Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/03/2019

ARTIGO DEFUNTO: Prognósticos, a especialidade do semanário de reverência

Lá tirar, tiram - no Excel e no PowerPoint (30-03-2019) 

Tão rápida que já lhe passou (15-11-2016)

Afinal tardou, mas não faltou (Fevereiro 2011)

CASE STUDY: O nepotismo e a endogamia do luso-socialismo como modalidade da kakistocracia

Por coincidência no mesmo dia 29, separados por poucas horas, foram publicados dois comentários sobre o nepotismo e a endogamia na sociedade e em particular na política portuguesa: «Cleptocracia de qualidade» de Nuno Garoupa, no Público, e «Há novidade, sim, Dr. António Costa» de Rui Ramos, no Observador.

Rui Ramos foca-se mais em particular no nepotismo e na endogamia do governo socialista português e, embora aceite que um e outra têm estado geralmente presentes na política portuguesa, vê-os no caso do governo actual como um fenómeno exacerbado a um nível nunca antes atingido.

Nuno Garoupa vê o nepotismo e a endogamia como característicos da sociedade portuguesa mas considera que não conduzem necessariamente à kakistocracia, isto é ao governo dos piores, por oposição à meritocracia. E, segundo ele, por razões históricas e culturais, o sistema político português é uma kakistocracia. Concordo que é o governo dos piores e discordo das consequências do nepotismo e da endogamia que, a meu ver, se lhes dermos o tempo que já lhes demos, enviesam de tal modo os processos de escolha que conduzem inevitavelmente ao governo dos medíocres e, com mais tempo, ao governo dos piores.

Na minha humilde opinião de analista social de fim de semana, ambos têm razão no essencial. Rui Ramos tem razão ao salientar o grau excepcional de nepotismo e de endogamia neste governo socialista que não tem precedentes históricos. Nuno Garoupa tem razão em caracterizar o sistema político português como «uma “kakistocracia” e cleptocracia legitimadas nas urnas» e por isso considera responsáveis todos os partidos políticos.

Acrescento que, como a igualdade entre os animais da quinta de Orwell, os partidos são todos responsáveis mas há uns mais responsáveis do que outros. E nisto o Partido Socialista deixa os outros a grande distância, sobretudo nos governos de Sócrates e Costa, o primeiro que potenciou o compadrio, como variante do nepotismo, e levou o país à bancarrota, e o segundo que pratica todas as variantes do nepotismo e está a criar as condições para nova bancarrota.

30/03/2019

Os anseios dos portugueses segundo o survey da OCDE traduzido em português corrente

Segundo o survey da OECD “Risks that Matter” 49% dos portugueses (a segunda maior percentagem dos 21 países abrangidos pelo estudo) estariam dispostos a pagar mais 2% de impostos para terem acesso a melhores cuidados de saúde.

O survey revelou também que 80% dos portugueses (a maior percentagem dos 21 países) defendem que os ricos devem pagar mais impostos em benefício dos pobres.



O diagrama acima, baseado nas estatísticas de IRS mais recentes disponíveis (2014-2016), permite traduzir graficamente os anseios dos portugueses e assim compreender melhor o que lhes vai na alma.

29/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (182) - Uma espécie de socialismo africano do soba Costa (III)

Continuação daqui e dacoli



Family affair rocks Portuguese government
António Costa’s Socialists hit back at accusations of nepotism.

Desta vez foi a edição europeia do jornal americano Politico. Por cá multiplicam-se os familiares: «Relações familiares no Governo de António Costa envolvem 50 pessoas e 20 famílias»

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: «Somos um franchise dos caminhos de ferro espanhóis»

«Somos um franchise dos caminhos de ferro espanhóis, compramos tudo antigo, sem interesse absolutamente nenhum e temos um Serviço Nacional de Saúde que não estamos minimamente interessados em mudar. (...) Enquanto houver um governo que não privilegia o investimento da iniciativa privada, esqueça».

Disse Alexandre Soares dos Santos, antigo presidente da Jerónimo Martins na sessão em que recebeu Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Aveiro

Se não for pedir demasiado ao Doutor Honoris Causa Soares dos Santos, que ainda há pouco tempo disse não saber quem era o Costa, pedia-lhe para partilhar essa opinião sobre o governo com o seu filho Pedro Soares dos Santos que, segundo José Miguel Júdice, «disse a quem o quis ouvir: “Acredito muito no Dr. António Costa"».

Militantes do politicamente correcto e da identidade do género, rumai ao Brunei combater por uma boa causa...


«Novo código penal baseado na Sharia, a lei islâmica, prevê o mesmo castigo em casos de sodomia e violação. Roubos serão punidos com amputações.»

... em vez de nos encherem o saco com as vossas esquisitices, a nós que já reconhecemos um cento de géneros, já temos o casamento homogénero, o poliamor, as quotas de géneros e os cotas do género. Em especial não enchem mais o saco a nós, homens, que já mijamos sentados, somos sensíveis, choramos e damos beijinhos uns aos outros.

28/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (181) - Uma espécie de socialismo africano do soba Costa (II)


«O marido de uma governante, o marido de uma deputada, um filho de um ex-deputado do PS, a mulher de um assessor e amigo do primeiro-ministro e até a nora de um ex-deputado socialista aumentam a teia familiar do Governo. No total são já mais de 40 pessoas envolvidas, direta e indiretamente, na grande família socialista do executivo de Costa.» (Observador)

A arte de fazer títulos


Foi o título escolhido pelo Jornal Económico para se referir aos «Pactos Setoriais para a Competitividade e Internacionalização celebrados entre o Ministério da Economia e 6 dos 20 Clusters reconhecidos pelo IAPMEI em 2017, no âmbito do Programa Interface», deixando implícito que das resmas de papel impresso, dos milhares de slides e dos muitos megabytes de vacuidades sobre Competitividade e Internacionalização vão nascer milagrosamente empregos, um milhão deles.

É uma espécie de ressurreição retardada do Projecto Porter, lançado há 27 anos por Mira Amaral, desta vez ainda mais vazio de conteúdo, mais palavroso e portador daquela fé que o uso de «inglês técnico» substitui as ideias, a iniciativa, a vontade de assumir riscos e o dinheiro, claro. Leia-se o elenco dos Clusters: «Health Cluster Portugal; Portuguese Agrofood Cluster; Cluster AEC – Arquitetura, Engenharia e Construção; Cluster Automóvel;  e Cluster Produtech – Tecnologias de Produção Engineering and Tooling Cluster.»

Não têm emenda.

27/03/2019

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (79) - Mais prestações deprimentes

Outras preces

A adicionar às prestações deprimentes, aparentemente muito apreciadas pelas audiências, do Senhor Presidente da República tivemos nos últimos dias duas em que sua Excelência se excedeu em áreas onde é cada vez mais difícil exceder-se.

Uma, na área da demagogia mais gratuita, foi sucumbir aos berros de um pequeno bando de otários com dinheiro desproporcionado à inteligência que se intitula «lesados do BES» e prometer-lhes «então vão ligar-lhes para combinar um dia que vos dê jeito para irem e virem», como se fosse o presidente da junta de freguesia de Belém - se calhar o lugar para o qual estaria mais talhado.

Outra, na área de fingimento mais desavergonhado, foi fintar a pergunta que lhe fizeram sobre o nepotismo costista e responder fingindo consideração inexistente pelo seu antecessor Cavaco Silva que este tinha nomeado «quatro membros do Governo com relações familiares» o que, sendo verdade, não justifica coisa nenhuma.

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (180) - Uma espécie de socialismo africano do soba Costa


O social-tribalismo de Costa já é notícia internacional. O jornal El País, de inspiração socialista, apesar disso não se furtou a escrever ontem:
«La endogamia política de un país pequeño con una clase dirigente escasa ha llegado hasta el extremo de que se sienten en el mismo Consejo de Ministros un matrimonio, y un padre y una hija.»
A imprensa portuguesa desalinhada, nomeadamente Correio da Manhã e Observador, desenterrou o caso clássico de Carlos César, aprofundou o de Duarte Cordeiro e tratou o novo caso de Marcos Perestrello, obrigando a imprensa alinhada a tocar ao de leve no assunto para fingir independência. Aqui fica um resumo pro memoria.

Carlos César, presidente e líder parlamentar do PS 
  • O filho Francisco é líder parlamentar do PS-Açores
  • O genro é presidente da Casa da Autonomia dos Açores
  • A nora Rafaela é chefe de gabinete numa secretaria regional no Governo dos Açores
  • O irmão Horácio foi assessor de vários governos do PS
  • A sobrinha Inês foi contratada pela Gebalis de Lisboa.
Duarte Cordeiro, o novo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares
  • Nomeou seu assessor Pedro Anastácio, filho do deputado do PS Fernando Anastácio 
  • Nomeou chefe de gabinete a mulher do seu amigo e ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos 
  • A sua mulher foi nomeada pelo Governo para dirigir o Fundo de Inovação Social.
Marcos Perestrello, ex-secretário de Estado da Defesa e actual deputado e secretário nacional do PS
  • A mulher foi nomeada chefe de gabinete da Ministra da Cultura
  • O irmão foi nomeado pelo ministro do Trabalho vogal da Movijovem.

26/03/2019

CASE STUDY: Trumpologia (45) - Trumpófilos alcançam Obamófilos

Mais trumpologia.

(na mesma altura do mandato)

Uma grande derrota para o jornalismo de causas que levou ao colo Obama e detracta Trump continuamente.

A tabuada de Costa e o multiplicador socialista na redução dos passes sociais no dia 1 de Abril

És um merdas, mas como mentiroso estás ao meu nível
«Isto significa que, já no dia 01 de abril, 85% da população portuguesa poderá beneficiar desta redução de tarifários» (*)
  • População portuguesa 10.291.027 (estimativa a 31-12-2017
  • 85% da população = 8.747.373 que segundo a aritmética de Costa beneficiarão da redução de tarifários em 1 de Abril
  • População residente nas áreas metropolitanas em que haverá redução de tarifários em 1 de Abril:
  • Área Metropolitana do Porto      1.719.702
  • Área Metropolitana de Lisboa     2.833.679
  • Total das duas áreas                   4.553.381
  • Estimativa do custo anual total da redução de tarifários 83 milhões de euros (73 + 15 milhões em Lisboa e Porto)
  • Estimativa do número de utentes que poderão beneficiar da redução 641 mil (464 + 177 mil em Lisboa e Porto)
  • Redução mensal média do tarifário 11,8€ [83 milhões : 641 mil) : 12]
  • Percentagem da população portuguesa que os utentes beneficiados representam 6,2% = 641 mil : 10.291.027)
  • Multiplicador socialista usado por Costa 13.7 = 85% : 6.2%
«As reduções que vamos obter nesta Área Metropolitana [Lisboa] são superiores muitas vezes num só mês ao aumento de quatro anos do Salário Mínimo Nacional» (*)
  • Salário mensal mínimo em 2015     505€
  • Salário mensal mínimo em 2019     600€
  • Aumento de quatro anos do SMN      95€
  • Redução mensal média do tarifário  11,8€
  • Multiplicador socialista usado por Costa 8,1 = 95€ : 11,8€
(*) Fonte

25/03/2019

CASE STUDY: Trumpologia (44) - Obstruir não é a mesma coisa que conspirar

Mais trumpologia.


Com grande desapontamento da esquerdalhada, a investigação do procurador Muller provou muita coisa, incriminou muita gente, provou que o Donaldo obstruiu a justiça - o que nem era preciso investigar para ser visível - mas deitou por terra as teorias da conspiração que o pretendiam tornar cúmplice do Czar Vladimiro. O facto do New York Times se ter dedicado afincadamente a tentar demonstrar isso (uns dois terços das muitas centenas de breaking news que recebi nos últimos dois anos do NYT referiam-se ao Donaldo) e agora ter reconhecido que a teoria da conspiração sobre a sua alegada conspiração não tinha fundamento é um exemplo do respeito que a justiça independente merece ao jornalismo independente.

Aditamento:
Trump obstruiu a justiça? Trump mentiu? Pois obstruiu e mentiu. Deve ser preso por isso? Ou ao menos impugnado por isso? Se for esse o critério, teremos que prender a maioria dos políticos ou ao menos impugná-los. Começando pelos esquerdalhos que se arrogam de superioridade moral.

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (180)

Outras avarias da geringonça e do país.

Com a nomeação da camarada esposa do camarada ministro Pedro "faz tremer as perninhas dos banqueiros alemães" Nuno Santos para chefiar o gabinete do camarada ministro e amigo Duarte Cordeiro, foi dado mais um passo para aumentar a família governamental. Sem esquecer a nomeação em Janeiro da camarada esposa de Duarte Cordeiro, para a direcção do Fundo para a Inovação Social. Como escreveu João Miguel Tavares «Susana Ramos, que é mulher de Duarte Cordeiro, que é chefe de Catarina Gamboa, que é mulher de Pedro Nuno Santos, que é ministro de António Costa, tem quase 160 milhões de euros sob a sua tutela directa, para “apoiar projectos de impacto na sociedade"».

Com isso a família governamental ficou ainda maior e mais coesa e sabe-se o quanto a coesão é importante em todas as organizações onde a solidariedade e a fidelidade são indispensáveis. Vejam-se os casos da Mafia e das suas sucursais Cosa Nostra, Camorra, 'Ngrandetha, etc. e repare-se como os capo dei capi fazem as suas escolhas de membros da família com a louvável preocupação de não os prejudicar pela sua relação familiar.

24/03/2019

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (23) - Mais uma criação socialista de engenharia contratual

Outras botas para descalçar

Já se suspeitava que, na melhor hipótese, o Direito Real de Habitação Duradoura, ou Arrendamento Vitalício, não passaria da generalização duma versão complicadíssima dos arrendamentos anteriores a 2003 para os inquilinos com mais de 65 anos e que tudo indicava não interessar aos inquilinos nem aos senhorios.

Trata-se de uma daquelas invenções de engenharia contratual a que se dedica a geringonça no intervalo das invenções de engenharia social, mais ou menos como a linha de crédito de 40 milhões inventada para limpeza das florestas que um ano depois não foi utilizada por um só proprietário.

Suspeitava-se e agora tem-se a certeza com a tomada de posição da Associação Lisbonense de Proprietários para quem esta invenção é «a demonstração cabal de que o Governo permanece à deriva em matéria de habitação». Pelo lado dos inquilinos, esses continuam a tomar posição pedindo empréstimos aos bancos para compra de habitação em vez de esperam para lhes pedirem uma garantia bancária de 10% ou 20% como caução do valor da habitação.

23/03/2019

Dúvidas (260) - A diferença entre um terrorista e um suspeito é a religião?

Títulos do semanário de reverência na sua edição diária

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (78) - Não é um insulto à inteligência. É um elogio à estupidez

Outras preces

«Não somos nós os melhores dos melhores do mundo? Com todo o respeito pelos nossos amigos alemães e também espanhóis, nós portugueses somos os melhores e, por isso, não admira que aqui estejam os melhores a fazer o melhor. Para mim, não é surpresa. Se não fôssemos os melhores, eu não tinha tanto orgulho quanto tenho em ser Presidente de todos os portugueses.»

Disse o picareta falante residente em Belém durante uma visita às instalações da Bosch, em Braga. É demasiado, até para ele. Foi uma violação grosseira da sábia regra do poeta Aleixo que disse «P'ra a mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem de trazer à mistura  / qualquer coisa de verdade».

22/03/2019

DIÁRIO DE BORDO: Tem o meu voto

É a criatura com uma mente mais parecida com a de um liberal que se encontra naquelas paragens.

21/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (179) - Os amores socialistas

«Não vale a pena estar aqui a repetir o ineditismo e a escandaleira desta quantidade absurda de relações familiares, que fazem o Governo de António Costa parecer a Casa de Habsburgo. (...)

Por cá, aquilo que mais importa é a poesia do amor, e o amor, como está na Bíblia, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. Por favor, não inventem boas práticas éticas que o passam abalar. Pedro amava Duarte que amava Susana. Duarte amava Pedro que amava Catarina. Todos amavam António, desde os tempos da Câmara de Lisboa. O António foi para o Governo. O Pedro foi para o Governo. O Duarte foi para o Governo. A Catarina foi para o Governo. E a Susana foi nomeada pelo Governo. Felizmente, ninguém ficou fora desta história. Tal é a força do amor.»

Duarte ♥ Susana ♥ Pedro ♥ Catarina ♥ António, João Miguel Tavares no Público

Os rankings socialistas

«Portugal é o segundo país da UE com estradas com mais qualidade» (*) (**)

As previsões de crescimento da CE colocam Portugal em 24.º lugar na União Europeia, ex-aequo com mais três países.

Portugal é um dos cinco países mais endividados do mundo e o terceiro mais endividado da União Europeia.

(*) «Dado que Portugal está estagnado há 25 anos, o que é que os portugueses fazem exactamente com as estradas tão boas que têm? Se não criam valor mensurável para a economia, servem para quê -- aumentar a dívida?», dúvida de A Destreza das Dúvidas que contém a resposta com muita destreza.

(**) Além de o que fazem com estradas tão boas?, outra pergunta que se poderia fazer é por que fazem estradas tão boas? A melhor resposta a esta pergunta foi dada por dois economistas (de pendor socialista, é claro). Em 2006 (ler aqui a estória contada pelo Impertinente), no início da era sócratica, Marvão Pereira, teórico das SCUT, publicou com Jorge Andraz o estudo «O impacto económico e orçamental do investimento em SCUT», onde concluíram que por cada milhão de euros aplicado em infraestruturas rodoviárias o efeito acumulado no PIB seria de 18 milhões de euros a longo prazo.

Como o custo total das SCUT até 2051 foi estimado em 26 mil milhões, a «longo prazo», segundo aquelas sumidades, o PIB a preços constantes cresceria uns 468 mil milhões ou seja o equivalente a quase 3 PIB de 2006. Marvão Pereira e Andraz acertaram numa coisa: algo cresceu. A dívida pública cresceu 70% entre 2006 e 2011 (base=2011), o ano de partido de Sócrates e de chegada da troika. Já o PIB no mesmo período cresceu 6% (base=2011).

20/03/2019

Dúvidas (259) - O Portugal do Costa é o mesmo Portugal dos portugueses?

«Portugal está hoje melhor preparado para lidar com uma conjuntura externa menos favorável. Uma economia menos endividada, nas famílias, nas empresas e no Estado. Um setor financeiro finalmente capaz de cumprir o seu papel de captador de poupanças e alavanca para o investimento» 

António Costa na abertura do debate quinzenal, na Assembleia da República, em Lisboa. (Diário de Notícias)



Assim de repente, pescando uns diagramas das nossas Crónicas da avaria que a geringonça está a infligir ao País, vejamos como anda o Portugal dos portugueses.




Saldo da balança comercial

19/03/2019

ARTIGO DEFUNTO: Violência doméstica é o que o jornalismo de causas quiser

«Gokmen Tanis tem 37 anos e ontem matou três pessoas num ataque a um elétrico em Utreque, na Holanda. É de origem turca e isso, aliado ao modus operandi do ataque, fez com que as autoridades começassem por falar de um “ataque terrorista”. Mais tarde, já depois de ter detido o suspeito e de uma agência de notícias turca ter avançado com a notícia de que se tratava de um caso de desavença familiar, a polícia admitiu a possibilidade de se tratar de um “incidente doméstico” já que a primeira vítima seria uma familiar do atacante.»

Newsletter do semanário de reverência

O modus operandi do homo Lusitanicus de resolução dos seus problemas domésticos é usar uma moca com pregos na parceira. O modus operandi do homo Turcorum de resolução dos seus problemas domésticos é assaltar um eléctrico e matar a tiro três pessoas.

SERVIÇO PÚBLICO: A falta de liberdades é altamente poluente

Apud Blasfémias (onde podem ser vistos outros diagramas muito esclarecedores)

18/03/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (179)

Outras avarias da geringonça e do país.

Finalmente, o bromance entre Tomás Correia e Vieira da Silva, a propósito da Associação Mutualista, chegou a um desfecho em que o segundo, muito pressionado pelo fogo inimigo (e pelo fogo amigo), se rendeu e chifrou o primeiro mudando a lei, ou a sua interpretação, e submetendo-o ao escrutínio da ASF. Pelo caminho ficaram várias acções de socorro protagonizadas por amigos do Tomás, que pelos vistos tem imensos, incluindo o Padre Melícias - o sumo-sacerdote do regime, confessor de dois sumo-picaretas falantes do regime, o Guterres das Nações Unidas e o Marcelo de Belém - que ensaiou o discurso clássico do «só quando transitar em julgado» e em desespero de causa disparou o míssil nuclear do «não vai ser um ‘secretariozeco’ de Estado ou um ministro qualquer que agora vai correr com uma administração legitimamente eleita».

17/03/2019

Dúvidas (258) - Não será um poucochinho exagerado?

«Temos os melhores engenheiros nas escolas portuguesas, que estão entre os melhores do mundo, o que faz com que Portugal não fique atrás de nenhum outro país a nível mundial em matéria de tecnologia e inovação»,

Rui Cordeiro, sócio fundador da Critical Software ao Jornal Económico

Tecnologia? Inovação? Pois não é verdade que em 2018 o número de patentes registados por portugueses aumentou 46,7%? É, sim senhor.

Público
Porém, antes de começar o foguetório convirá saber: (1) quantas patentes os portugueses registaram em 2018, (2) que essas 220 patentes representam 0,13% do número de patentes registadas na UE; (3) que o número de patentes por milhão de residentes em Portugal (22) é uma fracção ínfima (0,06) do mesmo indicador na União Europeia (341); (4) que seriam necessários 20 anos com os números de patentes a crescerem ao ritmo do período 2014-2018 para o número de patentes por milhão de residentes alcançar o da UE, convindo não esquecer que inevitavelmente o crescimento português percentual nesse período (16,5% anual) é praticamente impossível de manter.

16/03/2019

ESTADO DE SÍTIO: Kafka em Castro Marim


Regulamento n.º 231/2019 - Diário da República n.º 53/2019, Série II de 2019-03-15
Ato da Série II
Freguesia de Castro Marim
Regulamento de licenciamento da atividade de arrumador de automóveis da Freguesia de Castro Marim
Artigo 4 Pedido de licenciamento
4.1 - O pedido de licenciamento da atividade de arrumador de automóveis é dirigido ao presidente da junta de freguesia, através de requerimento próprio, anexo I, do qual deverá constar a identificação completa do interessado, morada, número de contribuinte fiscal, zona ou zonas para a qual é requerido licenciamento, e será acompanhado dos seguintes documentos:
4.1.1 - Fotocópia do bilhete de identidade e do cartão de identificação fiscal ou do cartão de cidadão do requerente;
4.1.2 - Certificado de registo criminal;
4.1.3 - Fotocópia de declaração de início de atividade ou declaração do IRS;
4.1.4 - Fotocópia do comprovativo de seguro de responsabilidade civil;
4.1.5 - Atestado médico que comprove a robustez física para o exercício das funções;
4.1.6 - Duas fotografias.

15/03/2019

Poderá o clima afectar obra de Costa & Ronaldo das Finanças?


Segundo o Jornal Económico pode. A ser assim, uma segunda pergunta: se o arrefecimento global põe em causa a obra de Costa & Ronaldo, isso significa que a obra que se auto-atribuem resultou do aquecimento global?

Se sim, isso leva-me a uma terceira pergunta: se a obra de Costa & Ronaldo resultou do aquecimento global, qual foi afinal a obra de Costa & Ronaldo?

A maldição da tabuada (49) - De como a inumeracia do plumitivo desperdiça uma cacha

Oferta do (Im)pertinências ao plumitivo

«Em Março de 2018, ex primeiro ministro entrou no ISCSP a ganhar cerca de €1.200. (...) em regime de "tempo parcial (50%)". A 1 de novembro, esse regime passou para "tempo integral". A SÁBADO fez as contas e a mudança salarial corresponde a um aumento de €800.»

A Sábado sabe fazer contas de subtrair e fez aquele título. Contudo, se a criatura tinha um regime de tempo parcial (50%) e esse regime passou para tempo integral, tempo integral que M de La Palice não hesitaria em considerar correspondente a um salário de 100%. De onde, se para um horário de 50% o salário era de 1.200 €, para um horário de 100%, segundo a aritmética mais elementar, o salário deveria ser de 2.400 € o ISCSP ficaria a dever 400 € (=2.400 € - 2.000 €) ao Coelho. Qed

De onde, se o plumitivo não sofresse de inumeracia, em vez de uma tentativa de inserir mensagens subliminares em meninges fracas, o título da peça poderia ter sido uma verdadeira cacha:

«Universidade pública fica a dever 400 euros a Passos Coelho»

Dúvidas (257) – Irá o Brexit consumar-se? (XII) Ninguém sabe. Entretanto, temos excelentes cartunes... e capas

14/03/2019

Lost in translation (318) - Vou à Bienal representar a geringonça e a mim própria, disse a artista

«Se estivesse o PSD ou o CDS no governo não aceitaria representar o país na conhecida exposição internacional de arte» informou-nos Leonor Antunes, a artista escolhida para representar Portugal na Bienal de Veneza, esclarecendo que «as pessoas irão a Veneza ver a exposição da Leonor Antunes e não o Pavilhão de Portugal.» (fonte)

Dúvidas (256) – Irá o Brexit consumar-se? (XII) Ninguém sabe. Entretanto, temos excelentes cartunes

The Spectator

BREQUINGUE NIUZ: Staggering arrogance

«George Pell, an Australian cardinal who was the Vatican’s chief financial officer and an adviser to Pope Francis, was sentenced to six years in prison on Wednesday, for molesting two boys after Sunday Mass in 1996.
The cardinal was convicted on five counts in December, making him the most senior Catholic official — and the first bishop — to be found guilty in a criminal court for sexually abusing minors, according to BishopAccountability.org, which tracks cases of sexual abuse by Catholic clergy.
Cardinal Pell, who stood stone-faced with lips pursed when his sentence was read aloud, will not be eligible for parole for three years and eight months.
“I would characterize these breaches and abuses as grave,” the chief judge in the case, Peter Kidd, said during the sentencing. Speaking directly to Cardinal Pell, he added: “Your conduct was permeated by staggering arrogance.”» (NYT)

«For everyone who exalts himself will be humbled, and he who humbles himself will be exalted
Luke 14:11

13/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (178) - Com algumas excepções

«Dito isto, parece-me inquestionável que cabe ao Partido Socialista a maior quota de responsabilidade pelos maus resultados da governação do país, nomeadamente a partir dos governos de António Guterres. Seja porque foi o PS que esteve mais tempo no governo, seja porque foi no PS que se desenvolveu um modelo de poder endogâmico e pouco democrático, isto é, um casamento quase perfeito entre a cúpula partidária e os interesses económicos e outras instituições da sociedade, mais ou menos secretas, como seja a maçonaria e o Opus Dei, secretismo que entrou na cultura do partido até aos nossos dias. (...)

Depois do enorme desastre político, económico, financeiro, social e ético dos governos de José Sócrates, temos o governo do PS de António Costa, que tem sido um fiel continuador dos governos anteriores do PS. Digo-o com tristeza mas com uma forte convicção, ainda que saiba que, como aconteceu com os governos de José Sócrates, muitos portugueses se tenham deixado iludir outra vez, seja pela propaganda, seja pela aparente recuperação económica – ainda que reconheça da parte do atual governo um maior rigor nas contas públicas, porventura por força da União Europeia e porque também não existe alternativa possível em vista da dívida do Estado.

O Partido Socialista de hoje não é uma cópia exata do PS do último quarto de século, mas é certamente o seu fiel continuador. Existe a mesma tentação de controlo sobre o sistema político e o Estado e têm crescido as formas de controlo sobre a sociedade, o que é favorecido pela ideologia estatizante dos restantes partidos que formam a geringonça. Há a mesma navegação à vista, agora ainda mais atrabiliária por força das contradições entre os partidos da maioria. Cresceu a endogamia dirigente, agora através de um círculo restrito de familiares e de amigos, nuns casos mais desgastados por muitos anos no poder e noutros escolhidos pela sua fidelidade ao chefe e não pelas suas qualidades e experiência, resultando em seguidores acríticos e frequentemente incompetentes.(*) O ex-ministro Pedro Marques, agora cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu, representa bem esta nova juventude partidária chegada ao governo, que alia uma perigosa ignorância ao desejo de poder, com as mesmas qualidades para a propaganda e para a mentira e a mesma incapacidade para o debate e para a critica.»

Defender a democracia – recusar a geringonça, Henrique Neto no Jornal i

(*)
Exemplo da exclusão de quem não faz parte do círculo restrito de familiares e de amigos: «Francisco Assis demite-se de cargo europeu após ser impedido de falar pelo PS»
Exemplo de protecção pela fidelidade ao chefe: «O tribunal já pediu três vezes ao Parlamento que levante a imunidade a José Magalhães, arguido num processo. O deputado do PS Pedro Delgado Alves está incumbido do parecer mas ainda não fez.»

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (77) - Estamos a falar do mesmo Marcelo?

Outras preces


«O Marcelo que dois anos depois dos incêndios diz que ameaçou dissolver a Assembleia da República no ano seguinte aos acontecimentos é o mesmo que um ano antes de Pedrogão disse que ia estar atento às medidas contra os fogos e que em 2017 disse que tinha sido feito o máximo possível?»

Perguntou, impertinentemente mas muito pertinente, o blasfemo Telmo Azevedo Fernandes e eu respondo.

Pode ser o Marcelo que «só se Cristo descer à terra» se candidataria a líder do PSD; ou o que garantiu ter havido um jantar, que nunca existiu, com vichyssoise de entrada; ou o que garantiu a Isabel II que, com oito anos de idade, filho de um ministro de Salazar, estava na primeira fila da plebe que na Praça do Comércio a viu passar na visita a Lisboa em 1957 e que voltou a encontrar-se com ela em 1985 como «líder da oposição». A mesma criatura a quem o «Presidente da República Federativa do Brasil, (...) pediu para ser recebido» mas não apareceu. A mesma que em pleno incêndio de Pedrógão Grande garantiu que «tudo está a ser feito com critério e organização», para poucos dias depois garantir que se iria «apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar». Ou pode ser ainda a mesma criatura que depois de ter minimizado o desaparecimento de munições em Tancos, veio dias depois defender «uma investigação que apure tudo, factos e responsabilidades». Ou a mesma criatura que garantiu «não faço comentários sobre os meus antecessores» enquanto comentava o que Cavaco Silva, seu antecessor em Belém, disse enaltecendo a ausência de verborreia de Macron, chapéu que Marcelo enfiou pressurosamente na cabeça. Ou não. Não sabemos.

12/03/2019

Dúvidas (255) - O que falta para trazermos de volta a Inspecção dos Espectáculos?



























«O Departamento Nacional de Mulheres Socialistas do PS "repudia de forma veemente" os programas que estrearam domingo à noite na SIC e na TVI em que homens procuram mulheres para casar ou namorar.

"Quem Quer Casar Com o Meu Filho?" e "Quem Quer Namorar Com o Agricultor?" têm gerado críticas e Elza Pais, presidente da estrutura feminina do Partido Socialista, confessa à TSF que ficou espantada com "tudo" o que se viu nestes programas: "Imagens estereotipadas de género que contrariam o princípio da igualdade constitucionalmente garantido".

A dirigente socialista diz que não querem colocar em causa o princípio da liberdade de imprensa, "mas no cumprimento da liberdade de imprensa, estes estereótipos não deviam ser veiculados pela própria imprensa". "Há limites que não podem ser ultrapassados", afirma.» (TSF)

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A endogamia uma espécie de nepotismo nas universidades do Portugal dos Pequeninos

«Eis a primeira aberração: o número! Em Portugal há um excesso de docentes, mal justificado com um excesso de aulas (desnecessárias). Uma triste herança do PREC quando um assistente doutorado passava imediatamente a professor auxiliar da sua universidade (um direito adquirido). Sempre lutei contra a endogamia, encorajando os novos doutores a concorrerem a outras universidades. E sempre me bati - sem sucesso, devo confessar, e muitas vezes incorrendo na ira de colegas e reitores pela distinção entre concursos académicos de recrutamento e de promoção, com escolha rigorosa dos melhores. Esta forma subtil de endogamia é o cancro que afeta todas as universidades portuguesas. E é difícil de combater porque a autonomia universitária é uma ficção, e os portugueses, na generalidade, servem -se a si próprios e aos seus parentes e amigos, antes de servir as instituições onde trabalham e o seu país. (Olhem para a política, a banca, a PT que Deus tem, etc.) Para complicar ainda mais o problema, há o terrível equívoco de que o doutoramento se destina a uma carreira académica ou de investigação. O doutoramento é o treino/ aprendizagem para resolver problemas novos, a ser realizado entre os 23-30 anos. Não é um frete para acrescentar o Doutor por extenso ao nome (como acontece muitas vezes em Portugal). Abaixo os títulos no dia a dia! Acho ridículo uma pessoa de 40-50 anos querer doutorar-se. Ou já tem um bom currículo, e não vale a pena; ou não tem, e já é tarde. Por outro lado, o que se aprende com o doutoramento na altura certa serve para qualquer outra atividade. Serve para pensar - e pensar cientificamente (experimentar, estar aberto à novidade, saber refutar as próprias certezas) é útil em qualquer profissão

Excerto de «Ciência em Portugal», Jorge Calado na Revista do Expresso

Jorge Calado é um intelectual no sentido próprio da palavra, com uma imensa cultura e, tendo sido um reputado professor do IST, sabe bem do que fala quando fala do cancro da generalidade das universidades portuguesas que os patetas de serviço passam a vida a louvaminhar.

11/03/2019

Por uma vez concordo com a apparatchik em subchefe do PS. É inaceitável

«Para o PS não é aceitável a comparação que Catarina Martins faz entre António Costa e Passos Coelho na gestão do sistema financeiro.»

Disse Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, acusando Catarina Martins de ter feito essa «comparação inaceitável». Não posso estar mais de acordo e não só na gestão do sistema financeiro. Também no resto e na vida em geral, comparar António Costa e Passos Coelho é absolutamente inaceitável.  É uma jogada baixa da berloquista.

Um foi cúmplice na bancarrota, o outro ajudou a sair dela. Um perdeu as eleições, o outro ganhou-as. Um disse disse que tinha virado a página da austeridade, continuando nela, o outro disse que ia além da troika, prejudicando-se e não foi. Um beneficia a sua freguesia eleitoral, o outro tomou medidas transversais.

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (178)

Outras avarias da geringonça e do país.

Vamos por partes. Percebo a gratidão do grupo Impresa e percebo que não poderá ser só a SIC a levar o Costa a cozinhar a cataplana no programa da Cristina e que o semanário de reverência também tem de contribuir. Percebo por isso que, apesar das sondagens da Eurosondagem serem sondagens amigas, ficaria bem encontrar sondagens ainda mais amigas e daí também perceber ter o Expresso substituído a Eurosondagem por uma parceria com o ICS e o ISCTE. Não percebo é estragarem o efeito da coisa quando fazem títulos de primeira página a dizer que os «Portugueses estão otimistas com a evolução da economia» e na 6.ª página mostram que afinal 61% dos portugueses entendem que a economia piorou (21%) ou ficou na mesma (40%). O esforço adicional do escriba nessa 6.ª página com a legenda «77% dizem que a economia não piorou» também não ajuda nada porque, como saberão esses 77%, e até alguns dos restantes 23%, como é que a economia poderia piorar se Costa, os socialistas e a geringonça en masse nos garantiram que a página da austeridade estava virada? Não trabalho para o governo, se trabalhasse lembraria à central de manipulação o verso do poeta popular António Aleixo P'ra a mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade.

E por falar em mentira - que por vezes tem perna curta -, depois de meses a empurrar Tomás Correia para cima da ASF, a quem não deu poderes para avaliar a falta de idoneidade da criatura, soube-se agora que o parecer do BdP aconselhou Vieira da Silva a prever na lei "expressamente" e "de imediato" a avaliação.

10/03/2019

CONDIÇÃO FEMININA: A Worten faz mais pela emancipação de mulher do que a UMAR e a Capazes juntas

«A falta de mão de obra nos anos 60 do século passado, as crescentes habilitações escolares das raparigas, o acesso a água canalizada, as redes de  esgotos e a electrificação do país que permitiu a vulgarização de electrodomésticos fizeram mais pela qualidade de vida das mulheres que muitas das leis que se tornou lugar comum incensar como libertadoras. Por muito chocante que tal seja para os ouvidos sensíveis de quem imagina que tudo se deve ao intervencionismo estatal, em matéria de vida das mulheres as máquinas de lavar roupa, os frigoríficos e os supermercados com os seus horários alargados foram mais importantes que os manifestos feministas. O legislador que sonha países criados à força de decretos-lei e os políticos que se vêem libertadores privilegiam o papel das leis. Ou seja o seu papel. A realidade essa não se compadece com esses egos exacerbados e os activismos que os sustentam

Excerto de «O arraial da luta», Helena Matos no Observador

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (76) - Geringonça 2.0

Outras preces

A geringonça 2.0 vista pelo Carnaval de Torres Vedras
«A frente das esquerdas só causa um problema sério a Costa: há o risco de colocar os socialistas numa posição demasiado radical, com custos ao centro. Por isso, necessitou desde 2015, e continuará a precisar, de um atestado de moderação. Foi o que o Presidente da República lhe deu, e continuará a dar, pelo menos até ao fim do seu mandato em 2021. O “óptimo entendimento” entre Belém e São Bento legitimou a geringonça. Ora, Rui Rio nunca poderá dar a Costa, em termos de legitimidade política, o que Marcelo dá.

O entendimento entre Marcelo e Costa dispensa o apoio de Rio a um futuro governo socialista. Será que Rui Rio não entende a natureza da relação política entre Marcelo e Costa? Em linguagem acessível a Rio, é fácil de explicar: os poderes máximos da Corte de Lisboa não precisam do apoio de um político do Norte. Para Costa e Marcelo a principal qualidade de Rio é não ser Passos Coelho. Mais do que isso, dispensam.

Por fim, o apoio de Marcelo ao governo de Costa não afetará a sua reeleição. O Presidente da República só tem que garantir que não aparece um candidato forte no espaço da direita. Enquanto a sua popularidade continuar alta, ninguém à direita pensará em Belém. A reeleição de Marcelo será um passeio, com muitos beijos, muita dança e selfies para todos os gostos. É isto que a maioria dos portugueses gosta. Porque nos havemos de maçar?»

«Já há um “bloco central”: entre Marcelo e Costa», João Marques de Almeida no Observador

Porque havemos de nos maçar? Ora porque haveria de ser? Porque se não nos maçarmos antes, ficamos depois maçados em dobro.

09/03/2019

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (177) - Se o PS acabasse com as fake news as outras news acabariam com o PS

«O PS (o PS dos boatos sobre Sá Carneiro, o PS do livro censurado de Rui Mateus, o PS da Casa Pia, o PS das inúmeras habilidades do “eng.” Sócrates, o PS dos telefonemas irados ou doces aos directores de informação, o PS que manda na linha editorial dos jornais a ponto de os tornar irrelevantes ou extintos, o PS que deu à Lusa uma credibilidade idêntica à do saudoso “O Crime”, o PS que inventou a ERC, o PS dos resgates à banca e dos saques ao contribuinte, o PS das negociatas disfarçadas de “desígnios”, o PS sem vergonha da vergonha dos incêndios de 2017, o PS das austeridades viradas na retórica e agravadas na prática, o PS do blogue Câmara Corporativa, do sr. Abrantes e de incontáveis jagunços que saltitam nas “redes sociais” e nos espaços de “opinião pública”, o PS da propaganda descarada, o PS dos paquistaneses travestidos de militantes, o PS que branqueia o rosto do líder como branqueia cada embrulhada em que se mete, o PS das prosperidades que terminam em bancarrota, o PS dos srs. Centeno, Ferro e César, o PS que mais do que qualquer outro partido se confunde com o sinistro “aparelho de Estado”, o PS enfim que, há dias, criou a agência espacial portuguesa) quer acabar com as “fake news”

O Costa da Cristina, Alberto Gonçalves no Observador

08/03/2019

ACREDITE SE QUISER: Factos (alternativos ou não) que confirmariam muita coisa

Os factos (não se sabe se são todos os factos):

«A Impresa anunciou que procedeu ao reembolso da totalidade do empréstimo obrigacionista, no valor de 30 milhões de euros, que vencia este mês (Novembro de 2018).  O pagamento foi feito com o montante que encaixou com a venda do edifício Impresa, depois do grupo ter falhado a emissão de obrigações que visava precisamente substituir este empréstimo realizado em 2014.

A dona da SIC queria avançar com uma nova emissão de obrigações no valor de 35 milhões de euros para substituir a emissão que vencia agora. Porém, a 21 de Julho do ano passado, anunciou que tinha desistido da operação que tinha como objectivo alargar o prazo de reembolso de parte da dívida do grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão (na foto).

A forma que a empresa arranjou para concluir o reembolso anunciado esta segunda-feira, a 13 de Novembro, foi, assim, através da venda do edifício Impresa, em Paço de Arcos, ao Novo Banco. O montante envolvido na operação foi de 24,2 milhões de euros.

Como fonte oficial da Impresa tinha dito ao Negócios na altura, a venda do edifício "servirá para pagar o empréstimo obrigacionista e para financiar a obra de expansão do edifício Impresa".»

(Jornal de Negócios)

Outros factos (que podem ou não ser factos alternativos, que não por acaso explicariam bastante bem a parcialidade e a falta de distância da SIC e do semanário de reverência em relação ao governo de Costa):

Recebido via WhatsApp

Ti Célito em Angola

Gente, cheguei! Estou banzado, meu povo!

07/03/2019

Porque não fiquei surpreendido, ainda outra vez? (7)

Alguém acredita que Kim alienará a sua nomenclatura político-militar subtraindo-lhe o armamento nuclear? Perguntei-me várias vezes (1), (2), (3), (4), (5), (6).


Isto não constitui um insucesso para um Trump que não visa a paz no mundo ou qualquer outro desígnio grandioso, nem mesmo alcançar um resultado concreto. O que está em causa é o processo trumpiano, um processo em que os meios são tudo e os fins são pouca coisa. Não é impossível que o resultado final seja positivo, mas será um resultado aleatório.

06/03/2019

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (75) - O selfie-made man candidato socialista

Outras preces

«... o livro da autoria da prof.a Felisbela Lopes e da jornalista Leonete Botelho (...) é revelador do que já se preparava nos bastidores: o apoio do PS à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

O “selfie man” é o candidato preferido da esquerda – António Costa e os seus séquitos sabem que, atendendo à defesa dos seus interesses políticos pessoais, é impossível alguém melhor do que Marcelo no Palácio de Belém. Marcelo é ideal para manter os interesses especiais que põem e dispõem do regime dando uma aparência de mudança. Marcelo é ideal para manter o poder socialista incontrolado e incontrolável, vendendo a ilusão aos portugueses de que o Presidente da República mantém autoridade suficiente (e, sobretudo, coragem!) para censurar os desvarios de António Costa e companhia esquerdista (i)limitada. Quando se efetuar uma análise histórica racional, fria e objetiva dos anos da geringonça, Marcelo merecerá lugar privilegiado no processo de branqueamento da obsessão pelo poder de António Costa – que custou ao país quatro anos de tempo perdido, com um governo que se limitou a gerir os calendários eleitorais, desperdiçando mais uma conjuntura histórica favorável para promover as reformas estruturais de que Portugal tanto carece. (...)

Curiosas são igualmente as revelações das autoras sobre a relação promíscua entre Marcelo e a comunicação social. Escreve-se na página 14: “Marcelo precisa de projetar à escala nacional uma determinada imagem de si. É esse o trabalho dos média que este PR nunca negligencia. Em todas as deslocações, Marcelo Rebelo de Sousa presta uma atenção especial aos repórteres que o acompanham, ainda que muitas vezes faça de conta que não os vê… E, no recato dos seus aposentos ou no intervalo da sua frenética agenda oficial, manda SMS ou telefona (…) a vários jornalistas para comentar isto ou aquilo, ou simplesmente para conversar. No entanto, quando o interlocutor é Marcelo, nada é feito por acaso.” »

Excerto de «Já é (quase) oficial: Marcelo Rebelo de Sousa é o candidato do PS geringonçado em 2021», João Lemos Esteves no Jornal i

05/03/2019

E porque não convidar a Cristina para ministra da Cultura?



Sim, porque não convidá-la para substituir aquela senhora arrogante que parecer pensar que ser lésbica a qualifica para o lugar? Cristina não faria pior num ministério dedicado a subsidiar a Cóltura.

Ah, por falar na senhora ministra, terá Costa reparado que ela quer calar o governo? Calar o governo? Sim, calar o governo, pois não é essa senhora que quer combater as fake news?

Postfácio: por coincidência, este post é publicado no dia de Carnaval, mas isso não o torna necessariamente numa paródia. Dependerá de quem o lê.

O colectivismo imanente e o juiz-sociólogo vítima da violência pública da manada

Os portugueses têm uma fortíssima tendência para se comportarem em manada. A primeira vez que me dei conta disso foi por alturas do 25 de Abril, ao ver nos tempos agitados que se seguiram conversões em massa de indígenas, durante anos submissos ou mesmo activamente aderentes ao Estado Novo, que de um dia para o outro se transmutaram em ruidosos democratas e até em revolucionários.

Mais tarde, tive oportunidade de conhecer o modelo 5-D de Geert Hofstede, bastamente citado no (Im)pertinências (por exemplo aqui), e constatar que os portugueses são entre os países estudados por Hofstede um dos povos menos individualistas ou, para dizer o mesmo por outras palavras, um dos povos mais colectivistas em todo o mundo.

Colectivismo que explica imensa coisa, a começar pelo desvelo pelo Estado e a continuar pelo pendor esquerdizante que ainda hoje alimenta instituições bizarras já extintas em outros países como o Partido Comunista, como também dá pasto a agremiações pós-modernas do politicamente correcto, como o Bloco de Esquerda, a que, por paródia, aqui chamamos frequentemente de Berloque de Esquerda.

Um exemplo em curso deste comportamento de manada é a indignação obsessiva (a manada é sempre obsessiva) e a condenação violenta do juiz Neto Moura por ter produzido uns acórdãos que a polícia de costumes da esquerdalhada, potenciada pelo megafone do jornalismo de causas, condenou com violência, chegando em certos casos ao insulto como o rolo de papel que Ricardo Araújo Pereira, um conhecido humorista também de causas, sugeriu fosse introduzido no ânus do juiz ou o jogo escatológico que apresentou no seu programa de televisão.

