Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

23/11/2006

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: aversão ao risco é o que nos sobeja

A propósito do desemprego e da inflexibilidade das leis laborais transcreve o Blasfémias um comentário de Jorge A. de onde respigo a seguinte passagem: «não acredito que a aversão ao risco dos portugueses, seja maior que noutras sociedades, simplesmente o risco cá é maior. As leis que regem o mercado de trabalho é que deviam mudar radicalmente».

Nada mais errado. Não é por acaso que as leis laborais portuguesas são o que são. Elas são assim porque a aversão ao risco dos portugueses não é apenas maior do que noutras sociedades, ela é uma das maiores do planeta, como demonstraram os estudos de Geert Hofstede (*) a que o Impertinências já fez referência várias vezes (por exemplo aqui). E o risco, isto é a combinação da probabilidade dum evento e das suas consequências, por cá não é maior, é menor, porque a probabilidade de perder o emprego é baixa e as suas consequências são mitigadas por um generoso esquema de subsídio de desemprego.

Se ser uma das sociedades com maior aversão ao risco não fosse tragédia suficiente, a sociedade portuguesa acumula com o facto de ser uma sociedade tão colectivista como as asiáticas (que têm uma aversão ao risco menor, ou mesmo geralmente muito menor, do que a portuguesa).

É por isso que os portugueses apreciam tanto o liberalismo como a sarna.

(*) Em boa verdade, o trabalho de Hofstede só confirma o óbvio ululante que resulta da observação do estereotipo do trabalhador luso.

Sem comentários: