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26/01/2023

Lost in translation (363) - Sem se dar conta, a Dr.ª Mariana, filha do Dr. Vieira da Silva, ou mentiu ou considerou incompetente (ou desonesto) o seu chefe Dr. Costa ou é ela própria incompetente (ou desonesta)

«A ministra da Presidência garantiu esta terça-feira, em Lisboa, que a “larguíssima maioria” das perguntas do questionário de escrutínio de governantes já são respondidas pelos membros do executivo, através das declarações a que o Parlamento e o tribunal têm acesso.» (fonte)

Sabendo-se que o actual governo do Dr. Costa já registou 13 demissões por motivos vários, uma grande parte, ou talvez todos, enquadráveis nalguma ou nalgumas das 36 questões do célebre questionário com que o Dr. Costa pretendia limpar a sua folha para o futuro, a afirmação precedente ou é uma rematada mentira ou, sendo verdade, transmite do Dr. Costa uma imagem de incompetência, porque tendo tido a informação necessária e suficiente não foi capaz de tirar as devidas conclusões, ou tendo-as tirado as ignorou, pelo que, nesse caso, seria desonesto. Em alternativa, tudo isto está para além da compreensão da Dr.ª Mariana, de onde resultaria ser ela também incompetente para exercer o cargo de ministro da Presidência, ou, pelo contrário, a Dr.ª Mariana compreendeu tudo perfeitamente e, nesse caso, é (também) desonesta.

25/06/2021

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (7) - Fact checking ao fact check

Este post é o 7.ª da série: (1), (2), (3), (4), (5) e (6) e vem a propósito deste fact check do Observador quer conclui que é errada a frase «Câmara Municipal de Lisboa tem cerca 17 mil funcionários» que uma criatura botou no seu Facebook.

O Observador gasta 5 páginas de prosa rebarbativa para demonstrar que aquela frase é falsa, para o que bastaria um único quadro.
Achei piada porque este fact check é um exemplo de como o fact checking pode ser uma actividade inócua e praticamente inútil. Na verdade, é tão falso que a câmara de Lisboa tenha 17 mil funcionários, como 1,7 ou 170 mil. 

Os factos mais relevantes são:
  • A câmara de Lisboa tem cerca de 10 mil funcionários para cerca de 510 mil residentes, o que é o dobro dos funcionários por mil habitantes de Madrid ou Barcelona e mesmo quase mais um terço do que a câmara do Porto (3.200 funcionários para 215 mil residentes);
  • Entre esses 10 mil encontram-se mais de um milhar de licenciados, incluindo em áreas como Marketing, História, Línguas e Literatura, entre outras; 
  • E encontram-se também mais de uma centena de assessores (ver aqui uma lista de 2017, que entretanto já deve ter engordado).
Factos que nos permitem concluir que o socialismo camarário é um exemplo de sucesso da aplicação da lei de Parkinson à administração autárquica.

18/03/2021

Os observatórios como lugar geométrico do nepotismo e da lei de Parkinson no Portugal dos Pequeninos

Enviaram-me uma lista dos "Observatórios" existentes em Portugal que circula por aí e parece ter algumas imprecisões. Ainda assim, a lista é impressionante: 119 observatórios, cada um com uns quantos apparatchiks o que perfaz centenas de tenças. Suspeito que a maioria desses observatórios tenha sido criada por governos socialistas, mas os governos do PS-D não devem estar inocentes. 

[Leitura recomendada para quem não conheça: Parkinson Law revisited, um post já velhinho do outro contribuinte]

A lista completa:

1) Observatório dos medicamentos e dos produtos da saúde
2) Observatório nacional de saúde
3) Observatório português dos sistemas de saúde
4) Observatório da doença e morbilidade 
5) Observatório Vida
6) Observatório do ordenamento do território

01/03/2021

O socialismo nos canteiros, como no resto

 O estado dos canteiros do Estado Novo no Estado Sucial 

«Em 1961, os jardineiros da autarquia de Lisboa conceberam sem dificuldades de maior os 32 brasões do jardim de Belém. Em 2021, a CML cujo quadro de pessoal atingiu os astronómicos 13.068 postos de trabalho alega que não tem pessoal qualificado para manter esses canteiros.»

Helena Matos no Observador
Para uma perspectiva histórica da engorda do aparelho camarário de Lisboa, vejam-se alguns posts que se escreveram a esse respeito no (Im)pertinências: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (1), (2), (3), (4), (5) e (6) e tome-se nota de algumas referências:

  • Desde 2016 a CML presidida pelo Dr. Medina aumentou o número de funcionários lá estacionados de 10.093 para 13.068, enquanto a população residente se manteve estável ao redor das 500 mil pessoas;
  • O número de funcionários inclui mais de um milhar de licenciados em várias áreas incluindo algumas inesperadas como Marketing, História, Línguas e Literatura;
  • Comparem-se os 13 mil funcionários para 500 mil habitantes de Lisboa com os 10 mil para os 1,6 milhões de Barcelona ou os 27 mil para 3,3 milhões de Madrid.
Imagine-se se Dr. Medina alcançar a sua ambição e suceder ao seu padrinho em S. Bento o que acontecerá ao exército de utentes da vaca marsupial pública, às contas públicas e ao estado de um país a exaurir-se para manter um aparelho ineficaz e ineficiente.

19/10/2019

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (6) - Um exemplo local do socialismo costista

Este post é o 6.ª da série: (1), (2), (3), (4) e (5)

Em retrospectiva, com mais de 10 mil funcionários para 505 mil residentes, a câmara de Lisboa tem o dobro dos funcionários por mil habitantes de Madrid ou Barcelona. Entre esses 10 mil encontram-se mais de um milhar de licenciados, incluindo em áreas inesperadas como Marketing, História, Línguas e Literatura, entre outras (ver aqui uma lista do ano de 2012). Sem esquecer mais de um centena de "acessores" (não, não são assessores, eles não assessoram, eles acederam)  - ver aqui uma lista de há dois anos.

Entretanto, a adicionar aos mais de 10 mil, a câmara prevê no orçamento de 2020 contratar mais 517  para diversas áreas, aumentando as despesas com pessoal em 12,2%, as quais atingirão 277 milhões o que dá um salário mensal médio de quase 2 mil euros. As justificações para estas contratações são reformas e a «descentralização de competências da administração central para o município». De passagem, registe-se que os contratados pela câmara no próximo ano equivalem a dois anos de reformados e a administração central, enquanto descentraliza para os municípios, aumentou os seus efectivos de utentes da vaca marsupial pública em 41 mil durante o consolado do Dr. Costa.

Como todos já deveríamos saber ao fim de quatro décadas, o socialismo não é barato e ainda temos um longo caminho a percorrer.

30/08/2018

CONDIÇÃO MASCULINA / ESTADO DE SÍTIO / CASE STUDY: O homem português é um queixinhas, a CIG é um zingarelho inútil e o Estado Sucial português está contaminado pelo parkinsonismo

«Em 2017, apenas cinco pessoas se queixaram à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) de terem sido discriminadas no acesso a bens e serviços. Mas quem o fez foram sobretudo homens, assinando quatro das cinco participações. A quinta queixa foi enviada por uma mulher, só que com o mesmo motivo: alegando prática discriminatória em relação a homens.» (Público)

Conclusões:

1.ª Confirma-se que, ao contrário da lenda, os portugueses do sexo masculino são em média criaturas meio-efeminadas, pouco másculos e com os tiques característicos do sexo feminino, por exemplo queixinhas - o último índice de masculinidade conhecido de Geert Hofstede era um dos mais baixos em todo o mundo colocando a cultura portuguesa como uma das mais femininas.

2.ª A CIG é um pesado e inútil zingarelho que proporciona dúzias de tenças a dúzias de apparatchiks para tratar cinco queixas por ano.



3.ª A CIG, como todos os organismos do Estado Sucial português, é mais um case study das leis de Parkinson, comparável por exemplo ao da Câmara Municipal de Lisboa (o locus socialista por definição).

14/12/2017

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (5) - O multiplicador de ASPON

Parkinson na câmara de Lisboa.

As últimas notícias sobre a contratação de assessores e secretárias pela câmara de Lisboa só surpreendem quem anda distraído ou quem não tenha lido os posts anteriores desta série - ora clique lá no link aqui por cima.

Lamentavelmente a maioria dos alfacinhas e dos portugueses em geral andam distraídos. São as performances do presidente dos Afectos, as trapalhadas do primeiro-ministro Costa e das famílias que constituem o governo, os números dos palhaços de serviço à geringonça (um aplauso especial para o palhaço Galamba que veio do circo Sócrates) e empenhados nas compras de Natal e aos bancos.

Fonte
«Os valores variam mas os contratos mais elevados para assessoria prevêem o pagamento de 3.700 euros mensais, mais IVA. Tal como acontece com a Assembleia Municipal, também no Executivo camarário Lisboa adotou há vários anos um regime que lhe permite contratar mais assessores do que o apoio técnico atualmente previsto no Regime Jurídico das Autarquias Locais. De acordo com a Lei 75/2013, que definiu o número de funcionários para apoio dos membros das câmaras, o presidente e os vereadores de Lisboa têm direito a um total de dez adjuntos e nove secretários. E Fernando Medina tem direito a um chefe de gabinete.»

Lembram-se do multiplicador keynesiano que foi aplicado aos autoestradas que permitiria transformar cada euro de alcatrão em 18 euros de PIB? A coisa aí não funcionou (ou melhor funcionou na multiplicação da dívida) mas aqui está a funcionar na multiplicação dos ASPON (ASsessores de POrra Nenhuma). É isto a descentralização socialista.

28/03/2017

CASE STUDY: DGSS, uma aplicação prática da lei de Parkinson

Este é mais um post dedicado às aplicações práticas da lei de Parkinson nos órgãos da vaca marsupial pública.

Comecemos por recordar a lei de Parkinson que em rigor são duas leis: a lei da Multiplicação dos Subordinados e a lei da Multiplicação do Trabalho.

Continuemos com as premissas, confirmadas por anos de observação, que na administração pública portuguesa são aplicáveis variantes das leis de Parkinson: a lei da Multiplicação das Chefias, em vez da lei da Multiplicação dos Subordinados, e a lei da Multiplicação das Folgas, no lugar da lei da Multiplicação do Trabalho.

A esta luz, estamos agora em condições de compreender o caso da Direcção-Geral de Segurança Social (DGSS) tal como nos é descrito pelo DN, o diário da manhã do regime, a partir de uma auditoria da IGF aos recursos humanos da DGSS.

Citando o DN, podemos identificar a ocorrência das referidas leis na DGSS:
  • Lei da Multiplicação das Chefias - «em setembro de 2015, o rácio era de um chefe para 4,5 funcionários, quando em 2009 a média era de 6,5 por dirigente (...) existirem duas coordenadoras técnicas a chefiarem um e três trabalhadores, respectivamente»; 
  • Lei da Multiplicação das Folgas - «esta situação traduz-se no benefício adicional de mais 12 dias anuais de não trabalho (que acrescem aos dias de férias).»

19/02/2017

CASE STUDY: Banco de Portugal, outra aplicação prática da lei de Parkinson (2)

Há uns bons treze anos publiquei aqui um outro post sobre este tema, onde citava Luís Aguiar-Conraria:

«Dado que Portugal não tem moeda própria, a única função do Banco de Portugal é a regulação e supervisão do sistema bancário. O Banco de Portugal tem 1700 funcionários, quatro vezes mais que o Banco Central da Suécia, que, lembre-se, tem de gerir a sua moeda, a coroa sueca.»

Treze anos depois, o BdeP compra um terreno nas Laranjeiras onde, segundo os jornais, irá construir um mausoléu para alojar 1.500 funcionários vindos de diversas outras campas: Almirante Reis (800 corpos), Castilho (500 corpos) e República (200 corpos). Manterá a sede na Baixa onde se manterão uns 500 corpos que perfazem um total de 2.000, mais 18% do que há treze anos.

Em contrapartida, segundo o Expresso, nos 19 países da Zona Euro entre 1999 e 2016 os efectivos totais dos bancos centrais desceram de 59.790 para 46.896 funcionários, uma redução de 21,6%.

Não obstante a redução do âmbito da sua missão e o aumento dos efectivos, ou talvez por isso mesmo, ao BdeP, responsável pela supervisão dos bancos portugueses, passou-lhe ao lado a bancarrota que atingiu quatro deles (BPN, BPP, BES e Banif) e só tardiamente impôs aos restantes o cumprimento dos rácios mínimos.

(Inspirado no Armour & Co.'s General Office, Chicago, 1900, foto adaptada do Early Office Museum)
Temos, pois, uma vez mais, um exemplo perfeito das leis de Parkinson (ver aqui um resumo): a Lei da Multiplicação dos Subordinados e a Lei da Multiplicação do Trabalho e do seu corolário - da diminuição absoluta do âmbito de intervenção ou do volume de trabalho duma organização pode resultar o crescimento exponencial dos seus efectivos.

O BdeP é, segundo as luminárias do regime, uma das instituições mais prestigiadas, se não mesmo a mais prestigiada, do regime. De onde surge a dúvida cartesiana, como serão as outras instituições do regime menos prestigiadas?

15/05/2016

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (4)

Parkinson na câmara de Lisboa.

Desta vez é a lei da multiplicação do trabalho de Parkinson aplicada com a ajuda da agenda LBGTI (atenção do “I”). Trata-se do Plano de Acção 2014-2017 do Pelouro dos Direitos Sociais da câmara municipal de Lisboa, um elenco de 26 densas páginas grávidas de 249 acções, incluindo umas dezenas da agenda LBGTI, arrumadas em 50 missões, organizadas em 21 objectivos, alinhadas em 3 eixos. Como teaser, aqui vão alguns exemplos de acções:
  • 10.a.1.1. Assinalar datas relevantes na área da Orientação Sexual e Identidade de Género (17 de Maio, 28 de Junho).
  • 10.a.1.3. Organizar sessões de sensibilização sobre Orientação Sexual e Identidade de Género para as comunidades educativas. 
  • 10.a.1.5. Apoiar as organizações representativas das pessoas LGBTI.
  • 10.a.2.1. Promover o acesso à habitação das pessoas lésbicas, gay e bissexuais (LGB).
  • 10.a.2.4. Organizar um concurso escolar sobre a diversidade sexual.
  • 10.a.3.1. Combater a invisibilidade social das pessoas Trans e Intersexo.
  • 10.a.3.2. Apoiar as pessoas Trans e Intersexo no procedimento de mudança de nome e sexo no registo civil.
  • 10.a.3.4. Realizar um diagnóstico de identificação das necessidades específicas das pessoas Trans e Intersexo.
  • 10.a.3.2. Apoiar as pessoas Trans e Intersexo no procedimento de mudança de nome e sexo no registo civil.
  • 10.a.3.4. Realizar um diagnóstico de identificação das necessidades específicas das pessoas Trans e Intersexo.
A minha acção favorita é «Combater a invisibilidade social das pessoas Trans e Intersexo».

Se quando Costa tomou posse já andavam pela câmara uns dez mil apparatchiks, hoje, passados 9 anos, com o herdeiro Medina, a capacidade de manutenção de tenças mantém-se (ver quadro seguinte extraído do Mapa de Pessoal 2016). É uma tença por cada 55 residentes - o dobro de Madrid ou Barcelona.


Imaginemos as hordas de apparatchiks que este Plano de Acção pode ocupar dos 2.216 lugares cativos.

06/03/2016

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (3)

Uma vez mais, a câmara de Lisboa, continuando a herança do seu ex-presidente, o agora chefe da geringonça, manterá em 2016 a derrama de 1,5% como adicional ao IRC das empresas com sede em Lisboa (simplesmente a maioria das empresas que pagam IRC e a maioria deste). É a taxa máxima e nem sequer tem uma taxa reduzida, ao contrário de uma parte significativa das câmaras.

Assim se pode manter «a rede da agência de empregos no município» montada por Costa e descrita por Vítor Matos em «Os predadores», que constitui um repositório de novos situacionistas e uma das mais notórias aplicações da lei de Parkinson a um exército de 10 mil utentes da vaca marsupial pública (1 por cada 55 residentes e o dobro de Madrid ou Barcelona) acantonados em dezenas de departamentos recheados com centenas de arquitectos, juristas, engenheiros civis, assistentes sociais, licenciados em marketing, economia, gestão e finanças.

20/08/2014

CASE STUDY: Banco de Portugal, outra aplicação prática da lei de Parkinson

C. Northcote Parkinson enunciou a lei que leva o seu nome (ver aqui) observando vários exemplos, incluindo o do departamento das Colónias do ministério da Marinha, que à medida que a Grã-Bretanha perdia as colónias, uma atrás da outra, os efectivos do departamento aumentavam.

Se Parkinson vivesse em Portugal teria acesso a um vastíssimo campo de observação a começar pela câmara municipal da capital do país. De facto, à medida que a população da cidade vêm diminuindo há meio século a população dos funcionários da câmara vem aumentando a um ritmo ainda mais rápido até atingir hoje 9.956 funcionários ou seja 1 por cada 55 residentes e o dobro de Madrid ou Barcelona, parqueados em cerca de 300 departamentos e divisões.

(Inspirado no Armour & Co.'s General Office, Chicago, 1900, foto adaptada do Early Office Museum)
Os parágrafos precedentes foram escritos há quase dois anos. A administração pública e o sector empresarial do estado estão povoados de casos semelhantes e poderiam multiplicar-se os exemplos. Se fosse hoje, e a propósito do Banco de Portugal que tem andado recentemente nas bocas do mundo, acrescentaria um outro exemplo citado por Luís Aguiar-Conraria em A Destreza das Dúvidas:

«Dado que Portugal não tem moeda própria, a única função do Banco de Portugal é a regulação e supervisão do sistema bancário. O Banco de Portugal tem 1700 funcionários, quatro vezes mais que o Banco Central da Suécia, que, lembre-se, tem de gerir a sua moeda, a coroa sueca.

O Banco de Portugal é a instituição portuguesa que mais bem paga aos seus funcionários. Paga salários elevados, paga subsídios aos filhos dos funcionários, tem um regime de pensões altamente favorável e por aí fora. Em média, cada funcionário recebe cerca de 5000€ mensais. O anterior governador, Vítor Constâncio, tinha uma remuneração superior (*) à do presidente da FED norte-americana (não sei se é o caso do actual governador, Carlos Costa).»

(*) Constâncio tinha uma tença anual de 250 mil euros, que em valor absoluto era cerca do dobro do salário de Bernard Bernanke, o presidente do FED, ou mais de 4 vezes, se tomarmos em conta o nível médio de salários em Portugal e nos EU.

23/07/2013

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (2) ou assim se fazem primeiros-ministros

Recordando o balanço no final do ano passado das décadas de gestão predominantemente socialista da câmara de Lisboa, à medida que a população da cidade vem diminuindo há meio século, a população dos funcionários da câmara vem aumentando a um ritmo ainda mais rápido até ter atingido 9.956 funcionários ou seja 1 por cada 55 residentes e o dobro de Madrid ou Barcelona, parqueados em cerca de 300 departamentos e divisões, que incluem:

27/12/2012

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson

C. Northcote Parkinson enunciou a lei que leva o seu nome (1) observando vários exemplos, incluindo o do departamento das Colónias do ministério da Marinha, que à medida que a Grã-Bretanha perdia as colónias, uma atrás da outra, os efectivos do departamento aumentavam.

Se Parkinson vivesse em Portugal teria acesso a um vastíssimo campo de observação a começar pela câmara municipal da capital do país. De facto, à medida que a população da cidade vêm diminuindo há meio século a população dos funcionários da câmara vem aumentando a um ritmo ainda mais rápido até atingir hoje 9.956 funcionários ou seja 1 por cada 55 residentes e o dobro de Madrid ou Barcelona, parqueados em cerca de 300 departamentos e divisões. Entre esses funcionários encontram-se (2):
  • 330 arquitectos
  • 101 assistentes sociais
  • 73 psicólogos
  • 104 sociólogos
  • 146 licenciados em marketing
  • 260 engenheiros civis
  • 156 historiadores
  • 303 juristas, cujo serviço se supõe que deve ser dar parecer sobre os pareceres que a CML encomenda a gabinetes de advocacia privados, incluindo um a quem a câmara pagou 75 mil euros por um ano e 10 meses.
Vem a propósito recordar que em 5 dos últimos 23 anos passaram pela presidência da câmara de Lisboa um primeiro-ministro do PSD (Santana Lopes) e o seu homem de confiança (Carmona Rodrigues). Nos restantes 18 passaram por lá um líder do PS e futuro PR (Jorge Sampaio), o filho do fundador do PS (João Soares), e o provável futuro líder do PS (António Costa) e, em consequência, possível próximo primeiro-ministro – possibilidade preocupante tendo em conta a experiência da criatura como dirigente municipal.
(1) Em rigor são duas leis: Lei da Multiplicação dos Subordinados e a Lei da Multiplicação do Trabalho (ver aqui).
(2) Segundo uma informação que recebi por email de um amigo, que parece plausível quando confrontada com o «Mapa de Pessoal do Município de Lisboa». Este mapa proporciona uma leitura muito instrutiva e permite acrescentar àquela lista mais as seguintes especialidades:
  • 170 licenciados em Economia, Gestão e Finanças
  • 30 engenheiros agrários e agrónomos
  • 12 engenheiros químicos
  • 54 técnicos superiores de línguas e literatura
  • 17 médicos veterinários

28/09/2011

Perguntas desnecessárias

Pergunta-se Rui A. no Blasfémias, «A Entidade Reguladora para a Comunicação Social tem cinco directores e sessenta, repito, sessenta funcionários. Para quê?»

Ora, ora. Pois, para ler os jornais, ouvir as rádios e ver as TVs. Para quê mais haveria de ser?

11/08/2011

O poder local dos caciques locais

Em 2 anos de plena crise e suposta contenção orçamental, os efectivos de funcionários das câmaras aumentaram 8.954 ou 7,1%. O governo diz querer reduzir 6% até 2014 e também diz querer cumprir o Memorando do FMI/BCE/FEEF e reduzir o número de câmaras.

Acredite se quiser.

02/10/2010

Estado assistencialista falhado (3) – Os comissários dos jovens em perigo

O Diário da República, o repositório das abundantes ejaculações dos inúmeros órgãos legislativos, publicou ontem mais uma meia dúzia de portarias criando outras tantas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, previstas na Lei 147/99 de protecção de crianças e jovens em perigo, aprovada durante o consolado do bondoso engenheiro Guterres.

As ditas comissões têm, pelos vistos, duas modalidades: a alargada e a restrita. Vejamos, por exemplo, a modalidade alargada de Alter do Chão (Portaria n.º 999/2010); dela fazem parte pelo menos 15 servidores do estado assim distribuídos:

a) Um representante do município;
b) Um representante do Instituto da Segurança Social, I. P.;
c) Um representante dos serviços locais do Ministério da Educação;
d) Um médico, em representação dos serviços de saúde;
e) Um representante das instituições particulares de solidariedade social ou de organizações não governamentais que desenvolvam actividades de carácter não institucional destinadas a crianças e jovens;
f) Um representante das instituições particulares de solidariedade social ou de organizações não governamentais que desenvolvam actividades em regime de colocação institucional de crianças e jovens;
g) Um representante das associações de pais;
h) Um representante das associações ou organizações privadas que desenvolvam actividades desportivas, culturais ou recreativas destinadas a crianças e jovens;
i) Um representante das associações de jovens ou dos serviços de juventude;
j) Um representante da Guarda Nacional Republicana;
k) Quatro pessoas designadas pela assembleia municipal;
l) Os técnicos que venham a ser cooptados pela Comissão.


Como o concelho de Alter do Chão tinha na sua população residente (*) 404 jovens até aos 14 anos, cada um dos 15 comissários alargados teria a seu cargo 27 jovens nesse escalão etário. Adicionando os 316 jovens dos 15 até aos 24 anos, cada comissário poderia ficar a tomar conta de 48 jovens. Se admitirmos que um em cada dez é um «jovem em perigo» cada comissário alargado poderia dar colo a 2 «jovens em perigo» em cada perna. Poderia, mas não precisa porque, segundo a Lei 147/99, a comissão alargada só informa a comunidade sobre os direitos da criança e do jovem; promove acções e colabora com as entidades competentes; dinamiza e dá parecer sobre programas, analisa a informação semestral e aprova o relatório anual de actividades.

É o estado assistencialista falhado.

(*) Fonte: Anuário Estatístico da Região Alentejo 2008

22/02/2008

A Sub-Região de Saúde de Beja - um case study do PRACE

Administrativos ao poder
Jaime Antunes, OJE de 21-02-2008

«DURANTE a tomada de posse do Conselho Distrital de Beja da Ordem dos Médicos foi referido pelo médico Manuel Matias que entre 1985 e 2008 o número de clínicos do Hospital Distrital de Beja desceu de 150 para 108. Curiosamente, no mesmo período, o número de funcionários administrativos passou de 700 para mais de 1200.
Segundo o “Público”, citando dados da Direcção-Geral de Saúde referentes a 2006, a Sub-Região de Saúde de Beja servia uma população de 154 325 habitantes, através de 14 centros de saúde e um hospital. No conjunto existiam 219 médicos, 926 administrativos e 524 enfermeiros.
Apesar da redução do número de médicos, a região de Beja ainda conta com um médico para 704 habitantes e o que é extraordinário tem um administrativo por cada 166 habitantes. Se cada habitante contactar em média os estabelecimentos de saúde uma vez por mês cada funcionário tem de atender cinco pessoas por dia.
Acontece que os médicos que exercem a profissão em Beja, ainda por cima, têm uma idade média elevada o que pressupõe que a tendência de redução deverá continuar nos próximos anos uma vez que, diz o Presidente do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, não é possível atrair novos médicos para substituir os que se reformam.
O Presidente explica também que o aumento do número de funcionários administrativos resulta da necessidade de recrutar pessoal técnico especializado para executar os mais diversos exames médicos.
Com este tipo de explicações está tudo dito: Os médicos em Beja são cada vez menos porque ninguém quer exercer medicina nessa cidade mas os funcionários administrativos são cada vez mais porque têm de praticar “os mais diversificados exames médicos”. Mas se há cada vez menos médicos quem examina os doentes e quem prescreve cada vez mais exames?
Por outro lado, a falta de médicos sente-se mais nas especialidades, nomeadamente endocrinologia, urologia, psiquiatria, oftalmologia, neurocirurgia, neuro-radiologia, otorrinolaringologia, cardiologia e genética médica.
Faltando médicos em todas estas especialidades (só há dois cardiologistas no Hospital de Beja), o que fazem os tais funcionários administrativos especializados cuja contratação justifica? Não sou especialista em gestão de equipamentos de saúde mas suspeito que ainda vamos ter saudades de Correia de Campos e da sua política de racionalização dos recursos existentes no Serviço Nacional de Saúde, que estava apenas a começar. Está à vista de todos que o principal problema do Serviço Nacional de Saúde está na gestão irracional dos recursos ao longo de décadas. Os contribuintes pagam muito por um serviço deficiente em muitas unidades de saúde. No SNS convivem unidades de grande qualidade e profissionais altamente dedicados com outros em que o respeito pelos pacientes é quase inexistente.
E voltando a Beja ainda fico à espera que alguém me explique porque razão são necessários mais de quatro funcionários administrativos por cada médico ao serviço na Sub-Região de Beja. »

08/01/2008

ESTADO DE SÍTIO: Quem trabalha nas estradas precisa de automóvel. Ou não?

Se há algo de estranho nas Estradas de Portugal é a frota de automóveis ter apenas 800 veículos para 1.800 funcionários. Como é estranho o Público espantar-se que haja facturas anuais de gasolina superiores a 10 mil euros.

Não será óbvio que quem trabalha nas estradas precisa de meio de transporte? Não podemos queixar-nos que a Administração pública tem muitos burocratas ao mesmo tempo que nos queixamos que nas Estradas de Portugal quase metade do pessoal ande na estrada.

Não será igualmente óbvio que um trabalhador diligente das Estradas Portugal que trabalhe 8 horas por dia cumprirá facilmente 600 km por dia a uma média de 75 km, respeitando escrupulosamente os limites de velocidade? Ou seja fará 12.000 km por mês ou mais de 130.000 km por ano, consumindo mais de 10.000 l de gasolina que custarão mais de 13 mil euros. Qual é o espanto?

q.e.d.

31/12/2007

ESTADO DE SÍTIO: o funcionário que, não sendo funcionário, está a tirar o lugar a uma legião

«Todo o processo de reporte de informação sobre a maior operação de titularização de créditos do Estado depende de um único funcionário, o qual na verdade é um colaborador da consultora Accenture, que se encontra destacado na DGITA há 15 anos.
A equipa de Azevedo Pereira, director-geral dos impostos, tece duras críticas ao facto de, por um lado, todo o processo depender de uma única pessoa, e por outro, deste nem sequer ser um funcionário da Direcção-geral, o que significa uma grande dependência do Estado face a uma entidade privada.»
(Jornal de Negócios)
Se estiver ao alcance do director-geral dos impostos, cria-se uma divisão com um director, 3 ou 4 chefes de repartição, 10 ou 20 serviços, 30 ou 40 secções, por aplicação dos factores I e II da Lei de Parkinson:

Factor I - O propósito de um chefe é multiplicar os subordinados e não os rivais
Factor II - Os chefes geram trabalhos uns aos outros

Recorde-se que o modelo matemático de Parkinson, representado na fórmula seguinte, faz depender o incremento anual (x) do número de efectivos, do número (k) de funcionários procurando promoção através da nomeação de subordinados, do tempo médio de serviço (p), do número (m) de horas dedicadas a responder a memorandos, e do número (n) de unidades departamentais da organização.

x = (2k^m + p)/n

[Para mais pormenores ver o post impertinente Parkinson Law revisited]

Antevisão da Divisão RIMPTCE (Reporte de Informação sobre a Maior Operação de Titularização de Créditos do Estado)
(Inspirado no Armour & Co.'s General Office, Chicago, 1900, foto adaptada do Early Office Museum)