Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

18/04/2024

Tele evangelista avant la lettre e tele evangelista après la lettre


Até num Portugal dos Pequeninos, onde no lugar dos conflitos de interesse só existem interesses em conflito, é algo insólito ficarmos a saber no mesmo dia que o Dr. Costa, ex-primeiro-ministro acabado de sair do governo, um político profissional toda a sua vida adulta, e o Cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal, um eclesiástico profissional e celebridade mediática, irão fazer comentário político e religioso (?), respectivamente (?), no mesmo canal de televisão.

[O título deste post saiu em modo de escrita automática e fiquei sem saber quem são o avant e o aprés.]

17/04/2024

A arma atómica dos pobres é o útero das suas mulheres

Fonte

[Título inspirado em Houari Boumédiène, ministro da Defesa e mais tarde presidente da Argélia, que década de 60 num discurso (salvo erro nas Nações Unidas) proclamou que a arma atómica dos árabes era o útero das suas mulheres]

16/04/2024

Nanny state is back in a new incarnation, in Britain and elsewhere (3) - The Labor jumped on the bandwagon and the Conservatives followed

Continued from (1) and (2)


«Labour wants three- to five-year-olds to have tooth-brushing lessons» followed by the Tories who «plans to stop young people born since 2009 ever smoking (...) Rishi Sunak's bill aims to create the UK's first smoke-free generation in a major public health intervention.» (source

«The second reading of the legislation passed by 383 votes to 67. Some 59 Conservatives voted against.» (source

Um semanário incompetente deu um tiro no seu próprio pé quando queria dar um tiro no pé do governo chico-esperto, tiro supérfluo porque o governo o havia antecipado

A estória parece complicada mas é simples. O Dr. Montenegro anunciou uma redução do IRS neste ano de 1.500 milhões (o que é verdade) e omitiu que o orçamento aprovado pelo PS já incluía uma redução de 1.300 milhões, pelo que a redução da responsabilidade do governo AD era de apenas 200 milhões.

aqui zurzi a incompetência do semanário de referência que publicou na primeira página um título completamente falso sobre a duplicação da descida do IRS, incompetência a que o director somou má-fé ao desculpar-se com o governo,   

Também já tinha apontado o dedo à aparentemente deliberada pouca clareza do Dr. Montenegro a que acrescento agora a incompetência na gestão da comunicação ao admitir que a sua chico-espertice iria passar desapercebida a uma oposição impaciente que, apesar da também óbvia incompetência, conta com a preciosa ajuda de pelotões de jornalistas de causas e de opinion dealers que em vez escrutinarem as acções do governo fazem backup às falhas da oposição com a maior falta de independência e de objectividade.

Acrescento ainda, desengane-se quem imagina que o importante é o conteúdo e que a comunicação é secundária, para não dizer irrelevante. Se um governo, nomeadamente um primeiro-ministro, não tem competência para comunicar, o que sempre foi grave, é desastroso no mundo mediático em que estamos mergulhados, e, no caso de um governo ideologicamente desalinhado com a turba que habita as redacções (reforçada com o humor de causas do humorista mais popular no activo), é mortal. 

E a incompetência na comunicação é uma das marcas dos governos PSD que fica mais visível por causa do desalinhamento com a opinião publicada. Para ficar por um só exemplo, o slogan de Passos Coelho "para além da troika" (ler aqui o que o outro contribuinte escreveu há quase dez anos e este contribuinte subscreve), para além de não corresponder à verdade, deu lenha à esquerdalhada para torrar o governo perante um eleitorado que adora vitimizar-se.

15/04/2024

Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa (2)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa» e do «Semanário de Bordo da Nau Catrineta».

Agora que o governo do Dr. Costa já se retirou não será excessivo esgravatar as sequelas da sua governação?

Se adoptar o critério do Dr. Costa que após oito anos de governação ainda se desculpava com o governo anterior, seguramente não é demasiado. Sossegai, porém, porque não tenho o propósito nem a pachorra para mais do que umas quantas sequelas.

Tirou-me as palavras da boca

«É mesmo estranho ouvir quem teve 3050 dias para resolver tantos problemas estar agora a incitar o Governo a fazê-lo em 60», disse o Dr. Montenegro comentando a carta aberta do Dr. Pedro Nuno e esquecendo que isso é apenas mais um expediente de quem andou esses mesmos 3050 dias a queixar-se da herança.

A Dr.ª Marisa também me tirou as palavras da boca...

... ao comentar a carta do Dr. Pedro Nuno sobre as medidas que esperava que o Dr. Montenegro adoptasse nos próximos 60 dias, a deputada berloquista considerou «curioso que parece que haja agora uma descoberta de que afinal há condições e condições orçamentais». 

Um dos problemas que o Dr. Pedro Nuno incita o governo a resolver...


Não me admiraria que o PS também quisesse reduzir os ajustes directos...

... que o ano passado representaram quase metade dos contratos públicos, representando um aumento de 1% do número de 8% do valor.

Durante vários anos teremos de circular na autoestrada mexicana do investimento público

Esta é uma das sequelas mais duradouras da herança costista que resultou de apresentar défices baixos ou mesmo superávits (política a que ele chamou "contas certas") à custa da redução continuada da execução do investimento público disfarçada com as habilidades aqui descritas. Desde 2011 até 2022, segundo a estimativa de Ferreira Machado, o stock de capital fixo do Estado reduziu-se cerca de 14.000 milhões de euros, o equivalente a 5% da dívida pública.

O buraco do BES é outra sequela da parceria DDT-Animal Feroz 

Desde 2014 o pletórico passivo resultante da resolução de BES vem crescendo e atingiu 7.400 milhões de euro, o triplo do valor inicial.

Choque da realidade com a Boa Nova

Lembram-se do futuro risonho que o governo do Dr. Costa, principalmente pela boca do Dr. Galamba, augurava ao hidrogénio verde em Sines? Caso a memória não ajude, podem refrescá-la na série de posts «O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho». Fast rewind e chegamos a 2024 e o consórcio Engie-Shell anuncia o cancelamento do projeto de hidrogénio verde em Sines.

E os "cofres cheios" não são uma boa herança?

Não, não são. Já aqui lembrei que o excedente de 3,2 mil milhões só existiu em consequência do excedente de 5,5 mil milhões da Segurança Social, que não é excedente nenhum porque terá de ser afectado às reservas para garantir a sustentabilidade a longo prazo. Na verdade, sem a Segurança Social as contas da administração pública apresentaram défices: 2.329 milhões de euros na administração central e de 147,8 milhões na administração local.

Fonte
E, para fim de conversa,  acrescento agora que um excedente não é cofre nenhum e a única coisa que vagamente se poderia considerar como tal são os depósitos em bancos das administrações públicas que em percentagem do PIB são hoje mais baixos do que em 2014 (estimativas de Óscar Afonso).

14/04/2024

ARTIGO DEFUNTO: O "semanário de referência" chama embuste e fraude do governo à sua própria incompetência

A qualquer pessoa que tenha seguido com um módico de atenção as medidas de redução do IRS anunciadas pelo governo, deveria ser evidente que o título bombástico na primeira página do semanário de reverência só poderia ser um disparate (ou talvez não, o que seria ainda mais grave).

De facto, o que o Dr. Montenegro disse no parlamento, que o próprio Expresso cita na sua página 6, foi
«É a ‘medida popular’ por definição e custa aos cofres do Estado 1500 milhões de euros, para ajudar a “libertar os portugueses do excessivo fardo fiscal”, como disse Montenegro na apresentação do programa de Governo, esta quinta-feira no Parlamento
Em lado algum, a não ser no título do Expresso, o Dr. Montenegro é citado a dizer que «duplica a descida do IRS» e parecia claro para toda a gente, excepto para o Expresso, que os 1.500 milhões de euros era a montante total da redução em relação ao ano passado, o que inclui a redução já prevista no OE 2024 apresentado pelo governo PS.  

Poderá dizer-se que o Dr. Montenegro, fazendo o que costuma fazer o PS, se exprimiu com pouca clareza não explicitando que cerca de 1.300 milhões dos 1.500 milhões já estavam no OE 2024? Pode dizer-se certamente e competiria o Expresso repor as coisas na sua dimensão. Não o fez e, perante a grossa asneira do título que não tem pés nem cabeça, em vez de se retratar e pedir desculpa pela sua incompetência, publicou uma Nota do director com o título «É mais do que um embuste. É enganar os portugueses» em que desmente o que publicou e atribui a um embuste e fraude do governo o que resulta da sua própria incompetência.

Foi com essa reacção despropositada e mistificadora que o Expresso tentou limpar a sua folha ao ver-se alvo do tiro de barragem do PS pelo título que de facto parecia saído de um gabinete de agitprop. Para quem se intitula semanário de referência não está mal.

13/04/2024

O Novo Império do Meio numa encruzilhada. Capitalismo e autocracia não combinam bem

«É o teste económico mais grave da China, desde que a mais abrangente das reformas de Deng Xiaoping começou na década de 1990. No ano passado, o país alcançou um crescimento de 5%, mas os pilares do seu milagre de décadas estão a vacilar. A sua famosa força de trabalho industriosa encolhe, o boom imobiliário mais selvagem da história desmoronou-se e o sistema global de livre comércio que a China usou para enriquecer está desintegrar-se. (...) a resposta do presidente Xi Jinping é dobrar a aposta com um plano audacioso para refazer a economia da China. A mistura da tecno-utopia, planeamento central e obsessão por segurança define a ambição da China de dominar as indústrias do futuro. Mas as suas contradições significam que decepcionará o povo da China e irritará o resto do mundo.

Em comparação com 12 meses atrás, sem falar nos anos anteriores, o clima na China é amargo. Embora a produção industrial tenha crescido em Março, os consumidores estão deprimidos, a deflação espreita e muitos empresários estão desiludidos. Por trás da angústia estão temores mais profundos sobre as vulnerabilidades da China. Prevê-se uma redução de 20% de sua força de trabalho até 2050. Uma crise no sector imobiliário, que movimenta um quinto do PIB, levará anos para ser corrigida. Isso prejudicará os governos locais sem dinheiro que dependiam da venda de terras para obter receitas e do sector imobiliário florescente para crescer.  (...)

A resposta da China é uma estratégia construída em torno do que as autoridades chamam de "novas forças produtivas". Isso evita o caminho convencional de um grande incentivo ao consumidor para estimular a economia (esse é o tipo de artifício ao qual o decadente Ocidente recorre). Em vez disso, Xi quer que o poder do Estado acelere as indústrias de manufatura avançadas, o que, por sua vez, criará empregos de elevada produtividade, tornará a China autossuficiente e a protegerá contra a agressão americana. A China vai saltar do aço e dos arranha-céus para uma idade dourada de produção em massa de carros elétricos, baterias, bioindústria e a "economia de baixa altitude" baseada em drones. (...)

No entanto, o plano de Xi está fundamentalmente equivocado. Uma falha é que negligencia os consumidores. Embora o consumo supere a propriedade e as novas forças produtivas, conta apenas 37% do PIB, muito abaixo das padrões globais. Para restaurar a confiança no meio de uma crise imobiliária e, assim, aumentar os gastos do consumidor é preciso um estímulo. Induzir os consumidores a poupar menos requer uma melhor segurança social e cuidados de saúde, bem como reformas que abram os serviços públicos a todos os migrantes urbanos. A relutância de Xi em adoptar isso reflete a sua mentalidade austera. Ele detesta a ideia de socorrer empresas imobiliárias especulativas ou dar subsídios aos cidadãos. Os jovens deveriam ser menos mimados e dispostos a "comer amargura", disse ele no ano passado. (...)

Se essas falhas são óbvias, por que não muda a China de rumo? Uma das razões é que Xi não escuta. Durante grande parte dos últimos 30 anos, a China esteve aberta a visões externas sobre reformas económicas. Os seus tecnocratas estudaram as melhores práticas globais e acolheram debates técnicos vigorosos. Sob o governo centralizador de Xi, os especialistas económicos foram marginalizados e o feedback que os líderes costumavam receber transformou-se em bajulação. A outra razão que Xi invoca é que a segurança nacional agora tem precedência sobre a prosperidade. A China deve estar preparada para um conflito no futuro com os Estados Unidos, mesmo que haja um preço a pagar. É uma mudança profunda em relação aos anos 1990 e seus efeitos nocivos serão sentidos na China e em todo o mundo.»

«Xi Jinping’s misguided plan to escape economic stagnation»

12/04/2024

Ser de esquerda é... (27) - ... é reagir a Passos Coelho (ou Cavaco Silva) como o cão de Pavlov reagiu ao badalo

Não fiquei surpreendido pela reacção da comentadoria do regime e do jornalismo de causas à última intervenção pública de Pedro Passos Coelho (PPC). Afinal, cada vez que ele ou Aníbal Cavaco Silva escrevem ou dizem seja o que for, sobre seja o que for, segue-se o mesmo ulular indignado e raivoso. A explicação talvez seja mais do domínio do psicopatológico do que do político. 

Quando percebi que, desta vez, o móbil da indignação era o pensamento de PPC sobre a família, fiquei curioso e fui ler a intervenção que a motivou. Encontrei um texto equilibrado, inspirado numa visão tolerante, com ideias relativamente redondas e, por isso, consensual para uma grande maioria das pessoas que não vivem dentro da bolha mediática largamente esquerdista e estreitamente geográfica. Premonitoriamente PPC antecipa as reacções habituais: «há rótulos que são colocados com uma intenção clara de desqualificar aqueles que lançam as discussões, de os diminuir e de os condicionar». 

O que teria incendiado a esquerdalhada para além da conhecida reacção pavloviana? Haverá sem dúvida outras questões («questões da segurança e da imigração», «os símbolos da República», «a sovietização do ensino», «ajudar as pessoas a morrer») que não terão deixado de irritar a bolha, mas suspeito que a passagem seguinte lhes tocou no nervo. 

«Que nós sabemos que não há um único conceito de família e, historicamente falando, a família não teve sempre a mesma configuração ao longo do tempo. Essa configuração foi evoluindo com a sociedade. Mas se a família, de certa maneira, representa o primeiro espaço de socialização, julgo que hoje haverá um amplo consenso em torno desta minha afirmação, julgo.

A família é primeiro espaço de socialização. E, nessa medida, portanto, de transmissão de valores, de exemplos, que numa geração para outra geração vai dando continuidade a um destino coletivo. Nessa medida, portanto, podemos dizer que a família antecede o Estado, evidentemente, e dificilmente se pode entender de uma forma separada da sociedade em si mesma. 

(...) uma instituição que, de resto, é insubstituível. Não há ninguém, nenhuma outra instituição, que possa substituir a família. Os substitutos são imperfeitos.»

E porquê? Porque, pelo menos desde "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado" de Engels, que a escreveu como uma espécie de ghostwriter de Marx, que o marxismo clássico vê a família monogâmica heterossexual, uma instituição de origem espontânea, como um instrumento de perpetuação da propriedade privada e um obstáculo ao primado do Estado Comunista que nos conduzirá ao paraíso da sociedade sem classes. É claro que, com a falência e o descrédito do marxismo clássico, o neo-marxismo teve de reinventar essas ideias, reformular o vocabulário e a sintaxe mas o propósito de destruir o Estado Capitalista permanece o mesmo e para tal é um passo indispensável "desconstruir" a família monogâmica heterossexual e banir o "heteropatriarcado".

Outros "Ser de esquerda é..."

11/04/2024

Demasiado de uma coisa boa pode não ser bom

Escreveu o Expresso há dois dias:

«Há 15 dias consecutivos que o preço diário da eletricidade em Portugal e Espanha está abaixo dos 10 euros por megawatt hora. É uma série inédita. Há largas horas de preço zero, como esta terça-feira. Há produtores a operar com perdas. E as centrais fotovoltaicas passaram a ter de cortar a produção em alguns períodos, desperdiçando o recurso solar.»

E explicava:

«Habitualmente os preços negativos ocorrem quando há uma disponibilidade particularmente alta de eletricidade que não é armazenável e cujo custo marginal é nulo, e quando, ao mesmo tempo, há produtores que preferem durante algumas horas pagar para continuar a produzir (porque o custo de parar e voltar a arrancar as centrais um pouco depois pode ser mais elevado).»

Este enorme desperdício resulta de uma política energética do PS (e do PS-D) desenhada para sacar fundos europeus, recompensar os lóbis da energia e fazer agitprop ambientalista, em vez de optimizar os recursos existentes, equilibrando a produção das energias convencionais e das renováveis (que são por natureza intermitentes).

10/04/2024

A indiferença da Rússia de Putin aos desastres militares é ainda maior do que a da URSS do PCUS

Fonte (*)

Comparativamente com Chechénia, Afeganistão e Ucrânia antes da invasão de Fevereiro de 2022, a guerra actual na Ucrânia é incomparavelmente mais mortífera. Se uma guerra no Afeganistão, onde em 12 anos "apenas" morreram 15 mil russos, levou a liderança comunista a decidir a retirada gradual em 1987, os 5 a 6 vezes mais mortos em um quarto do tempo da "operação especial" mostram que o valor das vidas russas para o czar Vladimiro é ainda menor do que para os líderes soviéticos.

___________

(*) Estimativa pela Economist do número de soldados russos na Ucrânia até ao final de Fevereiro com base nos dados da Mediazona e Meduza dois mídia independentes que utilizam os obituários públicos e registos oficiais de heranças. 

09/04/2024

Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa (1b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa» e do «Semanário de Bordo da Nau Catrineta».

(Continuação de 1a)

Será um primeiro passo para a reconstituição da geringonça?

É apenas um ritual inócuo numa cerimónia inócua à qual os líderes das forças políticas “democráticas” costumavam comparecer fingindo um certo fair play. Precisamente por significar pouco, é cheia de significado a coincidência do Dr. Pedro Nuno (que enviou a Drª Alexandra) e da Dr.ª Mortágua e do Dr. Raimundo (que não enviaram ninguém) terem faltado ao ritual da tomada de posse do novo governo.

O excedente orçamental é ficção. O excedente dos compromissos não cumpridos é real

Há três anos obrigado a adoptar os novos procedimentos de controlo das fronteiras obrigatórios segundo as regras de Schengen, o governo do Dr. Costa foi empurrando com a barriga – preocupado com as “conta certas”? – e só a poucos dias do seu fim publicou uma resolução do Conselho de Ministros tão em cima do prazo limite que vai obrigar a adjudicações directas (provavelmente a razão do adiamento) em vez de concursos públicos,

Excedente de descaramento ou será a síndrome do pensamento mágico?

A ministra cessante que herdou do Dr. Pedro Nuno um ministério da Habitação cujo resultado de seis anos dos programas de Renda Acessível consistiu em 771-contratos-771 contratos, equivalentes a 0,084% dos 921 mil arrendamentos em Portugal, resultado a que o Instituto da Habitação adicionou já em pleno governo de gestão 102 (cento e duas) habitações de renda acessível a nível do país, publicou no seu último dia no governo um vídeo onde, sem se rir, disse «a habitação publica responde hoje a todos, às famílias de menores rendimentos, mas também à classe média e aos jovens».

08/04/2024

Sequelas da Nau Catrineta do Dr. Costa (1a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa» e do «Semanário de Bordo da Nau Catrineta».

Porquê este semanário das sequelas e porque não faz (ainda) sentido um escrutínio semanal do governo da AD?

Escrevi no Semanário de Bordo da semana passada que esse seria o último. Pensando melhor, é verdade que a Nau Catrineta do Dr. Costa e do seu PS estão acostadas, e também é verdade que a carga desembarcada continuará a andar por aí durante algum tempo.

Por outro lado, é ainda cedo para começar a escrutinar o novo governo, pela razão inversa da que fez do escrutínio do governo socialista um serviço público. Enquanto os anteriores governos puderam contar com o obséquio, na melhor hipótese, ou a cumplicidade, na hipótese mais corrente, da imprensa amiga e da comentadoria do regime, o governo da AD só pode contar com a condescendência, na melhor hipótese, ou malevolência, na hipótese mais corrente.

Com uma cajadada mataram dois coelhos

A aprovação in extremis da portaria de atualização salarial das categorias profissionais não abrangidas pela regulamentação colectiva (ver aqui o expediente do ano passado) que aumenta 7,89% dos salários a 104 mil trabalhadores do “privado”, um aumento múltiplo da taxa de inflação, tem a vantagem de lustrar a imagem de amigo dos trabalhadores do governo socialista e de não estragar as “contas certas”.

Ainda o Twinsgate do regime

A Inspecção-Geral das Atividades em Saúde teve o cuidado de esperar que o governo do Dr. Costa saísse de cena para divulgar o seu relatório sobre o caso das gémeas brasileiras, a quem foi atribuída com urgência nacionalidade portuguesa, seguida da administração de um medicamento milionário, à custa de uma cunha do Dr. Rebelo de Sousa Filho, com a aparente cooperação do Dr. Marcelo e a prestimosa colaboração do Dr. Lacerda Sales, SE da Saúde à época.

Outra coincidência plena de significado

A Comissão do Livro Verde da Sustentabilidade da Segurança Social, nomeada pelo Dr. Costa em Julho de 2022, andava desde então a trabalhar no tema, também esperou pelas eleições para entregar no dia 28 o seu relatório preliminar à ministra do Trabalho e da Segurança Social cessante. Alguns dias depois percebeu-se que o relatório questionava a radiosa sustentabilidade que o governo socialista vinha anunciando nas suas acções de agitprop e até propõe o fim das reformas antecipadas aos 57 anos.

«À justiça o que é da justiça»


Sendo certo que o PS-D também ajudou, a verdade é que sobretudo ao PS que devemos o estado em que se encontra a Justiça do Portugal dos Pequeninos.

(Continua)

ARTIGO DE DEFUNTO: Para o semanário de reverência uma página de agitprop de um líder partidário é uma página de opinião de um comentador

Expresso

07/04/2024

O preconceito pode fazer parecer estúpido quem pode ser inteligente. Um exemplo mais recente

Este post poderia ser uma sequela deste outro, em que recordei ter investido em tempos contra as fantasias a respeito dos Países Baixos do Dr. Miguel Sousa Tavares (MST), uma pessoa certamente culta e inteligente (sem ironia) e, apesar disso, com imensa dificuldade de lidar com os factos quando estes não confirmam o seu pré-conceito. 

Os Países Baixos parecem despertar o desprezo de MST pelo mercantilismo e a NATO, outro objecto do seu desprezo recorrente, por razões que me escapam e que podem muito bem ser o contraponto à sua incontida veneração por todas as Rússias e uma mal disfarçada admiração pelo seu actual Czar. E foi, uma vez mais, esta sua inclinação a explicação para ter voltado pela enésima vez a escrever na sua crónica semanal no Expresso:  

«A União Soviética e o Pacto de Varsóvia foram extintos em 1991, mas, ao invés, a NATO, longe de ser extinta, foi-se expandindo sucessivamente em seis momentos culminantes: em 1999, 2004, 2009, 2017, 2020 e 2023/24, com o alargamento à Finlândia e à Sué­cia. E sempre para onde? Sempre em direcção às fronteiras russas, onde hoje ocupa uns largos milhares de quilómetros contíguos a mais.»

Esta declaração leva-me a evocar o Visconde de Chateaubriand, a quem já atribuí inúmeras vezes algo que ele pode nunca ter dito ou escrito e a remeter para o post «Tal como a Divina Providência fez passar os rios através das cidades, assim as agressões da Rússia aos países vizinhos se seguem às adesões à Nato» e a sequência de factos históricos nele citados.

06/04/2024

Governo minoritário estável? Por que não? E por que sim?

Li com curiosidade e interesse «O equívoco político nacional: governos minoritários» um artigo de Mafalda Pratas (doutoranda em ciência política em Harvard) no Observador. O equívoco em causa está relacionado com a raridade dos executivos minoritários, a estranheza com que são vistos em Portugal e o prognóstico de vida curta que geralmente lhes é associado.

À primeira vista a realidade é esmagadora. Usando as palavras da Drª Pratas, «Entre 1945 e 2015 houve, na Europa (26 países), 705 executivos formados a partir de legislaturas democraticamente eleitas (isto é, excluindo os chamados governos de gestão, de iniciativa presidencial, caretaker governments, etc). Destes 705 governos, apenas 15% foram governos de maioria absoluta (108 governos).» De onde a Drª Pratas conclui que seria perfeitamente possível termos em Portugal um governo minoritário estável baseado na «rule by multiple majorities», por exemplo.

Supondo que a lógica seja inatacável (não é), como explicar que em Portugal nunca houve um governo minoritário estável ou pelo menos com estabilidade duradoura?  Antes de tentar responder deixai-me recontar a estória do professor Jay Beetleson, que apresentou num congresso cientifico uma comunicação sobre a aerodinâmica do voo do besouro onde demonstrou que o bicho era demasiado pesado, tinha as asas demasiado pequenas, um abdómen nada aerodinâmico e um cérebro incapaz de enfrentar as complexas tarefas do voo, pelo que não poderia voar. A plateia ficou siderada num respeitoso silêncio só quebrado por um participante que perguntou com ingenuidade por que razão o besouro voava, não podendo voar, ao que o professor Beetleson respondeu «o besouro voa por não saber que não pode voar».

Receio que o eleitorado ou, mais exactamente, os políticos e os partidos portugueses, a quem podemos explicar incansavelmente não haver razões políticas ou outras que impeçam a viabilidade de um governo minoritário, fazem como o besouro e, não sabendo ou não estando convencidos, derrubam o governo minoritário logo que daí imaginem extrair alguma vantagem. 