Leiam-se com a devida distância as partes mais polémicas desses acórdãos, como por exemplo as seguintes citadas pela Visão:
«O adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) (e por isso a dita sociedade) vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher».
Repare-se que sendo certo que se pode reconhecer no autor uma mente um tanto atormentada por um passado de seminarista e comunista, por esta ordem, não é menos certo que também, se aumentarmos a distância, é possível vislumbrar uma vocação perdida de sociólogo, profissão que, se prosseguida, o teria protegido da manada esquerdista, ainda que dissesse alarvidades como as do professor doutor Boaventura de Sousa Santos.

Pois não é verdade que os preconceitos atribuídos pelo juiz Neto Moura à sociedade são partilhados por grande número de portugueses e portuguesas fora do Bairro Alto ou, vá lá, de alguns bairros de Lisboa e, vá lá outra vez, também do Porto? Que disso se faça um princípio moral é outra coisa, mas não parece ser o caso da criatura que até disse à revista Visão não ser tolerante com a violência doméstica.

Postfácio: por coincidência, este post é publicado no dia de Carnaval, mas isso não o torna necessariamente numa paródia. Dependerá de quem o lê.

04/03/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (177)

Outras avarias da geringonça e do país.

A permanência de Tomás Correia na Associação Mutualista Montepio Geral é um case study da captura do Estado pelo aparelho socialista-maçónico. Para limpar a sua folha, Vieira da Silva transferiu a tutela da Associação para a ASF, a autoridade reguladora dos seguros, com uma lei feita à medida para garantir a Tomás Correia dois ou três mandatos tranquilos antes da reforma. Quando já não era possível evitar o escândalo, Vieira da Silva lavou as mãos chutando para a ASF a verificação da idoneidade de Tomás Correia, passando a bomba para o actual presidente nomeado pelo governo anterior (um pormenor importante) cujo mandato terminou e o seu sucessor já foi escolhido e espera confirmação pelo parlamento. A ASF recusou e bem avaliar a idoneidade porque a lei não o permite durante o período de transição de 12 anos. A explicação é claríssima e está na nota informativa publicada pela ASF na passada sexta-feira. Já agora, acrescente-se que a imprensa do regime continua a ecoar a versão do governo, em parte por preguiça e ignorância e no resto por convir ao governo tirar de cima de si a responsabilidade por manter à frente de uma associação mutualista uma criatura que se calhar deveria estar presa.

Outro exemplo de captura do Estado, desta vez por uma clique nepotista, é o controlo do governo por Costa e as famílias suas amigas.

03/03/2019

A gestão socialista do lixo alfacinha

Fotos publicadas no último mês (Google Imagens)
Será falta de pessoal? Coloquemos o lixo no contexto de Parkinson na câmara de Lisboa e recordemos que quando Costa tomou posse havia uns dez mil apparatchiks.

Fonte: Mapa de Pessoal 2016
Passados 9 anos, já com o herdeiro Medina, a capacidade de manutenção de tenças mantinha-se. É uma tença por cada 55 residentes - o dobro de Madrid ou Barcelona.

E se, ainda assim, faltarem lixeiros podem perfeitamente reciclar (afinal estamos a falar de lixo) 124 ASPON (ASsessores de POrra Nenhuma) que por lá estão estacionados nos gabinetes de apoio aos vereadores e aos partidos com os quais poderiam utilizados 41 camiões de recolha de lixo.

02/03/2019

ACREDITE SE QUISER: Après les gilets jaunes, la hiérarchie entre les deux parents. Voilà

Para minha surpresa, o jornalismo de causas (domésticas) não deu o devido relevo a um importante desenvolvimento civilizacional no sentido do reconhecimento dos quatro, dez, setenta e um, cento e doze "géneros". Talvez devido aos gilets jaunes e às suas manifs, ao brûler des bagnoles, ao casser des radars, terem absorvido as atenções, afinal trata-se da França.

Estou a falar do projecto de lei «pour l'école de la confiance», em discussão na Assembleia Nacional francesa, e de uma proposta de alteração para substituir nos formulários dos alunos as designações «père» e «mère» por «Parent 1» e «Parent 2».

As discussões têm sido apaixonantes e o próprio ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, sendo a favor de igualdades de todos os n "géneros", já declarou não apreciar a solução proposta «Parent 1» e «Parent 2», «puisque ça a l’air d’installer une hiérarchie entre les deux parents» e propôs uma «solution d’apaisement».

Desejamos a M le ministre os maiores sucessos no apaisement e aguardamos ansiosamente la solution.

En passant, em França discutem-se estas questões transcendentais, aqui no Portugal dos Pequeninos discute-se a contagem dos nove anos de serviço dos professores.

01/03/2019

ESTADO DE SÍTIO: Uma democracia capturada por uma facção política de tipo familiar

«Em 1995, Guterres e os seus amigos chegaram com uma ideia: a chamada Terceira Via. Em 2001-2002, tudo falhou, com o primeiro estrangulamento financeiro do Estado. Em 2003, o caso Casa Pia convenceu-os de que estavam a ser perseguidos. Em 2005, voltaram com um desígnio de controle puro e duro. Sob Sócrates, operaram à bruta. Sob Costa, tentaram ser “hábeis”. O método, com mais ou menos veludo, foi sempre o mesmo: o domínio do Estado, e o domínio do Estado sobre a sociedade e a economia. Ora, num projecto destes, o partido importa naturalmente menos do que a clique, e a comunhão doutrinária conta menos do que a relação pessoal.  Daí que a sua área de recrutamento não vá além de velhos amigos, antigos protegidos, e, claro, parentes.

O nepotismo governamental define o estado da nação: uma democracia capturada por uma facção política de tipo familiar, dedicada, num tempo de estagnação mal disfarçada pela conjuntura internacional, a vincular a si os grupos de interesse instalados no Estado, nas grandes empresas, e na banca. Demasiado frágeis, as instituições e a sociedade civil não são obstáculo para este senhorio terceiro-mundista. PCP, BE e o PSD de Rui Rio já a pouco mais aspiram do que a aliar-se às famílias do poder. Enfraquecida, manietada, sem voz, a não ser a voz inorgânica das redes sociais, a sociedade aguenta. Estamos assim.»

Mais uma reflexão sobre as famílias do governo, Rui Ramos no Observador

Mitos (287) - A extinção dos grandes herbívoros africanos não ficou a dever-se ao homo sapiens, mas às mudanças climáticas no passado remoto

«Ancient African herbivores like colossal elephants and antlered giraffes likely died out due to long-term environmental change rather than humans’ appetite for meat, according to a new study in Science. Researchers found that 28 lineages of extinct megafauna began a slow, steady decline 4.6 million years ago as falling carbon dioxide levels prompted deforestation and the expansion of grassland. But humans, long blamed for the extinctions, only began large-scale hunting 50,000 years ago. Today only five species of megaherbivores — those weighing over 2,000 pounds — roam Africa.» (fonte)