Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

30/04/2022

Denazification and demilitarization according to Tsar Vlad's Grozny model (3)

Continuação de (1) e (2).

Economist

‎The map shows the estimated areas of Mariupol destroyed since the beginning of March. The share of the city that was severely damaged increased by an average of 0.8 percentage points per day and reached 45% by 17 April, representing about 20,000 buildings in the which more than 90% of the damaged buildings were residential. Since 17 April the attacks have intensified and the destruction has also increased significantly.

29/04/2022

ACREDITE SE QUISER: Para os cépticos que pensavam que Guterres não faria diferença nenhuma na ONU (8)

Outras diferenças que Guterres não fez.

Já não é só Franz Baumann, ex-secretário-geral Adjunto da ONU, a criticar a passividade do Sr. Eng. Guterres por andar a encanar a perna à rã para ir a Moscovo. «O ministro russo dos Negócios Estrangeiros fez saber que Guterres não tinha tentado contactar o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, desde o início da “operação militar especial” na Ucrânia. Depois, soube-se que mais de 200 antigos altos funcionários da ONU tinham escrito a Guterres, instando-o a assumir riscos para garantir a paz e acrescentando que a organização enfrenta uma ameaça existencial devido à invasão da Ucrânia por um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.»

Para que não restassem dúvidas de que estamos perante um pamonha, Arora Akanksha, que disputou a eleição com o Sr. Eng, comentou que a criatura esteve «sempre à margem» e de se sentar «confortavelmente em Nova Iorque. Foram necessários dois meses para ele se sentir envergonhado e agir».

Só quem não tivesse tido o privilégio de ver o Sr. Eng. em acção no pântano é que pode estar surpreendido.

28/04/2022

Depois queixem-se do populismo

«Entre salários, prémios, bónus, contribuições para planos de pensões e outras remunerações monetárias, as 15 empresas do PSI pagaram um total de 31,9 milhões de euros aos seus presidentes executivos (atuais e antigos) em 2021, de acordo com os cálculos do ECO com base nos valores recolhidos nos relatórios e contas das empresas do índice português. A soma representa uma forte subida de 89,9% face ao valor de 2020, ano em que os CEO ganharam 16,5 milhões de euros» (Jornal Eco)

Este é apenas um exemplo da crescente desigualdade na distribuição da riqueza e do rendimento nos países, cuja percepção pelos pobres e pela classe média é um dos factores que geram a sua rejeição da democracia liberal e os torna receptivos ao nacionalismo extremo, ao populismo e à admiração de autocratas actuais (como o Putin) ou potenciais (como o Trump). E não adianta fazer-lhes discursos sobre a igualdade de oportunidades que, ouvidos por um morador num bairro da lata que tem os filhos matriculados na escola pública mais próxima, serão ouvidos como profundamente hipócritas.

Na verdade, a percepção da desigualdade é um epifenómeno. O problema está no elevador social que não funciona e quem ganharia que funcionasse não percebe, e quem percebe ou deveria perceber não está interessado em que funcione. E não funciona porque os sistemas educacionais públicos não estão a servir os seus propósitos de niveladores das desigualdades sociais porque foram capturados pelos interesses corporativos dos sindicatos dos professores e pelo áctivismo do género e as elites deixaram de se interessar pela qualidade do ensino público porque matriculam os seus filhos nas escolas privadas.

27/04/2022

Na história do Portugal dos Pequeninos, o século XXI não é assim tão diferente do XIX (1)

Lendo «O Fundo da Gaveta» de Vasco Pulido Valente, dei comigo a pensar que, mudando a época, as modas e os protagonistas, o Portugal do século XIX me faz lembrar o Portugal da III República. Nos posts desta série cito algumas passagens que mais intensamente evocam essa ideia.

A retórica, sempre a retórica, e o reformismo que só poderia vir de fora

Mas não havia nas Necessidades um grupo organizado capaz de tomar o poder. Dos jacobinos franceses, os jacobinos portugueses só tinham a retórica. (…)

Com a «pátria em perigo», decapitavam o partido constitucional e entregavam o futuro aos bons ofícios do rei, a cujo retrato fizeram comovedoras manifestações. Pior: no momento em que se propunham resistir, pretendiam também conciliar. Parte da impopularidade do Governo vinha das medidas repressivas, aliás brandas, com que tentara meter na ordem as franjas mais lunáticas do radicalismo urbano.

(…)

Este fracasso foi o verdadeiro fim do reformismo, que só podia vir de fora. As reformas fiscais, económicas, administrativas e militares dependiam de uma prévia reforma política. Sem ela, a inércia e os interesses instalados impediriam qualquer tentativa de mudança. Palmela e Subserra ficaram reduzidos à deprimente tarefa de gerir o caos e a miséria. Vila Franca nem ressuscitara a antiga monarquia, nem gerara uma via média «razoável». Produzira apenas um absolutismo mitigado, menos despótico do que arbitrário e, na essência, moribundo.

[Do capítulo A contra-revolução (1823-1824)]

(Continua)

PUBLIC SERVICE: On Tyranny (6)

On Tyranny, Timothy Snyder

26/04/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (12)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Nota prévia

Os posts destas séries têm sido publicados à segunda-feira. Excepcionalmente, este é publicado à terça-feira para destacar o post sobre o 25 de Abril impertinente que se não assino é apenas porque já está assinado.

De volta à madraça do PS

O Dr. João Leão antes de tirar o chapéu das Finanças fez aprovar o financiamento ao ISCTE, onde foi nomeado vice-reitor, para financiar o Centro de Valorização e Transferência de Tecnologias do ISCTE, que ele próprio irá presidir. Para se perceber melhor a tramóia leia-se a estória aqui contada.

Investimento público, a autoestrada mexicana do PS

Há anos que o governo socialista vem usando o expediente da auto-estrada mexicana no investimento público. Uma vez mais, em 2021 o Orçamento previa que o investimento crescesse 49%, o que permitiu fazer os anúncios do costume. No final aumentou apenas 23%.

O FMI não acredita. Faz mal. Não conhece as cativações e a autoestrada mexicana

«FMI não acredita na redução de défice prometida por Medina para 2022» e tem pelo menos uma boa razão – o Dr. Medina em plena guerra não aumentou nem um cêntimo no orçamento da Defesa.

As políticas socialistas ajudam quem menos precisa

Subsidiar os preços dos combustíveis reduzindo os impostos (na circunstância o ISP) talvez pareça uma boa ideia, mas não é. Por várias razões. Primeira porque distorce os sinais do mercado; segunda e mais fácil de entender, o subsídio é financiado por todos os contribuintes, incluindo os mais pobres, mas favorece especialmente os maiores consumidores de combustíveis que são os menos pobres. A alternativa é, evidentemente, o apoio directo às famílias mais pobres. E não se devem subsidiar os preços ainda menos se deve controlá-los administrativamente, como lembra Teodora Cardoso.

Então não estamos a crescer mais do que a Óropa?

