Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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07/06/2026

Por que razão a direita não se une?

A pergunta é o título deste artigo de André Abrantes Amaral (AAA) e poderia ser, mas não é, uma pergunta retórica. A resposta de AAA situa-se no domínio da política portuguesa e não vou comentá-la porque o que me interessa é a questão mais geral, para concluir, uma vez mais, como aqui, por exemplo, o que toda a gente sabe ou deveria saber, mas é quase sempre esquecido ou desconsiderado.

Political Compass

Não há uma direita, há várias direitas, e entre essas direitas, em certos casos, há mais diferenças (por vezes inconciliáveis) do que entre algumas esquerdas e algumas direitas. É o que o próprio AAA reconhece quando conclui que «parte da direita que hoje é maioritária no parlamento defende uma maior intervenção do estado na economia, é socialista em termos económicos».

19/04/2026

CASE STUDY: Democracias defeituosas (7) - O contributo do PS para a democracia em Portugal é quando deixa de governar

Outras democracias defeituosas.

O Portugal do governo PS, classificado como “flawed democracy” em 2023, melhorou em 2024 com o governo AD para “full democracy”, alcançando a 23ª posição. A pontuação de Portugal melhorou de 7,75 em 2023 para 8,08 em 2024 e voltou a subir para o 20.º lugar com 8,28 em 2025. 

Fonte

O governo do Dr. Montenegro é melhor a promover a democracia do que a reformar, talvez (um simples talvez) porque a maioria dos portugueses não gosta de reformas que cheiram a "sacrifícios" e, sobretudo, odeiam a incerteza, sendo que se há coisa em que os portugueses são notáveis é na aversão ao risco, talvez (um simples talvez) porque durante cinco séculos se deu uma espécie de anti-selecção, em que foram saíndo os afoitos e ficando os acomodados.


Já o governo do Dr. Trump faz o seu melhor para piorar a democracia e seu melhor para empatar guerras que não fazia ideia de qual o propósito com inimigos da terceira divisão, descendo mais uma vez para o 34.º lugar com 7,65 pontos.

14/03/2026

CASE STUDY: Um imenso Portugal (67) - Um Brasil igual ao Chile e mais do que Alemanha

Outros imensos Portugais

Com um défice orçamental nominal de 8-9%, o rácio da dívida pública do Brasil de Lula da Silva tem vindo a crescer de 62% em 2010, sendo actualmente quase o dobro da média dos rácios dos países latino-americanos, e o FMI estima que em 2030 atingirá 99%.  

Por coincidência, 62% em 2010 era aproximadamente o rácio da dívida portuguesa antes de José "Animal Feroz" Sócrates, amigo do peito de Lula da Silva, ter iniciado em 2005 o caminho para a bancarrota. Por outra infeliz coincidência, o rácio do Brasil, estimado pelo FMI para 2030, de 99% está próximo dos 98% de Portugal registados em 2023.

Uma das maiores ameaças ao equilíbrio fiscal é o sistema de segurança social cujas pensões, que representam actualmente 10% do PIB, representarão em 2050 uma percentagem mais elevada do que a da Alemanha e da média da OCDE, países muito mais envelhecidos do que o Brasil. Com uma estrutura etária semelhante à Chile ou do México, os gastos com pensões do Brasil já atingem em percentagem do PIB o nível do Japão.

Diferentemente do que di Lampedusa prescreveu para a Sicília, no caso do Brasil (e de Portugal) é  preciso que muito mude e nada fique na mesma.

19/02/2026

Senile leftism, the woke right and the woke left are more alike than you think.

Fonte                                                                              Fonte

As you can see in the diagram on the left, the older the leftists, the more they appreciate the demonstrations.

The diagram on the right shows that ​​the old left woke is in decline, and the new right woke is on the rise. So they are different, yet both are similar in their difficulty in dealing with differences and in their attempts to silence dissenting voices.

27/01/2026

A democracia não está em perigo. É a inteligência que está em perigo

Este post pode ser lido como sequela de O inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo e
O estatismo populista e o estatismo socialista partilham o estatismo.

Nos dois diagramas seguintes estão representadas os resultados das respostas deste vosso escriba ao Votómetro Presidenciais 2026 do Observador, respostas que constituem um exemplo de como uma criatura pode estar praticamente equidistante dos dois candidatos em relação aos temas escolhidos, não se identificando com nenhum deles. O quid reside em quais os temas em que essa criatura está mais próxima ou afastada dos referenciais dos dois candidatos, algo quase impossível de compreender por uma mente unidimensional.


A democracia, por agora, não está em perigo. É a inteligência que está em perigo, disse sagazmente Manuel João Vieira, talvez lembrando-se do general Millán-Astray a gritar a Miguel de Unamuno "¡Muera la inteligencia! ¡Viva la muerte!

Não está em perigo a inteligência do Doutor Ventura, que é "esperto que nem um figo" ou “fino como o alho”, mas a inteligência dos seus seguidores, que o "líder da direita" (se ele é isso, eu sou o Clark Kent) insulta, excitando a amígdala e entorpecendo o neocórtex com seu discurso primário e inflamado.

24/01/2026

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O estatismo populista e o estatismo socialista partilham o estatismo

 Este post pode ser lido como sequela de O inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo.

«Chamar “socialista” a Ventura, como fiz deliberadamente no título, não é rigoroso em termos clássicos de ciência política. É uma provocação. Mas não é uma provocação absurda, e importa explicar porquê.  

(...)

Para quem considere exagerado atribuir a Ventura uma veia “socialista”, os factos ajudam. No último Orçamento do Estado, PS e Chega votaram juntos 82 vezes em alterações orçamentais. Sempre que a solução passava por “dar coisas”, aumentar despesa ou socializar custos, PS e Chega encontraram-se. 

Se a questão for um pequeno ajustamento nas propinas, ainda que simbólico, aproximando-as do seu custo real e responsabilizando os estudantes, PS e Chega unem-se para impedir. 

Se a escolha for entre o pagamento de uma portagem pelo utilizador ou a sua diluição pelo contribuinte, PS e Chega convergem na promoção da ilusão da gratuitidade. 

Se a TAP escapar ao controlo do Estado, ambos chorarão o desaire. 

O estatismo de Ventura é, aliás, tão pronunciado que durante a vaga inflacionista causada pela guerra na Ucrânia defendeu preços tabelados e margens controladas — uma proposta que nem a própria Mariana Mortágua chegou a avançar. 

Mas a convergência não se esgota no que defendem; manifesta-se também no que não têm coragem de defender. Nenhum dos dois foi capaz de apoiar claramente o pacote laboral, mesmo quando este se apresentava como tímido e moderado. Nenhum teve a coragem política de se demarcar da greve geral, preferindo acenar à rua, aos sindicatos e ao descontentamento organizado, em vez de assumir uma posição responsável, ainda que impopular. Ambos revelam a mesma aversão ao conflito reformista e a mesma dependência do aplauso imediato. 

Tudo isto conduz a uma conclusão desconfortável para muitos dos seus apoiantes: ao nível do modelo económico, as diferenças entre Ventura e Seguro são reduzidas. Ambos defendem soluções assistencialistas incapazes de gerar crescimento sustentado e criação de riqueza a longo prazo. Nenhum parece disposto a promover as reformas estruturais, quase sempre dolorosas, de que o país necessita. Mantendo a terminologia provocatória do título: ambos são socialistas.»

Vamos ter um Presidente socialista. Resta saber qual, Miguel A. Baptista

08/11/2025

Trump vs Reagan, não podiam ser mais diferentes

«Na sexta-feira à noite [da semana passada], enquanto os Toronto Blue Jays iniciavam a World Series contra os Los Angeles Dodgers, foi exibido durante o jogo um anúncio "anti-tarifas" do governo provincial, apresentando excertos de um discurso de Reagan na rádio, de 1987. O anúncio reorganizou as palavras de Reagan, mas não alterou necessariamente o seu teor: Reagan, um republicano do final do século XX, era a favor do comércio livre. Trump, o autoproclamado "Homem das Tarifas", não gostou da recordação. Sugeriu que o anúncio tinha sido gerado por inteligência artificial e, posteriormente, chamou-lhe "fraude" ao anunciar um aumento de 10% nas tarifas sobre os produtos canadianos.

