Nos dias que correm, a disputa política mais importante não é entre esquerda e direita, mas entre adeptos da democracia liberal, uns de esquerda e outros de direita, e os adversários do liberalismo, uns de esquerda e outros de direita, nomeadamente os inimigos da liberdade, como os chamou Isaiah Berlin. Na verdade, as ideologias políticas não são representáveis a uma só dimensão, precisamos pelo menos de duas e, ainda assim, isso exige simplificação, por vezes bastante grosseira.
| The Political Compass |
A insuficiência dessa dicotomia para explicar a realidade política é hoje bem visível na incapacidade que uma parte da direita - a direita de convicções liberais frágeis - tem de lidar com o epifenómeno do trumpismo, deixando-se fascinar por um catavento político movido pelo onanismo, o nepotismo e a falta de princípios e escrúpulos e uma prática autocrática, imaginando que a partilha dos mesmos adversários (na verdade, vistos como inimigos) é suficiente para sustentar uma aliança. No final do dia, é a perigosa ilusão de que «o inimigo do meu inimigo é meu amigo», um princípio duvidoso até do ponto de vista táctico e absurdo do ponto de vista estratégico, como a história nos dá exemplos trágicos.
Vem isto a propósito do fascínio pelo trumpismo de algum comentariado doméstico que, em termos da política interna, olha com simpatia ou também se deixa deslumbrar por um Dr. Ventura que, na sua versão actual (ele já teve várias), corporiza um trumpismo de fancaria. Como em tudo na vida, há excepções e uma delas é Henrique Raposo, como se percebe nesta peça sobre alguns colunistas do Observador a propósito das eleições presidenciais.
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