dos mutuários]?', mas ' Quanto?' e 'Através de quais instrumentos?'”. No entanto, a China não reduziu o valor nominal de seus empréstimos e, apesar de vagas garantias em contrário, não prorrogou os pagamentos para atender às condições do FMI.»
09/06/2023
Novo Império do Meio, um gigante com pés de barro (6) - Seria mais fácil a economia chinesa ultrapassar se a americana ficasse parada
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| When will China’s GDP overtake America’s? |
Há doze anos as previsões apontavam para uma economia chinesa com 1.400 milhões de consumidores estar por esta altura a ultrapassar uma economia americana com 330 milhões. À medida que o tempo foi passando, as previsões de ultrapassagem foram sendo adiadas e actualmente andam pelos finais da próxima década, em consequência principalmente da desaceleração do crescimento e do início do declínio demográfico com a população activa já a diminuir.
Parecem as previsões da entrada em operação do novo aeroporto de Lisboa que ainda ninguém sabe onde será e pode não ser em Lisboa.
23/03/2023
03/03/2023
A proposta chinesa à luz do bullshit test
A China tem mantido uma posição ambígua em relação à invasão da Ucrânia pelo regime putinesco, o que se percebe porque se o Novo Império do Meio aprecia tanto o Ocidente como a Rússia e lhe convém mantê-la como aliada, por outro lado, os seus "clientes" estão no Ocidente e não lhe convém hostilizá-los abertamente. De onde resultou a lógica de apresentar um plano inócuo para um "acordo de paz" na Ucrânia em doze pontos:
- O respeito pela soberania dos países
- O abandono da mentalidade da Guerra Fria
- O fim das hostilidades
- O regresso das conversações de paz
- A resolução da crise humanitária
- A proteção dos civis e dos prisioneiros de guerra
- A salvaguarda das centrais nucleares
- A redução dos riscos estratégicos
- O encorajamento às exportações de cereais
- O fim das sanções unilaterais
- A manutenção da estabilidade das cadeias de abastecimento
- A promoção da reconstrução pós-conflito
- O desrespeito pela soberania dos países
- A continuação da mentalidade da Guerra Fria
- A continuação das hostilidades
- O abandono das conversações de paz
- A não resolução da crise humanitária
- A desproteção dos civis e dos prisioneiros de guerra
- A não salvaguarda das centrais nucleares
- O aumento dos riscos estratégicos
- O desencorajamento às exportações de cereais
- A continuação das sanções unilaterais
- A manutenção da instabilidade das cadeias de abastecimento
- O abandono da reconstrução pós-conflito
29/01/2023
Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge, brutishness and uselessness on the scale of the New Middle Kingdom
[Forrest Harris, read on Quora]
28/11/2022
Novo Império do Meio, um gigante com pés de barro (5) - A obra de engenharia social para construir a harmonia entre o Grande Líder, o Partido e o Povo apresenta fissuras
Quase sessenta anos depois, Xi Jinping vem reeditando as campanhas de Mao de delação pública dos "traidores" cujo modelo inspirado em Fengqiao, a cidade onde foi levado mais longe, Xi baptizou de qunfang qunzhi, ou "prevenção e governação pelas massas". Este método consiste na organização das famílias em grupos de dez geridas por um líder, alguém politicamente confiável que pode ser um veterano do partido comunista ou um apparatchik da aldeia, que vai transmitindo as instruções do partido e recolhendo informações.
Pois bem, nem mesmo o qunfang qunzhi foi capaz de antecipar as manifestações e protestos populares espoletadas por um incêndio num condomínio em Urumqi, capital de Xinjiang, onde morreram uma dezena de pessoas porque as portas estavam lacradas a pretexto do confinamento arbitrário resultante da estratégia "Covid zero" para combater uma variante da Covid (Omicron) muito mais contagiosa e muito menos agressiva.
As manifestações apesar de duramente reprimidas estão a propagar-se por toda a China desafiando Xi e o partido comunista e, surpreendentemente, reclamando «liberdade de expressão». Como tudo isto irá acabar? Como de costume, com repressão brutal e reedições locais do massacre da praça Tiananmen.




