Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

17/02/2017

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (146) – Meteu o rabinho entre as pernas e saiu do palco pela esquerda baixa

Era uma vez um rapaz irrequieto chamado, como um dia aqui escreveu o outro subscritor, João Maynard Galamba da Mouse Square School of Economics, talvez o maior teórico do keynesianismo entre nós (e não é dizer pouco porque keynesianos entre nós são mais do que os economistas).

Na quarta-feita à noite, a propósito do folhetim CGD, Galamba disse (citado pelo DN) no programa Sem Moderação da TSF, que «o Presidente da República está profundamente implicado nisto. O que ele tentou fazer na segunda-feira, político hábil como é, foi tentar demarcar-se disso e tentar desresponsabilizar-se de algo que é também responsabilidade sua». Mais à frente, para acabar com as dúvidas, acrescentou «tudo aquilo de que é acusado Mário Centeno pode Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República português ser, ipsis verbis, acusado exatamente da mesma coisa (...)  as responsabilidades de Mário Centeno, quaisquer que elas sejam, são também as de Marcelo e Marcelo tentou sacudir a água do capote».

Tivesse o jovem Galamba ficado por aqui e teríamos de lhe reconhecer cojones por, de uma assentada, ter desfeito a montanha de equívocos nas relações do presidente dos Afectos com o governo da geringonça.

Mas não ficou. No dia seguinte, porventura puxadas as orelhas pelo chefe Costa, engoliu a sua farronca, como o faria um apparatchik ao serviço do camarada Jerónimo, e traduziu, fazendo de nós estúpidos, ao Negócios as suas palavras da véspera: «quando digo que o Presidente da República está tão implicado quanto Mário Centeno, quero dizer que não está implicado em nada. (...) Mas quem quiser transformar uma coisa que não é grave numa coisa gravíssima, então tem que perceber que também está a acusar o Presidente».

2 comentários:

Vladomiro disse...

"quando digo que o Presidente da República está tão implicado quanto Mário Centeno, quero dizer que não está implicado em nada."

Isto é pior que o Ministro da Propaganda Iraquiano do Saddam Hussein.

Unknown disse...

Gente reles, infinitamente reles.