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20/08/2026

ARTIGO DEFUNTO: Segundo o jornalismo de causas, os salários médios deveriam ser o que o governo quisesse


Numa peça com o título estilo agitprop «Inflação devorou grande parte do aumento dos salários médios em 2026, a mesma jornalista do Expresso que escreveu as anteriores obtusidades usa o melhor da sua ciência para demonstrar o óbvio ululante de que o aumento nominal de 5,1% inclui uma inflação de 3,3% e, portanto, o aumento real foi só de 1,8%.

Poderia apresentar como desculpa para as suas obtusidades o suposto nobre propósito de desmontar as patetices chico-espertas do Dr. Castro Almeida nas jornadas parlamentares do PSD e do Dr. Montenegro na missa do Pontal que atribuíram ao governo a subida de 5,1% em 12 meses do salário médio, subida que, diria M de La Palice, resultou da média dos salários que as empresas tiveram de pagar para ter a mão-de-obra que precisaram num mercado de trabalho que é actualmente um sellers' market, com a particularidade de que os salários, ao contrário dos outros preços, não podem descer.

Poderia apresentar essa desculpa e poderia também ter percebido: (1) o governo tem menos influência no salário médio do que na construção do aeroporto Luís de Camões (60 anos) ou na inauguração do novo hospital de Lisboa (23 anos) e (2) um aumento real de 1,8% do salário médio é ainda assim notável quando (a) a produtividade do trabalho se manteve e (b) o aumento da população activa se fez sobretudo nas profissões menos qualificadas e com menores salários.

18/08/2026

ARTIGO DEFUNTO: A "inclinação ideológica e política" das ciências actuariais, da estatística matemática, da econometria, da demografia, da macroeconomia e das finanças públicas

[Este post é uma espécie de continuação de Comparar a beira da estrada com a Estrada da Beira]

Cinco dias antes de ser conhecido o relatório sobre a sustentabilidade do sistema de pensões, o semanário de reverência, no seu papel de órgão oficial do militante socialista anónimo, citava o PS que já classificava o relatório como «enviesado» e se declarava preocupado por o estudo ter sido coordenado por «duas pessoas que têm uma inclinação ideológica e política muito clara».

Fiquei confundido, sem perceber qual seria o papel da inclinação ideológica e política na avaliação da sustentabilidade financeira de um sistema público de pensões. Admiti que essa confusão se devesse a não estar iluminado pela ciência das jornalistas de causas que assinam o artigo (duas economistas portadoras de mestrados pelo ISEG e uma cientista da comunicação da equipa das Redes Sociais e Online). Vergado ao peso dessa ciência, resolvi pedir a um agente de IA para descrever um modelo teórico geral de repartição (Pay-As-You-Go ou PAYG), em que os trabalhadores activos financiam diretamente as pensões dos reformados do mesmo período. 

Eis a descrição do modelo que, surpreendentemente, não contém a variável inclinação ideológica e política.

16/08/2026

ARTIGO DEFUNTO: Comparar a beira da estrada com a Estrada da Beira

Semanário de reverência

É difícil superar a falta de senso de comparar o valor actual do FERSS, que se estima possa pagar dois anos de pensões, no segundo país mais envelhecido da UE, cujos fundos privados de pensões representam apenas cerca de 20 mil milhões e abrangem cerca de 1,2 milhões de pessoas, com cinco vezes o custo estimado do novo aeroporto Luís de Camões.

É assim parecido com comparar o custo do aeroporto de Schiphol, cujo custo de substituição se estima em cerca de 30 mil milhões de euros, com as reservas totais dos fundos de pensões dos Países Baixos, um país com uma população 1,6 vezes a portuguesa, mais jovem (menos 5 anos de idade mediana e menos 5 pontos percentuais de idosos), fundos que são suficientes para 30 anos de pensões e cujo valor atinge um total superior a 900 mil milhões ou 13 vezes o total os fundos portugueses. 

Já agora, a jornalista, com um mestrado em economia pelo ISEG, situou a estimativa do custo do novo aeroporto em menos de 10 mil milhões. No lugar dela, teria feito outras estimativas, por exemplo: 
  • Custo estimado da construção (em 2024) 7,9 a 8,9 mil milhões
  • Custo estimado das grandes obras de acessibilidade 5,5 mil milhões
  • Custo total estimado 13,4 a 14,4 mil milhões
  • Coeficiente médio de derrapagem das grandes obras públicas em Portugal 1,3 a 1,35
  • Custo total provável 17,4 a 19,4 mil milhões
  • Dois exemplos de derrapagem:
    • Centro Cultural de Belém, o custo final triplicou o orçamentado;
    • Aeroporto de Berlim: os 5 anos planeados escorregaram para 14 anos; o custo triplicou.
  • O meu palpite do custo total final do Aeroporto Luís de Camões: 20 a 30 mil milhões

05/08/2025

ARTIGO DEFUNTO: A maneira estúpida de usar a Inteligência Artificial para fabricar notícias

Para fabricar uma notícia sobre o festival Vodafone Paredes de Coura um jornalista da SIC, do grupo que publica o "semanário de referência" Expresso, recorreu a um dos modelos de IA que, depois de lhe sugerir o conteúdo da notícia, terminou oferecendo

«Se quiseres, posso adaptar o texto para imprensa escrita, incluir citações simuladas ou adicionar um parágrafo introdutório mais promocional. Queres isso?»

O jornalista copiou diligentemente todo o texto sugerido, incluindo a oferta, que publicou online, texto que chamou a atenção e mereceu comentários da concorrência, como este do 24 Horas.

Sem surpresa, talvez receando o Efeito Streisand, o grupo Impresa não deu explicação oficial nem se encontraria qualquer referência no seu semanário de referência não fora o artigo de opinião «A nova era da batota» de Aguiar-Conraria, economista e comentador do Expresso (cujos artigos leio habitualmente, apesar da urticária que o hífen me faz), que denuncia o caso, sem citar o órgão informativo em causa.

01/12/2024

ARTIGO DEFUNTO: O semanário de reverência a pagar tributo ao PS. Segundo capítulo - presunção de culpa

Continuação deste outro tributo.

O ano passado o Expresso publicou um artigo de duas páginas no caderno principal sobre uma moradia que o Dr. Montenegro construiu, uma peça com 2 mil palavras semeadas de insinuações, sem uma única acusação concreta para além de alegar que o valor da moradia não foi declarado ao Tribunal Constitucional (Montenegro explica não estar prevista a indicação do valor que, aliás, consta da caderneta predial).


Este fim de semana, o mesmo periódico publicou o artigo acima onde em escreve que «os inspetores não terão detetado qualquer suspeita de crime». Note-se que não se escreve «não detetaram» e se opta pela subtileza «não terão detetado». Continua com «o Ministério Público se prepara para encerrar o processo (... mas) pode decidir ainda fazer novas diligências. E pode até pedir ajuda à PJ novamente». O resto do artigo é uma devassa ridícula semelhante à do primeiro artigo onde se especula sobre os materiais e os seus preços e o financiamento da construção e no final não resta uma única acusação concreta, resta apenas a tentativa de levantar suspeições na mente do tuga invejoso de um político com uma «habitação de luxo com seis pisos (de) um milhão de euros (ou) mais».

Declaração de interesse: qualquer visitante deste blogue terá tido inúmeras oportunidades de confirmar que nenhum dos contribuintes tem em especial conta o Dr. Montenegro. Neste blogue têm-se em especial apreciação a independência do jornalismo e o apego aos factos, uma e outro raros.

23/11/2024

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (66) - O Senhor Oliveira da Figueira dos Ferraris em Madrid

Outros portugueses no topo do mundo

1.ª página do Caderno de Economia do semanário de referência

A carência de reconhecimento dos portugueses, gerada pelo «sentimento (identificado por Eduardo Lourenço) de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo», é ainda mais esmagadora do que a raridade de portugueses que o mundo reconheça estarem no topo do mundo. 

É possivelmente por isso que um auto-intitulado semanário de referência (*), à míngua de portugueses que o mundo coloque no seu topo, aproveite o que vem à rede e juntando o útil ao agradável preste um serviço promocional à Santogal prantando na 1.ª página do seu Caderno de Economia um seu gerente sentado numa bela Ferrari (os ferraris são todos fêmeas).
___________

(*) Parece que o semanário Expresso deixou cair há uns anos o "de referência", perdendo assim a singularidade de ser o único periódico auto-intitulado de referência.

Informação inútil (para quem conheça a obra de Hergé): «Le senhor Oliveira da Figueira vit ordinairement à Lisbonne, d’après les affirmations du capitaine du boutre qui recueille Tintin lors d’une tempête en mer Rouge, au début des "Cigares du Pharaon". Son prénom est un nom fréquent au Portugal et Figueira désigne une ville du centre du pays. On découvre vite sa principale caractéristique : c’est un vendeur qui sort de l’ordinaire.»  (Timtim.com)

16/10/2024

ARTIGO DEFUNTO: Os estudos de Acemoglu, Johnson e Robinson não são sobre a desigualdade das nações. São sobre o fracasso de algumas nações

Foi anunciada na segunda-feria a atribuição a Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson do prémio da Academia Sueca de Ciência Económica, e não do Nobel de Economia, porque quando Alfredo Nobel decidiu criar o prémio a "dismal science" - ciência sombria ou triste -, como a baptizou Carlyle, não era reconhecida como ciência. 

A maior parte dos mídia portuguesa escreveram, e bem, que o prémio foi atribuído pelos estudos sobre o papel das instituições na prosperidade dos países, traduzindo a comunicação da Academia Sueca «for studies of how institutions are formed and affect prosperity». O livro aqui ao lado, publicado há 12 anos, com edições em várias línguas incluindo português, é uma fonte acessível para o essencial desses estudos.  

A maior parte, mas não todos os mídia, e entre eles o Expresso, que titulou «Trio de economistas ganha Nobel por trabalhos sobre desigualdade entre países», e a CNN que foi ainda mais longe na reinterpretação das conclusões dos estudos de acordo com a agenda woke, insinuando que a culpa era do "colonialismo", com o título «Há países ricos e outros que não deixam de ser pobres. Agora há um Nobel a explicar como Portugal pode ter tido um papel nisso»

Na verdade, os estudos do trio são uma tentativa de explicar o fracasso de alguns países em alcançarem a prosperidade e a explicação proposta é de que o fracasso se deve a instituições sociais fracas e a um Estado de direito falhado. É claro que as instituições não nasceram do vácuo, como diria o Eng. Guterres, mas o nascimento das instituições não constitui uma fatalidade colonial, como o provam o facto de os países "colonizados" pelos Estados europeus terem graus de sucesso bastante diferentes e até incluírem pelo menos um exemplo de grande sucesso - os Estados Unidos da América.   

Por falar em Simon Johnson, um dos economistas do trio, vem a propósito recordar, como o fez o jornal Eco, que esse economista em Abril de 2010 antecipava o resgate do Estado português que, de facto, viria a ter lugar em Abril no ano seguinte, e Peter Boone, o co-autor de Johnson, foi alvo de uma ridícula acusação de manipulação do mercado pelo Ministério Público português.

06/10/2024

ARTIGO DEFUNTO: A vocação do Expresso é ser um tal & qual de referência


O título da peça sobre o Almirante das vacinas que montei provocatoriamente na imagem em cima da 1.ª página do tal & qual é do Expresso, auto-intitulado semanário de referência, e ficaria muito bem num pasquim.

Num semanário de referência teria ficado muito bem ter feito notícia em 2018 da venda pelo seu proprietário Imprensa ao Novo Banco por 24,2 milhões do edifício da sua sede em Carnaxide, avaliado em 16 milhões, para poder amortizar um empréstimo obrigacionista depois de ter falhado uma outra emissão de obrigações. Esse edifício foi de seguida objecto de um lease-back à Impresa, numa operação do Novo Banco, que à época já tinha como accionista o fundo Lone Star, com uma Impresa com dívidas de 179,2 milhões que ultrapassavam as receitas totais, operação obscura difícil de imaginar num banco à época ainda em recuperação que ficou com os restos do BES.

Como ficaria igualmente bem, ter sido noticiada a recompra no final de 2022 do mesmo edifício com um empréstimo hipotecário de 19,6 milhões do Novo Banco (ver notícia do Página 1). Destas operações só se encontra referência da venda no relatório e contas de 2018; no relatório e contas de 2022 não há qualquer informação sobre a recompra.

09/05/2024

ARTIGO DEFUNTO: Títulos que são todo um programa de indução subliminar

Expresso

Será preciso recordar que este ministro das Finanças foi nomeado há cinco semanas, sucede ao Dr. Medina que no primeiro trimestre deste ano emitiu OT no valor de 9.125 milhões de euros, que a emissão a que o artigo se refere fazia parte do plano de colocação da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, que os juros vêm aumentando há dois anos e que, portanto, o Dr. Miranda Sarmento tem tanto a ver com estes juros e esta emissão quanto o papa Francisco? Note-se que origem da notícia é da Lusa mas o título é do jornalista de causas de serviço no semanário de reverência.

16/04/2024

Um semanário incompetente deu um tiro no seu próprio pé quando queria dar um tiro no pé do governo chico-esperto, tiro supérfluo porque o governo o havia antecipado

A estória parece complicada mas é simples. O Dr. Montenegro anunciou uma redução do IRS neste ano de 1.500 milhões (o que é verdade) e omitiu que o orçamento aprovado pelo PS já incluía uma redução de 1.300 milhões, pelo que a redução da responsabilidade do governo AD era de apenas 200 milhões.

Já aqui zurzi a incompetência do semanário de referência que publicou na primeira página um título completamente falso sobre a duplicação da descida do IRS, incompetência a que o director somou má-fé ao desculpar-se com o governo,   

Também já tinha apontado o dedo à aparentemente deliberada pouca clareza do Dr. Montenegro a que acrescento agora a incompetência na gestão da comunicação ao admitir que a sua chico-espertice iria passar desapercebida a uma oposição impaciente que, apesar da também óbvia incompetência, conta com a preciosa ajuda de pelotões de jornalistas de causas e de opinion dealers que em vez escrutinarem as acções do governo fazem backup às falhas da oposição com a maior falta de independência e de objectividade.

Acrescento ainda, desengane-se quem imagina que o importante é o conteúdo e que a comunicação é secundária, para não dizer irrelevante. Se um governo, nomeadamente um primeiro-ministro, não tem competência para comunicar, o que sempre foi grave, é desastroso no mundo mediático em que estamos mergulhados, e, no caso de um governo ideologicamente desalinhado com a turba que habita as redacções (reforçada com o humor de causas do humorista mais popular no activo), é mortal. 

E a incompetência na comunicação é uma das marcas dos governos PSD que fica mais visível por causa do desalinhamento com a opinião publicada. Para ficar por um só exemplo, o slogan de Passos Coelho "para além da troika" (ler aqui o que o outro contribuinte escreveu há quase dez anos e este contribuinte subscreve), para além de não corresponder à verdade, deu lenha à esquerdalhada para torrar o governo perante um eleitorado que adora vitimizar-se.

14/04/2024

ARTIGO DEFUNTO: O "semanário de referência" chama embuste e fraude do governo à sua própria incompetência

A qualquer pessoa que tenha seguido com um módico de atenção as medidas de redução do IRS anunciadas pelo governo, deveria ser evidente que o título bombástico na primeira página do semanário de reverência só poderia ser um disparate (ou talvez não, o que seria ainda mais grave).

De facto, o que o Dr. Montenegro disse no parlamento, que o próprio Expresso cita na sua página 6, foi
«É a ‘medida popular’ por definição e custa aos cofres do Estado 1500 milhões de euros, para ajudar a “libertar os portugueses do excessivo fardo fiscal”, como disse Montenegro na apresentação do programa de Governo, esta quinta-feira no Parlamento.»
Em lado algum, a não ser no título do Expresso, o Dr. Montenegro é citado a dizer que «duplica a descida do IRS» e parecia claro para toda a gente, excepto para o Expresso, que os 1.500 milhões de euros era a montante total da redução em relação ao ano passado, o que inclui a redução já prevista no OE 2024 apresentado pelo governo PS.  

Poderá dizer-se que o Dr. Montenegro, fazendo o que costuma fazer o PS, se exprimiu com pouca clareza não explicitando que cerca de 1.300 milhões dos 1.500 milhões já estavam no OE 2024? Pode dizer-se certamente e competiria o Expresso repor as coisas na sua dimensão. Não o fez e, perante a grossa asneira do título que não tem pés nem cabeça, em vez de se retratar e pedir desculpa pela sua incompetência, publicou uma Nota do director com o título «É mais do que um embuste. É enganar os portugueses» em que desmente o que publicou e atribui a um embuste e fraude do governo o que resulta da sua própria incompetência.

Foi com essa reacção despropositada e mistificadora que o Expresso tentou limpar a sua folha ao ver-se alvo do tiro de barragem do PS pelo título que de facto parecia saído de um gabinete de agitprop. Para quem se intitula semanário de referência não está mal.

20/12/2023

Lost in translation (368) ou «P'ra a mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade.»

Visivelmente, o Dr. Mário Centeno tem de si próprio uma ideia mais excelente do que a maioria tem dele e isso, impulsionado por uma ambição que parece ignorar o princípio de Peter, leva-o a procurar freneticamente colocar-se a jeito para uma promoção. Tal ambição já o levou a alguns equívocos e o último foi a sua comunicação ao Financial Times que este citou no dia 13 de Novembro, como tendo sido dito no dia 12 de Novembro, 5 dias após o fatídico 7 de Novembro em que o Dr. Costa anunciou que iria demitir-se. Disse o Dr. Centeno ao FT:
“I had an invitation from the president and prime minister to reflect on and consider the possibility of leading the government. (...) the invitation for this reflection resulted from the conversations that the prime minister had with the president of the republic”

Um mês depois o Comité de Ética do BCE publicou o relatório de conclusões da sua avaliação da conduta do Dr. Centeno onde concluiu «he has neither been formally asked to take up the position of prime minister nor given an indication that he would be inclined to accept it» e, por isso, «did not act in a way that compromised his independence». 

A conclusão do Comité funda-se em duas considerações: (1) a informalidade de um convite que foi publicamente divulgado pelo primeiro-ministro demissionário e pelo presidente da República e (2)  a suposta falta de indicação do Dr. Centeno para aceitar esse convite. A primeira consideração é ridícula porque deixa supor que para ser considerado formal deveria ser feito por carta registada com aviso de recepção e a segunda foi desmentida pelo Dr. Centeno ao dar conhecimento formal do seu convite a um jornal financeiro internacional de grande  notoriedade. Ou seja, a conclusão do Comité é puro bullshit em dialecto europês para fazer esquecer um assunto polémico, bullshit que o Expresso aproveita para produzir uma peça com o seguinte título:    

«Comité de Ética do BCE conclui que convite de Costa “não comprometeu a independência” de Centeno»

Jogando com as palavras, como se um convite em si mesmo comprometesse alguém para além de quem convida e omitindo que o convidado considerou tão seriamente o convite que o divulgou ao Financial Times e assim «comprometeu a independência». Ou seja bullshit do jornalismo de causas à maneira do semanário de reverência.

01/12/2023

A arte de bem titular toda a notícia (8) - Devia ser ... ainda pagam o IRS de Sócrates...

Primeira página do caderno de Economia
do Expresso, o semanário de reverência

... visto que o IRS de Gaspar foi o IRS que resultou do Memorando de Entendimento com a troika para resgatar o Portugal dos Pequeninos afundado pelos governos socialistas, memorando assinado pelo Sr. Eng. Sócrates antes de ir para Paris estudar na Sorbonne.

02/11/2023

ARTIGO DEFUNTO: Serão os jornalistas do Hamas muito melhores que os jornalistas do Expresso?

Expresso

Cruzei-me ontem com esta peça promocional do semanário de reverência, velha de uma semana. Já não surpreende a parcialidade descarada com que depois das barbaridades de 7 de Outubro muito do jornalismo doméstico continua a tomar partido pelo Hamas, uma organização classificada como terrorista pela União Europeia, que pratica actos que de acordo com a definição da ONU são terrorismo:
«Criminal acts intended or calculated to provoke a state of terror in the general public, a group of persons or particular persons for political purposes are in any circumstance unjustifiable, whatever the considerations of a political, philosophical, ideological, racial, ethnic, religious or any other nature that may be invoked to justify them;» 
Paragraph 3 of the United Nations' Declaration on Measures to Eliminate International Terrorism, 1994, and the 1996 Supplementary Declaration (fonte)

O que ainda é surpreendente é haver alguma dessa gente que imagina que no mundo distópico do Hamas na Faixa de Gaza existe alguma coisa que possa classificar-se como jornalismo livre ou mesmo simplesmente jornalismo, e cite sem qualquer reserva o que diz a "jornalista" Afaf Ahmed: 

«Considero que os jornalistas na Faixa de Gaza são muito melhores do que a maioria dos jornalistas ocidentais da ‘BBC’, da ‘CNN’ e da ‘Sky News’, que estão a distorcer a verdade.»

A menina Afaf foi entrevistada num local não mencionado que a avaliar pela foto não teria sido na Faixa de Gaza e poderia ser num coffee shop no centro de Londres.

03/07/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta (versão curta)

O Pertinente saiu por estes dias em missão humanitária para um destino onde o acesso à internet é problemático e por isso a edição normal do Semanário de Bordo foi interrompida. Em vez disso, sai esta edição abreviada pela pena do outro contribuinte. 

Cada governo tem a imprensa que merece (ou será a imprensa que precisa?) e cada eleitorado também tem o que merece (ou será o que pode?) 

O Expresso prantou numa peça do caderno de Economia o título "Governo quer mais multibancos mas falta falar com banca". 

Se, como suspeito, a maioria dos eleitores considerar que num país da UE com uma democracia que deveria ser funcional, com liberdade de imprensa, a visão subjacente a tal título não reflecte uma realidade viciada e viciosa de um Estado intrusivo e de um jornalismo abúlico e conformado, então o eleitorado tem aquilo que merece.

07/05/2023

ARTIGO DEFUNTO: O semanário de reverência a pagar tributo ao PS

Qual o propósito da publicação, no rescaldo da ameaça de dissolução do parlamento, de um artigo de duas páginas do caderno principal do Expresso sobre uma moradia que Luís Montenegro construiu, artigo que é uma devassa ridícula com pormenores como «caixilharia de alumínio com corte térmico e vidro duplo temperado», com 2 mil palavras semeadas de insinuações, sem uma única acusação concreta para além de alegar que o valor da moradia não foi declarado ao Tribunal Constitucional (Montenegro explica não estar prevista a indicação do valor que, aliás, consta da caderneta predial)?

É uma pergunta retórica porque a resposta é simples: o artigo do Expresso foi citado em dezenas de peças em todos os jornais em que as palavras-chave são «não declarou» o que no contexto de suspeição fundada na escandaleira socialista deixará muita gente a salivar mais do que o cão de Pavlov.

Para tentar mostrar neutralidade o Expresso incluiu uma peça de outro jornalista intitulada «Outras casas de políticos», onde se referem casas adquiridas pelo Dr. António Costa e pelo Dr. Medina, essas sim compradas em circunstâncias bem suspeitas ao grupo Teixeira Duarte e a uma herdeira desse grupo. A um dos casos foi feita em devido tempo referência no (Im)pertinências.

01/03/2023

ARTIGO DEFUNTO: Com parte da verdade nos tentam enganar (2)

Continuação de (1)

Mais um exemplo da plantação de notícias simpáticas que usam a sugestão do poeta popular António Aleixo: P'ra a mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade.

Na newsletter do semanário de reverência escreveu-se «a estimativa rápida apresentada no final de janeiro dava conta de um crescimento anual de 6,7%, o mais alto desde 1987».

Não é verdade que 6,7% seja o crescimento mais alto desde 1987 (7,63%) porque em 1990 foi 7,86%. Além disso, nos últimos 50 anos (incluindo os anos de Estado Novo) houve dois outros anos com maior crescimento: 1972 (10,4%) e 1990 (7,9%). E, ao contrário de 2022, cujo crescimento só atingiu esse valor por que em 2020 ocorreu uma quebra de -8,3% e por isso o crescimento real anual 2019-2022 foi inferior a 1,1%, os anos anteriores a 1972, 1987 e 1990 foram de forte crescimento. É claro que isso não poderia ser referido na notícia simpática plantada porque os anos de 1972 e 1990 pertencem aos períodos "fássista" e cavaquista.

22/02/2023

ARTIGO DEFUNTO: De como o negócio secreto não era secreto, o dinheiro da TAP ainda não era da TAP e afinal o mais importante não era nada disso

O Expresso da semana passada publicou no caderno de Economia um artigo intitulado «Como Neeleman, Passos e a Airbus gizaram privatização da TAP em segredo» com uma chamada na primeira página «O negócio secreto de David Neeleman para comprar a TAP», devidamente ilustrada com uma foto do antigo accionista que ocupa de 1/3 da página no melhor estilo Correio de Manhã (na modalidade semanário de reverência), ambos os títulos formulados para induzir o leitor distraído a acreditar numa cabala dos citados para extrair dinheiro da TAP para o bolso de Neeleman.

Quem se deu ao trabalho de ler uma página inteira com 1.700 palavras, ficou sem saber em que consistiu o «negócio secreto». Só ficou a saber que afinal do «negócio secreto (...) estavam a par todos os principais intervenientes na privatização do Governo de coligação PSD/CDS e na reversão da privatização já no Governo de António Costa, em 2017.»  Ou seja, o "segredo" era do conhecimento do governo que agora o foi buscar para distrair a turba do enorme desastre que foi a nacionalização da TAP, a que se seguirá nova privatização, depois de lá serem torrados mais de 3 mil milhões de euros.

Antes de continuar, recordemos que o Memorando de Entendimento, assinado a 17 de Maio de 2011 pelo governo do Partido Socialista, previa no seu item 3.31. a privatização da TAP:
«O Governo acelerará o programa de privatizações. O plano existente para o período que
decorre até 2013 abrange transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, e a CP Carga), (...)  O Governo compromete-se a ir ainda mais longe, (...) e tem a expectativa que as condições do mercado venham a permitir a venda destas duas empresas, bem como da TAP, até ao final de 2011.»
Também não ficou a saber-se na peça do Expresso de onde veio dinheiro para comprar a TAP, sendo certo que se insinua, mas não se explica como. Para melhor perceber o que está em causa pode começar por ler-se um artigo de Diogo Horta Osório que classifica a privatização de TAP como um «erro grosseiro» do governo PSD-CDS e como «inépcia (do governo PS) de pagar ao investidor estrangeiro uma quantia de 55 000 000 euros por uma participação numa empresa insolvente» e em seguida um outro artigo do mesmo autor onde explica
«Em síntese, não restam dúvidas de que foi utilizado o cash flow futuro da TAP para reembolsar o adiantamento pela Airbus, mas à custa dos meios financeiros da capitalização. Aparentemente, trata-se de uma operação de soma zero.

E comprar o cão pagando com o pêlo do próprio cão não é imoral ou ilegal em si mesmo. Adquirir uma casa com um empréstimo e arrendar a mesma, utilizando a renda recebida para amortizar o empréstimo não é ilegal. Uma operação de aquisição de uma sociedade, contanto sejam protegidos os accionistas e os credores, deveria ter o mesmo tratamento.

Questão diversa é se a privatização deveria ter sido efectuada àquele preço, pois a TAP poderia ter feito esse negócio stand alone, e se deveria ter sido pago ao Sr. Neeleman a soma obscena na sua saída. Esses são verdadeiramente os factos a investigar.»