Não, não estamos. O que o semanário de reverência celebra são as previsões da convergência com a Zona Euro, ou seja com os países que mais ricos que crescem menos do que os mais pobres que nos vão ultrapassando, ano após ano, o último dos quais a Roménia. Ainda assim, se, como o gráfico seguinte sugere, o diferencial for de 0,6% como o PIB per capita PPP português é cerca de 70% da média da Zona Euro para atingir os 100% precisaríamos de… meio século.


 Outros jornais menos celebrativos titulam «Portugal ficou mais pobre com a pandemia e deve estagnar com a guerra» e dizem-nos que o FMI prevê que o PIB per capita PPP português será ultrapassado em 2022 pelo Porto Rico, Polónia e Hungria.

25/04/2022

DIÁRIO DE BORDO: Um 25 de Abril impertinente. A tradição aqui ainda é o que sempre foi

O meu 25 de Abril foi o dia em que comecei a descobrir que as coisas não eram o que pareciam ser.

Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.

Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).

Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?

Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.

E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.

[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos e republicado posteriormente. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]

24/04/2022

ACREDITE SE QUISER: Para os cépticos que pensavam que Guterres não faria diferença nenhuma na ONU (7)

Outras diferenças que Guterres não fez.
 

Observador

Comentando a anúncio da ida do Sr. Eng. Guterres a Moscovo, Franz Baumann, ex-secretário-geral Adjunto da ONU, acrescentou «acho que é uma coincidência curiosa que este anúncio, de pedido de visita a Moscovo e Kyiv, tenha surgido 24 horas após termos enviado uma carta a criticar a sua passividade».

Só se compreende que Baumann  tenha considerado inacreditável a passividade do Sr. Eng. Guterres e tenha achado coincidência ele só ter dado corda aos sapatos por empurrão, por não o conhecer e ter confundido a sua impetuosa verborreia com iniciativa e acção. Afinal estamos perante o picareta falante.

23/04/2022

Tentando compreender o racional da clique putinesca ao decidir invadir a Ucrânia (3)

Continuação (1) e  (2)

«O resultado‎‎ da guerra da Rússia na Ucrânia permanece em dúvida. Mas não há dúvida de que a decisão de Vladimir Putin de lançar uma invasão em larga escala é uma das piores decisões estratégicas que qualquer líder de um país poderoso tomou em décadas. Não há um resultado plausível na Ucrânia que não deixe o senhor Putin e a Rússia muito piores do que antes de 24 de Fevereiro, quando a guerra começou.‎

O senhor ‎Putin custou ao seu país a vida de milhares de jovens soldados, alguns deles recrutas. Ele afirma que russos e ucranianos são "um só povo", mas sua guerra deu à Ucrânia um senso mais forte de identidade nacional do que nunca e a transformou no inimigo amargo da Rússia. Ele mostrou ao mundo que seu exército é ineficaz, e que bilhões de dólares gastos na modernização militar russa foram desperdiçados. Ele deu à NATO um senso de unidade e propósito que não tem há décadas e não-membros como a Finlândia e a Suécia novas razões para aderir. As suas ações levaram membros, incluindo a Alemanha, a aumentar os gastos com defesa. Outros enviaram tropas perto da fronteira com a Rússia. O senhor Putin convenceu a Europa de que deve parar de comprar as exportações mais valiosas da Rússia. Ele trouxe sanções e controles de exportação ao seu país que infligirão danos geracionais. Para a Europa e a América ele cruzou o Rubicão. Mais gravemente, ele falhou em preparar o público russo para os verdadeiros custos humanos, financeiros e materiais de sua "operação militar especial".‎ (...)

‎‎Ao recusar-se a rebater a dissidência dentro da Rússia, o senhor Putin fez orelhas moucas a avisos importantes e convenceu aqueles ao seu redor de que sua segurança pessoal e prosperidade dependem da lealdade a ele e à sua versão da verdade. Um pequeno, mas importante exemplo: o senhor Putin disse durante os primeiros dias do conflito que "soldados recrutados não estão e não estarão envolvidos em operações de combate". Essa afirmação rapidamente se mostrou falsa. Há três explicações possíveis para isso, e todas prejudicariam o presidente russo. A primeira é que o Senhor Putin mentiu ao povo russo sobre algo que ele deveria saber que não seria capaz de esconder. Segundo, os generais russos mentiram-lhe. Terceiro e, francamente, mais provável: a desinformação atingiu todos os níveis militares da Rússia, e os oficiais superiores não estão cientes do que está acontecendo na cadeia de comando. Mas seja qual for o caso, todas essas explicações minam a credibilidade do senhor Putin, tanto no país quanto no exterior, e comprometem a eficácia das forças armadas russas nos próximos anos.‎ (...)

‎As esperanças ocidentais de que os generais da Rússia, as suas forças de segurança, os seus oligarcas ou seu povo em breve removam o Senhor  Putin do poder provavelmente serão em vão. Os altos preços do petróleo manterão a economia russa à tona por algum tempo, mesmo que os danos a longo prazo à economia russa causados por sanções e controles de exportação sejam severos. Dado o clima político, é impossível saber o verdadeiro estado da opinião pública russa, mas não há evidências de que o senhor Putin enfrente qualquer sério desafio doméstico. O povo russo vê as imagens de guerra que o seu governo quer que eles vejam, e agora estão sendo alimentados com uma dieta constante de atrocidades ucranianas, planos ocidentais para humilhar a Rússia e a determinação de seu presidente e soldados para defender sua pátria.‎

‎Em suma, o senhor Putin, os soldados russos e ucranianos e os líderes ocidentais não devem esperar o tipo de vitória limpa que qualquer um deles deseja. Em vez disso, uma guerra feia está prestes a ficar muito mais feia‎.»

The cost of the war to Vladimir Putin, Ian Arthur Bremmer, cientista político americano especialista no risco político global 

PUBLIC SERVICE: On Tyranny (5)

On Tyranny, Timothy Snyder

 And by the way, don't justify your failures with negative examples of political leaders.

22/04/2022

ESTÓRIA E MORAL: Aldrabou-nos, disse ele

Estória

«O Costa não tem 'tomates' para isso.» «Ele é um merdas.» (*)

Era uma vez um político que como dirigente de um partido e como membro de dois governos desse partido, conviveu de perto vários anos com outro dirigente e primeiro-ministro de um governo a que esse político pertenceu.

Depois da divulgação extensiva de factos e de suspeitas ao longo de vários anos, o referido primeiro-ministro veio a ser acusado de inúmeros crimes de corrupção activa e passiva, entre outros, num processo baptizado Operação Marquês com 53 mil páginas de provas, às quais se juntam 6 mil páginas do despacho de um juiz e vários milhares de páginas dos recursos do MP, e ainda se adicionarão muitos milhares de páginas nos próximos anos (até 2035 dizem alguns).

O citado político sempre assumiu a inocência do referido primeiro-ministro, a quem visitou na prisão, e perante a evidência dos crimes foi lavando as mãos e usando a fórmula clássica à justiça o que é da justiça. Quinze anos depois dos factos e nove anos depois do início do processo, em entrevista a um biógrafo do fundador do mesmo partido declarou:

«Depois do que vi já, entretanto, e que o próprio Sócrates não desmente, concluo que ele, de facto, aldrabou-nos.»

