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08/10/2026

Crónica da passagem de um governo (70b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 70a)

O Estado sucial mau pagador é o mesmo Estado sucial mau cobrador

Que o Estado sucial paga tarde e a más horas aos seus fornecedores é um facto antigo e bem conhecido. Menos conhecido e sobretudo menos falado é o Estado sucial ser um mau cobrador aos seus devedores, nomeadamente os contribuintes. É o que ficamos a saber ao ler o parecer à conta geral do Estado de 2025 do Tribunal de Contas que nos informa que existiam quase 30 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 10% do PIB desse ano, em cobrança coerciva, o que é equivalente é cerca de 45% da receita fiscal do ano, sendo que cerca de 40% é dívida incobrável e 60% desta dívida diz respeito a empresas que deixaram fiscalmente de existir.

O Estado sucial é mau pagador, mau cobrador e senhorio incompetente

Dos mais de 3000 imóveis propriedade de Segurança Social, quase 1000 estão devolutos, ocupados indevidamente ou sem contrato de arrendamento válido. Em 2025 o número de edifícios devolutos ou com a ocupação indevida aumentou 14% (fonte: parecer à conta geral do Estado do TdC). Isto já seria bastante grave se não existisse em Portugal uma séria carência na oferta de habitação. Nestas condições concretas, uma entidade pública gerir com semelhante desleixo um recurso escasso é algo do foro criminal.


O Estado sucial faz o bem sem olhar a quem

Ainda pela via do Tribunal de Contas, que, podemos especular, está a cobrar ao governo os conflitos sobre as suas competências, governo a quem acusou de «procurar denegrir a imagem do Tribunal perante a opinião pública», ficámos a saber que o governo torrou mais de meio milhão de euros em subsídios cujos propósitos e beneficiários não são conhecidos.

O SNS como lugar geométrico da cunha

Cada vez que se escarafuncha um organismo público, rapidamente se encontra uma cloaca de onde emanam odores a cunhas. Aconteceu mais uma vez com o caso das gémeas que espoletou uma investigação do DIAP onde se concluiu que a bolha político-mediática usa recorrentemente a via da cunha.

O governo evita uma «hecatombe social»

O alerta do Dr. Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento de que se, com o fim do PRR, «a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social», não caiu em orelhas moucas e foi escutado pelo Dr. Castro Almeida, ministro da Economia, que já convenceu o governo a aprovar um financiamento de 200 milhões para acabar as obras inacabadas até ao final de 2027, garantindo assim que não haverá um euro dos contribuintes europeus que não seja torrado.

Está a ser difícil distinguir as “contas certas” do Dr. Sarmento das do Dr. Centeno

As contas do 1.º semestre apresentaram um saldo orçamental positivo equivalente a 0,5% do PIB. Como o Conselho Económico e Social constatou, a coisa foi possível graças à «sobreorçamentação ou subexecução do investimento», por outras palavras, graças à autoestrada mexicana do investimento público.

Fonte

Onde ainda existe alguma diferença é no crescimento da despesa pública que está mais imparável com o Dr. Sarmento, como mostra o gráfico acima,

Em conclusão, a visível decomposição do PS-D…

… vai ser o terreno fértil, suspeito, para o socialismo de direita ou de esquerda chegarem ao poder, o que pode não ser muito pior e, com alguma sorte, pode ser uma cura para as ilusões de um eleitorado viciado no facilitismo e na procura de soluções mágicas.