Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/04/2020

ARTIGO DEFUNTO: A mente do jornalista infectada pela excitação anti-fássista

Pode ler-se no Expresso Curto desta manhã:

«Encurralado, Bolsonaro não teve outro remédio senão dar o braço a torcer. E cancelou a nomeação do amigo para diretor geral da Polícia Federal.

Ao mesmo tempo, o Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a ultrapassar um milhão de infetados pelo Covid 19.»

O jornalista de causas em serviço à newsletter do semanário de reverência  multiplicou por 12 e picos do número de infectados, possivelmente com a mente infectada pela excitação de ver Jair Bolsonaro dar um tiro no pé (algo que começa a ser tão frequente que nem deveria ser notícia). Acrescento que o número de infectados por milhão de habitantes é no Brasil 375, menos de um sexto dos 2.403 de Portugal.


worldometer
Vem a propósito dizer que as newletters do semanário de reverência estão cada vez mais enjoativas.  Escritas em prosa gongórica, com choradinhos, citações avulsas e uma secção «O QUE EU ANDO A LER» que faz lembrar as estantes por trás dos palhaços confinados pelo Covid-19 nas suas casas que aparecem na TV a produzir vacuidades. Não é preciso, e seria injusto, comparar com as newsletters da Economist, da Spectator e muitas outras produzidas por profissionais para tornar patente a mediocridade enfatuada do jornalismo reverencial, bastando comparar com a do Observador.

29/04/2020

A poupança dos outros compra as empresas que a nossa falta de poupança obriga a vender

Desde o PREC, nos idos de 1975, quando na onda de nacionalizações todos os grupos económicos foram desmantelados, o capitalismo português muito pendurado no Estado Novo entrou no modo de degenerescência. Com as reprivatizações e a entrada para a CEE pareceu que o processo se invertera, mas foi uma aparência fugaz.

Uma dívida pública cada dia mais pesada, que gerou três resgates, levou os governos a alienar participações de controlo ou mesmo a totalidade do capital das únicas empresas públicas sustentáveis. As outras, que ninguém jamais comprará, continuaram a torrar os nossos impostos.

Numa sociedade civil esmagada por Estado capturado por neo-situacionistas de várias cores, uma cultura subsídio-dependente, a falta de gosto pelo risco empresarial e a crónica falta de capital, resultante da crónica falta de poupança, essas empresas públicas, e muitas empresas privadas, só poderiam ser compradas por capital estrangeiro, nalguns casos por grupo estatais ou para-estatais, como os chineses.

E assim se foi praticamente a banca, os seguros, as telecomunicações, as utilities como a REN, energia como a GALP e a EDP. Em todas elas o capital português é agora inexistente ou residual.

A Brisa era das poucas empresas que ainda restava com uma participação portuguesa de controlo do grupo José de Mello, a parte que resistiu do grupo CUF, o maior grupo industrial português desmantelado no PREC. Deixará de ser, o grupo José de Mello está a vender a Brisa aos holandeses da ABP, aos coreanos da NPS e aos suíços da Swiss Life Asset Managers e ficará com apenas 17% dos 52,4% que detinha.

A ironia é que a razão da venda é a falta de capital e o pesado endividamento do grupo José de Mello, num quadro geral de descapitalização da economia portuguesa resultado da falta de poupança dos portugueses, e os compradores são as referidas três empresas cujo negócio é a gestão de fundos de pensões que acumulam a poupança de holandeses, coreanos e suíços e garantem que eles continuarão a receber pensões no futuro.

Enquanto isso, no Portugal dos Pequeninos, no sistema de segurança social pay-as-you-go, depois dos saldos negativos que estão a voltar com as vacas magras, vamos ver o que sobra dos 20 mil milhões de reservas do FESS acumulados nas vacas gordas (suficientes para pagar um ano e meio de pensões).

CASE STUDY: Um imenso Portugal (56) - Como destruir um capital político


Em Janeiro de 2019 Jair Bolsonaro ganhava as eleições presidenciais com uma maioria de 58 milhões de votos, derrotando um PT minado pela corrupção, com Lula preso e desacreditado. Dezasseis meses e muitos erros depois, Jair Bolsonaro destruiu uma fracção do seu capital político e está a ser abandonado por parte do seu eleitorado que já nem se opõe ao impeachment. Só se pode queixar dele próprio.

28/04/2020

Dúvidas (302) - Irá o Dr. Costa assumir as vacas magras como se atribuiu as gordas voadoras?


O Dr. Costa e o seu governo passaram cinco anos a atribuir-se o sucesso das empresas exportadoras e da pletora turística que sustentaram as vacas gordas voadoras. Agora que as exportações se estão a afundar e os turistas a desertar, irão o Dr. Costa e o governo declarar-se responsáveis pelas vacas ficarem só com a pele em cima dos ossos?

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (12) - Há infectados que não foram testados?

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Antes de tentar responder à pergunta em referência, recordo que citei no post anterior a tendência dos humanos para procurar factos que confirmem os pré-conceitos e a tendência para a conformidade, ambas explicam porque estão a ser aceites acriticamente as narrativas catastrofistas relacionadas com a pandemia. Acrescento agora uma tendência estudada e comprovada pelo Nobel Daniel Kahneman, nos seus trabalhos sobre a economia comportamental, a que chamou «negative bias», consistindo num enviesamento da mente humana que tende a relevar mais os eventos negativos do que os positivos e por isso torna mais fácil "vender" narrativas catastrofistas.

No post anterior propus-me analisar alguns factos e estimativas que indiciam a subestimação do número de infectados e começo por recordar alguns dados já referidos:
Adicionalmente considere-se que 634 pessoas infectadas no Diamond Princess 52% não tinham quaisquer sintomas no momento do teste e 18% nunca chegaram a apresentar sintomas. Considere-se igualmente que todos os 3.300 habitantes da localidade italiana de Vo foram testados duas vezes e 50-75% dos infectados não apresentava sintomas no momento do teste.

Considerem-se  ainda os dados dos testes da Islândia, abrangendo aleatoriamente uma parte significativa da população, que aliás é apenas de 360 mil, com os da Holanda que apenas testou as pessoas que apresentavam sintomas graves de Covid-19.

Fonte
Como se pode ver no gráfico anterior, os casos positivos na Holanda concentraram-se nos mais velhos, enquanto na Islândia se concentraram nos mais jovens e metade das pessoas com testes positivos não apresentou sintomas. Podemos assim concluir: (1) uma grande parte das pessoas infectadas não tinha sintomas e por isso não foram testados porque na Holanda, como em Portugal e na maioria dos países, apenas se testam os indivíduos com sintomas; (2) são sobretudo os mais velhos que apresentam sintomas, frequentemente graves e com uma taxa de fatalidade muito elevada que influencia a média. Isso é confirmado em todos os países que apresentam uma elevada idade mediana (a idade acima da qual se encontra metade os óbitos), e que na Itália, por exemplo, é superior a 80 anos.

Nos casos em que um grupo é testado intensivamente o número de óbitos revela uma taxa de letalidade muito baixa. Também na Itália (ver no quadro seguinte) os médicos e enfermeiros foram testados maciçamente tendo sido identificado 17 mil positivos, dos quais apenas morreram 60, com a taxa de letalidade geral de 0,4% e de 0,15% nas idades até 59 anos.
Fonte   
Para finalizar, com dados mais recentes, a Agência Sueca de Saúde Pública estimou que «há aproximadamente 75 casos não confirmados em cada caso notificado de Covid-19». Na Cidade de Nova Iorque onde foram testados 156 mil casos positivos, a percentagem de infectados segundo o mayor Cuomo foi estimada em 21,2% ou seja cerca de 1,8 milhões, isto é 12 por cada caso testado, significando que a taxa de letalidade não é 7,5% (11.708/156.100) mas 0,65% (11.798/1.800.000), uma vez mais, comparável à gripe comum.

É nesta altura que surge a inevitável pergunta: se há indícios significativos de que o número de pessoas infectadas sem sintomas é várias vezes superior ao número de testes positivos, porque ainda não foram feitos testes aleatórios a uma amostra representativa da população?

27/04/2020

O coronavírus no agitprop do Novo Império do Meio (6) - A autocracia de Xi Jinpeng mostra as suas garras

Continuação de outros posts.

