Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…
… reduzir o atraso médio dos registos predial (179 dias), comercial (173 dias) e automóvel (476 dias);
… imprimir os boletins de voto em menos de um mês e evitar incluir três candidatos da PR com processos rejeitados pela Comissão Nacional de Eleições;
… eliminar a bandalheira dos concursos para docentes do ensino superior;
… preparar com competência a instalação de novos sistemas para evitar o caos, por exemplo
- Sistema de controlo da entrada e a saída de cidadãos de países terceiros nos aeroportos
- Sistema integrado dos Meios de Transporte e das Mercadorias nos portos e aeroportos.
Por exemplo,
- Simplificar o sistema fiscal, o 6.º menos competitivo entre os 38 países da OCDE, sobretudo na fiscalidade das empresas (3.º menos competitivo), segundo o International Tax Competitiveness Index 2025 ou ainda
- Simplificar o sistema salarial dos funcionários públicos, que inclui uma pletora de subsídios que, em média, representam 20% do salários-base e, nalgumas categorias, atingem proporções pornográficas da remuneração média mensal, como os diplomatas (200%), guardas prisionais (100%) e bombeiros (70%) (fonte). Em atenção aos nativistas, talvez deva acrescentar que esta é uma das particularidades da alma portuguesa que a estranja que por cá trabalha não entende, habituados que estão a ter um salário anual que é pago em fracções mensais.
Não há soluções miraculosas; ainda assim, as USF modelo C, que são USF de cuidados de saúde primários, geridas por entidades privadas, têm virtualidades de contribuir para um melhor padrão na qualidade e no custo dos serviços médicos prestados pelo SNS.
Num deserto socialista até a areia acabaria por faltar
| mais liberdade |
Se o problema do SNS fosse a falta de médicos e enfermeiros, já deveria estar resolvido.
O choque da Boa Nova com o visconde de Chateaubriand
Sem nenhuma surpresa, anunciada a solução das USF de gestão privada, a Federação Nacional dos Médicos, um dos lóbis da corporação médica, logo protestou argumentando que os “territórios” onde o sector privado mais investe em saúde são os territórios onde o SNS enfrenta maiores dificuldades.
É um argumento do tipo que aqui baptizámos de argumento Chateaubriand, em homenagem ao visconde e escritor do qual se diz que um dia teria abençoado a divina providência por fazer passar os rios pelo meio das cidades.
Seja porque adoptou o argumento Chateaubriand, seja porque quis fazer uma prova de vida, o Dr. Marcelo devolveu vários decretos aprovados pelo governo, incluindo o que previa o encaminhamento de «doentes para o sector privado ou social quando o SNS não consegue dar resposta em tempo útil»
(Continua)
