Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

26/11/2022

Is Trumpism letting Trump down? Most likely. Dispassionate advice to devotees: start betting on another horse

Continuation from here and there.

Some overwhelming facts:

«Facing off against an unpopular president, decades-high inflation and an ideological lurch to the left in public policy, America’s Republicans have managed to score a most impressive triumph: the worst performance in midterm elections in recent history. Since 1934, the party in control of the White House has lost 28 seats on average in the House of Representatives; as The Economist went to press, the Republican Party looked likely to gain only eight. In the Senate, the opposition usually gains four seats; Republicans have lost one. When all the votes are tallied the party will win the House popular vote by only about 2 points, a swing of 4 since the 2020 election. That is half the swing in the popular vote for every midterm this century.» (Quantifying the Trump effect)

«Wall street is turning its back on Donald Trump. In recent days financiers who had donated hundreds of millions to the Republican Party have publicly withdrawn their support for the former president. On November 16th Stephen Schwarzman, chief executive of Blackstone, a private-equity company, said he would back someone from a “new generation” of Republicans in 2024. The same day Thomas Peterffy, founder and chairman of Interactive Brokers, said the party needed a “fresh face.” Ken Griffin, chief executive of Citadel, a hedge fund, was bluntest. On November 15th he branded Mr Trump a “three-time loser” and announced his support for Ron DeSantis, the governor of Florida. Why are donors deserting the former president—and how much will it matter?» (Why Republican donors on Wall Street are abandoning Donald Trump)

«Elon Musk says he would support Ron DeSantis for president if he runs in 2024» (Fox Business). Elon Musk - a notoriously fickle creature - letting down Trump means something, but much less than the positions of other tycoons.

25/11/2022

Como é que um@ garot@ que fica agarrad@ à saia da mãe até aos 34 anos pode votar aos 16?

Não sei o que passou pela cabeça dos dirigentes do PSD quando decidiram apresentar uma proposta de revisão constitucional para reduzir para 16 anos a idade mínima para votar
 
Estimated average age of young people leaving the parental household 

Aos 16 anos a um jovem ainda lhe faltam em média quase 18 anos para dar corda aos sapatos, abandonar o aconchego do lar e ir tratar de sua vidinha. Por isso ocorre-me requerer aos autores desta proposta para explicarem ao povo ignaro como é que uma criatura que não sabe tomar conta de si tem maturidade e clarividência para escolher as criaturas que nos (des)governarão.

Peço deferimento

24/11/2022

Affirmative action is a distraction from broken social elevator and legacy admissions in American college are unfair

«Affirmative action in American college admissions may be about to end. On October 31st the Supreme Court heard two cases in which lawyers argued that the current practice—which allows universities to favour applicants of some races over others—violates civil-rights laws and the constitution. Judging by the sceptical questioning of the conservative justices, who thanks to Donald Trump now command a majority, the question is not whether such preferences will be restricted, but whether they will survive at all.

For more than 40 years the court has allowed some positive discrimination. But it has done so with discomfort. Too-obvious tactics like racial quotas, or awarding points for skin colour, were ruled excessive. The compromise was to consider race as one part of “holistic admissions” in a way that made its weight hard to discern. In 2003 Justice Sandra Day O’Connor declared the practice ought to be time-limited, expecting it to be unnecessary 25 years from then. If the court rules as expected in June 2023, five years ahead of Ms O’Connor’s schedule, there will be some sorrow, but hardly the same backlash as met the overturning of the right to abortion set in Roe v Wade. Surveys show that majorities of African-Americans, Californians, Democrats and Hispanics all oppose the use of race in college admissions (and in other areas). The demise of this unpopular scheme will offer a chance to build something better.

A diversity of backgrounds in elite institutions is a desirable goal. In pursuing it, though, how much violence should be done to other liberal principles—fairness, meritocracy, the treatment of people as individuals and not avatars for their group identities? At present, the size of racial preferences is large and hard to defend. The child of two college-educated Nigerian immigrants probably has more advantages in life than the child of an Asian taxi driver or a white child born into Appalachian poverty. Such backgrounds all add to diversity. But, under the current regime, the first is heavily more favoured than the others.

23/11/2022

Dúvidas (346) – Irá o Brexit consumar-se? (XXI) - O que começa por equívoco acaba por equívoco (bis)

Outras dúvidas sobre a consumação do Brexit.

Em retrospectiva, a decisão do governo conservador britânico de David Cameron submeter a um referendo a saída da UE tinha um propósito e uma premissa. O propósito era não perder as eleições para o UKIP de Nigel Farage que fazia uma campanha para a saída. A premissa era que o eleitorado britânico acabaria por recusar a saída. O propósito foi conseguido, à custa de demagogia e distorção dos factos e dos números que não ficou atrás do UKIP e teve um resultado inesperado que foi a aprovação do Brexit.

A verdade e os factos acabam por alcançar a mentira, mesmo quando esta tem perna comprida. Uma após outra, as várias mentiras e distorções foram-se revelando e o resultado da "libertação" do Reino Unido do jugo europeu é so far: défices mastodônticos, dívida pública em forte incremento e... o menor crescimento previsto nos próximos dois anos, de todos os países da OCDE.

22/11/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (41b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 41a)

Computadores para a escolas, um case study do socialismo em acção

Em retrospectiva, em Abril de 2020 foi anunciada a compra de 1.200.000 computadores, só autorizada em Julho. Em Janeiro do ano passado, tinham sido entregues 100 mil. Em Março do ano passado foi anunciado pela terceira ou quarta vez a aquisição de mais 350 mil. O Tribunal de Contas concluiu em Julho seguinte no seu relatório que 60% dos computadores anunciados só estariam disponíveis no próximo ano lectivo 2021-2022. Em Agosto deste ano, mais de dois anos depois, uma auditoria do TdC constatou que não foram distribuídos 350 mil computadores e que foram pagos 1,3 milhões de euros por acesso não utilizado à internet. A semana passada, o jornal Público noticiou que ainda há 200 mil portáteis pagos pelo PRR encaixotados nas escolas.

Um governo que não consegue planear a 6 meses, nem distribuir computadores, quer promover o hidrogénio verde

Em 2019, o Dr. Galamba, outro apparatchik enfatuado que foi um peão de brega do socratismo, na qualidade de SE da Energia «abraçou o hidrogénio como bandeira de uma matriz energética limpa». Decorridos três anos e uma investigação judicial encalhada algures numa repartição, «os projetos de hidrogénio verde estão a multiplicar-se como cogumelos. Mas são ainda pouquíssimos os que já saíram do papel.» Não saíram nem sairão do papel enquanto a tecnologia do hidrogénio verde não estiver tecnologicamente madura, maturação que só por milagre acontecerá num país em que a investigação e a ciência aplicada são uma treta e a indústria de alta tecnologia é uma ficção.