«Todas as dúvidas sobre o que realmente se passou no início da pandemia começam em Dezembro em Wuhan, ainda antes das tentativas das autoridades para abafarem as notícias da eclosão da doença e de terem mandado calar os médicos que falavam dela.»

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (29) - Em tempo de vírus (VII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Os ricos que paguem a crise ou a arrogância os pedintes

Se os portugueses não tivessem perdido a dignidade há muito, a rábula do Dr. Costa para esmifrar uns milhares de milhões à Óropa seria uma vergonha para todos. Não há por aqui uma ideia, um desígnio, umas ganas, um assomo de coragem. Há apenas um pedinchar, uma narrativa de chantagem, um parlapié de subsídios, de mutualização da dívida, de fundo perdido que se propaga por toda a sociedade contaminando empresários e cidadãos.

A Óropa com que esta gente enche a boca e os discursos é apenas um expediente para sobreviver sem esforço, com nomes pomposos como «uma bazuca de magnitude muito significativa.

O síndrome de Estocolmo também ataca os portugueses

Baptizei de síndrome de Estocolmo o fenómeno do crescimento da popularidades dos líderes europeus com a adopção das medidas de combate à pandemia, pressupondo que o fenómeno é semelhante ao sentimento dos raptados face aos raptores.

O fenómeno do aumento das taxas de aprovação nessas circunstâncias parece ser comum no continente americano. Exemplos: Martin Vizcarra, o presidente peruano, de 52% para 87%; Alberto Fernandez, o presidente argentino, subiu para mais de 80%; Sebastián Piñera, o presidente chileno, aumento de 10% para 21%. As excepções, com perda de popularidade, são os presidentes que se manifestaram contra medidas de confinamento: Trump no Estados Unidos, Bolsonaro no Brasil e Lopez Obrador no México, que partilham também de diversas modalidade de populismo: errático, de direita e de esquerda, respectivamente.

Entre nós, os líderes do PS e do PS-D e S. Ex.ª o PR também melhoraram as suas notas. O primeiro e o terceiro por serem co-autores das medidas e o segundo, candidato a co-líder situacionista, porque declarou que quem fosse contra seria anti-patriótico.

«Queda monumental»

Foi com esta expressão que S. Ex.ª fez a previsão mais acertada do PIB, batendo irremediavelmente os economistas de profissão, na sua maioria pertencentes ao quadro da Mouse School of Economics ou adeptos do pensamento milagroso, uma corrente também muito popular.

E monumental será mesmo a queda, quando já estão 1,1 milhões de trabalhadores em lay-off, ou um quinto da população activa, o custo das medidas de apoio é estimado pelo governo em 2,8 mil milhões por mês, e há sectores inteiros profundamente afectados, como o turismo, que representou o ano passado cerca de um sexto do PIB, com menos 40% de entradas até ao fim do ano.

Sem esquecer o impacto das mais de 210 mil moratórias valendo 19 mil milhões de euros que farão a banca recuar 10 anos e muito provavelmente voltar a entrar em estado de assistência com o dinheiro dos contribuintes. Impacto a que se acrescentarão a consequência da subida dos yields que já se está a verificar em imparidades de muitos milhões nos títulos que detêm da dívida pública a taxas de juro próximas de zero.

Mestres do ilusionismo

Depois de andar cinco anos a palrar sobre a página da austeridade, se ainda tiver um módico de lucidez, o Dr. Costa já deve ter percebido que, por muito habilidade e falta de escrúpulos para distorcer a realidade que se lhe reconheça, com a "queda monumental" que S. Ex.ª antecipou, falar em austeridade será um understatement. E por isso fugiu-lhe a boca para a verdade na entrevista ao Expresso que rapidamente negou com a habitual desenvoltura com que lida com as mentiras e as meias-verdades.

Se o Guardian conhecesse a realidade portuguesa teria publicado a entrevista ao secretário de Estado da Saúde português na secção humorística, que seria a secção adequada para afirmações como «o governo tomou as medidas certas na hora certa», referindo-se ao governo ir atrás do pânico dos cidadãos que uma semana antes do estado de excepção estavam a fazer confinamento por conta própria, ou como «a rápida reacção de Portugal foi ajudada por cinco anos de investimentos sustentados para trazer o serviço nacional de saúde de volta aos níveis pré-austeridade», referindo-se ao aumento da despesa com salários resultante da "reposição de direitos" (35 horas, etc.), para cuidar da sua freguesia eleitoral, e às cativações das despesas com equipamentos que deixaram o SNS à beira da paralisia.

Cuidando da freguesia eleitoral

E os cuidados a com freguesia eleitoral prolongam-se, por incrível e imoral que seja, já depois de se saber que estamos no inicio da maior crise em décadas, com o pagamento desde o dia 20 de Abril dos aumentos retroactivos a Janeiro dos funcionários públicos, enquanto mais de um milhão de trabalhadores do "privado" (é assim no palrar socialês que é designado o sector produtivo do país) estão em lay-off e umas centenas de milhares engrossaram o desemprego.

As dívidas não são para se pagar, foi isto que ele aprendeu

Quando vos disserem que o aumento da dívida pública no final do ano para não menos do que uns astronómicos 150% do PIB (é o meu palpite) foi resultante do Covid-19, respondei-lhes que a pandemia está inocente porque herdou quase tudo dos governos socialistas em 11 dos últimos 15 anos. O mesmo em relação ao endividamento total da economia que no final de Fevereiro antes de qualquer medida Covid-19 estava em 723,7 mil milhões, um aumento de 170 mil milhões em relação a finais de 2007.

26/04/2020

Dúvidas (301) - Estarão a falar do mesmo Moro?



O jornalismo de causas do Público escolhe os factos, eu escolhi os títulos.

Não só as luminárias das esquerdas têm sonhos húmidos com pandemias e catástrofes em geral

Sim, concordo que as luminárias das esquerdas têm sonhos húmidos com pandemias e catástrofes em geral, mas não são os únicos. Esses sonhos são transversais à esquerda e à direita, abarcam os inimigos declarados (poucos) e os falsos amigos da liberdade (muitos), e por isso está lá praticamente toda a esquerda, porque a esquerda libertária jaz algures no cemitério das ideias e os ideais igualitários da esquerda só podem ser realizados com muito Estado e limitação da liberdade num grau menor (socialismo) ou maior (comunismo).

Alguns exemplos de inimigos da liberdade que estão a cavalgar a onda da pandemia:

«Toda a atenção do mundo está no Covid-19. Talvez tenha sido uma coincidência que a China tenha escolhido esse momento para reforçar seu controle em torno de recifes disputados no Mar da China Meridional, prender os democratas mais importantes de Hong Kong e abrir um buraco na Lei Básica de Hong Kong. Mas talvez não. Governantes de todos os lugares perceberam que agora é a hora perfeita para fazer coisas ultrajantes, certos de que o resto do mundo quase não se dará conta. Muitos estão aproveitando a pandemia para se apropriar de mais poder. (...)

O poder crescente de Xi Jinping em Hong Kong é um entre muitos. Em todo o mundo, autocratas e futuros autocratas aguardam uma oportunidade sem precedentes. Covid-19 é uma emergência como nenhuma outra. Os governos precisam de ferramentas extras para lidar com isso. Nada menos que 84 promulgaram leis de emergência, concedendo poderes extraordinários ao executivo. Em alguns casos, esses poderes são necessários para combater a pandemia e serão abandonados quando terminar. Mas, em muitos casos, não são e não serão. Os lugares em maior risco são aqueles onde as raízes da democracia são superficiais e os controlos institucionais são fracos.

Veja-se a Hungria, onde o primeiro-ministro Viktor Orban vem emfraquecendo freios e contrapesos há uma década. Sob uma nova lei de coronavírus, ele agora pode governar por decreto. Tornou-se, de fato, um ditador, e permanecerá assim até que o parlamento revogue seus novos poderes. Uma vez que é controlado pelo seu partido, isso pode não acontecer durante algum tempo. A Hungria é membro da União Europeia, um clube de democracias ricas, mas está agindo como o Togo ou a Sérvia, cujos líderes acabaram de assumir poderes semelhantes sob o mesmo pretexto.

25/04/2020

DIÁRIO DE BORDO: Um 25 de Abril impertinente

O meu 25 de Abril foi o dia em que comecei a descobrir que as coisas não eram o que pareciam ser.

Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.

Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).

Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?

Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.

E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.

[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]

Chávez & Chávez, Sucessores (75) - O socialismo chávista é mais mortal do que o Covid-19

Outras obras do chávismo.

David Beasley, director do World Food Programme (WFP) das Nações Unidas alertou para o risco de o mundo enfrentar fomes de «proporções bíblicas» causadas pela pandemia. Segundo Beasley sofrem de fome entre 135 a 250 milhões - as Nações Unidas produzem estimativas em intervalos de proporções bíblicas.

Entre os dez países mais em risco encontramos um país que tem as maiores reservas de petróleo de todo o mundo e já foi o país mais rico da América Latina antes de ser tomado de assalto pelo socialismo bolivariano na modalidade chávismo. Morto o coronel Chávez, sucedeu-lhe Nicolás Maduro, o actual caudilho da mafia esquerdista que controla o país.

O impacto da subnutrição, frequentemente fome absoluta, é tal que a altura e o peso das crianças venezuelanas desce constantemente e «vários milhões de pessoas sofram danos físicos irreversíveis e precisem ser cuidadas pelo resto da vida», segundo  Juan Berríos da Comissão de Direitos Humanos do Estado de Zulia (CODHEZ), uma ONG. Mais de quatro milhões já fugiram do paraíso chávista e entre eles muitos médicos que nos países, como o Chile, estão a suprir a insuficiência existente.

A pandemia como um shot na veia mirrada do jornalismo de causas ou de como a produção jornalística tem de ser manipulada com luvas e lida com máscara

Estarei a exagerar com um título alarmista a propósito do alarmismo dos mídia do regime? Pois estarei, mas invoco em meu socorro o representante de uma instituição com décadas de experiência na manipulação dos mídia e da opinião pública.

Nada menos do que o Sr. Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português que desabafou em entrevista ao semanário de reverência a seguinte chocante constatação:
«A comunicação social dominante - alguns, não todos - criou a onda do medo e do alarmismo. Fiquei uns dias em casa, devido à situação, e sentava-me perante as televisões e ficava esmagado. Não é a questão da necessidade de informar, isso é o elemento fundamental e o papel da comunicação social. Agora, assisti muitas vezes a peças que conduziam ao medo, ao alarmismo, às vezes à resignação»
Tirando os «alguns», em que estarei em total desacordo com o camarada sobre quais sejam as excepções, surpreendentemente e por uma vez, sem que constitua precedente, partilho das suas preocupações.

24/04/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (11) - Qual é afinal a taxa de letalidade do Covid-19? (3)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

O meu propósito não é encontrar o "verdadeiro" valor da taxa de letalidade, algo que não existe visto que depende de inúmeros factores e varia no tempo. O meu propósito é simplesmente questionar a opinião, dominante nos mídia e geralmente aceite pela opinião pública, de que esta pandemia é tão letal que justificaria destruir a economia para salvar milhões de vidas supostamente em risco. E questionar essa opinião dominante tentando mostrar como ela é fundada em interpretações erradas de factos verdadeiros, na melhor hipótese, ou baseada em dados incompletos ou mesmo falsificados, na pior hipótese.

Não vou especular sobre teorias da conspiração, como por exemplo, de que existe uma intenção consciente de empolar a letalidade para justificar uma interferência do Estado, sempre acolhida com alegria por quase todas as esquerdas (e por várias direitas). Não sei se existe, mas o que existe certamente é, por um lado, a tendência humana para procurar factos que confirmem os seus pré-conceitos (sim, não estou imunizado contra este vírus, tomo medicação...) e por outro a tendência para a conformidade que leva um grande número de pessoas a partilhar as ideias que julgam ser da maioria do grupo onde se integram, tendências exacerbadas pelo pânico alimentado pelos mídias a quem objectivamente convém.

Num post anterior lembrei a distinção entre taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.). O post seguinte focou-se na dificuldade de estimar  taxa de letalidade da pandemia devido às causas de mortes incluírem por e com Covid-19 e, principalmente, porque o número de testes é ainda muito reduzido, só são identificados uma parte dos infectados e, devido à grande transmissibilidade do vírus, o número real de infectados é muito maior.

Ainda no post seguinte, citei uma dezena de estimativas que sugerem isso mesmo. Vou acrescentar mais algumas estimativas provenientes de fontes que considerei credíveis com a informação de que dispunha. Em todos os casos trata-se de factos verificados ou, excepcionalmente, de opiniões razoavelmente suportadas em factos.
  • 06-03 - Teste em mais de 100 mil pessoa na Coreia do Sul, mostraram que uma letalidade cerca de 0,6% (fonte)
  • 19-03 - Estimating clinical severity of COVID-19 from the transmission dynamics in Wuhan, China, letalidade de 1,4%
  • 08-04 Testes pelo Rigshospitalet na Dinamarca permitiram estimar a letalidade em 0,16% 
  • 10-04 - O distrito de Heinsberg na Renânia Norte-Vestfália, apresentava uma letalidade de 0,37%  
  • Actual - A Islândia apresentava hoje uma letalidade de 0,56% (fonte)
Como referi num post anterior, as taxas de letalidade (geralmente com a designação errada de taxa de mortalidade) citadas nos mídia portugueses são várias vezes maiores. Nalguns casos é citada a OMS (a agência das Nações Unidas que deu cobertura à dilação do atraso da comunicação da pandemia na China e à falsificação de dados) que garantiu que esta pandemia é dez vezes mais mortal que o vírus da gripe de 2009, o que equivale a dizer que fará mais de dois milhões de mortos.

O que explica estas discrepâncias? Aparte os casos de falsificação pura e dura, as sobrestimativas da letalidade resultam muito mais da subestimação do número de infectados, ou seja do denominador da taxa de letalidade, do que do número de óbitos no numerador, apesar deste também estar inflacionado pela consideração de todas mortes de pessoas infectadas e apenas aquelas causadas pelo vírus. 

Por isso, penso que vale a pena analisar alguns factos e estimativas que comprovam a subestimação do número de infectados, o que farei num post seguinte.

(Continua)

Volta José, estás perdoado. Os teus discípulos querem seguir o teu exemplo. A nossa sorte é que não têm dinheiro


Depois de cinco anos de vacas gordas voadoras a cortar no investimento indispensável para manter os serviços públicos a funcionar e a privilegiar a "reposição de direitos" da sua freguesia eleitoral, o governo entra no período com vacas magras em terra a fazer este anúncio megalómano pela boca do ministro do Planeamento. A propósito, quando neste governo foi criado o ministério do Planeamento fiquei à espera dos planos quinquenais tão queridos dos colectivistas de todos os matizes,

Para o pior e o melhor, o governo vai ficar rapidamente sem dinheiro, nem mesmo para manter sossegada a sua freguesia e se quiser investir terá que se endividar pesadamente - enquanto houver crédito.

23/04/2020

Para o caso de estarem distraídos com a pandemia, os coronabonds e a mutualização da dívida convém não esquecer que...

«A produção de mais riqueza que se possa distribuir não está dependente da produção de dinheiro com o BCE ou do federalismo orçamental de Bruxelas, mas do aprofundamento do Mercado Único na área dos serviços», escreveu Avelino de Jesus no Jornal de Negócios.

Podemos discutir se é com aprofundamento do Mercado Único na área dos serviços ou outra estratégia, mas deveríamos perceber que não vamos lá com helicopter money ou outra panaceia qualquer.

Iríamos lá com a panaceia comunista que se diz em comunês


e que traduzido em esquerdês se diz "os ricos que paguem a crise".

É uma fórmula que, tudo leva a crer, seja partilhada pelos socialistas sem ganas de o dizer em português corrente. O único que tinha lata para tal era o Dr. Pedro Nuno Santos, fundador do pedronunismo, que desistiu das falas radicais em benefício das legítimas expectativas de suceder ao Dr. Costa. Por isso se pode dizer hoje, sem fazer essa ressalva, que um socialista é um esquerdista sem ganas.

Dita abertamente ou não, a ideia é óptima porque nos dispensaria de fazermos pela vida assumindo o estatuto de mendicante perpétuo. Tem, porém, aquele pequeno problema que é os ricos não parecem dispostos a pagar a crise. Conviria, por isso, ir pensando nas alternativas difíceis, porque as fáceis já foram todas tentadas e deram no que deram.

Sugestões de protestos do Estado português

A propósito de «a China (que) protesta por todo o mundo por se chamar “vírus da China” a um vírus que apareceu na China», Helena Matos propõe uma lista de protestos e entre eles um único protesto do Estado português que «pensa em pensar na hipótese hipotética de apresentar uma proposta prévia e provisória de decisão na ONU para se ponderar pensar mudar o nome da “caravela portuguesa”, um bicho gelatinoso do alto mar, para “alforreca portuguesa”.».

A lista parece-me óptima, mas pouco patriótica porque haverá certamente muito mais protestos justos do lado português. Por agora, estou a lembrar-me do «fazer de português» («fare il portoghese») com que os italianos nos insultam para designar os borlistas. Tudo porque em 1716 houve uns italianos que se quiserem fazer de portugueses para entrar à borla nas festas durante a embaixada que D. João V enviou ao papa Clemente XI.

Neste caso em concreto, o protesto junto do Estado italiano é urgente, antes que o repugnante Senhor Wopke Hoekstra, o ministro das Finanças holandês, aproveitando o peditório dos coronabonds / mutualização da dívida, se lembre de meter-nos a nós, aos italianos e espanhóis no mesmo saco dos portoghesi. Infelizmente, deixámos passar o Brexit e perdemos a oportunidade de fazer o protesto para «inglês ver».

22/04/2020

BREIQUINGUE NIUZ: A austeridade já não vem

Jornal de Negócios
Lembram-se da 1.ª página do Expresso «FMI já não vem», dois meses antes do FMI chegar?  Desta vez o semanário de reverência não foi a tempo e perdeu a cacha.

A evaporação de temas fracturantes, uma consequência inesperada da pandemia (3)

Continuação das evaporações anteriores (1) e (2)

Ainda outros temas até recentemente urgentes e avassaladores que se evaporaram dos mídia:
  • A luta contra a violência de "género"
  • O fim dos plásticos, esse material maligno que está a matar o planeta (afinal a "guerra" contra a pandemia não pode prescindir deles)
  • Maus tratos a animais, nomeadamente a utilização de animais em testes (afinal precisamos de testar neles a vacina contra o Covid-19)
  • O aeroporto do Montijo.
Ainda outras personalidades que também foram evaporadas:
  • O Dr. Pedro Nuno Santos (que fazia tremer as perninhas dos banqueiros alemães e agora parece um cachorrinho) e o pedronunismo 
  • A Dr.ª Joacine e o seu assessor de saias
  • O Dr. Mamadou Ba e a sua justa luta contra a bófia.
(Talvez continue)

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (10) - Qual é afinal a taxa de letalidade do Covid-19? (2)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

No post anterior lembrei a distinção entre taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.).

Concluí também que os valores da taxas de mortalidade, desta como da maioria das epidemias, não dá para impressionar ninguém e muito menos para criar o pânico, porque estamos a falar neste momento, no caso da taxa de mortalidade mais alta em todo o mundo (excluindo San Marino e Andorra, tão minúsculos que as taxas não significam nada), que é a da Bélgica, de 518 por milhão ou 51,8 por 100 mil ou 0,0518 por cento. Em Portugal é de 0,0075 por cento e a média mundial é 0,00225 por cento, um valor próximo do limite inferior do intervalo 0,001 a 0,007 por cento da estimativa dos CDCP da taxa de mortalidade mundial da gripe A (H1N1) de 2009 nos primeiros 12 meses.

Por isso, para impressionar alguém é preciso falar da taxa ou coeficiente de letalidade ou então confundir tudo, como fazem os jornais (ver a lista no post anterior), e chamar mortalidade à letalidade. Voltemos pois à taxa de letalidade da pandemia que se calcula pela relação

número de óbitos causados pela pandemia : número de infectados pela pandemia 

Parece simples, não parece? Mas não é, e os problemas de mensuração colocam-se quer no numerador quer no denominador.

Quanto ao numerador, o número de óbitos deveria ser o correspondente às mortes causados pelo Covid-19, não incluindo, como é o caso de Portugal e de vários outros países, as pessoas que morreram de uma qualquer outra doença mas estavam infectadas com Covid-19. Por exemplo, um estudo do ONS concluiu que a maioria dos mortos tinha pelo menos duas doenças e 91% tinha pelo menos uma doença.

Quando ao denominador, o número de infectados pela pandemia é ainda mais difícil determinar. O que as estatísticas oficiais mostram não é o número de infectados, é o número de testes positivos. Para se perceber a dimensão da diferença veja-se, por exemplo, o caso de Portugal onde foram feitos até agora 272 mil testes, ou seja apenas a menos de 3% da população. Como desses 272 mil testes cerca de 21 mil foram positivos divide-se 762 óbitos (que recorde-se inclui os "com Covid-19") por 21 mil infectados e obtém-se 7,7% e chama-se a isso a taxa de letalidade em Portugal. É claro que ninguém dá o lógico passo seguinte concluindo que,se fosse assim, mais tarde ou mas cedo, quase todos os portugueses estariam infectados e 770 mil estariam mortos por ou com Covid-19.

E porquê não fazem essa inferência lógica?  Não faria sentido, não é verdade? Estaríamos perante uma pandemia seis vezes mais mortal do que a pneumónica e toda a gente percebe que é um absurdo multiplicar por mil os 762 óbitos actuais. E ficam-se por aqui, sem perceber que, sendo o Covid-19 altamente contagioso e já se sabendo que nos indivíduos saudáveis é muitas vezes assintomático,  o número de infectados será obviamente muito maior do que os 21 mil positivos nos testes.

Em conclusão, sem esquecer que os óbitos atribuídos ao Covid-19 incluem mortes por outras doenças, a questão crucial é aquilo que imensa gente anda a dizer testar, testar, testar, incluindo o director-geral de OMS, nos intervalos de fazer a propaganda da China.

Entretanto, há um bom número de estudos por especialistas e instituições credíveis que publicaram estimativas do número de infectados e/ou da taxa de letalidade (infection mortality rate). Por exemplo (data da publicação, estudo/fonte e estimativa dos infectados ou da letalidade):

Em conclusão, se o número de infectados ainda não testados for, como tudo indica. muito maior do que o número de testes positivos, então a letalidade do Covid-19 é muito menor do que parecem mostrar os números actuais. Lá se vai pânico, a "guerra", o confinamento geral, o álibi para a suspensão dos direitos. os argumentos para fazer o Estado intervir ainda mais nas nossas vidas, a tiragem dos jornais e os sonhos húmidos da esquerdalhada.

(Continua)

21/04/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (9) - Qual é afinal a taxa de letalidade do Covid-19? (1)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Em primeiro lugar é necessário distinguir numa epidemia a taxa ou coeficiente de letalidade e a taxa de mortalidade. Na primeira compara-se o número de óbitos com o número de infectados pela epidemia e no segundo caso compara-se com a população de uma área (mundo, pais, região, cidade, etc.)

Uma epidemia pode ter uma alta taxa de letalidade e uma baixa taxa de mortalidade, como o ébola que é muito letal e contamina pouca gente devido precisamente à sua elevada letalidade. Ou o contrário, como a gripe A (H1N1) de 2009 que foi pouco letal mas infectou milhões 700 a 1.400 milhões ou 11 a 21% da população mundial de então, causando 200 mil mortes pelo que a sua letalidade terá sido entre 0,03 a 0,06 por cento ou 30 a 60 por 100.000 e a sua mortalidade teria andado por 0,003 a 0,006 por cento.

Repare-se desde já que, com 735 óbitos nesta altura, a taxa de mortalidade do Covid-19 em Portugal anda pelos 0,007 por cento. Ainda que admitíssemos que a mortalidade diária, que está a baixar, se mantivesse igual à média até aqui (21 por dia em 35 dias) por mais seis meses, teríamos no total cerca de 4.500 mortes ou seja aproximadamente o mesmo número que a gripe comum causa em média num inverno. Recorde-se, a propósito, que até agora ainda ninguém se lembrou de confinar os portugueses no inverno.

De onde, chegados aqui, podemos concluir que a agitar taxas de mortalidade o jornalismo de causas não assustaria ninguém (nem venderia jornais), mesmo se acrescentasse outra demagogia como a de a nossa taxa de mortalidade ser mais baixa porque somos os melhores dos melhores, pela razão óbvia que a nível mundial até hoje há cerca de 170 mil óbitos atribuídos ao Covid-19, ou seja uma taxa de mortalidade de 0,002 por cento ou 2,2 por 100.000.

Como os valores presentes das taxas de mortalidade não assustassem ninguém, o jornalismo de causas passou a chamar taxa de mortalidade à taxa de letalidade ou a alternar, como no caso do DN que ora chama mortalidade ora chama letalidade. Alguns exemplos:

  • 28-02 - «Taxa estimada de mortalidade global da Covid-19 é de 2%» (Público)
  • 04-03 - «Afinal, taxa estimada de mortalidade global do Covid-19 é de 3,4%, diz OMS» (Executive Digest)
  • 06-03 - «O novo coronavírus é igual à gripe? Não. Mata 26 vezes mais» (Sábado)
  • 19-03 - «Organização Mundial de Saúde (OMS) avançou na semana passada que a taxa de mortalidade do vírus se encontra nos 3,4%» (Expresso)
  • 21-03 - «Taxa de mortalidade do Covid-19 em Itália atinge aterradores 9%» (Visão)
  • 27-03 - «Portugal com taxa de mortalidade de 1,7% de Covid-19» (JN)
  • 29-03 - «a taxa de letalidade subiu para 2% » (SIC Notícias)
  • 08-04 - «Espanha ... 28 em cada 100.000 habitantes morreram devido à covid-19» (Zap)
  • 12-04 - «Em Portugal, a taxa de mortalidade situa-se agora ligeiramente acima dos 3%» (ionline)
  • 13-04 - «A taxa de mortalidade subiu para 3%, disse a ministra da Saúde» (DN)
  • 13-04 - «OMS diz que o novo coronavírus é dez vezes mais mortal que o vírus da gripe de 2009» (Público)
  • 15-04 - «Portugal está com uma taxa de mortalidade de cerca de 5,5 por 100.000 habitantes devido à covid-19» (Visão)
  • 16-04 «Portugal tem taxa de letalidade de 3,3%. A média europeia é de 8,6%» (DN)
  • 19-04 - «A taxa de mortalidade belga está perto dos 15%» (Observador)
  • 20-04 - «o que fez baixar ligeiramente a taxa de mortalidade para 3,52%» (Observador)

É claro que qualquer leitor atento perceberia que se fossem taxas de mortalidade estaríamos a falar de centenas de milhar de mortos. Em Portugal 330 mil ou 550 mil, conforme os dias e os jornais, ou, no caso de Itália, mais de meio milhão. A confusão está garantida e o pânico está alcançado.

(Continua)

20/04/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (8) - Enquanto não houver vacina é preciso contacto fora dos grupos de risco para criar imunidade

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

«A gripe espanhola era um vírus muito mais perigoso, mas viajava de barco — demorou muito mais a transmitir-se. Agora um vírus viaja mais depressa, está em todo o lado. Dito isto, é importante as pessoas não entrarem em pânico: este é um vírus relativamente bonzinho.

Vamos pensar. Praticamente, não afeta crianças, adolescentes e jovens adultos. Temos de ter esta noção. E os grupos de risco são pessoas com mais de 70 anos ou com outras complicações de saúde. Embora acima dos 70 anos morrer não seja uma fatalidade, isso não acontece com a maioria desses pacientes. Tivemos o caso, muito bonito, de um idoso com 100 anos que no Hospital de São João recebeu alta passadas quatro semanas. É necessário ter medidas coletivas que protejam em especial estas pessoas sem — e esta é a minha opi­nião pessoal — estagnar a vida daqueles de quem depende o futuro. Os mais jovens não correm grande risco, e temos de arranjar maneira de que eles continuem a viver a sua vida, não pondo os outros em risco.

O confinamento total é muito importante nesta primeira fase, para os serviços de saúde não implodirem. Mas tem o senão de, ao mesmo tempo, não permitir que as pessoas fiquem infetadas. E sobretudo num vírus destes, em que temos uma grande parte da população que não corre riscos. O que vai ter de acontecer é, mais cedo ou mais tarde, passar para uma segunda fase. A imunidade populacional atinge-se de duas formas: permitindo a infeção ou vacinando. Há uma enorme corrida à vacina, com 75 entidades no mundo inteiro oficialmente à procura dela. Cinco destas instituições estão mais avançadas, mas para ter a certeza de que uma vacina é segura existe toda uma série de trâmites a seguir. E todos concordam que vai demorar pelo menos um ano. O que temos de perceber é se estamos preparados para esperar esse ano ou não.

Na minha opinião, não (estamos preparados). Estaríamos a diminuir tremendamente a capacidade dos nossos jovens, com sequelas para o futuro.

Tal como fechámos, lentamente teremos de começar a abrir. Tomar estas decisões é difícil, porque são sempre necessários 15 dias para se ver o efeito de uma medida. 

Há muita gente que esteve em contacto com o vírus e nunca se apercebeu. Pelos estudos feitos, provavelmente de 15 a 20% da população nunca teve qualquer tipo de sintoma. E entre 20 e 80% teve sintomas ligeiros.»

Excerto da entrevista à Revista do Expresso de Maria Manuel Mota, cientista e directora do Instituto de Medicina Molecular, uma voz no silêncio da comunidade científica portuguesa

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (28) - Em tempo de vírus (VI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Senhor Contente, Senhor Feliz, a mesma luta?

Aproprio-me outra vez desta rábula, que me parece perfeita para etiquetar o par a quem competiria conduzir os trabalhos de desencalhe do Portugal dos Pequeninos requeridos por erros nossos e a má fortuna, mais os primeiros do que a segunda, e que, em vez disso, o estão a encalhar cada vez mais.

Um e outro dedicam-se agora à competição de popularidade, nela usando nela o talento que o Senhor lhes emprestou para produzir sound bites em entrevistas, aparições e eventos em que se desdobram todo o santo dia. Chegará a altura em que tentarão empurrar um para o outro as responsabilidades pela provável maior crise económica desde Dona Maria II, sendo certo que neste momento a balança pende mais para o lado de S. Exª. que, movido pela hipocondria e pela compulsão irreprimível de protagonismo, inventou um estado de excepção mais apropriado a um PREC do que a medidas para combater uma gripe.

Mestres do ilusionismo

Em intensa competição com S. Ex.ª, o Dr. Costa aviou em menos de um mês uma dezena de entrevistas e conferências de imprensa e até fez uma performance na "Cristina" e outra no "Goucha". E ainda teve tempo para fazer o número do rebelde sem causa, contrariando Bruxelas e convidando os portugueses a fazer férias cá dentro. Atingiu o pináculo da prestidigitação tirando da cartola, a propósito dos aumentos da função pública, núcleo central da sua freguesia eleitoral, a fórmula «pode não haver condições, como pode haver». Teria feito sucesso nos tempos em que nas feiras da província, regiões a que hoje se chama interior, eram animadas por uma criatura a quem chamavam "vendedor da banha da cobra".

O Lehman Brothers do Dr. Costa

Ponto de situação em constante actualização: 66 mil empresas em lay-off; um milhão de trabalhadores em lay-off,  353 mil desempregados. «Tudo somado» diz o Dr. Centeno são 20 mil milhões de euros só este ano. Tudo somado? Nem pensar. E ainda ao que somar à soma há que subtrair a quebra da produção de bens e serviços que resultante das medidas criadas pelos medos e falta de coragem da dupla Senhor Contente, Senhor Feliz.

Perguntava há um mês e meio o outro contribuinte se o Covid-19 não seria para o Dr. Costa o que o Lehman Brothers foi para o Eng. Sócrates. E eu respondo, sem dúvida, embora com algumas diferenças, a começar pela génese de crises profundamente diferentes e a acabar na quebra de produção que vai ser um múltiplo da crise de 2011. Há contudo uma coisa em comum: o Dr. Costa tentará usar a pandemia como o Eng. Sócrates usou o Lehman Brothers, isto é como um álibi para então justificar anos de desgovernação e, no caso presente, para justificar medidas de combate à pandemia inadequadas e excessivas que estão a matar a economia.

«Nunca estivemos tão bem preparados»

O Dr. Centeno não tem as desculpas dos ignorantes para dizer estas baboseiras, quando na UE28 somos em termos de posição líquida de investimento internacional o 2.º país mais vulnerável, a seguir ao Chipre, e o 3.º na dívida pública, a seguir à Grécia e Itália (segundo o Expresso que em matérias de mostrar buracos é uma fonte credível).

19/04/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (7) - E se o presente "excesso" de mortes resultar da falta de mortes quando deveriam ter ocorrido?

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Um dos espantalhos agitados pelo jornalismo de causas para justificar a suposta imensa gravidade da pandemia do Covid-19 é o facto de o número de mortes estar a ser em muitas regiões e países superior à média nesta altura.

André Dias toca brevemente neste ponto, mas limita-se a constatar que o número diário de mortos não excede os máximos verificados em vários anos anteriores, o que sendo verdade pode não ser toda a verdade.

Há muito que se sabe que, por razões perfeitamente conhecidas, os meses de Inverno são os meses com maior mortalidade sobretudo nos grupos de risco e nomeadamente nos idosos. Ora o que teve de extraordinário o Inverno de 2019-2020 no hemisfério norte? Foi o Inverno mais quente desde que existem registos (os catastrofistas climáticos dizem "mais quente de sempre".

The northern-hemisphere winter of 2019-20 was the warmest ever on land
 E o que acontece nos Invernos mais suaves? A mortalidade cai. Vejamos o caso de Portugal, onde este ano a mortalidade diária caiu bastante nas 5 quinzenas até 15-Março e subiu na 6.ª quinzena quando precisamente tiveram lugar os primeiros 160 óbitos "pelo" e "com" Covid-19. 


Num ano "normal" teriam ocorrido nas 5 primeiras quinzenas cerca de 28 mil óbitos e só ocorreram cerca de 26 mil com toda a probabilidade "poupados" pelo Inverno suave. Muitos desses 2 mil óbitos "poupados" são de idosos ou pessoas de risco que viram a sua vida prolongada. Alguns deles, os 160 óbitos "pelo" e "com" Covid-19 registados na 2.ª quinzena de Março vieram a sucumbir.

Isso justifica o alarme? Nem por isso, se compararmos com o "excesso" de 367 mortes registado na segunda quinzena de Março de 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior, para não falar do "excesso" de 1.744 mortes registado na primeira quinzena de 2017 em relação ao mesmo período do ano anterior. E, no entanto, alguém mandou fechar o país? Isso nem fez primeiras páginas de jornais.

Dúvidas (300) - Eu também tenho essa dúvida?

«O PM atacou a Holanda por falta de solidariedade, criticando o seu governo pela recusa de emprestar dinheiro sem condicionalismos. Ora bem, soubemos esta semana que qualquer ajuda do governo à TAP será com condicionalismos, apesar da crise ser a mesma crise. Ou seja, na doutrina socialista, um país estrangeiro, apesar de europeu, tem mais obrigações em relação a outros países do que o governo de Portugal em relação a uma das principais empresas nacionais. O que dirão os holandeses quando souberem que o governo português não empresta dinheiro a fundo perdido a empresas do seu país? Mas exige que o governo holandês e outros governos se financiem para emprestar dinheiro a países como Portugal a fundo perdido

Pergunta-se João Marques de Almeida e eu com ele e com isto não quero significar que o governo português tenha de emprestar dinheiro dos contribuintes portugueses a fundo perdido a empresas portuguesas. Quero apenas significar que também não vejo porque diabo terão os governos estrangeiros de emprestar dinheiro dos seus contribuintes a fundo perdido ao Estado português que já tem os contribuintes portugueses a quem extorquir dinheiro.

SERVIÇO PÚBLICO: O estado do Estado Federal americano

«Denunciar Washington, DC como disfuncional é um cliché que se tornou aborrecido. No entanto, é verdade. Passei os últimos sete anos escrevendo sobre política americana. Naquela época, apenas algumas leis foram aprovadas pelo Congresso que realmente se pode afirmar que mudaram a América. As outras mudanças legislativas substanciais que surgiram da capital durante esse período não envolveram a legislatura. Eles vieram da Casa Branca, na forma de acções e ordens executivas, e do Supremo Tribunal.

A maior parte da energia política nos Estados Unidos está focada em mudar o que acontece em Washington. Mas a pandemia do Covid-19 é mais um lembrete da importância dos estados. Enquanto o presidente recebe aconselhamento do seu conselho - um augusto corpo de especialistas, incluindo sua filha e genro - sobre como reabrir a América, os governadores estaduais são os que terão que fazer os difíceis escolhas que o coronavírus impõe.

Isso me faz pensar se é possível um tipo mais saudável de federalismo. Os democratas, recordando a oposição aos direitos civis, normalmente vêem com desconfiança argumentos para devolver mais poder aos Estados. Os republicanos são a favor até que controlem a Casa Branca, nessa altura ficam mais interessados ​​em usar o poder federal para impedir um Estado como a Califórnia de adoptar a sua própria agenda progressista.

A diferença entre os índices de aprovação do presidente e os dos governadores estaduais é um lembrete de que é possível criar no nível estadual o tipo de consenso político que permite um bom governo. Acho que não é mais possível fazer isso a nível nacional, seja quem for o presidente. Washington passou a parecer-se cada vez mais com Bruxelas - necessária, mas distante, disfuncional e não amada - enquanto os estados se assemelham a nações. O progresso, em qualquer direcção, deve começar por reconhecer isso e dando-lhes mais poder.»

John Prideaux, US Editor, na newsletter Checks and Balance da Economist

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (6) - Os dados podem não reflectir adequadamente o impacto do Covid-19 (III)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.


«André Dias, PhD., é Doutorado em Modelação de Doenças Pulmonares pela Universidade de Tromso, na Noruega. A instituição que o acolheu é uma das mais prestigiadas do mundo na área de investigação em epidemiologia. https://www.helmholtz-muenchen.de/epi... 

Depois de ter publicado um artigo no jornal ECO e de ter escrito nas redes sociais sobre a forma, na sua opinião injustificada, como o mundo está a lidar com a pandemia do novo coronavírus, começou a ser insultado e a ser alvo de ataques de cibernautas que não aceitam, simplesmente, a sua versão dos factos. 

Esta entrevista foi feita à Qi News no dia 11 de Abril de 2020

Ao expor pontos de vista desalinhados, André Dias seria sempre insultado por gente não preparada para o contraditório e possuída pelo sentimento de manada dominante nas redes sociais. Mas pôs-se mais a jeito por não ter explicado que as taxas de mortalidade publicadas pelos mídia resultam de metodologias diferentes em cada país e, mais importante, não reflectem os dados reais, coisa que os jornalistas de causas, se percebessem, não estariam interessados em esclarecer porque esvaziaria a histeria que vende notícias e cria o pânico propício para se aceitar a intrusão do Estado e a limitação das liberdades, algo que torna húmidos os sonhos da esquerdalhada.

E não reflectem os dados reais pelas razões que expus aqui e aqui e que em síntese resultam de o número de óbitos no numerador estar sobreestimado, por incluir óbitos "com Covid" e não apenas "pelo Covid", e o número de infectados no denominador estar subestimado, porque há muitas pessoas que não têm sintomas ou tem sintomas tão ligeiros que são negligenciáveis e não foram submetidas a testes - há estimativas que apontam para o número real ser 5 a 10 vezes maior.

Quem afinal está disposto a ir contra a manada e colocar a pandemia nas suas proporções e as medidas para a combater na sua razoabilidade? Não muita gente e, em particular, não os políticos do regime que querem aproveitar boleia da "ameaça terrível" para fazer passar a mutualização da dívida institucionalizando um modo dos "pobrezinhos" viverem à custa dos ricos.

(Continua)

18/04/2020

Bons exemplos (132) - A justiça no seu melhor

Amjad Rihan, um engenheiro canadiano especialista em sustentabilidade, que foi partner da EY (Ernest & Young), um dos mais novos de sempre, denunciou um cliente no Dubai suspeito de lavagem de dinheiro e de contrabando de ouro. Como retaliação a EY despediu-o e Amjad Rihan propôs há dois anos uma acção nos tribunais ingleses contra quatro subsidiárias do grupo EY acusando-o que tinha sido forçado a pedir a demissão depois de ter descoberto a lavagem do dinheiro pelo cliente do Dubai, violando os seus deveres profissionais de integridade e objectividade para garantir que as questões que levantou na auditoria não fossem relatadas às autoridades.

O caso percorreu várias instâncias e dois anos depois foi agora resolvido pelo Supremo Tribunal que decidiu condenar a EY a pagar a Amjad Rihan uma indemnização de 10,8 milhões de dólares por o ter envolvido numa «conduta gravemente imprópria» para esconder as conclusões da auditoria. Note-se que isto se passou com um estrangeiro, no estrangeiro com uma empresa estrangeira, cliente de outra empresa estrangeira.

Enquanto isso, aqui nos Portugal dos Pequeninos qualquer acçãozeca da treta que envolva "conduta imprópria" salta de Herodes para Pilatos durante vários anos ou décadas e, se o crime não prescrever, o criminoso é inocentado por falta de prova, e, se não for inocentado, é condenado a uma pena da treta e se, for condenado a uma pena da treta, sai em liberdade passado pouco tempo sem pagar um centavo de indemnizações.

O coronavírus no agitprop do Novo Império do Meio (5) - Estatísticas de causas, a tradição ainda é a mesma coisa (II)

Continuação de outros posts.

Em retrospectiva, o que se passa na China em matéria de dados estatísticos é apenas uma reedição com sabor local do comportamento das autoridades dos Estados que fizeram parte do Império Soviético. A China, apesar de ter abandonado o comunismo, substituindo por um capitalismo do Partido Comunista, manteve e refinou a tradição de tratar a estatística como a arte de torturar os números até que eles confessem. E eles, os dados e os traidores ao Partido, acabam sempre por confessar.

Os indícios de falsificação dos dados relativos à pandemia Covid-19 pelo governo chinês eram cada vez mais fortes e as acusações que começaram pelo presidente americano foram prontamente descartadas pelo jornalismo de causas que não consegue abster-se de reacções pavlovianas a seja o que for que Trump diga, o que devido às suas constantes contradições mostra da parte dos jornalistas de causas algum talento para conseguirem estar contra duas coisas contraditórias.

Até que as autoridades locais de Wuhan reconheceram publicamente que cometeram um erro cuja correcção aumentou em 50% a mortalidade. Não sei se há alguém neste mundo, para além dos 90 milhões de membros do PCC, que acredite num erro de contagem desta magnitude.

Pela minha parte classificaria este discrepância não como um erro mas como o resultado da primeira contagem ter sido segundo os métodos próprios das estatísticas de causas.

17/04/2020

Portugal dos Pequeninos, a caminho na Rota da Seda para ser um satélite do Novo Império do Meio

«Financiamento para salvar TAP poderá vir do maior banco chinês», a acrescentar à participação no capital do grupo chinês HNA.

Citando de memória, participações de controlo em sectores que costumavam ser "estratégicos" na mão de grupos chineses todos eles ligados directa ou indirectamente à nomenclatura do Partido Comunista Chinês:
  • REN Rede Eléctrica Nacional - proprietário da infraestrutura eléctrica
  • Fidelidade - a maior seguradora 
  • BCP - segundo maior banco
  • EDP - maior produtor e distribuidor de electricidade
  • Brisa - maior operador de autoestradas em risco de ser controlada por um grupo estatal chinês

Uma Proposta Modesta Para Evitar que os Activistas Desperdicem Acções e Indignações

Em 1729 Jonathan Swift publicou um panfleto satírico com o título longo e insólito A Modest Proposal: For Preventing the Children of Poor People in Ireland from Being a Burden to Their Parents or Country, and for Making Them Beneficial to the Public.

Desde então, inúmeras Propostas foram baptizadas de «Proposta Modesta». Chegou a vez do (Im)pertinências apresentar também uma Proposta Modesta Para Evitar que os Activistas Desperdicem Acções e Indignações neste Portugal dos Pequeninos a que Falta Dimensão e aos Habitantes Pachorra.

Para aplicar a Proposta Modesta é indispensável separar os Activistas em diferentes classes de Acções, propor-lhes de seguida um Propósito e oferecer-lhes uma Viagem para destinos onde as suas indignações encontrem chão para dar frutos, por exemplo:

  • Activistas Feministas - Níger, Somália ou Mali, ou qualquer outro país onde as mulheres possam ser sujeitas a mutilação genital
  • Activistas Climáticos - China ou qualquer outro país que use intensamente o carvão
  • Activistas da Identidade de Género - Sudão, Irão, Arábia Saudita, ou qualquer outro país onde um gay possa ser condenado à morte 
  • Activistas que culpam Trump pelas mortes pelo Covid-19 - Bélgica, Espanha, Itália, França ou qualquer outro país com maior taxa de mortalidade por Covid-19 
  • Activistas admiradores de "Democracias" Musculadas - Federação Russa, Turquia ou qualquer outro país onde as liberdades sejam meramente formais
  • Activistas do Comunismo - Coreia do Norte, Cuba ou Venezuela ou qualquer outro país que faça parte da lista dos países amigos do PCP ou do BE.

(Work in progress)

16/04/2020

Dúvidas (299) - Como conseguem sem um Trump?

worldometer (às 14:30)
É uma pergunta estúpida? Talvez seja. É uma pergunta pertinente aos jornalistas de causas que fazem títulos e artigos a anunciar o Great American Disaster.

Dúvidas (298) - Podemos confiar na OMS? (com P.S.)

Reformulando a pergunta: podemos confiar no director-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus e na equipa que actualmente dirige a Organização Mundial de Saúde?

Vejamos alguns factos descritos pela revista The Atlantic (How China Deceived the WHO):

«Em Janeiro, quando a pandemia que agora consome o mundo ainda estava ganhando força, um pesquisador de Berkeley chamado Xiao Qiang estava monitorando as declarações oficiais da China sobre um novo coronavírus que se espalhava por Wuhan e notou algo perturbador. As declarações da Organização Mundial da Saúde, o organismo internacional que aconselha o mundo a lidar com crises de saúde, frequentemente faziam eco das mensagens da China. "Particularmente no começo, foi chocante quando eu vi repetidamente o director-geral da OMS, quando falou à imprensa ... quase citando directamente o que li nas declarações do governo chinês", ele me disse.

O exemplo mais notório veio na forma de um único tweet da conta da OMS em 14 de Janeiro: "As investigações preliminares conduzidas pelas autoridades chinesas não encontraram evidências claras da transmissão de humano para humano do novo coronavírus". Nesse mesmo dia, o boletim público da Comissão de Saúde de Wuhan declarou: "Não encontramos provas de transmissão de homem para homem". Mas, a essa altura, até o governo chinês estava fazendo advertências não incluídas no tweet da OMS. "A possibilidade de transmissão limitada de homem para homem não pode ser excluída", disse o boletim, "mas o risco de transmissão sustentada é baixo".

Sabemos agora que isso era catastroficamente falso e, nos meses seguintes, a pandemia global colocou grande parte do mundo sob um bloqueio sem precedentes matando mais de 100.000 pessoas.»

Acrescentemos outros factos:
  • Desde 14 de Janeiro a nomenclatura chinesa estava consciente que se tratava de uma pandemia e em Wuhan deixaram realizar um banquete para dezenas de milhar de pessoas e só no dia 20 Xi Jinping tornou pública a pandemia
  • Em 28 de Janeiro Tedros Adhanom Ghebreyesus foi a Pequim dar os parabéns a Xi Jinping por «estabelecer um novo padrão para o controle de epidemias», enquanto ainda nessa altura as autoridade chineses puniam quem espalhasse "boatos";
  • No dia 3 de Fevereiro quando já havia 17.238 infectados e 361 mortes na China e 151 casos confirmados em 23 países e 1 morte, Ghebreyesus, garantiu não se justificarem medidas que «interfiram desnecessariamente nas viagens e no comércio internacional» para impedir a propagação do coronavírus a partir da China; apesar de o médico chinês Li Wenliang ter alertado em Dezembro para o surto e ter sido intimidado pela polícia chinesa;
  • Durante vários meses a OMS desaconselhou o uso de máscaras (quando na China e por toda a Ásia eram maciçamente usadas);
  • Ajuda a perceber a subserviência de Ghebreyesus sabendo-se que a China foi um apoio vital para a sua eleição, dívida que ele começou a pagar ostracizando Taiwan e agora com a lavagem dos erros e da falsificação de dados sobre a pandemia pela China.
Agora já podemos esclarecer à dúvida com alguma segurança.

Post Scriptum:

Citando Paulo Tunhas que preencheu uma parte da minha ignorância sobre Tedros Adhanom Ghebreyesus: «pertenceu a um facinoroso movimento comunista na Etiópia, que muito o ajudou na sua eleição para o cargo que presentemente ocupa e que um dos seus primeiros gestos desde que eleito para esse cargo foi nomear Robert Mugabe para “Embaixador da Boa Vontade” da OMS.»

15/04/2020

CASE STUDY: Trumpologia (63) - A freguesia eleitoral aceita tudo

Mais trumpologia.

Personagens como Donald Trump suscitam sentimentos extremos: por um lado os seus detractores destilam ódio por todos os poros e rejeitam até o que aceitariam vindo de um dos seus; por outro os seus indefectíveis aceitam e até louvam os disparates mais óbvios e ignoram o que contradiz o que diz defender e até, por vezes, vai contra os interesses de uma parte significativa do seu eleitorado.

O exemplo mais recente de uma medida daquele último tipo faz parte do pacote de US$ 2 biliões de estímulo à economia e consiste numa alteração da fiscalidade de que resultam benefícios fiscais de US$ 90 mil milhões em 2020, dos quais 82% são destinados aos 43 mil contribuintes com rendimentos fiscais superiores a um milhão de dólares por ano e menos de 3% são destinados aos contribuintes com menos de 100 mil dólares, segundo os cálculos do Joint Committee on Taxation um órgão não partidário do congresso. (WP)

Uma parte significativa da base eleitoral de Trump são aqueles a quem Hillary Clinton chamou deplorables e inclui também o operariado branco que nas primárias democratas anteriores votou Sanders, a maioria com rendimentos abaixo de 100 mil dólares.

ADITAMENTO:

Esclarecendo o último parágrafo (que não tem relação nenhuma com «associar o Trump à esquerda radical»):

Pew Research Center

«... these results support the claim that Trump’s appeal to the white working class was crucial for his victory», Trump Voters and the White Working Class, Stephen L. Morgan, Jiwon Lee, Johns Hopkins University

14/04/2020

CASE STUDY: «A única função das previsões económicas é tornar respeitável a astrologia» - A economia portuguesa pós-pandémica (1)

Uma continuação deste post de há quatro anos, com um título que regista um statement de John Kenneth Galbraith, talvez o único que não devemos ignorar de um economista inspirado no que ele considerava ser keynesianismo, mas era mais uma espécie de marxismo serôdio.

Retorno a este tema a propósito das previsões do impacto na economia da pandemia, ou mais rigorosamente, do impacto das medidas resultantes do medo/ignorância/falta de lucidez (escolher ao gosto) da dupla presidente da República-primeiro ministro.


Chegados aqui, se o statement de JKG vos pareceu uma piada, sabendo-se que o país ficará confinado no mínimo um mês e, provavelmente, até às férias, e que o turismo, até agora o verdadeiro sustentáculo do Estado Sucial, é para esquecer este ano, a maioria das previsões citadas são uma confirmação post mortem dessa pérola única do pensamento económico de JKG.

Em tempo: registe-se que a previsão de S. Ex.ª o PR é provavelmente a mais rigorosa. Tal como o Monsieur Jourdain de Molière que fazia prosa sem o saber, talvez nem ele saiba que fez uma previsão.

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (28) - Somos os melhores dos melhores a exaltar os nossos melhores

Outros portugueses no topo do mundo.

Depois de ter tido alta, Boris Johnson agradeceu ao enfermeiro português Luís e à enfermeira neo-zelandesa Jenny os cuidados que lhe prestaram no St Thomas' Hospital.

Em Portugal e na Nova Zelândia a coisa foi celebrada na imprensa como se pode ver nas seguintes pesquisas Google.


Mas há exaltações e exaltações. Como nos ensina S. Ex.ª, somos os melhores dos melhores e mostrámos também que somos os melhores a exaltar os nossos melhores.

13/04/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (27) - Em tempo de vírus (V)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Mestres do ilusionismo

Jura Nelson de Souza que «não vamos deixar cair nenhum grande investimento». Isto dito por um ministro do Planeamento de um governo que nas vacas gordas orçamentou o ano passado 4.853 milhões de investimento público e executou menos 900 milhões, só mesmo o Expresso pode levar a sério.

Nomeadamente, diz-nos ainda o semanário de reverência, que o «Ferrovia 2020 tem 69% do investimento em marcha». Como os restantes 31% ainda estão na fase de projecto, supõe-se que os 69% em marcha significam que já existe projecto, daí até à obra mover-se com a economia parada é precisa uma enorme fé só ao alcance dos crentes.

Não, isto não foi causado pelo coronavírus, foi causado pelo vírus socialista

No estudo relativo à 11.ª missão de avaliação ao pós-programa de resgate a CE são destacadas as maiores ameaças: problemas estruturais da despesa com (1) os salários da função pública (resultantes, recorde-se, das "reposições", 35 horas etc.), (2) a segurança social e (3) a despesa com saúde, problemas que tornam difícil a redução de uma dívida pública cujo rácio é um dos mais elevados do mundo. A quarta ameaça são os riscos para a estabilidade financeira com o aumento do crédito hipotecário e ao consumo. Com as consequências das medidas em curso para conter a pandemia tudo isto é história que apenas devemos recordar para concluir que partimos descalços para esta "guerra", como lhe chama o Dr. Costa, porque o socialismo vendeu as nossas botas.

Também as exportações já estavam a desacelerar antes da pandemia, e o défice da balança comercial de bens até Fevereiro aumentou 170 milhões para 1.547 milhões.

É claro que também não teve a ver com a pandemia a última queda da taxa de poupança das famílias para 6,7% do rendimento disponível, que compara com 13,0% da Zona Euro. Como disse o honorável capitalista Warren Buffett, é quando a maré baixa que se vê quem tem calções e no nosso caso nem cuecas, só talvez uns testículos mirraditos.

A evaporação de temas fracturantes, uma consequência inesperada da pandemia (2)

Continuação desta evaporação

Mais temas até recentemente urgentes e avassaladores que se evaporaram dos mídia:
  • A violência doméstica
  • A ameaça fascista do Chega
  • A ascensão imparável de Bernie Sanders, o socialista que haveria de livrar os americanos das garras de Trump
  • Os temas relacionados com a invasão turística, tais como:
  • A "gentrificação" de Lisboa, causada pelos estrangeiros que compram casas nas zonas históricas
  • A descaracterização do nosso querido património pelo turismo de massas
  • A poluição de Lisboa pelo navios de cruzeiro que trazem o turismo de massas
  • A falta de habitação "digna" pela invasão do alojamento local.
(Work in progress)

12/04/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (5) - O passado pode ensinar-nos alguma coisa sobre o presente

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Visual Capitalist
Até agora, as estatísticas da OMS mostram um número de óbitos relacionados com Covid-19 um pouco superior a 110 mil (110.827 no momento em que começo a escrever este post). Na verdade, na maior parte dos países, incluindo Portugal, não se trata apenas de mortos pelo "Covid-19" mas de morte com "Covid-19". Ou seja, contam-se como vítimas do pandemia todas as pessoas que morrem infectadas o que, como escrevi no post anterior, faz tanto sentido como classificar como morte por gripe comum os casos em que um doente terminal morre constipado.

Ainda assim, nesta altura, a pandemia em curso é uma das menos mortíferas registadas na história, com pouco mais de metade das mortes da Swine Flu, conhecida entre nós por Gripe A, causada pelo vírus de gripe H1N1, aparentado ao da Pneumónica (Spanish Flu) de há cem anos.

Estima-se que a Gripe A tenha há dez anos infectado 700 a 1.400 milhões ou 11 a 21% da população mundial de então, ou seja mais do que a Pneumónica (Spanish Flu) apesar de ter causado apenas 2% a 4% das mortes desta. A pandemia actual, depois de mais de quatro meses (começou em Dezembro em Wuhan) infectou até agora menos de dois milhões. Um estudo realizado em 2010 concluiu que o risco de doença grave resultante da gripe H1N1 de 2009 não era maior que o da gripe sazonal, que a OMS estima que cause 250.000 a 500.000 mortes por ano.

Quem se lembra hoje da pandemia de Gripe A há dez anos? Por que razão não despertou a excitação dos mídia nem a histeria colectiva como a pandemia do Covid-19? Provavelmente por uma coincidência de várias razões entre as quais o facto dos primeiros casos da Gripe A terem surgido nos Estados Unidos e ter-se concluído na altura que o vírus tinha origem no México, enquanto a pandemia actual foi primeiro identificada num local "exótico".

(Continua)