Moral

Se tivesse sido submetido a um teste "Fit and Proper" para primeiro-ministro, o Dr. Costa chumbaria por uma uma de duas razões (1) por falta de discernimento e défice de julgamento ou (2) por falta de tomates; ou ambas.

(*) José Sócrates nas escutas da Operação Marquês citadas pelo jornal SOL.

21/04/2022

Dúvidas (335) - Afinal qual é versão oficial em que não devo acreditar?

Sou exortado pelo jornalismo de causas e até por comentários neste blogue a não acreditar na "versão oficial" dos acontecimentos da invasão da Ucrânia pela Rússia (a que chamam guerra na Ucrânia), o que me leva a um esclarecimento e me suscita uma dúvida. 

O esclarecimento é que sou pouco dado a acreditar seja no que for. A dúvida é que havendo pelo menos duas "versões oficiais" desses acontecimentos, qual das duas "versões oficiais" me aconselham a não acreditar? 

Por um lado temos a versão oficial da NATO (para simplificar admito que todos os estados-membros têm a mesma versão) que é escrutinada e comentada em milhares de jornais e canais de televisão por dezenas de milhares de jornalistas e comentadores de todas correntes ideológicas e livremente discutida por milhões de cidadãos dos estados-membros, tão livremente discutida que é pública e abertamente contraditada nos mesmos jornais e canais pelos crentes da versão oficial do governo russo.

Do outro lado temos a versão oficial do governo russo que é divulgada quase ipsis verbis por jornais e canais de televisão russos que a reproduzem fielmente, versão que ninguém ousa colocar em causa, sob pena de ser multado, na melhor hipótese, preso na hipótese mais provável e assassinado na pior hipótese.

Quando escrevo ninguém, não é exacto. Há dois tipos de cidadãos russos que colocam em causa a versão oficial russa: (1) os que, como Alexei Navalny, já estão presos, e (2) os que estão no exterior, como Oleg Tinkov, um empresário russo, que escreveu na sua conta Instagram «os generais (russos), acordando de ressaca, perceberam que tinham um exército de merda. E como pode ser bom o exército se tudo no país é uma merda e atolado em nepotismo, bajulação e servilismo?»

E, por falar em invasão e versões, permito-me colocar mas uma dúvida: a líder parlamentar do PCP quando disse «alguém que personifica um poder xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi» estava a referir-se a quem?

20/04/2022

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (97) - E o vencedor é "Não és homem, não és nada ..."

Graças à pachorra de António Araújo que compilou no artigo «Frases de Guerra» no DN umas largas dezenas de pensamentos, factos alternativos e teorias da conspiração produzidos por quase outros tantos eméritos membros do comentariado doméstico, incluindo alguns políticos, ficou disponível um acervo da produção das elites do Portugal dos Pequeninos sobre o presidente Vladimir Vladimirovitch Putin e a sua invasão da Ucrânia.

"Não és homem, não és nada ..."

Sendo todos pensamentos de altíssimo nível provenientes de personalidades de elevado gabarito, foi difícil a escolha mas resolvi destacar meia dúzia e entre eles premiar pela sua originalidade e profundidade o do Dr Nogueira Pinto:

"Esta guerra anunciada na Ucrânia só tem por objetivo impedir a exportação de gás russo para a Alemanha e, assim, reconfigurar o mapa europeu ao sabor do ditado de Washington." (Francisco Louçã, Expresso, 15/2/2022, dias antes da invasão da Ucrânia pela Rússia)

"Isto à luz do direito internacional está totalmente imaculado." (Alexandre Guerreiro, Record TV Europa, 24/2/2022, no dia da invasão da Ucrânia)

"O modo como o Presidente dos Estados Unidos foi sucessivamente anunciando datas para uma invasão russa da Ucrânia lembra os pueris "Não és homem, não és nada ..." dos tempos em que parecia mal não ser "homem" e se esperava que o acicatado, ofendido na sua masculinidade e sem olhar a consequências, provasse desvairadamente que o era." (Jaime Nogueira Pinto, Observador, 26/2/2022, criticando a política da administração Biden relativamente à Ucrânia)

"E esse ambiente que é típico do "mccarthismo" (...) criou-se um ambiente que ou se papagueia o que diz a NATO ou é-se um agente de Moscovo" (Fernando Rosas, Público, 25/3/2022)

"[crimes de guerra] poderiam ter sido evitados, se não houvesse invasão e, depois disso, se o regime ucraniano não se tivesse decidido por uma resistência suicida" (António Jacinto Pascoal, Público, 29/3/2022)

"A guerra entre a Rússia e a Ucrânia serviu para agudizar análises que já Marx, Engels e, mais tarde, Gramsci, haviam identificado." (Ricardo Meireles Santos, jornal A Voz do Operário, 1/4/2022)

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On Tyranny, Timothy Snyder

Remove swastikas, red stars and all similar stuff.

19/04/2022

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A doença é outra e a terapia não é adequada

O artigo de opinião da economista Teodora Cardoso publicado ontem no Eco é uma pedrada no charco das conversas da treta da maioria dos economistas que se dedicam ao negócio da comentadoria.  

Teodora Cardoso considera inevitável a estaglação, isto é a estagnação do crescimento coexistindo com a inflação, da economia mundial que resulta da «escassez e o correspondente aumento do custo da energia, dos cereais e de matérias-primas essenciais» em consequência da guerra, da pandemia e das políticas «macroeconómicas expansionistas», isto é o alívio quantitativo, confirmando o que escrevi a semana passada no último post da série «O alívio quantitativo aliviará? Unintended consequences».

Sendo a actual uma crise da oferta e não da procura, não farão sentido medidas como o controlo dos preços que terá «o resultado perverso de não incentivar, nem do lado da procura, nem da oferta, a poupança e o uso mais eficiente de recursos escassos, exatamente o objetivo que é necessário promover». Um exemplo, é subsidiar o preço dos combustíveis pela redução dos impostos em vez de apoiar as famílias mais pobres.

Contra a corrente predominante que pretende empurrar o problema com a barriga, Teodora Cardosa entende que «o apelo ao prolongamento da suspensão das regras orçamentais e à mutualização da dívida, no contexto de um vazio programático em todas essas áreas, apenas prenuncia o aprofundamento da estagnação».

Teodora Cardoso critica ainda a política orçamental do governo socialista «baseada num aumento de receitas cada vez menos preocupado com a sua transparência e impacto económico, e em cortes discricionários de despesa, geridos em função do (não) impacto mediático e da miopia dos mercados financeiros» e a falta de «um conjunto coerente de reformas (...) que tenha em vista a competitividade e o crescimento da economia».

18/04/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (11)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

A madraça do PS

Roubo o título muito bem achado a João Miguel Tavares para descrever a situação do ISCTE face ao PS com a reitora Dr.ª Maria de Lurdes Rodrigues e o vice-reitor Dr. João Leão acabado de nomear, bem como mais sete outros professores com ligações a este ou a outros governos anteriores do PS.

