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12/07/2026

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Câmara de Almada, um caso notável de incompetência individual e sistémica

Alfredo Martirena
Secção Res ipsa loquitur

A Dr.ª Inês de Medeiros, com um nome próprio acompanhado de seis apelidos, dois advérbios e um hífen, é um membro característico das elites de esquerda bem-pensante (também poderia ser das elites de direita, que vinha a dar ao mesmo), actriz de cinema, deputada pelo PS, é há 9 anos presidente da Câmara de Almada, onde chegou, sucedendo a uma dezena de vereações comunistas, sem qualquer experiência ou vocação para gerir o que quer que seja e com notável pesporrência.

Durante sete anos produziu inúmeras declarações, sendo uma das mais notáveis sobre a água, e ignorou olímpicamente a crescente degradação da rede de água, que tem uma das mais elevadas taxas de perda e serve um concelho com um consumo per capita muito superior à média, concelho que, segundo a Dr.ª de Medeiros, estaria «assente sobre uma reserva quase inesgotável de água de grande qualidade» (apud Helena Matos). O que faz uma criatura bem-pensante quando a realidade da falta de água lhe entra pelo gabinete e os protestos dos munícipes pelos ouvidos? Procura rapidamente um culpado pelas consequências da sua negligência (o governo, Bruxelas) e alega a universal falta de meios (neste caso, os omnipresentes fundos generosamente providenciados pelos contribuintes europeus).

Concedo à Dr.ª Inês de Saint-Maurice Esteves de Medeiros Victorino de Almeida cinco urracas pela sua inacção na presidência, quatro bourbons por nada ter apreendido nem esquecido, cinco pilatos por lavar as mãos do assunto, apesar da falta de água, e três chateaubriands por imaginar que não faltaria a água em Almada, apesar do rio passar ao lado da cidade e não a atravessar. (avaliação contínua)

09/05/2026

Zugzwänge para Vladimir (continuação)

Continuação daqui. 

...  a invasão da Ucrânia a que chamou pudicamente "operação especial", que era para durar uma semana e já vai, se não estou enganado, em 218 semanas...

«Russia's internal expectations for the war were remarkably short. Documents found inside Russian tanks described how the "special military operation" would conclude in just ten days. Ukraine also captured "flagship" tanks — the kind used in parades — along with military parade uniforms, suggesting that Russia expected to stage a victory parade in Kyiv after a swift campaign. Wikipedia

The broader picture painted by the evidence is even more striking. After the invasion began, Ukrainian and Western analysts assessed that Putin seemed to have believed Russian forces would be capable of seizing Kyiv within days, leading to the conclusion that "taking Kyiv in three days" had been the original goal. This narrative was reinforced by statements from Aleksandr Lukashenko and Margarita Simonyan, editor-in-chief of Russian state broadcaster RT. The Security Service of Ukraine also released a video showing a captured Russian soldier claiming his unit had been sent into Ukraine with food supplies for only three days. Wikipedia

Russia's invasion plan involved defeating Ukraine within ten days and capturing or killing its government, followed by "mopping up" operations, establishing filtration camps, setting up occupation regimes, and eventually annexing territory. Wikipedia

Three days after the invasion began, the Russian state news agency RIA Novosti mistakenly published a pre-written article called "Russia's Coming and the New World," prepared in anticipation of a quick Russian victory, which announced that "Ukraine had returned to Russia." Wikipedia

Of course, none of this came to pass. By April 2022, the invasion's initial goal of a rapid victory via decapitation had failed, with Ukraine pushing back the northern arm of the invasion and preventing the capture of Kyiv. The war has now dragged on for over three years, becoming the largest conflict in Europe since World War II. Wikipedia»

Resposta do Claude Sonnet 4.6. da Anthropic à pergunta «When Russia invaded Ukraine, what was the Russian government's prediction for the duration of the so-called "special operation"?»

08/05/2026

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Zugzwänge para os compadres Vladimir e Donald

Secção Tiros nos pés

Já várias vezes evoquei (aqui, acolá e acoli, por exemplo) o Zugzwang, do alemão zug (jogada) e zwang (compulsão), que é a situação no xadrez em que, em consequência das jogadas anteriores, um jogador é obrigado a fazer a jogada seguinte da qual sairá em pior situação.

Volto a fazê-lo desta vez para caracterizar a situação em que se colocaram no tabuleiro internacional os compadres Vladimir Putin e Donald Trump, o primeiro com a invasão da Ucrânia a que chamou pudicamente "operação especial", que era para durar uma semana e já vai, se não estou enganado, em 218 semanas, e o segundo com o Great and Beautiful Bombardment (GBB) dos aiotolás, que era para durar o que Bibi achasse necessário, e já vai em 6 semanas e vários anúncios de Total and Complete Victory. 

Quanto a Vladimir Putin, as coisas vão de mal a pior e, segundo um ex-alto funcionário do governo russo, enfrenta uma situação de perfeito Zugzwang, situação que, com os mesmos critérios, tomo a liberdade de atribuir a Donald Trump e, já agora, ao seu ajudante, o secretário de Estado da Guerra, Pete Hegseth.

É assim que, não sem algum Schadenfreude, concedo o máximo de cinco Zugzwänge (plural de Zugzwang) ao primeiro e quatro ao segundo (o quinto poderá ser atribuído em breve). A Pete Hegseth não atribuo nenhum - é apenas um secretário.

26/02/2026

Pro memoria (144) - O que a "operação especial" putinesca nos ensina sobre a diferença entre democracia e autocracia

Concluíram-se há dias quatro anos da invasão da Ucrânia pelo exército russo ou, na versão de Vladimir Putin, da "operação militar especial" que era para terminar nessa semana ou, na versão de Donald Trump, 24 horas depois da sua tomada de posse.

Durante esses quatro anos as baixas estimadas sofridas pela Rússia ultrapassaram 1,2 milhões.

 Aproximadamente o dobro das baixas ucranianas.

Enquanto isso, os ganhos territoriais do exército russo foram pouco significativos. 

Até mesmo os idiotas úteis que dão o seu melhor para justificar a invasão enfrentam cada vez mais dificuldade em criar factos alterntativos e torturar os dados para esconder o gigantesco falhanço de Putin. 

Não é preciso invocar o exemplo de Winston Churchill na Primeira Guerra Mundial, à época Primeiro Lorde do Almirantado, considerado o primeiro responsável pelo desastre de Galípoli, demitido do governo em novembro de 1915, foi combater nas trincheiras em França, para concluir que numa sociedade democrática Vladimir Putin teria há muito sido afastado do poder. Em vez disso, aumentou o seu controlo sobre a cleptocracia russa enquanto caíam das janelas os seus detractores.

30/01/2026

CASE STUDY: Unintended consequences of Trump's America for Americans

«We find immigrants represent 16 percent of all US inventors, but produced 23 percent of total innovation output, as measured by number of patents, patent citations, and the economic value of these patents. Immigrant inventors are more likely to rely on foreign technologies, to collaborate with foreign inventors, and to be cited in foreign markets, thus contributing to the importation and diffusion of ideas across borders. Using an identification strategy that exploits premature inventor deaths, we find that immigrant inventors create especially strong positive externalities on the innovation production of their collaborators, while natives have a much weaker impact. A simple decomposition illustrates that immigrants are responsible for 36% of aggregate innovation, two-thirds of which is due to their innovation externalities on their native-born collaborators.»

The Contribution of High-Skilled Immigrants to Innovation in the United States, Shai Bernstein et al.

_____________________

If Robert Merton had written his paper "The Unanticipated Consequences of Purposive Social Action" (1936) in the third decade of the 21st century, MAGA's immigration policies would have played a central role in his research.

17/12/2025

CASE STUDY: The ideological brain of Steve Bannon, the Rasputin of MAGA

The other day, I saw the interview with Steve Bannon, who, in the words of The Economist magazine, is "the former chief strategist of the White House whose worldview contradicts that of The Economist. He is a populist nationalist" and the Rasputin of MAGA, as he himself does not deny in the interview. 

The Economist justifies the interview because «it is classically liberal. But liberalism demands dialogue with those who oppose it. And as liberal values retreat worldwide, understanding Mr Bannon’s ideas—which have animated many people on both sides of the Atlantic—has become essential». Given his ideas, which are quite clear in the interview, it is unlikely that Steve Bannon would have interviewed Zanny Minton Beddoes, the editor-in-chief of The Economist, on her podcast, War Room.

What emerges very clearly from the interview is that MAGA is irremediably divided between the populist nationalist faction and the ideas of techno-archs like the "éminence grise" Peter Thiel - as I once anticipated in the post Another Brick in the Wall.

Coincidentally, I had read "The Ideological Brain" some time earlier, whose central conclusion is that ideologies change our brains, creating "ideological brains" rigid and resistant to new evidence. It occurred to me that the author Leor Zmigrod, a political psychologist and neuroscientist, could very well use Steve Bannon as a case study for her research.

20/11/2025

Did you guess who wrote "Opioid of the Masses"? Believe It or Not!

A sort of follow-up to yesterday's post.

The article "Opioid of the Masses," in which the current POTUS is portrayed with great realism, was published by J.D. Vance, the current vice president, on July 4, 2016, in The Atlantic magazine, which in 2020 endorsed the Democratic presidential nominee, Joe Biden, in the presidential election. At that time, J. D. Vance had not yet been recruited by Peter Thiel - who had not yet discovered that the Antichrist was back  (*) - to be part of the administration that he and other technocrats, such as Elon Musk, would support to instill some rationality into the government in the short term and replace Donald Trump in the medium term, either through his resignation or in new elections.

(*) See here, here, and there.

19/11/2025

Guess who wrote "Opioid of the Masses"?

«During this election season, it appears that many Americans have reached for a new pain reliever. It too, promises a quick escape from life’s cares, an easy solution to the mounting social problems of U.S. communities and culture. It demands nothing and requires little more than a modest presence and maybe a few enablers. It enters minds, not through lungs or veins, but through eyes and ears, and its name is Donald Trump.

Last Sunday, the day before Memorial Day, I met a Marine veteran of the Vietnam War at a local coffee shop. “I was lucky,” he told me. “At least I came home. A lot of my buddies didn’t. The thing is, the media still talks about us like we lost that war! I like to think my dead friends accomplished something.” Imagine, for that man, the vengeful joy of a Trump rally. That brief feeling of power, of defiance, of sending a message to the very political and media establishment that, for 45 years, has refused to listen. Trump brings power to those who hate their lack of it, and his message is tonic to communities that have felt nothing but decline for decades.

In some ways, Trump’s large, national coalition defies easy characterization. He draws from a broad base of good people: kind folks who open their homes and hearts to people of all colors and creeds, married couples with happy homes and families who live nearby, public servants who put their lives on the line to fight fires in their communities. Not all Trump voters spend their days searching for an analgesic.

Yet a common thread among Trump’s faithful, even among those whose individual circumstances remain unspoiled, is that they hail from broken communities. These are places where good jobs are impossible to come by. Where people have lost their faith and abandoned the churches of their parents and grandparents. Where the death rates of poor white people go up even as the death rates of all other groups go down. Where too many young people spend their days stoned instead of working and learning.

Many years ago, our neighbor (and my grandma’s old friend) in Middletown moved out and rented his house on a Section 8 voucher—a federal program that offers housing subsidies to low-income people. One of the first folks to move in called her landlord to report a leaky roof. By the time the landlord arrived, he discovered the woman naked on her couch. After calling him, she had started the water for a bath, gotten high, and passed out. Forget about the original leak, now much of the upstairs—including her and her children’s possessions—was completely destroyed. Not every Trump voter lives like this woman, but nearly every Trump voter knows someone who does.

Though the details differ, men and women like my neighbor represent, in the aggregate, a social crisis of historic proportions. There is no group of people hurtling more quickly to social decay. No group of people fears the future more, dies with such frequency from heroin, and exposes its children to such significant domestic chaos. Not long ago, a teacher who works with at-risk youth in my hometown told me, “We’re expected to be shepherds to these children, but they’re all raised by wolves.” And those wolves are here—not coming in from Mexico, not prowling the halls of power in Washington or Wall Street—but here in ordinary American communities and families and homes.

Trump’s promises are the needle in America’s collective vein.

What Trump offers is an easy escape from the pain. To every complex problem, he promises a simple solution. He can bring jobs back simply by punishing offshoring companies into submission. As he told a New Hampshire crowd—folks all too familiar with the opioid scourge—he can cure the addiction epidemic by building a Mexican wall and keeping the cartels out. He will spare the United States from humiliation and military defeat with indiscriminate bombing. It doesn’t matter that no credible military leader has endorsed his plan. He never offers details for how these plans will work, because he can’t. Trump’s promises are the needle in America’s collective vein.

The great tragedy is that many of the problems Trump identifies are real, and so many of the hurts he exploits demand serious thought and measured action—from governments, yes, but also from community leaders and individuals. Yet so long as people rely on that quick high, so long as wolves point their fingers at everyone but themselves, the nation delays a necessary reckoning. There is no self-reflection in the midst of a false euphoria. Trump is cultural heroin. He makes some feel better for a bit. But he cannot fix what ails them, and one day they’ll realize it.

I’m not sure when or how that realization arrives: maybe in a few months, when Trump loses the election; maybe in a few years, when his supporters realize that even with a President Trump, their homes and families are still domestic war zones, their newspapers’ obituaries continue to fill with the names of people who died too soon, and their faith in the American Dream continues to falter. But it will come, and when it does, I hope Americans cast their gaze to those with the most power to address so many of these problems: each other. And then, perhaps the nation will trade the quick high of “Make America Great Again” for real medicine.»

Opioid of the Masses

15/10/2025

Another Brick in the Wall and Shooting Themselves in the Foot (2)

[Continuation of Another Brick in the Wall and of Shooting Themselves in the Foot]

As I have written, the ability to attract foreign talent has long been a key success factor for American companies and universities. Therefore, asking companies to pay $100,000 per year for H-1B work visas can only harm the American economy.

I emphasize that the Trump administration's negative stance toward immigrants will extend to highly skilled immigration, potentially harming the essential research that drives innovation for American companies.

Source

While the EU's benefits can be attributed in part to its large population compared to other countries, it is important to note that the US ranks sixth in terms of Nobel Prizes awarded in these fields per million inhabitants, surpassed only by Switzerland, Sweden, Britain, Denmark, and Austria. These figures anticipate the consequences for the research of a negative stance toward high-skilled immigration.

26/09/2025

Another Brick in the Wall and Shooting Themselves in the Foot

[Continuation of Another Brick in the Wall]
«You graduate from a college, I think you should get, automatically as part of your diploma, a green card», Donald Trump said last year during the election campaign.

That was last year, which on Trump's time scale is an eon. Last week, Trump announced a $ 100,000 fee per year for new H-1B visa applications, most of which are filed by tech companies hiring foreign graduates. Approximately 85,000 visas were issued annually through a lottery at a cost of around $2,500 in legal and filing fees.

Source

Cognizant is an American technology company, little-known in Portugal, with around 300,000 employees. Tata Consultancy Services and Infosys are two Indian technology multinationals operating in the US, with 600,000+ and 300,000+ employees worldwide. This time, we're not talking about semi-literate immigrants working in construction or agriculture. We're talking about immigrants highly skilled in science and technology.

23/09/2025

Another Brick in the Wall

«The Trump administration said on Friday it would ask companies to pay $100,000 per year for H-1B worker visas, prompting some big tech companies to warn visa holders to stay in the U.S. or quickly return.

The change could deal a big blow to the technology sector that relies heavily on skilled workers from India and China.

"If you're going to train somebody, you're going to train one of the recent graduates from one of the great universities across our land," said Commerce Secretary Howard Lutnick. Train Americans. Stop bringing in people to take our jobs."

Trump's threat to crack down on H-1B visas has become a major flashpoint with the tech industry, which contributed millions of dollars to his presidential campaign.»

(Reuters)

The ability to attract foreign talent has long been a key success factor for American companies and universities, so this measure has the potential to harm the American economy by exacerbating the expulsion of illegal immigrants who will no longer do jobs that Americans are unwilling or unable to do.

This measure, while purporting to defend American graduates, is also likely futile because there is no record of unemployment among talented American graduates. Therefore, if anything, this measure will result in jobs being reserved for mediocre American graduates.

Furthermore, while likely welcomed by the nativist MAGA faction, it will be frowned upon by the techno-archs, and will be another potential source of conflict within Donald Trump's support base. Remember that his supporters include highly successful immigrants such as Sergey Brin (Russia), Patrick Soon-Shiong (South Africa), Peter Thiel (Germany), and Elon Musk (South Africa).

15/07/2025

Mitos (352) - Criminalidade, os "factos alternativos", as percepções e a realidade

Se o "Relatório do observatório da segurança e defesa" há dias divulgado pela SEDES for credível como parece (pelo que conheço da SEDES, uma instituição independente com 55 anos, vou tomá-lo como tal), há uma acentuada dicotomia entre a percepção da criminalidade tal como os mídia a apresentam e a realidade que as estatísticas sugerem. Citando o sumário executivo do anexo B "Segurança e Insegurança: um paradoxo nacional" do relatório:

«Este estudo foca a perceção da insegurança e a relação desta com a criminalidade existente em Portugal, apresentando contributos para abordar os problemas identificados. É analisado o paradoxo existente entre a diminuição da criminalidade participada em Portugal (-1,3% entre 2000-2024) e um crescimento de 130% nas menções a crimes nas primeiras páginas dos jornais, sendo identificados quatro fatores determinantes para esta realidade. São também identificados quatro problemas que concorrem para este paradoxo, sendo apresentados quatro contributos estruturais que permitem debelar a questão numa abordagem holística, visando alinhar a perceção pública com a realidade criminal, melhorar a confiança nas instituições bem como desenvolver melhores políticas públicas.» 

É interessante verificar que os dados disponíveis sugerem um enviesamento dos mídia que empolam a criminalidade e ao fazê-lo suscitam em certos sectores da opinião pública sentimentos de insegurança e de hostilidade aos imigrantes, a quem é atribuído o suposto aumento da criminalidade, hostilidade que os mídia, onde predominam jornalistas de esquerda, vêm de seguida lamentar e contraditar. Se assim for, é mais uma consequência indesejada de acções do jornalismo de causas que faria as delícias de Robert Merton ou, em português corrente, mais um tiro no pé direito da esquerda.

08/06/2025

Uma "operação especial" que duraria uma semana deu uma guerra que já vai em 40 meses e que o Sr. Trump teria terminado no dia 21 de Janeiro

Fonte




Fonte

Mais assombroso do que uma grande potência com o segundo maior exército do mundo não conseguir ter sucesso na invasão de um país com menos de um terço da sua população e menos de um quinto das suas forças armadas, é a existência de sucessores dos idiotas úteis de Lenine ao serviço da URSS nos anos 20 que deliram com os imaginários sucessos russos, por exemplo os generais reformados do exército português ao serviço de Putin nas TV portuguesas.

03/06/2025

Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa (62)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa» e do «Semanário de Bordo da Nau Catrineta». Outras Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa.

O PS foi atropelado pelas leis de Merton

Robert Merton publicou em 1936 um estudo das «consequências imprevistas da ação social intencional» onde distinguiu três tipos de consequências imprevistas. O que aconteceu ao PS nas eleições dia 18 foi um exemplo perfeito das consequências negativas imprevistas da sua prática nos últimos anos de tentar empurrar o PSD para os braços do Chega na esperança que o eleitorado do PSD o repudiasse e os seus votos se transferissem maciçamente para o PS. Ao contrário, a transferência de votos foi sobretudo do PCP para o Chega e do PS para o PSD e para a abstenção. E não, o Dr. Pedro Nuno não foi o único responsável pelo afundamento do PS, nem foi talvez o maior responsável. Durante vários anos o Dr. Costa e a sua trupe trabalharam para isso.

À força de querer parecer outro, o Dr. Pedro Nuno já não sabia quem era (agora é oficial)

Um ano depois de ter apoiado o candidato Dr. Pedro Nuno, que «sendo filho de um empresário, sabe da realidade da vida», para ascender à liderança socialista, o Dr. Ascenso Simões, um apparatchik socialista com um vasto currículo que vai da defesa da demolição do Padrão dos Descobrimentos, à agressão de um polícia e à defesa de uma condecoração para o Eng. Sócrates uma dúzia de anos depois do Animal Feroz ter conduzido o Estado sucial à falência, veio confirmar em entrevista ao Observador o segredo de Polichinelo: «a moderação de Pedro Nuno Santos era completamente falsa».

