Sou exortado pelo jornalismo de causas e até por comentários neste blogue a não acreditar na "versão oficial" dos acontecimentos da invasão da Ucrânia pela Rússia (a que chamam guerra na Ucrânia), o que me leva a um esclarecimento e me suscita uma dúvida.
O esclarecimento é que sou pouco dado a acreditar seja no que for. A dúvida é que havendo pelo menos duas "versões oficiais" desses acontecimentos, qual das duas "versões oficiais" me aconselham a não acreditar?
Por um lado temos a versão oficial da NATO (para simplificar admito que todos os estados-membros têm a mesma versão) que é escrutinada e comentada em milhares de jornais e canais de televisão por dezenas de milhares de jornalistas e comentadores de todas correntes ideológicas e livremente discutida por milhões de cidadãos dos estados-membros, tão livremente discutida que é pública e abertamente contraditada nos mesmos jornais e canais pelos crentes da versão oficial do governo russo.
Do outro lado temos a versão oficial do governo russo que é divulgada quase ipsis verbis por jornais e canais de televisão russos que a reproduzem fielmente, versão que ninguém ousa colocar em causa, sob pena de ser multado, na melhor hipótese, preso na hipótese mais provável e assassinado na pior hipótese.
Quando escrevo ninguém, não é exacto. Há dois tipos de cidadãos russos que colocam em causa a versão oficial russa: (1) os que, como Alexei Navalny, já estão presos, e (2) os que estão no exterior, como Oleg Tinkov, um empresário russo, que escreveu na sua conta Instagram «os generais (russos), acordando de ressaca, perceberam que tinham um exército de merda. E como pode ser bom o exército se tudo no país é uma merda e atolado em nepotismo, bajulação e servilismo?»
E, por falar em invasão e versões, permito-me colocar mas uma dúvida: a líder parlamentar do PCP quando disse «alguém que personifica um poder xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi» estava a referir-se a quem?