No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito

Por falar nele, o Dr. João Leão, acabado de sair das Finanças, vai gerir o Centro de Valorização e Transferência de Tecnologias do ISCTE financiado pelo OE em que ele providencialmente participou.

O problema do Estado sucial é a “falta de recursos”

O diagrama seguinte ilustra uma das duas grandes realizações do Dr. Costa (a outra é o crescimento da dívida pública).

+Liberdade

Não há nenhum sector da administração pública que não tenha falta de recursos e a justiça não poderia ser excepção. Segundo o Conselho Superior da Magistratura os tribunais estão em situação crítica por falta de magistrados. Que os tribunais estejam em situação crítica isso é indiscutível visto o processo mais simples consumir anos até ser julgado, mas não será por falta da magistrados porque com 19,3 juízes e 13,5 procuradores por 100 mil habitantes, Portugal está na média europeia. Será antes por excesso de burocracia plantada nos labirintos kafkianos processuais, que ninguém parece interessado em simplificar, uns porque esses labirintos multiplicam as portas de saída e outros porque multiplicam a “falta de recursos”.

Take Another Plan. O legado do amigo do Dr. Costa custou mais de mil milhões

O ano passado a TAP apresentou um prejuízo de 1.600 milhões (num volume de receitas operacionais de 1.389 milhões!), por coincidência quase igual ao montante das ajudas até ao final do ano passado. Mais do que o montante pantagruélico dos prejuízos o que poderia surpreender os distraídos é que cerca de 2/3 desses prejuízos (1.025 milhões) se devem ao fecho da operação de manutenção no Brasil comprada em 2006 à Varig pela TAP, um desastre que já tinha custado à TAP 200 milhões em perdas só nos últimos 5 anos. Convirá acrescentar que essa compra foi agenciada pelo Dr. Lacerda Machado, o melhor amigo do Dr. Costa que o prantou na administração da TAP nacionalizada em 2016 (ver aqui e aqui a estória). Se pensarem que enough is enough e a coisa agora acaba, desenganem-se porque numa empresa pública gerida pelo Dr. Pedro Nuno "Perninhas dos Banqueiros a Tremer" Santos enough is never enough. E a demonstrá-lo aí estão mais 990 milhões a caminho no OE 2022.

17/04/2022

Como poderiam os cidadãos europeus reduzir a renda do Czar Putin

Baixar um grau nos termostatos nas casas europeias reduziria num ano o consumo de gás natural em 10 mil milhões de metros cúbicos, o equivalente a um mês de importações russas.

Baixar em 10 km/hora os limites de velocidade nas estradas reduziria o consumo de combustível em cerca de 15% e adicionalmente subsidiando os transportes públicos, incentivando o trabalho em casa um dia por semana, proibindo o uso de carros nas cidades aos domingos permitiria reduzir um quinto da importação de petróleo russo.   

(Estimativas da  Agência Internacional de Energia, citadas aqui)

Entretanto, o ministro da Economia e vice-chanceler alemão, Robert Habeck, pediu aos alemães que poupem energia para "irritar Putin", o que é uma tolice porque o homem não tem emoções e o que importa é cortar-lhe o financiamento.

Aditamento:

Já depois de ter escrito este post, li o artigo «Combater Putin indo mais devagar» do economista Ricardo Reis no caderno de Economia do Expresso que trata com mais profundidade este tema.

16/04/2022

If it was to impress the world and frighten the neighborhood, so far it's not working

Mariupol - one of the great successes of  denazification and demilitarization

Documenting Equipment Losses During The 2022 Russian Invasion Of Ukraine

Russia - 2897, of which: destroyed: 1545, damaged: 44, abandoned: 237, captured: 1071
Tanks (507, of which destroyed: 257, damaged: 9, abandoned: 40, captured: 201)
Armoured Fighting Vehicles (264, of which destroyed: 129, abandoned: 29, captured: 106)
Aircraft (20, of which destroyed: 19, damaged: 1)
Helicopters (32, of which destroyed: 28, damaged: 2, abandoned: 1, captured: 1)
Naval Ships (4, of which destroyed: 2, damaged: 2)
Logistics Trains (2, of which destroyed: 2)

Ukraine - 789, of which: destroyed: 365, damaged: 23, abandoned: 35, captured: 366
Tanks (112, of which destroyed: 44, damaged: 1, abandoned: 9, captured: 58)
Armoured Fighting Vehicles (74, of which destroyed: 28, abandoned: 4, captured: 43)
Aircraft (17, of which destroyed: 16, damaged: 1)
Helicopters (3, of which destroyed: 2, captured: 1)
Naval Ships (14, of which destroyed: 2, damaged: 1, captured: 11)

Source: Oryx, as of April, 15

Sunk Thursday (they called a Ukrainian missile onboard fire))

40 dead Russian high-ranking officers, as of April, 15.

15/04/2022

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (72) Unintended consequences (XXIV)

Outras marteladas.

Recapitulando:

O intervencionismo do BCE, que copiou com atraso a Fed e o BoE, adoptando o alívio quantitativo e as taxas de juro negativas ou nulas, desde o «whatever it takes» do Super Mario de Julho de 2012, é parecido como terapêutica com a sangria dos pacientes praticada pela medicina medieval para tratar qualquer doença, incluindo a anemia.

As raras vozes dissonantes (temos citado algumas delas) não têm chegado para perturbar e muito menos abafar os salmos cantados pelo coro imenso dos prosélitos louvando a bondade das políticas de injecção de dinheiro e de juros artificialmente baixos dos bancos centrais. Mais recentemente, Charles Goodhart, professor emérito na LSE, chamou a atenção para o risco de estagnação com inflação elevada em resultado das políticas dos bancos centrais e no Portugal dos Pequeninos o presidente da CMVM alertou em Novembro do ano passado para a bolha em formação.

As políticas de alívio quantitativo dos bancos centrais tiveram várias consequências indesejadas, que venho referindo desde Setembro de 2014, mas até ao ano passado não tiveram efeitos muito significativos na inflação.

Foi o ano passado que esses efeitos na inflação se começaram a sentir mais fortemente porque coexistindo com alívio quantitativo dos bancos centrais, os governos começaram a despejar estímulos fiscais relacionados com as ajudas no contexto da pandemia (ver diagrama seguinte).  

A esses efeitos fiscais veio juntar-se a escassez da oferta de mão-de-obra, sobretudo nos EUA, que veio aumentar os salários após vários anos de estagnação e de perda de poder de compra. As rupturas das cadeias de distribuição resultantes da pandemia e das medidas para a combater vieram adicionar-se aos factores inflacionários. Ainda assim, o wishful thinking era de rigor e quase toda a gente, a começar pelo BCE, garantia que a inflação era um fenómeno transitório. Toda a gente? Não. Já em Novembro do ano passado Jerome Powell considerou que «it’s probably a good time to retire that word (transitory) and try to explain more clearly what we mean».

