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08/04/2026

Trump has already done more for China than Jinping

Ground News

«These 2025 findings predate major 2026 events». Imagine what these findings will be like after the Iran Big, Beautiful Bombing.

11/02/2026

PUBLIC SERVICE: Bring Jimmy Lai Home

«On Monday, Jimmy Lai, the heroic freedom fighter and my dear friend, was sentenced to 20 years in prison by a Hong Kong court. He’s 78. This amounts to a life sentence.

For more than three decades, Jimmy has been a leading voice in the struggle for a free, democratic Hong Kong. Chinese control over Hong Kong has steadily increased since Britain ceded the territory in 1997.»

"Jimmy Lai’s Sentence Tests the Free World", Natan Sharansky, The Free Press

Bring Jimmy Lai Home

13/11/2025

Is President Trump the paper tiger of Emperor Xi?

«XI JINPING, CHINA’S supreme leader, is not frightened of President Donald Trump. Increasingly, Chinese elites see Mr Trump as “very soft” on their country, say Beijing insiders.

China was “a bit panicky” during Mr Trump’s first term, concedes an analyst in Beijing. The first Trump administration expanded a trade war into an ideological contest, with officials making stern critiques of China’s political and economic systems. China is not panicking any more, insists the analyst. When Trumpian bullying resumed this year, China’s leaders pushed back hard, refusing to buy American soyabeans and restricting exports of rare-earth minerals and permanent magnets that are vital to carmakers and other industries. Mr Trump “blinked first”, the analyst says.

At a meeting with Mr Xi in South Korea on October 30th Mr Trump offered concessions, including a one-year pause of a rule extending American export controls to the subsidiaries of blacklisted Chinese companies. China agreed to buy soyabeans and made vaguer promises to block smuggled shipments of chemicals used to make fentanyl, and to facilitate exports of rare earths.

Pundits in Beijing claim other wins. Since returning to power ten months ago, Mr Trump has shown no ideological ill-will towards the Communist Party, even when imposing dizzying tariffs on China. In the telling of Chinese scholars, Mr Trump treats China as an “indispensable” nation. He urges China to buy American goods and has welcomed its companies to invest in America. As an added bonus, in his second term Mr Trump has so tightened his grip over the federal government and the Republican Party that conservatives dare not challenge him for engaging with China. 

(...)

Mr Trump does seem ready to treat Mr Xi as a peer. After their encounter in South Korea, Mr Trump bragged on social media about a “G2 meeting” that would lead to “everlasting peace and success”. China has learned how to intimidate America’s president: hence the current, uneasy truce in their trade war. Wooing Mr Trump is a trickier task. China hawks in Washington have much to fear, should Mr Xi succeed.»

Beijing insiders’ plan to play Donald Trump

____________

«"Paper tiger" is a calque of the Chinese phrase zhǐlǎohǔ (simplified Chinese: 纸老虎; traditional Chinese: 紙老虎). The term refers to something or someone that claims or appears to be powerful or threatening but is actually ineffectual and unable to withstand challenge.

The expression became well known internationally as a slogan used by Mao Zedong, former chairman of the Chinese Communist Party and paramount leader of China, against his political opponents, particularly the United States. It has since been used in various capacities and variations to describe many other opponents and entities.» (
Wikipedia)

20/08/2025

A arma das terras raras pode vir a disparar no pé do Imperador Xi

É cada vez mais evidente que o Novo Império do Meio usou, usa e usará como arma o controlo das exportações e, nomeadamente, o controlo da exportação das chamadas "terras raras", um conjunto de minerais por agora essenciais para quase todos os dispositivos eléctricos e electrónicos, minerais dos quais a China dispõe de cerca de 90% das reservas mundiais. Com essa arma a China já conseguiu eliminar as restrições dos EU à importação de chips da Nvidia e adiar a aplicação das "tarifas". 

Por isso, à primeira vista, o controlo das exportações, por exemplo de terras raras, concede à China um poder incontestável nas guerras comerciais. À segunda vista não é bem assim. Apesar da China deter 90% das reservas, os restantes reservas são uma quantidade imensa que em muitos casos não são exploradas por restrições ambientais que a China não tem. Por outro lado, inevitavelmente, a escassez irá ser um poderoso incentivo para desenvolver processos de extração e refinação menos poluentes e encontrar alternativas, como no caso da BMW e Renault que já fabricam veículos eléctricos sem utilizar terras raras (fonte: China’s power over rare earths is not as great as it seems)

Finalmente, como resulta do modelo desenvolvido por Albert Hirschman (National Power and the Structure of Foreign Trade) a partir da economia de guerra alemã, utilizado recentemente por Clayton, Maggiori e Schreger (A Theory of Economic Coercion and Fragmentation) para estudar o poder geoeconómico que os serviços financeiros proporcionam aos EUA, se é certo se mesmo um pequeno aumento da quota de mercado de um país num produto -  por exemplo a China nas terras raras - poderá ter efeitos muito superiores no poder de controlo do mercado, é igualmente certo que uma pequena redução dessa quota terá efeitos múltiplos na redução desse poder do mesmo país.

12/06/2025

Dito de outro modo...

Fonte

... os Estados chinês e americano irão sacar aos seus contribuintes 10% e 55%, respectivamente, sobre os produtos importados do outro Estado, esperando o Sr. Trump que daí resulte que os americanos deixarão de consumir bens chineses a uma fracção do preço dos bens americanos equivalentes ou, em alternativa, que as empresas chinesas vão produzir esses bens nos EUA a um múltiplo dos preços equivalentes se produzidas na China.

20/12/2024

BRICS-à-brac

Visual Capitalist

Seja porque a parte europeia do chamado "Ocidente" tem vergonha de existir, um complexo de culpa instilado desde sempre pela esquerda amante das ditaduras, seja porque do lado dos BRICS, por razões diferentes que vão desde a necessidade crescente de afirmação como grande potência da China até à tentativa do Império Russo de esconder o declínio, o certo é que se foi criando a ideia completamente sem fundamento da importância relativa dos dois blocos.


Um pormenor anedótico é a antevisão do ano em que o PIB da China ultrapassará o dos EUA que vem sendo revisto e adiado por razões que vão desde o acentuado e acelerado declínio demográfico da China até aos limites para o crescimento que se começaram a tornar evidentes na China após a pandemia [ver também o post Novo Império do Meio, um gigante com pés de barro (6)].

26/07/2024

O que está o imperador Xi Jinping a preparar?

Desde 2020 a capacidade de armazenamento de petróleo da China aumentou de 1,7 mil milhões para 2 mil milhões de barris e o stock actual de 1,3 mil milhões de barris (compara com 800 mil milhões dos EUA) cobre quase quatro meses de importações. Entre 2010 e 2020 a capacidade de armazenamento subterrâneo de gás cresceu 6 vezes para 15 bcm (mil milhões de metros cúbicos) e o objectivo é atingir a 55 bcm em 2025 e, incluindo tanques de gás de petróleo liquefeito, o objectivo total de armazenamento é 85 bcm até 2030. Os stocks de trigo e milho representam 51% e 67% do total mundial e são suficientes para o consumo de um ano. Os stocks de soja duplicaram desde 2018. Estima-se que os stocks de cobre, níquel e outros metais raros sejam suficientes para cobrir entre 35% e 133% do consumo anual. (fonte)

Parece haver duas explicações mais prováveis para o crescimento acelerado dos stocks e o secretismo oficial que tem envolvido a divulgação dos seus valores. A explicação mais benigna é que o imperador Xi antecipe a possível eleição de Donald Trump e receie que imponha restrições às exportações para a China e tente pressionar outros países para fazerem o mesmo. A outra explicação é que o imperador Xi se prepare para invadir Taiwan e antecipe o quase certo embargo de exportações para a China.

17/05/2024

Ciência no Novo Império do Meio. O caso da covid-19

«Com o surgimento da covid-19 há mais de quatro anos na cidade central de Wuhan, o Partido Comunista tornou a vida miserável para aqueles que buscam estudar a doença e compartilhar suas descobertas com o mundo. Veja Zhang Yongzhen, virologista chinês cuja equipa sequenciou o genoma do vírus que causa a covid no início de 2020. Dias depois, ele concedeu permissão para que um cientista britânico publicasse o trabalho inovador. Isso permitiu que o mundo preparasse testes de covid e começasse a desenvolver vacinas. Mas para os funcionários do partido, empenhados em desviar a culpa por seus erros na gestão do surto, foi uma traição. O laboratório de Zhang foi investigado por irregularidades.

Hoje, a China continua mal preparada para um surto semelhante ao da covid – e o partido continua a atormentar cientistas cujo trabalho pode expor suas deficiências. No final de abril, Zhang foi informado de que seu laboratório em Xangai, que examinava as origens da covid, seria fechado. Em uma publicação no Weibo, uma plataforma de mídia social chinesa, ele disse que foi impedido por guardas de entrar no estabelecimento. Assim, em 28 de abril, ele e alguns colegas iniciaram um protesto na porta do laboratório. "Não vou sair nem desistir", escreveu. "Estou buscando a ciência e a verdade!" Fotos que circulam online parecem mostrar Zhang sentado desafiadoramente em uma cadeira de vime ou dormindo no chão do lado de fora do laboratório, enquanto os guardas o vigiam ao fundo.

