Continuação de (1)
Em retrospectiva: uma das bandeiras do nativismo é o aumento da natalidade para combater a "Grande Substituição", uma modalidade das míticas ameaças externas a que todos os ideários autocráticos recorrem. O governo húngaro de Viktor Orbán foi um dos que mais apostaram na engenharia demográfica e gastou 6% do PIB da Hungria com vários incentivos, incluindo uma isenção vitalícia do imposto sobre o rendimento das mães com mais de um filho.
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Confirmando que a engenharia social da direita é tão inútil como a de esquerda (e às vezes mais nociva), os resultados das políticas de promoção da natalidade da Hungria (e da Polónia até há dois anos) para evitar o que a extrema-direita magiar chamou nemzethalal (extinção nacional) - o equivalente à "Grande Substituição" (Grand Remplacement, Great Replacement) - não estão à altura das expectativas do pensamento milagroso nativista.
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Post scriptum (ou post mortem)
Este post era para ser publicado durante a vigência do governo de Viktor Orbán. Provavelmente continuará a ter actualidade, uma vez que o novo governo húngaro de Péter Magyar parece adoptar as mesmas políticas. Mesmo assim, não me digam que é mais do mesmo (ainda que possa ser). Ao menos é uma questão de higiene porque, como escreveu Eça, ainda que um governo não tenha de cair - porque não é um edifício, tem de sair com benzina - porque é uma nódoa!
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