A razão é simples e para a compreender basta comparar a cultura (*) dos povos que habitam os Estados que conseguem manter governos minoritários estáveis com a cultura do Portugal dos Pequeninos.

(*) Cultura no sentido sociológico: «as línguas, costumes, crenças, regras, artes, conhecimento e identidades e memórias colectivas desenvolvidas por membros de todos os grupos sociais que tornam seus ambientes sociais significativos» (American Sociological Association). 

05/04/2024

Dúvidas (370) - Não será um poucochinho exagerado? (7) - O surto inovador e inventivo que nos assalta

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5) e (6

Como se pode confirmar nos posts anteriores, o tema das patentes é um mais dos usados pelas figuras de cera e a comentadoria do regime, e evidentemente pelo jornalismo de causas, para exaltar a suposta inventividade inata no Portugal dos Pequeninos e o correspondente sucesso, talvez só superado pelo futebol, tentando compensar o profundo complexo de inferioridade que infecta o país e as suas elites.

Vejam-se, por exemplo, os seguintes dois dos muito títulos exaltantes que se seguiram à divulgação pelo European Patent Office (EPO) do Patent Index 2023: «Portugal triplicou o número de pedidos de patentes europeias numa década» (Público) e «Portugal volta a bater recorde de pedidos de patentes» (Observador). Se os títulos são exaltantes os textos não o são menos.

A realidade que os dados estatísticos objectivamente revelam nada tem de exaltante, se queremos adjectivar, deprimente seria mais adequado. Desde logo, porque os 329 pedidos de patentes portuguesas em 2023 correspondem a 0,38% e 0,17% do número total de pedidos dos 39 países do IPO e do número total de países, respectivamente. De seguida, porque o rácio de 33,9 patentes por milhão de habitantes nos colocam no 38.º lugar do ranking (terceiro a contar do fim) dos países que apresentaram pedidos de patentes ao EPO.

Esquecendo que quem parte de um nível muito baixo, como Portugal, sempre pode progredir muito mais rapidamente do que quem já tem um nível elevado, ainda assim, o número de patentes portuguesas pedidas representava 0,07%  do total em 2014, cresceu para 0,15% em 2019 e desde então variou entre 0,14% e 0,17%. Se considerarmos apenas os pedidos de patentes que são aceites, o rácio de aceitação entre 2014 e 2023 nunca atingiu metade, e se o número de patentes aceites aumentou mais de 100% de 2022 para 2023, isso deveu-se ao número anormalmente baixo de 2022 que foi pouco mais de metade do de 2021.

Moral da estória: é difícil ter uma opinião pública esclarecida quando se tem uma opinião publicada (sim, o que se publica não são notícias) deste calibre.

04/04/2024

SERVIÇO PÚBLICO: Uma obra de demolição de alguns dos mitos mais populares no Portugal dos Pequeninos (7)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5) e (6)

Outro post sobre os mitos cuja demolição considero mais importante, recordando que os factos que fundamentam a demolição foram amplamente estudados e documentados no livro de Nuno Palma (NP) e nas dezenas de trabalhos de investigação que publicou (cfr o seu Research output).

Um mito com estatuto especial nas mentes com enviesamento ideológico à esquerda (sim, também há enviesamento ideológico à direita) é que a Primeira República foi um regime salvífico a todos os títulos (apesar da instabilidade social e da violência política quotidiana que, por inegáveis, exigiam uma ginástica olímpica aos "republicanos" para as justificar como resultante da "oposição") e salvífico em particular no esforço e nos resultados da "instrução pública".

Se, por benignidade, aceitarmos como salvífico o esforço que consistiu em aumentar a escolaridade obrigatória de 3 para 5 anos, mesmo com a mesma benignidade não se podem considerar salvíficos os resultados. De facto, a aplicação dessa medida nunca passou do papel porque a propaganda secularista que a acompanhou e a forma como foi adoptada entrou em choque com a cultura religiosa dominante. 

Por isso, a população analfabeta que era de 70% em 1911 quando I República caiu em 1926 era ainda de 62%. Em contraponto ao regime republicano "iluminista", o regime "fascista" conseguiu reduzir o analfabetismo para 42% em 1950.

(Continua)

03/04/2024

ARTIGO DEFUNTO: Fact-Checking the Fact Check

No dia 26 de Fevereiro, Passos Coelho num discurso de mais de 20 minutos no comício do Pontal referiu numa determinada altura citando o que tinha dito no mesmo local em 2016:

«Nós precisamos de ter um país aberto à emigração, mas cuidado precisamos também de ter um país seguro. Na altura o governo fez ouvidos moucos e na verdade hoje as pessoas sentem uma insegurança que é resultado da falta de investimento e prioridade que se deu a essas matérias.»

No dia seguinte o jornal Público publicou um fact check onde deixa implícita uma atitude negativa de Passos Coelho relativamente à imigração e verifica a veracidade de uma afirmação que ele manifestamente não fez.  


Ou seja o Fact Check do Público inventa o facto que diz pretender verificar. 

Como quer que seja, um mês e meio depois, um outro jornal publica uma peça citando dados estatísticos da Direção-Geral de Política de Justiça.


Veredicto: o Fact Check do Avante! da Sonae (epíteto agora confirmado, uma vez mais), pretendeu verificar a veracidade de um facto inventado usando um suposto facto que veio a verificar-se falso. Melhor é impossível.

02/04/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (111b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 111a)

Take Another Plan. A maldição das EP

Deveria ser uma coisa evidente. Uma empresa pública com um accionista que se financia ilimitadamente por extorsão dos contribuintes e que nomeia dirigentes por critérios políticos só por milagre poderia ser eficiente e, se operar num mercado sujeito a concorrência, só conseguirá sobreviver à custa de subsídios. O caso da TAP só foi um pouco diferente porque durante décadas parte da concorrência era de “companhias de bandeira” que disfrutaram de condições excepcionais que hoje não existem.

Muito satisfeitos por terem apresentado lucros de 177 milhões em 2023, como se fosse extraordinário numa empresa que recebeu 3,2 mil milhões de subsídios que só em juros, se tivesse de se financiar no mercado, poupou 200 milhões por ano e ficou dispensada de margens para amortizar os 3,2 mil milhões, os dirigentes negociaram novos salários com os sindicatos e excederam em 120 milhões o limite resultante do rácio de 19% dos custos com pessoal, custos que cresceram de 417 milhões em 2022 para 723 milhões em 2023.

E o que ficou a TAP a valer depois lá terem sido torrados 3,2 mil milhões de dinheiro dos contribuintes?1,7 mil milhões segundo um analista citado pelo semanário de reverência.
  

«A educação é a nossa paixão»

mais liberdade

A queda da percentagem de alunos com melhores performances entre 2018 e 2022 é mais uma medida da degradação da qualidade do ensino comparativamente com a média da OCDE.

Desculpas de mau pagador

Perante a acusação de negligência na aprovação de medidas de que dependem os pagamentos ao abrigo do PRR pela CE o governo desculpou-se que está “em gestão”. O estar “em gestão” é quando o Dr. Costa lhe convém. Esteve “em gestão" para não negociar com os polícias, mas não para despejar um chuva de subsídios sobre os agricultores.

Reforçando o Estado sucial

O governo também deixou de estar “em gestão” para aprovar o recrutamento de mais 3.700 técnicos superiores que vão adicionar-se aos 90 mil que o Dr. Costa aumentou durante a sua estadia.

É prudente não deitar foguetes antes da festa

Foi muito celebrado pela imprensa do regime a subida de dois lugares no ranking do PIB per capita PPP devida a razões puramente conjunturais e entre elas o esforço de reequipamento militar que a Polónia e a Estónia, os dois países ultrapassados, estão a fazer para responder à ameaça russa.

01/04/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (111a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O último Semanário de Bordo

Com esta última edição encerra-se este semanário dedicado a cronicar os feitos do Dr. Costa no seu caminho que ele diz ser para o socialismo, e na verdade é para um capitalismo periférico, estatista e não competitivo, servido por um Estado sucial parasitário dependente do óbolo de Bruxelas e ocupado por apparatchiks que disputam tenças. Reúne o pior dos dois mundos: o pior do socialismo e o pior do capitalismo.

«Boas políticas», disse ele

O ministro das Finanças Dr. Medina felicitou-se pelo excedente orçamental que «resulta de boas políticas». Por boas políticas quer ele significar, entre outras coisas, como a inflação e o aumento da carga fiscal, uma execução do investimento orçamentado em 2023 de 74% no total, de 43% na saúde e de 28% na educação, seguindo, uma vez mais, a regra da autoestrada mexicana do investimento público, sempre com grande sucesso na imprensa amiga a engolir há 8 anos a mesma patranha.

O “excedente” que é um défice e os “cofres cheios” que estão vazios

Não faltam indicadores para medir o grau de indigência mental e de falta de profissionalismo do jornalismo doméstico e da comentadoria do regime. Para simplificar poderíamos reduzi-los a um único – as notícias e os comentários sobre “excedente” do Dr. Medina e os “cofres cheios” que o governo deixa para o seu sucessor – esta é tudo menos inocente.

Quanto aos “cofres cheios”, notemos em primeiro lugar como termo de comparação que o excedente de 3,2 mil milhões é por coincidência comparável ao valor dos fundos enterrados pelo governo na TAP. Reparemos em segundo lugar que o excedente de 3,2 mil milhões só existiu em consequência do excedente de 5,5 mil milhões da Segurança Social, que não é excedente nenhum porque terá de ser afectado às reservas para garantir a sustentabilidade a longo prazo. Na verdade, sem a Segurança Social as contas da administração pública apresentaram défices: 2.329 milhões de euros na administração central e de 147,8 milhões na administração local.

Como quer que seja, o excedente de 2023 é passado e nos dois primeiros meses deste ano o saldo das contas públicas que em 2023 era de 1,2 mil milhões este ano caiu para de 292 milhões

Obra socialista

Num país com uma das mais baixas taxas de fecundidade da UE e governos que enchem a boca com políticas sociais, a situação em relação às licenças parentais, um incentivo à natalidade, é bastante má sobretudo em relação às mães que em Portugal têm a segunda mais elevada taxa de emprego.


(Continua)

31/03/2024

How the Radical Left Conquered Almost Everything for a Time (X)

(Continued from I, II, III, IV, V, VI , VII, VIII, IX)
More examples picked up from those described by Christopher Rufo of neo-Marxism in institutions controlled by the clique of believers.

«The method of critical pedagogy is now mandatory statewide. After releasing the model curriculum, the California state legislature quickly passed a bill making ethnic studies a graduation requirement for all high school students, which will make the "pedagogy of the oppressed" the official ideology in every school district in the state. (…)

The critical pedagogists foreground ideology, but there is another, deeper force at play: the cold and calculated expansion of the public school bureaucracy. Implicit in every step in the process of "decolonization" is a transfer of power from parents, families, and citizens to the bureaucratic class: administrators, counselors, consultants, specialists, advisors, and paper-pushers.

Following the model of the universities, the largest schools districts have all begun to entrench the critical pedagogies into the bureaucracy under a variety of names, such as "Diversity and Inclusion," "Racial Equity," and "Culturally Responsive Programs." These departments fulfil a dual purpose. First, they serve as a mechanism for ideological enforcement, Second, they serve as a jobs program for college graduates with degrees in the critical theories. Contrary to many skeptics who have argued that students in the fields of race, gender, and identity would have difficulty finding employment, these ideologically trained graduates have found rapidly expanding opportunities in the educational bureaucracy.

The statistics reveal the extent of this shift in power. Between 1970 and 010, the number of students in American public schools increased by 9 percent, while the number of administrators increased by 130 percent. In all, half of all public schools employees area nonteaching administrators, bureaucrats, and support workers.  According to the US Department of Labor, there are now hundreds of thousands of public school manager, making an average wage of $100,000 per year, which is significantly more than classroom teachers and the median American household.

This fifty-year experiment has yielded virtually no improvement in academic outcomes -  the test scores for American high school students have flatlined since the federal government began collecting data in 1971 - yet the expansion of the bureaucracy continues, with recent growth driven by "diversity and inclusion" divisions in the largest scho5l1 districts. As the Heritage Foundation discovered, 79 percent of school districts with more than 100,000 students have hired a "chief diversity officer" and implemented, university-style "diversity, equity, and inclusion" programming.»

(To be continued)

30/03/2024

Flórida versus Nova Iorque - os resultados da governação da direita pragmática versus a governação woke

«Os habitantes da Flórida vivem mais do que no estado de Nova York, onde o orçamento é quase duas vezes maior. Do jardim de infância ao ensino médio, Nova York gasta mais do que o dobro da Flórida para educar cada aluno, mas os alunos do oitavo ano em ambos os estados mostram o mesmo desempenho em testes padronizados, e a Flórida alcança taxas mais altas de conclusão do ensino médio, particularmente para estudantes negros e hispânicos. A Flórida está a construir casas mais rapidamente e, juntamente com habitação económica, tem uma taxa mais alta de propriedade de casa e uma menor incidência de sem abrigo do que Nova York. Com 3,1% em dezembro, a taxa de desemprego é um terço menor na Flórida.

A Flórida tem seus deméritos relativos, incluindo mais pessoas sem seguro de saúde e uma taxa maior de homicídios. Mas pelos seus serviços o Estado não cobra imposto de renda aos cidadãos, enquanto Nova York impõe algumas das taxas mais altas do país. Os impostos sobre as empresas também são mais baixos na Flórida. No geral, os americanos estão concluindo que o saldo favorece a Flórida: a sua população cresceu mais 365.000 no ano passado, enquanto a de Nova York encolheu em 102.000, continuando uma tendência de quatro anos.»

Has Ron DeSantis gone too far in Florida?

29/03/2024

O bem-estar do Portugal dos Pequeninos segundo o Dr. Centeno é um pouco diferente do bem-estar segundo outras fontes

Num dos últimos semanários da Nau Catrineta comentei o esforço do BdP do Dr. Centeno para fazer subir o Portugal dos Pequeninos no ranking europeu, criando um “índice de bem-estar” («Bem-estar e PIB per capita em Portugal face à UE»), onde se considera além do PIB per capita, o consumo, o tempo de lazer e a desigualdade, que nos faz subir quatro lugares no ranking de 20.º para 16.º.

Por curiosidade, confrontemos o “índice de bem-estar” do Dr. Centeno com o Human Development Index (HDI) da ONU (onde paira o Eng. Guterres).

Fonte

Como se pode ver, o HDI português tem melhorado muito pouco e, surpreendentemente, era e continua a ser inferior ao da Grécia, o homem doente da Óropa, e com o 42.º lugar no ranking mundial coloca-nos atrás de todos os outros países da União Europeia, com excepção da Eslováquia e da Hungria, dois sobreviventes do colapso do Império Soviético. 

Apesar de uma situação medíocre em termos do HDI, vejamos se os portugueses estão satisfeitos com a sua infelicidade, como nos garante a ópera bufa «Le jour et la nuit» de Charles Lecocq: «Les portugais sont toujours gais / Qu'il fasse beau, qu'il fasse lais, / Au mois de décembre ou de mai, Les portugais sont toujours gais!» 

Fonte

Pois parece que não, porque no índice de felicidade os portugueses caem para 55.º e ficam ainda pior.

O Dr. Centeno e o seu BdP vão ter que se esforçar mais para convencerem os portugueses da enorme felicidade e bem-estar que o socialismo lhes proporcionou, com o seu contributo feito de cativações.

28/03/2024

TIROU-ME AS PALAVRAS DE BOCA: A propósito da eleição do presidente da AR

«(...) poderes revolucionários – que querem derrubar a ordem estabelecida – e ao facto de não aceitarem compromissos a não ser como pausa numa estratégia inexorável.

Esse tipo de poderes pode negociar, mas não com a mesma lógica dos outros, pois não aceitam nunca as regras do jogo.

Como escreveu Cooper, “os que não compreendem este risco caem numa armadilha, como Neville Chamberlain”, o primeiro-ministro britânico que assinou o Acordo de Munique, e a quem logo a seguir e com presciência Churchill disse que “entre a desonra e a guerra, escolheste a desonra e terás a guerra”.

Esta minha reflexão não estava a ser feita a pensar na cena internacional, mas na mais prosaica relação entre o PSD e o CHEGA. (...)

O CHEGA é o que no sistema político internacional se chamaria uma potência desafiante ou ascendente. Está na fase inicial de um processo em que chegou agora a uma encruzilhada.

Ninguém pode - sem especulação excessiva e por isso sem rigor – antecipar a estrada que Ventura vai seguir. Talvez nem ele saiba ainda.

Por isso a solução para o PSD é aguardar até saber qual a estrada em que entrou e se já chegou a um ponto de não retorno. Até lá uma verdadeira negociação é um risco de se repetir Chamberlain.

Mas é preciso que Ventura saiba que quando e se passar a ser claro que o CHEGA aceita a ordem estabelecida, será possível um processo de negociação. Chama-se a isto gerar um sistema de incentivos.

E, por isso também, deve ficar claro que o PSD não escolherá a desonra para evitar uma guerra e que só pode alcançar uma boa paz quem estiver disposto a fazer uma boa guerra. E isso também é um sistema, aqui de incentivos negativos.»

José Miguel Júdice (no Expresso) de quem me afastam as escolhas políticas e me merecem consideração a lucidez, a honestidade intelectual e a independência

27/03/2024

Lost in translation (370) - Tal pai, tal filha ou, mais exactamente, a filha que vai além do pai

«Um Governo, quando chega, herda dossiers. Este Governo vai herdar uma reforma quase pronta da administração pública para a fortalecer enquanto nós herdamos bancos por resolver.»

postulou na SIC Notícias a ministra da Presidência Dr.ª Mariana Vieira da Silva.

Submeti ao ChatGPT a declaração da Dr.ª Mariana, pedi para produzir um comentário em português corrente e na volta recebi o seguinte resposta:

É verdade que um governo quando chega, herda dossiers. 

O governo do PSD-CDS herdou a bancarrota que o Eng. Sócrates lhe deixou, os bancos falidos, economia em recessão, as contas públicas arruinadas e 727.701 utentes da vaca marsupial pública

O primeiro governo a que Dr.ª Mariana pertenceu herdou uma saída limpa do resgate, a economia a crescer, as contas públicas num estado que o chefe da Drª. Mariana veio mais tarde a baptizar de "contas certas" e apenas 659.138 utentes da vaca marsupial pública, ou seja menos quase setenta mil, aos quais os governos a que Dr.ª Mariana pertenceu acrescentaram quase 90 mil (745.582 em Junho de 2023 a que se juntaram mais uns milhares desde então).

[Talvez seja um exagero retórico comparar a filha com o pai, porque a filha mostra uma fidelidade canina onde o pai mostraria talvez um pouco mais de decoro.]

26/03/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (110b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 110a)


Antes que o apagador do PS oblitere o passado, recordemos que decorridos mais de quatro anos da nacionalização, a facturação da EFACEC caiu de 430 milhões para menos de 100 milhões, foram torrados mais de 300 milhões e o total de perdas do Estado e dos outros accionistas atingirá 513 milhões. O fundo Mutares ficou com o mono com um capital de 300 milhões onde entrou com apenas 15 milhões de capital e 60 milhões de garantias bancária. Cinco meses depois, a Mutares continua a purgar o elefante branco na esperança de um dia o tornar rentável.

O Dr. Costa e os seus três ministros do SNS têm sido os melhores amigos dos “privados” (conclusão)

Sem a insubstituível ajuda da Dr.ª Temido (a que cantava A Internacional para relaxar) e do Dr. Pizarro (cuja esposa era bastonária da Ordem dos Nutricionistas e foi de seguida nomeada para o Instituto Ricardo Jorge, ambos tutelados pelo esposo, e ele era sócio-gerente de uma empresa de consultoria na área de saúde), jamais os “privados” teriam conseguido em tão pouco tempo o que não conseguiram nas décadas anteriores.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

Uma das acções da Dr.ª Temido, que muito ajudou os “privados”, foi terminar a PPP do Hospital Beatriz Ângelo em Loures que ainda um destes dias estava com tempos de espera para os doentes urgentes de mais de 17 horas, com 55 pessoas em espera. (fonte)

Mais duas grandes realizações do Dr. Costa: o saldo da balança de serviços e a chuva em Janeiro

Não se imagine que o Dr. Costa não fez nada. Ainda a semana passada os jornais amigos enalteceram o saldo positivo da balança de serviços que atingiu em Janeiro 1,4 mil milhões de euros, graças ao turismo. Esses mesmos jornais, não enalteceram injustamente a precipitação de Janeiro (19mm) que aliviou a seca. No entanto, quer o comportamento do turismo, quer a meteorologia, tiveram importantes contributos do governo do Dr. Costa.

Melhorando o “índice de bem-estar” do Dr. Centeno

No semanário anterior salientámos a criação pelo BdP do Dr. Centeno do “índice de bem-estar”, para o qual a consideração do consumo, do tempo de lazer e a desigualdade fez Portugal subir quatro lugares no ranking do PIB per capita de 20.º para 16.º. O aumento homólogo de 9,5% em Janeiro do crédito ao consumo é mais um contributo para a subida no ranking. Se calculado antes do resgate, este índice do Dr. Centeno teria feito a felicidade do Eng. Sócrates.

Choque da realidade com a Boa Nova

Há um ano fiz um ponto de situação do resultado dos programas de Renda Acessível do Dr. Pedro Nuno 771-contratos-771 contratos, ou seja, 0,084% dos 921 mil arrendamentos em Portugal. A Dr. Marina Gonçalves que sucedeu ao Dr. Pedro Nuno, agora entronizado líder do PS, também inventou mais o programa Arrendar para Subarrendar que em Julho tinha como objectivo 320 casas. O resultado foi mais um falhanço em toda a linha descrito em pormenor pelo Jornal Eco,

«Pagar a dívida é ideia de criança»

O endividamento da economia (dívida total do Estado, das empresas e das famílias) registou em Janeiro um aumento homólogo de quase 10 mil milhões de euros, dos quais cerca de 70% do sector público.

25/03/2024

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (110a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Tiros no PSD fazem ricochete e atingem o PS - os maiores tiros no pé desde Dona Maria II

São muitos os tiros e escolho apenas dois relacionados com os resultados das eleições legislativas no círculo Fora da Europa. As dezenas de milhares de votos que emigraram do PS directamente para o Chega e, em especial, a “expulsão” do Dr. Santos Silva, o que gostava de malhar na direita, precisamente por um deputado do Chega, partido a que ele dedicou nos últimos anos o melhor do seu talento para denegrir.

Pro memoria. Quem disse que os governos do Dr. Costa não fizeram reformas?

Na Torre do Tombo do (Im)pertinências pode desenterrar-se a Lista parcial das iniciativas legislativas das primeiras 5 semanas da legislatura. É impressionante!

E ainda que não tivesse feito reformas criou muito reformados potenciais

Em oito anos aumentou 80 mil funcionários e agora, nos últimos dias (até ao lavar dos cestos ainda é vindima), anunciou o aumento da contratação de licenciados para o Estado sucial de 1.000 para 1.200. Serão menos 1.200 jovens da geração mais educada de sempre que não terão necessidade procurar trabalho no estrangeiro a que as suas qualificações em ogias não dariam acesso.

Obra socialista, um pequeno apanhado em duas áreas


mais liberdade

Na extorsão fiscal aos trabalhadores (por definição beneficiários privilegiados do desvelo socialista) o gráfica fala por si.

Na área social socorro-me deste inventário:
 
1. existem 2 milhões de portugueses no limiar da pobreza;
2. um em cada 10 trabalhadores em Portugal é pobre;
3. as pessoas em situação de sem-abrigo aumentaram 78% em quatro anos;
4. dois em cada 10 jovens vivem em situação de pobreza;
5. os baixos salários afastaram ¼ dos jovens do país;
6. 30% dos jovens entre os 15 e os 39 anos já deixaram o país;
7. a taxa de desemprego aumentou para 6,5%;
8. a taxa de desemprego jovem situou-se em 20,3% em 2023;
9. a intervenção precoce na infância chega tarde e não responde às necessidades de cada criança;
10. a prestação social para a inclusão, em alguns casos, não chega sequer para pagar uma semana de terapias de uma criança;
11. com tanto investimento, com pleno emprego, o número de desempregados com deficiência manteve-se.

A gestão socialista transforma qualquer actividade lucrativa num elefante branco (conclusão)

Da “estratégia de internacionalização” da Santa Casa de Misericórdia resultaram perdas estimadas em 20 milhões e do conjunto de asneiras dos últimos anos resultou a transformação de uma instituição lucrativa num desastre adiado enquanto entre 2016 e 2020 (último relatório publicado) o número de apparatchiks aumentava de cinco mil, incluindo 290 chefes, para seis mil, incluindo 348 chefes (fonte).

Tudo isto já se sabia. E agora sabe-se que o maior desastre foi com a internacionalização do jogo no Brasil que é mais um caso da atracção socialista por afundar dinheiro nas terras de Vera Cruz, desastre que se segue a vários outros, como a compra pela TAP da Varig Manutenção e a troca da Vivo pela Oi feita por uma joint venture do PS do Eng. Sócrates com o GES do Dr. Salgado.

«A educação é a nossa paixão»

No final do 2.º período ainda há alunos sem aulas e quase quatro mil professores sem a habilitação necessária (fonte).

(Continua)