Zhang é um dos muitos cientistas chineses que colocaram suas carreiras em risco ao buscar respostas sobre a natureza da covid e sua disseminação. Depois de sequenciar o genoma, ele alertou as autoridades chinesas sobre a gravidade da doença. Seu laboratório foi rapidamente ordenado a fechar temporariamente para "retificação". Mas levaria duas semanas até que o governo confirmasse que a transmissão entre humanos estava ocorrendo.

Os líderes da China trabalharam incansavelmente para evitar a culpa pela pandemia. Eles detiveram e puniram denunciantes, promoveram uma teoria da conspiração de que os EUA eram a fonte do vírus e bloquearam os esforços globais para estudar de onde ele veio. Ao mesmo tempo, afirmam ter feito um alerta oportuno ao mundo sobre os perigos da covid, ao mesmo tempo em que apresentam a China como um modelo de controle de doenças infecciosas.

O caso do Dr. Zhang desmente essas bazófias. As autoridades de saúde de Xangai afirmam que seu laboratório está sendo reformado e que sua equipe recebeu outro espaço. Sua postagem original nas redes sociais foi apagada. Um deles, em 1º de maio, afirmou que havia chegado a um acordo para continuar seu trabalho e que os funcionários poderiam ter acesso livre, mas temporário, ao laboratório. Sua determinação é admirável. Mas parece improvável que ele ou qualquer outro cientista que opere na China tenha permissão para descobrir e compartilhar novas verdades sobre as origens da covid.»

(The Chinese scientist who sequenced covid is barred from his lab)

13/04/2024

O Novo Império do Meio numa encruzilhada. Capitalismo e autocracia não combinam bem

«É o teste económico mais grave da China, desde que a mais abrangente das reformas de Deng Xiaoping começou na década de 1990. No ano passado, o país alcançou um crescimento de 5%, mas os pilares do seu milagre de décadas estão a vacilar. A sua famosa força de trabalho industriosa encolhe, o boom imobiliário mais selvagem da história desmoronou-se e o sistema global de livre comércio que a China usou para enriquecer está desintegrar-se. (...) a resposta do presidente Xi Jinping é dobrar a aposta com um plano audacioso para refazer a economia da China. A mistura da tecno-utopia, planeamento central e obsessão por segurança define a ambição da China de dominar as indústrias do futuro. Mas as suas contradições significam que decepcionará o povo da China e irritará o resto do mundo.

Em comparação com 12 meses atrás, sem falar nos anos anteriores, o clima na China é amargo. Embora a produção industrial tenha crescido em Março, os consumidores estão deprimidos, a deflação espreita e muitos empresários estão desiludidos. Por trás da angústia estão temores mais profundos sobre as vulnerabilidades da China. Prevê-se uma redução de 20% de sua força de trabalho até 2050. Uma crise no sector imobiliário, que movimenta um quinto do PIB, levará anos para ser corrigida. Isso prejudicará os governos locais sem dinheiro que dependiam da venda de terras para obter receitas e do sector imobiliário florescente para crescer.  (...)

A resposta da China é uma estratégia construída em torno do que as autoridades chamam de "novas forças produtivas". Isso evita o caminho convencional de um grande incentivo ao consumidor para estimular a economia (esse é o tipo de artifício ao qual o decadente Ocidente recorre). Em vez disso, Xi quer que o poder do Estado acelere as indústrias de manufatura avançadas, o que, por sua vez, criará empregos de elevada produtividade, tornará a China autossuficiente e a protegerá contra a agressão americana. A China vai saltar do aço e dos arranha-céus para uma idade dourada de produção em massa de carros elétricos, baterias, bioindústria e a "economia de baixa altitude" baseada em drones. (...)

No entanto, o plano de Xi está fundamentalmente equivocado. Uma falha é que negligencia os consumidores. Embora o consumo supere a propriedade e as novas forças produtivas, conta apenas 37% do PIB, muito abaixo das padrões globais. Para restaurar a confiança no meio de uma crise imobiliária e, assim, aumentar os gastos do consumidor é preciso um estímulo. Induzir os consumidores a poupar menos requer uma melhor segurança social e cuidados de saúde, bem como reformas que abram os serviços públicos a todos os migrantes urbanos. A relutância de Xi em adoptar isso reflete a sua mentalidade austera. Ele detesta a ideia de socorrer empresas imobiliárias especulativas ou dar subsídios aos cidadãos. Os jovens deveriam ser menos mimados e dispostos a "comer amargura", disse ele no ano passado. (...)

Se essas falhas são óbvias, por que não muda a China de rumo? Uma das razões é que Xi não escuta. Durante grande parte dos últimos 30 anos, a China esteve aberta a visões externas sobre reformas económicas. Os seus tecnocratas estudaram as melhores práticas globais e acolheram debates técnicos vigorosos. Sob o governo centralizador de Xi, os especialistas económicos foram marginalizados e o feedback que os líderes costumavam receber transformou-se em bajulação. A outra razão que Xi invoca é que a segurança nacional agora tem precedência sobre a prosperidade. A China deve estar preparada para um conflito no futuro com os Estados Unidos, mesmo que haja um preço a pagar. É uma mudança profunda em relação aos anos 1990 e seus efeitos nocivos serão sentidos na China e em todo o mundo.»

«Xi Jinping’s misguided plan to escape economic stagnation»

09/03/2024

A engenharia social de braço dado com o agitprop no Novo Império do Meio, uma espécie de "1984" em 2024

«Como demonstração do poder de um partido político sobre a sociedade, um casamento em massa é difícil de bater. Havia arrogância no andar do chefe de propaganda do condado de Ningdu, nas colinas com laranjeiras da província de Jiangxi, ao receber 66 casais em uma cerimónia colectiva de casamento em 17 de fevereiro. Embora os homens e as mulheres estivessem todos vestidos com as vestes vermelhas tradicionais de casamento, esta era uma reunião do Partido Comunista. Começou com manifestações de respeito a Xi Jinping, o líder supremo. De pé na praça principal de Ningdu, observados pelas famílias e por uma multidão de moradores curiosos, os casais leram um juramento de casamento de uma grande écran. Comprometeram-se a amar-se, a cuidar dos respectivos pais, a educar os seus filhos e a atender ao chamamento do partido e do governo para construir uma China feliz e civilizada. O termo civilizado é uma pista. Os casais não estavam apenas fruindo de uma festa gratuita. Eram agora recrutas numa campanha ideológica nacional, destinada a acabar com tradições "doentias" e levar a "civilização espiritual socialista" para todos os lares, especialmente os das zonas rurais.

Os maus hábitos visados pela campanha variam de lugar para lugar, mas seu objetivo declarado é o mesmo em todos os lugares: resolver problemas da vida real para que "as massas sintam pessoalmente que o Partido Comunista é bom". Uma faixa no palco explicitava a missão do casamento coletivo de Ningdu. O texto dizia: "Não aos preços das noivas, sim à felicidade".

Ningdu não é rico. Como muitos condados em Jiangxi, é notório pelos altos preços das noivas, ou caili. Antes de se casarem com um filho, muitas famílias rurais precisam encontrar ou pedir emprestado até 200.000 yuans (US$ 27.800) para dar aos pais da noiva. Este é um fardo pesado para alguns aldeões e mais uma barreira ao casamento para os homens rurais, num país onde o número de homens supera o das mulheres em quase 35 milhões após décadas de abortos selectivos. Os líderes de Jiangxi adicionaram os altos preços das noivas, juntamente com casamentos (e funerais) caros na vila à sua lista de hábitos ultrapassados que devem mudar.

Na China de Xi, uma vez iniciada uma campanha ideológica, pouco é deixado ao acaso. O casamento em massa de Ningdu abordou as preocupações locais. Mas quando um noivo foi chamado ao palco para expressar gratidão ao partido e exortar os jovens a abraçar "uma nova cultura de civilização", esses eram palavras de ordem nacionais. Drones com câmaras de vídeo zumbiam no alto, pois os veículos de propaganda chineses adoram imagens filmadas de cima.»

06/01/2024

Pro memoria (433) - Evocando Gao Yaojie

Gao Yaojie, uma médica ginecologista chinesa, falecida no dia 11 de Dezembro no exílio em Nova Iorque, não teve uma vida fácil. A sua família era proprietária de terras e em 1939 foi expulsa pelos comunistas de Shandong para Henan.
 
Durante a Revolução Cultural Gao Yaojie foi espancada e obrigada a desfilar pelas ruas com um chapéu alto de papel na cabeça e os sapatos pendurados no pescoço, foi presa na morgue do hospital e durante sete anos foi obrigada a limpar latrinas em vez de praticar ginecologia

Em 1996 encontrou em Henan um primeiro paciente infectado com AIDS, uma doença cuja existência o regime não admitia existir na China. A partir de então, Gao Yaojie tratou milhares de doentes infectados. Foi perseguida porque concluiu que a epidemia se devia a infecções durante o processo de recolha de sangue para venda aos hospitais pelas autoridades de Henan com materiais que eram reutilizados inúmeras vezes sem serem desinfectados. Desde 2009 viveu exilada em Nova Iorque.

[Fontes: NPR, BBC]

28/12/2023

O Grande Líder Xi Jinping apresenta-se aos seus súbditos como o filho espiritual da união de Karl Marx com Confúcio

 «Karl Marx e Confúcio podem ter vivido 2.400 anos separados, mas na televisão estatal chinesa eles passeiam juntos por uma antiga academia chinesa. Num bosque de bambu coberto de sol, um grupo de estudantes pintores convida os dois filósofos para serem seus modelos. Enquanto os jovens pintam, Marx e Confúcio conversam. Eles estão impressionados com os comboios de alta velocidade da China, entre outras coisas. Quando os retratos são revelados, os pensadores ficam surpresos. Marx é retratado com um manto da dinastia Tang; Confúcio é retratado em um terno e gravata ocidentais. Mas ambos estão encantados. "Estou na China há mais de cem anos", diz Marx (em mandarim). "Na verdade, sou chinês há muito tempo." Confúcio ri, acariciando a barba. O cabelo comprido parece um pouco estranho com o fato, diz ele, mas faz sentido continuar mudando.

A cena é de " Marx encontra Confúcio", série de televisão criada pelo departamento de propaganda da província de Hunan e lançada em outubro. Não é popular. No Douban, um site de filmes, recebeu apenas cerca de 100 críticas, a maioria delas negativas (por exemplo, "deixa-me doente"). Mas, para quem sabe disso, a série é uma boa maneira de entender o pensamento de Xi Jinping sobre Cultura, o mais recente ramo da filosofia do líder chinês.

Outras partes do pensamento de Xi enfatizam um controle mais rígido do Partido Comunista sobre coisas como diplomacia, defesa e economia. O Pensamento sobre Cultura de Xi Jinping, anunciado em Outubro, tenta fundir o orgulho na tradição chinesa com a lealdade ao partido. O seu princípio mais importante são as "duas combinações", um processo com décadas para tornar o marxismo mais chinês. A primeira combinação refere-se aos primeiros esforços para adaptar o marxismo à "realidade específica" da China. Essa flexibilidade ideológica permitiu que Deng Xiaoping, ex-líder da China, realizasse reformas económicas na década de 1980. A segunda combinação é a ideia de Xi: achinesar o marxismo fundindo-o com a cultura tradicional chinesa.

O esforço representa o culminar de uma reviravolta radical para o partido, que antes considerava a tradição seu inimigo. Durante a Revolução Cultural de 1966-76, os Guardas Vermelhos de Mao Tsé-Tung destruíram templos confucionistas, queimaram textos confucionistas e profanaram o túmulo do sábio. Os jovens denunciavam os mais velhos, contradizendo a ênfase do confucionismo no respeito filial. Mas após a morte de Mao, em 1976, o partido aproximou-se de Confúcio, ou pelo menos de uma versão simplificada dos seus ensinamentos que enfatiza a deferência à autoridade. Deng permitiu comemorações públicas do aniversário do filósofo. Jiang Zemin e Hu Jintao, sucessores de Deng, apropriaram-se das ideias confucionistas. No início dos anos 2000, estudiosos chineses debateram se o confucionismo poderia mesmo substituir o marxismo como ideologia orientadora da China.

Xi está a pôr fim a esse debate. O marxismo é a "alma" e o confucionismo a "raiz" da cultura chinesa, diz ele. Nenhuma ideologia pode ser abandonada. Em vez disso, eles devem ser fundidos.

" Marx encontra Confúcio" guia os espectadores por esse novo pensamento. Durante grande parte dos cinco episódios, os filósofos sentam-se em um palco na frente de estudantes e um elenco rotativo de académicos e funcionários do partido. Uma jovem vestindo hanfu, vestes tradicionais, arranca um guzheng, ou cítara antiga, ao fundo. Os filósofos conversam com hologramas de figuras como Vladimir Lenin e Mao, que explicam como seu pensamento é compatível. Os apresentadores do programa explicam então como tudo se encaixa no pensamento de Xi Jinping.»

Excerto de «Xi Jinping is trying to fuse the ideologies of Marx and Confucius» (tradução automática) 

15/12/2023

In the New Middle Kingdom, cinema in general is politics by other means, and in particular it is another means to glorify President Xi

 «The Communist Party wants to use film as an ideological tool: it has tightened its control over the country’s movie industry, demanding that storytellers “eulogise the party, the motherland, the people”. Films must be made with “ethics and warmth” and offer a “trustworthy, lovable and respectable image of China”.

