Escrevo a "pretexto da invasão" porque na verdade a Carta Aberta em momento algum toma posição sobre a invasão propriamente dita e limita-se a: (1) lamentar a suposta hostilização, desacreditação pessoal e intimidação que tem vitimado as Vinte Personalidades e (2) apelar à Paz.
Quanto à hostilização, desacreditação pessoal e intimidação, podemos chamar-lhe cancelamento que é o que o pensamento único produzido pela corrente ideológico a que pertencem as Vinte Personalidades costuma tentar fazer a quem não siga a sua cartilha.
Quanto à paz a que apelam, uma vez que estamos perante uma agressão não provocada de um Estado a outro Estado, só pode ser conseguida pela terminação da agressão pelo Estado agressor ou pela submissão do Estado agredido. Por isso, ó Vinte Personalidades decidi-vos e ou bem que fecham a Carta Aberta e a endereçam ao Sr. Vladimir Vladimirovitch Putin, presidente do Estado agressor, rogando-lhe que termine a agressão, ou bem a endereçam ao Sr. Volodymyr Olexandrovytch Zelensky, presidente da Ucrânia, sugerindo-lhe que se submeta.
(*) Segundo o nosso Glossário, Carta Aberta é uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (ver La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal.