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21/02/2017

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (LXI) - Ponto de situação

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

Os credores da Grécia discutem: o FMI defende mais um perdão de dívida e quase todos os países da Zona Euro se opõem. Quanto à geringonça, sabe-se o que Costa pensa («Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha») mas não se sabe o que Costa disse.

O problema da Grécia são, em primeiro lugar, os gregos. Em segundo lugar, os credores que, além de não se entenderem, receitam medicinas que deixam o doente ainda mais doente, Ora veja-se o diagrama seguinte (fonte).


Enquanto isso, os yields da dívida a 10 anos andam pelos 7-8% e não descem para abaixo, como dizia há pouco tempo aquele conhecido analista residente em Belém.

Fonte: Bloomberg
O que se percebe lindamente quando se conhece a situação (radiografia do FMI vista por Tavares Moreira);

«(i) 50% dos particulares que são titulares de rendimentos (teoricamente) tributáveis, não pagam imposto; 
(ii) défice do sistema de pensões ascende a 10,5% do PIB, quádruplo do valor médio na Zona Euro; 
(iii) créditos em incumprimento (NPL’s) no sistema bancário representam 45% do total do crédito (em Portugal este rácio é de cerca de 12% e, como se sabe, os NPL’s são considerados um problema de enorme gravidade); 
(iv) dívida pública atinge cerca de 180% do PIB, de longe o valor mais elevado na Zona Euro; 
(v) taxa de desemprego em 23%, a mais alta da Zona Euro.»

A nossa esperança é Costa também não cumprir a promessa de seguir a mesma linha.

Aditamento:
Já depois de publicado este post, a Grécia, carecendo desesperadamente de dinheiro para não entrar em default em Julho, sucumbiu às pressões dos credores e aceitou aprovar um série de reformas estruturais. Não acreditem muito nisso. É, provavelmente, mas um expediente bilateral para chutar a bola para a frente: pelo lado grego porque é essa desde sempre o expediente; pelo lado da CE porque é preciso esperar pelas eleições francesas, holandesas, italianas e alemãs. Pelos dois lados, depois logo se vê.

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