Isso foi antes da invasão da Ucrânia, cujas consequências estão a potenciar todos os factores inflacionários já referidos. Tudo isso em cima de quantidades gigantescas de dinheiro injectado nas economias pelas políticas dos bancos centrais desde 2008 a Fed, 2009 o BoE e 2012 o BCE vai transformar o fenómeno transitório num fenómeno duradouro, desta vez com pelo menos algumas das economias a estagnarem. Não pode acabar bem.

14/04/2022

CASE STUDY: A atracção pelos tiranos e pela tirania (1)

A aceitação de Putin (podia ser de outro qualquer tirano), ou a devoção nos casos extremos, é mais um exemplo de como a distinção clássica direita-esquerda é em muitos casos inadequada. No caso de Putin, como de outros, encontramos devoção e aceitação da criatura à direita e à esquerda. 

À esquerda é mais a aceitação, ditada geralmente por razões tácticas - o inimigo (Putin) do meu inimigo (Ocidente, Estados Unidos) é meu amigo - e à direita é mais devoção por razões ideológicas - pátria, autoridade e moral, que supõem inspiram o tirano, contra o que chamam o globalismo, a anarquia e a devassidão, que acreditam contaminam o Ocidente, ou a América para ser mais preciso, e inspiram os seus líderes fracos e corruptos. O que há de comum entre uns e outros? A recusa das liberdades, ou mesmo o ódio às liberdades, e em consequência a recusa da democracia liberal como regime político.

Num caso como noutro, para dar um módico de racionalidade e justificar a aceitação ou a devoção pelo tirano e pela tirania, é indispensável construir uma realidade paralela baseada em factos alternativos, isto é, distorções dos factos reais, na melhor hipótese, ou mentiras puras e duras, o mais das vezes. No caso da direita, em que há uma adesão mais emocional e autêntica, e por vezes uma identificação com o tirano e o seu culto pessoal, as teorias da conspiração têm um papel insubstituível.

Na esquerda portuguesa, o PCP é um bom exemplo de construção de uma realidade paralela baseada em factos alternativos. Para poupar no latim, remeto os leitores para o dossier «SOBRE A SITUAÇÃO NA UCRÂNIA - ELEMENTOS PARA A COMPREENSÃO» no site do PCP, seguido da leitura do artigo de opinião de Fernanda Câncio «Os "15 mil mortos no Donbass" e outros factoides do PCP» (sim, essa antiga amiga ou namorada do Eng. Sócrates, que assim resgata alguns dos seus maus passos com o animal feroz), artigo em que, a propósito de uma conversa no Twitter do ex-deputado do PCP Miguel Tiago, Câncio autopsia a versão comunista dos antecedentes e da génese da invasão da Ucrânia pelo exército russo.

(Continua) 

13/04/2022

PUBLIC SERVICE: On Tyranny (3)

On Tyranny, Timothy Snyder

Of Timothy Snyder's «Twenty Lesson From the Twentieth Century», this is the one that seems to me the most important lesson. It should be understood that a one-party state does not mean a state that only has one party. Remember Órban's Fidesz in Hungary.

12/04/2022

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A derrota da liberdade e os escondidos atrás do biombo da hipocrisia

«Uma vitória da Rússia, sob qualquer forma, será a derrota da Europa e da liberdade. Será uma ameaça permanente e insidiosa contra as democracias e contra vários países europeus. Será a renovação da ditadura como sistema tradicional de poder na Rússia. Será com certeza um recuo da globalização e um novo fôlego dos nacionalismos. Seria seguramente a reintrodução da força e da guerra como critério de organização da comunidade internacional. Colocaria indefinidamente todas as instituições internacionais de cooperação e diálogo (saúde, trabalho, educação, cultura, telecomunicações, comércio…) em situação de suspensão impotente. Consistiria no maior recuo dos direitos humanos e dos direitos dos cidadãos que se conhece desde há quase cem anos.

É possível e legítimo que haja, em qualquer parte do mundo, incluindo em Portugal, pessoas que simpatizam com a Rússia, com o seu presidente e o seu regime. É também provável que haja quem veja numa vitória russa uma derrota da democracia ocidental, da América, da Europa e do capitalismo. Bom seria que tais pessoas se exprimissem com liberdade, sem cinismo processual e sem a covardia das falácias jurídicas. Perante a evidência insofismável da agressão russa, dos bombardeamentos aéreos, da invasão por milhares de tanques e blindados russos e da conquista territorial, há quem dê ouvidos às alegações do agressor e sustente que os mortos são vítimas dos próprios ucranianos e que a destruição é o resultado das suas anti-aéreas. 

Diante de cidades arrasadas, de edifícios destruídos, de infra-estruturas desmanteladas e de serviços públicos aniquilados, há quem seja subitamente invadido por escrúpulos jurídicos e exija comissões independentes para analisar a situação no terreno, identificar as vítimas e fazer relatórios sobre as circunstâncias das mortes. Em face de uma guerra que já destruiu grande parte de um país e provocou a fuga de milhões de pessoas, há quem sugira que a culpa e a responsabilidade são dos Estados Unidos e da NATO que cercaram a Rússia. Diante do incómodo causado pela violência bruta e pela agressão cega, há quem tenha a desfaçatez de pedir pensamento, de propor o estudo das causas remotas, de proceder à contextualização, à análise e ao enquadramento, quando na verdade estão a chamar pensamento à mais covarde atitude que consiste em não dizer o que realmente pensam e se escondem atrás do biombo da hipocrisia. Para esta gente, os responsáveis pela destruição da Ucrânia são… os Ucranianos!»

Excerto de «Argumentos e falácias», António Barreto no Público

11/04/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (10)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

«O futuro não é liberal. O futuro é do Estado Social»

Disse com inesperada e inabitual sinceridade o Dr. Costa no parlamento durante a discussão do programa de governo, um pastiche do programa anterior que o Dr. Costa e os outros militantes imaginaram que seria um bom programa para uma realidade que já não existia nessa altura e desde a invasão da Ucrânia definitivamente deixou de existir.

A descentralização da administração pública faz-se no mausoléu da Caixa

Em 2010, o outro contribuinte escreveu aqui sobre a manobra de engenharia financeira da Caixa que vendeu o edifício da sede social – aquele horrendo mausoléu de estética Estado Novo onde se alojaram mais de 4.000 zombies – por 252 milhões ao fundo de pensões que ela própria gere (em 2008 a receita já tinha sido aplicada vendendo ao fundo de pensões por 121 milhões imóveis cujo valor de balanço era 62 milhões). Doze anos depois, tendo o número de zombies sido drasticamente reduzido, o espaço libertado irá ser ocupado por 17 (dezassete) ministérios que assim ficarão todos juntos no mesmo mastodôntico jazigo e pagarão rendas ao fundo de pensões com o dinheiro dos impostos dos contribuintes.

Então não estamos a crescer mais do que a Óropa?

O governo felicitou-se com o crescimento de 11,5% entre 2015 e 2019, o que, como sabemos, não impediu a queda do PIB per capita PPC de 15.º lugar para sucessivamente 16.º, 17.º, 18.º e em 2021 para 21.º no ranking da UE. Este ano o crescimento está novamente a ser revisto em baixa de 4,3% para 4% pela Católica.

Take Another Plan

O plano de reestruturação aprovado pela CE obrigou a TAP a vender 14 dos 108 aviões. Pouco tempo depois o governo aprovou a compra de 6 novos aviões que eram para chegar em Outubro mas só chegaram dois em Março. Por isso, a TAP alugou quatro aviões com as respectivas tripulações o que levou os sindicatos a protestar por haver pilotos de sobra.

O parágrafo anterior foi escrito a semana passada. Esta semana o mesmo jornal anunciou que tinham sido contratados mais 200 tripulantes cujos contratos não tinham sido renovados há dois anos. De onde temos de concluir que ou bem este absurdo de vender aviões e despedir pessoal foi ditado pela incompetência dos técnicos da Comissão Europeia ou bem estamos perante uma empresa pública do Portugal dos Pequeninos com um governo socialista. Faites vos jeux.

Entretanto, o Dr. Pedro Nuno Santos debate-se com o dilema de não saber se a TAP sendo uma empresa pública deve ter rotas deficitárias ou se deve ser uma empresa pública porque explora rotas deficitárias. A solução foi descoberta há muito: a TAP deve resolver o dilema tornando todas as rotas deficitárias.

10/04/2022

O êxito da Operação Militar Especial do Presidente Vladimir Vladimirovitch Putin estava previsto no Protocolo dos Sábios de Sião

Vem tudo lá
É falso que a Federação Russa tenha invadido a Ucrânia - está a decorrer uma "Operação Militar Especial" de desnazificação, um grande sucesso que só não terminou porque os nazis ucranianos se escondem atrás do povo que desejaria receber os irmãos russos de braços abertos. É falso que o presidente Putin quisesse anexar a Ucrânia - desde o princípio ele só queria salvar os russos do Donbass ameaçados de genocídio pelos nazis e dar oportunidade aos irmãos ucranianos para se acolherem sob a protecção da Mãe Rússia. É falso que seja mentira a existência na Ucrânia de laboratórios para fabricar armas biológicas da CIA em cooperação com pedófilos satânicos, os mesmos que conspiraram para afastar o presidente Trump da presidência - isso foi confirmado pelo QAnon. 

É falso que o exército russo tenha bombardeado e destruído Mariupol, Karkhiv e outras cidades ucranianas- são os próprios nazis ucranianos que o fazem com as armas dos imperialistas da NATO. É falso que o exército russo tenha assassinado centenas de civis ucranianos em Bucha, como parecem mostrar as imagens de satélite fabricadas pela CIA - está provado que foram os nazis ucranianos. É falso que soldados russos estejam a violar raparigas ucranianas suas irmãs - os violadores são os nazis ucranianos. É falso que um míssil russo tenha morto 40 pessoas numa estação de comboio - foi um míssil americano. Todas estas mentiras são fabricadas por uma rede de políticos e jornalistas ao serviço da Grande Conspiração Capitalista Imperialista Globalista e Universalista. 

Estava há muito previsto no Protocolo dos Sábios de Sião que seriam feitas ameaças fundamentais para Rússia por políticos ocidentais irresponsáveis de forma consistente, rude e sem cerimônia de ano para ano nomeadamente a expansão da NATO para leste, que aproxima cada vez mais sua infraestrutura militar da fronteira russa. E estava escrito que isso seria denunciado nos anos 20 do século XXI por Pedro o Grande reencarnado num Presidente Patriota Russo, ungido pelo Patriarca de Moscovo, que haveria de resgatar a Mãe Rússia e salvar o mundo da decadência. E tudo começaria por uma "Operação Militar Especial".

AVISO:
Este post foi escrito por um web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso aos servidores usados por trolls devotos do Czar Vlad, por adeptos de teorias da conspiração, pelo QAnon e pela Breitbart News Network.

A engenharia social que tenta produzir gente com sexualidade desviante do mesmo passo produz idiotas

«Muitos queixam-se de que o ensino da sexualidade perverte as criancinhas, mas poucos falam do ensino da imbecilidade que as retarda. O problema, em suma, não é a presunção – discutível – de que certas “correntes educativas” querem produzir gays. O maior risco é o de produzirem idiotas.

Há aqui graves chatices de princípio, de forma e de conteúdo. Comece-se pelo princípio. Sob que pretexto a escola deve educar sexual ou até socialmente os petizes? Não me ocorre nenhum, excepto a presunção beata de que as salas de aula são espaços de catequismo para os fervores do momento. Durante o Salazarismo, os manuais escolares estavam repletos de exaltações “patrióticas”. Agora é a tralha da “tolerância” e do “género”. Mudou a tralha, não mudou a tendência evangelizadora de uma instituição em teoria destinada a habilitar fedelhos no português e na matemática. Na prática, habilitam-se os pais, os que têm menos meios de corrigir o desastre, a levar com os filhos em situação de analfabetismo radical e permanente.» 

Alberto Gonçalves no Observador

08/04/2022

A verdade é a melhor arma contra a mentira

Infelizmente para as pretensões do Czar Vlad, a invasão da Ucrânia está a ser sujeita a um escrutínio incomparavelmente maior do que as guerras precedentes. Os "factos alternativos", a expressão que designa o que até recentemente se chamavam mentiras, fabricados pela máquina de agitprop siloviki resistem com mais dificuldade ao serem confrontados com fotos, vídeos, testemunhos pessoais e de jornalistas no terreno, imagens de satélite, etc.

Ainda que a uma escala muito menor, isto já se tinha visto em conflitos anteriores. O que está a ser uma novidade absoluta é a divulgação pública e maciça de informação secreta ou classificada que no passado era reservada apenas aos círculos próximos do poder. O exemplo mais notório, mas longe de ser o único, foi a exposição dos preparativos para a invasão meses antes desta ter lugar, o que serviu de pretexto a interpretações que teriam sido esses anúncios que levaram Putin e desencadear a agressão. Interpretações que, mais que fantasistas, foram um atestado de menoridade mental de Putin emitido pelos seus próprios admiradores.

Essa divulgação não é acidental, como aqui escreve o FT, «as revelações são a base de de uma estratégia mais ampla que está em vigor desde o início da guerra para desclassificar informações sobre os planos e movimentos da Rússia para reunir apoio internacional à Ucrânia e combater os esforços russos para realizar operações de "bandeira falsa" e espalhar desinformação». ‎

É claro que é uma informação interessada, não é neutra e é divulgada com o propósito deliberado de expor e enfraquecer o adversário. A diferença é se os factos documentados e publicamente escrutinados confirmam ou não essa informação. É esta diferença que está a distinguir a informação fabricada por uns apparatchiks ao serviço de uma tirania que não é sujeita ao controverso e está constantemente a ser desmentida pelo factos e uma informação produzida por outros que podem ser apparatchiks mas estão sujeitos ao escrutínio de dezenas de milhares de profissionais por esse mundo fora em sistemas políticos abertos.

