Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
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31/01/2025

Mr. Sundar Pichai hurry up to change the name of Gulf or else

  

Mr. Pichai Sundararajan, the Indian immigrant better known as Sundar Pichai, CEO of Alphabet who contributed peanuts to Mr. Trump's campaign, now has the opportunity to rush and update the Gulf name in Google Maps and Google Earth and pray to gain President Trump's good graces like the other technogarchs.

16/01/2025

Bowing to Donald Trump

Cartoon by Anne Telnaes, Pulitzer Prize-winning,
refused to be published by Jeff Bezos' Washington Post

Bezos (Amazon), Zuckerberg (Meta), Sam Altman (OpenAI), Patrick Soon-Shiong (owner of the Los Angeles Times) and Mickey Mouse bowing to a statue of Donald Trump.

06/10/2024

ARTIGO DEFUNTO: A vocação do Expresso é ser um tal & qual de referência


O título da peça sobre o Almirante das vacinas que montei provocatoriamente na imagem em cima da 1.ª página do tal & qual é do Expresso, auto-intitulado semanário de referência, e ficaria muito bem num pasquim.

Num semanário de referência teria ficado muito bem ter feito notícia em 2018 da venda pelo seu proprietário Imprensa ao Novo Banco por 24,2 milhões do edifício da sua sede em Carnaxide, avaliado em 16 milhões, para poder amortizar um empréstimo obrigacionista depois de ter falhado uma outra emissão de obrigações. Esse edifício foi de seguida objecto de um lease-back à Impresa, numa operação do Novo Banco, que à época já tinha como accionista o fundo Lone Star, com uma Impresa com dívidas de 179,2 milhões que ultrapassavam as receitas totais, operação obscura difícil de imaginar num banco à época ainda em recuperação que ficou com os restos do BES.

Como ficaria igualmente bem, ter sido noticiada a recompra no final de 2022 do mesmo edifício com um empréstimo hipotecário de 19,6 milhões do Novo Banco (ver notícia do Página 1). Destas operações só se encontra referência da venda no relatório e contas de 2018; no relatório e contas de 2022 não há qualquer informação sobre a recompra.

07/09/2023

Não é da benevolência do senhorio que esperamos a nossa habitação, mas da consideração que ele tem pelos seus próprios interesses

Para quem não saiba, a Dr.ª Fernanda Câncio é jornalista, militante de várias causas, nomeadamente anti-homofóbicas, identificada com o esquerdismo bem-pensante, que entrou para o clube dos famosos com a sua relação, entretanto repudiada, com o ex-primeiro-ministro Eng. José Sócrates.

Numa peça cujo título «As rendas congeladas e o direito humano a um "lucro decente"» é todo um programa, a Dr.ª Câncio insurge-se contra as medidas de congelamento das rendas e, citando Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, contra a «interferência arbitrária do Estado» defendendo o «direito (dos senhorios) a retirar lucro da sua propriedade», «senhorios que durante décadas garantiram, à sua exclusiva custa, uma bela percentagem de habitação social num país no qual a estatal só corresponde a 2% do total de alojamentos».

É fácil para um espírito liberal estar de acordo com estas ideias da Dr.ª Câncio. Difícil é compreender como a Dr. Câncio chegou lá ao arrepio do que costumam ser as ideias a respeito dos direitos de propriedade dos seus compagnons de route. É difícil sobretudo se não se souber que a Dr.ª é senhoria de várias propriedades, estatuto que não esconde.

Isso só lhe fica bem e dá razão ao velho Adam Smith que, quando escreveu «não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelos seus próprios interesses», se conhecesse a Dr.ª Câncio poderia ter escrito a frase do título.

01/09/2023

SERVIÇO PÚBLICO: Plano para a Fundição de Oeiras, na melhor hipótese um delírio urbanístico, na pior...

Na visão de um Ordinarius civis como este vosso escriba, este plano parece de facto um perfeito disparate por razões que o texto explica com clareza. É tão discrepante dos projectos que a câmara de Oeiras tem lançado que é difícil evitar uma teoria da conspiração fundada na coexistência na pessoa do Dr. Isaltino Morais (*) do Dr Jekyll, gestor autárquico competente, com o Mr Hyde, criatura com ética algo duvidosa. Concordo que é indispensável construir habitação para colmatar o défice na região metropolitana de Lisboa e não creio estar infectado pelo NIMBY (Not in My Backyard), contudo, um problema não se resolve criando outros problemas e devastando uma zona com boa qualidade urbanística. 

Declaração de interesse: Não vivo há quase meio século em Oeiras, como o arquitecto José Manuel Fernandes, mas ando lá perto. Nas últimas quatro décadas vivi em quatro locais diferentes de dois concelhos, todos eles a menos de dois quilómetros da Fundição de Oeiras.

(*) Sobre o Dr. Isaltino Morais e as suas acções já aqui se escreveram vários posts exprimindo mixed feelings.

20/08/2023

DIÁRIO DE BORDO: Não é muito exagerado dizer que no Portugal dos Pequeninos sem amigos não se vai a lado nenhum

Por cá, sem amigos não se vai a lado nenhum é o mantra de um dos meus amigos que ele regularmente ilustra recorrendo aos seus conhecidos para resolver as dificuldades que o nepotismo, a burocracia, o preconceito, a discriminação, o desleixo e a incompetência criam. 

Nisso, o meu amigo não é original e apenas reproduz a resposta pragmática e eticamente complacente às consequências práticas de um princípio que muitos adoptaram e poucos reconheceram, como antigos presidentes, o peruano Oscar Benavides e o brasileiro Getúlio Vargas («Para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei»), ou numa versão mais apurada («Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei») atribuída a uma eminência luso-socialista, todos eles aparentemente inspirados em Maquiavel.

É por esse princípio orientador impregnar tão profundamente as práticas sociais e políticas no Portugal dos Pequeninos que o PS, partido que mais autenticamente adoptou esse princípio rebaptizando-o como «ética republicana», é o partido naturalmente destinado a governar. Daí não resulta ser inevitável que o PS governe - no domínio político-social não há inevitabilidades ou pelo menos não há inevitabilidades duradouras. Apenas é bastante mais difícil outro partido sem esse princípio ter condições de governar, tal como sem amigos se pode ir a muitos lados, porém com muito maior esforço.

12/05/2022

Pro memoria (421) - Berardo quer contribuir para a educação dos banqueiros e dos políticos do regime que o alimentou

Flash back (há 13 anos):

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do BCP. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Ver também os posts da etiqueta Porque ri Berardo?

Fast forward (13 anos depois):

«Joe Berardo diz que todo o processo das dívidas à banca lhe provocou elevados danos morais, inclusivamente uma profunda depressão, e reclama uma indemnização de pelo menos 100 milhões de euros, com a qual pretende, em parte, financiar bolsas de estudo a gestores bancários e cursos de ciência política aos deputados.

Na ação que colocou contra Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Novobanco e BES, o comendador diz-se vítima de quem o quer rotular de “Responsável Disto Tudo”, de quem o acusa de ser o causador de “todos os males da banca” que teve de ser socorrida pelos contribuintes, numa estratégia concertada para mascarar as falhas das próprias instituições financeiras, do Banco de Portugal e do Governo.»

06/10/2020

SERVIÇO PÚBLICO: As mentiras sobre o Novo Banco e a falência do GES

Há uns 15 anos que no (Im)pertinências andamos a escrever sobre a obra dos Espírito Santo, obra só possível pela coligação de interesses com uma facção do PS e a tolerância do resto, to say the least. Seis anos depois da resolução do BES ainda a classe política anda embrulhada em mentiras e omissões e não são muitos os jornalistas que escrevem com independência sobre o tema. 

Porquê a classe jornalística é tão tímida a falar deste tema? Uma possível explicação é lista de avenças e compensações pagas pelo GES a mais de uma centena de pessoas, incluindo políticos, gestores e jornalistas, relacionada com os Panama Papers que o Expresso prometeu publicar e, por razões que se percebem, nunca chegou a fazê-lo.

Vale a pena, por isso, ler o artigo É mentira, sim senhor de João Vieira Pereira, um jornalista independente que apesar de director do Expresso não deve fazer parte da lista. Aqui vai um excerto.

«Quando se fala das sucessivas auditorias ao Novo Banco, nunca se refere que o dinheiro perdido hoje está a servir para pagar as negociatas que se fizeram durante anos e anos naquele que era considerado o banco do regime, que alimentava todo o tipo de interesses que envolviam sempre o poder político. Os exemplos sucedem-se, desde a forma escandalosa como destruíram a Portugal Telecom, como impediram a legítima OPA de Belmiro de Azevedo, a criminosa atuação da Ongoing, o aval financeiro à política de betão de sucessivos governos, passando pela ajuda no encobrimento da real situação financeira de muitas empresas públicas.

27/08/2020

Ser de esquerda é... (7)

... ser um defensor irredutível do ensino público e inscrever os filhos no Colégio Moderno, ou no Liceu Francês, ou no Colégio Alemão, ou na St. Peter’s School, etc.

Outros "Ser de esquerda é..."

11/08/2020

Ser de esquerda é... (6)

... partilhar, sem uma dúvida, sem um sobressalto de consciência, durante vários anos quartos de hotéis de luxo, refeições em restaurantes da moda e férias em resorts pagos por uma criatura com o salário de um primeiro-ministro português, despesas financiadas por um amigo, segundo ele próprio, ou por luvas segundo as investigações do MP, e esperar vários anos para escrever que essa criatura tinha «uma tal ausência de noção do bem e do mal, que instrumentalizou os melhores sentimentos dos seus próximos e dos seus camaradas e fez da mentira forma de vida».

E, não obstante tudo isso, a Dona Fernanda Câncio, que nunca se interessou por saber de onde vinha o dinheiro do Sr. Eng. Sócrates, sentiu-se à vontade para apontar o dedo à família real espanhola porque «nunca se interessou por saber de onde vinha o dinheiro» de Juan Carlos.

Outros "Ser de esquerda é..."

07/06/2020

O jornalismo de causas como prostituição



«Torna-se, dado o descaramento ou o descuido, bastante ingrato defender o papel da imprensa num regime democrático quando ela se curva sistematicamente aos poderes do regime que devia contrabalançar. Acrítica e obediente, deixou de questionar e passou a comunicar, parou de analisar e resignou-se a narrar. O modo como tentou normalizar – e até abrilhantar – o recrutamento de Costa Silva diz muito do que é o jornalismo de hoje em Portugal. Descredibiliza-se e insulta-se a classe política, como se esta não estivesse habilitada a levantar o país de uma crise e fosse necessário convocar um providencial CEO para a empreitada. Desvaloriza-se a informalidade do convite, promovendo-se inconscientemente a falta de transparência, quando o propósito da comunicação social é justamente o contrário: responsabilização. Se olharmos para os últimos meses, reparamos como se foram criando exceções deste género para tudo – comemorações, concertos, regras e cargos –, enchendo assim a boca àqueles que lucram com um eleitorado cansado de viver debaixo de excecionalidades tão indevidas quanto incompreensíveis. Querem mesmo parar Ventura? Comecem por aqui.»

Excerto de Costas quentes, Sebastião Bugalho no Observador

A pletora de referências encomiásticas ao paraministro António Costa Silva e o acolhimento acrítico às dúzias de declarações que proferiu desde a nomeação são um indicador do grau de alienação e da ausência de independência da maioria dos mídia em relação ao polvo socialista que excedem o que os comunistas conseguiram durante o PREC, durante o qual, apesar de tudo, ainda havia algumas resistências nas redacções.

04/06/2020

ARTIGO DEFUNTO: O dinheiro de uma agência do governo de um regime autocrático não cheira melhor do que o dinheiro de um governo socialista de um regime democrático


Este anúncio da Xinhua (Nova China), a agência de notícias oficial do governo chinês, está a ser apresentado duas, três quatro ou mais vezes nalgumas páginas do Observador com um link para uma página da Xinhua anunciando que «Legisladores chineses propõem lei de imunidades de estados estrangeiros», significando que os deputados à Assembleia Popular Nacional escolhidos pela nomenclatura do Partido Comunista Chinês aprovaram uma lei que impede os nacionais chineses de serem julgados por tribunais estrangeiros por terem omitido ou deturpado informações vitais sobre a pandemia Covid-19.

29/05/2020

ESTÓRIA E MORAL: E porque não o Dr. Centeno no BdP, se no Portugal dos Pequeninos a tradição é o que sempre foi?

Estória

Falhada a candidatura ao FMI e à CE, é justo que ao Dr. Mário Centeno seja atribuído um lugar de prestígio e devidamente remunerado (*) para que ele possa repousar dos seus 5 anos de ministro das Finanças.

(*) Há uns anos, quando foi governador o Dr. Constâncio, a tença anual era 250 mil euros, o dobro do salário de Bernard Bernanke, o presidente do FED na época, ou mais de 4 vezes, se tomarmos em conta o nível médio de salários em Portugal e nos EU. Como o BdP é cada vez mais uma mera sucursal do BCE, digamos que se trata de uma tença principesca. 

Espíritos maldosos e mentes retorcidas dizem que, tendo sido ministro das Finanças e nessa qualidade uma espécie de chefe do governador do Banco de Portugal, a que acrescentam o facto de enquanto ministro «não avançou com a lei que lhe retiraria poderes caso mudasse de cadeira», existe um conflito de interesses entre o Dr. Centeno ministro e o Dr. Centeno putativo governador.

Há mesmo quem defenda que um governador deverá ter um perfil puramente técnico e ser independente e o Dr. Centeno fez, dizem os detractores, uma gestão política das Finanças públicas e foi um fiel executor da estratégica de poder do PS, privilegiando as despesas com o pessoal (et pour cause), engordando os efectivos de funcionários públicos (a que alguns maldosos chamam a freguesia eleitoral do PS) e cortando no investimento e nas despesas de capital. Há até quem lembre que ele garantiu que a redução para as 35 horas não teria impacto orçamental.

Além de maldade e retorcedura mental, há nesses detractores uma imensa ignorância da História Pátria. Ora passemos em revista os antecessores do Dr. Centeno (socorro-me da informação do BdP, que não inclui o actual governador, nem a parte mais política do currículo do Dr. Constâncio que aditei a vermelho):

António Augusto Pereira de Miranda 
  • Governador (1887-1891) -  ... político, deputado, ..., Ministro da Fazenda.
Pedro Augusto de Carvalho
  • Governador (1891-94) - Político, Deputado (Ponta-Delgada), ... 
Júlio Marques de Vilhena 
  • Governador (1895-1907) - Político (Partido Regenerador), ... Juiz do Supremo Tribunal Administrativo e Presidente da Liga Naval.
José Adolfo de Mello e Sousa
  • Governador (1907-1910) - Comerciante e Financeiro, Presidente da Associação Comercial de Lisboa, Deputado por Arganil, .... Pertencia ao Partido Regenerador Liberal.
Inocêncio Camacho Rodrigues
  • Governador (1911-36) - Político, ... Ministro das Finanças, Deputado. Colaborador de "A Luta" e "A Pátria".
Rafael da Silva Neves Duque
  • Governador (1957-63) - Advogado, Político, Ministro da Agricultura, Ministro da Economia e Ministro do Comércio e Indústria (interino).
António Manuel Pinto Barbosa
  • Governador (1966-74) - Economista, Professor Universitário, Ministro das Finanças (1955-65),  ...
Manuel Jacinto Nunes
  • Vice-Governador (1960-1974), Governador interino (1963-66) e Governador (1974-1975, 1980-85) - ...  Ministro das Finanças e do Plano. ...
José da Silva Lopes
  • Governador (1975-80) - Economista, Ministro das Finanças e do Plano (1978), ...
Vítor Manuel Ribeiro Constâncio
  • Governador durante o período de 1985-86 e de fevereiro de 2000 a maio de 2010. Foi Vice-Presidente do Banco Central Europeu durante o período de 2010-2018. ... Antes da sua nomeação era Administrador do Banco Português de Investimento (1995-2000) e Administrador não executivo da Electricidade de Portugal (1998-2000).  ... Secretário de Estado do Orçamento e do Plano no VI Governo Provisório em 1976. Eleito deputado à Assembleia da República em 1976, voltou a ser membro do Parlamento nos períodos 1980-81 e 1987-88. ... Foi Ministro das Finanças e do Plano do II Governo Constitucional em 1978.  [Secretário-geral do Partido Socialista, de 1986 a 1989, e candidato derrotado a primeiro-ministro, em 1987].
José Alberto Tavares Moreira
  • Governador (1986-1992) - Economista, Diretor e Vogal do Conselho de Gestão do BPSM (1973-1976), Administrador da Caixa Geral de Depósitos (1979-1981), Secretário de Estado do Tesouro (1980-1981), Secretário de Estado do Ministro das Finanças e do Tesouro (1985-1986).
Luís Miguel Couceiro Pizarro Beleza
  • Técnico Assessor e Técnico Consultor (1979-87), Administrador (1987-90) e Governador (1992-94) - ... , Ministro das Finanças (1990-91), Economista do FMI (1984-87), ...
António José Fernandes de Sousa
  • Foi Governador de junho de 1994 a fevereiro de 2000. ... Antes da sua nomeação ocupava o cargo de Secretário de Estado-Adjunto e das Finanças (1993-94), tendo sido Secretário de Estado-Adjunto e do Comércio Externo (1991-93), Administrador do Banco Totta & Açores (1989-91), Secretário de Estado da Indústria (1987-89) e Administrador do IPE (1986-87). ...

Moral

Conflito de interesses? Qual conflito de interesses? No Portugal dos Pequeninos não há conflito de interesses. Só há interesses em conflito.

23/05/2020

Os mídia ao serviço do governo pela mão do Winston Smith do Dr. Costa

«Há dois meses, André Ventura disse que gostava de continuar a ser comentador de futebol na CMTV. A CMTV sempre o tratou com — digamos — generosa simpatia. Agora foi despedido. O que aconteceu?», pergunta-se o Público.

João Marcelino, que já foi director do Record e do Correio da Manhã, ambos da Cofina, e do DN, o que o qualifica para falar deste tema num artigo com o título Produção nada fictícia, uma piada ao nome da empresa de Nuno Artur Silva, actual secretário de Estado do Estado do Cinema, Audiovisual e Media que a vendeu ao sobrinho antes de tomar posse (estória contada aqui, ali e acolá), artigo onde escreve sobre os dinheiros atribuídos às empresas de comunicação social (ver este e aquele posts), dá a seguinte resposta:

«O terceiro caso de suspeita, por estes dias, surgiu com a dispensa de André Ventura da Cofina, grupo que irá receber 1,691 milhões de euros. A terceira contribuição mais importante. Uma empresa de comunicação tem todo o direito de contratar e dispensar colaboradores. É tão legítima uma ação como a outra. O problema está no timing, que na leitura mais benigna é muito pouco inteligente e se presta a estabelecer relações de causa e efeito com a circulação do dinheiro do Estado. Mais uma vez, e em época de um governo de ‘esquerda’, o problema passa-se ‘à direita’.»

03/12/2019

A democracia do senhor das Produções Fictícias é uma democracia fictícia

«Esta secretaria de Estado é uma afirmação política, um sinal distintivo deste Governo, que valoriza todos os media livres, independentes e democráticos, entre eles, o serviço público de televisão – o papel central da RTP – e a Agência Lusa como elementos fundamentais para a cultura, sim. Mas, sobretudo como elementos estruturantes da democracia», declarou na conferência Financiamento dos Media promovida pelo Sindicato dos Jornalistas, com o chapéu de secretário de Estado do Audiovisual, do Cinema e dos Media, o Sr. Nuno Artur Silva, ex-administrador da RTP e proprietário de facto da empresa Produções Fictícias fornecedora de conteúdos para a RTP.

E o que dizer desta treta sobre a RTP – e a Agência Lusa como elementos estruturantes da democracia? Por exemplo o que escreveu António Barreto no Público, citado no seu blogue Jacarandá:

«Como nunca antes, o Governo “marca as agendas”, selecciona as notícias e os estudos, escolhe os órgãos de imprensa que fazem jeitos, paga publicidade institucional, não responde a quem procura e investiga, alimenta a maior parte das agências de comunicação que, sem o governo, pouco teriam para fazer. Os noticiários das televisões parecem feitos nos gabinetes dos ministros.

Os órgãos de informação vivem tempos difíceis, dramáticos mesmo. Não só a Internet, os telemóveis e as redes sociais os ameaçam, como a sua dependência é cada vez maior. Uns por vontade e doutrina: alguns jornalistas de esquerda silenciam quase tudo o que não convém aos seus amigos, condenam o que lhes cheira a direita ou a incomodidade. Os de direita, poucos actualmente, não se comportam de maneira muito diferente, só que argumentam quanto podem com as liberdades, dado que o governo fica à esquerda. A verdade, todavia, é que existe uma espécie de ambiente geral, de clima cultural ou de moda e espírito sempre disponíveis para agradar à esquerda, calar os defeitos, inventar conveniências e fabricar verdades, mas sobretudo condicionar e definir as agendas. Os mesmos lapsos, os mesmos erros, os mesmos defeitos, as mesmas medidas políticas, as mesmas iniciativas, as mesmas mentiras, as mesmas aldrabices e os mesmos roubos cometidos pelas direitas e pelas esquerdas têm tratamentos absolutamente diferentes. Condescendência, desculpa ou silêncio para a esquerda, crítica, intransigência e investigação para a direita. Esquecimento para a esquerda, memória para a direita. Nos tempos dos governos de Cavaco Silva não era muito diferente, só que os jornalistas se comportavam então com um pouco mais de liberdade e havia menos agências de comunicação. Os governos de Sócrates eram parecidos, só que mais brutos. Os de Costa refinam.»

16/11/2019

ARTIGO DEFUNTO: Fact-check ao fact-checker mostra que fact-checking no Portugal dos Pequeninos pode não se distinguir da produção de alternative facts

«Jornalista do Polígrafo (*) recebeu do Santa Maria uma verba para fazer livros e pouco depois publicou naquele site uma notícia favorável ao hospital. Além disso, é acusado pelo MP de ter relações profissionais promíscuas com Lalanda e Castro, arguido no processo da Mafia do Sangue, omitindo também a responsabilidade do empresário no livro que escreveu sobre a Operação Marquês.»

Jornal SOL de 16-11 sem link disponível

(*) Fernando Esteves, fundador e responsável pelo sítio Polígrafo que «segundo os autos da Operação Marquês, avisou em 2014 um jornalista amigo de Sócrates, Afonso Camões, da iminência da detenção do antigo primeiro-ministro».

25/10/2019

Um dia como os outros na vida do estado sucial (39) - Conflito de interesses ou interesses em conflito? - Epílogo

Continuação daqui e dali.