À primeira vista, Trump e Reagan pertencem à mesma linhagem. Ambos são figuras emblemáticas do Partido Republicano e da política nacional, que alcançaram o seu prestígio ao transpor as capacidades aprimoradas num mundo mediático para outro. Reagan, ator de cinema e porta-voz, adaptou-se perfeitamente à presidência, transformando-a numa série de cenas televisivas. Trump, a caricatura dos tablóides e estrela de reality shows, conquistou a atenção dos americanos de forma quase inabalável, transformando a presidência num fluxo interminável de indignação e provocação.

Contudo, os ambientes mediáticos em que ambos prosperaram não podiam ser mais diferentes. Recompensam tons, ritmos e compreensões radicalmente distintos do que significa autoridade política. O conflito em torno do anúncio de Ontario não se resume, portanto, à mudança de posição do Partido Republicano em relação ao comércio. Expõe como o nosso ambiente mediático remodelou a própria performance da presidência. (...)

16/10/2025

Dúvidas (361) - Desta vez será diferente? Poderá a IA vir a ser a bolha DotCom do século XXI? (2)

Continuação de (1)

Gita Gopinath, actualmente professora de economia de Harvard, foi entre 2019 e 2022 economista-chefe e de 2022 a 2025 vice-presidente do FMI, escreveu recentemente na Economist um texto onde defende que a bolha actual será diferente da DotCom - terá um impacto muito maior. Aqui vai um extracto: 

«O mercado de ações americano tem oscilado ultimamente em meio a um aumento nas tensões comerciais, mas permanece perto de seu recorde histórico. O aumento, alimentado pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial, atraiu comparações com a exuberância do final dos anos 1990, que culminou no crash das DotCom de 2000. Embora a inovação tecnológica esteja inegavelmente remodelando as indústrias e aumentando a produtividade, há boas razões para nos preocuparmos com o facto de que o "rally" actual possa estar a preparar o terreno para outra dolorosa correção do mercado. As consequências de tal acidente, no entanto, podem ser muito mais graves e globais do que as sentidas há um quarto de século. (...)

Em suma, é improvável que um crash do mercado hoje resulte na breve e relativamente benigna desaceleração económica que se seguiu ao estouro da DotCom. Há muito mais riqueza em jogo agora - e muito menos espaço político para suavizar o golpe de uma correção. As vulnerabilidades estruturais e o contexto macroeconômico são mais perigosos. Devemos preparar-nos para consequências globais mais graves.»

Às almas que eventualmente sonhem que isto nada tem a ver com o que se passa no Portugal dos Pequeninos, recomenda-se que façam uma retrospectiva rápida às circunstâncias que se seguiram a algo que ainda teria menos a ver com o que se passava na Ditosa Pátria - a chamada crise do subprime de 2008. A quem já se tenha esfumado na memória e preferir rever a coisa numa perspectiva divertida, em alternativa a ler alguns das dezenas de posts deprimentes que na época publicámos, recomendo que visionem este vídeo da época.  

(Continua)

12/10/2025

Dúvidas (360) - Desta vez será diferente? Poderá a IA vir a ser a bolha DotCom do século XXI? (1)

Decorridos 25 anos, muito poucos se recordarão do que ficou conhecido como a bolha DotCom que rebentou no início deste século. Recordemos pois em que consistiu.