In short, the party wants more movies like “Creation of the Gods I: Kingdom of Storms”, the winner of the Golden Rooster for Best Feature Film this year. The fantasy epic dramatises the battles of kings and spirits in ancient China. State-affiliated film groups say it is an example of how movies can promote cultural self-confidence in line with Xi Jinping Thought, the philosophy of China’s leader, which every schoolchild is required to study. (...)

The Communist Party wants to use film as an ideological tool: it has tightened its control over the country’s movie industry, demanding that storytellers “eulogise the party, the motherland, the people”. Films must be made with “ethics and warmth” and offer a “trustworthy, lovable and respectable image of China”.

In short, the party wants more movies like “Creation of the Gods I: Kingdom of Storms”, the winner of the Golden Rooster for Best Feature Film this year. The fantasy epic dramatises the battles of kings and spirits in ancient China. State-affiliated film groups say it is an example of how movies can promote cultural self-confidence in line with Xi Jinping Thought, the philosophy of China’s leader, which every schoolchild is required to study. (...)

In the past, indie films made without state approval could be shown only at private screenings within China and at international festivals. But in 2016 China passed a new law requiring all films to obtain permits, regardless of whether their makers planned to distribute them abroad, in Chinese cinemas or online. Anyone involved in producing a film without a permit could be fined and banned from the industry. That has made it much harder for independent film-makers to find actors, crew and financial backers.

As a result, most of China’s top actors, directors and producers have chosen the more straightforward option. Many are prepared to self-censor, or to lend their talents to the party’s propaganda efforts, if it means their work gets a nationwide release. (...)»

Excerpt from «Two film awards reveal the battle for the future of Chinese cinema»

26/10/2023

O velho imperialismo do Novo Império do Meio. Nova Rota da Seda, uma tentativa de capturar os países pobres na armadilha da dívida

Continuação do post O velho imperialismo do Novo Império do Meio, dos Mares do Sul ao FMI

«Por estes dias, representantes de 150 países estão em Pequim para o décimo aniversário da “Nova Rota da Seda”, o megalómano e delirante plano de Xi Jinping para estender ao mundo o seu poder imperial. Trata-se, na realidade, de uma espécie de assembleia-geral de devedores, muitos deles em avançado estado de insolvência e público descrédito, à cabeça dos quais está Vladimir Putin. O balanço está muito longe das glórias prometidas no dia 7 de setembro de 2013, quando tudo começou. Projetos ruinosos. Retornos dececionantes. Economias em falência ou pré-falência. Muitos países a descobrirem que o “internacionalismo comunista” esconde afinal um credor voraz e inflexível, agora transformado num cobrador de dívidas.

A “Nova Rota da Seda”, ou na sigla inglesa BRI (Belt and Road Iniciative), é provavelmente o maior projeto de desenvolvimento de infraestruturas de sempre à escala global. Nestes dez anos a China emprestou um bilião de dólares a cerca de 100 países, financiou largas dezenas de novos equipamentos e comprou ou arrendou ela própria muitas infraestruturas estratégicas, como é o caso do porto de Pireu, na Grécia. Um longo e bem documentado ensaio de Michael Bennon e Francis Fukuyama, publicado na revista “Foreign Affairs”, mostra que muitos países que entraram na BRI foram apanhados na “armadilha da dívida”.

A situação é de tal forma grave que o FMI já teve de ceder 100 mil milhões de dólares para que alguns países paguem as dívidas à China. São os casos da Argentina, do Quénia, do Sri Lanka e da Etiópia. Outros têm vivido de moratórias e renegociações das condições dos empréstimos, casos da Malásia, de Montenegro, do Paquistão e da Tanzânia, para referir os mais relevantes. Muitos projetos são elefantes brancos, sem retorno económico nem, em alguns casos, qualquer utilidade. “O problema financeiro é grave”, afirmam Bennon e Fukuyama. Há suspeitas de muitos calotes ocultos, inúmeros e graves casos de corrupção, misturados com crimes ambientais como o financiamento de fábricas a carvão em vários países. Um balanço dececionante e preocupante para milhões de pessoas que terão de pagar tanta loucura.

A “Nova Rota da Seda” é, no entanto, mais do que passar da exportação de bens para a exportação de capital. “Não se trata de exportar dinheiro, mas de exportar uma visão e uma influência chinesa do mundo”, escreve Keith Bradsher, vencedor do prémio Pulitzer e chefe da delegação em Pequim do “The New York Times”. Para Xi, e seus aliados com Putin à cabeça, a BRI é uma arma de combate ao Ocidente e à sua cultura liberal e democrática. É a rota para um mundo multipolar assente na erosão da influência e do poder dos Estados Unidos e dos seus aliados. Um mundo de autocratas, de iliberais, de gente perigosa, para quem os fins justificam os meios. Como se vê na Ucrânia e se confirmou na cautela das declarações sobre a selvajaria cometida pelo Hamas no Sul de Israel. A “rota da seda” é a rota do mal.»