07/04/2022

Votando com os pés (e os braços)

More than 46,000 Cubans, biggest wave in years, have arrived in the U.S. in five months


Elián López Cabrera não está a fazer surf está em fuga do paraíso socialista cubano

PUBLIC SERVICE: "What Vladimir Putin misunderstood about Ukrainians"

«I was born in Kyiv in 1977 to Ukrainian parents. My family was exiled from the Soviet Union when I was nine months old, after my father, a poet, was arrested by the KGB for the heinous crime of distributing copies of books by Solzhenitsyn and Nabokov to friends. 

(...)

That history of violence and humiliation has led Ukrainians to think conspiratorially. Over two-thirds of people we talked to for our study reckoned that “secret organisations” greatly influence political decisions. Such attitudes are understandable but damaging. Even in the days leading up to February 24th, many members of the Ukrainian elite thought that American warnings of an imminent Russian invasion were secretly a means to push the country into making concessions. They didn’t take Putin’s intentions seriously until the last minute.

Because rulers have historically been colonising powers, Ukrainians have little trust in government. Zelenksy’s popularity began to drain from the moment he came to power (before the war his approval rating was just 30%). This lack of respect for authority means that Ukrainians can energetically overthrow rulers, as they did in 2004 and 2014. But it also makes it hard to build an effective bureaucracy. The state is seen as something that needs to be avoided or that can be used for personal gain. Corruption is the grease that makes things work. Courts are captured by anyone who can pay. This attitude infuriates reformers and western donors like the EU. Even when the government does manage to build new infrastructure, people talk about these achievements as though they happened almost magically. Ukrainians simply can’t conceive of the state doing anything successfully.

The Russian secret services seem to have thought this mindset was a fatal weakness: according to the Royal United Services Institute, a British think-tank, the Kremlin based its invasion plans on surveys that predicted Ukrainian support for the government would collapse after an invasion. But there is a flipside to all this distrust. People have learnt to rely on each other. Ukrainians pride themselves on resilience and cunning. They have always found ways to self-organise. Trust in civil society, in local churches and small-business associations is high. There are also less savoury associations: football hooligans, petty gangsters and far-right militias who formed regiments to fight in the Donbas after 2014. Calamity has forced people to club together. “Disaster and grief unite us,” people would say when we asked. Many of our interviewees spoke about how, in 2014, activists took it upon themselves to feed, clothe and provide transport for Ukraine’s decrepit army.

Ukrainian myths of national identity coalesce around a collective: the Cossacks, bands of self-governing warriors who roamed the steppe. A recent successful film told the story of how Ukrainian Jews and Crimean Tatars created underground networks to help each other in the second world war, to fight first the Nazis and then the kgb. One of the most popular Christmas films in Ukraine is “Home Alone”, which has a narrative that resonates with Ukraine’s story: a small country abandoned by the world’s parents, always attacked by bigger powers and having to improvise self-defence with anything that comes to hand.

In this war, Ukrainians are showing that they can resist one of their most frequent and violent abusers, the Kremlin. Among the friends I speak to there’s a sense that they are fighting not just against this invasion, but for all the other times Ukraine has been violated. Putin himself referred to the invasion as a rape: “You sleep my beauty, you’re going to have to put up with it anyway,” he told a stunned press pack during a session with the French president, Emmanuel Macron. In Lviv today you see posters of a woman in Ukrainian folk costume pushing a gun into Putin’s mouth: “I’m not your beauty,” she says.

(...)

At the time I thought this yearning was essentially about identity, a desire to be known. In Zabuzhko’s “Fieldwork of Ukrainian Sex”, the heroine travels from one international literary seminar to the next, impelled to prove that Ukrainian is a living language, and exhausted by the need to constantly answer the question “Ukraine? Where’s that?” Now I realise this desire to be seen is not just about identity; it’s also about security. Being seen by the world means that there is less chance that you will get killed.■

Peter Pomerantsev directs the Arena project at Johns Hopkins University and is the author of “This is Not Propaganda: Adventures in the War Against Reality”. (1843 Magazine)

06/04/2022

Dúvidas (334) - Não será um poucochinho exagerado? (5) - O surto inovador e inventivo que nos assalta

Continuação de (1), (2), (3) e (4)

Como habitualmente, quando são divulgados os dados do European Patent Office, a imprensa de ontem celebrou com entusiasmo os feitos da nação em matéria de patentes registadas, com títulos como os seguintes:
Ao leitor desprevenido pode ocorrer-lhe que, repentinamente, os portugueses, as portuguesas, as empresas e os empresários e, porque não?, o Estado sucial, foram assaltados por um surto de invenção e inovação. Ora, não é bem assim. O fulgor mediático apaga-se quando o confrontamos com os dados do EPO, desde logo porque o Portugal dos Pequenos representa 2,3% da população da UE e em 2021 apenas registou 286 patentes das cerca de 67,7 mil patentes da UE, ou seja 0,4%. 
 

Como se pode ver na parte superior do quadro, no ranking mundial Portugal está entalado entre Barbados (290 mil habitantes) e a Federação Russa (144 milhões, incluindo siloviki, apparatchik, oligarcas e cleptocratas). Quando comparamos na parte inferior do quadro as nossas 28 patentes por milhão de habitantes com países da UE do mesmo campeonato demográfico, fica-se um bocado deprimido: Países Baixos (615), Suécia (481),  Dinamarca (456), Bélgica (215), Áustria (259). Finlândia (380). 

Resta-nos a consolação que temos um rácio de patentes por milhão umas 15 vezes superior ao da Federação Russa que com, as suas 272, registou menos patentes do que o número de ucranianos que assassinou numa única cidade (Bucha). 

05/04/2022

BELIEVE IT OR NOT! "An open Eurasia from Lisboa to Valadivostok", says Tsar Vlad's hand man

Realnoe Vremya

Dmitry Medvedev has been one of Vladimir Putin's most trusted men and alternated with him in 2008 in the presidency and was prime minister from 2012 to 2020. 

I can't wait to see the siloviki, apparatchik, oligarchs, kleptocrats and all those people strolling through Chiado and their yachts moored at the Expo marina.

PUBLIC SERVICE: On Tyranny (7)

On Tyranny, Timothy Snyder

Biden’s war: does he know what he’s doing? I share this doubt myself

The Spectator

04/04/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (9)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Agora é certo. O Dr. Costa ficará por cá mais quatro anos

Pelo menos foi isso que S. Ex.ª com as suas habilidades levou o Dr. Costa a admitir, abdicando, pelo menos adiando, in nomine, a sua eventual ascensão ao Olimpo bruxelense.

Se assim vier a ser, ficará por cá a penar as sequelas das suas políticas, potenciadas pelas sequelas da invasão da Ucrânia, e a pastorear os seus presumíveis sucessores, que vão desde o favorito Dr. Medina, a quem auguro um futuro atormentado pelos seus colegas e vigiado de perto pelo Dr. Centeno, até ao Dr. Pedro Nuno Santos, a torrar dinheiro nos comboios e na TAP nos intervalos de cultivar o aparelho socialista e cuidar do seu futuro. O Dr. Costa terá também a companhia da Dr.ª Vieira da Silva, outra favorita, na Presidência, do Dr. Cravinho nos Negócios Estrangeiros e da Dr.ª Mendes ministra Adjunta, filhos do Dr. Vieira da Silva e do Eng. Cravinho e esposa do Dr. Mendes na SE das Finanças, respectivamente.

Sem esquecer a Dr.ª Carreira na Defesa, que poderá não estar à altura de fazer da tropa fandanga umas forças armadas a sério mas seguramente aprimorará a identidade e a igualdade de "género", e não esquecendo também todos os outros militantes destacados no governo, devidamente acompanhados e acolitados respectivamente pelos independentes Dr. Costa Silva, filósofo e ministro da Economia, e pelo Dr. Adão, sociólogo e comentador residente, na pasta da Cultura Socialista.

Não se pense, porém, que a família socialista se fica pelo governo. A Dr.ª Edite Estrela da galáxia Animal Feroz, foi escolhida para vice-presidente do parlamento e o Dr. Carlos César, Filho foi proposto para a direcção da bancada socialista. Por não serem dignos da companhia da Dr.ª Estrela não foram eleitos vice-presidentes os candidatos do Chega e do IL, contrariando a prática seguida até agora.

A única incerteza está no nome do programa

Primeiro foi na SIC Notícias e chamava-se «Quadratura do Círculo» com o Dr. José Magalhães, um deputado socialista trânsfuga do PCP, mais tarde substituído pelo Dr. Jorge Coelho, um dinossáurio socialista. Três anos depois, foi dado púlpito ao Dr. Costa, à época na câmara de Lisboa, para o ajudar a apear o Dr. Seguro. Seis anos depois, apeado o Dr. Seguro, o Dr. Costa foi entronizado secretário-geral socialista e o Dr. Coelho substituiu-o. Decorridos cinco anos, o programa passou-se para a TVI24 e mudou de nome para «Circulatura do Quadrado». No ano seguinte o Dr. Coelho faleceu e, sucumbindo a l'air du temps, o Dr. Pacheco Pereira substituí-o por uma pessoa com útero, a Dr.ª Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS. Mais tarde o programa foi rebaptizado para «O Princípio da Incerteza» e passou-se para a CNN. Com a ascensão da Dr.ª Mendes ao governo, sucedeu-lhe a Dr.ª Alexandra Leitão, que acabara de sair do governo cessante. Estranhamente, nem a «Quadratura do Círculo» nem nenhum dos seus sucessores contou para o tempo de antena do PS, nem o Dr. Pereira se demitiu de militante do PSD e se inscreveu no PS. Ainda está a tempo de ficar sob a tutela do Dr. Adão.

Tirem-me deste país ou a Justiça ultrapassada pela morte

Faleceu o médico Dr. Ferreira Diniz, condenado por pedofilia em 2010 no processo Casa Pia que decorreu desde 2002. O Dr. Ferreira Diniz foi expulso da Ordem dos Médicos em 2015, cinco depois de ter sido condenado, mas continuou a exercer medicina porque a sua expulsão por pouco não o apanhava já na urna, visto só ter entrado em vigor o mês passado. Longa vida ao Dr. Salgado, ao Dr. Pinho e ao Eng. Sócrates para que a Justiça os alcance.

Take Another Plan. Delícias de uma companhia de bandeira

O plano de reestruturação aprovado pela CE obrigou a TAP a vender 14 dos 108 aviões. Pouco tempo depois o governo aprovou a compra de 6 novos aviões que eram para chegar em Outubro mas só chegaram dois em Março. Por isso, a TAP alugou quatro aviões com as respectivas tripulações o que levou os sindicatos a protestar por haver pilotos de sobra. Ninguém pergunta porque diabo a CE mandou vender 14 aviões se eram precisos, talvez porque a resposta seria embaraçosa. Presumivelmente, porque com os indicadores dos operadores normais, digamos assim, para as rotas previstas 94 aviões seriam suficientes. A CE ignorou que a TAP não é um operador normal, é uma empresa do Estado sucialista, tutelada pelo Dr. Pedro Nuno "Perninhas dos Banqueiros a Tremer" Santos. Seja como for, não vos preocupeis porque já estão a caminho mais 600 milhões para torrar no elefante branco.

03/04/2022

DIÁRIO DE BORDO: "A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida"

 

Em 2018, Valentyn Vasyanovych, um realizador ucraniano, rodou "Atlantis" um filme de baixo orçamento com argumento da sua autoria, cuja acção se passa em 2025 na cidade de Mariupol (a cidade até agora mais destruída pela tropa russa), após uma guerra entre a Ucrânia e a Rússia, a que uma Ucrânia devastada conseguiu sobreviver. Serhiy. O personagem central é um soldado que sofre da Síndrome de Stress Pós-traumático.

O filme teve alguns prémios em vários festivais, incluindo o de Veneza, mas até ao início da invasão russa não despertou interesse dos distribuidores que o consideraram distópico e sombrio. Depois da invasão suscitou um interesse crescente e passou a estar disponível em streaming na Amazon Prime, HBO Max e será exibido em cinemas do Japão e na Itália.

Em plena guerra, o realizador Valentyn Vasyanovych e o produtor Vladimir Yatsenko estão filmar documentários em Kiev, mas receberam instrução e estão preparados para combater com armas antitanques doadas à Ucrânia pela Grã-Bretanha. 

02/04/2022

Dúvidas (333) - A quem se dirige a Carta Aberta das Vinte Personalidades?

Vinte Personalidades, entre as quais o inefável sociólogo e professor catedrático jubilado Boaventura Sousa Santos, publicam uma Carta Aberta (*), a pretexto da invasão da Ucrânia pelo exército russo a mando do Czar Vlad, onde se lamentam pela «criação de um ambiente tóxico, ... de hostilização, desacreditação pessoal e intimidação de todos os que não sigam a cartilha de uma opinião que se arvora ao estatuto de pensamento único

Escrevo a "pretexto da invasão" porque na verdade a Carta Aberta em momento algum toma posição sobre a invasão propriamente dita e limita-se a: (1) lamentar a suposta hostilização, desacreditação pessoal e intimidação que tem vitimado as Vinte Personalidades e (2) apelar à Paz.

Quanto à hostilização, desacreditação pessoal e intimidação, podemos chamar-lhe cancelamento que é o que o pensamento único produzido pela corrente ideológico a que pertencem as Vinte Personalidades costuma tentar fazer a quem não siga a sua cartilha.

Quanto à paz a que apelam, uma vez que estamos perante uma agressão não provocada de um Estado a outro Estado, só pode ser conseguida pela terminação da agressão pelo Estado agressor ou pela submissão do Estado agredido. Por isso, ó Vinte Personalidades decidi-vos e ou bem que fecham a Carta Aberta e a endereçam ao Sr. Vladimir Vladimirovitch Putin, presidente do Estado agressor, rogando-lhe que termine a agressão, ou bem a endereçam ao Sr. Volodymyr Olexandrovytch Zelensky, presidente da Ucrânia, sugerindo-lhe que se submeta.

(*) Segundo o nosso Glossário, Carta Aberta é uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (ver La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal.