Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

23/04/2026

NPD. Confirmed diagnosis (2) - Dear devotees of Mr. Trump, you have been warned

Exactly four months ago, I wrote about Mr. Trump's narcissistic personality disorder and added that this is not a matter within Mr. Donald Trump's private domain. The syndrome of exacerbated narcissism leads the subject to choose his team not based on competence, but on their ability to flatter him and make decisions, not in the national interest, but according to whims and his need to be constantly flattered. In the case of the President of a State, once an uncontested world power that commands the second-largest nuclear arsenal, this syndrome is particularly dangerous.

It has now come to light that Chief of staff Susie Wiles «was concerned aides were giving the President a rose-colored view of how the war was being perceived domestically, telling Trump what he wanted to hear instead of what he needed to hear.»

But things got so out of control, and the escape from reality went so far that the former yes-men «kept the president out of the room as they got minute-by-minute updates because they believed his impatience wouldn’t be helpful, instead updating him at meaningful moments, a senior administration official said.»

Therefore, we have to agree with The Atlantic when it wrote: «A president whom aides do not view as reliable and steady is a danger in any situation, but the war in Iran has brought many of these issues to the fore. In the lead-up to the war, which Trump launched without consulting Congress, making a case to the American people, or assembling allies, many of his aides believed that Trump was not taking seriously the risks and trade-offs involved, according to Jonathan Swan and Maggie Haberman of The New York Times. (The fact that these aides have voiced none of these concerns publicly but said enough privately that the comments leaked later does not speak well for the Cabinet’s judgment or courage.)»

22/04/2026

Um Serviço de Desenvolvimento de Identidade de Género pode ser uma espécie de clínica do Dr. Mengele (6) - Atropelados pela realidade

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5)

«Duas notícias recentes sugerem que médicos que prescrevem procedimentos de transição irreversíveis para adolescentes devem levar a ameaça legal a sério. A primeira foi uma indemnização de $2 milhões para um único paciente em Nova York em 30 de janeiro.

O caso dizia respeito a uma mulher chamada Fox Varian. Após uma infância difícil, a Sra. Varian começou a sofrer de depressão e ansiedade. Ela também foi diagnosticada com autismo. Com 15 anos, ela se identificava como rapaz. A sua psicóloga teria alertado a sua mãe de que ela corria risco de suicídio se não fizesse a cirurgia.

Em Dezembro de 2019, aos 16 anos, a Sra. Varian passou por uma mastectomia dupla. Longe de melhorar, sua saúde mental piorou. Em 2022, ela decidiu fazer a detransição. No ano seguinte, ela entrou com uma acção por erro médico contra a sua psicóloga e o seu cirurgião. Foi o primeiro processo desse tipo movido por um detransicionador a ser apresentado a um júri americano. "Eu tinha 16 anos e estava realmente, realmente mentalmente doente, obviamente", disse a Sra. Varian ao tribunal, segundo o Free Press. O júri concedeu a ela $1,6 milhão por dor passada e futura e $400.000 por custos médicos futuros.

21/04/2026

Crónica da passagem de um governo (46b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 46a)

Mal não fará (Marcos 16:18), mas assim não vamos lá

Já o escrevi, os centros de dados recorrentemente anunciados com investimento de milhões de euros usarão resmas de megawatts produzidos em incontáveis hectares cobertos por painéis solares fabricados na China e contribuirão com dúzias de empregos semi-qualificados. O anúncio pela AWS European Sovereign Cloud da Amazon descrito pomposamente pelo Expresso como «uma nova infraestrutura europeia de computação em nuvem concebida para responder às exigências de soberania digital da União Europeia» não é excepção.

O governo merece todas as críticas, menos as estúpidas

O Dr. Montenegro foi incinerado pela oposição durante o debate quinzenal que teve lugar no parlamento na semana passada à pala da inflação em geral e do aumento dos combustíveis em particular, acusado de insensibilidade por não derramar mais subsídios, ou seja, por não espremer uns portugueses com impostos para dar a outros. O Dr. Ventura destacou-se nas baboseiras esmerando-se a apresentar a diferença de preços da gasolina entre Elvas e Badajoz à vista, mostrando um desvelo pelo socialismo que faria inveja ao Dr. Sánchez, responsável pelo milagre dos preços de Badajoz.

É indispensável saber quem são os clientes das empresas dos políticos. Os doadores dos partidos é segredo de Estado

A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECPF) vai passar a retirar das lista de doações aos partidos os dados pessoais que identifiquem os doadores.

«Pagar a dívida é ideia de criança», dizia o Eng. Sócrates

O governo do Dr. Montenegro parece estar a seguir o conselho do Animal Feroz. Segundo o relatório da UTAO as amortizações das OT têm vindo a ser chutadas para a frente e o período 2026-2039 irá exigir um grande volume de reembolsos.

Canários na mina de carvão

As más notícias multiplicam-se e as boas notícias não são notícias, são pensamento milagroso para aliviar o povo. O BdP já tinha reduzido a previsão de crescimento de 2,3% para 1,8%. O CFP tirou agora 0,2 pontos percentuais à estimativa de crescimento, subiu a da inflação para 2,9% e prevê um défice nas contas públicas. O FMI prevê um crescimento de apenas 1,9% e a inflação a subir de 2,1% para 3,1% e um défice de 0,1%. E pronto, é o que há.