Finalmente foi encontrada uma serventia para o ministro da Ecoanomia

Serventia que foi fazer de comité de recepção à dúzia de jovens patetas radicais do Movimento Fim ao Fóssil – Ocupa! que exigia a sua demissão. Pela boca de um deles, o grupo declarou à SIC Notícias que estava contra o plano do ministro e perguntado pela jornalista o que não concordava nesse plano confessou que não o conhecia.

Vantagens de não sair do papel: (1) contas certas e (2) pode ser anunciado várias vezes

Do pacote “Energia para Avançar” de 1,4 mil milhões de apoio às empresas, mais de metade «ainda não saiu do papel» dois meses depois de ter sido anunciado com pompa e circunstância.

«Torrar dinheiro em coisas que não valem pevide»

A boutade em título aplicada por João Serrenho da CIN ao Banco de Fomento poderia ser aplicada com a mesma propriedade à Portugal Ventures, a sociedade de capital de risco do Estado sucial, que assinou um acordo de intenções com o PhD Ricardo Mourinho, o empresário que recebeu 300 mil euros de rendas adiantadas de um «pavilhão transfronteiriço» em Caminha que também não saiu do papel.

De volta ao velho normal

Lembram-se dos défices gémeos (da balança comercial e do orçamento) que assolaram o Estado sucial durante a maior parte dos anos desde a demolição do Estado Novo? Com as medidas do resgate pela troika, o défice melhorou e a balança comercial quase se equilibrou no final do governo PSD-CDS. Desde então tem vindo a deteriorar-se, como se vê no gráfico seguinte.


É o caminho para aumentar o défice externo, isto é o défice conjunto das balanças correntes de capital, que em Setembro atingiu 2,2 mil milhões contra 1,0 mil milhões no mesmo mês do ano passado. Lembram-se o que aconteceu da última vez nos idos de 2008-2011 e do que se seguiu?

21/11/2022

BREAQUINGUE NIUZ: É assim como admitir que, afinal, a Terra não é plana

Avante da Sonae

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (41a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.


Tardou, mas não faltou. Depois de várias semanas com os casos, mais de polícia do que de justiça, a saltarem no lume dos mídia (os coitados dos jornalistas amigos viram-se impotentes para filtrar a escandaleira), finalmente, deu à luz a «cabala», modalidade socialista das teorias da conspiração. Desta vez sob a forma de «dilúvio acusatório», na versão pós-moderna costista.

Não perderemos pela demora. O PS vai certamente adoptar as devidas medidas e incrementar a nomeação das pessoas certas no aparelho judicial e em todo o lado, incluindo as entidades de regulação, como já vem fazendo.

É claro que mesmo as pessoas certas no lugar certo não podem resolver tudo e o Dr. Costa não deve distrair-se e confirmar por SMS um telefonema ao governador do BdP sobre a Dr.ª Isabel dos Santos, que diz não ter acontecido. Nem podia ter dito ao mesmo governador, que não era um governador amigo, como no passado o Dr. Constâncio e no presente o Dr. Centeno, que ele tinha um «preconceito» em relação a nomear militantes do PS.

Ter as pessoas certas no lugar certo

Um exemplo prático de como é importante ter as pessoas certas no lugar certo, além do caso do ex-governador do BdeP que está a embaraçar o Dr. Costa, é o Tribunal de Contas que uma vez mais avalia criticamente as medidas do governo, neste caso na resposta à pandemia, a que, diz, falta "rigor", "transparência" e “escrutínio”.

Take Another Plan. São os melhores a ficar em terra e a deixar ficar em terra

Como condição para autorizar as “ajudas” à TAP a Comissão Europeia obrigou o governo accionista a libertar alguns slots (faixas horárias para aterrar e levantar) para a easyJet. Agora a TAP queixou-se que depois disso a easyJet utilizou mais mangas em proporção do número de voos. Qual a razão? A ANA explicou que isso acontece porque os aviões da TAP ficam duas vezes e meia mais tempo em terra do que os da easyJet que não segue o modelo da TAP de «deitar dinheiro para a sanita».

A TAP não deixa apenas em terra os seus aviões, deixa também em terra os seus passageiros e atrasa o pagamento de 122 milhões de reembolsos devidos pelos voos cancelados, prática que levou a autoridade americana dos transportes a aplicar uma coima de 550 mil euros.

Portugueses no topo da Óropa

Graças ao Estado sucial ocupado pelos novos situacionistas, que sucedeu ao Estado Novo ocupado pelos velhos situacionistas, o Portugal dos Pequeninos está à cabeça da Óropa em matéria de emigração: 20% da população residente. A diferença entre o Estado sucial e o Estado Novo é que no primeiro emigrava-se principalmente para França, Luxemburgo e Alemanha e no segundo a preferência está a voltar-se para o norte da Óropa.

Boa Nova. Um governo que não consegue planear a 6 meses faz plano para 30 anos

O Dr. Pedro Nuno, o apparatchik enfatuado que faria tremer as perninhas dos banqueiros alemães e torrou mais de 3 mil milhões do dinheiro dos contribuintes para nacionalizar uma TAP que agora pretende privatizar, apresentou um plano ferroviário para os próximos 30 anos.

(Continua)

20/11/2022

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (202) - À justiça o que é da justiça, mas quem se mete com o PS, leva

 «Foi também assim quando em 2003 o então Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusou o deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso, no âmbito do processo Casa Pia. De imediato o PS passou a apresentar-se como vítima de uma cabala. Os mais de 100 rapazes e raparigas que se estima terem sido vítimas de abusos passaram rapidamente para segundo plano, com os incidentes processuais a dominarem as discussões. (Entre os vários incidentes processuais houve um que teve por base a inclusão pelo Ministério Público de cartas anónimas no processo. Era então tese dominante em Portugal que tal inclusão violava o Código do Processo Penal e que estas cartas deviam ter o caixote do lixo como destino. Face ao entusiasmo presente com as denúncias anónimas no caso dos abusos praticados por sacerdotes católicos presumo que a jurisprudência do caixote do lixo passou à História.)

Catalina Pestana, que fora nomeada provedora para recuperar a Casa Pia no meio de tal tormenta, passou de personalidade admirada e respeitada a pouco menos que odiosa porque nunca deixou de denunciar o papel desempenhado nesses abusos ou no seu encobrimento por personalidades com poder político nomeadamente da área socialista. E o Procurador-geral da República que chegou a ser ameaçado de demissão (por causa das declarações de uma sua assessora de imprensa!) acabou isolado e denegrido.»

Helena Matos no Observado

CASE STUDY: Um verdadeiro socialista para todo o terreno

O Dr. Ricardo Mourinho Félix, militante do Partido Socialista desde os 18 anos e da Juventude Socialista, graduado pela Mouse School of Economics, desde os 26 anos circulou por diversos governos socialistas, foi secretário de Estado do Dr. Centeno e é actualmente vice-presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), por nomeação do segundo governo do Dr. Costa, para onde transitou depois do Dr. Centeno se trasladar do ministério das Finanças directamente para o próprio Banco de Portugal, numa manobra que seria o mais notável caso de conflito de interesses não fosse o do Dr. Victor Constâncio, um verdadeiro case study nesta matéria que em três décadas saltitou entre vários governos, para vice-governador do BdP, para secretário-geral do PS e novamente para governador do BdP onde compôs estimativas do défice para o Eng. Sócrates fazer um brilharete, acabando em 2010 a falhar estrondosamente no seu papel de supervisor da banca, passando ao lado dos vários escândalos na banca incluindo o do BES.           

Não restam assim dúvidas que o Dr. Félix é um verdadeiro socialista impregnado do respectivo ADN. As dúvidas, se existissem, ficariam dissipadas com a sua entrevista recente ao semanário de reverência Expresso. Nela o Dr. Mourinho fala do BEI como «uma outra face da realidade, a de um banco que não tem um objetivo de lucro puro» (o que é «gratificante») e dá como exemplo o financiamento do Windfloat, o primeiro parque eólico offshore em Portugal, que era para entrar em exploração em 2011 (só entrou nove anos depois) sobre o qual no (Im)pertinências se escreveram vários posts desde há 11 anos, cuja leitura se recomenda para ilustração da outra face da realidade que tanto gratifica o Dr. Ricardo.

O Dr. Félix exprime também um pensamento sobre as startups que ajuda a compreender por que é um socialista que se gratifica por estar num banco que «não tem um objetivo de lucro puro». Diz ele, «para que brilhe uma (startup) é preciso investir em 10 que não brilham», paradigma que também inspira o governo e até a Fábrica de Unicórnios do Eng. Moedas, que substituiu na câmara de Lisboa o Dr. Costa e o Dr. Medina a financiar a Web Summit do Paddy

Perguntareis, mas então não é um facto que por cada um unicórnio ficam pelo caminho, mais do que dezenas, milhares de starpups? O que distinguirá então o Dr. Mourinho Félix de um qualquer venture capitalist? Pelo menos duas coisas: 

(1) o venture capitalist põe o dinheiro dele onde põe a boca e 

(2) o venture capitalist, diferentemente do Dr. Félix, nunca diria «é preciso investir em 10 que não brilham» e não é uma questão de semântica, é uma questão de foco.

19/11/2022

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (100) - Os portugueses não apreciam a liberdade. Em consequência, a maioria detesta o capitalismo

Não por acaso, o pensamento desde há muito em curso aqui no (Im)pertinências de António Alçada Baptista reza assim:  

«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» 

Ora sendo os mercados e o capitalismo essencialmente a democracia liberal e as suas instituições a funcionarem na economia, é certamente natural que a falta de gosto dos portugueses pelas liberdades - visível pelas quase cinco décadas do Estado Novo, pela sobrevivência de um dos apenas seis partidos comunistas europeus com representação parlamentar, pelo peso dos partidos hostis à democracia liberal (maioritários se incluirmos os que apenas a toleram) - se traduza em desapego, na melhor hipótese, ou rejeição do capitalismo, na hipótese mais frequente.

Por isso, não deveriam surpreender os resultados dos inquéritos de opinião que Rainer Zitelmann incluiu no seu livro «Em Defesa do Capitalismo», recentemente publicado em português pela Aletheia, resultados que em relação a Portugal foram citados no artigo do Observador «O que pensam as pessoas em Portugal a respeito do Capitalismo?»

Esses resultados dão-nos um retrato à la minute do anticapitalismo dominante no Portugal dos Pequeninos, onde ressaltam os seguintes traços:

  • 40% entendem que deve ser o Estado a fixar preços e salários 
  • 79% associam ao capitalismo ganância e 75% corrupção
  • As apreciações positivas sobre o capitalismo são partilhadas por uma pequena maioria entre 10% e 20%.
Um optimista tenderá a concluir que a ideia negativa do capitalismo dominante na sociedade portuguesa resulta de os portugueses só terem experimentado até agora um capitalismo paternalista, subalterno e periférico com aversão à concorrência e ainda contaminado pelo corporativismo. É possível, mas conhecendo-se a história portuguesa dos últimos séculos fará pouco sentido apostar todas as fichas nisso.

18/11/2022

¿Por qué no te callas? (31) - "Esqueçamos isto", é difícil de esquecer

«O Qatar não respeita os direitos humanos. Toda a construção dos estádios e tal…, mas, enfim, esqueçamos isto.» 

 Marcelo Rebelo de Sousa

Ser de esquerda é... (18) - ... ser lunático

Outros "Ser de esquerda é..."

Um estudo de Heloísa Perista e Pedro Perista do CESIS - Centro de Estudos para a Intervenção Social, inspirado nas ideologias da "identidade de género" e no combate à "assimetria de género", estimou que em 2019 se as actividades domésticas e de cuidados fossem remunerados com base no salário horário médio isso representaria 78 mil milhões. Dito isso assim, nem merece discussão é aritmética pura. 

A coisa começa perder contacto com a realidade quando, escreve o Público que cita o estudo, os autores propõem que «as actividades dos agregados domésticos sejam objecto, periodicamente e de forma mais exaustiva possível, de contas satélite». Proposta que o Público, aka o Avante da Sonae, empolgado pelo mais puro lunatismo, transforma em tese no título da peça: «Se o trabalho doméstico e de cuidados não pago contasse, PIB subiria 36,2%».

Certamente, e aumentará até muito mais se nas actividades domésticas e de cuidados incluirmos os serviços sexuais no seio da família e os valorizarmos a preços médios de mercado. Considerando dois serviços recíprocos em cada coito (para evitar a discriminação de género cada uma pagaria o serviço do outro) e assumindo uma frequência média semanal de dois coitos por cada um dos 4 milhões de casais, a preços médios de mercado o PIB aumentaria mais de 80 mil milhões de euros ou quase 40%. Qed.

17/11/2022

Is Trumpism letting Trump down? Part of Trumpism, at least. "Loser" Trump hit by Murphy's Law

Continuation from here.



«Former President Donald Trump endorsed four Republicans for secretary of state positions in the general election, boosting candidates who have cast doubt on the legitimacy of U.S. elections in some of the most closely divided states. Every single one of them lost.», Politico


16/11/2022

Pro memoria (424) - Uma retrospectiva sobre o Banif a propósito de outra retrospectiva do ex-governador do BdP sobre as intervenções do Dr. António Costa na banca

No Natal de 2015, escassas semanas após a tomada de posse do primeiro governo do Dr. Costa, publiquei um post que agora reproduzo por ter ganho actualidade com as declarações de Luís Marques Mendes ontem na Fundação Gulbenkian, na apresentação do livro “O Governador” de Luís Rosa: 
«Espero bem que o Ministério Público possa ler os capítulos do livro sobre o caso Banif. (…) Sendo Portugal um Estado de Direito, tenho a convicção de que não pode deixar de abrir uma investigação criminal.» 
Aqui vai, de novo:

Com mais alguns factos, a dúvida original e a dúvida reformulada dissiparam-se. Em retrospectiva:

  • Desde 2013 o governo PSD-CDS entrou com 700 milhões para o capital do Banif, tornando-se accionista de 60%, e ainda fez um empréstimo de 125 milhões em obrigações CoCos convertíveis em capital;
  • Pelo caminho, a solução adoptada em 2014 para o BES foi intensamente atacada pelo PS, BE e PCP; 
  • Desde então o governo PSD-CDS tentou vender sem sucesso o Banif e foi empurrando com a barriga por cima do calendário eleitoral;
  • A TVI é uma participada da Media Capital cujo accionista maioritário com 95% é o grupo Prisa com ligações ao PSOE, partido irmão do PS; o 6.º maior accionista do Grupo Prisa é o Santander;
  • Recentemente, prosseguiam negociações entre o governo PS e vários bancos, incluindo o Santander;
  • Na noite do domingo dia 13, a TVI divulgou em nota de rodapé (uma forma impessoal muito conveniente de evitar ligar um rosto à notícia) «Banif: A TVI apurou que está tudo preparado para o fecho do Banco»;
  • O Banif desmentiu de madrugada a notícia falsa do seu próximo encerramento; desmentido interpretado, como habitualmente, como uma confirmação;
  • Nos dias seguintes a cotação do Banif caiu praticamente para zero e inicia-se uma corrida ao banco sendo levantados 900 milhões durante a semana;
  • Na 4.ª feira 16, o BCE decide suspender o estatuto de contraparte do Banif cortando-lhe a possibilidade de financiamento; a partir daqui é a morte anunciada do Banif;
  • No fim de semana seguinte o governo PS negoceia em dois dias a venda da parte boa do Banif ao Santander por 150 milhões, tendo o Estado de injectar 1,7 mil milhões e o Fundo de Resolução 500 milhões;
  • A venda ao Santander é anunciada pelo Banco de Portugal nesse domingo às 23 horas;
  • Como se tudo já estivesse há muito preparado, 36 horas depois, já estava em curso por todo o país a mudança de imagem do Banif para Santander;
  • Mário Centeno salientou justamente uns dias depois que o seu governo «fez em três semanas o que o anterior não fez em três anos»: salvou accionistas, obrigacionistas e grandes depositantes e fez os contribuintes pagar 1,7 mil milhões de euros, pelo menos (recorde-se o caso BPN que Teixeira dos Santos começou por garantir que não custaria nada); 
  • Citando informação de Mário Centeno no parlamento (fonte): «o Banif tinha 356.457 depositantes, sendo que desses, havia 7411 acima de 100 mil euros. E desses, 6374 eram de particulares. Segundo Centeno, o montante médio dos depósitos acima de 100 mil era 283 mil euros.» De onde resulta que o total de depósitos acima de 100 mil euros era de 2,1 mil milhões de euros (=7.411x283.000), montante que foi poupado aos grandes depositantes pela resolução à custa dos milhões de contribuintes;
  • Em vigor a partir de 1 de Janeiro, a Banking Resolution and Recovery Directive, cujo propósito é a minimização dos prejuízos a serem suportados pelos Estados, ou seja pelos contribuintes, obrigaria à resolução do Banif em que seriam chamados a participar no bail-in os accionistas, os detentores de dívida subordinada e de dívida senior e os depositantes com mais de 100 mil euros;
  • A aplicação desta directiva no âmbito da união bancária poderia envolver a banca europeia que cobriria as perdas do Banif com o «inconveniente» do processo ficar sob o escrutínio do BCE e o risco dos escândalos;
  • Enquanto decorria a discussão do orçamento rectificativo para acomodar a resolução do Banif, Horta Osório, um antigo presidente do Santander Totta e actual presidente do Lloyd's Bank, tirou-se do seus cuidados em Londres e achou que deveria manifestar-se chocado e defendeu «que os contribuintes portugueses pelo menos merecem saber com transparência e rectidão exactamente o que aconteceu», como se a informação administrada aos contribuintes portugueses pelo governo PS, neste caso coligado com o PSD, não fosse transparente e recta;
  • Finalmente, foi aprovado na 4.ª feira o orçamento rectificativo do governo PS, com os votos contra do PCP e do BE, e a abstenção do PSD, tendo Passos Coelho explicado que «não teria uma solução muito diferente»; foi mais um exemplo da doutrina Mutual Assured Distraction (MAD) que impera na política portuguesa.
Perante estes factos, estou esclarecido e já poucas dúvidas me restam. Aproveito para especular sobre o pretexto para transformar os contribuintes em bombeiros do risco sistémico.

Um banco com 2,5% de quota de mercado representa um risco sistémico? Já é a segunda vez com bancos marginais no sistema e com o mesmo partido no governo – a primeira vez foi com o BPN, cuja factura à pala do risco sistémico irá superar os 7 mil milhões de euros.

A verdadeira questão não é quando está ou não em causa o risco sistémico. A verdadeira questão é como se minimiza o risco sistémico. Pelo menos já conhecemos duas maneiras de o incrementar:

  1. Criar nas cliques dirigentes dos bancos o sentimento de impunidade e nos clientes dos bancos a convicção que, chamando risco sistémico (whatever that means) à coisa que estiver à acontecer, os contribuintes pagam o prejuízo; 
  2. Continuar a autorizar reservas fraccionárias aos bancos, ou seja a admitir que os bancos emprestem dinheiro até um múltiplo (10 a 12 vezes) das reservas que dispõem nos bancos centrais. 

Talvez fazendo o contrário se conseguisse minimizar o risco sistémico. Mas quem está interessado nisso? Apenas uns milhões de contribuintes que preferem indignar-se quando os governos lhes vão aos bolsos e por isso não contam para nada.

Agora que já abri a prenda grande que o governo socialista me ofereceu neste Natal (uns milhares de euros, considerando a minha posição de médio accionista da Autoridade Tributária) e antes de abrir as prendas pequenas da família, vou especular sobre onde irão parar os milhares de milhões que o governo vai nos próximos anos extorquir aos papalvos à pala do Banif.

A resposta dos patetas varia, dependendo do grau de patetice, à volta de «eles», a corja, os banqueiros, os ricos, etc. Na verdade, a resposta é bem simples, desde que se façam as perguntas certas. Iniciemos, pois, a maiêutica socrática (do Sócrates da cicuta, não do das contas na Suíça).

A primeira pergunta é: porque ficou o Banif sem capital? Porque os activos ficaram menores do que os passivos. E porque ficaram os activos menores do que os passivos? Porque os activos diminuíram de valor (registaram imparidades, no jargão) e tiveram de ser criadas provisões (aumentando os passivos). Porque diminuiu o valor dos activos? Porque créditos de clientes se mostraram incobráveis por deixarem de pagar juros ou por outra razão. O que vai acontecer a esses créditos incobráveis? M de La Palice diria que não vão ser cobrados. E quem ganhará com isso? M de La Palice responderia outra vez: os credores inadimplentes, empresas e particulares ricos, remediados e pobres que assim receberão a dádiva que o governo socialista condenou os contribuintes a pagar-lhes. Pronto, agora já sabemos onde vão parar os milhares de milhões.

14/11/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (40b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 40a)

O Dr. Costa escolhe-os a dedo (Parte II)

Além do que já se sabia sobre o Dr. Miguel Alves e as suas ligações ao Dr. Costa e ao aparelho socialista, ficou a saber-se que estas ligações incluem adjudicações directas de 3 contratos no mesmo dia pela câmara de Lisboa presidida pelo Dr. Costa.

A caixa do peditório está entupida

Dos mais de 16 mil milhões de euros da bazuca do Dr. Costa, agora sob a direcção da Dr.ª Vieira da Silva, só foram pagos pouco mais de mil milhões – estava previsto que 25% do PRR, cerca de 4 mil milhões, estariam executados este ano. Do Portugal 2020, que expirou há dois anos, ainda faltam mais de 20% para executar. E porquê? perguntareis. Pela pesada burocracia, que ainda assim não evita o financiamento de projectos sem retorno, e principalmente porque por cada euro dos fundos europeus o governo tem de aplicar umas dezenas de cêntimos nesses projectos e aplica-se ao investimento público o método da autoestrada mexicana.

Mais Boa Nova na habitação social, seguida de choque com a realidade

O Dr. Pedro Nuno, que fazia tremer as perninhas dos banqueiros, e o Dr. Medina, como presidente da câmara de Lisboa, anunciaram em concorrência durante seis anos vários programas de habitação.Por último, o primeiro anunciou a apresentação de um Programa Nacional de Habitação, a partir de 2023 até 2026.

E qual é o resultado de tudo isso? O balanço feito pelo Expresso mostra que de todos os projectos de habitação acessível geridos pelo IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) até agora há 71 (setenta e um) fogos arrendados. Do Programa de Arrendamento Acessível havia 900 contratos activos para dois mil alojamentos e 30 mil candidaturas.

O Dr. Costa e os seus ministros fazem do Estado sucial uma bolsa marsupial para apparatchiks

Com uma ousadia estribada na impunidade, a Dr.ª Mariana, filha do Dr. Vieira da Silva, contratou para o seu gabinete um jovem militante socialista de 21 anos, recém-licenciado sem qualquer experiência profissional, pagando-lhe uma tença equivalente ao salário de um professor universitário associado.

Take Another Plan

Diz a TAP pela boca dos seus consultores que os seus tripulantes podem ganhar até mais 50% apesar de voarem menos do que os da British Airways. O que não impede a própria TAP de estar disposta a pagar mais se eles voarem nas folgas ou nas férias, o que parece não ir acontecer porque TAP e pilotos concordam na previsão de que serão cancelados 376 voos até ao final do ano, cancelamento que indiciaria que os pilotos não precisam de mais dinheiro, apesar de se considerarem mal pagos.

A diferença entre o Convento de Mafra e o mausoléu da Caixa é que um foi pago com o ouro do Brasil e o outro com o saque dos contribuintes

Recapitulando, no tempo das vacas que pareciam gordas, a Caixa construiu o mausoléu da Avenida João XXI de estética Estado Novo onde se alojaram mais de 4.000 zombies. Quando perceberam que afinal as vacas eram magras, a Caixa vendeu o mausoléu por 252 milhões ao fundo de pensões dos seus zombies que ela própria gere. As vacas continuaram a emagrecer e a Caixa com menos zombies, entretanto confortavelmente reformados e pré-reformados, vendeu a ideia ao governo de arrendar o espaço sobejante para alojar os seus os gov-zombies em número sempre crescente num “campus” com Hot desking e clean desk. Decorridos vários meses, ainda só há uma centena de gov-zombies no mausoléu, mas já estão a tratar da fruição do ginásio e campo de squash (Expresso)- first things, first.

Decorrido mais alguns meses, o governo constatou que os ministérios que tutelam diretamente o PRR previstos para se mudaram para o mausoléu da Caixa só poderão mudar no próximo ano. Entretanto, a Caixa depois de ter torrado várias centenas de milhões desde 1987, quando foi lançada a primeira pedra, até 1994, chegou à conclusão seria melhor empandeirar o mausoléu ao governo e mudar-se para uma nova sede dentro de 3 ou 4 anos.

O estado do Estado sucial

A GNR a deixar furtar o seu barco de patrulha no Guadiana e a Dr. Fortunato, ministra da Ciência a exortar os doutorados a contribuírem para a economia são apenas dois exemplos. Vem a propósito recordar Vasco Pulido Valente, um dos poucos que tinha consciência de nenhum país que se tinha desenvolvido à custa de aumentar o número de graduados (ver este gráfico).

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

Mesmo com o turismo a aguentar a economia portuguesa, começam a chegar os primeiros sinais de travagem neste último trimestre. Os prognósticos a nível da UE também não são animadoras com uma inflação elevada e o risco de uma recessão.

O défice da balança comercial atingiu 2,7 mil milhões de euros em Setembro, devido ao aumento das importações em cinco pontos percentuais superior ao das exportações.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

Seguindo o exemplo do governo central, as câmaras endividaram-se fortemente até 2014 e apesar da dívida total ter vindo a diminuir deste então ainda há 20 câmaras fortemente endividadas com um rácio superior ao permitido.

13/11/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (40a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O Dr. Costa escolhe-os a dedo

Após uma novela de duas semanas, demitiu-se o Dr. Miguel Alves, uma criatura da maior confiança pessoal do Dr. Costa. Antes de ser escolhido para secretário de Estado adjunto para a coordenação da comunicação, já tinha feito parte do gabinete do Dr. Costa quando este foi ministro da Administração Interna do Eng. Sócrates, de cujas manigâncias o Dr. Costa garante nunca se ter apercebido. A enriquecer o seu currículo, o Dr. Alves trabalhou numa empresa do Dr. Lacerda Machado, outro amigo do peito do Dr. Costa, administrador da holding do Sr. Mário Ferreira, dono da TVI, envolvido na compra dos helicópteros Kamov e na compra da VEM em que a TAP torrou 1.200 milhões, e mais tarde também administrador da TAP nacionalizada pelo governo do Dr. Costa.

O Eng. Sócrates pode ter ido embora, mas a sua obra ainda por cá anda

Há 12 anos o governo de então adjudicou ao consórcio ELOS a concessão do troço Poceirão-Caia do projecto TGV cujo contrato foi chumbado pelo Tribunal de Contas em 2012. O consórcio reclamou uma indemnização e um tribunal arbitral determinou em 2016 que era devido o pagamento de 150 milhões. O governo do Dr. Costa não aceitou a decisão e propôs uma acção de anulação, a que o consórcio responde em 2018 com uma acção de execução que com juros pode atingir 220 milhões.

Costa contra Costa

Decorridos seis anos, o Dr. Carlos Costa, na época governador do BdP, revelou agora em entrevista a Luis Rosa que foi pressionado pelo Dr. António Costa, a quem a Drª Isabel dos Santos se queixou, para manter na administração do BIC a filha do presidente de Angola, arguida num processo nesse país. A Drª Isabel dos Santos, que também era accionista da EFACEC, mantinha com o governo do Dr. Costa uma relação de proximidade (ilustrada na foto aqui ao lado com o ministro da Ecoanomia Dr. Caldeira Cabral).

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

Por falar em ministro da Ecoanomia e na EFACEC, esta empresa nacionalizada pelo governo socialista, depois de ter facilitado a entrada da Dr.ª Isabel dos Santos no seu capital pela mão do ministro da Ecoanomia de então, está há dois anos a tentar ser vendida pelos seus sucessores. Primeiro foi o Dr. Siza Vieira, que fez regularmente anúncios de venda iminente, e agora pelo Dr. Costa Silva que teve uma epifania retardada de três anos concluindo que o Estado sucial não vai recuperar todo o dinheiro dos contribuintes que o governo lá incinerou.

Com a nacionalização, o governo adiou a morte de uma EFACEC moribunda que o mercado já tinha condenado e proporcionou involuntariamente a oportunidade para vários quadros da empresa lançarem o seu próprio negócio, ao mesmo tempo que criava uma bolsa de emprego para a Vestas, a EDP e a Siemens recrutarem técnicos.

Já virámos a página da austeridade

Para executar o OE 2022 o governo teria de gastar até ao final do ano 34 mil milhões, o equivalente a cerca de 15% do PIB em três meses, o que não vai certamente acontecer e, em consequência, o orçamento terá défice nulo ou mesmo um superavit. Para o próximo ano o Dr. Medina propõe-se usar a mesma bitola e irá controlar directamente 3,2 mil milhões de euros podendo sujeitar essa verba a cativações arbitrárias. Se isto não é austeridade, o que será a austeridade?

(Continua)

12/11/2022

Is Trumpism letting Trump down?


«You can fool all the people some of the time and some of the people all the time, but you cannot fool all the people all the time.»

But do not party before the party because most of the republican eminences who would like to send back Mr. Trump to Trump Tower don't have the balls to do it for fear of being punished by his devotees.

CASE STUDY: Football is a simple game. Twenty-two men chase a ball for 90 minutes and in the end the English win (this time, they hope)

 

«Lloyd’s of London predicts that England will beat Brazil and emerge victorious at the 2022 FIFA World Cup – with France, Argentina and Spain falling just behind. Lloyd’s is going for a hat-trick of predictions, after correctly identifying Germany and France as winners in 2014 and 2018, respectively, by using a model that ranks the teams according to the collective insurable value of their players

The assessment of each insurable value comprises a variety of metrics such as wages, sponsorships, age and on-field position, said Lloyd’s, noting that the research was published with the support of the Centre for Economics and Business Research (Cebr).

With an estimated insurable value of £3.17 billion (US$3.6 billion), Lloyd’s predicts that England will edge out France, with an insured value of £2.66 billion (US$3.1 billion), and Brazil, £2.56 billion (US$2.9 billion), to claim the top spot. By way of overall comparison, Lloyd’s added, the average insurable value of one England or France player is more than the entire Costa Rica squad.

Using this methodology to play out the tournament in full, the Lloyd’s model predicts England’s Three Lions will finish top of Group B, before securing knock-out wins against Senegal, France, Spain and Brazil. (The World Cup is scheduled to take place in Qatar from Nov. 20 to Dec. 18, 2022)

By Modeling Players’ Insurable Values, Lloyd’s Predicts England Will Win World Cup, Insurance Journal

11/11/2022

Ser pobre é muito mais difícil do que ser negro ou branco, disse ele que é negro e não é pobre

Matias Damásio, um cantor negro angolano com meia dúzia de discos editados, relativamente conhecido em Portugal (não por mim, que não conhecia) onde actua regularmente, foi entrevistado pela revista Luz do jornal Nascer do Sol, e, resistindo a várias tentativas do entrevistador para se deixar vitimizar, disse algumas coisas para mim inesperadas e surpreendentes, em contracorrente do discurso predominante nos meios artísticos, para já não dizer na bolha woke, a começar pela frase que faz o título deste post: «Ser pobre é muito mais difícil do que ser negro ou branco».

«Em relação ao racismo, eu acredito que o que temos de lutar hoje é contra a discriminação social. Acho que as pessoas não detestam nem brancos nem negros. Atualmente, reparo como os ciganos são tratados e percebo que existem mais maus-tratos contra aqueles que não têm posses. Nunca tive problemas de discriminação social, talvez por aquilo que eu sou e represento. Acredito que esta deve ser a nossa luta. Não acredito. que exista alguém que não goste de outra por causa da sua cor. As pessoas gostam da Beyoncé, mas não gostam de um negro do Mali. (…)

Vejo muita discriminação tanto na parte negra como na parte branca, de forma igualitária. Já vi brancos a discriminarem brancos, já vi ciganos a serem espancados na rua. Já vi de tudo um pouco e começo a perceber que não se trata de ser mais claro ou mais escuro. Temos de começar a olhar para as pessoas como se fossem nossas. Isto é um problema social, as pessoas assistem à NBA e está repleta de negros e não existem problemas. Vão ver a Beyoncé ou o Jay-Z e não há problema nenhum. (…)

Uma pessoa até pode amar estes ídolos, mas depois discrimina um negro qualquer que mora numa região como Queluz ou Massamá, porque olha para ele e pensa logo que é um ladrão. Na minha opinião tudo isto está mais associado a uma questão económica do que propriamente à sua cor. O Eusébio é um ídolo em Portugal, num clube que é o Benfica, que é o maior clube deste país, e não digo isto por ser benfiquista. O Pelé é o que é no Brasil, e assim sucessivamente. As pessoas são mais valorizadas por aquilo que têm, pela roupa com que andam, quando deviam ser valorizadas pelo seu conhecimento e proximidade. O racismo, praticamente, acabou, o que hoje existe é discriminação social. As pessoas não gostam «daquele grupo de negros». Vou dar um exemplo: Passei muito tempo no Brasil e, quando estava em discotecas e apareciam os negros americanos, os «gringos» , havia abraços e era uma grande festa! Mas quando vinham os negros da favela estes eram barrados e não conseguiam entrar. (…)

A grande discussão hoje não deve ser sobre o racismo, mas sim sobre a discriminação social. Costumo dizer na brincadeira que, apesar de ser cigano, o Ricardo Quaresma deixou de ser cigano, ficou apenas «Quaresma» porque é jogador de futebol. (…)

Nós estamos distraídos, a discriminação social é muito mais grave do que qualquer outro tipo de discriminação porque é dirigida a grupos. Isto é algo que temos de debater e que tem de acabar. em que as pessoas se fazem de vítimas e que querem justificar que não foram a determinado lugar porque são negros. Acho que é preciso ter cuidado com esse tipo de linguagens porque há negros que conseguiram chegar a esses lugares com mérito

10/11/2022

O "Corredor verde" do Dr. Costa explicado às criancinhas

O economista e engenheiro Mira Amaral, que, suspeito, em apenas dois dos seus neurónios tem mais know-how nestas matérias do que têm no interior dos seus crânios os Drs. Duarte Cordeiro e João Galamba, respectivamente ministro e secretário de Estado do agora pomposamente chamado ministério do Ambiente e da Ação Climática, autopsiou a semana passada no Expresso a produção de ficção "Corredor Verde" do Dr. Costa, saída da cimeira com M Macron e el Señor Sanchéz. Aqui vai o excerto mais relevante a este respeito. 

«Na recente cimeira entre Macron, Costa e Sánchez as interligações gasistas foram embrulhadas no conceito dos corredores verdes para gases renováveis da taxonomia financeira da União Europeia…

Macron ofereceu em troca ao MidCat um novo gasoduto marítimo de Barcelona a Marselha, útil para os terminais espanhóis, designadamente Barcelona. O nosso primeiro-ministro, reputado especialista em marketing energético, deixou então cair o gasoduto Sines-Alemanha, tendo eu e outros especialistas demonstrado que Sines não era competitivo em relação aos terminais espanhóis para fornecer gás natural (GN) à Alemanha, e vendeu-nos a terceira interligação gasista Portugal-Espanha, orçada em €300 milhões, para através dela exportarmos hidrogénio verde para a Europa. A REN tinha há muito esse projeto, sendo o problema para a empresa simples: desde que o regulador aceite, as amortizações do investimento são custos elegíveis para a tarifa de transporte e os consumidores portugueses de GN irão pagar o investimento caso a ­União Europeia não o financie. Ora, a exportação desse hidrogénio de Portugal para a Europa é prematura porque: esse hidrogénio está numa fase de projetos-piloto e não numa fase madura que justifique investimentos significativos em infraestruturas de transporte; no estado atual da tecnologia, mais vale transportar a energia sob a forma de eletricidade e produzir o hidrogénio localmente com essa eletricidade; não vale a pena pagar o sobrecusto de construir os tubos nessa nova ligação preparados para o hidrogénio, pois que a restante tubagem dos gasodutos em Portugal e Espanha não está preparada para tal. E, segundo o Governo, o GN estará em phasing out, pelo que também não se justifica para o transporte de GN.»

O "Corredor Verde" do Dr. Costa não passa, pois, de uma cortina de fumaça para esconder a cedência do par ibérico aos interesses da França que, por um lado, já dispõe de infraestruturas para a importação de LNG e, por outro, aspira ser um fornecedor europeu ainda maior de electricidade de origem nuclear e não está interessada na concorrência da electricidade das energias renováveis ibéricas.

09/11/2022

Even a man who thinks quickly should not speak faster than he thinks (2) - An “absolutist of free speech”, he said

Continued from previous post.
   
WSJ

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (99) - O camarada Jerónimo levou o PCP quase até à irrelevância. O camarada Raimundo vai acabar o trabalho. Bem haja

Fonte

Escolher por um processo opaco («concluída a devida auscultação») para substituto do camarada Sr. Jerónimo de Sousa, o camarada Sr. Paulo Raimundo, um funcionário com 20 anos de casa, a quem atribuem «identificação com os trabalhadores e as massas populares» e a quem a imprensa afecta chamou «operário», escolha que o Comité Central do PCP irá formalizar no sábado, é mais um must bastante previsível do Partido Comunista.

Façamos votos para que o Sr. Raimundo cumpra a sua missão e, para bem da Nação, mantenha encalhado o último partido leninista-estalinista do Mundo Livre.

08/11/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (39b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 39a)

Infantilização e tiro no pé

As medidas que o governo está a adoptar para “ajudar” as famílias em matéria de habitação tudo indica tenham efeitos perversos que acabem a anular os seus efeitos potencialmente positivos. Quanto a obrigar os bancos a renegociar as condições dos créditos, o que a APB classificou como «paternalista», já na semana passada assinalei o perigo de se criar uma bolha imobiliária semelhante à que esteve na origem da crise de 2008.

Do lado do arrendamento, a limitação de 2% à actualização das rendas (o índice real é 5,43%) parece estar a desencadear uma vaga de despejos com os senhorios a tentarem novos contratos para fintarem a fixação administrativa da actualização. Afinal não seria novidade, a história está cheia de exemplos das consequências indesejadas da intervenção dos governos no mecanismo dos preços.

Por falar em habitação, mais uma Boa Nova

Depois de vários programas de habitação lançados nos últimos 6 anos pelo Dr. Pedro Nuno em concorrência com o Dr. Medina, à época presidente da câmara de Lisboa, todos eles falhados, o governo pela boca do Dr. Pedro Nuno anunciou que vai apresentar ao parlamento um Programa Nacional de Habitação, com 22 medidas e um investimento de 2,377 mil milhões de euros a partir de 2023 até 2026. Auguro-lhe o mesmo destino dos anteriores, de quem de resto já ninguém se lembra.

A família socialista é muito unida

Não obstante o SE adjunto do Dr. Costa ser arguido como autarca de Caminha não de um mas de dois processos (um deles aqui descrito por JMT no Público) o Dr. Costa mantém a confiança política no Dr. Miguel Alves.

O dinheiro não é tudo. O sexo também é importante

A confirmar que o SEF é uma verdadeira escola de virtudes, como já se suspeitava com o caso do ucraniano assassinado, um apparatchik do SEF foi aliciado com favores sexuais por comerciante chinês para facilitar autorizações de residência a compatriotas seus.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

A dívida pública lá vai subindo regularmente, desta vez mais 1,6 mil milhões para 280 mil milhões em Setembro. Graças à inflação, cujas consequências o Dr. Costa gostaria de limitar aos efeitos sobre o rácio dívida/PIB, este diminuiu 2,9 pontos percentuais.

Boa Nova

«Portugal lidera crescimento na UE no 3.º trimestre», escreveu entusiasmado o semanário de reverência, para celebrar um resultado que só acontece porque o PIB do 3.º trimestre de 2021, com a qual a comparação é feita, ainda estava abaixo do seu valor de 2019.

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

Apesar da Boa Nova, até o próprio Expresso admite uma recessão em 2023, e é acompanhado pelo Fórum para a Competitividade que prevê uma variação entre -2% e 1%.

As taxas de juro continuam a aumentar e a Euribor a 6 meses (a mais usada no crédito à habitação) aumentou de -0,539% em Janeiro para 2,278% no passado dia 4, próximo dos valores de 2009. (fonte) Sabendo-se que 68% dos créditos à habitação em Portugal estão a taxa variável, é fácil antecipar efeitos dramáticos sobre as famílias portuguesas em cima de uma inflação próxima dos dois dígitos.

07/11/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (39a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

A cartola socialista está cheia de coelhos

O maior problema da economia portuguesa, e a raiz da nossa pobreza relativa, é a produtividade aparente do trabalho (isto é, a riqueza produzida em média por cada trabalhador), que é uma das mais baixas da Óropa. Se é certo que a riqueza produzida cresce com o aumento do número de horas de trabalho, é igualmente certo que diminui se esse número se reduzir, a menos que a produtividade do trabalho por hora trabalhada aumente mais depressa. Ora acontece que a produtividade do trabalho por hora não só é também uma das mais baixas da Óropa, representando menos de 66% da média da UE27, como tem vindo a diminuir.

Neste contexto a medida que o governo está a promover de redução da semana de trabalho para quatro dias revela-se mais uma negaça para iludir o povo ignaro e um expediente a adicionar ao repertório do Dr. Costa que aumenta na medida que mais entalado o governo se sente.

O Dr. Costa a tentar fugir ao dilema de «optar entre morrer da doença ou da cura»

No seu esforço para tentar ter a chuva no nabal da inflação que lhe aumenta as receitas fiscais e ter o sol na eira das taxas de juro baixas, o Dr. Costa argumentou, com a sua ciência económica aprendida nos corredores da Mouse School of Economics, que a inflação se deve à escassez da oferta pelo que não faria sentido aumentar os juros. O BCE e o próprio Dr. Centeno, o seu ex-ministro das Finanças, não concordam e um paper publicado pelo BCE também não.

Será que o Dr. Costa, depois de ter culpado o “neoliberalismo” pelo desastre socrático, se prepara com a cumplicidade de S. Ex.ª o PR para atribuir a culpa do próximo desastre ao BCE, seu salvador na crise anterior?

Banco de Fomento é «torrar dinheiro em coisas que não valem pevide»

O Banco de Fomento é mais uma das vítimas da maldição das empresas públicas. A sua criação foi várias vezes durante dois anos anunciada para as «próximas semanas», sucedendo a um banco de fomento que fora privatizado por um governo PS, ressuscitado em 2018, só viu a luz do dia em 2021. Descobriu-se recentemente que a Portugal Ventures, uma sociedade de capital de risco que o BF controla, gere 13 fundos com rentabilidade negativa. Sabe-se agora que as contas de 2021 só foram publicadas em Outubro e, por último, a Comissão de Auditoria queixou-se ao BdP de obstáculos ao seu trabalho. Guess why!

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

A EFACEC, uma empresa nacionalizada por um governo do PS que sucedeu a outro governo do PS que havia facilitado a entrada de Isabel dos Santos, foi tentada vender n vezes, a última à DST, chumbada pela DGComp. Em 2021 já tinha prejuízos de 184 milhões e no primeiro semestre de 2022 acrescentou mais 55 milhões. «Do lado dos trabalhadores, o desejo é manter o Estado como accionista», esclarece-nos o Expresso, sem surpresa, afinal quem não gostaria de ter um benfeitor?

Take Another Plan

O resultado positivo de 111 milhões da TAP no terceiro trimestre foi muito celebrado pelo governo e pelas suas agências de propaganda. Pouca gente se deu ao trabalho de verificar que nos últimos 12 meses terminados em 30 de Setembro a TAP teve um prejuízo de 1.060 milhões de euros e com os cancelamentos (300 tripulantes de férias no Natal, queixou-se a CEO) e as greves já anunciadas o quarto trimestre, por via de regra pior do que o terceiro, e todo o ano de 2022 arriscam-se a ser outro desastre. Quem não parece estar preocupado é o Dr. Pedro Nuno, aqui impiedosamente retratado por Henrique Raposo.

(Continua)

06/11/2022

The New Middle Empire, a vast propaganda theme park


«It was my first visit, and at Chinese passport control I had my fingerprints recorded and my photo taken to be fed into a system of web-cameras across the country that would instantly identify me wherever I might be. lndeed, the country can be viewed as a vast propaganda theme park offering every method of manipulation and coercion that I have touched on in this book, and more. ln western China, there are labor camps right out of mid-twentieth-century totalitarian dictatorships, where entire communities of Muslim Üighurs are indiscriminately rounded up and hauled off for "re-education" because the government is worried. that they might want independence. At other times, the situation can be more reminiscent of the 1970s.»

Peter Pomerantsev, "This is not propaganda"

05/11/2022

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (12) - Uansupapaua, tusupapua & Uereisdameia

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).



Nunca tive orgulho em ser português (nem em ser outra coisa qualquer), mas agora é diferente. Com as palhaçadas de uma criatura que é presidente deste país, estou a ficar com vergonha.

Subsidizing fuel prices is the wrong policy. And sometimes, like now, useless

«Is Europe’s chilly winter destined to be a much-feared disaster that never transpires? Only a few weeks ago wholesale gas prices were surging, leading to predictions of blackouts, rationing and people unable to heat their homes.

Wholesale gas prices, however, have recently plummeted. Yesterday, they fell below 100 euros per MWh for the first time since June – less than a third of their peak in August. It is possible that the government’s energy price guarantee – which remains in place until April – will end up costing taxpayers nothing.

What’s going on? Oil and gas prices have always been very sensitive to minor changes to the balance of supply and demand – and that is exactly what is happening now. In preparation for this winter, European countries have been rapidly filling their gas storage facilities with liquified natural gas (LNG) imported by ship from Qatar, the US and elsewhere. Those facilities are now reported to be virtually full. LNG ships are queuing off European coasts waiting to unload their cargoes – and being kept waiting because there is a shortage of storage space and facilities to unload. There are believed to be around 50 such ships currently at sea off Europe.

At the same time, demand for gas is significantly lower than in recent years – around 7 per cent lower than the average for the past three Octobers. This is, in part, due to consumers being more careful with their energy use in reaction to higher prices and governments instigating deliberate demand-reduction measures. The EU, for instance, has agreed to try to cut consumption by 15 per cent this winter. Energy-hungry plants like steelworks have been ordered to lower production. It also helps that western Europe has enjoyed an especially mild October.

So, what happens now? Was the spike in gas prices in the summer a result of a panicked effort to stock up with gas, or will wholesale prices start to rise again as the weather inevitably eventually turns colder and the energy storage facilities begin to run empty? On the positive side, Europe is hurriedly beefing up its facilities for offloading and re-gasifying LNG. Germany, for example, has developed five floating LNG terminals this year. That should go some way to replacing the loss of Russian gas.

However, importing LNG by ship is a more expensive process than importing via pipeline – around 10 per cent of the energy is lost in the process of liquifying and then degasifying it. Therefore, even if Europe can succeed in replacing Russian gas entirely with LNG, we can’t necessarily expect gas prices to return to what they were before this year’s crisis. At 100 euros per MWh, wholesale gas prices are still more than twice what they have been for most of the past decade. There is also the matter of the harm wrought on European economies by high gas prices this year. Will production driven abroad by high energy prices ever return?

But, for the moment, it appears as if some of the grim predictions for the winter of 2022/23 may have been exaggerated. The market has done its work and corrected the imbalance between supply and demand. The winter is not likely to be as chilly as it was feared only a few weeks ago.»

Why are Europe’s gas prices falling? , Ross Clark, The Atlantic