Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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26/12/2024

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (69) - As cartas dadas e a cereja no topo do bolo

Outros portugueses no topo do mundo

Ficámos a saber pelo patriótico semanário de reverência, que o nosso Portugal dos Pequeninos (PP) «dá cartas em 18 áreas de especialização registando vantagens tecnológicas e de mercado acima de outros países». Pode parecer um exagero, mas tudo depende de quais sejam os outros países. Por exemplo estou certo que o nosso PP está provavelmente acima do Burundi em todas essas 18 áreas. 

Infelizmente o semanário não nos nos dá detalhes sobre o estudo encomendado pela Agência Nacional de Inovação, realizado pelo Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do ISCTE, uma universidade a quem os detractores chamam madrassa do PS, estudo coordenado pelo Dr. Pais Mamede, comentador do jornal Público e do canal público RTP3 e insigne representante do pensamento da Mouse School of Economics. Ficamos no entanto a saber que o estudo, que, especulo, ainda foi encomendado pelo anterior governo, se destina a escolher as áreas de especialização (18 em 192 áreas potenciais de aplicação de tecnologias) onde o Estado sucial deverá torrar o dinheiro dos impostos dos contribuintes portugueses e europeus, com o sucesso habitual. Especulo também que o estudo do Dr. Pais Mamede responde ao pensamento e ao apelo do Dr. Pedro Nuno que «defende ser crucial fazer boas escolhas ao nível da governação, percebendo que o Estado não é um empecilho ao desenvolvimento, mas antes um dos principais instrumentos de transformação económica.»

Truth Social

Saber das cartas que o PP dá naquelas 18 áreas é uma bela notícia talvez só ultrapassada pelo anúncio pelo presidente americano eleito no seu tuíter pessoal que o próximo embaixador em Lisboa não será um pedófilo como Matt Gaetz nomeado para procurador-geral, entretanto retirado, ou um violador como Pete Hegsth, nomeado para secretário de Estado da Defesa, mas um vendedor de automóveis amigo da família, relação que num país governado a maior parte do tempo por um partido que cultiva a família é uma escolha que honra o nosso PP.

14/01/2024

SERVIÇO PÚBLICO: O cadastro económico de Pedro Nuno Santos

«Pedro Nuno Santos é o novo secretário-geral do PS. No seu discurso no congresso do partido, ele prometeu romper com o espírito antirreformista dos Governos de António Costa (de que fez parte) para conseguir uma “transformação estrutural da economia.” A trave-mestra do seu pensamento económico é a “obrigação de fazer escolhas quanto aos sectores e tecnologias a apoiar”. Ao contrário de outros temas, em que Santos é mais vago acerca do que promete (como é normal nos líderes partidários em eleições), esta é uma convicção profunda pessoal que vai caracterizar um futuro Governo que ele lidere.

A discussão sobre a capacidade de o Estado escolher bem os sectores e as tecnologias a apoiar, ou o seu sucesso a promover transformações estruturais, é um tema clássico. Podíamos discuti-lo em teoria, ou usando as experiências acumuladas pelo mundo fora, cobrindo todas as páginas deste jornal. Há bons argumentos a favor de um Governo que faça estas escolhas e que use a política económica desta forma. É natural que uma política industrial agressiva seja parte de um Governo socialista. Mas, no caso de Santos, a experiência dos últimos oito anos causa apreensão.

No que diz respeito a promover o “perfil de especialização” com “potencial de arrastamento da economia” (palavras de Santos) é difícil pensar num melhor exemplo do que a Efacec. Quando foi nacionalizada, em 2020, era uma empresa de ponta, tecnológica, exportadora. Três anos depois, teve prejuízos recorde na sua história, perdeu muitos clientes, e o número de trabalhadores caiu de cerca de 2500 para cerca de 2000. Depois de injetar cerca de €200 milhões na empresa, o Governo anunciou em junho a venda a um fundo de investimento, mas só depois de injetar mais €160 milhões. O acordo de venda (como sempre) só daqui a uns anos permite fazer as contas certas e, com muita sorte, o Estado pode recuperar algum dinheiro. Mas isso não pode servir para esconder a conclusão inevitável: o resultado foi péssimo.

02/09/2023

O Dr. Paulo Pedroso tenta oferecer-nos o melhor da doutrina da Mouse School of Economics e atrapalha-se

O Dr. Paulo Pedroso, que entrou no círculo restrito dos famosos em 2003 quando foi acusado de pedofilia no processo Casa Pia (de que foi igualmente suspeito o Dr. Ferro «Cagando para o Segredo de Justiça» Rodrigues), é o que poderíamos chamar uma eminência do regime. Licenciado em Sociologia e pós-graduado pelo ISCTE (a Madrassa do PS) e nele investigador associado, ministro do Eng. Guterres, consultor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, antigo esposo da Dr.ª Ana Catarina Mendes (dirigente do PS e ministra do Dr. Costa), irmão do Dr. João Pedroso, advogado conhecido por ter sido contratado duas vezes pela Dr.ª Maria de Lurdes Rodrigues (ex-ministra da Educação do Eng. Sócrates e actual reitora do ISCTE, sempre essa insigne instituição) para fazer o mesmo manual de direito da Educação, nunca acabado. Saiu do PS em 2020, mas o PS nunca saiu dele.

Pois bem, o Dr. Paulo Pedroso, além de sociólogo, é também um pensador económico alinhado com a doutrina da Mouse School of Economics e foi com essa autoridade que, «de férias no Algarve», numa entrevista ao semanário de reverência, produziu a seguinte declaração:  

«O que me parece é que se chegarmos à média dos salários na União Europeia, parece-me uma meta adequada. E isso implicaria um aumento de salários em termos reais que vai até aos 20%, já com a inflação incorporada. Há uma margem que nos permite chegar aí.»

O Dr. Pedroso não explica como se conseguiria, assim de repente, este milagre de pagar a média dos salários europeus com a quarta mais baixa produtividade (PIB por hora a PPP) que é apenas 64% da média da UE. Mais à frente na entrevista, acenderam-se-lhe mais dois neurónios, abandona por instantes os seus delírios e acrescenta:

«Nós precisamos de aumentar o capital por posto de trabalho para depois poder aumentar a produtividade e, mais tarde, os salários (...)

A última década foi de baixíssimo investimento produtivo, quer dos privados, quer do Estado, o que degradou a nossa situação. Nós não conseguimos romper esta barreira e ter salários mais altos e postos de trabalho à altura da nova geração se não tivermos esse investimento.»
Eureka. A criatura compreendeu que para aumentar os salários precisamos de aumentar a produtividade e para isso temos antes de aumentar o capital por trabalhador. Contudo, os dois neurónios não foram suficientes para explicar como vamos aumentar o capital por trabalhador sem investir, nem como vamos investir com uma das taxas de poupança mais baixas da UE e com a maior parte do escasso investimento directo estrangeiro no imobiliário.

Ainda assim, sem se dar conta, produz uma outra declaração que desmente duas décadas do mantra socialista da geração mais educada de sempre, geração cuja parte mais aproveitável para desenvolver o país emigra e vai participar no desenvolvimento de outros países e o resto fica por aí a trabalhar na restauração ou se converte em utente da vaca marsupial pública.  

Ou corremos o risco de passar pelo mesmo que os países de leste há 50, 60 ou 70 anos: a melhoria dos níveis de educação não foi acompanhada por aumento da capacidade produtiva. E, de repente, tiveram uma população sobrequalificada e frustrada.»

Com grande sentido de oportunidade, os entrevistadores aproveitaram o atabalhoado pensamento do Dr. Pedroso e extraíram o segmento agitprop para fazer o título na edição online que é uma lambidela ao esquerdismo infantil, maduro e senil: «Há margem para um aumento real de 20% de salários, mas os trabalhadores não estão a ser capazes de o exigir: isto fazia-se com sindicatos». O título agitprop foi convertido na edição em papel num mais realista "Os jovens estão a votar com os pés

[Corrigi um erro no currículo do Dr. Pedroso]

15/07/2023

Os lucros, a inflação e o visconde de Chateaubriand, outra vez (continuação)

No post anterior citei o economista Ricardo Reis para mostrar a falta de fundamento da atribuição pelos "especialistas" Drs. Marcelo, Costa e Montenegro da causa da inflação ao aumento dos lucros. Nesse post incluí um diagrama extraído de um relatório de trabalho do FMI que parecia sustentar essa tese recorrendo à confusão habitual entre correlação e causação.

Não certamente por acaso, o mesmo Ricardo Reis citou ontem na sua coluna habitual esse relatório de trabalho (por coincidência ele supervisionou a tese de doutoramento de um dos autores) que refere expressamente que o estudo «não permite nenhuma interpretação causal» entre aumento dos lucros e aumento dos preços, precisamente o que fizeram esses "especialistas". Ricardo Reis explica em linguagem simples porquê a tese dos Drs. Marcelo, Costa e Montenegro e de outras sumidades é puramente especulativa.

Especificamente no caso português, para arruinar em definitivo a tese dos insignes economistas Drs. Marcelo, Costa e Montenegro, o capítulo «Labour market and wage developments in OECD countries» do OECD Employment Outlook 2023, publicado há poucos dias, mostra no período 01-10-2019 a 31-03-2023 (que compreende cerca de 12 meses de inflação) a variação comparada dos custos unitários do trabalho e dos lucros unitários com os primeiros a terem um crescimento superior ao dos segundos em Portugal e os custos unitários reais do trabalho com a variação positiva mais elevada de toda a OCDE nesse período.
    

Lá vai mais uma bela tese para o cemitério das ideias fabricadas por encomenda.

06/07/2023

Os lucros, a inflação e o visconde de Chateaubriand, outra vez

Pela segunda vez em pouco tempo, é invocado aqui no (Im)pertinências o visconde de Chateaubriand que, segundo a lenda, imaginava ter sido a providência divina a fazer passar os rios através das cidades para conforto e conveniência dos seus habitantes. Neste caso, o papel de Chateaubriand é desempenhado por reconhecidas autoridades em ciência económica como o Dr. Marcelo, o Dr. Costa e o Dr. Montenegro, as cidades e os rios são, respectivamente, os lucros das empresas e a inflação, e o lugar da divina providência, segundo essas sumidades, seria ocupado pela perversidade capitalista.

Tal como a explicação do visconde pode ser fundada nos mapas existentes que mostram os rios a passar pelo meio das cidades, também a tese dessas autoridades de que são os lucros das empresas a causar a inflação é sustentada por diagramas, como o do FMI.


A semana passada o economista Ricardo Reis expôs a falácia em linguagem simples e acessível na sua coluna R ao Quadrado do Expresso.
«As margens brutas de muitas empresas têm subido nos últimos 18 meses. Igualmente, os lucros totais do sector empresarial subiram nos EUA e na zona euro. Tendo em conta que são estas empresas que têm aumentado os preços dos seus bens, podemos por isso dizer que o aumento na inflação se deve à cobiça das empresas na busca de mais lucros? O culpado da inflação é a ganância?
Esta hipótese tem o seu apelo. Não só porque ela permite alimentar as teorias da conspiração, que imaginam uma associação de perversos capitalistas algures num iate a congeminar planos para enriquecer à custa do sofrimento dos outros, mas também porque há uma atração humana por encontrar um culpado para o que quer que aconteça. Para mais, é habitual culpar-se a cobiça ou a ganância quando a economia não funciona, da mesma forma que antes se culpavam os deuses da chuva quando as colheitas eram más, e desta vez não é exceção. Mas, se é fácil perceber porque é que as pessoas gostam destas explicações, é mais difícil pensar nelas durante uns minutos e conseguir perceber qual é a substância por trás delas.

O objetivo de uma empresa é ter lucros. Conheço poucas empresas que se contentem com ganhar menos, dentro das regras e desde que haja concorrência, até porque se o fizessem, rapidamente iam à falência. Isto não é diferente em 2023 do que era em 2020 ou 2013. Porque é que esta cobiça produz inflação hoje, mas não nas últimas duas décadas? Magicamente, a cobiça aumentou?
Pelo contrário, tem havido um aumento no tamanho das empresas em vários sectores desde aproximadamente a viragem do século. Há sinais, não completamente conclusivos mas certamente sugestivos, de que isto aumentou o poder de mercado destas empresas, e com isso as suas margens e lucros. Por isso, se o aumento das margens fosse um dos grandes determinantes da inflação, seria de esperar que os últimos 20 anos tivessem sido de inflação acima do esperado. Pelo contrário, este período viu uma inflação estável, próxima dos 2%.
Além disso, quando se culpa o aumento das margens pela inflação, incorre-se numa confusão clássica entre níveis e taxas de crescimento. Um aumento das margens das empresas levaria a um aumento no nível dos preços. No período desse aumento, a inflação, que é apenas a taxa de crescimento do nível dos preços, seria alta. Mas logo a seguir, com os preços no seu novo nível, a inflação voltaria a ser perto de zero. No entanto, nós temos uma inflação elevada há pelo menos dois anos, e até há uns meses ela estava a crescer. Ou seja, para explicar a inflação que vivemos não bastaria que as margens fossem mais altas, mas elas teriam de ter aumentado cada vez mais depressa todos os meses.
Com certeza não é coincidência que as margens das empresas tenham subido precisamente quando a inflação aumentou, certo? Correto. Uma das características da inflação é que, quando os preços sobem depressa, de início os salários não aumentam tão rapidamente. O poder de compra dos trabalhadores cai. Essa é uma das principais razões pelas quais é tão importante combater a inflação. Ora, se os preços sobem mais depressa do que os salários, então, para muitas empresas cujos custos dependem sobretudo do custo com os trabalhadores, as margens aumentam. Logo, faz parte do processo normal inflacionista as margens aumentarem. Isto não quer dizer que seja o aumento das margens que causa a inflação. Apenas quer dizer que os dois estão aritmeticamente ligados. Naturalmente, nos próximos dois anos, os salários vão subir mais do que os preços, e as margens das empresas vão descer. Não porque elas passem a ter menos cobiça, mas porque os preços tendem a ser mais flexíveis, e a ajustar-se mais rapidamente, e os salários o fazem mais tarde com um atraso.
Se não são as margens, o que determina então a inflação? Acima de tudo, é a política monetária. Todos os meses, a economia muda, algumas margens sobem e outras descem, o preço da energia pode subir ou descer, a produtividade pode estagnar ou disparar. Todos estes fatores afetam o nível dos preços. Mas em relação a todos eles, a política monetária pode reagir. Mudando o retorno em investir em euros (a taxa de juro) o banco central muda a atração de poupar em euros ou antes investir em capital físico. Ao fazê-lo, muda por isso a procura por esses euros. Igualmente, o banco central muda a quantidade de dinheiro em circulação em relação à quantidade de bens que podem ser comprados e vendidos.
Um preço não é mais do que o valor de um bem em euros, e a inflação não é mais do que uma medida da perda de valor desses euros. A inflação está alta hoje porque a política monetária há um ano ou dois fixou as taxas de juro demasiado baixas, ou criou demasiado dinheiro, em relação ao que seria adequado para o nível de produção de bens na nossa economia. Fê-lo em parte por boas razões (a alternativa seria pior), em parte porque é difícil acertar neste controlo em tempos muito voláteis, em parte por erro. Ao mesmo tempo, os erros foram corrigidos nos últimos 12 meses, e estou otimista que, por isso, a inflação vai cair e estar perto de 2% em 2025. Neste sobe e desce da inflação, lucros, salários e muitas outras variáveis mudam mas não são elas que estão a causar os movimentos da influência. Antes, elas são as consequências do processo.»

05/04/2023

Dúvidas (354) - «Não nos faz bem»? Como é que ele sabe isso? Não está a pensar no Portugal dos Pequeninos, pois não?

Público

O Dr. Pais Mamede, professor de economia do ISCTE, instituição também conhecida como a madrassa do PS, comentador do canal público RTP3 e insigne representante do pensamento da Mouse School of Economics, não pode estar a referir-se ao Portugal dos Pequeninos onde nos últimos 100 anos só tivemos governos inspirados no radicalismo republicano, no corporativismo, episodicamente no comunismo, em várias modalidades de socialismo de cuja governação resultou um socialcapitalismo dependente e uma economia periférica sucessivamente ultrapassada pelos sobreviventes do colapso do império soviético.

Sendo certo que entre essas modalidades socialistas, se conta uma modalidade assistida pelas instâncias internacionais durante o resgate consequente da governação socialista anterior, modalidade a que algumas criaturas por não terem percebido a génese do que se passou, ou por terem percebido bem demais, atribuíram de boa-fé ignorante, ou de má-fé militante, a etiqueta "neoliberalismo".

20/11/2022

CASE STUDY: Um verdadeiro socialista para todo o terreno

O Dr. Ricardo Mourinho Félix, militante do Partido Socialista desde os 18 anos e da Juventude Socialista, graduado pela Mouse School of Economics, desde os 26 anos circulou por diversos governos socialistas, foi secretário de Estado do Dr. Centeno e é actualmente vice-presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), por nomeação do segundo governo do Dr. Costa, para onde transitou depois do Dr. Centeno se trasladar do ministério das Finanças directamente para o próprio Banco de Portugal, numa manobra que seria o mais notável caso de conflito de interesses não fosse o do Dr. Victor Constâncio, um verdadeiro case study nesta matéria que em três décadas saltitou entre vários governos, para vice-governador do BdP, para secretário-geral do PS e novamente para governador do BdP onde compôs estimativas do défice para o Eng. Sócrates fazer um brilharete, acabando em 2010 a falhar estrondosamente no seu papel de supervisor da banca, passando ao lado dos vários escândalos na banca incluindo o do BES.           

Não restam assim dúvidas que o Dr. Félix é um verdadeiro socialista impregnado do respectivo ADN. As dúvidas, se existissem, ficariam dissipadas com a sua entrevista recente ao semanário de reverência Expresso. Nela o Dr. Mourinho fala do BEI como «uma outra face da realidade, a de um banco que não tem um objetivo de lucro puro» (o que é «gratificante») e dá como exemplo o financiamento do Windfloat, o primeiro parque eólico offshore em Portugal, que era para entrar em exploração em 2011 (só entrou nove anos depois) sobre o qual no (Im)pertinências se escreveram vários posts desde há 11 anos, cuja leitura se recomenda para ilustração da outra face da realidade que tanto gratifica o Dr. Ricardo.

O Dr. Félix exprime também um pensamento sobre as startups que ajuda a compreender por que é um socialista que se gratifica por estar num banco que «não tem um objetivo de lucro puro». Diz ele, «para que brilhe uma (startup) é preciso investir em 10 que não brilham», paradigma que também inspira o governo e até a Fábrica de Unicórnios do Eng. Moedas, que substituiu na câmara de Lisboa o Dr. Costa e o Dr. Medina a financiar a Web Summit do Paddy

Perguntareis, mas então não é um facto que por cada um unicórnio ficam pelo caminho, mais do que dezenas, milhares de starpups? O que distinguirá então o Dr. Mourinho Félix de um qualquer venture capitalist? Pelo menos duas coisas: 

(1) o venture capitalist põe o dinheiro dele onde põe a boca e 

(2) o venture capitalist, diferentemente do Dr. Félix, nunca diria «é preciso investir em 10 que não brilham» e não é uma questão de semântica, é uma questão de foco.

12/10/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (198) - Será mais do mesmo. Nunca deu certo e desta vez não vai ser diferente

[Este post é uma espécie de continuação de Será mais do mesmo. Nunca deu certo e desta vez não vai ser diferente na Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa de ontem]

«Há já alguns meses que assistimos às primeiras iniciativas ditas do PRR, Plano de Recuperação e Resiliência. Já se pode confirmar que se trata do maior plano de despesa da história do país. E já foi possível verificar que aqueles fundos ou são gastos directamente pelo governo, ou investidos de acordo com os planos do governo, ou distribuídos pelo governo. A decisão, a iniciativa e a acção pertencem ao governo. Como se sabe que o Estado não tem actualmente competência técnica e científica suficiente, vai necessitar dos contributos empenhados e muito bem pagos de empresas nacionais e estrangeiras, de faculdades e universidades, de laboratórios e organizações que, no conjunto, ficarão dependentes do governo. O sector público e o Estado crescem com este plano. Os sectores privados, civis e académicos, científicos e culturais, ficarão muito mais dependentes do governo. A convicção de que um membro do governo, um director da Administração, um funcionário público ou um encarregado de missão das autoridades, só por serem do sector público, são mais competentes, mais leais, mais sérios, mais produtivos, mais responsáveis e mais honestos, é eterna no PS. A certeza de que os funcionários públicos e os organismos do Estado, assim como os membros do governo, são mais capazes de criar emprego, investir, produzir, gerir e organizar, é inabalável.»

Excerto da Grande Angular - Um apetite insaciável de António Barreto

03/03/2021

"O governo socialista não acredita na iniciativa privada, nem na liberdade económica" (nem um grande número de portugueses)

«Posso garantir-vos. O dinheiro que vem de Bruxelas não vai apoiar o aparecimento e o crescimento das chamadas empresas de inovação, digitais e de novas tecnologias industriais. E não vai acontecer por uma razão muito simples: o governo socialista não acredita na iniciativa privada, nem na liberdade económica. Em suma, não acredita na capacidade dos portugueses para criarem riqueza livremente. Quase meio século depois do 25 de Abril, os portugueses continuam a não ter liberdade para construir a sua economia, as suas empresas, para testar a suas ideias e a sua iniciativa. É triste, muito triste.

Para os socialistas, o Estado é o princípio e o fim da economia. Vão usar receitas do século XX, que falharam, para desafios económicos e sociais do século XXI. As ideias erradas dos socialistas sobre a economia vão levar, mais uma vez, a um enorme desperdício de fundos europeus. Quando chegarmos ao fim do PRR, Portugal estará mais pobre do que hoje, em termos relativos europeus. É necessária muita arrogância, muita teimosia, muita ignorância e a satisfação de muitos interesses para transformar tantos fundos europeus em mais pobreza em vez de mais riqueza. Como é possível que passados tantos anos, os portugueses ainda não tenham percebido que a pobreza é o destino do socialismo? Se um dia a pobreza desaparecesse, ou diminuísse bastante, já não seria possível justificar este enorme Estado socialista. O socialismo e a pobreza são as duas faces da mesma moeda. Pobres portugueses, condenados ao socialismo.
»

O Estado socialista é o responsável pela pobreza de Portugal, João Marques de Almeida no Observador

23/04/2020

Para o caso de estarem distraídos com a pandemia, os coronabonds e a mutualização da dívida convém não esquecer que...

«A produção de mais riqueza que se possa distribuir não está dependente da produção de dinheiro com o BCE ou do federalismo orçamental de Bruxelas, mas do aprofundamento do Mercado Único na área dos serviços», escreveu Avelino de Jesus no Jornal de Negócios.

Podemos discutir se é com aprofundamento do Mercado Único na área dos serviços ou outra estratégia, mas deveríamos perceber que não vamos lá com helicopter money ou outra panaceia qualquer.

Iríamos lá com a panaceia comunista que se diz em comunês


e que traduzido em esquerdês se diz "os ricos que paguem a crise".

É uma fórmula que, tudo leva a crer, seja partilhada pelos socialistas sem ganas de o dizer em português corrente. O único que tinha lata para tal era o Dr. Pedro Nuno Santos, fundador do pedronunismo, que desistiu das falas radicais em benefício das legítimas expectativas de suceder ao Dr. Costa. Por isso se pode dizer hoje, sem fazer essa ressalva, que um socialista é um esquerdista sem ganas.

Dita abertamente ou não, a ideia é óptima porque nos dispensaria de fazermos pela vida assumindo o estatuto de mendicante perpétuo. Tem, porém, aquele pequeno problema que é os ricos não parecem dispostos a pagar a crise. Conviria, por isso, ir pensando nas alternativas difíceis, porque as fáceis já foram todas tentadas e deram no que deram.

26/03/2020

Dúvidas (296) - Será o Gabinete de Monitorização uma espécie de Gosplan?

Vinte e sete economistas subscreveram uma espécie de manifesto a propor a criação de um Gabinete de Monitorização «para monitorizar a crise composto por quadros quer do sector privado quer público, bem como de representantes do governo

Não sei se estes 27 podem ser considerados uma espécie de macroeconomistas conexos ou simplesmente economistas mediáticos, sendo certo que a maioria são cientistas do Estado. Além destas dúvidas, tenho mais uma: será o Gabinete de Monitorização uma espécie de Gossudarstvênnîi Komitet po Planirovâniu, uma instituição criada em 1921, mais conhecida pelo petit non Gosplan.

01/11/2019

DIÁRIO DE BORDO: Pensamento do dia - o propósito de estudar economia é evitar ser enganado pelos economistas

«The purpose of studying economics is not to acquire a set of ready-made answers to economic questions, but to learn how to avoid being deceived by economists.»

Joan Robinson

Joan Robinson (1903-1983), foi uma reputada economista keynesiana, especialista em concorrência - inventou o conceito de monopsónio, o "monopólio" do comprador. De inspiração marxista e acentuadas simpatias maoistas, escreveu «The Cultural Revolution in China» onde justificou com grande complacência as atrocidades do Partido Comunista Chinês. Apesar disso, numa inesperada epifania produziu o pensamento citado que considero um conselho muito útil para proteger os neurónios dos cidadãos dos eflúvios doutrinários da Mouse School of Economics.

Declaração de interesse: acidentalmente e contrariado, concluí há décadas uma licenciatura em Economia; contudo, como Bill Clinton em relação aos charros, que disse ter fumado e não inalado, estranhei e não entranhei. Dito de outro modo, só comecei a entender o básico de uma economia quando desaprendi quase todo o pouco que havia aprendido de Economia.

07/08/2018

CASE STUDY: A doutrina da Mouse School of Economics aplicada aos Estados Unidos

Com alguma surpresa, mesmo tratando-se do semanário de reverência, fiquei a saber por um artigo com um título que poderia ser uma tese («A prova do pudim ou porque o “milagre económico” de Trump afinal pode não ser tão bom») que «a economia norte-americana registou um crescimento recorde no segundo trimestre deste ano e Donald Trump veio reclamar os louros. Especialistas ouvidos pelo Expresso garantem que o milagre económico assenta no aumento do consumo». De onde, conclui-se, o aumento do consumo pode não ter bons resultados.

Porquê a surpresa? Porque sendo dominante no Expresso e na esquerda a doutrina da Mouse School of Economics, a tese da peça contraria um dos postulados mais importantes dessa doutrina, a saber: incentivar o consumo (mesmo o de bens importados) faz crescer a economia. Ora, se existe uma economia em que este postulado faz algum sentido é precisamente a americana com um imenso mercado interno e um  comércio externo com um peso relativo reduzido. Ao contrário, numa pequena economia aberta de um país como Portugal em que as necessidades básicas da população estão preenchidas, o aumento do consumo dirige-se em grande parte às importações, como agora se está uma vez mais a constatar, e, portanto, incentivar o consumo é um bom incentivo para a economia dos nossos parceiros.

Se o revisionismo de Costa já tinha comprometido a aplicação a Portugal do pensamento económico da Mouse School of Economics, agora esse pensamento económico deixa também de se aplicar aos Estados Unidos. É mais uma heresia.

08/09/2017

CASE STUDY: O pensamento económico da Mouse School of Economics à luz do revisionismo de Costa (2)

Continuação de (1)

Recapitulando: o pensamento económico de Costa seria, se Costa tivesse um pensamento económico para além da sua inspiração na Banda do Casaco («Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos»), fundado na doutrina dominante da Mouse School of Economics.

Concluímos também que a governação de Costa abandonou os corolários principais da doutrina, a saber: o défice das contas públicas e o défice das contas externas que eram irrelevantes passaram a ter a maior importância e a «aposta no investimento público» faleceu vítima das cativações e de outros expedientes.

Contudo, a inovação de Costa não se limitou ao abandono desses corolários. Costa, assessorado pelo Ronaldo das Finanças, criou um novo teorema no que respeita à influência da economia internacional na economia doméstica. A doutrina tradicional da Mouse School of Economics, desenvolvida por alturas da falência do Estado Sucial às mãos do Grande Líder José Sócrates, a que seguiu o resgate pela troika, consistia em explicar que a economia doméstica atravessava um período de grande prosperidade até ser atingida pela crise internacional resultante da economia de casino e do neoliberalismo e da conspiração das agências de rating.

O novo teorema, pelo contrário, postula que a economia internacional não tem qualquer influência na economia doméstica e, por isso, como corolário o «maior crescimento do século» não deve nada ao crescimento da Espanha, França, Alemanha e Reino Unido e ao crescimento das importações por esses países de bens e serviços portugueses (56% do total destinaram-se àqueles 4 países em 2016), nem ao turismo, e é fruto da adopção pelo governo do Documento dos Doze Sábios.

25/06/2017

Dúvidas (200) - E os riscos de depender da banca portuguesa?

Na 5.ª coluna sua coluna da página 5 do Caderno de Economia do semanário de reverência, Nicolau Santos, o admirador de Baptista da Silva, nosso pastorinho favorito da economia dos amanhãs que cantam e promotor das doutrinas da Mouse School of Economics, publica um artigo com o sonoro título «Riscos de depender da banca espanhola», vituperando a presença crescente dos bancos espanhóis com o fortis ratio «durante a crise em Portugal (de 2002) os bancos espanhóis deixaram de comprar as emissões de dívida da República Portuguesa como cortaram o crédito às empresas públicas».

Considerando que resgate de 2011 pela troika se tornou indispensável essencialmente pelo crescimento da dívida pública e pela dívida das empresas públicas (nem toda ela contabilizada como dívida pública), crescimento entusiasticamente suportado pelos bancos portugueses, não seria mais apropriado a contrario sensu escrever um artigo com o título «Riscos de depender da banca portuguesa»?

14/06/2017

ARTIGO DEFUNTO: PIB e consumo per capita segundo o jornalismo de causas económicas

O Eurostat publicou há poucos dias os «GDP per capita, consumption per capita and price level indices» de onde extraí o diagrama seguinte que mostra o PIB e o consumo per capita portugueses abaixo da média EU28 sendo o primeiro mais abaixo, confirmando o que sabemos: vivemos em termos relativos (e absolutos) acima das nossas posses ou, para sermos precisos, acima do que produzimos.

Se consultarmos o quadro «Volume indices per capita, 2013-2016» no mesmo documento, verificamos ainda que entre 2013 e 2016 o PIB per capita português permaneceu invariável em 77% da média EU28, ao passo que o consumo per capita aumentou ligeiramente de 81% para 82%, confirmando que consumimos mais do que produzimos em termos relativos e desmentindo as teses miserabilistas alimentadas pelos delírios da esquerdalhada sobre os efeitos da austeridade. Dito de outro modo, em termos relativos produzimos o mesmo mas consumimos ligeiramente mais.


Chegados aqui, vejamos o que nos diz o jornalismo de causas económicas que, omitindo a relação entre consumo e PIB, como se pudesse consumir sem produzir, parece ter subjacente a doutrina da Mouse School of Economics postulando que do aumento dos salários e do consumo decorre necessariamente o aumento da produtividade e o produto. Dois exemplos:

Consumo per capita em Portugal fica abaixo da média europeia
A diferença entre os países da UE vai de 53% a 132%, sendo Portugal o sétimo país com a média mais baixa. (Económico)

Consumo “per capita” em Portugal está entre os mais baixos da Zona Euro
O consumo “per capita” em Portugal continua 18% abaixo da média da União Europeia. E é um dos mais baixos entre os membros que partilham o euro (Negócios)

21/03/2017

ESTADO DE SÍTIO: In statu quo res erant ante bellum

«O meu colega Mário Centeno anda triste e queixa-se de os mercados e as agências de rating não estarem a refletir, nem nas notações de rating nem nas taxas de juro de longo prazo, o sucesso da nossa economia. Qual Calimero a lacrimejar "É uma injustiça, pois é... ", Centeno e Costa herdaram uma dívida que a 10 anos custava 2,305% ao ano e está agora a 4,297%. Na data da posse, a diferença entre Portugal e Alemanha para as taxas de juro a 10 anos era de 1,845%, hoje é de 3,849%.

Estarão os mercados e os analistas errados?

Quanto ao passado recente, a atividade económica medida através do PIB cresceu menos em 2016 (1,4%) do que em 2015 (1,6%). O consumo interno, apesar de um esforço grande do Governo para o promover, cresceu menos em 2016 (2,3%) do que em 2015 (2,6%). O consumo público não se conseguiu descer, pois manteve-se a crescer a 0,8% em 2016, igual ao que cresceu em 2015. O investimento caiu em 2016 {-0,3%), quando em 2015 tinha subido (4,5%). Isto é, a procura interna cresceu menos em 2016 (1,5%) do que em 2015 (2,5%). As exportações cresceram menos em 2016 (4.4%) do que em 2015 (6,1%). O histórico défice orçamental foi obtido à custa de um aumento dos impostos ordinários e extraordinários e do adiamento de muita despesa pública que em 2015 se reclamava prioritária mas que agora parece que já não é. O aumento da dívida pública (aproximadamente €7 mil milhões em 2016) foi superior ao défice orçamental do ano (€4,2 mil milhões), mostrando que além do adiamento de despesa ainda houve muita que não passou pelo Orçamento.

Eu sei que o desemprego desceu e em muitos casos, quando se analisam os dados trimestrais, há sinais de algumas variáveis a apresentarem algum dinamismo, pois se assim não fosse os valores ainda seriam piores.

E quanto ao futuro? Os consumidores, anestesiados nesta primavera de ilusões, ignoram os torniquetes que aí vêm: os salários a sofrerem pressão para manter as empresas concorrenciais, a inflação a caminhar para os desejados 2%, a Euribor a tender a acompanhá-la na subida, e um Estado a ter de continuar a aumentar impostos para servir uma dívida que é cada vez mais e mais cara. Eu nem quero imaginar as queixas de quem tem créditos à habitação ...

A dívida não para de subir e de ser agravada com os aumentos de capital da CGD, garantias de Estado pelos lesados daqui e dacolá. O maná que foi o Plano Draghi cessará. Somem ao cocktail uma população a envelhecer com uma população ativa a desaparecer, por idade, no espaço de uma década, e verão o risco da dívida a 10 anos a disparar... É por isto, caro Mário, que Portugal tem um futuro carregado, mais carregado do que vai ser o ano de 2021, em que necessitaremos de uns €135 mil milhões para financiar o Estado! Cuidem-se!»

«É uma injustiça, pois é…», João Duque no Expresso

17/02/2017

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (146) – Meteu o rabinho entre as pernas e saiu do palco pela esquerda baixa

Era uma vez um rapaz irrequieto chamado, como um dia aqui escreveu o outro subscritor, João Maynard Galamba da Mouse Square School of Economics, talvez o maior teórico do keynesianismo entre nós (e não é dizer pouco porque keynesianos entre nós são mais do que os economistas).

Na quarta-feita à noite, a propósito do folhetim CGD, Galamba disse (citado pelo DN) no programa Sem Moderação da TSF, que «o Presidente da República está profundamente implicado nisto. O que ele tentou fazer na segunda-feira, político hábil como é, foi tentar demarcar-se disso e tentar desresponsabilizar-se de algo que é também responsabilidade sua». Mais à frente, para acabar com as dúvidas, acrescentou «tudo aquilo de que é acusado Mário Centeno pode Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República português ser, ipsis verbis, acusado exatamente da mesma coisa (...)  as responsabilidades de Mário Centeno, quaisquer que elas sejam, são também as de Marcelo e Marcelo tentou sacudir a água do capote».

Tivesse o jovem Galamba ficado por aqui e teríamos de lhe reconhecer cojones por, de uma assentada, ter desfeito a montanha de equívocos nas relações do presidente dos Afectos com o governo da geringonça.

Mas não ficou. No dia seguinte, porventura puxadas as orelhas pelo chefe Costa, engoliu a sua farronca, como o faria um apparatchik ao serviço do camarada Jerónimo, e traduziu, fazendo de nós estúpidos, ao Negócios as suas palavras da véspera: «quando digo que o Presidente da República está tão implicado quanto Mário Centeno, quero dizer que não está implicado em nada. (...) Mas quem quiser transformar uma coisa que não é grave numa coisa gravíssima, então tem que perceber que também está a acusar o Presidente».

18/01/2017

CASE STUDY: O pensamento económico da Mouse School of Economics à luz do revisionismo de Costa

Como se sabe, o pensamento económico de Costa seria, se Costa tivesse um pensamento económico para além da sua inspiração na Banda do Casaco («Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos»), fundado na doutrina dominante da Mouse School of Economics.

E o que nos diz essa doutrina dominante? Várias coisas, mas fiquemos pelas mais importantes: incentivando o consumo (mesmo o de bens importados) a economia cresce; seja qual for o investimento, nomeadamente o investimento público, o multiplicador socialista converte o investimento em PIB k vezes (em auto-estradas k=18); a produtividade aumenta quando aumentam os salários.

Daqueles princípios resultam vários corolários, mas fiquemo-nos pelos mais importantes: o défice das contas públicas (a «obsessão» pelo défice é um dos crimes do neoliberalismo) e o défice das contas externas são irrelevantes («ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária», disse sabiamente Vítor Constâncio por voltas de 2000); a «aposta no investimento público» e «numa estratégia assente em baixos salários (não) conseguiremos ser competitivos» (disse com igual sapiência Costa, um destes dias).

Inexplicavelmente, Costa na sua governação abandonou os três primeiros corolários, fixando-se obsessivamente no défice orçamental, anunciando todos os dias grandes «realizações» do seu governo em matéria de contas externas, dedicando uma importância inesperada às exportações (onde até o presidente dos Afectos também tem «feelings») e deixando cair o investimento público ao nível de 1995. Do pensamento da Mouse School of Economics resta-lhe, pois, o aumento dos salários para melhorar a competitividade. Passando das palavras aos actos aumentou o salário mínimo.