«A rota do mal», Luís Marques no Expresso

04/07/2023

O velho imperialismo do Novo Império do Meio, dos Mares do Sul ao FMI

«Para os anais da competição de grandes potências no Pacífico, a carta de David Panuelo que divulgada em 10 de março é um marco. Dirigindo-se ao Congresso e aos governadores estaduais de seu país, o presidente cessante da Micronésia descreve detalhadamente os esforços chineses para intimidar e subornar políticos para que sigam uma linha pró-China. Panuelo acusa a China de travar uma "guerra política" contra seu país. Para mitigar os danos que isso está causando, ele recomenda que a Micronésia mude o reconhecimento diplomático para Taiwan. Ele afirma ter garantido uma promessa de US$ 50 milhões de Taiwan, mais pagamentos anuais de US$ 15 milhões, para tapar o buraco fiscal resultante de se distanciar da China.

Os métodos descarados da China para dominar os pequenos Estados insulares do Pacífico não são segredo. No entanto, o nível de detalhe que o Sr. Panuelo fornece é notável – e certamente profundamente embaraçoso para a China. "Somos subornados para sermos cúmplices e subornados para ficarmos em silêncio", escreve. Ele descreve envelopes chineses de dinheiro e ofertas de viagens de avião particular para obter favores entre políticos e administradores que "promovem seu interesse pessoal em vez do interesse nacional". Em outro caso, o embaixador chinês na Micronésia colocou as vacinas contra a covid-19 no centro das recentes campanhas de propaganda global da China de forma tão insistente que o presidente teve que mudar seu número de telemóvel.

Quando os presentes não funcionam, são feitos avisos. Panuelo afirma ter recebido "ameaças diretas contra minha segurança pessoal" de autoridades chinesas. Enquanto participava de uma reunião do Fórum das Ilhas do Pacífico em Fiji, ele diz que foi seguido por dois homens da embaixada chinesa.»

(Micronesia takes on China)

«Três fatores explicam o enfraquecimento do FMI. Primeiro, a intransigência dos credores chineses que emprestaram aos países pobres. Em segundo lugar, o estado lamentável dos países de renda média em dificuldades perenes, para os quais os empréstimos são tanto geopolíticos quanto econômicos. Em terceiro lugar, a incapacidade do fmi de executar um plano, impulsionado por sua liderança, para usar recursos para fins menos controversos do ponto de vista diplomático, como empréstimos climáticos caros e políticas de saúde.

Os credores chineses causam problemas quando o FMI aborda a reestruturação da dívida. Antes que o fundo possa emprestar, ele deve ter certeza de que o empréstimo de um país é sustentável. Isso geralmente requer um acordo para reestruturar - jargão para anotar - dívidas existentes. As amortizações já foram acordadas em negociações tranquilas conduzidas pelo FMI entre os países ocidentais no “Clube de Paris” dos credores. A ascensão da China nos últimos 20 anos como um grande credor tornou isso praticamente impossível. Pelo menos 65 países devem à China mais de 10% de sua dívida externa. (...)

Falando após uma visita à China, Kristalina Georgieva, diretora-gerente do fmi , diz que o país agora está envolvido com o fundo: “A questão já não é 'Deve haver uma redução [nas dívidas dos mutuários]?', mas ' Quanto?' e 'Através de quais instrumentos?'”. No entanto, a China não reduziu o valor nominal de seus empréstimos e, apesar de vagas garantias em contrário, não prorrogou os pagamentos para atender às condições do FMI.»

(The IMF faces a nightmarish identity crisis)

09/06/2023

Novo Império do Meio, um gigante com pés de barro (6) - Seria mais fácil a economia chinesa ultrapassar se a americana ficasse parada

Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)

When will China’s GDP overtake America’s?

Há doze anos as previsões apontavam para uma economia chinesa com 1.400 milhões de consumidores estar por esta altura a ultrapassar uma economia americana com 330 milhões. À medida que o tempo foi passando, as previsões de ultrapassagem foram sendo adiadas e actualmente andam pelos finais da próxima década, em consequência principalmente da desaceleração do crescimento e do início do declínio demográfico com a população activa já a diminuir. 

Parecem as previsões da entrada em operação do novo aeroporto de Lisboa que ainda ninguém sabe onde será e pode não ser em Lisboa.

03/03/2023

A proposta chinesa à luz do bullshit test

A China tem mantido uma posição ambígua em relação à invasão da Ucrânia pelo regime putinesco, o que se percebe porque se o Novo Império do Meio aprecia tanto o Ocidente como a Rússia e lhe convém mantê-la como aliada, por outro lado, os seus "clientes" estão no Ocidente e não lhe convém hostilizá-los abertamente. De onde resultou a lógica de apresentar um plano inócuo para um "acordo de paz" na Ucrânia em doze pontos:

  1. O respeito pela soberania dos países
  2. O abandono da mentalidade da Guerra Fria
  3. O fim das hostilidades
  4. O regresso das conversações de paz
  5. A resolução da crise humanitária
  6. A proteção dos civis e dos prisioneiros de guerra
  7. A salvaguarda das centrais nucleares
  8. A redução dos riscos estratégicos
  9. O encorajamento às exportações de cereais
  10. O fim das sanções unilaterais
  11. A manutenção da estabilidade das cadeias de abastecimento
  12. A promoção da reconstrução pós-conflito
Submetamos o "plano" ao bullshit test que consiste em verificar se faz sentido propor o contrário, e, se não for o caso, concluir que a proposta é uma inútil trivialidade.
  1. O desrespeito pela soberania dos países
  2. A continuação da mentalidade da Guerra Fria
  3. A continuação das hostilidades
  4. O abandono das conversações de paz
  5. A não resolução da crise humanitária
  6. A desproteção dos civis e dos prisioneiros de guerra
  7. A não salvaguarda das centrais nucleares
  8. O aumento dos riscos estratégicos
  9. O desencorajamento às exportações de cereais
  10. A continuação das sanções unilaterais
  11. A manutenção da instabilidade das cadeias de abastecimento
  12. O abandono da reconstrução pós-conflito
Podemos assim concluir que, com excepção do fim das sanções unilaterais, o contrário das propostas chinesas é simplesmente um disparate que ninguém, nem mesmo o Czar Vlad, teria o descaramento de apresentar, pelo que as restantes onze são irremediáveis bullshit. Não por acaso, essa proposta é a única que só depende do Ocidente.

29/01/2023

Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge, brutishness and uselessness on the scale of the New Middle Kingdom


«The world's longest bridge: the Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge (at a cost of about $20 billion) is a miracle in the world's engineering history, but in terms of its use value, it has become the biggest construction waste in the world's history. Until now, three years after the bridge was completed, there is hardly any traffic on this bridge. When the Zhuhai-Hong Kong-Macao Bridge was about to be opened to traffic, the decision makers suddenly realized a big problem: Who will use this bridge? Vehicles from mainland China cannot use it because mainland license plates cannot enter or leave Hong Kong and Macau. Similarly, Hong Kong vehicles can't use it because Hong Kong license plates can't go to Mainland China and Macau, and Macau vehicles can't use it because Macau license plates can't go to Mainland China and Hong Kong. ...... Only vehicles with Mainland China, Hong Kong and Macau can use it, and such vehicles are very few in number, and those who need to go on the bridge are even more rare.» 

[Forrest Harris, read on Quora]

28/11/2022

Novo Império do Meio, um gigante com pés de barro (5) - A obra de engenharia social para construir a harmonia entre o Grande Líder, o Partido e o Povo apresenta fissuras

Continuação de (1), (2), (3) e (4)

Quase sessenta anos depois, Xi Jinping vem reeditando as campanhas de Mao de delação pública dos "traidores" cujo modelo inspirado em Fengqiao, a cidade onde foi levado mais longe, Xi baptizou de qunfang qunzhi, ou "prevenção e governação pelas massas". Este método consiste na organização das famílias em grupos de dez geridas por um líder, alguém politicamente confiável que pode ser um veterano do partido comunista ou um apparatchik da aldeia, que vai transmitindo as instruções do partido e recolhendo informações.

Pois bem, nem mesmo o qunfang qunzhi foi capaz de antecipar as manifestações e protestos populares espoletadas por um incêndio num condomínio em Urumqi, capital de Xinjiang, onde morreram uma dezena de pessoas porque as portas estavam lacradas a pretexto do confinamento arbitrário resultante da estratégia "Covid zero" para combater uma variante da Covid (Omicron) muito mais contagiosa e muito menos agressiva.

As manifestações apesar de duramente reprimidas estão a propagar-se por toda a China desafiando Xi e o partido comunista e, surpreendentemente, reclamando «liberdade de expressão». Como tudo isto irá acabar? Como de costume, com repressão brutal e reedições locais do massacre da praça Tiananmen.