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28/04/2026

Crónica da passagem de um governo (47b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 47a)

O peditório da restauração, o Álvaro e o príncipe Vassíli (continuação)

Mais cedo o “Álvaro” metesse o pau no ninho de vespas, neste caso no peditório da restauração, mais cedo as vespas começariam a escarafunchar as suas cuecas que neste caso assumem a forma de aplicação das poupanças, investimento que, com quatro meses de atraso em relação à compra de acções de duas empresas portuguesas, mas apenas uma semana depois do Álvaro ter metido o pau no ninho, foi “denunciado” pelo jornalismo de causas anticapitalistas que habita a redacção do Avante da família Azevedo.

«O SNS é um tesouro». Quanto mais precisam menos têm

O diagrama mostra que à medida que passamos das classes médias-altas (A+B) para as classes baixas, é maior a dependência exclusiva do SNS e maior a probabilidade de doença e não, não estou a sugerir que a utilização do SNS causa a pobreza. 

mais liberdade

Estou a constatar que a pobreza conduz à dependência de um serviço estatal cada vez mais degradado, ou, sabendo-se que os pobres que trabalham em empresas com seguros de saúde podem optar e optam pela saúde privada, para ser mais rigoroso, direi que são cada vez os mais pobres e os mais velhos que não têm alternativa ao SNS.

A UGT como só representa 8% dos trabalhadores compensa com a representação dos partidos e o Dr. Centeno, que nunca teve de fazer despedimentos, debita bitaites

mais liberdade

O diagrama ilustra algo óbvio para qualquer criatura que não tenha as meninges contaminadas pelo pensamento milagroso: a estagnação de produtividade com o aumento dos salários é o caminho certo para a pobreza relativa. Para sair desse caminho muita coisa tem de mudar a começar pelos empresários, mas, já que estamos a tratar da lei laboral, algumas modificações serão indispensáveis e uma delas é aumentar a flexibilidade do emprego que permita aos empresários reduzir o pessoal sem fechar a empresa e despedir toda a gente, em alternativa a optarem pela “precariedade” e recorrerem maciçamente aos contratos a prazo. É neste contexto que devemos olhar para as posições de sindicatos, que representam sobretudo funcionários públicos e trabalhadores com emprego vitalício e são dirigidos por gente ao serviço de partidos que ocultam informação.

É claro que também se pode aderir às visões de criaturas como o Dr. Centeno que numa conferência garantiu, do alto da sua ciência como economista do trabalho, que nunca dirigiu uma empresa sujeita à concorrência em que tivesse de tomar decisões de despedimento, que o «mercado de trabalho não tem défice de flexibilidade». Ou então ler o que escreveu com muito mais realismo o Conselho das Finanças Públicas sobre o mercado de trabalho no seu relatório «Perspetivas Económicas e Orçamentais 2026-2030»:
«Para a resiliência do mercado de trabalho contribui a elevada proporção de empresas que ainda identificam a dificuldade em contratar pessoal qualificado como um fator limitativo da atividade, fomentando a retenção de mão-de-obra (labour hoarding) perante choques adversos que se assumem ser maioritariamente temporários.»

3 comentários:

Luís Lavoura disse...

um serviço estatal cada vez mais degradado

Não se pode acreditar em tudo de mal que os jornais dizem pois, por definição, os jornais só dão as más notícias.
Tenho utilizado regularmente (ainda ontem o utilizei) o SNS no último ano e meio e o que posso dizer é que funciona razoavelmente bem. E é gratuito. Tendo eu uma doença cujo tratamento é muito caro, ainda não paguei um tostão para a tratar - somente gasto os bilhetes de autocarro para me dirigir ao hospital.

Luís Lavoura disse...

a estagnação de produtividade com o aumento dos salários é o caminho certo para a pobreza relativa

Não, de forma nenhuma. Isso apenas mostra que o fator trabalho, por se ter tornado relativamente mais escasso, está a obter uma parte maior dos lucros do que o que costumava obter.

Luís Lavoura disse...

De facto o SNS tem um problema de acesso: se uma pessoa tem um problema relativamente pouco grave, tipo uma entorse ou uma unha encravada, é difícil arranjar forma de ser tratado no SNS.
Já se uma pessoa tem uma condição de saúde verdadeiramente grave, tipo um cancro, o SNS é indispensável. E, nesses casos, o SNS funciona verdadeiramente bem.