«A bolha DotCom foi desencadeada pelo surgimento da World Wide Web e seu navegador potente, mas fácil de usar, o Mosaic. Fornecedores e investidores declararam como a Web transformaria os negócios da noite para o dia, criando a "Nova Economia", onde tudo acontecia em "tempo real" e o comércio se movia na velocidade dos elétrons. Amazon.com surgiu e cresceu rapidamente vendendo livros online, e todas as outras indústrias ficaram com medo de serem "Amazonadas" por uma start-up. A corrida era para construir capacidade de rede e enormes fazendas de servidores, e muito dinheiro foi investido. No final, a Web se tornou um modelo de negócios bem-sucedido, mas aconteceu mais na taxa da tendência histórica da tecnologia (crescimento de 11% ao ano), não na taxa da tendência da bolha. (...) As bolhas são curvas S que colapsam muito rapidamente por causa da percepção/pânico de que o valor que está sendo criado é "fictício", muitas vezes caindo em cerca de um terço do tempo que levaram para subir.»

(Continua)

26/06/2025

CASE STUDY: Democracias defeituosas (6) - Mais do que defeito, continua a ser feitio

Quando publiquei o post anterior (Democracias defeituosas (5) - Mais do que defeito, continua a ser feitio) não tinha ainda tido acesso ao relatório completo com informação específica sobre a democracia portuguesa.

Por exemplo, não tinha relevado que o Portugal do governo PS, classificado como “flawed democracy” em 2023, melhorou com o governo AD para “full democracy” e foi o terceiro país com maior upgrade do índice.


Melhoria que a The Economist Intelligence Unit descreveu assim:
«Portugal foi promovido a "democracia plena" no Índice de Democracia de 2024, subindo oito posições no ranking global, alcançando a 23ª posição. A pontuação de Portugal melhorou de 7,75 em 2023 para 8,08 em 2024, impulsionada por melhorias nas categorias de funcionamento do governo e cultura política. O país foi despromovido para uma "democracia falhada" em 2011 e recuperou o estatuto de "democracia plena" em 2019. No entanto, as limitações à liberdade individual resultantes da pandemia de covid-19 fizeram com que Portugal fosse novamente despromovido para uma "democracia falhada" em 2020. A pontuação do indicador que avalia o grau em que os cidadãos portugueses acreditam que a democracia é boa para a economia, com base nos dados do World Values ​​Survey (WVS), melhorou de 0,5 para 1 em 2024. Os dados da WVS sugerem que uma maior parte da população acredita agora que um sistema democrático forte é também benéfico para o desempenho económico.»


No final, não há grandes motivos para celebrações porque o Portugal dos Pequeninos ficou no penúltimo lugar das "democracias plenas" numa lista de 25 países liderada pela Noruega, seguida da Nova Zelândia`, ex aequo com a República Checa e apenas à frente da Grécia.

18/04/2025

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Os defensores das cotas atribuem às mulheres uma baixa cotação

«As sacrossantas cotas, porque “as cotas favorecem as mulheres”. A sério? Quais mulheres? Sim, as cotas favorecem as incompetentes e prejudicam as mais capazes. Mais uma vez, tratam as mulheres como se fossem iguais entre si, apenas diferentes dos homens, velhacos sem emenda que só pensam em achincalhá-las. Na verdade, é precisamente o contrário. Ser contra as cotas é compreender que homens e mulheres têm a mesma aptidão para atingir o mérito. Os homens não são à nascença mais capazes do que as mulheres, portanto, as mulheres não precisam da condescendência dos homens para chegar aos lugares reservados pela esquerda. Nenhum cidadão merece ser castigado por nascer homem. E nenhum cidadão, homem ou mulher, precisa de ser protegido com paternalismo. As cotas são uma forma de infantilização.»

«Dia das Mulheres Extraordinárias», Margarida Bentes Penedo no Observador

13/03/2025

SERVIÇO PÚBLICO: Caminhando com inteligência sobre o campo minado do sexo e do género - leitura recomendada

Em dois artigos (que continuarão) Patrícia Fernandes, professora da universidade do Minho, tratou com inteligência e sem pré-conceitos o tema incendiário das diferenças entre o masculino e o feminino. Os excertos seguintes são à laia de teaser para uma leitura dos artigos originais: «As mulheres mudam a política?» (1) e (2).

«A distinção entre sexo e género tornou-se aí evidente: parte substancial da rigidez das sociedades tradicionais no que diz respeito aos papéis sociais de homens e mulheres dissolveu-se e tornou-se mais claro o que era convencional e o que era natural. O problema é que se gerou uma tal obsessão com a igualdade que se absolutizou o género, levando à desconsideração da dimensão natural. Este é um aspeto fundamental para compreender a evolução da teoria e da prática políticas nas últimas décadas do século XX até aos nossos dias: o problema não está no reconhecimento do género enquanto papel social, mas está no passo seguinte de esquecer que o “sexo” também existe, ou seja, que existe uma realidade material, biológica e condicionada por mecanismos evolutivos e adaptativos que não podemos recusar.

(...)

Desafiando o paradigma liberal – que, na senda de Immanuel Kant, tende a universalizar o sentido do humano e a desvalorizar a dimensão da identidade –, seria possível afirmar que as mulheres podem trazer um fator de novidade para a política, oferecendo novas interpretações dos factos e condicionando as políticas públicas que são adotadas. Simplesmente, não podemos confundir novidade com bondade. Trata-se de um erro muitas vezes formulado nesta discussão: mas ser diferente não significa ser melhor.

Este argumento apresenta ainda uma especial vantagem interpretativa por nos tornar mais capazes de compreender um fenómeno que parece surpreender a maioria dos comentadores: por que razão existem tantas mulheres em partidos de direita radical, apesar de estes parecerem defender políticas desfavoráveis às mulheres? À esquerda, muitas feministas acusam estas mulheres de estarem submetidas à lógica do patriarcado, mas se considerarmos o modo como as mulheres foram desenvolvendo estruturas adaptativas para lidar com as suas particularidades biológicas, é possível reconhecer que discursos centrados na família e na segurança e que apelam a motivações menos individualistas e mais direcionadas para o grupo e para a pertença se tornam mais atrativos para as mulheres e mais próximos dos seus interesses. E elas encontram isso nos partidos mais identitários, quer à esquerda, quer à direita.»

06/03/2025

CASE STUDY: Democracias defeituosas (5) - Mais do que defeito, continua a ser feitio

A semana passada a Economist publicou o EIU’s Democracy Index que mostra uma queda média de 5,23 para 5,17, confirmando o declínio da democracia onde apenas vivem 45% da população mundial, dividindo-se os restantes entre o regimes "híbridos" (15%) e os autoritários (39%). 

The Economist


A Noruega foi pelo 16.º ano considerada o país mais democrático com 9,81, seguido da Nova Zelândia e da Suécia. Os EUA, que vêm descendo desde 9,6 em 2006, ficaram pelos 7,8, valor que se mantém desde 2021. Quanto a Portugal aumentou o índice de 7,8 em 2023 para 8,1 em 2024, o segundo maior valor desde 2006, e subiu no ranking para 31º para 23º, mostrando que a democracia não teve saudades do socialismo e do Dr. Costa.

06/12/2024

Mitos (344) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (15) - As diferenças não são pelas razões que o woke inventa e, em qualquer caso, estão a diminuir

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

Em retrospectiva: o pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem-nascidos e mal-nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 géneros disponíveis.

Um dia destes deparei-me com o gráfico seguinte onde se representam as alterações entre os anos 2013 e 2017 das diferenças de salário entre os profissionais dos dois sexos com mestrados e os profissionais com licenciaturas, no Reino Unido em diferentes áreas académicas.

The Economist

Em primeiro lugar, constata-se que nesse período os ganhos dos mestrados em relação às licenciaturas diminuíram nas áreas soft e a aumentaram nas áreas mais técnicas. Em segundo lugar, e mais importante para esta questão "sexual", é que os ganhos das mulheres com o upgrade da licenciatura para mestrado foram em todas as áreas superiores aos dos homens, e no caso das tecnologias muito superiores. Note-se que se estão a comparar os ganhos com a maior qualificação e não os níveis salariais entre homens e mulheres, que certamente continuam ainda a ser superiores no caso dos homens, não por qualquer discriminação, de resto proibida por lei  e inaceitável nas empresas, mas pela razão de os homens ainda desempenharem funções e deterem cargos mais qualificados. Aqui a palavra-chave é ainda, porque estes dados demonstram precisamente que as diferenças se estão a reduzir.

06/11/2024

Vitimizar e vitimizar-se são os verbos mais conjugados no Portugal dos Pequeninos

O modelo 5-D de Geert Hofstede (várias vezes citado neste blogue) inclui a dimensão feminilidade / masculinidade em que o Portugal dos Pequeninos obtém um score que o posiciona no sétimo lugar mais feminino nas cinco dezenas de países que foram estudados. Este estereotipo feminino (que existe, como existem os cromossomas sexuais X e XY), inclui a simpatia pelo desafortunado, a valorização da vítima e o ciúme pelo sucesso. Ocorreu-me esta epifania laica ao ler o artigo de opinião «República das “vítimas”» de Pedro Gomes Sanches do qual não resisto a citar o seguinte excerto:
«Se és “racia­lizado”, és vítima de racismo, se és mulher, és vítima de machismo, se és imigrante, és vítima de xenofobia, se não tens casa, és vítima do turismo, se não te identificas com o sexo com que nasceste, és vítima de transfobia, se gostas de alguém do mesmo sexo, és vítima de homofobia, se não tens bom desempenho escolar, és vítima da meritocracia, se vives, és vítima das alterações climáticas.

Sempre que se pergunta a uma destas “vítimas” por que não rompe com essa condição ouve-se a mesma resposta: a sociedade capitalista, liberal, branca e heteropatriarcal é opressora e não deixa.»

E, já que estou com a mão na massa, e a propósito do Dia Mundial do Cuidador Informal que se comemorou ontem, remeto para com um artigo com o saboroso título “De que vale ter o estatuto?” Cuidadores pedem que cuidem deles em que se dá voz aos 15 mil cuidadores recenseados pela Segurança Social que esperam eles próprios terem um cuidador formal que, como se adivinha, é o Estado sucial, afinal o cuidador em cujo colo quase todos os portugueses ambicionam acolher-se.

17/10/2024

Não há valores universais. Há os valores ocidentais que apelam à universalidade

Baseado nos World Values Surveys realizados em cada cinco anos que entrevistam dezenas de milhares de pessoas em países de todo o Mundo (130 mil em 90 países no último inquérito), a Economist publicou o ano passado um estudo (*) onde compara os valores predominantes nesses países e a sua evolução entre 1990-98 e 2017-22.

Esses valores são organizados em dois eixos: Tradicional-Secular, onde é avaliada a influência da família e religião e o respeito pela tradição, por um lado, em oposição às crenças não religiosas e ao pensamento mais científico; Sobrevivência-Autoexpressão, onde é avaliado a ligação a um grupo, etnia, nação ou raça, ou seja valores colectivistas, por um lado, em oposição ao individualismo.

Os resultados representados nos diagramas seguintes são muito sugestivos e mostram diferenças notáveis e uma evolução distinta em três décadas, representada nos diagramas seguintes correspondendo os pontos a países individuais.

O primeiro diagrama mostra uma evolução contraditória que esconde a evolução diferente entre as regiões, diferença que os diagramas seguintes confirmam.


Nestes três últimos diagramas torna-se visível que a evolução entre 1990-98 e 2017-22 foi muito diferente nos três conjuntos de países: Língua inglesa/Protestantes que se tornaram mais seculares; Ortodoxos que se tornaram mais tradicionais e Latino Americanos que se tornaram ligeiramente menos tradicionais e menos colectivistas.

No diagrama seguinte representa-se a situação actual de três conjuntos de países em três grandes regiões (os inquéritos não abrangeram os países asiáticos).


E a conclusão é que, no conjunto, os valores dominantes na Europa, que os europeus tomam como valores universais, são completamente distintos dos latino-americanos e africanos-islâmicos que têm em comum um forte tradicionalismo, ainda que partilhem em graus muito diferentes os valores colectistas-individualistas, estando os latino-americanos mais próximos dos europeus a este respeito.

___________

Desde há 20 anos que cito regularmente (por exemplo aqui) os estudos do antropólogo holandês Geert Hofstede que comparou as culturas de dezenas de nações, usando um modelo que considera quatro dimensões na cultura dominante de uma sociedade, entre as quais a dimensão individualismo / colectivismo. Desses estudos resultam conclusões compatíveis com e complementares às retiradas dos World Values Surveys.

02/10/2024

CASE STUDY: Um imenso Portugal (66) - O problema maior deles (e o nosso) é a mediocridade

Outros imensos Portugais

«Na verdade, tanto nos governos de Lula - sobretudo este Governo atual -, como no Governo de Bolsonaro, o que conduz o país é um casamento entre os interesses do rentismo financeiro, de um lado, e o "pobrismo", do outro. O "pobrismo" é a distribuição de esmolas aos pobres, à massa popular. E o rentismo é a rendição do Governo aos interesses financistas, nacionais e estrangeiros, na suposição inteiramente sem fundamento de que essa rendição aos interesses financeiro levará a um investimento e ao crescimento, e de que o que sobrará do crescimento poderá ser usado para pacificar a maioria popular. Isso nunca aconteceu. Nenhum país no mundo se desenvolveu com dinheiro dos outros ou pela rendição aos interesses financistas. Mas foi isso que tivemos no Brasil: o rentismo financeiro, o pobrismo - e o terceiro elemento são as guerras culturais da direita, que são a imagem inversa da política identitária da esquerda. Ou seja, duas maneiras de evadir dos problemas estruturais do país. O resultado de tudo isto é que, embora o Brasil seja um dos países mais desiguais na História da Humanidade, o nosso problema maior não é a desigualdade. O nosso problema maior é a mediocridade.»

Excerto da entrevista ao Expresso de Roberto Mangabeira Unger, brasileiro e professor de Harvard

22/09/2024

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Viva a diferença!

Este post poderia ser e não é uma continuação deste outro

 «A afirmação de que as mulheres não devem ser discriminadas foi substituída pela ideia de que homens e mulheres são realmente iguais.

(...) ao confundir “fairness” [equidade ou justiça] com “sameness” [igualdade], muitas feministas têm defendido políticas públicas que forçam a igualdade, sem considerar as diferenças. Mas se as considerassem, percebiam que muitas situações interpretadas como discriminação ou injustiça resultam, na verdade, de homens e mulheres terem características diferentes e revelarem, por isso, interesses diferentes. Interesses diferentes, não capacidades diferentes, determinam escolhas diferentes – e, por essa razão, estabelecer, por princípio, a regra dos 50% na ocupação de lugares ou profissões, como muitas feministas fazem, é simplesmente arbitrário e contraprodutivo.»

Excerto, à laia de teaser de Os problemas da teoria da autodeterminação de Patrícia Fernandes

27/07/2024

Pro memoria (434) - The difference between a comedian and a buffoon demagogue is just one of the least important differences


On March 30, 1981, John W. Hinckley Jr., a nuts, fired several shots to impress Jodie Foster with whom he was in love, and seriously injured President Ronald Reagan, who upon arriving at the hospital told a joke to his wife.


43 years later, Thomas Matthew Crooks, another nuts and registered Republican voter, fired several shots and one of them hit the ear of former president and current candidate Donald Trump, who soon after got up from the ground and made a gesture and exhorted the public.

02/07/2024

Os Polícias Unidos Vencerão do Processo Reivindicativo em Curso do Dr. Ventura fazem lembrar os SUV do PREC

«Preciso que venham para o Parlamento, nas galerias e fora do Parlamento, mostrar a força, a força que este país sempre reconheceu às polícias, às forças de segurança. Todos ao Parlamento para fazer a correção de um injustiça histórica às nossas polícias e forças de segurança.»
Dr. Ventura, presidente do Chega (fonte)