20/04/2026

Crónica da passagem de um governo (46a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Prestação Social Única, a reforma do século

Frequentemente no Portugal dos Pequeninos as reformas consistem em aprovar leis em cima das existentes mantendo intocado o essencial. A criação da Prestação Social Única, à qual o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) dedica 500 milhões, é só mais um exemplo de manter oito ou mais prestações sociais, incluindo o Rendimento Social de Inserção (RSI), agregando-os. Sim, leram bem. O verbo não é eliminar ou, vá lá, simplificar. O verbo é «agregar», por 500 milhões. Por sorte, a coisa está atrasada e os 500 milhões estão em risco.

O peão socrático falhou a Provedoria de Justiça

O Dr. Tiago Antunes, ex-secretário de Estado do Eng. Sócrates e suporte do Simplex e do Câmara Corporativa, dois blogues criados para promoção do Animal Feroz, foi proposto para Provedor de Justiça pelo PS e aceite pelo PSD e o Chega. Na votação teve apenas 104 dos 151 votos necessários. A única surpresa é ter conseguido pelo menos 46 votos não socialistas.

Tribunal de Contas defende o Relatório Minoritário

O Tribunal de Contas, queixou-se pela boca da sua presidente de o governo «procurar denegrir a imagem do Tribunal perante a opinião pública» e, espantosamente, considerou para justificar a manutenção do visto prévio que «os gestores ficam com a sensação que podem fazer tudo sem serem condenados», fazendo o papel do juiz que no filme de Spielberg “Relatório Minoritário” manda prender os criminosos antes de os crimes serem cometidos.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS». Medicamentos que criam diabéticos, emagrecer não sai barato e as verrugas saem caras

Em cinco anos o número de diabéticos aumentou 12%, tudo por causa do Ozempic e outros medicamentos para o diabetes do tipo 2 que, por coincidência, também servem para emagrecer. Afinal era uma fraude que custou ao SNS 250 milhões.

Muito mais baratos - apenas pouco mais de 800 mil euros - ficaram os pagamentos indevidos por mais de 500 cirurgias dermatológicas adicionais no Hospital de Santa Maria.

Governar ao ritmo dos telejornais e no final mais uma reforma (aumentar o número de chuis)

Os telejornais do fim de semana da Páscoa atulharam-se de notícias dos 20 mortos nas estradas. Sem surpresa, o inefável ministro da Administração Interna Dr. Luís Neves apressou-se a manifestar a sua «profunda preocupação e consternação» e a prometer medidas estratégicas «muito em breve».

Estamos no Portugal dos Pequeninos com o seu Estado sucial governado por um governo que se pretende reformista e por isso ninguém ficará surpreendido se souber que as medidas "estratégicas" anunciadas nos dias seguintes consistiram em constatar a falta de polícias (*) e reactivar a Brigada de Trânsito da GNR extinta em 2007 e, como não poderia faltar numa reforma, um novo Código da Estrada.

_____________

(*) Para se perceber a crónica falta de polícias, remeto para as duas dezenas de posts que escrevemos sobre esse momentoso problema que assola o Estado sucial do nosso Portugal dos Pequeninos que se encontra no sexto lugar no ranking da UE  do número de chuis por 100 mil habitantes.
 
(Continua)

19/04/2026

CASE STUDY: Democracias defeituosas (7) - O contributo do PS para a democracia em Portugal é quando deixa de governar

Outras democracias defeituosas.

O Portugal do governo PS, classificado como “flawed democracy” em 2023, melhorou em 2024 com o governo AD para “full democracy”, alcançando a 23ª posição. A pontuação de Portugal melhorou de 7,75 em 2023 para 8,08 em 2024 e voltou a subir para o 20.º lugar com 8,28 em 2025. 

Fonte

O governo do Dr. Montenegro é melhor a promover a democracia do que a reformar, talvez (um simples talvez) porque a maioria dos portugueses não gosta de reformas que cheiram a "sacrifícios" e, sobretudo, odeiam a incerteza, sendo que se há coisa em que os portugueses são notáveis é na aversão ao risco, talvez (um simples talvez) porque durante cinco séculos se deu uma espécie de anti-selecção, em que foram saíndo os afoitos e ficando os acomodados.


Já o governo do Dr. Trump faz o seu melhor para piorar a democracia e seu melhor para empatar guerras que não fazia ideia de qual o propósito com inimigos da terceira divisão, descendo mais uma vez para o 34.º lugar com 7,65 pontos.

17/04/2026

PUBLIC SERVICE: Facts and Opinions

«In public discourse, we spend a great deal of collective energy debating the accuracy of facts. We fact-check politicians, monitor social media for misinformation, and prioritise data-driven decision-making in our workplaces. This focus is vital; the distinction between truth and falsehood is the bedrock of a functioning society.

However, by focusing so intently on factual accuracy, we risk overlooking another fundamental distinction: the difference between a fact and an opinion.

A statement of fact is relatively easy to verify: it is either true or not. But a claim’s objectivity – is it a verifiable objective statement or a subjective expression of belief? – is far more complex. This is why our minds process and encode opinions in a fundamentally different way to facts.

The stakes of objectivity

Objectivity is not a mere linguistic nuance; it lies at the foundation of important policy and legal debates. For instance, in defamation lawsuits against US media figures like Tucker Carlson and Sidney Powell, legal defences have hinged on whether statements could “reasonably be interpreted as facts” or were merely “opinions.” Similarly, social media platforms have struggled with whether to fact-check posts labelled as opinions, a policy that has recently complicated efforts to combat climate change denialism.

The distinction matters because it frames how we disagree. When a claim is clearly an opinion – for instance, “the current administration is failing the working class” – one may agree or disagree, but we understand that there is room for disagreement and neither side is inherently right nor wrong.

However, a factual statement – “The official US poverty rate was 10.6% in 2024” – leaves little room for debate. It necessitates the existence of a source, and an objectively correct response.

As a result, beliefs about claim objectivity can stifle receptiveness to conflicting perspectives. This, in turn, fuels interpersonal conflict and drives political polarisation.

16/04/2026

Dúvidas (366) - Qual o efeito na natalidade das políticas de promoção da natalidade? (II)

Continuação de (1)

Em retrospectiva: uma das bandeiras do nativismo é o aumento da natalidade para combater a "Grande Substituição", uma modalidade das míticas ameaças externas a que todos os ideários autocráticos recorrem. O governo húngaro de Viktor Orbán foi um dos que mais apostaram na engenharia demográfica e gastou 6% do PIB da Hungria com vários incentivos, incluindo uma isenção vitalícia do imposto sobre o rendimento das mães com mais de um filho.

Fonte

Confirmando que a engenharia social da direita é tão inútil como a de esquerda (e às vezes mais nociva), os resultados das políticas de promoção da natalidade da Hungria (e da Polónia até há dois anos) para evitar o que a extrema-direita magiar chamou nemzethalal (extinção nacional) - o equivalente à "Grande Substituição" (Grand Remplacement, Great Replacement) - não estão à altura das expectativas do pensamento milagroso nativista.

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Post scriptum (ou post mortem)

Este post era para ser publicado durante a vigência do governo de Viktor Orbán. Provavelmente continuará a ter actualidade, uma vez que o novo governo húngaro de Péter Magyar parece adoptar as mesmas políticas. Mesmo assim, não me digam que é mais do mesmo (ainda que possa ser). Ao menos é uma questão de higiene porque, como escreveu Eça, ainda que um governo não tenha de cair - porque não é um edifício, tem de sair com benzina - porque é uma nódoa!

15/04/2026

JD Vance should suggest to D Trump that he read Thucydides' History of the Peloponnesian War, or, given DT's illiteracy problems, ask Marco Rubio for a summary

For some time now, I've been drawing parallels between the evolution of the United States under Trump and the decline and defeat of Athens, as recounted by Thucydides.

Since I read the History of the Peloponnesian War quite a while ago and my memory isn't what it used to be, I asked Gemini's AI to summarize the reasons for Athens' decline and defeat. Here's the summary.

«According to Thucydides, the primary reason for Athens' defeat was not a lack of resources or military skill, but internal political instability and the rise of demagogues following the death of Pericles.

In his analysis, Thucydides highlights a few critical factors:

Leadership Vacuum: After Pericles died, he was replaced by ambitious leaders (like Alcibiades) who were more interested in personal glory and power than the safety of the city.

Internal Factionalism: The Athenian citizens became divided. Constant infighting led to inconsistent decision-making, where the assembly would approve a plan one day and abandon it—or punish its generals—the next.

The Sicilian Expedition: Thucydides views this disastrous military campaign as the ultimate consequence of bad leadership. Athens overextended its reach due to hubris and greed, and the internal bickering at home meant the expedition wasn't properly supported, leading to the total loss of their fleet.

Essentially, Thucydides argues that Athens "destroyed itself" through domestic discord rather than being simply overcome by Spartan strength.»

14/04/2026

Crónica da passagem de um governo (45b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 45a)

Hoje Há Conquilhas Amanhã Não Sabemos

Comecemos pelas boas notícias. A guerra de Bibi-Trump contra o que resta dos Aiatolas parece estar a desviar o turismo do Médio Oriente para os destinos europeus e, inevitavelmente, para o nosso Portugal dos Pequeninos onde os hotéis estão a registar um aumento significativo das reservas. É claro que o aumento da dependência de uma actividade com elevada sazonalidade e volatilidade e com mão de obra pouco qualificada não é uma boa notícia a longo prazo, mas quem é que quer saber disso?

Canários na mina de carvão
[Lembrete: nas minas de carvão usavam-se canários que são muito sensíveis ao monóxido de carbono e ao metano para alertar os mineiros de um perigo iminente.]

Não nos iludamos. Não foi a guerra de Bibi-Trump contra os Aiatolas que criou a vulnerabilidade da economia portuguesa. A guerra é apenas mais uma circunstância incontrolável para a qual estamos mal preparados para enfrentar e que, por enquanto, só tem efeitos sobre a inflação que em Março aumentou para 2,7% (INE).

Multiplicam-se os sinais de que as coisas se podem complicar. Em Fevereiro, ainda antes do fecho do estreito de Ormuz, o défice da balança comercial de bens aumentou € 489 milhões, principalmente devido à redução de 26% das exportações de produtos industriais. Dirão os optimistas – ou seja, os pessimistas mal informados – que isso não interessa porque o turismo na balança de serviços mais do que compensa esse défice. Pois é, plus ça change, plus c'est la même chose, diria o Jean-Baptiste.

Outra vez em Fevereiro, antes da guerra, o Índice de Volume de Negócios na Indústria do INE (fonte), que havia tido uma redução de 1,9% em Janeiro, apresentou uma nova redução homóloga nominal de 4,8%, e o emprego que havia caído 0,1% no mês anterior diminui 0,2%. Enquanto isso, as remunerações subiram 4,8% e 5,1% nos dois primeiros meses do ano e, que se saiba, não ocorreu nenhum milagre e a produtividade continua como estava. Plus ça change.

Quem não deve não teme, diz o povo. Os dirigentes têm medo de decidir, diz o Dr. Montenegro

Não vale a pena discutir que o visto prévio só faria sentido se o Tribunal de Contas fosse um órgão administrativo e não de fiscalização, como é. Percebe-se, por isso, que o governo tenha aprovado a dispensa do visto prévio. Que o tenha feito apenas para contratos até € 10 milhões é que se percebe com mais dificuldade. Ainda se percebe menos a justificação do primeiro-ministro de que os dirigentes têm medo de decidir, dirigentes que têm a ousadia de planear em diapositivos do PowerPoint um projecto de dezenas de milhões de euros como o Ferrovia 2020.

E não se percebe de todo que se limite o visto prévio do TdC e de seguida se limitem as responsabilidades dos gestores públicos à negligência grosseira e ao dolo, isto é, aos casos de incompetência terminal e crime.

No Estado sucial do Portugal dos Pequeninos, a Justiça é surda, mas não é cega

mais liberdade

Extraordinário não é 55% dos portugueses não terem confiança no sistema judicial. Extraordinário é ainda haver 45% dos portugueses que têm alguma confiança.

Um peão socrático na Provedoria de Justiça

O Provedor de Justiça «defende as pessoas prejudicadas por atos ou omissões injustos ou ilegais da administração ou outros poderes públicos ou que vejam os seus direitos fundamentais violados». E quem mais adequado ao cargo do que o Dr. Tiago Antunes, ex-secretário de Estado do Eng. Sócrates, agora proposto pelo PS e aceite pelo PSD e Chega, que garante não «fazer fretes a ninguém» e ter «total independência», garantia atestada por ter sido um dos suportes do Simplex e o Câmara Corporativa dois blogues criados para promoção do Animal Feroz agora a ser vítima de um julgamento.

13/04/2026

Crónica da passagem de um governo (45a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Uma organização que representa 8% dos trabalhadores rejeita uma reforma laboral pífia

Agora é oficial, depois de 8 (oito) meses de negociações e 53 (cinquenta e três) reuniões, a UGT, uma organização de sindicatos maioritariamente controlada pelo Partido Socialista, com pouco mais de 400 mil sócios, menos de 8% dos trabalhadores portugueses, diz “não” a uma tímida reforma da lei laboral.

Eu diria mesmo mais, que empresariado é este?

«Quem chegar a Portugal por estes dias vai perguntar que raio de classe empresarial tem o país: quando as coisas correm bem, as empresas registam lucros e distribuem-nos pelos acionistas (alguns deles com bolsos bem fundos…). Quando as coisas dão para o torto, pedem ao contribuinte que os ajudem a manter as margens.» Escreveu Camilo Lourenço e eu assino por baixo.

Sindicatos, empresariado e governo, a mesma luta

Colocando-se ao nível dos sindicatos e do empresariado, o governo votou em Bruxelas a favor da tributação dos lucros extraordinários das empresas energéticas, uma medida que já tinha sido adoptada pelo Dr. Costa em 2022 e que o Dr. Montenegro então classificou, e bem, de demagógica.

Take Another Plan. "Resultados sólidos", disse o TEBV (Tratador do Elefante Branco Voador)

Ainda pelo estreito de Ormuz circulava o jet fuel, os lucros da TAP já tinham caído 70% em 2024 e voltaram a cair 90% em 2025 para 4,1 milhões, equivalentes a pouco mais de um por mil dos mais de 3 mil milhões de impostos que o Dr. Costa e o Dr. Pedro Nuno injectaram no elefante branco. Que o comunicado do CEO classificasse como “sólidos” esses resultados microscópicos, talvez suficientes para pagar as indemnizações dos processos em tribunal, e o contexto como “desafiante”, dá uma boa ideia do ponto a que chegámos.

O especialista em aviação Pedro Castro faz uma boa síntese do processo de privatização em curso quando diz que o vencedor será o operador que «melhor ignorar no que se está a meter e que achar que ter um Estado disfuncional como parceiro maioritário, sem prazo para isso terminar.».

Re-forma dos transportes rodoviários, Montenegro way. A ave que nada e grasna deixa de se chamar pato

Se há uma empresa que se destaca para pior no universo das empresas públicas, a CP é uma das mais sérias candidatas ao título de elefante branco público. Admito que a sua “re-forma” pudesse assumir diversas formas, uma das poucas que não me ocorreria seria manter tudo na mesma e reclassificá-la como «entidade de mercado para efeitos estatísticos» com as principais consequências de que «as contas da CP deixam de ser consolidadas no Setor das Administrações Públicas, e deixa de contar diretamente para o défice público».

(Continua)

12/04/2026

Pro memoria (147) - Se o Fidesz não vencer as eleições de hoje não será por Viktor Orbán não ter feito por isso

«As eleições de 2010 colocaram, na prática, Viktor Orbán acima da lei: passou a poder alterar a Constituição à vontade, o que fez 12 vezes durante o seu primeiro ano no cargo. Logo no início, eliminou a exigência de uma maioria de quatro quintos para rever a Lei Fundamental. Menos de um ano após o início do mandato, apresentou uma nova Constituição, com centenas de novas leis, muitas com impacto no sistema eleitoral. A Constituição de 2011 reduziu para metade o número de deputados, medida amplamente bem acolhida, uma vez que o anterior Parlamento, com 394 membros, era considerado dispendioso. No entanto, tal implicava redesenhar todas as circunscrições eleitorais do país, e a Constituição nada dizia sobre como esse processo deveria ser conduzido.

Em vez de elaborar o novo mapa de forma transparente, o Governo desenhou os círculos eleitorais à porta fechada. A resultante Lei CCIII/2011 passou a incluir os limites exatos de cada um, e foi aprovada rapidamente como “lei cardinal”, só podendo ser alterada mediante nova maioria parlamentar de dois terços. Os limites das circunscrições foram radicalmente redesenhados. Académicos como Kim Lane Scheppele, da Universidade de Princeton, têm argumentado que o Executivo de Orbán utilizou o redimensionamento eleitoral para concentrar áreas com tendência para a oposição em circunscrições maiores, ao mesmo tempo que dividia áreas favoráveis ao Fidesz em vários círculos, ou seja, vários deputados em potencial, reduzindo o número de mandatos desfavoráveis ao partido no poder.

Outra alteração instituiu o chamado “círculo de compensação do vencedor”, uma especificidade húngara. No sistema anterior a Orbán, os votos atribuídos aos candidatos derrotados nas circunscrições eram somados aos das listas partidárias, numa tentativa de equilibrar o número de votos obtidos por cada partido com a sua representação parlamentar. Por exemplo, se o candidato do Partido X obtivesse 400 votos num determinado círculo e o candidato do Partido Y obtivesse 200 votos, os votos “perdidos” — ou seja, os 200 dados ao candidato derrotado do Partido Y — seriam acrescentados à lista partidária do Partido Y, como forma de repor a proporcionalidade. Este mecanismo de “compensação dos perdedores” é comum em sistemas eleitorais mistos, nos quais os eleitores votam separadamente em candidatos e em partidos.

Orbán introduziu a chamada “compensação dos vencedores”. Neste modelo, qualquer voto que não seja estritamente necessário para eleger um candidato num círculo eleitoral é considerado “perdido”, mesmo que tenha sido atribuído ao vencedor. Utilizando o exemplo acima, com um resultado de 400 contra 200 votos, os 200 votos seriam transferidos para a lista do Partido Y, como anteriormente, mas também 199 votos seriam transferidos para a lista do Partido X, uma vez que o seu candidato apenas precisava de 201 para vencer, tendo obtido 199 sufrágios excedentários.»

11/04/2026

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (81) - Adamastor, o supercarro português (II)

Outros portugueses no topo do mundo. Continuação de Adamastor, o supercarro português

O Adamastor, o supercarro português petit nom Furia, pretende circular na estrada e «acelerar a 300 km/h para as Arábias e correr nas 24h de Le Mans». Duvidando por regra da megalomania lusitana compensatória do complexo de Eduardo Lourenço e da viabilidade de produzir o protótipo com €17 milhões, questionei há dois anos o ChatGPT e a resposta confirmou o meu cepticismo

Como agora foi anunciada a fase de testes na estrada, voltei a questionar desta vez o Use.AI que apresentou as seguintes estimativas que não dissiparam o meu cepticismo: 
  • Le Mans-level homologation: realistically $25–30M+ total.
  • Chances of full recovery: modest (~20–40%) unless you achieve strong branding or external investment.
_______________
A sort of Disclaimer:
Por causa da minha obsessão, digamos assim, de desfazer estes equívocos das supostas realizações grandiosas dos nacionais, já fui aconselhado a consultar um psiquiatra e até me insultaram. No entanto, ninguém me deu a oportunidade de explicar que o meu propósito não é denegrir a alma lusitana, o meu propósito quixotesto, concedo, é contribuir modestamente para os naturais do Portugal dos Pequeninos se livraram da megalomania envergonhada do complexo de Eduardo Lourenço, trocando as fantasias irrrealistas e o pensamento milagroso pelos propósitos ambiciosos, mas realizáveis. Propósito que, admito, pode ser uma manifestação de megalomania envergonhada.

10/04/2026

The '"Total and Complete Victory"' achieved through a Great and Beautiful Bombardment seems more like half a defeat

BBC
«President Trump said he went to war to ensure that Iran never acquired a nuclear bomb. The war ended—for now, at least—with a demonstration that Tehran possesses an arguably more powerful weapon of deterrence against future attacks, one that is cheaper to use, gives Iran enormous sway over the global economy, can bring in revenue, and can’t be negotiated away: the Strait of Hormuz.

More than 12,000 U.S. missiles, bombs, and drones hit Iranian targets over the past five weeks, destroying the country’s navy and much of its military infrastructure. Several of Iran’s leaders and some 1,500 of its citizens were killed, including more than 170 who died in a strike on a girls’ school that was the apparent result of errant targeting. But 12 hours after Trump threatened to destroy Iranian civilization and weeks after demanding Iran’s “unconditional surrender,” the United States agreed to a two-week cease-fire last night while settlement talks play out. Among the president’s initial war goals—preventing Iran from having a nuclear weapon; eliminating its ballistic-missile capabilities; laying the ground for a popular overthrow of the regime; and eradicating Iranian proxies in the Persian Gulf—none have been met.

Instead, Iran agreed only to reopen the strait, a global waterway that operated freely before the war began, and on terms that could yield substantial financial rewards for the regime. The U.S. and Israeli military strikes may have damaged Iran’s defenses. (Defense Secretary Pete Hegseth boasted today that Iran had suffered a “devastating military defeat.”) But that, by itself, was not enough to extinguish Iran’s ability to defend itself.»  

08/04/2026

Trump has already done more for China than Jinping

Ground News

«These 2025 findings predate major 2026 events». Imagine what these findings will be like after the Iran Big, Beautiful Bombing.

Crónica da passagem de um governo (44b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 44a)

O Dr. Carneiro (sem dar por isso) renega o socialismo…


Já tínhamos tido a economista socialista e ex-administradora do BdP Dr. ª Elisa Ferreira a dizer-nos que «o dinheiro é do Estado é do PS», já tivemos o economista social-democrata, ex-primeiro-ministro e ex-PR Dr. Cavaco Silva a garantir-nos que «o dinheiro do Estado não cai do céu» e agora o líder do PS Dr. Carneiro diz-nos possivelmente distraído estar «o Estado (…) a ganhar dinheiro com o sacrifício dos portugueses», afirmação que Margareth Tatcher poderia ter dito em relação aos britânicos, embora com mais rigor e elegância.

… e Dr. Montenegro (dando por isso) abraça o socialismo

Na esteira do governo do Dr. Costa que quis tributar os “lucros excessivos do sector energético e da distribuição, o governo do Dr. Montenegro também pretende fazer o mesmo e propõe à CE que adopte a mesma receita mostrando que «está unida e é capaz de agir». Já se esqueceram de que a tributação dos lucros excessivos do Dr. Costa gerou 5 milhões de euros em 2023, ou seja, 10% da receita que o governo previa, um retorno ridículo de uma medida popularucha que mina a previsibilidade e estabilidade do sistema tributário e, em consequência, desacredita quem a toma.

A reforma da Lei do Trabalho que ficou no tinteiro

mais liberdade

No Portugal dos Pequeninos um trabalhador desempregado que recomeça a trabalhar recebe apenas mais 2% líquidos do que se continuasse desempregado, o segundo menor ganho da UE, e um desincentivo para procurar trabalho.

Canários na mina de carvão. Estava tudo a correr tão bem

Espevitados pela reacção dos aiatolas à cruzada BIG AND BEAUTIFUL BOMBING (BBB) do Irão da dupla Trump-Bibi, os canários estão todos a piar. O BdP reduziu a previsão de crescimento para 1,8% e a previsão aumenta a da inflação para 2,8%, o Estado, as empresas e as famílias continuaram a aumentar as suas dívidas, pelo que o endividamento total da economia voltou a subir em Janeiro para 860 mil milhões de euros. A taxa de poupança das famílias desceu para 12,1% no final de 2025. A taxa Euribor 12 meses subiu desde o início do BBB de 2,23% para 2,799%. E a galinha dos ovos de ouro do turismo dá sinais contraditórios.

07/04/2026

Crónica da passagem de um governo (44a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Take Another Plan. A notícia da privatização da TAP é um bocadinho exagerada. O segredo está no “N”

Anda por aí uma certa euforia por ainda haver dois putativos interessados (Lufthansa e Air France-KLM) na privatização da TAP, ou melhor na compra de 49,9% do capital, que apresentaram uma NBO (Non-Biding Offer).