Recapitulando:

Em Fevereiro do ano passado um comunicado da CT da RTP denunciava que se «mantém há 3 anos como administrador, o proprietário de uma produtora e de um canal concorrente da própria empresa, o Dr. Nuno Artur Silva, dono da empresa “Produções Fictícias” e do “Canal Q”»

Mais tarde foi produzido um «abaixo-assinado enviado ao primeiro-ministro, ao ministro da Cultura, à administração da RTP e ao presidente do conselho geral independente da empresa pública de rádio e televisão» por «mais de 200 figuras da cultura e dos media (que) questionam saída de Nuno Artur Silva» (NAS) muitas delas fornecedores de produtos da cóltura.

A semana passada NAS escreve sobre a compra da Média Capital (dona da TVI) pelo grupo Cofina que «pode vir a ser no futuro próximo a maior ameaça à democracia portuguesa», por outras palavras o que já tinha sido defendido pela Impresa do Dr. Balsemão.

Poucos dias depois NAS foi nomeado secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, atingindo-se assim o que se pensaria ser inultrapassável em matéria de conflito de interesses.

Novos desenvolvimentos:

Anteontem, NAS, que toma posse como secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media no próximo sábado, informou que vendeu a sua empresa Produções Fictícias a duas pessoas, sendo o novo sócio maioritário seu sobrinho. O contrato foi assinado 3 dias antes do anúncio público da sua nomeação.

E pronto, cá temos confirmado o que já sabíamos: (1) no Estado Sucial português não há conflito de interesses, só há interesses em conflito e (2) a família socialista é muito mais do que uma família no sentido estrito. É uma famiglia no sentido napolitano. Além disso, para quem tivesse dúvidas, ficou claro que a família socialista não deixa por isso de continuar a ser também uma família em sentido estrito.

23/10/2019

Um dia como os outros na vida do estado sucial (38) - Conflito de interesses ou interesses em conflito? - Parte II

Continuação daqui.

Em Fevereiro do ano passado um comunicado da CT da RTP denunciava que se «mantém há 3 anos como administrador, o proprietário de uma produtora e de um canal concorrente da própria empresa, o Dr. Nuno Artur Silva, dono da empresa “Produções Fictícias” e do “Canal Q”»

Os factos conhecidos indiciavam um conflito de interesses entre as qualidades de administrador da RTP e de proprietário de empresas produtoras. Nuno Artur Silva (NAS) alegou na altura «que a lei não o “obriga” a vender as “Produções Fictícias” desde que a RTP não mantenha com esta produtora quaisquer negócios». É o argumento clássico nesta matéria dos conflitos de interesse: não é ilegal.

Entretanto foi produzido um «abaixo-assinado enviado ao primeiro-ministro, ao ministro da Cultura, à administração da RTP e ao presidente do conselho geral independente da empresa pública de rádio e televisão» por «mais de 200 figuras da cultura e dos media (que) questionam saída de Nuno Artur Silva» muitas delas fornecedores de produtos da cóltura e, portanto, em situação de potencial conflito de interesses ao defenderem não haver conflito de interesses na permanência de outro fornecedor.

Se a situação de então já tinha tudo para ser a caldeirada em que as gentes do PS se costumam envolver, verificou-se mais uma das clássicas leis de Murphy que nos diz que a coisa nunca está tão má que não possa piorar. E piorou com a posição de NAS a semana passada sobre a compra da Média Capital (dona da TVI) pelo grupo Cofina que segundo ele «pode vir a ser no futuro próximo a maior ameaça à democracia portuguesa», se conjugada com «o nível elevado de abstenção, com a reconfiguração da direita portuguesa e, sobretudo, com a eleição do deputado do Chega». Posição que por outras palavras já tinha sido tomada pela Impresa do Dr. Balsemão. E o golpe de misericórdia nos conflitos de interesse foi dado quando o homem foi nomeado secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.

Confirma-se assim que no estado sucial português não há conflito de interesses. Há apenas interesses em conflito. E conclui-se que a família socialista é muito mais do que uma família no sentido estrito. É uma famiglia no sentido napolitano.