Infelizmente para as pretensões do Czar Vlad, a invasão da Ucrânia está a ser sujeita a um escrutínio incomparavelmente maior do que as guerras precedentes. Os "factos alternativos", a expressão que designa o que até recentemente se chamavam mentiras, fabricados pela máquina de agitprop siloviki resistem com mais dificuldade ao serem confrontados com fotos, vídeos, testemunhos pessoais e de jornalistas no terreno, imagens de satélite, etc.
Ainda que a uma escala muito menor, isto já se tinha visto em conflitos anteriores. O que está a ser uma novidade absoluta é a divulgação pública e maciça de informação secreta ou classificada que no passado era reservada apenas aos círculos próximos do poder. O exemplo mais notório, mas longe de ser o único, foi a exposição dos preparativos para a invasão meses antes desta ter lugar, o que serviu de pretexto a interpretações que teriam sido esses anúncios que levaram Putin e desencadear a agressão. Interpretações que, mais que fantasistas, foram um atestado de menoridade mental de Putin emitido pelos seus próprios admiradores.
Essa divulgação não é acidental, como aqui escreve o FT, «as revelações são a base de de uma estratégia mais ampla que está em vigor desde o início da guerra para desclassificar informações sobre os planos e movimentos da Rússia para reunir apoio internacional à Ucrânia e combater os esforços russos para realizar operações de "bandeira falsa" e espalhar desinformação».