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25/06/2021

CASE STUDY: Câmara de Lisboa, uma aplicação prática da lei de Parkinson (7) - Fact checking ao fact check

Este post é o 7.ª da série: (1), (2), (3), (4), (5) e (6) e vem a propósito deste fact check do Observador quer conclui que é errada a frase «Câmara Municipal de Lisboa tem cerca 17 mil funcionários» que uma criatura botou no seu Facebook.

O Observador gasta 5 páginas de prosa rebarbativa para demonstrar que aquela frase é falsa, para o que bastaria um único quadro.
Achei piada porque este fact check é um exemplo de como o fact checking pode ser uma actividade inócua e praticamente inútil. Na verdade, é tão falso que a câmara de Lisboa tenha 17 mil funcionários, como 1,7 ou 170 mil. 

Os factos mais relevantes são:
  • A câmara de Lisboa tem cerca de 10 mil funcionários para cerca de 510 mil residentes, o que é o dobro dos funcionários por mil habitantes de Madrid ou Barcelona e mesmo quase mais um terço do que a câmara do Porto (3.200 funcionários para 215 mil residentes);
  • Entre esses 10 mil encontram-se mais de um milhar de licenciados, incluindo em áreas como Marketing, História, Línguas e Literatura, entre outras; 
  • E encontram-se também mais de uma centena de assessores (ver aqui uma lista de 2017, que entretanto já deve ter engordado).
Factos que nos permitem concluir que o socialismo camarário é um exemplo de sucesso da aplicação da lei de Parkinson à administração autárquica.

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