Take Another Plan. SATA, uma TAP das Ilhas

Recordemos que a SATA, a companhia regional de aviação dos Açores, assinou em 2016 um contrato de leasing de um avião Airbus A330 que custou até 2023 mais de 40 milhões de euros, com o avião estacionado desde 2019 no aeroporto Sá Carneiro, por custar mais caro mantê-lo a operar. Entretanto, a SATA recebeu ajudas de 453 milhões de euros e só em 2023 a comissão de inquérito do parlamento açoriano se deu conta. Descobriu-se mais tarde que a SATA estava tecnicamente falida, ninguém parece saber qual o montante exacto do passivo e procura-se um candidato privado para comprar o mono, querendo dizer um benemérito que, como é sabido, fora do Estado sucial é coisa que não existe.

De volta à actualidade, a privatização da SATA que já estava comprometida com anulação do concurso de privatização ficou agora ainda mais comprometida com o aumento do preço do jet fuel, risco que inexplicavelmente a SATA não tinha coberto, com um contrato hedge, por exemplo.

Para o Estado sucial todo o empresário é suspeito

Deve ser este princípio que inspira a Entidade para a Transparência a investigar «os titulares de cargos políticos e de altos cargos públicos que sejam donos de sociedades em pelo menos 50%» e a pedir-lhes a lista de clientes.

O governo devia aprender com os erros dos outros…

… e em vez de anunciar dia sim, dia não novos subsídios para compensar o aumento dos preços (como fez o governo do Eng. Sócrates e outros, com os resultados que se conhecem) ou a redução indiscriminada do IVA, deveria apoiar quem realmente precisa.

Oremos para que o choque fiscal estimule a oferta de habitação (3)

E se, como sugere o economista Luís Cabral, o IMT, que incide sobre as transações imobiliárias e ao torná-las mais onerosas torna-se um travão à fluidez do mercado de habitação, fosse eliminado ou drasticamente reduzido e o IMI fosse tornado progressivo?

O mistério da bitola ibérica. «Quem tem a bitola certa nunca se perde nos trilhos da vida»

Não vou elaborar sobre a bitola ibérica porque já o fiz inúmeras vezes (por exemplo, aqui bitola e ali), vou apenas registar que, mais uma vez a Infraestruturas de Portugal (IP) pela boca do seu presidente que disse «temos de continuar a construir em bitola ibérica e no fim, até 2040, reavaliamos».

Se o governo excluir os ignorantes as universidades podem fechar. Depois dos estudantes, os professores manifestam-se

A semana passada parabenizei os estudantes por se oporem à exigência de níveis mínimos de literacia, numeracia e inglês no acesso à universidade, o que conduziria à exclusão, impedindo que os iletrados excluídos recebessem o prémio salarial por ser diplomado a que têm direito.

mais liberdade

Acrescento agora a parabenização dos seus professores, cujo Conselho de Reitores também se opõe porque o projecto do governo tem «critérios generalizantes, requisitos e padronizações que violam o princípio da proporcionalidade». Com tais alunos e professores podemos dormir descansados que as universidades estão protegidas da exclusão dos ignorantes e continuarão a ter a sua devida proporção.

(Continua)


06/04/2026

You can't fool all of the people all the time (13) - A kind of reversed Rufus T.

Other "You can't fool all of the people all the time."

YouGov

Rufus T. by Groucho | Donald T. by himself

Rufus T. Firefly, played by Groucho Marx, is an eccentric dictator who wants to be president of Freedonia in the Marx Brothers' movie Duck Soup. Rufus says through Groucho's mouth in his inaugural speech as Prime Minister of Freedonia, "Those are my principles, and if you don't like them... well, I have others."

Unlike Rufus, Mr. Trump would say, "Today these are my principles that you should like. Tomorrow they will be others, and you should like them too."

That's why it's much harder to be a devotee of Donald Trump than to be a fan of Groucho Marx, and that's why we should admire the former more than the latter.

05/04/2026

DIÁRIO DE BORDO: A democracia não tem proprietários

Não fora a circunstância improvável de, muitos anos atrás, me ter cruzado com o Dr. Jorge Miranda, que então me pareceu um convicto democrata e uma pessoa decente, não teria o incómodo de comentar a sua entrevista ao Sofá do Parlamento, da qual li um resumo no Observador.

Nessa entrevista, o Dr. Jorge Miranda parte de alguns factos indesmentíveis, como o Chega defender (ou ter defendido, porque o Dr. Ventura ainda está na fase de desenhar o seu produto) a castração química ou a prisão perpétua, a que poderia ter acrescentado várias opiniões fundamentadas (que não referiu e eu acrescento) como, por exemplo, o ideário do Chega (por princípio) e do Dr. Ventura (por conveniência) ser em muitos aspectos indistinguível de uma espécie de socialismo estatista de direita, ou os comportamentos de um número significativo dos seus membros serem mais censuráveis, segundo os seus declarados princípios, do que os comportamentos tão veementemente censurados nos outros partidos.