Um carneiro sacrificial

Como em quase todas as situações em que um partido sofre uma derrota pesada, o líder demite-se ou é demitido e o seu sucessor é frequentemente um líder de passagem tolerado por quase todos e falsamente apoiado por muitos que fica a aquecer o lugar até que das catacumbas do coliseu partidário emerjam os verdadeiros candidatos. Será esse o papel que o Dr. José Luís Carneiro reservou para si próprio.

Take Another Plan. Está-lhe no ADN

Só mesmo nos delírios da esquerda a TAP, gerida pela trela do líder socialista demissionário Dr. Pedro Nuno, estaria a caminho da regeneração. Segundo a FlightRight citada pela Euronews, com 37,14% dos voos, a TAP é a companhia europeia com maior percentagem de atrasos, e com 1,08% é a sexta com mais cancelamentos

Os lucros de 177 milhões em 2023, e os 72 milhões no segundo trimestre de 2024, que compensaram os prejuízos quase iguais do 1.º trimestre, e o lucro no ano de 2024 de 53,7 milhões são amendoins para um elefante branco como a TAP que recebeu 3,2 mil milhões de subsídios que lhe pouparam uns 200 milhões de juros por ano e a dispensaram de gerar margens para amortizar os 3,2 mil milhões. Não foi preciso esperar muito para a TAP regressar ao seu normal com um prejuízo de 108 milhões no 1.º trimestre deste ano.

10/05/2025

Pro memoria (441) - O equipamento de Putin começa a escassear para o show off

[Continuação de Pro memoria (436) e Pro memoria (437)]

Com a invasão da Ucrânia, Putin não apenas está fazer da guerra um moedor de carne para canhão do seu próprio povo que sofreu mais de 800 mil baixas, como o seu equipamento militar está a ser destruído em quantidades significativas.

Fonte

O material começa já escassear para o show off das paradas no Dia da Vitória como se vê no diagrama do lado esquerdo.

13/04/2025

The price of vassalage

Cartoon by Anne Telnaes, Pulitzer Prize-winning, refused to be published by Jeff Bezos' Washington Post / Bloomberg

Warren Buffett, who has the worst opinion of Mr. Trump, Bernard Arnault, who is in another league, Bill Gates and Steve Ballmer cannot be accused of vassalage.

29/03/2025

The Trump Administration's accomplishments are highly debatable (at best), with one exception


As a kind of self-inflicted damage, the abundant production of contradictory non-sense and bullshit has raised the level of uncertainty above that of any other event in the last 40 years with the exception (so far) of the euro crisis and the pandemic. It's a wonderful job!

14/03/2025

Pro memoria (437) - A arte de apresentar como vitórias as derrotas da "operação especial"

[Continuação de Pro memoria (436)]

Perdas de equipamento desde o princípio da invasão:

Fontes: Rússia ; Ucrânia

Ganhos territoriais:

Fonte

A maior parte dos ganhos territoriais da Rússia foram nas primeiras semanas da guerra. Após a retirada da Rússia do norte da Ucrânia, em abril de 2022, a Rússia controlava cerca de 19,6% do território ucraniano e tinha sofrido 20 mil baixas. Hoje, a Rússia sofreu 800.000 baixas e ocupa um pouco menos. 

Entretanto, a economia russa está de rastos, a inflação disparou (os números oficiais são pura fantasia) e as taxas de juro ultrapassam 20%. Os activos do fundo soberano da Rússia reduziram-se de 7,4% do PIB para menos de 2%. As exportações em Dezembro tinham tido uma queda homóloga de 20%.

Estes desastres não significam porém que a Rússia esteja perto de capitular porque as perdas humanas no moedor de carne da guerra são toleradas a um extremo inconcebível numa democracia e porque a capitulação seria o fim de Putin, ainda que não talvez do putinismo.

18/01/2025

Questions (345) - What could result from a general increase in tariffs?

(...) begin with Mr Trump’s most dangerous idea: a 10-20% across-the-board tariff, accompanied by a 60% levy on all Chinese imports. This would undoubtedly batter Asia. America is the leading export destination for ASEAN countries, India and Japan, as well as the second-biggest destination for South Korea and Taiwan. asean’s trade intensity, measured as the ratio of trade to GDP, is twice the global average. Asian countries with ageing populations require external demand to grow.