Desses factos e dessas opiniões, estas mais subjacentes do que expressas, o Dr. Jorge Miranda extraiu, porém, conclusões e consequências, a meu ver inaceitáveis, que comprometem as suas convicções democráticas. Ao não reconhecer ao Chega o direito de designar juízes para o Tribunal Constitucional e pretender limitar a sua participação numa revisão da Constituição, limites que ele, aliás, não define, parecendo deixar a definição aos Pais de Constituição, o Dr. Jorge Miranda retira aos 1,4 milhões de eleitores do Chega o direito de se deixarem alinear pela demagogia e hipnotizar por um tribuno de opereta, o que, mesmo estas se escolhas não abonem o discernimento desses eleitores, é incompatível com os princípios de uma democracia liberal que esperava serem por ele partilhados.

04/04/2026

Mr. Trump not doing what he said he would do is grounds for resignation, and doing exactly what Mr. Trump ordered could be grounds for being fired.

In recent weeks, the Trump administration has suffered two losses: Joe Kent, the director of the National Counterterrorism Center, who resigned, and Pam Bondi, who was fired.

«When Joe Kent,  (...) in protest of the Iran war, he blamed everyone except the person who launched it. In his resignation letter, addressed to President Trump, Kent portrays the president as a passive figure manipulated by others—“high-ranking Israeli officials” and “influential members of the American media”—rather than the most powerful person imposing his will upon the world. Again and again, Kent casts Trump, a two-term president, as someone swept up in events rather than driving them.

“I support the values and the foreign policies that you campaigned on in 2016, 2020, 2024, which you enacted in your first term,” Kent writes. “Until June of 2025, you understood that the wars in the Middle East were a trap that robbed America of the precious lives of our patriots and depleted the wealth and prosperity of our nation.” The alleged shift, Kent claims, was due to an Israeli and media-driven “misinformation campaign that wholly undermined your America First platform” and “was used to deceive you.”» (The Atlantic)

«President Donald Trump is reorganizing his cabinet just in time for spring cleaning. After weeks of rumors, he removed Attorney General Pam Bondi on Thursday afternoon. (...) 

Bondi seemed to keep to one simple rule during her time in office: Do exactly as Trump says. When the president named a list of enemies to target—including former FBI director James Comey and New York attorney general Letitia James—Bondi sprang into action, making sure charges were filed on each in just over a month. While past attorneys general have stressed their independence, Bondi looked happy to play the loyalist.That may have been what Trump wanted, but not what he needed (...). Bondi’s efforts to please Trump ended up backfiring, for the administration and for her. » (The Free Press)

03/04/2026

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (80) - Os satélites e a saga dos cacilheiros

Outros portugueses no topo do mundo.

Sucumbindo ao complexo de Eduardo Lourenço (*) , o Expresso, aka semanário de reverência, descreveu tão entusiasticamente a colocação em órbita de quatro satélites portugueses (+) Camões, Agustina, Pessoa e Saramago «que reforçam a chamada constelação Lusíada» e mais dois «um da Força Aérea e outro do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), ambos pertencem à constelação do Atlântico» que dois dias depois deixou a missão Artemis II da NASA ao nível da travessia do Tejo por um dos novos cacilheiros eléctricos (-).

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(*) Em homenagem ao escritor e filósofo português que identificou o «sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo»,

(+) Os seis luso-satélites correspondem a 0,044% dos 13.700 satélites que se estima já tenham sido lançados, ou menos de 1/3 dos 18 satélites que competeriam aos 0,125% da quota mundial de tugas.

(-) Quem já esteja esquecido, pode ler aqui um resumo da saga dos cacilheiros eléctricos, saga que, em boa verdade, é um feito mais notável do que a colocação em órbita pelo Falcon 9 do Dr. Musk dos seis satelitezitos.

01/04/2026

Khamenei May Be Gone, thank you Bibi and thank you Don, but (6) - GREAT, PREDICTABLE, UNFORESEEN, BEAUTIFUL CONSEQUENCES

Continuation of (1), (2), (3), (4), (5)

«FOR HALF a century the Middle East’s petro-monarchies have cast themselves as reliable suppliers of low-cost petroleum. The third Gulf war, now in its fifth week, has shattered that image. With the Strait of Hormuz largely closed, 15% of the world’s oil cannot reach its customers. All Gulf states have slashed output and seen export proceeds plunge.

All bar one. As its tankers keep plying the strait (see chart 1), Iran is now earning nearly twice as much from oil sales each day as it did before American and Israeli bombs started falling on February 28th. It may be pummelled on the battlefield, but the regime is winning the energy war.

Working out how many barrels the world’s greatest sanctions-dodger exports is hard. Its tankers are more furtive than ever, commercial providers of satellite imagery have paused their updates for the region and electronic scrambling has thrown a fog across the Gulf. But a source with knowledge of Iran’s oil accounting, who spoke to The Economist on condition of anonymity, confirms the country is currently exporting 2.4m-2.8m barrels of oil and petroleum products per day (b/d), including 1.5m-1.8m b/d of crude. That is the same, if not more, than it did on average last year. It also sells at much higher prices.

Moreover, Iran’s oil machine has adapted in ways that make it more resilient to strikes and sanctions. Most of the proceeds are now going to the Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC), the regime’s elite fighting force. And China is playing an active role in allowing the money to flow. Iran’s war chest is buried deep in Asia, safe from Israeli ordnance.»