A simulation of a full-blown tariff scenario conducted by Oxford Economics, a consultancy, finds that non-China Asia would be a net loser. In the long run American imports from the region would fall by 3% and exports to it by 8%. Demands for retaliation would grow, driven by the political prerogative to “not look like a wimp”, notes Jayant Menon of the ISEAS-Yusof Ishak Institute, which hosted the ASEAN get-together. Such tit-for-tat tariffs would ultimately amount to self-harm. Economic theory suggests that protection can be optimal (in narrow balance-of-trade terms) when countries enjoy outsized market power in the trade of a particular good—a condition that does not hold for most of Asia. Worse still, American military partners, including Australia, India and Japan, would be forced to choose between their economic and security interests.

These dangers are clear. Some Trump loyalists play down the chances of an all-out trade war, however, insisting that the threat of enormous universal tariffs is merely a negotiating tactic. Although a less dramatic ratcheting-up of the America-China trade conflict would be less devastating, it would still pose risks.

17/01/2025

Pro memoria (436) - A desconformidade dos factos da "operação especial" com a narrativa do pessoal avençado nas TV portuguesas

À laia de serviço público, aqui vão alguns factos objectivos e verificáveis citados por Henrique Cardoso em Não, a Rússia não está a ganhar a guerra (para ser honesto, contaminados com algum wishful thinking). 

«1. Uma “operação especial” que devia durar três dias já vai em três anos de guerra. A resistência de Kiev, logo nas primeiras semanas, é uma derrota russa que ficará para sempre registrada na história das sagas e lendas da guerra.

2. A Rússia já perdeu 760 mil homens na Ucrânia. É muito acima do preço que a Rússia comunista pagou no desastre que foi a invasão do Afeganistão nos anos 80. Aliás, não posso deixar de ver uma repetição histórica: o desastre do Afeganistão foi fundamental para a queda da URSS em 1989-91. Em 2025, podemos estar próximos desse cenário. Putin não aguenta outro ano como 2024. Só em 2024 estima-se o número de baixas russas em 420 mil. Para termos a dimensão deste número, devemos lembrar que os EUA, em quase 20 anos de guerra no Iraque, perderam apenas 4500 soldados. Repita-se: a Rússia em três anos perdeu 760 mil homens na Ucrânia; os EUA 4 mil e tal no Iraque em duas décadas.

3. A economia russa está tudo menos sólida. As taxas de juro são absurdas (23%), e a inflação está nos 9%. Mesmo com toda a propaganda, os russos têm medo de um novo colapso económico como aquele que viveram nos anos 90.

4. A Ucrânia até conseguiu invadir espaço russo, Kursk; algo altamente simbólico (é a primeira vez que a Rússia sofre uma invasão desde 1941) e altamente decisivo nas negociações de paz do futuro próximo.

5. Além da mediocridade da campanha em terra, a marinha russa foi humilhada no Mar Negro. As exportações ucranianas (sobretudo os cereais) não foram afetadas, o que foi fundamental para manter o preço do pão em níveis aceitáveis na Europa. Recorde-se que a estratégia de Putin passava por asfixiar o cabaz de bens essenciais da Europa, liderado pelo pão obviamente. Falhou por completo: pelo menos 15 dos seus navios foram afundados ou danificados por drones ucranianos.

6. A reviravolta na Síria é outra humilhação: Moscovo foi incapaz de proteger o seu aliado, Assad. Putin não tem tropas suficientes para derrotar a Ucrânia e defender a integridade da Rússia, quanto mais para defender aliados no Médio Oriente.

7. Registe-se ainda aquela que será porventura a humilhação mais risível: a convocação de soldados norte coreanos. Seria o mesmo que os EUA pediram ajuda a países como Honduras e Panamá.

8. As sanções ocidentais levaram a Rússia para a dependência da China, o que não está a ser salutar para as relações entre Moscovo e Pequim.

9. A NATO cresceu na resposta, ou seja, entraram novos países que tinham mantido até 2022 a sua neutralidade, Suécia e Finlândia, dois velhos inimigos de Moscovo no Báltico. O poder militar (e a indústria militar) da Suécia é particularmente formidável.

10.Outros países da NATO estão a recuperar ou a reforçar a tradição do serviço militar para rapazes e raparigas. Até Portugal, na outra ponta da Europa, está a reagir.»